segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quando eu adolescente corria... sem gostar!

Sim... era mesmo eu com 15 ou 16 anitos!

(noutro dia, numa brincadeira num mail, revi esta fotografia minha o que me fez recordar algumas coisas . Umas relacionadas com correr. Aqui vão essas...)

Há uma meia dúzia de anos atrás (bom... não foi propriamente meia dúzia de anos mas adiante...) era eu um adolescente de 16 anos e fui algumas vezes fazer o circuito de manutenção do estádio nacional.

Estávamos em 1976 e apenas nesse ano lectivo acabado de terminar, tive aulas de Ginástica (ainda não tinham alterado o nome para Educação Física) a sério. Nos anos anteriores, as aulas dividiam-se entre uma ginástica muito Estado Novo (todos de branco e a fazer exercícios coordenados para parecer bem) e futebolada.
Durante o ano 1975-1976, tive o prazer da professora de ginástica ser uma rapariga jovem que vinha cheia de boas ideias e de querer mostrar-nos a maioria dos desportos. Chamava-se Magui e hoje controla as corridas do Troféu de Oeiras.

E se eram um espectáculo aquelas aulas! Num dia aprendíamos as regras e técnicas duma determinada modalidade e nas aulas seguintes colocávamos em prática. Passávamos então para outro desporto e por aí fora percorrendo a maioria.

Foi assim que fiz pela única vez algumas coisas como, por exemplo, salto em altura (técnica de barriga para baixo, à antiga, e não de costas). O pior era quando se tratava de correr às voltas ao exterior do pavilhão. Aquilo cansava! Correr a jogar qualquer coisa era diferente pois corria-se e parava-se, agora correr assim estilo 1 ou 2 minutos seguidos... era duro e cansativo! Então em frente à setôra corríamos e lá atrás no pavilhão caminhávamos, estilo um fartlek mal amanhado.

Entretanto chegaram as férias grandes e no grupo de amigos lá do bairro, um propôs irmos ao estádio nacional pois tinham lá desenhado um circuito de manutenção muito giro. 

Lá o fomos experimentar e aquilo era mesmo bom! Muito bem arranjado, com uma série de estações onde se realizavam os mais diversos exercícios, alguns com troncos que depois deixávamos no mesmo sítio sem ninguém estragar nada. Entre as estações havia placas que indicavam "Marcha" ou "Corrida".

Gostámos tanto que nessas férias fomos diversas vezes. Como morávamos na Parede, era só apanhar o comboio até Cruz-Quebrada e vice-versa. 

E eu gostava daquilo... menos da parte de correr. Cansava! Os exercícios eram muito giros, em especial porque íamos subindo de nível (o número de repetições estava para iniciados, médios e avançados e chegámos a esse último patamar), mas entre os exercícios gostava era de ver as placas de "Marcha", pois quando aparecia uma de "Corrida", só queria que acabasse rápido.

Aliás, recordo-me da primeira vez que fui lá e ao fim dum minuto a correr já quase berrava "quando é que isto acaba?"

Um certo dia vimos que o portão para a pista do estádio estava aberto e entrámos. Com o professor Moniz Pereira no relvado a controlar, evoluía na pista 1 o Carlos Lopes e o Fernando Mamede, que deram voltas e mais voltas sempre no mesmo ritmo, o que nos impressionou. Andava o Carlos Lopes a preparar os Jogos Olímpicos de Montreal. 
Um de nós, o Natalino, decidiu correr uns metros (muito poucos...) à frente deles e a levantar os braços como a festejar ter estado à frente de tais campeões. Nessa altura estavam eles a passar por nós e ouvimos o Mamede comentar para o Lopes "O que é que este pan****** quer?" 
Claro que isso foi motivo para andarmos a gozar com o Natalino por várias semanas!

Outra vez tornámos a entrar para o estádio e decidimos organizar um campeonato, com corridas de 100, 400, saltos, etc.
Só que o campeonato nem a meio chegou pois fomos entretanto corridos por um segurança que apareceu aos berros a perguntar o que estávamos a fazer na pista.

E, nas poucas provas que realizámos, que resultados alcancei? Nenhum! Sabem porquê? Como correr cansava, ofereci-me logo para ser o juíz que controlava as partidas, chegadas e classificações...

Pois é... a gente muda e de que maneira! Está quase a fazer um ano que estive a correr durante mais de 5 horas e com 16 anos muito me custava correr um só minuto... 

Mas há coisas que nunca mudam. No tal circuito de manutenção, perto do final, havia uma descida para aí com uns 30 metros que era bem íngreme. Daquelas que mesmo fazendo muito devagar, as pernas começavam a acelerar e muito com a inclinação.

Pois este "exímio descedor" dava sempre barraca aí pois, invariavelmente, desequilibrava-me e era um milagre como nunca caía. Para o evitar, a maior parte das vezes tinha que ir de encontro a uma determinada árvore de estimação para me travar.
Claro que esse era o ponto preferido de todos que desciam num instante para depois ver como é que eu ia descer daquela vez...

Essa de nem saber como não caí e ter que ir de encontro a uma árvore, não vos faz recordar nada, pois não, Isa e Marta? (para quem não sabe... Corrida do Monge no mês passado... ler aqui).

Há coisas que mudam e muito... outras nada!

Ainda sobre o circuito... as férias grandes acabaram... o circuito ficou lá... e nós não regressámos.

E pronto, fica aqui a história de como este adolescente não apreciava correr... Estúpido!!! :)

16 comentários:

  1. História gira, João! E que vem confirmar que a adolescência é uma fase "parva" :))) Até me arrepio só de pensar que qualquer dia terei de lidar com isso.

    Beijinhos

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    1. Anabela... vai respirando fundo! :)))

      Beijinhos

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  2. :) Gerações diferentes e as coisas não mudam, porque na minha escola era igual: a prof. mandava correr à volta do pavilhão e era correr enquanto ela estivesse à vista e depois sempre a andar até contornar novamente a esquina. :)
    Geralmente via-se sempre a corrida como o "castigo" -> não te portaste bem no jogo de futebol, vais dar 3 voltas ao campo a correr.
    Belas memórias do adolescente João. :)
    Beijinhos

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    1. Sim, essa é das que nunca mudam :)

      Beijinhos, Rute :)

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  3. Hehe, adorei ler.

    Eu só gostava de fazer sprints, agora correr durante mais que 1 minuto??? Que horror, qual era a piada disso? ;)

    Felizmente que um dia descobri a imensa alegria que é correr.
    Abençoado seja o dia 8 de Novembro de 2011! =)

    Beijinhos

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    1. Pois... tu ainda descobriste cedo, agora este parvalhão, que gostava tanto de ver Atletismo, só descobri muito mais tarde que também podia e gostava de correr!!!

      Beijinhos :)

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  4. Estupido João ?não , nem pensar a vida é mesmo assim...por isso é que eu digo que nunca é tarde para começar...também tenho historias muito parecidas que também entram portas de estádios e tudo ...só que eu era para jogar futebol....ás vezes é bom recordar .grande abraço

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    1. Aos olhos de agora, sinto que andei a perder muito tempo! :)

      Um abraço!

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  5. Gostei....e olha, de todos os meus amigos que agora não conseguem viver sem a corrida, não sei se existe algum que gostasse de correr na adolescência (sem uma bola, sem que fosse atrás das raparigas ou a fugir por ter feito alguma asneira) :)
    Abraço

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    1. Olha que a fugir por ter feito alguma asneira, aí eu corria bem! E fazia muitas... não te deixes enganar pela carinha de santinho da fotografia... :)

      Um abraço

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  6. Já percebi que gostas é de ir direito ás árvores Padrinho eheh
    Á coisas que nunca mudam e outras com o passar dos tempos começamos a ver o outro lado (mais positivo) da coisa.
    Mas atenção, tu mudaste e ainda bem... acordaste para este mundo a bom tempo. Poderia ter sido mais cedo, podia, mas não era a mesma coisa :)
    Ah pois não era não. :)
    Eu sou a favor da teoria de que as coisas só acontecem quando têm que acontecer, tudo tem o seu tempo. :)

    Beijinhos

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    1. Devia ter acordado 20 anos mais cedo mas não há possibilidade de fazer undo :)

      As árvores são uma tentação! :)

      Beijinhos!

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  7. Pois eu no 9º ano tive um extraordinário professor de educação física, o saudoso Professor João Coutinho que era o comentador dos jogos de basquete na RTP na altura.
    Esse grande professor dava-nos umas aulas de educação física muito boas em que nos punha a fazer tudo e mais alguma coisa!
    Inclusive chegamos a jogar basebol e até houve um certa “moda” com aquilo e íamos a uma serração perto da escola comprar cabos de enxada para usar como tacos de basebol!
    Foi esse grande Professor que nos meteu a todos a correr e inclusive organizou um prova conjunta das únicas três turmas que a escola tinha do 9º ano.
    Ainda não entendia nada de corrida, nem sonhava (nem sabia o que era) ser ultra maratonista mas gostava de andar ali a correr as voltas do pátio da Escola Preparatória Francisco Arruda.
    Nessa competição a minha equipe ganhou a prova (muito por “culpa” de só ter uma rapariga que ao contrario das outras colegas até corria alguma coisa) e nível individual eu classifiquei-me para ai em quarto lugar entre os alunos das referidas três turmas.
    Mas ainda demorou uns anos até que eu começa-se a correr no Estádio 1º de Maio (Inatel) com o grande objectivo de conseguir correr 15 minutos sem parar e muito admirado por andar lá um senhor “idoso” que todos os dias corria uma hora!
    Depois atingi esses 15 minutos, fui avançando, uma revista Spiridon veio parar-me as mãos por acaso, assinei a mesma, um dia vimos o anúncio do dos 14 km do 1º Grande Prémio Internacional do Circulo de Leitores (vimos porque falo em mim e no Egas que esteve comigo desde o inicio na corrida) e lá começamos a treinar para o mesmo no Estádio Nacional.
    Seguia-se a corrida do Tejo (1ª edição) e acabaram por passar 33 anos de ligação com a corrida.
    Mas não posso deixar de lembrar sempre a primeira vez que conheci o Professor Mário Machado, ou melhor lhe interrompi o jantar em casa dos pais na Avenida do Uruguai, em Benfica, Lisboa (a “sede” da Spiridon na altura) para me vender uns sapatos!
    Muito me marcou o primeiro encontro com esse grande senhor da corrida, tanto em Portugal como no mundo, e que me tratou com tanta cordialidade até ajudando a ver se os Top Star tinham a medida certa para mim!

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    1. Lembro-me perfeitamente do João Coutinho que tinha a particularidade de dizer benenses em vez de Belenenses.

      Grandes histórias, Jorge!

      Um abraço

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  8. Mudam-se os tempos...
    Eu fui atleta federado (infantil a Junior) e era uma seca fazer l aquecimento, normalmente 10 min.:)
    E, embora não me meta em maratonas ou 5 horas a correr gosto e faz-me mesmo bem pelo menos 60 minutos quando posso.
    Enfim, se soubesse o que sei hoje;)
    Mas são etapas porque temos que passar.
    Bons treinos

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    1. Sim, são mesmo fases que temos que passar! Apesar depois lamentarmos

      Um abraço e boas corridas

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