domingo, 26 de junho de 2016

Pum catrapum ou como perdi a cabeça e arrasei o record de 15Km que vinha de 2007!

Antes da partida, sem imaginar que estava a minutos dum dia histórico e épico!

Que se lixe a modéstia! Hoje não vou escolher palavras mas sim soltar todo o orgulho que sinto pois fiz uma corrida sensacional!!!

Há dias e dias e há dias que não sabemos se alguma fada das corridas nos escolheu para tocar com a sua varinha mágica e proporcionar uma corrida inacreditável.

O record dos 15 km era (notem bem o tempo do verbo) o meu mais antigo. O da Meia-Maratona vem de Dezembro de 2007 (agora o mais antigo) mas o dos 15 km vinha desde 11 de Novembro de 2007 quando na 3ª edição da Corrida pela Saúde do Hospital Amadora-Sintra despachei a distância em 1.20.20
Só 4 anos depois aproximei-me e foi pela chamada unha negra. Fiquei a 2 segundos (!) em Mafra. 
Mais 4 anos, 2015, e tornei a aproximar-me. Desta vez no 1º de Maio onde faltaram 21 segundos e depois em Peniche a escassos 10 segundos.
Este ano, novamente no 1º de Mao, fui a corrida toda a sonhar que iria conseguir. Se leram o relato devem recordar-se que até 200 metros da meta pensava que estava ganho. Mas ainda não era o dia.
Até que chegou ontem!

Estava esperançado em tentar bater o tão antigo record. Dois dias antes fui analisar os tempos quilómetro a quilómetro do ano passado (onde fiquei a 10 segundos) e senti um glup! Eram tempos muito puxados. Como iria conseguir aquilo e um bocadinho melhor? Para se saber a resposta, nada como tentar.

Na véspera, um contratempo intestinal. Recentemente fiquei intolerante à lactose e necessito de todo o cuidado para evitar tudo que a tenha (e não imaginam a série de coisas que a contêm na sua composição). Esta súbita intolerância foi provocada por aquele maldito antibiótico que me prejudicou imenso em Dezembro e provocou depois a lesão que me afectou a preparação para Barcelona. 
Ora na véspera, algo me fez mal e o que provoca afecta muito o bem estar físico. Dura pelo menos 2 dias e ontem ainda estava a sofrer com isso. 

Ao chegar a Peniche, outra contrariedade, muito vento, o que prejudica o andamento. Estava de tal maneira que nem levei o chapéu pois iria voar. Só que... os deuses da corrida uniram-se e o vento eclipsou-se à hora da partida!

Estava consciente que não iria dar para o que pretendia mas decidi não deitar a toalha ao chão e atacar desde o início. Aí, logo via como estava.

O ambiente era de festa, como o povo de Peniche sabe tão bem fazer. Acontece que coincidiu a prova com o jogo de Portugal no Euro e faltaram umas quantas pessoas nas ruas mas poucas. A maioria saiu à mesma a incentivar-nos. Como queriam acompanhar Portugal e a corrida, levaram rádios e ouviam o relato enquanto gritavam por nós. Gritavam e iam dando informações do jogo. Prescindiram de ver na televisão para nos acompanhar. Viva o povo de Peniche!

Partida dada e atiro-me para um ritmo de ataque. Bom sinal, as pulsações não dispararam e as pernas não se queixaram. Ao 2º quilómetro tenho a sensação que vou no limite mas controlado de maneira a poder continuar assim no resto da prova.

E aí fui, galgando quilómetros mas sempre com a dúvida de como seria com a subida de 3 quilómetros. Se sinto que vou no limite, como conseguir manter essa velocidade durante tanto tempo a subir?


E chega a subida. E... não quebro um milímetro que seja. Pelo contrário, sinto mais força. Em cada quilómetro que passo, em vez de sentir desgaste, sinto a força a crescer. Pura magia?

Ao 8º quilómetro acredito. Vai ser hoje!!! Mas sei que posso novamente morrer na praia. Irá ser decidido ao segundo (pensava eu...), não posso perder o que quer que seja.

Chego ao 10º quilómetro com uma força de vontade e um querer a toda a prova! Agarrei-me ao sonho com unhas e dentes. Nada me poderá parar hoje!
E é então que aparece uma espécie de arma secreta em forma como dum turbo que dispara dentro de mim e desato a correr como se não houvesse amanhã.
Para comparação, tempos dos 10 primeiros quilómetros: 5.09 - 5.18 - 5.12 - 5.12 - 5.09 - 5.13 - 5.22 - 5.23 - 5.01 - 5.19
E agora, a partir dos 10 quilómetros, ou seja os últimos cinco: 4.57 - 4.58 - 4.52 - 4.54 - 5.04

Por aqui se vê como o turbo disparou! E esse turbo foi uma força enorme de sentir ser o dia e não querer desperdiçar a oportunidade. 
E claro, ao fim de cada quilómetro, ao ver a marca, mais força tinha!

Entretanto, já tinha havido uma explosão de festa. Coincidiu com a pior subida. Após aqueles 3 quilómetros a subir, cortamos à esquerda, temos uma descida seguida da mais dura subida. Foi aí que marquei o primeiro quilómetro abaixo de 5 (4.57). Foi aí que disparou o turbo e estava mesmo a chegar ao cume e ouvi uma explosão em forma de grito colectivo que contagiou todo o pelotão. Portugal tinha marcado! Nos minutos que se seguiram, o público só gritava "está 1-0 e faltam x minutos", até à festa final de ter acabado, o que mais alegria deu ao maravilhoso público penichense.

Meto-me na faixa de ultrapassagem e aí vou. Até a descer vou bem! 
E chego ao último quilómetro. Já tenho a certeza que vai dar e entrar mesmo no minuto 19! O que o tornaria épico. Sinceramente, e depois de tanta coisa que me tem sucedido, em especial nos 10 quilómetros, cheguei a pensar no que ainda poderia correr mal para impedir um tempo de sonho.
Felizmente nada de mal sucedeu, só coisas boas!

E aproximo-me da meta. Completamente focado em dar o máximo nem me apercebia do tempo. Acreditava que ia ser nos 19 minutos. Corto a meta, olho para o relógio e... um inacreditável bónus! Por 1 segundo ainda fiquei no minuto 18!!! 1.18.59... não foi bater um record, foi dizimá-lo, após tantas vezes próximo.

Últimos metros, último esforço. O prémio estava ali!
Foi um momento (que perdura...) de indescritível orgulho! Como o filtro da modéstia está desligado, posso dizer que fui sensacional e mereci bem este prémio! Sei que a perfeição é inalcançável mas sinto que ontem fui perfeito! 

E se bater o record, e com esta diferença de 1.21, me deixaria extremamente feliz, muito mais fiquei pela maneira como foi!
E claro está, um sentimento muito especial de aos 56 anos bater um tempo que vinha desde os 47. Quem está nestas idades, sabe bem a diferença que existe entre 47 e 56... Mas muito me tenho esforçado para tal. Aliás, daqui a 4 dias, último dia do mês e que marca o meio do ano, sairá um artigo sobre o que tenho treinado e esforçado. O trabalho (treino) recompensa!

Não sei que dizer mais. Apenas agradecer, novamente ao povo de Peniche e reiterar uma frase que só me apetece dizê-la vezes sem conta: "mas ca ganda corrida que fiz!!!" 




O sorriso diz tudo!

domingo, 19 de junho de 2016

Uma muito agradável manhã no Centenário da Aviação Militar

Antes da prova (debaixo da pala do Pavilhão de Portugal)

Foto de equipa com o Eberhard (a quem um furo quase o fazia chegar tarde)

Em 2014 a Aviação Militar completou o seu centenário, festividade que originou uma série de eventos que se prolongam até ao próximo mês e onde constou uma corrida na Base Aérea de Sintra em 2014, 2ª edição em Ovar 2015 e hoje a 3ª, desta feita no Parque das Nações.

Uma organização cuidada, ao serviço do atleta e onde nada houve que tenha corrido menos bem.

Sabia-se à partida que a prova não iria ser fácil. com o tipo de piso a ser o desafio. Num cálculo nada cientifico, deveremos ter corrido cerca dum quilómetro em alcatrão, outro em terra e passadiços e uns 8 em empedrado. E quem conhece o Parque das Nações, sabe que tipo de empedrado estou a falar.
Junte-se o calor e o desafio a vencer aumentava. 

Alinhado para a partida. Será que se consegue perceber a minha disposição?
Sabia assim que esta prova não era para tempos mas para desfrutar. E acabei por juntar o melhor dos dois mundos. Desfrutei e alcancei uma excelente marca para este tipo de piso e calor, 54.18

A aquecer costumo correr um bocadinho, paro um par de minutos e depois aqueço mais a sério. Na 1ª fase não deu para ter indicações mas na 2ª pensei "hoje há João!".

E assim foi. Parti, imprimi um ritmo bom e certo, possível para o empedrado e para aguentar o calor sem dar o berro antes da meta. Nas partes mais fáceis em termos de piso, estiquei e tive forças para no último quilómetro fazer os melhores mil metros da corrida.

Aos 7 e tal
Não, não. O corredor de emergência não sou eu!
Apenas me preocupo com o meu tempo e não classificação mas por vezes o lugar também transmite o valor da prestação. Ora, até Alverca era bem raro classificar-me na primeira metade do pelotão e consegui-o em Alverca, Belém e quase, quase hoje, faltou-me apenas ficar 2 lugares à frente deste pelotão de 573 classificados.

Por outras palavras, nestas últimas 4 corridas de 10 quilómetros, corri muito bem nas difíceis (Alverca, Belém e esta) e na que era propícia, saiu-me um daqueles dias onde tudo corre mal.
Ando ao "troncário"...

A cortar a meta (com os 2 pés no ar)
Próxima prova: A minha 9ª participação na clássica e mítica Corrida das Fogueiras em Peniche, já este sábado.




O sorriso antes da partida, manteve-se até ao final (e com uma linda medalha)

domingo, 12 de junho de 2016

Um longuito para não ir esquecendo

Concluída a Maratona de Barcelona em Março, e começando a preparação para o Porto no início de Agosto, decidi que nos meses intermédios (Abril a Julho) tinha que ter um fim-de-semana por mês com um mínimo de 20, para não ir "esquecendo".

Em Abril foram os 20 Km em Linha e em Maio a Meia de Setúbal. Como em Junho não havia qualquer prova com essa distância que desse para ir, restava-me este fim-de-semana como hipótese.

Assim, tive que prescindir de fazer a minha habitual inscrição para a festa que é a Marginal à Noite para estar hoje livre para um treino longo.

Foram 23 quilómetros o que consegui e foi a custo pois esta semana tenho sentido a ondulação da forma a vir para baixo. Normalmente a seguir a descansar duma Maratona, tenho um pico de forma que dura uns 2 meses. Desta vez foram quase 3 mas está a desaparecer e agora é gerir quando a coisa não está no seu melhor.

Em resumo, a distância foi aceitável, as sensações não, melhores dias virão, interessa é ir mantendo quando o vento não está de feição.

Próxima corrida: Domingo no Parque das Nações, a Corrida do Centenário da Aviação Militar (cuja 1ª edição, em 2014, coincidiu com o centenário e foi disputada em Sintra e no ano passado desenrolou-se em Ovar).

Uma boa semana a todos!

domingo, 5 de junho de 2016

Na minha 10ª Corrida do Oriente (onde nem sombra de mim fui...)

As minhas 9 canecas da Corrida do Oriente (em 2006, primeira que participei, ainda não davam canecas)

Primeiras palavras para parabenizar a Rute que se estreou de forma brilhante nos 3 dígitos ontem no Oh Meu Deus! (106,240 km). Fez uma prova fantástica (com direito a pódio) demonstrando toda a sua garra e tenacidade. Grande Rute, grande emoção!!! 

Tenho um carinho especial pela Corrida do Oriente. Nota-se ao verificar que na minha 11ª época de Atletismo, participei hoje pela 10ª vez.

E está na minha história por ter sido, em 2006, onde baixei pela primeira vez da hora. Foi a minha 8ª corrida (3ª de 10 km) e ainda me lembro da aflição, naquela recta em piso de terra que nos levava à meta, a ver a hora a aproximar-se e a não saber se faltava muito para a meta. Até que apareceu e cortei-a num estonteante (para a altura...) 59.18

Novamente na história por em 2009 ter marcado o meu regresso após uma longa paragem de 6 meses por fractura do pé esquerdo. Com apenas dois treinos de 3 km cada, arrisquei em participar, tais as saudades do ambiente de corrida, e fi-la, naturalmente, num dos piores tempos de sempre (1.07.52) mas com uma grande festa na meta. Estava de regresso!

Este ano estava esperançado que entrasse novamente na história. Após as corridas e marcas que vinha a registar, era o sítio ideal para atacar os sub50.
Sim, sim, sei que dizia a todos que não ia ser nesta mas isso é a minha maneira particular de aliviar pressão.
O duro percurso de Belém, com 51.47, delineou a certeza que estava na hora de dar o tudo por tudo.

Passei a semana a idealizar tácticas, ritmos e a visualizar como poderia acabar bem (forma de ganhar mais força).

Mas... há sempre um mas... as corridas são do mais imprevisível. E quando se quer ir ou passar o limite, tudo tem que estar a 100%. E o meu ponto mais forte, aquele que me leva a conseguir o que consigo, hoje não correspondeu (a força mental). Não há uma justificação plausível. Apenas dias que acordamos assim. Tal como os músculos que podem estar muito bem treinados mas há dias que não correspondem, o mesmo se passa com a parte mental, sem ter que haver uma razão.

E se a parte mental não está bem, a física fica de rastos...

Antes e depois da prova, parecia que não estava ligado, que a cabeça estava ausente. Que nada corria bem.
Logo no aquecimento não tive boas sensações. Isto na prova onde tive o privilégio da companhia do Nuno que iria ajudar-me a chegar "àquele" tempo (Nuno que em 15 edições participou no Oriente por 15 vezes. Totalista!)

Por vezes o aquecimento diz-nos uma coisa e a corrida desmente. E foi assim que iniciei focado no objectivo. 1º km no equilíbrio entre o não abusar e o não perder demasiado, em 5.15 e no 2º em 5.02. Um bom inicio para o pretendido. Mas uma coisa eram os tempos e a outra como me sentia. 

Ora no 3º comecei a perder uns quantos segundos. Sem boas sensações e a ficar completamente fora da média, a cabeça perdeu a estamina e contagiou de forma irreversível a parte física. 
Cada quilómetro, pior que o anterior. De inicio ainda ia pensando, "não dá para os sub50 mas ao menos 51", depois 52, 53, 54 e deixei de pensar, apenas arrastar penosamente ao longo do percurso numa corrida que parecia não ter fim.

O último quilómetro já foi em 6 bem alto... e cortei a meta com 57.36 e bem mais cansado que em Belém com 6 minutos menos numa prova dura.

Há dias assim, eu sei, e hoje foi daqueles onde correu tudo, mas mesmo tudo, mal. Antes, durante, depois. O meu agradecimento ao Nuno e Pedro pela paciência em rebocar alguém que se arrastava!

Antes de começar a preparação para o Porto no final de Julho, restam-me apenas duas provas possíveis de tempo na dupla légua, ambas em Julho.
Após uma Maratona, costumo ter um boom de forma que, normalmente, dura 2 meses. Este vai perto dos 3. Aguentará mais quase 2? Ou passei, novamente ao lado duma boa oportunidade?

Não perca nos próximos artigos a continuação desta saga, os sub50, uma verdadeira telenovela de avanços e recuos e que dura há mais de 9 anos!


domingo, 29 de maio de 2016

Na excelente e muito bem organizada Corrida de Belém, a correr para a melhor marca desde final de 2013

A equipa 4 ao Km presente: Vítor, Isa, eu, Joana e Eberhard, numa foto tirada pelo grande João Branco num regresso que se saúda após uma obrigatória pequena pausa (e só agora reparei que não tirei fotografia com ele...)


Por razões várias, só nesta 4ª edição pude conhecer, finalmente, a Corrida de Belém. Uma corrida que registou a sua melhor participação, o que foi uma justa recompensa para quem a organizou de forma tão cuidada, sabendo bem como os atletas gostam de ser tratados.

Partida e chegada na pista do Estádio do Restelo, pista que era desconhecida para mim até meio da semana anterior à que passou e onde pude correr 2 vezes nos últimos 11 dias, após as Noites Quentes do Restelo.

Percurso duro mas bonito, aliciante, empenhativo e selectivo. Arrancando da pista e após 3/4 de volta, saída em subida até à Avenida das Descobertas, cortando no cruzamento à direita, completando os primeiros dois quilómetros a subir. Tudo o que sobe, desce, e foi o que se passou com descida pelo outro lado do Estádio que contornámos para depois descer até à Avenida da Índia pela Avenida da Torre, com a majestosa Torre em frente a proporcionar bela vista. Na Avenida da Índia seguimos até cerca da Cordoaria onde se deu o retorno até ao Centro Cultural, seguindo para o Planetário e a sua avenida paralela. Uma subida dura, dura para quem vinha com 9 quilómetros nas pernas mas obrigatória para o regresso à pista do Restelo, terminando assim uma bela corrida.

Após a minha muito boa actuação em Alverca (apesar daquele amargo por perder no final uma marca melhor), os treinos seguiram bem e na 6ª até registei 4.02 numa das séries de mil metros, o que foi o meu 2º mais rápido quilómetro de sempre, apenas batido por um em 3.58 em Novembro de 2010.

As expectativas para uma boa marca estavam assim em alta, apesar da consciência que não ia ser fácil neste percurso. Mas há que lutar e lutar para um dia chegar àquilo que persigo há mais de 9 anos (baixar dos 50).

Fiz um bom aquecimento, preparando as pulsações para o que iriam apanhar de início e logo na pista tentei começar a impor um ritmo adequado para realizar uma boa marca mas fazendo o equilíbrio com o não me desgastar de forma à energia não esgotar antes da meta.

Fui bem (melhor do que esperava) na subida das Descobertas e tentei perder o mínimo possível na descida (sabendo que desço mal). Quando entrei na Avenida da Índia pude consolidar a velocidade, tentando esquecer que estava numa longa recta (onde normalmente não rendo o habitual). Mas tudo bem, mesmo no retorno onde estava um pouco de vento contra mas que, ao contrário de Alverca, não foi o suficiente para prejudicar.

E quando cheguei àquela terrível subida final, foi tentar aguentar o máximo possível sem pôr em causa o que desde o início a média apontava, para 51 alto, cortando assim a meta em 51.47

Não entrava no minuto 51 desde final de 2013, há pouco mais de 2 anos e meio. Atendendo à dureza deste percurso, foi uma marca ainda melhor do que já o é. 
Naturalmente, além de melhor marca destes 2 anos e meio, passa a constituir também record do meu actual escalão.

E se em Alverca fiquei admirado pela rara ocasião de ter ficado na 1ª metade do pelotão, hoje ainda foi de forma mais significativa pois classifiquei-me em 246º entre 668 companheiros de estrada.
Não que o lugar onde termino me preocupe (apenas me interessa a marca) mas dá para aperceber do momento especial que estou a atravessar e da dureza da competição.

Apetecia-me terminar com a pergunta "Será que vai ser desta?" mas já estive tantas vezes tão perto e aconteceu sempre algo que não me atrevo a perguntar.

Próxima prova: Domingo, Corrida do Oriente, na minha 10ª participação em 11 épocas.



domingo, 22 de maio de 2016

Na muito bem organizada Corrida de Alverca

Os 4 ao Km presentes, eu e Luís Feio

2ª edição da Corrida Cidade de Alverca que foi um exemplo de organização por todo o cuidado e atenção que os organizadores tiveram com todos os pequenos pormenores, tanto no dia da prova como nos meses anteriores com o envio de mails contendo informações e notícias importantes sobre o evento.

Está assim de parabéns a Portugal Talentus, que contou com o sempre imprescindível apoio técnico da Xistarca mais o apoio da Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, IPDJ e Força Aérea Portuguesa, com o ex-libris da corrida ser a passagem pela pista de aviação pioneira em Portugal.

No ano passado a prova já tinha merecido fortes elogios mas este ano com a mudança de percurso ganhou um reconhecimento ainda melhor. Além do facto de ter passado de sábado à tarde para domingo de manhã, o que diminuiu  as hipóteses de se repetir a forte canícula que marcou a edição inaugural.

Para mim, esta prova constituiu mais uma luta pelo objectivo que me persegue desde Fevereiro de 2007, o baixar finalmente dos 50 minutos aos 10. É para isso que estou a treinar agora nesta fase de intervalo entre Maratonas e esta foi mais uma preparação.
Para quem me segue há pouco tempo, posso muito resumidamente dizer que já estive várias vezes à porta desse tempo mas tudo sucedeu a impedir. Desde corridas que não chegavam aos 10 km exactos e onde seguia com média capaz de baixar dos 50, a pé torcido, a pé partido, tudo aconteceu nos momentos chave. O record mantém-se assim, teimosamente, em 50.08 à espera que um dia se dê o milagre, só me faltando cair um satélite em cima quando estiver para cortar uma meta no minuto 49, como costumo dizer de brincadeira. 

Hoje, sentia-me um pouco na incógnita de como o corpo iria reagir após o grande desgaste de 4ª feira mas iria começar a tentar um bom ritmo e depois logo se via. Não seria o "dia de glória" mas de imprimir um bom ritmo para estudar para próximas oportunidades pois essa é a minha dificuldade, o equilíbrio entre um ritmo inicial necessariamente mais controlado mas que não coloque em causa o tempo final nem faça a energia esgotar antes de tempo.

E foi assim que fiz 6 fantásticos quilómetros pois segui a média para realizar 51 muito baixo (marca que não faço desde final de 2013) e com indicações muito boas pois sentia-me solto e bem.
O receio que tinha de o desgaste de 4ª poder influenciar, funcionou ao contrário pois deu a sensação de estar mais aberto. E o melhor era a sensação de estar confiante em conseguir manter o ritmo até ao final. Mas... 

Mas... ao chegar à longa recta de um quilómetro na pista de aviação, mesmo junto ao rio, apareceu pela frente um adversário inesperado em forma de vento contra. 
Tentei o melhor mas o certo é que tinha feito os 2 últimos quilómetros em 5.04 e este passei para 5.24. Ok, perdi 20 segundos mas ainda dava bem para dentro do minuto 51. Daria, se não fosse o desgaste que apareceu por tentar vencer o vento o mais rápido possível. 
Vinha dum ritmo bom e certo e aquele vento alterou a pulsação e nada mais foi igual nesses 3 quilómetros finais.

À entrada do último quilómetro já era claro que afinal o tempo seria na casa dos 52 e não 51 e aí funcionou, ou melhor, deixou de funcionar, a cabeça pois a parte anímica quebrou e arrastei-me nesses mil metros finais a subir. 

Cortei a meta em 53.10 o que mesmo assim é a melhor marca do ano, batendo por 7 segundos o que tinha conseguido em Constância.
E, tornando a referir o mesmo assim, aconteceu uma coisa que é rara em mim. O meu lugar é na 2ª metade do pelotão. Foi aí que terminei por 345 vezes em 367 provas realizadas, Hoje foi das raras vezes que terminei ainda na 1ª metade (atrás de 285 e à frente de 291 companheiros de estrada). 

Apesar de saber que podia ter sido bastante melhor, tenho que potenciar estes sinais, em especial a facilidade do ritmo nos primeiros 6 antes do vento dar cabo de mim, e olhar para as próximas, à espera que um dia ainda seja possível aquilo que escapa desde 2007 e ignorar o peso do factor idade :)



Entretanto, ontem foi dia de adquirir novos sapatos de corrida (digo sapatos de corrida para ser estendível por todo o país e não ténis ou sapatilhas!).

O meu esquema é de usar em corrida os sapatos novos e os anteriores em treino. Ora assim, quando os de treino ficam desgastados, os de corrida ainda estão bons e passam para treino.

Estes foram os 13º que comprei, sendo os 10º Adidas Supernova Glide, modelo que não quero trocar pois resolveu-me problemas que sofria pela especificidade da minha passada.

Curiosamente, com este modelo comecei na versão 1 e agora já vai na 8.

Já foram amarelos, brancos, laranja, cinzentos, pretos, verdes, este ano o modelo está em azul.

Logicamente não os usei hoje, pois nunca experimento nada em corrida. Farei um treino com eles durante a semana e no próximo domingo terão a estreia oficial na Corrida de Belém, o que até é indicado por serem azuis. Tal como o facto de irem à Maratona do Porto.

Apresento-vos os meus novos pneumáticos:


quinta-feira, 19 de maio de 2016

O meu record dos 3.000 caiu nas Noites Quentes do Restelo

Os 4 ao Km presentes, os dois Joões, Cravo e Lima. Ambos com record pessoal

Última recta, já mal consigo abrir os olhos. O coração e pulmões ameaçam saltar boca fora. Mas o melhor tempo jamais realizado por mim em 3.000 metros e a melhor média de sempre numa corrida estão por um fio. Portanto, é continuar a dar forte e feio.
Após a meta, concluo que é mais fácil fazer uma Meia-Maratona do que uma corrida destas onde tem que se ir a matar desde o primeiro metro.

Quem estiver por fora das corridas, pode achar ridículo que se afirme que 3 km podem ser mais duros que 21, mas em 21, pelo menos os atletas da minha categoria (os chamados lá de trás), vão a gerir o esforço. A dar tudo o que têm mas de forma controlada para a energia se estender por 21.097 metros. 
Habituado a que estou a corridas de 10 ou mais quilómetros, o primeiro km é para ir aumentando gradualmente as pulsações para depois começar a impor ritmo. 

Ora numa corrida desta natureza, não pode haver contemplações, é o máximo dos máximos desde o tiro de partida, o que me deixa sempre nervoso antes destas provas com medo que o gás esgote antes da meta ou que se termine com a sensação que podia-se ter dado mais. A dificuldade do equilíbrio perfeito.

Felizmente nas minhas duas anteriores experiências, Challenge 3000 no Jamor, correu tudo na perfeição. E não foi ontem que se deu a excepção a essa boa regra.

Os 12 atletas da nossa série
Os Belém Runners, após 2 eventos no ano passado, organizaram mais uma Noites Quentes do Restelo. Quis o acaso que a noite estava fresca mas percebo o termo quente pois após os 3.000 metros, estava bem quente! Quente e a sentir-me mais no além do que aqui. E com um cansaço só superado quando corto a meta em Maratona. Apesar daí ser um cansaço completo e geral e aqui é a nível de caixa que esgotou toda a sua capacidade.

O meu record estava em 13.53, média de 4.37,6 por km. Um quilómetro em série faço esse tempo e até mais baixo, mas maior distância a esse ritmo já é entrar noutro domínio.
O ideal, para o bater seriam 55 segundos por cada 200 metros. Fazíveis umas 5 ou 6 vezes mas aqui obrigaria a 15.

A armada 4 ao km em pleno esforço no Restelo
Dada a partida, tentei ir, com sucesso, para esse ritmo, não me preocupando com a posição dos meus 12 companheiros de pista pois interessava-me era o meu tempo, não o lugar.

A coisa foi-se mantendo mas sendo cada vez mais difícil manter a vivacidade desse ritmo. Não podia pensar em quanto faltava mas uma volta de cada vez. 



Nestas duas fotos nota-se muito o esforço na minha cara? 

A 2 voltas do final, estava por um lado feliz pois conseguia manter a média para record mas preocupado pois receava que a qualquer momento desse o estoiro final. E senti quase a acontecer na curva entre os 2.400 e os 2.500. Mas ao entrar nessa recta, sabia que lá ao fundo ia iniciar a última volta. 
Coragem! Só mais um bocadinho! 
E o coração e pulmões a quase saírem boca fora.
Vou fechando os olhos como que ajudando a manter o esforço e foco.

E entro assim na última recta, a conseguir manter a mesma velocidade mas sabendo que são as últimas das últimas reservas.
A poucos metros, apercebo-me que já nada me irá impedir de bater o record pessoal.
Corto assim a meta em 13.46, média de 4.35,3




Sequência da minha chegada
Os minutos a seguirem foram longos até começar a estabilizar a respiração. Mas tinha conseguido!
E de todos os 110 atletas em acção nas diferentes séries de 3.000, juntando todas essas classificações fui o 2º no meu escalão, o dos "velhotes" (para estas coisas) entre os 55 e os 59 anos.
Não me perguntem quantos eram do meu escalão pois isso não vem para aqui chamado :)

Próxima prova: Corrida de Alverca no domingo (10 km) 



Nota - Agradeço ao Armindo Santos as fotos que lhe fui "roubar", dando os parabéns por mais uma fantástica reportagem