sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Cinco Léguas

Com a intenção de em cada mês fazer mais um par de quilómetros que o máximo do anterior, relembro que em Setembro foram 22.195, hoje foi dia de tentar caminhar 25 km a bom ritmo.

O objectivo "obrigatório" passava por fazer uma marca final até 4:09:59, portanto média abaixo de 10 ao km. Porém, o objectivo maior era baixar das 4 horas, o que implicava uma média até 9:35,99. Ora uma média destas é acessível neste momento mas mantê-la durante cerca de 4 horas, é que era o busílis. Não apenas pelo natural cansaço físico mas igualmente pelo mental porque caminhar no limite durante estas horas, obriga a concentração total. Bastam uns momentos de distração e o relógio ressente-se de imediato.  

Após ter sido forçado a abandonar a corrida, iniciei as caminhadas a 31 de Maio, portanto até ao momento só o tinha feito com tempo quente. Hoje quando iniciei às 7 horas, estava frio, o que obrigou a ter além da normal camisola de manga curta, uma outra de manga comprida que levei até ao nono quilómetro, altura que deixei de a usar pois o sol já estava no horizonte a trazer alguma temperatura, aliada ao esforço.

Dividi mentalmente a caminhada em 5 léguas (para quem não souber, 1 légua terrestre são 5 km) e é assim que vou relatar, légua a légua.

1ª Légua

1

9:31,45

00:09:31,45

2

9:09,04

00:18:40,49

3

9:14,89

00:27:55,38

4

9:04,65

00:37:00,03

5

9:00,52

00:46:00,55

1ª Légua

46:00,55

Objectivo para

menos de 4.00.00

-01:59,45

Objectivo para

menos de 3.50.00

+00:00,55

Neste quadro pode ver-se o tempo km a km, o acumulado e o tempo que vou a ganhar (a verde) ou a perder (a vermelho) em relação ao objectivo de baixar das 4 horas. O valor para menos de 3.50 apenas começou a fazer sentido a meio do percurso, pois nunca esteve em questão até lá.

O primeiro quilómetro é sempre uma incógnita, e normalmente mais lento, mas fiz logo abaixo da média máxima para baixar das 4 horas, o que foi uma agradável surpresa. Mais foi marcar 9.09 no 2º km que me criou a dúvida se não estaria a abusar, tendo em conta a extensão total do desafio. Mais receios ao constatar os 9.04 e, especialmente os 9.00 no 4º e 5º km, até pelo facto de não estar tão confiante de aguentar o ritmo até final, como muitas vezes sucede em que nos primeiros quilómetros sou logo invadido pela sensação que dá para manter até final.

Concluí assim a 1ª légua com um avanço a escassos centésimos dos 2 minutos, o que foi uma óptima maneira de começar e ganhar um avanço significativo.

2ª Légua

6

9:09,50

00:55:10,05

7

9:06,28

01:04:16,33

8

9:21,73

01:13:38,06

9

9:13,14

01:22:51,20

10

9:08,88

01:32:00,08

2ª Légua

45:59,53

Objectivo para

menos de 4.00.00

-03:59,92

Objectivo para

menos de 3.50.00

+00:00,08

Tudo estava a decorrer bem mas no 8º km senti uma sensação que não sei explicar bem mas que por vezes é o preâmbulo do esforço na altura que o organismo se acomoda e entra em "modo contínuo". Passados esses escassos segundos, tudo continuou a fluir melhor do que o aguardado, apesar de a confiança ainda não estar nos píncaros, mas na próxima légua isso deu a volta.

E dei por mim com um avanço a apenas 8 centésimos dos 4 minutos! Sem quebra, a coisa fazia-se!

3ª Légua

11

9:01,97

01:41:02,05

12

9:02,71

01:50:04,76

13

9:26,08

01:59:30,84

14

9:01,19

02:08:32,03

15

9:07,56

02:17:39,59

3ª Légua

45:40,51

Objectivo para

menos de 4.00.00

-06:20,41

Objectivo para

menos de 3.50.00

-00:20,41

Há uma regra de ouro nas corridas, nunca se experimenta nada em provas que não tenha sido devidamente testado em treino. 

Naturalmente tal se aplica em caminhadas e no caso concreto o grande objectivo do próximo ano, a distância de Maratona a caminhar.

Gosto de fazer tudo com tempo e além do percurso já estar delineado e medido (Boca do Inferno - Parque das Nações), tenho estado a pensar nos reabastecimentos sólidos. É que andar 7 horas e muito (ler final) obriga a alimento sólido, além da natural água de 5 em 5 km. 

E o que pode ser? Banana, gel e pão com presunto. Mas se bananas e géis já estão muito testados a correr em Maratonas, pão com presunto nunca tinha experimentado. Ora o presunto é importante pelo aporte energético que fornece, bem como a recuperação muscular que proporciona. Hoje foi o dia de o experimentar pois convém ser em treinos longos e, caso não me adaptasse, nos próximos arranjaria outra alternativa.

Assim, combinei com a Mafalda que estaria aos 12 km para me dar esse reabastecimento especial. E resultou na perfeição! Comi bem, sem prejudicar o ritmo e tive energia até ao final, sem nenhum problema que pudesse eventualmente ter criado. Aprovado!

E foi nesta légua, exactamente a meio (12,5) que verifiquei que levava 5 minutos exactos de avanço em relação ao objectivo de baixar das 4 horas. E de repente, deixou de ser objectivo pois logo pensei "se fizer uma 2ª metade um segundo que seja mais rápida que a 1ª, baixo é das 3.50". E esse passou a ser o foco já que, a menos que algum problema surgisse, o das menos de 4 horas estava bem garantido. 

Como se pode ver nas 2 primeiras léguas, o objectivo para esse novo fim estava em linha,  apenas escassos centésimos mais, e havia que o potenciar. A média final necessária era até 9.11,9, e aos 15 passei com um avanço de 20 segundos. Curto, se atendermos que ainda tinha por percorrer 10 km, mas avanço é avanço.

4ª Légua

16

9:02,92

02:26:42,51

17

9:15,31

02:35:57,82

18

9:19,50

02:45:17,32

19

9:08,62

02:54:17,32

20

9:03,69

03:03:29,63

4ª Légua

45:50,04

Objectivo para

menos de 4.00.00

-08:30,37

Objectivo para

menos de 3.50.00

-00:30,37

Sem dar sinais de quebra, e ignorando as refilices que as pernas já começavam a ter, nesta légua ganhei mais 10 segundos ao novo objectivo e passava assim a dispor de 30 segundos de avanço. Era manter e gerir se necessário.

5ª Légua

21

9:27,74

03:12:57,37

22

9:08,33

03:22:05,70

23

9:12,21

03:31:17,91

24

9:08,20

03:40:26,11

25

9:07,27

03:49:33,38

5ª Légua

46:03,75

Objectivo para

menos de 4.00.00

-10:26,62

Objectivo para

menos de 3.50.00

-00:26,62

No início do artigo, falei no cansaço mental, onde basta uma ligeira distração e perdem-se preciosos segundos, daí a necessidade de ir sempre concentrado. Ora quando terminei o 21º km, fui surpreendido pelo facto de ter perdido metade do avanço que levava para baixar das 3.50, de 30 segundos passava a 15 e com 4 quilómetros ainda pela frente.

Sinal de alarme e havia que esquecer o cansaço que já se fazia notar. Não queria perder este novo objectivo no final. 

Com muito controle de relógio, em especial na média total que ia em 9.11 e não podia passar para 9.12, a meio do 22º vi passar esse valor para os 9.12. Apertei mais e consegui regressar aos 9.11 e ainda ganhar 4 segundos, fiquei em linha no seguinte e ao ganhar mais no 24º, entrei para o último com um avanço de 22 segundos, o que deu alguma tranquilidade, finalizando os 25 km com 3:49:33, média de 9:10,9.

Como curiosidade, se estava duvidoso se conseguiria baixar das 4 horas, porque para tal teria que fazer média abaixo de 9.36/km, todo e qualquer km foi menor que esse limite dado que o mais lento foi o 1º com 9.31

Fiquei, naturalmente, satisfeito e orgulhoso e em meados de Novembro irei caminhar 28 km e em Dezembro 30, caso não haja qualquer impedimento.

Falta só referir o percurso: Inatel de Oeiras - Carcavelos - (retorno) - Algés - (retorno) - Inatel de Oeiras, pelos passeios marítimos que em tão boa hora foram criados.

Redefinição de objectivo

Como anteriormente tinha dito, o objectivo passava por fazer algures em 2021 (a data está devidamente escolhida) uma caminhada de 42,195 Km com o limite até 8 horas e meia.  

No entanto, desde essa altura, tenho estado a equacionar uma alteração que posso dizer que foi hoje tomada. O limite passa a ser terminar na casa das 7 horas (ou seja, até 7:59:59).

Sim, sei que o aumentar da distância traz novos desafios e a obrigatoriedade de gerir bem as reservas de energia e que a partir dos 30 é o "diabo", mas esse passa a ser o novo objectivo limite. Para quê simplificar se se pode complicar? 😄


sábado, 3 de outubro de 2020

15 nos 8

No último artigo relatei como consegui caminhar 10 km na casa dos 8 minutos. 

Dois dias depois, fui fazer 15 km a um ritmo moderado, e durante a caminhada pensei "Já fiz 5 e 10 km a uma média na casa do minuto 8. E se tentar fazer o mesmo em 15 km?"

E foi assim que decidi na hora que uma semana depois, ou seja hoje, iria tentar. E já que os 5 e os 10 foram feitos na EVA no Jamor, e apesar de, enquanto o traçado mais à frente não ficar concluído, isso obrigar a dar 3 voltas e mais 2 na canoagem, combinei comigo próprio que seria também na EVA (sim, sei que se diz o EVA pois é o Eixo Verde Azul, mas em virtude das iniciais dar um nome feminino, habituei-me a dizer a EVA, servindo também como singela homenagem a todas as mulheres, que são a verdadeira alma e razão do mundo).

A melhor marca aos 15 estava em 2.17.32, querendo baixar dos 9 de média tinha que ser até 2.14.59

Tempo agradável para a prática, de início até fresquinho (iniciei pouco depois das 8), mas o 1º Km não me saiu como queria, apesar de ter marcado 8.59. Enquanto nos 5 e 10 senti-me logo num dia bom desde o 1º metro, hoje as sensações iniciais não foram semelhantes, apesar de ter entrado com um tempo na casa do minuto 8. O que vale é que no 2º comecei a soltar-me, tendo feito 8.46. Com os seguintes em 8.41, 8.27 e 8.29, completei a 1º légua com um avanço de 1.36, o que dava já uma boa margem e a sentir que iria alcançar o pretendido.

Entre o 3º e o 5º km tive a excelente companhia do colega de equipa Orlando que ia iniciar o treino e acompanhou-me nesses 2 km em passinho de corrida como forma de aquecimento, para depois seguir para o seu treino. Obrigado Orlando, foi um prazer fazer esse bocado contigo!

O 6º km mudou tudo. Fiz 8.31 e passei a ter um pouco mais de 2 minutos de avanço para a média limite e, como estava com média geral de 8.39, o que pensei então? 8.40 de média dá 2.10, ora se mantiver esta média terminarei abaixo das 2.10

A agulha mudou portanto e os 4 km seguintes registaram 8.24, 8.39, 8.25 e 8.38, chegando aos 10 km já com 3.55 de avanço para o objectivo inicial de 2.14.59 e 35 segundos para o novo objectivo (abaixo de 8.40 por km). Já tinha a experiência de 10 a média na casa dos 8, a partir de agora iria entrar num mundo novo.

35 segundos davam uma margem de segurança mas no final do 11º disparou um alerta pelos 8.50, que reduziram a margem para 25 segundos faltando 4 km. A perder 10 segundos por km não iria dar. Tive que apertar e não ligar às pernas que já se queixavam do cansaço. Sabia que era fundamental nesse 12º km não perder mais tempo, e preferencialmente até ganhar algum, o que sucedeu. Com os 8.31, recuperei 9 segundos a que se juntaram mais 3 no 13º (8.37) e 5 no 14ª (8.35), entrando para o último com 40 segundos de avanço. 

A menos que algo sucedesse neste último km, o novo objectivo também estava conquistado. Porém, esta cabeça não pára e pensei que se arrancasse um daqueles últimos km, onde se dá tudo pois já não interessa reservar energia, baixaria era do minuto 9. Era necessário 8.19 mas já não tive gás para tanto e fiquei-me pelos 8.29, tempo final de 2.09.09, média de 8.36,6.

Foi muito bom, bem melhor do que o esperado mas julgo que posso valer 2.07.30 se estiver num daqueles dias como nos anteriores de 5 e 10. Fica então marcado para daqui a 4 semanas tentar essa marca.

Até lá, e além dos normais durante a semana, de hoje a 7 dias farei 15 moderados, na semana seguinte é a altura de tentar a maior distância em caminhada até ao momento (25 km), seguem-se 15 moderados e depois essa nova tentativa.

O foco principal está no dia 16 de Outubro onde tentarei então os 25 km. Como já tinha dito, uma vez por mês faço uma distância maior. Agora em Outubro são os 25, em Novembro 27,5 e Dezembro 30, mantendo os 30 até ao mês que irei tentar a distância de Maratona a caminhar (estou a ponderar uma coisa mas deixem-me fazer primeiro os 30 e logo direi).

Bom fim-de-semana a todos e cuidem-se!

quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Corrida do Tejo Virtual, com caminhada de sonho e marcas não sonhadas!

Equipado com a bonita camisola da Corrida do Tejo Virtual e respectivo dorsal


Hoje foi dia de percorrer 10 km no âmbito da Corrida do Tejo Virtual (que pode ser feita entre 20 e 27) e a intenção era de baixar da hora e meia (1.29.59 estava óptimo), o que significava média inferior a 9 ao km.

Afigurava-se-me difícil pois uma coisa é fazer alguns quilómetros a 8 e tal, outra aguentar uma dezena deles assim. E a melhor marca de 10 a caminhar estava em 1.32.45, o que significava que tinha que retirar praticamente 3 minutos.

Tive a sempre excelente e muito agradável companhia do grande João Branco, a quem endereço um enorme agradecimento, e a benesse de São Pedro que nos proporcionou óptimas condições para caminhar. Quando chegámos, e ainda dentro do carro, caíram uns pingos mas passou logo a partir do momento que saímos do carro.

Com o grande João Branco

Depois dum km e pouco a aquecer, fomos para o início da EVA no Jamor para iniciar os 10 Km, a serem feitos em 2 voltas e a meio uma passagem pela canoagem.

Início em óptimo ritmo, consubstanciado na marca de 8.28, o que deu logo um avanço de 32 segundos para o objectivo. Avanço que aumentou para 1 minuto e 5 com o 2º km em 8.27 e 1.34 no 3º em 8.31

Tudo estava a ir muito bem, em especial por sentir como sucedia nalgumas corridas, o estar num dia especial e já com a certeza que iria aguentar manter esse ritmo até final.

No 4º decidi esticar (ainda) um pouco mais e qual não é a minha surpresa quando vejo no visor, no final desse km, 8.09! A marca do melhor km estava batida, era de 8.18, e comentei "um dia ainda conseguirei entrar no minuto 7", algo que ainda há pouco tempo não julgava ser possível.

No 5º km, e para salvaguarda de energia, regressei ao ritmo que vinha, fiz 8.29, e quando no 6º marquei 8.24 e apercebi-me que já tinha um avanço de 3.50 (!) deixei de pensar em baixar da hora e meia mas passei ao objectivo de baixar da 1.25, completamente fora de qualquer cogitação antes de ter iniciado a caminhada.

Acelerei mais, pois sentia-me muito bem, e o 7º foi feito em 8.16 e o 8º em 8.13, ambos abaixo da anterior melhor marca de km até hoje. 

Ora no final do 8º, mudei novamente a agulha. O objectivo já não era só baixar de 1.25 mas sim de 1.24, acabando portanto no minuto 23! "Bastava" aguentar a média.

Mas como sentia-me tão bem, e melhor acompanhado, dei mais e o 9º foi feito em 8.12, o que garantia já à volta de 1.23 e meio.

E cheguei ao último km, altura de dar tudo o que tinha, já não havia necessidade de deixar qualquer reserva. Mas deste último km já falo, salto já para o tempo final que foi de 1.23.06, como se pode comprovar na imagem que se segue.


A média dá 8.19 mas é arredondada pois a exacta é de 8.18,6 o que é muito curioso (já no record dos 5 da semana passada tinha sucedido algo semelhante) pois o melhor km até hoje estava em 8.18,68 e agora faço em 10 essa média!

E quanto ao último km? Como disse, acelerei e a meio comecei a pensar que estava mais rápido que o anterior que tinha sido 8.12, deveria bater os 8.09 e se ainda desse mais... queres ver que?

Pois é... o último km foi em... vejam a imagem que se segue


7.53!!!!!!! um tempo nunca sonhado por mim e que ainda por cima realizo-o ao fim de 10 km!

Como podem imaginar, fiquei extremamente feliz e orgulhoso com o facto! Caminhar é o que posso fazer, é ao que me agarro (e nunca ao que perdi) e estas recompensas só ajudam muito mais!

Mais uma vez, um grande e reconhecido muito obrigado ao João Branco, sempre pronto a ajudar todo e qualquer amigo!

Amanhã é dia de descanso e no sábado irei fazer 15 mas a um ritmo mais calmo (9 e tal).


sábado, 19 de setembro de 2020

22,195 a marcar o resto do percurso

Neste meu plano de caminhadas, faço três vezes por semana 5 km e uma maior de 15, sendo que uma vez por mês em vez de 15 sai um longo. Foram 20 em Agosto, hoje 22.195, serão 25 em Outubro, 27.5 em Novembro e a partir de Dezembro 30 até ao tal mês onde farei a caminhada em distância de Maratona, 42.195 e que, tal como disse num anterior artigo, não será nos primeiros meses do ano mas algures no 2º trimestre (a data está escolhida mas é segredo de estado 😃).

Porquê este mês 22.195? Queria saber exactamente onde vou terminar no dia M. No dia dos 20 já tinha ido do ponto de partida (Boca do Inferno em Cascais) até parar quando o GPS marcou 20 exactos. Hoje comecei nesse mesmo local, daí os 22.195

Arranquei assim no início do Passeio de Algés, logo a seguir a ter passado debaixo da linha de comboio.

Quando idealizei este percurso, fiz uns cálculos, tendo como base corridas e treinos que efectuei e imaginei que o fim deveria dar por volta do ponto onde se partia e chegava na Corrida do Oriente. 

E assim foi! Os 22.195 coincidiram com o final daquela parte de terra, ao chegar-se à rotunda que deve ter um nome mas desconheço-o. (Actualização - Já procurei e a rotunda chama-se Rossio do Levante)  

A intenção passava por marcar 3 horas e 40 mas terminei com 3.29,08 (média de 9.25), o que me deixou naturalmente bem satisfeito.

Claro que quando termino um esforço destes, onde dei-lhe bem, fica a dúvida de como aguentaria mais 20 km. Mas o ritmo varia inversamente à distância percorrida e ainda tenho uns quantos meses para ir apurando a forma.

Tal como no dia dos 20, aproveitei para ver os sítios onde a Mafalda deverá estar para dar os necessários reabastecimentos (5, 10, 15, 20, 25, 30, 34 e 38 km).

Um dia mais perto do desafio, haverei de descrever o percurso.

De registar que os primeiros 500 metros, no Passeio de Algés, foram complicados pois nem se via a cor do chão. Estava completamente imerso em terra e pedras de tamanho significativo, pois de noite houve grande agitação marítima e trouxe aquelas pedras e terra que dividem o passeio do mar. Tinha que se passar pé ante pé (com o tempo que aí perdi, a média seria ainda melhor), eram 8 horas e apercebi-me que limpar aquilo tudo seria bastante difícil e moroso. Porém, quando regressei ao carro que tinha ficado estacionado ao pé da estação da Cruz Quebrada, cerca das 13 horas (5 horas depois), qual não foi o meu espanto ao constatar que estava tudo completamente limpo e quem aí passava não tinha o mínimo indício de como aquilo esteve. Uma vez mais, e como habitualmente, a Câmara Municipal de Oeiras e seus serviços a demonstrarem toda a sua eficiência! Segue aqui um agradecimento de um habitual utilizador!

Um bom resto de bom fim-de-semana a todos. Fiquem bem! 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

5 -45 (42!)

O último artigo que escrevi foi há um mês e daí ter recebido nos últimos dias simpáticas mensagens a questionar se estava tudo bem.

Sim, felizmente está tudo bem e apenas não escrevi pois não houve nenhum facto de realce nas caminhadas habituais, e também por ter passado duas óptimas semanas de férias no Algarve.

A duas mensagens de ontem respondi que hoje escreveria se atingisse um determinado objectivo. Ora, estou a escrever... 😊  

Qual era o objectivo, ou melhor, os objectivos? Fazer hoje 5 km e de hoje a uma semana 10, sendo que em ambos os casos a média deverá ser abaixo dos 9/km. 

A melhor marca a caminhar 5 km estava em 45.28 (média de 9.05,6) e a intenção era até 44.59 (8.59,8 de média). Consigo fazer 1 km na casa do minuto 8 mas serem 5 já a coisa complica. 

E para dizer a verdade estava um pouco céptico de o conseguir mas isso nunca foi entrave para tentar e dar o meu melhor. 

Primeiro aqueci 1 km e meio e notei que estava num dia bom. Iniciei os 5 km e o 1º foi surpreendentemente em 8.32, ganhando logo aí uma boa margem relativamente à média máxima. A dúvida era, repito, o conseguir aguentar 5 km assim. Basta ver que o meu melhor km em caminhada estava em 8.24 (um só km) e agora numa sequência de 5 iniciei logo muito perto dessa marca (aliás, até hoje o meu 2º melhor km estava em 8.40). 

Ora disse que o meu melhor km estava em 8.24 e quanto fiz no 2º km? 8.24 (que por acaso passou logo a melhor pois foram 8.24,69 e o de Agosto tinha sido 8.24,82, 13 centésimos de diferença). Com isto já estava um minuto e 3 melhor do que para o tempo limite. 

Continuei a dar o máximo e neste 3º km convenci-me que iria fazer abaixo dos 45 minutos e até se calhar iria terminar no minuto 42, algo impensável até ao início deste desafio, pois sentia-me capaz de continuar neste ritmo. E neste 3º km melhorei o record de km para 8.19

No 4º registei 8.25 e, sem quebrar mas já a sentir as pernas a clamarem, no último km registei novo record de km, 8.18, terminando os 5 km em 42.00 (menos 28 centésimos de segundo e tinha terminado no minuto 41!)

Como se pode imaginar, fiquei muito feliz por este feito, especialmente por estar à espera de ser uma luta ao segundo para conseguir baixar do minuto 45 e afinal quase quase que entrei no minuto 41, o que ainda me custa a acreditar.

A média foi de 8.24, curiosamente o tempo que tinha como melhor num km até ao início da caminhada de hoje na EVA (Jamor)

Estes desafios bem sucedidos são muito importantes para o reforço de entusiasmo necessário que venha mitigar o desgosto de não mais poder correr.

E agora como é o objectivo para a próxima 4ª? Como disse, baixar do minuto 9 de média em 10 km. 1.29.59 máximo. Actualmente a minha melhor caminhada de 10 km está em 1.32.45 (média de 9.16,5), tenho portanto que retirar quase 3 minutos. Pelo que fiz hoje, parece fácil mas estamos a falar de aguentar o dobro naquele esforço e só eu sei os nomes que as minhas pernas me têm chamado desde a manhã 😀  

Estes 10 km também vão ser especiais pois é a primeira vez que participo numa prova virtual. Vão ser na Corrida do Tejo Virtual (que pode ser feita entre 20 e 27), e que rica maneira de me estrear neste tipo de provas com a mais importante prova do concelho onde resido 😉 

De hoje a uma semana relatarei o que sucedeu. Fiquem bem! 👍

sábado, 15 de agosto de 2020

Uma fantástica vintena e um objectivo muito especial

Tal como tinha escrito no último artigo sobre o tema, este fim-de-semana foi a altura para experimentar 20 Km a caminhar, o que fiz hoje.

Antes de dar conta do que sucedeu, aproveito para actualizar as melhores marcas dos 5 e 1 km. Há duas semanas referi essa tal caminhada de 15 onde registei novos máximos. 2 dias depois fui para a EVA no Jamor para 5 km com a excelente companhia do João Ricardo, e a melhor marca que tinha sido registada dois dias antes de 46.44 aos 5 km, baixou para 45.28, média de 9.05,6. Naturalmente que o próximo objectivo nesta distância é de baixar dos 45 minutos, o que representará uma média na casa dos 8 minutos.

Três dias depois, no último km duma caminhada, decidi dar o tudo por tudo para ver se baixava o melhor quilómetro de 8.40, o que consegui com 8.24, marca que, muito sinceramente, não imaginava sequer ser possível de chegar quando iniciei as caminhadas.

Regressando então a hoje, estava muito expectante desta caminhada pois seriam mais de 3 horas e de ponto a ponto. Já fazia lembrar uma coisa daquelas, estão a perceber?

Sabia que conseguia aguentar 15 km sempre a dar o máximo. A dúvida era se daria para 20 sempre na linha vermelha. Podemos pensar que são apenas mais 5 km mas a caminhar dá quase 50 minutos mais. Praticamente o tempo duma corrida de 10 km (para atletas do nível onde eu me inseria).

Ontem, numa mensagem para a Isa e Vítor, escrevi "Se fizer abaixo de 3 horas e 20, será muito bom (20 km abaixo de 10), se for abaixo de 3.15 (menos de 9.45/Km) será excelente, e se for abaixo de 3.10 (menos de 9.30) será fantástico. Vou dar o meu melhor, a ver o que sai"

Pois posso já dizer que o tempo final foi de... 3.02.40! E com novas melhores marcas aos 10 (de 1.33.19 para 1.32.45) e aos 15 (de 2.18.59 para 2.17.32).

Mais uma vez sucedeu o ritmo ir baixando ao longo do percurso. Passei aos 5 km com a média de 9.22, aos 10 com 9.16, aos 15 já ia na média de 9.10 e acabei os 20 com média de 9.08. Quem quiser fazer contas, pode tentar descobrir qual seria o quilómetro em que a média ficaria negativa! :)

Terminei muito feliz e orgulhoso e preciso destes momentos como bem compreenderão.

Relação km a km:

1

9.34

 

11

9.14

2

9.12

 

12

9.00

3

9.22

 

13

8.52

4

9.16

 

14

8.47

5

9.24

 

15

8.51

6

9.18

 

16

9.28

7

9.15

 

17

8.48

8

9.08

 

18

9.04

9

9.06

 

19

8.55

10

9.06

 

20

8.51

Ora este progressivo aumento de distâncias, serve não só para ir mantendo e melhorando a condição física, como tem um outro objectivo especial em mente. 

A 23 de Junho escrevi aqui "Focado no que é possível e com alguns objectivos (temos sempre que nos motivar com algo). Um deles muito especial mas, pedindo desculpa por ficar no domínio dos Deuses (dos Deuses e de meia-dúzia de "eleitos")". Vou agora adiantar o que é, menos a data.

Como bem sabem, tenho uma enorme paixão por Maratonas e uma dor muito grande em não poder participar em mais. Tinha uma lista das que pretendia realizar, para juntar às 13 que concluí, e que englobava entre 2020 e 2022 Madrid, Málaga, Berlim e, a que mais me custa perder, Loch Ness.

Perdi a possibilidade de correr mas em vez de lamentar, agarrei-me ao que posso fazer, caminhar. E daí ter surgido o objectivo de completar a distância duma Maratona a caminhar. 

Este é um projecto que está a entusiasmar-me muito (sim, claro que não é a mesma coisa que correr mas é o que posso fazer e é a isso que me agarro) e que permite regressar àquelas rotinas que tanto aprecio, a de ir planeando treinos longos para construir a resistência necessária para o dia M. 

Acho curioso quando ouço muitos bons atletas referirem que gostavam de se aventurar em mais Maratonas mas o que lhes custa é toda a longa preparação. E digo que acho curioso pois essa é exactamente a fase que mais gosto!

No entanto, o objectivo não passa só por caminhar de seguida 42.195 metros. Não, isso seria fazível com mais ou menos esforço. Há um objectivo de tempo, 8 horas e meia para completar, o que resulta numa média de 12.05/Km. 

Ora 12.05 ao Km é neste momento fácil para mim mas neste tipo de distâncias. A grande dificuldade vai ser aguentar esse ritmo ao fim da 5ª hora, da 6ª, da 7ª, da 8ª... Essa é que é a dificuldade maior, o que facilmente entenderão. E claro que não faz sentido fazer contas a quanto gastei hoje em 20 km pois, como sabemos, uma Maratona não é a soma de duas Meias. Posso até dar o meu exemplo em que, a correr, o meu record em Meia foi de 1.51.26 e em Maratona 4.41.40... 

Portanto, a grande dificuldade vai ser o conseguir completar os 42.195 abaixo de 8.30 mas é para isso que estou a preparar-me e irei lutar no dia M.

Além dessa dificuldade, há outra. Qual é a parte do corpo que mais vai dar problemas? Joelhos? Não. Pés? Não. Pernas? Não. Costas? Não. Não adivinham? São as mãos por mais incrível que possa parecer a quem corre. É que ao corrermos, vamos com os braços em ângulo recto, mas a caminhar os braços vão para baixo e com o esforço e o aumento de circulação, as mãos começam a inchar. Aos 10 incomoda um bocadinho, aos 15 mais e hoje mais notei aos 20. Terei que ir molhando as mãos para atenuar. 

Quanto ao percurso escolhido para o dia M, faz lembrar um pouco a Maratona de Lisboa mas aproveitando os paredões. Vou começar na Boca do Inferno (até dá para recordar o Highway to Hell que tocou na partida das 3 Maratonas de Sevilha em que estive presente). Vou pela ciclovia até Cascais, embico para o paredão da praia de Cascais, paredão que prolonga-se até S.João do Estoril. Aí, sigo no passeio da Marginal até Carcavelos (com incursão naquele troço a chegar a S.Pedro do Estoril). Em Carcavelos entro no paredão que vai até ao Passeio Marítimo de Oeiras e que termina em Paço d'Arcos. Entre Paço d'Arcos e Caxias passeio da Marginal, para em Caxias regressar ao Passeio Marítimo e daí seguir no de Algés e, sempre pelo lado mar da linha, ir até ao Parque das Nações. Este percurso facilita a Mafalda poder estar de 5 em 5 quilómetros para os necessários reabastecimentos.

A única coisa que não digo, e peço a vossa compreensão, é a data. Escolhi a data mal pensei no assunto, mas prefiro fazer sem pressão e dizer como correu. Mas não pensem que é para já. Não vai ser nem neste ano, nem nos primeiros meses de 2021. É depois algures em 2021. Preciso de tempo para consolidar a forma e ir aguentando os ritmos cada vez durante mais tempo.

Mudando de assunto, altura para falar da noite histórica de ontem no Meeting do Mónaco. O ugandês Joshua Cheptegei bateu o mítico record mundial de 5.000 metros, pertença de Keninisa Bekele, record que perdurava há 16 anos e estava em 12.37,35. Ontem, Cheptegei parou o cronómetro aos 12.35,36 batendo por quase 2 segundos (1,99 para ser exacto) esse mítico record! 

Vamos a umas contas que mais demonstram o impressionante valor desta marca. 12.35,36 dá uma inacreditável média de 2.31,072 ao km!!! Conseguem imaginar fazerem 15,1 aos 100 metros? Os poucos que conseguem, fazem esses 100 metros e no final terão vontade de se atirar ao chão não aguentando mais. Pois o Cheptegei fez essa média aos 100 metros, repetidos 50 vezes seguidas! Percorreu em cada segundo 6,619 metros! 6,619 metros num só segundo, repetido 755 vezes seguidas! Ok, não dá para imaginar o que isto é, pois não? Mas só para terminar, vamos recordar o teste de Cooper que afere a condição dum individuo correndo o máximo de distância em 12 minutos. Quem está na casa dos 20 anos, correr mais de 2.800 é considerado óptimo. Pois em 12 minutos Cheptegei correu 4.766! 

E é isto! Bom fim-de-semana para todos!