sábado, 20 de outubro de 2018

Os 30 de hoje (com 2 metades iguais!)

O plano dizia que hoje tinha 30 quilómetros para correr. E quando o plano diz, há que cumprir! Foi o que fiz mas antes estava um pouco receoso pois ia entrar numa nova situação. É que dediquei este mês a colocar carga, muita carga. Basta dizer que em 20 dias que Outubro já leva, corri em 18. Aliás, nunca tinha corrido mais do que 7 dias seguidos e entre 1 e 11 de Outubro estive 11 dias a correr todos os dias (e com a Meia de Leiria de permeio e em grande). A propósito dos 11 dias consecutivos, ler a nota final deste artigo (é brutal!)

Assim o meu receio era se o natural desgaste não iria afectar o treino de hoje. Para ajudar à festa, aqueles problemas gástricos que têm andado um pouco afastados, decidiram presentear-me com a sua presença. No entanto, e felizmente, ambas as situações acabaram por não me prejudicar pois o treino correu muito bem!

Adoptei um ritmo muito certinho, confortável e fui vendo os quilómetros a passarem. Não tive quebras e acabei dentro do relativamente bem para quem fez 3 dezenas de mil metros. Claro que a interrogar-me como faria mais 12 em cima desses 30, mas das outras 9 Maratonas que completei, também tinha sempre essa dúvida e terminei-as!

O início foi mais tarde do que os anteriores, fruto de estar menos calor, tendo arrancado às 7.50 do Inatel de Oeiras rumo a S.Pedro do Estoril onde dei a volta e fui até Algés, nova volta e regressei ao Inatel de Oeiras. 

Gosto sempre de ver a relação entre as duas metades e fiquei surpreendido com um facto que julgo ser inédito nos meus longos. Registei um total de 3.16.38, sendo que a 1ª metade cumpri em 1.38.19 e a 2ª em... 1.38.19!!! Certinho ao segundo!!! E não fiz nada para isso. Aliás, se tivesse tentado, o mais certo seria falhar por algum segundo.

Para a semana, dia de correr os clássicos 20 quilómetros de Almeirim.

E agora a prometida nota final que referi no início. 
Fiquei orgulhoso de ter corrido 11 dias seguidos. Mas no exacto dia que descansei, 12, ao ler a Distance Running que nos foi ofertada no saco da Meia da Vasco da Gama, deparei-me com um artigo sobre Ron Hill, atleta que foi o 2º a baixar da barreira das 2.10 em Maratona. Foi detentor dos records de 10 e 15 milhas e dos 25 quilómetros.   

Ora nesse artigo, além dos dados já expostos, li uma coisa que me deixou completamente embasbacado! 
Que se saiba, Ron Hill é o detentor da maior sequência de dias seguidos a correr sem faltar um único dia. Essa sequência iniciou-se a 20 de Dezembro de 1964 e apenas falhou um treino a 30 de Janeiro de... 2017!!!! 52 anos 1 mês e 9 dias a correr todos os dias!!!
Revela 3 coisas. Uma resistência brutal, uma saúde de ferro e uma inacreditável imunidade a lesões, que é ainda a mais espantosa.
Nesse 30 de Janeiro de 2017, no seu facebook apareceu a mensagem "em virtude de estar um pouco adoentado, hoje vou tirar um dia de folga!"
Ron tem neste momento 80 anos e a sua sequência durou dos 26 aos 78 anos. 

Seguem-se duas fotos suas. Uma no seu tempo de profissional e outra recente. E não consigo deixar de ficar embasbacado! :)



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Actualização dos máximos em Maratonas disputadas em Portugal (nunca se correu tão rápido!)


A Maratona de Lisboa, Rock'n'Roll nas 5 primeiras edições e EDP Maratona de Lisboa nesta 6ª, ficou para a história como a mais rápida Maratona que alguém já fez em solo nacional.

Desde 2014, 2ª edição desta mesma Maratona, que esse feito estava reservado no nome do queniano Samuel Ndungu que registou 2.08.21
No domingo, o etíope Limenih Getachew despachou os 42.195 metros entre Cascais, Guincho e Lisboa em 2.07.34, numa prova cuja realização esteve em risco devido à passagem do furacão Leslie que acabou por não atingir esta zona. Melhor sorte não tiveram outras zonas do centro do país.

Assim, a tabela de relação de records nas Maratonas nacionais, fica assim escalonada:

Classificados
4.736
Porto 2016
Masculinos
4.098
Porto 2016
Femininos
969
Lisboa 2017
Portugueses
3.308
Porto 2016
Estrangeiros
2.960
Lisboa 2017
Países
68
Lisboa 2016
Marca Masculina
2.07.34
Lisboa 2018
Marca Feminina
2.24.13
Lisboa 2016

A marca feminina ficou a menos dum minuto de também ser batida (43 segundos) mas aguentou-se, quem sabe se até ao Porto.
De registar que todos estes records foram obtidos desde 2016, o que denota bem a evolução que a mítica distância tem tido no nosso país.

Como prova, recordo aqui como tem sido a evolução do record nacional de participação:

Data
Maratona
Classificados
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865
2014-11-02
Porto
4.040
2015-11-08
Porto
4.406
2016-11-06
Porto
4.736

Salta à vista o grande incremento nos últimos 10 anos, onde o milhar ainda era uma miragem. 
De referir que o record de 22 classificados alcançado em 1911 só foi batido, passando para 23, em 1978, 67 anos depois!

E como o record que foi alcançado, foi o da melhor marca em solo nacional, segue aqui a sua evolução desde o início desta apaixonante e viciante distância:


Data
Maratona
Nome
Marca
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.57.35
1912-06-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.52.08
1936-07-05
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.37.20
1937-03-28
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.30.38
1954-04-11
Campeonato Nacional (Lisboa)
José Araújo
2.21.00
1971-04-04
Campeonato Nacional (Lisboa)
Armando Aldegalega
2.20.42
1976-03-14
Campeonato Nacional (Faro)
Anacleto Pinto
2.14.36
1987-11-08
Xistarca (Lisboa)
Gualdino Viegas
2.13.59
1992-10-18
Xistarca (Lisboa)
Jacob Ngundu
2.13.34
1993-11-28
Xistarca (Lisboa)
Said Ermili
2.12.29
1994-11-27
Xistarca (Lisboa)
Zbigniew Nadolski
2.11.57
2006-10-15
Porto
Lawrence Saina
2.09.52
2009-11-06
Porto
Philemon Baaru
2.09.51
2013-10-06
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Paul Lonyangata
2.09.46
2014-10-05
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Samuel Ndungu
2.08.21
2018-10-14
EDP Cascais-Lisboa
Limenih Getachew
2.07.34

Aguardemos o que a Maratona do Porto, a realizar a 4 de Novembro, nos trará.

domingo, 14 de outubro de 2018

Na Meia da Ponte Vasco da Gama sem ponte (os furacões são anti-Meias?)

A armada 4 ao Km no autocarro a caminho da partida (Vitor, Aurélio, eu e Isa)

A Meia-Maratona de Lisboa (mais conhecida por Meia da Ponte 25 de Abril) tem 28 edições. A Meia-Maratona de Portugal (mais conhecida pela Meia da Ponte Vasco da Gama) tem 19 edições. Nunca desde o início de ambas tinha sido necessário accionar o plano B. Coincidência das coincidências, este ano foi em ambas! Em Março foi o furacão Félix, agora o Leslie. Será que os furacões são anti-Meias?

Para qualquer organização uma mudança em cima da hora é um verdadeiro turbilhão. Para mais numa prova com a dimensão de participantes que ambas têm e com uma logística tão complicada. E se em Março já havia suspeita, uns dias antes, que algo pudesse obrigar ao plano B, agora foi mesmo muito em cima da hora. 

E a organização, tal como da anterior vez, respondeu o melhor que foi possível, dadas as contrariedades e directrizes da Protecção Civil. 
Mas se em Março nada houve a apontar, desta feita houve uma situação que provocou muitos constrangimentos às atletas femininas em especial.
Como se sabe, a particular logística obriga a que se vá muito cedo para a partida, chegando os atletas aí uma hora e meia a duas horas antes, e a distância obriga a que os atletas se vão hidratando convenientemente. Ora as casas de banho são fundamentais e não houve. Estamos a falar dum viaduto sem nada mais ao pé, sejam cafés ou qualquer outro tipo de estabelecimentos ou casas. 
A solução foi ir-se furando pelos atletas da Mini para se descer do viaduto e arranjar um sítio para aliviar a bexiga. Mas isto sendo homem que qualquer lugar serve. Para as muitas atletas femininas, foi um pesadelo tentar arranjar algo parecido com um sítio adequado, além da necessária dignidade. 
Alguma razão terá havido para esta situação, mas que criou constrangimentos, criou.

Agora debaixo do viaduto da partida, onde fomos procurar uma casa de banho improvisada
A partida, também pelo alerta vermelho da véspera, teve que ser alterada para as 11.30 mas felizmente a temperatura não esteve demasiada alta e o receio do muito vento pouco se fez sentir, não influenciando em nada.

O que notei no pelotão foi um número muito grande de atletas estrangeiros. Muitos mesmo, o que é de enaltecer pelas vantagens que trazem. Curiosamente, íamos no autocarro e a Isa comentou que devíamos ser os únicos portugueses naquela viagem. Olhámos à volta e, efectivamente, não vislumbrámos mais nenhum tuga.

Após a grande Meia que fiz em Leiria, combinei comigo próprio que esta era mais calma. Duas semanas seguidas no limite criam um desgaste grande, ampliado pela muita carga que estou a dar nos treinos, e estando a começar outra semana de carga, e com 30 km previstos no sábado, era altura de não desgastar demais.
É verdade que iria ficar muito feliz com outro sub 2 horas e estava ao meu alcance mas... o meu grande objectivo, a minha "medalha de ouro olímpica" é conseguir terminar a minha 10ª Maratona a 2 de Dezembro em Valência e é para isso que estou a envidar todos os esforços e a sobrepor todo e qualquer objectivo. 

Idealizei assim um tempo por km que fosse bom mas dentro do confortável, apontando como melhor para as 2.03 (mais 5 minutos que Leiria). 
Parti e coloquei um ritmo certinho dentro do que tinha idealizado e fui muito fiel a esse tempo. De tal maneira que a partir dos 4 km tive 7 km consecutivos em que a diferença de tempo por km foi de 1 segundo apenas, ao melhor estilo de relógio suiço.
Sentia ser um ritmo bom mas confortável e foi assim que prossegui. 

Fui-me entretendo a olhar para as camisolas dos atletas que me rodeavam e alturas houve que julguei estar a correr no estrangeiro pois via grande parte de camisolas que não costumo ver.

A minha dúvida era se quebraria o ritmo na longa subida de mais dum quilómetro para o Marquês, já com 18 Km nas pernas, mas aguentei-me bem (como disse, ia confortável), e assim fui até à meta que cortei com 2.02.33, um registo bom para mim, sendo muito bom se considerarmos que saiu assim sem me ter esforçado ao limite, ficando muito satisfeito por uma Meia confortável ter dado a minha 14ª melhor marca em 59 Meias que já realizei (na Nazaré será a 60ª)

4 atletas felizes, todos com medalha ao peito!
Desde a Corrida do Tejo que as coisas entraram, finalmente, nos eixos após um período em que me esforçava muito mas não saía o que esperava. Confesso, e confidenciei com duas pessoas, que andava numa crise de confiança mas aquela Corrida do Tejo (a tal que despertei o lobo hibernado) foi a ignição para a confiança regressar. E todos sabemos como é importante estar confiante para alcançar o que não parece alcançável.

Tínhamos terminado a Meia mas muitos atletas da Maratona ainda estavam ao serviço quando nos dirigimos do Terreiro do Paço para apanharmos o Metro no Cais do Sodré, aproveitando para incentivar quem estava nas centenas de metros finais duma prova tão desgastante como o é a Maratona. 
Conheço bem toda a carga emocional dum evento assim para alguém que se está a superar ao ter a coragem de a enfrentar e tocou-me ver uma atleta, talvez da minha idade, a tapar os olhos com as mãos, chorando emocionada por estar tão perto da meta. Claro que ainda gritámos mais a apoiá-la. Como a compreendo e, para quem vive estas emoções como vivo, confesso que me deixou meio glup...

A luta pela meta em Valência continua e esta semana vai ser mais uma a dar no duro, culminando no sábado onde espero conseguir juntar mais 30 ao meu conta-quilómetros.
Em matéria de corridas, a próxima é a bela da sopa da pedra. Opps, queria dizer que eram os 20 quilómetros de Almeirim daqui a duas semanas.

E aqui com o Nuno Sentieiro que completou a sua 27ª Maratona!!! Muitos parabéns grande Nuno!
Houve novidades em relação à Maratona de Lisboa e aos máximos registados em Portugal. Colocarei aqui a estatística actualizada a meio da semana.
Em relação à Meia, foram os melhores tempos de sempre nesta Meia. Em masculinos o marroquino Mustapha El Aziz marcou 1.00.16 (anterior melhor marca vinha de 2013 1.00.19 de Wilson Kirop) e em femininos Yebrgual Melese Arage registou 1.07.18 (quando a anterior vinha de 2011 com 1.07.53 de Mary Keitany)