terça-feira, 30 de setembro de 2014

A incrível evolução do record mundial da Maratona


O primeiro record mundial da Maratona foi registado em 1908 e foi de 2.55.18, média de 4.09,3 por km.

No ano seguinte, com 2.46.52, baixou-se da média de 4 ao km, para serem necessários 89 anos para a média baixar dos 3 ao km, quando em 1998 se registou 2.06.05, entrando-se assim na casa dos 2 minutos e tal, o que contrariava tudo o que foi dito em 1964, há exactamente 50 anos, quando o mítico Abebe Bikila colocou o record mundial em 2.12.12 nos Jogos Olímpicos de Tóquio e esse tempo foi considerado como tendo-se chegado ao limite humano.

Ora hoje em dia, um tempo de 2.12 é já uma marca sem qualquer significado no panorama mundial e o tal limite humano já baixou em quase 10 minutos!

A nova marca que Dennis Kimetto colocou no domingo como novo máximo, 2.02.57, baixando-se da barreira das 2.03, cria-nos a expectativa de ainda podermos assistir um dia à quebra da barreira das 2 horas, o que será algo de inimaginável ainda há pouco tempo.

A sua média foi de 2.54,8 por km, enquanto para baixar das 2 horas serão necessários 2.50,6 por cada km.
Ora 4 segundos e 2 décimos por km, para quem vai tão no limite, é muito tempo, mas... a realidade é que os quenianos estão a transformar a Maratona numa prova de velocidade. E isso nota-se no facto do record ter baixado 2 minutos e 41 nos últimos 12 anos, enquanto para baixar tempo semelhante, foram necessários 30 anos entre 1969 e 1999.

E a verdade é que quanto mais se baixa, mais rápida está a ser a evolução em termos de anos, o que parece ilógico mas vai bater na tal velocidade que os quenianos vieram imprimir e pelo facto de desde 2003 os records caírem com frequência em Berlim (por 6 vezes!).

Longe vai o record mundial do nosso Carlos Lopes em Roterdão 1985 com 2.07.12. Em 1988 entrou-se nas 2.06, 11 anos depois, nas 2.05, para 4 anos volvidos o grande momento de baixar das 2.05 para 2.04. Mais 5 anos e estávamos nas 2.03 e 6 volvidos, chegámos às 2.02!
Até quando? E... a tal chamada pergunta do milhão de euros, para quando a 1.59? 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Coimbra tem (ainda!) mais encanto na hora da Meia-Maratona

Em Coimbra com os amigos Sandra e Nuno num dia muito bem passado!

Ontem foi um dia de grandes emoções e orgulho. E quero aqui expressar as minhas felicitações a 4 atletas dos 4 ao km que brilharam. 
A Isa, Vítor e Rute estiveram no extremamente duro Ultra-Trail da Serra d'Arga, 53 km de grandes desafios, tendo todos cortado a meta de forma magnífica. Para a Isa e Vítor trata-se de novo record de distância por mais 9 quilómetros, para a Rute a segunda prova na casa dos 50.
Mais a leste, na Maratona de Varsóvia, o Carlos concluiu a sua 3ª Maratona. E por falar em Maratona, ontem foi um dia histórico por se ter quebrado a barreira das 2 horas e 3 minutos com novo record mundial de 2.02.57, marca alcançada em Berlim, prova que o amigo Manuel Sequeira esteve presente na que foi a sua 25ª Maratona.
Portanto, e como se pode constatar facilmente, foi um dia de grande emoções e muito orgulho. Parabéns amigos!!!

Com a minha imprescindível companhia, Mafalda 
Coimbra tem mais encanto, é uma frase feita mas muito verdadeira. Coimbra é uma cidade linda onde se respira conhecimento e liberdade. E correr em Coimbra, o que me sucedeu pela primeira vez, é especial.

No pátio da Universidade
A 1ª Meia-Maratona de Coimbra, Corrida do Conhecimento, foi muito bem organizada, com constante preocupação pelo atleta e por deixar uma marca em todos. 

Pelo que vi, é uma Meia com potencial para se tornar das maiores do país, muito acima dos 688 classificados de ontem, e a cidade e a organização bem o merecem.

Paralelamente, decorreu uma Mini de aproximadamente 10 quilómetros, com 429 participantes, e uma caminhada muito concorrida.

Animação a cargo de tunas
Início na Universidade de Coimbra, passagem junto ao Jardim Botânico, e vinda até à margem do Mondego, acabando por atravessar a ponte para o lado de Santa Clara, passagem junto ao Mosteiro, Quinta das Lágrimas, Portugal dos Pequenitos e meta no Forum Coimbra. 
Um percurso aliciante mas onde o calor atacou, em especial do lado de Santa Clara, onde esteve muito quente.  

O último quilómetro, entre Portugal dos Pequenitos e o Forum Coimbra, debaixo dum sol abrasador
Para a história, ficam os nomes dos vencedores, José Moreira do Benfica (1.08.04) e Anália Rosa do Maratona (1.15.49)

Felizes e contentes!
Como estava a precisar duma corrida destas!!!

Como se sabe, os últimos tempos não têm corrido como era desejável e os níveis de confiança para a Maratona do Porto estavam a vir por aí abaixo aos trambolhões.
Era muito importante que nesta corrida a situação se invertesse e sentisse bem, afastando aquelas enormes quebras das últimas semanas.

Parti com a Sandra e cedo constatei que não estava a carburar bem. Ia num certo esforço e o relógio indicava que ia lento, o que era preocupante pois aquele ritmo inicial era de Maratona e teria que ser confortável e nada desgastante. 
Essa sensação durou até cerca da passagem pela Ferreira Borges (4 km) onde comecei a sentir-me mais solto de pernas, não de cabeça pois a falta de confiança durou até aos 10 km, de forma mais acentuada até aos 7.

Aos 10, comentei com a Sandra "Como é que faria agora mais de 4 vezes esta distância? Eu não vou conseguir no Porto!".
Entretanto a Sandra teve que ficar para trás para ir a um café para uma "paragem técnica" e segui sozinho. 

Vitória!
E aqui, fez-se valer a força mental. Comecei a ter "raivinhas" da frase que disse (que não ia conseguir no Porto) e, tal como sucede várias vezes quando me "enraiveço", transformei-me por completo. 
De repente comecei a aumentar o ritmo e a notar que estava a ultrapassar vários atletas e, o mais importante, a sentir-me bem e com força. De tal maneira bem que acreditei que o ritmo agora imposto iria durar até ao final, sem quebras, e que iria ser recompensado com bom tempo, apesar do calor que se fazia sentir.

E aí fui, nunca quebrando um só metro que fosse, mesmo quando passei a ponte para a outra margem onde não estava apenas calor mas muito, muito calor. Mas nada me parava. E se até ao momento da transformação ia com um tempo que daria no final 2.21 / 2.22, a perspectiva de tempo final passou a centrar-se em 2.16, depois 2.15, 2.14, até fixar-se nos 2.13 no último quilómetro, para nos últimos metros descer mais um minuto, cortando a meta em 2.12.43 e uma enorme alegria e alívio.

Alívio porque constatei que há esperança para o Porto. Posso não estar na forma desejável, muito longe disso, o pouco tempo que falta não vai dar para a recuperar completamente, mas há evolução e esperança. 
Ontem fui eu!


Classificação (quando possível)

Olhem só o estilo dos meninos com uns óculos oferecidos pelo Forum Coimbra

domingo, 21 de setembro de 2014

14 antes + 10 do Destak e a problemática dos níveis de confiança

A 100 metros da meta

Hoje foi dia de cumprir 24 quilómetros, englobando-os na 7ª Corrida do Destak, com um treino de 14 km antes.

Para tal, saí de Porto Salvo em direcção a Caxias (a partir de Paço d'Arcos pelo meio da Marginal pois hoje foi manhã sem carros), dando a volta até Carcavelos para chegar junto à partida por volta dos 13 km, dando uma volta de 1 km ali, perfazendo 14.

Os níveis de confiança andam a ficar abalados e isso notou-se nos 2 primeiros quilómetros. Depois, como estava a sentir-me bem, a confiança ganhou alguma força e, ajudado pela temperatura fresca que se sentia, com a chamada chuva molha tolos à mistura, acabei por fazer bem esses 14 km, a ritmo de Maratona, média de 6.20, terminando a 8 minutos da partida do Destak.

Encontrei-me com os restantes elementos da equipa presentes (Joana e Eberhard), mais o João Branco e aí fomos. 

A intenção era correr com a recém chegada à equipa Joana Ruivo mas só deu até aos 5,5 km pois o seu ritmo estava demasiado rápido para mim, após fazer 14 antes, e o cansaço começou a aparecer. Até então, 19,5 km no total, estava tudo a correr bem e parecia ir ser uma manhã de evolução em relação aos últimos treinos longos. 

Mas... ainda faltavam 4,5 e dei um estoiro que se deve ter ouvido na outra banda! O que me valeu foi a preciosa companhia do Isaac que me ajudou a chegar à meta e a quem agradeço.

Claro que com isto ainda não foi hoje que os níveis de confiança subiram, pelo contrário, levaram novo rombo o que me está a deixar preocupado para o Porto.

E a principal razão nem foi pelo estoiro mas pelas reacções depois. Tal como sucedeu nas Lampas, nos últimos 4 km não tinha qualquer energia e depois de parar fiquei cerca duma hora a sentir alguns tremores internos, o que não me recordo de alguma vez ter acontecido e agora foram 2 vezes em 2 fins-de-semana.

Aquele misterioso problema intestinal (nunca soube o que foi) que me afectou durante 2 meses terá minado a minha resistência e agora está difícil recuperar.

Estamos a apenas 6 semanas e pouco tempo para construir uma melhor forma mas continuo sempre na luta. Nas próximas 3 semanas vou participar em 3 Meias (Coimbra, Vasco da Gama e Moita) e era bom que me corressem bem.
E quando digo correr bem, não me refiro a grandes tempos mas acabar a sentir-me confortável e com a sensação que corria um bom bocado mais.

Quanto à corrida de hoje, tudo dentro da organização habitual, sempre ajudado pelo belo percurso.

Os vencedores foram Emiliano Vieira da RB Running em 31.18 (a 2ª melhor marca deste percurso apenas batida pelo tempo de 2009 quando Ricardo Ribas registou 30.37) e pela já vencedora da edição de 2010, Ana Mafalda Ferreira do Estreito que bateu o record do percurso no sector feminino, baixando dos 36.48 que a Sandra Teixeira marcou no ano passado para 36.10

Classificaram-se 2.098 atletas, menos 474 que no ano passado e a 843 do record de 2011, a 2ª mais fraca participação. 
Apesar da quebra ser acentuada, este ano muitas provas têm diminuído de participação, não por haver menos gente a correr, pelo contrário, mas pelo facto de cada vez coincidirem mais provas no mesmo fim-de-semana e os calendários estarem a ficar muito compostos.




Não queria terminar sem uma pequena homenagem ao Manel que nos deixou há 2 dias.

Manel 2003-2014

O Manel foi um gato bonzão, muito amigo e puro na sua relação e foi uma enorme alegria ter o prazer da sua companhia nos 11 anos que nos adoptou.

sábado, 20 de setembro de 2014

Revista Atletismo de Setembro/Outubro


Com uma bonita capa do pódio de Jéssica Augusto na Maratona do recente Europeu, já chegou-me às mãos o número da Revista Atletismo, como habitualmente nesta altura, referente a Setembro / Outubro.

Seu índice:

Competições Internacionais

Pista
06  Campeonato da Europa – Portugueses
18  Campeonato da Europa – Internacional
23  Campeonato Ibero-Americano
43  Jogos Olímpicos da Juventude

Competições Nacionais

Estrada
24  Corrida da Decathlon / Alfragide
28  10 Km de Tagarro
30  Corrida da Festa do Avante 

Espaço Técnico

Conselhos
36  Treino físico em altitude

Treino
38  Como treinar para duas maratonas seguidas

Nutrição
34  Suplementação com bicarbonato de sódio 

Reportagens

Cube de Pelotão
40  Grupo Desportivo do Cavadas 

Atleta de Pelotão
42  Patrícia Serafim 

Natureza

Trilhos
44  Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos
44  Outros trilhos

Secções Fixas

23  Portugueses no estrangeiro
30  Noticiário
46  Veteranos – Campeonato da Europa
46  Deficientes – Europeu IPC
48  Agenda da Corrida
50  Lazer 

Iniciativas

Revelação do mês
51  Julho – Sandy Martins

Recorde-se que esta publicação imprescindível para o nosso desporto é distribuída por assinatura. Para toda e qualquer informação, clicar aqui

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Revista Spiridon Julho/Agosto


Eis a Revista Spiridon, relativa a Julho / Agosto, sempre com temas que nos dizem respeito. São eles:

- Saber vencer os maus resultados
- Corredor que gosta de cerveja...
- Como prever marcas com precisão
- Falsos mitos em torno da corrida
- Qual o seu potencial na Maratona
- Ultra Trail Monte da Lua - Descobrir segredos nos trilhos de Sintra
- Que futuro para o Trail?
- Como reagir perante uma lesão
- Foi a correr muitos km que sobrevivemos!

Além das habituais rubricas fixas que proporcionam muita e boa leitura! Especial destaque ao editorial "Partir sempre mais à frente".

Para receber esta excelente revista: Publicação exclusivamente dedicada à corrida (6 números por ano). Distribuição apenas por assinatura: Preço da assinatura anual 21 € . Por cheque, ou transferência bancária.NIB = 0010 0000 6176291000127 revista.spiridon@gmail.com

domingo, 14 de setembro de 2014

O encanto das Lampas

Os 4 ao Km presentes: Eberhard, eu, Mafalda (na qualidade de fotógrafa), Isa e Vítor (que fizeram uma excelente prova!)

Nascida em 1977, é a 2ª Meia-Maratona mais antiga em actividade, apenas batida pela "Mãe" Nazaré. Disputou-se ontem a 38ª edição e, além da venerável idade, o destaque vai para como esta Meia constantemente melhora ainda mais de ano para ano, sempre com a preocupação de ir ao encontro do que os atletas gostam e procuram.

E não é por acaso que o seu organizador de sempre é um conceituado atleta de pelotão, Fernando Andrade, que ao andar no meio do pelotão de tantas e tantas provas, transpõe para esta o melhor que vê, fazendo o necessário equilíbrio entre o possível e o orçamento batalhado ano após ano.

A bonita e original medalha. Atente-se nas casas no lado esquerdo
E qual o resultado final a nível de organização do que se passou ontem? Uma verdadeira excelência e exemplo para todos!
Vejamos os aspectos mais positivos:
- Um percurso aliciante e selectivo, todo muito bem marcado, não apenas com as placas quilómetro a quilómetro mas também as indicações pertinentes a cada momento (tais como aproximação de abastecimento, controlo, lado da estrada a percorrer)
- Um ambiente especial de quem sabe receber e quer que se leve a melhor recordação, e com público a aplaudir em diversos locais
- No quilómetro inicial dentro de São João das Lampas, o sino da igreja esteve sempre a badalar e na passagem em frente à igreja o padre presente a desejar boa sorte a todos os atletas
- O trânsito bem cortado e todas as informações necessárias para os automobilistas a serem devidamente explicitadas no site com as horas de corte e os desvios possíveis
- Um site bem elaborado, agradável de ser visto e com todas as informações possíveis
- Abastecimentos de 5 em 5 km, inclusive no 20º, o que também sabe bem, em especial para um dia que acabou por ser abafado, e que muitas Meias descuram por ser apenas a 1 km da chegada
- Muitos chuveiros espalhado pelo caminho. E que bem souberam!
- Dorsais personalizados, muito bonitos e com toda a informação, inclusive com o chip destacável
- A 100 metros da chegada, ofereceram rosas às atletas que assim cortavam a meta de rosa na mão
- Um característico pórtico, e tapete antes, que nos fazem sentir especiais ao cortar aquela meta
- O tempo limite foi de 2 horas e 30 mas estenderam mais 11 minutos para todos os atletas poderem cortar a meta após o seu esforço
- O saco muito bem guarnecido
- Uma medalha muito original e bonita
- Classificação bem detalhada com todas as passagens
- Cerimónia do pódio bem organizada
E de certeza que estará a passar-me algumas coisas mas a lista já vai longa

Passemos então aos aspectos negativos:
Ora estou a pensar... a pensar... não encontro nenhum... será que não há?
Ah! Há sim! Há um aspecto negativo: 
- Ter que esperar um ano pela próxima edição!

A vencedora feminina, Chantal Xhervelle, corta a meta de rosa na mão
Classificaram-se 625 atletas, a segunda melhor participação de sempre, a 93 do record do ano passado, sendo 84 femininas ( 13,4%)

O vencedor masculino, Emiliano Vieira
Para ver todo o historial da prova, nomeadamente a totalidade das classificações, clicar aqui
Aprecie a evolução das classificações. Desde a primeira escrita à mão, à segunda já à máquina de escrever, às primeiras informatizadas, ao grau que se chegou hoje.

Obrigado Sandra pela preciosa ajuda!
Quanto à minha prova propriamente falando, foi muito fraca e sofrida. Vim de manhã de duas semanas no Algarve, e sabemos como a praia puxa por nós, e foi com muito custo que cheguei ao fim, em especial os últimos 4 quilómetros onde cheguei a recear que pudesse não chegar à meta.

Felizmente a minha teimosia funcionou e levou-me à meta que cortei em 2.25.58, de longe o meu pior tempo nas minhas 3 edições desta fabulosa Meia.

Muito agradeço à preciosa ajuda que tive da Sandra Martins até aos 12,5 km e do Pedro Murtinhal desde os 15 até à meta. Sem a vossa ajuda ainda teria sido mais difícil!

Claro que estou preocupado com o que vem daqui a 7 semanas, a Maratona do Porto, e estou não por ter sido tão complicado concluir a prova de ontem mas sim pelo atraso que a minha preparação leva, atraso provocado por aqueles malditos 2 meses com problemas intestinais e que me deitaram muito abaixo.

Mas no dia 2 de Novembro tenho que chegar à meta, portanto tenho que me "fazer à bronca!"

Obrigado Pedro pela preciosa ajuda! (a minha expressão corporal diz bem do que me custou chegar à meta!)



Não quero deixar passar a ocasião sem realçar a estreia pela equipa da Joana Ruivo, hoje de manhã na Corrida do Tejo. Bem vinda Joana a esta equipa de amigos! :)

João Branco (pai) e Marta Feio ladeiam a Joana Ruivo na sua estreia pelos 4 ao Km na Corrida do Tejo

domingo, 24 de agosto de 2014

A entrar nos eixos rumo ao Porto

Como tem sido aqui relatado, a preparação para o Porto não começou da melhor maneira com treinos miseráveis. O último relatado, sexta dia 15, tinha sido o cúmulo do mau e assustei-me a sério com a perspectiva de não conseguir a tão desejada meta no Porto. Estava sem força e a sentir-me derrotado.

Cada um de nós é um caso e, para mim, este tipo de sentimentos em altura de crise costuma ser muito bom pois obriga-me a reagir. Até acredito que talvez não tivesse feito a corrida da minha vida em Sevilha se não tivesse estado tão em pânico como estive nos dias anteriores (em especial no célebre pequeno-almoço do próprio dia) pois com o problema pulmonar que ainda tinha na altura, a cabeça obrigou-se a responder a tanta negatividade e saiu aquele "milagre" transformando-a na melhor e mais feliz corrida que alguma vez efectuei.

Provas de resistência obrigam a uma cabeça forte e é assim que esta que está por cima do meu tronco começou logo a reagir no dia seguinte a essa sexta-feira da semana passada. E nesse dia era outro completamente diferente. Tal como nos restantes treinos de 2ª, 4ª e 6ª desta semana, todos a correrem dentro do planeado e a sentir-me bem.

Hoje era a prova de fogo que essa crise se tinha afastado de vez, com um treino de 24 km por Lisboa, num percurso que emocionalmente tanto me diz pois tem os primeiros 19 e os últimos 5 da minha inesquecível Maratona de estreia, a chamada Maratona da Xistarca, Dezembro de 2012.

Foi seguir o percurso até aos Restauradores e aí cortar para o Martim Moniz e subir a Almirante Reis até ao Areeiro e fazer essa parte final da Maratona.

Não só esse percurso é emocional para mim pelas recordações de cada metro que nunca se apagam, como esses 19 km iniciais são ideais pois são muito variados o que facilita a quem as longas rectas ou percursos monótonos são penalizantes.

Para um treino ser bom, nada como ter uma excelente companhia! A Sandra foi uma preciosa ajuda ao longo de todo o percurso e na converseta os quilómetros foram passando muito agradavelmente. 
Aos 15, outra excelente companhia, o Nuno, que sei que tem que se esforçar imenso para nos acompanhar pois o nosso ritmo é... baixo demais para si! :)

E pronto. Treino feito. Desde sábado da semana passada a confiança restabelecida. Tudo bem! 
Claro que estou atrasado no plano mas também já não penso naquele objectivo secreto que tinha de baixar o meu record (5.02.13) para menos de 5 horas. A única intenção é a meta, o tempo é secundário.
Para um atleta como eu, cortar a meta numa Maratona é uma vitória para a vida.