domingo, 10 de maio de 2020

Não, nunca é mais uma!


Existem frases feitas que servem apenas para muleta ou desbloqueador de conversa. Desde o famoso "cá estamos" ao "tudo bem" automático, seja ou não real.

Como em tudo na vida, também há dessas muletas nas nossas corridas. Uma é quando se quer iniciar uma troca de palavras com algum outro corredor, dizer "mais uma, não é?". 

Confesso que das imensas vezes que ouvi essa frase, fico sempre sem jeito, não sabendo o que responder, limitando-me a um "pois", apenas para dizer algo. Mas a verdade é que para mim, nenhuma foi mais uma. 

Fosse qual fosse o seu grau de exigência, tratei cada uma, não como "mais uma", mas como "esta corrida" pois era a que ia vivenciar. Sempre vivi com paixão este desporto e em cada uma entreguei-me de alma e coração.

Vem isto a propósito do que tenho recordado esta frase feita neste momento actual. Certamente que nenhum dos atletas que alinhou nas dezenas de provas que se disputaram a 8 de Março imaginava que estavam a participar num evento de corrida pela última vez num largo tempo indeterminado. Se fosse possível prevê-lo, certamente que a maneira que se tinham agarrado a essa corrida, ou pelo menos o seu apego sentimental, seria diferente.

A menos que seja planeado, nunca sabemos quando fazemos algo pela última vez. Por isso, a paixão com que nos devemos dedicar a cada acto. Por mais insignificante que possa parecer, a sua importância aumenta de forma exponencial aquando da sua falta.

No meu caso pessoal, participei no último dia do ano na São Silvestre da Amadora, sem imaginar nem passar remotamente como hipótese, que seria a última durante largos meses, quiçá de sempre, apesar de todas que já estavam programadas, algumas naquela classe muito especial da mítica distância.

Ao contrário do habitual, escrever pelo menos uma vez por semana, nos últimos meses este blogue tem sido maioritariamente preenchido com silêncio.
Muitas vezes penso em redigir algo mas, sinceramente, não sei o que dizer quando tenho um ponto de interrogação tão grande na perspectiva de continuar a fazer o que amo e tanto prazer me dá.

Continuam em cima da mesa as 3 hipóteses: Correr como fazia (o que nesta altura pouco mais é do que uma hipótese meramente académica), poder correr mas apenas distâncias mais curtas e mais devagar ou nem sequer poder correr mais. 

Dia 18, se tudo correr como se espera, irei fazer a tal infiltração ao joelho, à espera dum milagre. Tudo o que posso fazer, tenho feito, seguir à risca todas as indicações.

A foto que coloquei neste artigo foi tirada a escassos metros da meta na Maratona de Valência 2018. Se a Maratona de Sevilha 2014 foi a corrida da minha vida, o último quilómetro desta Maratona em Valência foi o quilómetro que mais me marcou e mais exultei em virtude do incrível ambiente. A minha cara revela toda a felicidade ao correr e é assim que recordo as corridas, com felicidade. 

Se for obrigado a ficar por aqui, duma coisa não me posso queixar, o ter tido o enorme privilégio de ter participado em 466 corridas. 466 hipóteses de sentir o prazer de correr e competir comigo mesmo. E não, nenhuma foi mais uma.

Mas, já sabem, se houver a mínima hipótese de continuar, mesmo limitado, agarrarei essa oportunidade com ambas as mãos (ou melhor dizer, pernas). Só desisto mesmo quando não resta qualquer outra solução. Já me conhecem.

Fiquem todos bem para, num futuro, todos podermos estar unidos de forma real e não apenas virtual. 
Recebam um abraço de amizade.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Vamos colaborar neste inquérito


Bastas vezes, temos uma percepção da realidade pelo chamado "olhómetro". Calculamos que uma determinada situação esteja a afectar x pessoas que reagem de y maneiras. No entanto, nada como inquéritos bem estruturados para transmitir uma imagem focada. 

E para que essa imagem seja o mais focada possível, é necessário um número significativo de respostas. 

A Lap2Go, conhecida e reconhecida organização de corridas que nos saciam a vontade de correr, associou-se à CICS.NOVA/NOVA FCSH (Portugal) e à INEFC/UdL (Espanha) para um inquérito com o intuito de caracterizar os desportistas em Portugal e Espanha e o seu estado anímico perante o COVID-19.

Numa primeira fase, fez a divulgação através da sua base de dados, o que permitiu contar com cerca de 2.000 respostas, mas pretende-se alargar o leque para uma melhor compreensão de como estão os praticantes a lidar com toda esta situação e o que esperam dos próximos tempos.

O desafio é dirigido a quem ainda não respondeu que o possa fazer até este domingo (10 de Maio). Para tal, cliquem aqui

Desde já agradecido em nome dos promotores, passo a transcrever o mail original com os propósitos:

Perante a situação que se vive em Portugal e Espanha devido à Pandemia de COVID-19, o Grupo de Investigação Sistemas de Modelação e Planeamento do CICS.NOVA/NOVA FCSH e o Grupo de Investigación Social y Educativa de la Actividad Física y del Deporte (GISEAFE) do INEFC/UdL estão a promover um estudo de âmbito ibérico sobre os impactos ao nível da prática dos principais desportos de ar livre que resultam das medidas extraordinárias impostas aos cidadãos.

A Lap2Go associou-se a este estudo por considerar a iniciativa de enorme relevo para a compreensão dos impactos do COVID-19 nas atividades de todos aqueles que têm vindo a participar nos eventos e que têm estado connosco desde há vários anos. A caracterização dos impactos pretende ser um contributo para a discussão da reabertura das atividades que todos apreciamos enquanto participantes de desportos de ar livre.

A participação neste inquérito é anónima e voluntária, estando garantida a total confidencialidade das respostas.

Pode aceder ao inquérito no seguinte link: https://arcg.is/1TG9ea

Puede contestar a la encuesta en el siguiente enlace: https://arcg.is/0uPO0K

terça-feira, 21 de abril de 2020

Aquele que gostou de conversar


Vitor Oliveira, além de ser um fantástico atleta, tem um excelente blogue chamado Aquele que Gosta de Correr. Aproveitou esta época de confinamento para lançar a ideia de conversar via net com alguns atletas, rubrica que apelidou "Aquele que Gosta de Conversar". 

Começou a série com 3 grandes atletas: Filipe Torres, Carlos Cardoso e Paulo Pires.  
Chegou agora a altura de um que corre muito mais tempo para conseguir fazer a mesma distância. Quem? Este vosso escriba!

Foi uma conversa que voou e espero que gostem e tenham paciência para a ouvir. Este vosso amigo quando começa a falar de coisas que gosta, engata e não se cala. E muito mais ficou por dizer e contar :)

Podem ver clicando aqui no blogue ou no Youtube. 

Um grande agradecimento ao Vitor pela sua iniciativa e generosidade. Adorei a conversa!!!

Mudando de assunto, desde que criei o blogue, fez 10 anos em Fevereiro, nunca tinha estado mais de 2 semanas sem escrever e as 2 semanas apenas aconteceram em alturas de estar fora em férias. Porém, o último artigo antes deste, data de 26 de Fevereiro, tornando este período que hoje terminou como o maior hiato entre escritas.

Fui entretanto operado ao joelho, como o anterior artigo informava e se ainda não tornei a escrever é por não saber o que dizer pois o futuro está incerto.

A operação decorreu a 12 de Março, curiosamente o último dia que o médico operou pois no dia seguinte as cirurgias não urgentes e inadiáveis foram suspensas. No seu caso concreto, até final de Maio. Por outras palavras, se não tivesse sido nesse dia 12 de Março, apenas o iria ser, na melhor das hipóteses, em Junho. 

Correu bem, a rotura interna horizontal do menisco foi tratada, e estive a ver tudo através de ecrã, o que foi uma experiência muito curiosa. Mas a má notícia é o estado da condropatia, muito mais extensa e profunda do que se pensava. 

Primeiro tinha que ser resolvida a rotura do menisco para deixar de danificar mais as cartilagens. O passo seguinte é a infiltração de ácido hialurónico no joelho para compensar os buracos nas ditas cartilagens. Essa infiltração não pode ser efectuada nos 30 dias seguintes à cirurgia, o que faria que o poderia ser a partir de 12 de Abril. No entanto, devido à situação actual derivada da pandemia, o primeiro dia que está previsto o doutor regressar, é 18 de Maio e é para esse dia que estou marcado. Vamos ver se poderá ser nessa altura.

A situação está complicada, o caso não é para brincadeiras e neste momento a minha carreira no Atletismo amador está em suspenso sem saber o que irá ser.

Até uma próxima, fiquem todos bem e a salvo deste bicho que veio condicionar a vida do planeta.
  

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Paragem forçada prevista até meio de Maio

No artigo anterior referi que tinha feito uma ressonância magnética e aguardava resultados.

Estes não foram bons, confirmando-se que a lesão é grave. Mas tem solução.

Por palavras directas, como o médico disse, tinha em cima da mesa duas opções. Ou não ser operado e saber que isso iria implicar não mais correr e daqui a uns tempos ter que colocar uma prótese. Ou ser operado e depois da recuperação poder regressar à vida normal de corridas, Maratonas incluídas.

Perante este cenário, é evidente que a minha resposta foi imediata "quando posso ser operado?"

De amanhã a 2 semanas, 5ª feira 12 de Março, irei ser operado ao menisco no joelho esquerdo em virtude duma rotura horizontal. Um mês depois, irei ser infiltrado com um gel para colmatar os buracos duma condropatia de nível III-IV dum máximo de IV. E este sim, este é que era o problema grave e que poderia obrigar a deixar de correr para todo o sempre. E como podem imaginar, isso seria um verdadeiro drama para mim.

Felizmente que fiz tudo certo, ou seja, deixei logo de correr quando senti dores e mantive-me parado até saber qual o problema, pois assim não agravei a condropatia que estava num nível perigoso de aproximação ao ponto de não retorno.

A condropatia é resultado duma rotura horizontal do menisco que assim ficou a actuar como uma espécie de lixa nas cartilagens, fazendo-as chegar ao mísero estado que estão. E como não têm terminais nervosos, não sentia que havia ali um problema até chegar a um ponto tal que o joelho começou a ficar como que meio solto e a doer. Essa rotura já a teria há um certo tempo, também sem dar sinais de alarme pela sua forma. Por vezes, há lesões silenciosas que não dão qualquer sinal.

Naturalmente perdida a Maratona de Madrid, adiada para 2021, questionei o médico se seria possível pensar fazer a de Málaga em Dezembro, começando-a a preparar em Agosto, ao que me respondeu da forma mais convicta "claro que sim!". E isso foi música para os meus ouvidos, terminado umas horas de angústia entre o ter recebido o resultado da ressonância e ir à consulta, desconhecendo se teria futuro neste mundo das corridas, tão necessário para mim.

Foco total na resolução do problema, para se seguir o foco total na mais correcta recuperação, para finalmente poder regressar às passadas em forma de corrida que tanto prazer me dão!

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Dez anos de blogue e actualização da paragem


Completam-se hoje 10 anos que nasceu este blogue. 

Há duas vertentes a destacar, sendo a mais importante tanta e tão boa gente que permitiu-me conhecer. E isso é impagável!

A outra é a parte estatística onde posso dizer que em 10 anos escrevi 1.724 artigos e registaram-se 700 mil visitas.
Isto tendo em conta que tenho o total do blogue separado do total da página onde constam o calendário e histórico de resultados, sendo que aí há perto de 5 milhões e meio de visitas nestes 10 anos, totalizando assim cerca de 6,2 milhões, número verdadeiramente impensável quando criei estes cantinhos. Mas mais impensável é verificar que já registei visitas de 213 países, o que é algo de surreal e um pouco incompreensível.

Uma dezena de anos é sempre algo para festejar mas coincide na maior paragem desde que criei este blogue (paragem maior apenas quando parti o pé no final de 2008). 

Efectuei hoje uma ressonância magnética pois há a desconfiança de poder haver algo no joelho esquerdo que, a existir, obrigará a alguma intervenção. Saberei resultado na próxima terça-feira.
Espero que não se confirme mas o que é certo é que vai para 2 meses que estou parado e sem perspectiva de retomar, já faltei à Corrida com os Campeões e à Meia-Maratona de Cascais e arrisco a faltar às próximas, onde se inclui a que me irá doer bastante não poder participar, a Maratona de Madrid.

Com tão longa paragem e já pouco tempo a faltar, e sendo realista, Madrid já voou mas... enquanto houver uma ínfima percentagem de esperança, não desistirei. Deixem-me sonhar! 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Uma entrevista e ponto de situação duma paragem forçada

Depois de no último artigo, no passado dia 26, parecer que tudo estava a ficar bem, após um Janeiro quase sempre parado, eis que logo nesse próprio dia tudo voltou atrás.

Seria fastidioso relatar todos os acontecimentos, mas efectivamente aqueles problemas resultaram numa lesão no joelho e a forçada paragem desde então.

Dias houve (até ontem) que coxeava de forma significativa e após uma consulta de urgência, a marcação duma ecografia para avaliar danos.

E aqui havia uma dúvida que me atormentava. Se seria apenas uma lesão ou algo estrutural ou degenerativo que colocasse em perigo a minha continuidade na corrida. Podem imaginar como andei...

Felizmente que do mal o menos e o que a ecografia disse é que se trata "apenas" duma lesão, estando menisco, rótula e ligamentos bem, nada havendo estruturalmente danificado. Ufa...

Tudo o recomendado estou a fazer certinho, envidando todos os esforços e mais alguns para que a paragem seja o mais breve possível. 

Não há qualquer previsão de tempo, podendo ser dias ou semanas. 

Não estou preparado para perder a Maratona de Madrid, embora reconheça que cada semana que passa fica mais improvável mas não desisto de lutar por poder estar presente.
Podendo ir, não será com a preparação ideal, longe disso, mas aí terá que ser com muita cabeça e foco, como sempre, na meta. 
Deixem-me continuar a sonhar!

Entretanto, em Novembro passado tive o prazer de ser entrevistado por um grande atleta, João Silva, com uma história muito grande de superação a nível de peso e com resultados fantásticos em termos cronométricos. 
A entrevista foi agora publicada no seu excelente blogue e pode ser lida aqui
Um muito obrigado ao João pelo reconhecimento!

domingo, 26 de janeiro de 2020

Mais vale tarde...

Já deveria ter vindo aqui escrever como tem sido o plano para Madrid, iniciado a 2 de Janeiro. 
Já deveria ter vindo aqui escrever como foi a Corrida com os Campeões no dia 11. 
E porque não os vim aqui relatar? Porque não aconteceram.

No dia que o plano deveria ter arrancado (dia 2) apareci com uma gripalhada que foi não só forte, como prolongada. Há 6 anos que não tinha uma assim e isso obrigou-me a parar toda a primeira quinzena do mês. Inclusive falhando a Corrida com os Campeões. E para quem me conhece, para eu falhar uma prova, é que a coisa não estava mesmo nada bem.

Finalmente, dia 16 recomecei os treinos, em jeito de recuperar primeiro a forma, não só após uma paragem como, principalmente, pelo que deitou abaixo. 

Treinei 16, 17, 19 e... parei novamente. Uma dor ao redor do joelho esquerdo. Não no joelho mas à sua volta. 

A coisa não passava e fui à osteopata. Em virtude dos fortes ataques de tosse que tive naquele período (e diga-se de passagem que a tosse ainda não passou completamente, imaginem!), terei dado um jeito nas costas que foi implicar com um tendão que passa ali pela zona da pata de ganso e acabei por formar um quisto ceroso que a osteopata Paula Almeida conseguiu dar cabo dele.

Assim, e espero que definitivamente, regressei ontem aos treinos. Ontem em modo de apalpar terreno para ver como a coisa está e hoje a tentar ir reganhando forma. Apenas espero que os estragos feitos nessa zona não tragam mais consequências.

A Maratona de Madrid é de exactamente hoje a 3 meses. 3 meses é o tempo ideal para preparar uma distância destas. No entanto, primeiro tenho que readquirir a forma, prevendo 3 semanas. Depois, poderei iniciar o plano, numa altura que faltarão 2 meses e 1 semana. Muito curto para mim, portanto terei que adoptar um plano de contingência. É curto mas é o que há. E mais vale começar tarde do que não começar. Desde que não haja mais complicações, a coisa faz-se (ou tem que se fazer!).

Entretanto no treino de hoje, estreei os meus novos companheiros de corrida, Adidas Solar ST 19, a continuação dos Supernova, linha que uso desde 2009 e que são os ideais para o meu estilo de passada.    
Serão eles a levarem-me à meta madrilena.