domingo, 20 de maio de 2018

Corrida Cidade de Alverca, 4 em 4

Eu e Aurélio, a equipa presente, metade dos que estavam inscritos mas uma onda de lesões anda a abater-se sobre os 4 ao Km

Disputou-se hoje a 4ª edição da Corrida Cidade de Alverca onde registei a minha 4ª participação, sendo assim totalista. E porquê?

Se em 2015 fui pela curiosidade de primeira edição e passagem pela pista pioneira de aviação em Portugal, a partir daí esta corrida conquistou-me pela sua excelente organização.

Na revista da prova, existe uma página com as opiniões sobre a edição de 2017. Entre elas está a que eu enviei num mail. Escrevi então "... e posso garantir que recomendo esta prova a todos os meus amigos pois ela bem o merece! Participei nas 3 edições do vosso evento e noto uma grande vontade em fazer bem, um enorme cuidado com todos os pormenores e atenção dada aos atletas, com um cuidado redobrado na informação e feedback, que fazem da vossa corrida uma corrida diferente, com tudo de melhor que esta afirmação encerra."

Pois... disse isto em 2017 mas poderia dizer rigorosamente o mesmo este ano, pois toda a qualidade mantém-se e, nalguns pontos, ainda foi aumentada.

Um dos segredos desta organização é ter um vasto conjunto de voluntários, denominados embaixadores da corrida (pela revista conto 32), tudo atletas que sabem bem do que é o melhor para cada um. 

Na procura de melhores soluções, este ano o percurso teve novamente alterações e, na minha opinião, para melhor. O final, em vez de apanharmos a dureza da subida para o local de partida, foi dentro das instalações da OGMA (Oficinas Gerais de Material de Aeronáutica) e a parte de terra que no ano passado era irregular, foi substituída por outro troço em que o piso de terra é direitinho. 
Também tivemos a sorte de não apanhar vento na pista (como o forte na 2ª edição) e a temperatura, apesar de para o quentinho, era perfeitamente suportável, ao contrário do calor forte das primeira e terceira edições, que transformaram a passagem na pista num verdadeiro forno. Mas para evitar essa possibilidade, estava um tanque dos Bombeiros a regar o pessoal em plena pista o que foi uma excelente e refrescante ideia.

A promessa que o percurso iria ser mais rápido foi cumprida na totalidade, batendo-se o record de prova tanto no sector masculino como feminino. Nos homens, vinha de 2015 quando Hermano Ferreira marcou 32.20, tendo agora Pedro Arsénio registado 31.30 (menos 50 segundos). Nas mulheres, em 2017 Alexandra Sousa foi a primeira atleta a baixar dos 40 minutos, com 39.58, tendo agora Joana Ramalho cortado a meta aos 38.29 (menos 1.29).

À chegada, direito a receber uma bonita medalha com um avião dos antigos. Vejam a imagem e digam lá se a medalha não é bonita?

A bonita e original medalha

Registo ainda para os padrinhos da prova, dois atletas que já foram recordistas mundiais, Fernando Mamede (nos 10.000 em 1984) e Inês Henriques (nos 50 km Marcha em 2017).

Com tudo isto, só faltava a cereja no topo do bolo que era continuar o aumento de participação que se regista desde o início. Em 2015 classificaram-se 443 atletas, 577 em 2016 e 612 em 2017. E em 2018, aumentou ou não? A resposta é sim, com 640.

Venha a 5ª edição que esta organização e todo o seu staff são um espectáculo!!!

Uma vasta equipa para proporcionar o melhor a todos. Muito obrigado!
E em relação à minha prestação? 
Pois, se em Abril me dissessem que ia fazer este tempo em Alverca, interrogava-me de imediato porque seria tão fraquinho. Mas muita coisa mudou e hoje acho-o bom.

Como se devem recordar, a coisa começou a não correr bem no 1º de Maio e em Setúbal foi mesmo um desastre completo. Tudo por um problema gástrico que se vinha a agudizar e teve o seu maior episódio de crise no fim-de-semana em Setúbal.  

Já tenho os resultados dos exames que fiz e forneceram o "menu" do que tenho. Já estou a ser medicado e vamos ver a sua (des)evolução. 
Já estou bem melhor mas as pernas é que ainda estão afectadas. Falta-me força nas pernas e isso reflecte-se, inevitavelmente, na corrida. 

Cheguei a Alverca com 3 desejos: Cortar a meta no final (não era dado adquirido), fazer tudo a correr sem nunca andar (sim, sei que eram apenas 10 km mas neste momento isso também não era dado adquirido) e se possível cortar a meta antes da hora.

Tive que gerir muito bem a prova (conhecer o percurso também foi uma rica ajuda) e consegui os 3 objectivos. Tempo final 58.25, o que me deixou feliz. Para o momento actual, dei o melhor, o máximo que podia.

A respiração e resistência estavam boas mas as pernas não. Como disse em cima, estão sem força. Mas a coisa está a melhorar.

Tenho consciência que vai ser um longo processo de recuperação, o chegar ao nível dos dois anos anteriores não é agora possível, há que gerir tudo muito bem que daqui a n tempo serei recompensado. 

Mas estar longe do que já fiz não é qualquer problema, eu gosto é de correr, isso é que me faz feliz, e o meu grande objectivo do ano sempre foi o mesmo, 2 de Dezembro Maratona de Valência. É aí que tenho que olhar.

Entretanto, a próxima semana é a tal da sessão dupla, APAV sábado à noite e Belém domingo de manhã. Logo verei se conseguirei as duas.

Até lá, uma excelente semana a todos!


domingo, 6 de maio de 2018

Na Meia de Setúbal a gerir o possível

A equipa 4 ao Km presente: Eu, Vitor, Isa e Aurélio (que apenas fez a caminhada por estar a recuperar de lesão). Obrigado pela foto Jorge Robalo (ler curiosa história no final do artigo) 
E aqui com o amigo Pedro Burguette

Nem sei bem como começar o relato da corrida de hoje. Foi a minha corrida número 425 e a 57ª Meia-Maratona e posso dizer que, exceptuando as Maratonas que são um mundo à parte, foi a prova mais sofrida que alguma vez disputei.

Pegando no que se passou no 1º de Maio, como se devem recordar disse que mentalmente não estava bem em virtude duma preocupação. A razão da minha preocupação devia-se a um exame gástrico que ia fazer no dia seguinte (4ª) e que poderia dar resultados maus. 

Felizmente não se confirmou o cenário pior mas há aqui um problema a ter que ser resolvido. No fundo está relacionado com a hérnia do hiato (a tal culpada da Rock'n'Roll 2013) e com a libertação de ácidos que quando ocorre como que suga a energia, além de dar muito mau estar.

O menu para hoje era composto por uma barriga muito inchada, a vir demasiadas vezes a comida à boca (péssimo para correr!) e sem energia, muito menos para uma prova com a distância de 21.097 metros, para mais sendo num percurso tão duro como este.

Podia ser pior? Claro que podia! Por exemplo, estar muito calor. Pois... 30 graus chegam?

Fiz assim 21 quilómetros sempre com o espectro da desistência a bailar sobre a minha cabeça. O único trunfo que tinha era uma tremenda vontade em terminar.

Ao 2º Km (Obrigado pela foto Carlos Lopes)
Para tal, tive que batalhar muito comigo. E pensar sempre no próximo quilómetro. Estilo, passar aos 3 e pensar que o meu grande objectivo era chegar aos 4. Chegar aos 4 e redireccionar o grande objectivo para os 5, e por aí fora.

A coisa não estava fácil e o medo de como iria reagir na tremenda subida para a Arrábida, aumentava. Estava nos 7,5 km e, subitamente, deu-me uma enorme tontura. Tive que parar e chegar para o meio da estrada (para evitar bater com a cabeça no lancil do passeio, caso caísse). Nesse momento, assumi que a corrida tinha terminado. Por mais que me custasse, desistia! 

Andei 300 metros ainda no percurso da prova, porque o caminho ia passar junto onde estava o carro, perto da chegada, e notei que já não estava tonto. Experimentei dar uns passinhos de corrida e não senti mais tonturas. Decidi então continuar e logo ver como reagiria, mas com o tal espectro da desistência cada vez mais vivo. Tal como, em contraponto, a vontade de terminar.  

Vejam só o meu ar quando ia apenas com 10 km (Obrigado pela foto Fernanda Silva)
E deu-se o momento chave. Aos 10 quilómetros passa-se junto da chegada. Chegada onde tinha o carro ao pé. Ou ficava ali ou aventurava-me para a serra (que começava perto dos 11). Assumir que não estava em condições ou vencer a adversidade? Parar ou aventurar-me na serra?

Quem me conhece, sabe que não sou pessoa de desistir sem esgotar tudo. Então já deve ter percebido que continuei e meti-me na serra.

Muito difícil! Percurso tremendo, como já sabia de anteriores participações, sol tórrido de chapa, e a necessidade de gerir a coisa o melhor possível.

Sobrevivi à serra e saí da dita aos 17. Faltavam-me então 4 longos e penosos quilómetros. Em especial quando se passa aos 18 juntinho à meta e ainda temos que dar uma voltinha de 3 quilómetros.

Engraçado como 3 quilómetros tanto parecem um tirinho ou uma distância brutal, depende de como nos sentimos. 

Arrastar, gerir mas sempre seguir em frente. Até que cheguei à meta!

2.26.57 é dos piores tempos que já fiz (53º em 57) mas quem quer saber?!? Consegui cortar a meta e deu direito a beijar a medalha (coisa que reservo para Maratonas ou provas com records). Mas hoje foi muito difícil conseguir conquistá-la e foi um beijo bem merecido!

Pela primeira vez, deitei-me ao comprido no chão poucos metros após uma meta. Precisei mesmo disso.

Agora a próxima que estou inscrito é daqui a 2 semanas Alverca (onde sou totalista). Mas neste momento não faço planos. É ir vendo como isto vai evoluindo.

Não quero terminar sem  relatar um episódio curioso. Em 2016 tinha o carro no Parque 4 e quisemos tirar uma foto à equipa. Viemos até à saída do parque e como vimos que estavam ali uns atletas, pedimos a um se nos podia tirar a foto. Na altura ainda não o conhecia e recebi um comentário na crónica dessa prova onde ele informava que tinha sido quem tinha tirado a foto. Fui ver a classificação e espantei-me ao verificar que tinha sido Jorge Robalo, 3º classificado nesse dia e antigo campeão júnior de cross (e posterior vencedor desta Meia em 2017).

Ora hoje, o Vitor deixou o seu carro no Parque 4 (o meu ficou junto à meta) e como queríamos tirar uma foto de equipa, viemos até à porta de entrada do parque e quando nos preparávamos para tirar uma selfie, ouvimos alguém dizer "Essa foto tiro eu! Isto é um dejá vu!". Pois estava no mesmo local o mesmo Jorge Robalo, sendo dele a foto que encima este artigo. Ele há coincidências bem giras.

Uma boa semana a todos!


    

terça-feira, 1 de maio de 2018

Na Corrida do 1º de Maio

Os quatro 4 ao Km presentes: Vítor, Orlando, eu e Isa

Realizou-se hoje, com partida e chegada na pista do Inatel, a 37ª Corrida Internacional do 1º de Maio, evento que se realiza ininterruptamente desde 1982 e sempre com a mesma distância de 15 quilómetros.

Este ano contou com uma ligeira alteração. A partida foi mais à frente na pista, para impedir que os primeiros ao terminarem os 3/4 de volta e no momento que saem do estádio, encontrassem os últimos a partir. Com o avanço do pórtico de partida tal não foi problema. Para compensar essa distância, quando regressámos ao complexo, e antes de darmos entrada, demos uma ligeira voltinha ali na Rio de Janeiro.

Este será o percurso para, pelos menos, os próximos 5 anos, já que foi certificado e a organização publicou esse comprovativo, numa medida muito positiva pois é sempre ideal os atletas saberem que a distância está absolutamente correcta.

O comprovativo da certificação
Para mim, foi a 8ª presença (7ª consecutiva) neste percurso sempre aliciante e que requer boa estratégia por ter os primeiros 9 quilómetros algo para o favorável, seguindo-se 3 difíceis pela subida da Almirante Reis, culminado com o apertar da subida para o Areeiro. Os últimos 3 são para se fazerem bem, se ainda restarem forças.

No ano passado realizei aqui uma prova que na altura me deixou sem palavras e sem acreditar bem como consegui aquela prestação neste percurso. Algo que hoje me recordei bastantes vezes. Comparando com a forma de hoje...

Não somos máquinas em que se carrega num botão e fica-se 100% operacional (mesmo as máquinas têm quiproquós...) e somos sensíveis a determinadas preocupações. Ora desde o início da semana passada, por razões que agora não interessa, que não tenho andado famoso animicamente. Como se sabe, não estando a parte anímica boa, fisicamente também não o estamos.

Curiosamente foi nesta, digamos, crise, que fiz uma coisa que ainda não tinha realizado. Treino muitas e muitas vezes 5 dias seguidos, e também algumas 6 dias. Nunca tinha sucedido treinar 7 dias consecutivos. Quis o calendário, sem provas no fim-de-semana de 21/22 e 28/29 e com a Corrida do 25 de Abril em ritmo de treino, sem necessidade de repousar no dia seguinte, treinei de 2ª a domingo, perfazendo os tais 7 dias.

Descansei ontem e hoje era a tal prova que, até há uns dias atrás, contava dar-lhe forte. Não estava confiante antes da partida mas mesmo assim decidi arriscar. 

O objectivo seria um tempo na casa do minuto 23 como máximo. E porquê máximo 23? Para sentir evolução. Como é por demais evidente, aqueles records loucos de 2017 estão nesta altura mais que afastados mas a ideia é ir dando passinhos para aproximar. Nos 20 km Cascais-Lisboa fiquei a 9 minutos do meu melhor. Hoje tendo 15 km e fazendo a devida proporção, seria ficar a 7 minutos. Como o record aos 15 é de 1.16.40 (no ano passado fiz aqui o tal tempo louco de 1.16.41, tendo retirado 1 segundo nas Fogueiras), o objectivo seria até ao 23.

Por volta dos 4 soube que não iria ser possível, passei a gerir para ser o melhor que conseguisse, sendo o 24 baixo perfeitamente alcançável. E fui bem até aos 9. Depois... depois deu-se a chegada ao Martim Moniz para atacar os tais 3 km de subida e a cabeça traiu-me pois derrotei-me. 

O meu ponto forte é o mental mas não estando bem animicamente, perco esse trunfo. E a subida foi penosa, em especial a parte final para o Areeiro.

Comparando como fiz a subida do ano passado e hoje, das duas uma. Ou estava mais em forma em 2017 ou inclinaram mais a Almirante Reis!

Quando endireitou, lá dei o resto e a intenção passou a ser apenas fazer melhor do que há 5 semanas nos Sinos (a única de 15 que fiz após a paragem) e que foi 1.26.45, facto que considerei obrigatório. 

Últimos metros
Na recta da meta, já na pista do estádio, sprintei para ainda ficar no minuto 25 mas não deu. O relógio acelerou mais do que eu e chegou primeiro ao minuto 26, terminado em 1.26.04

Não fiquei decepcionado com o tempo, fiquei sim com as sensações que tive. Tenho que colocar a cabeça no seu estado normal pois domingo tenho uma Meia em Setúbal e é bem dura. E para isso, tenho que contar com aquilo que está em cima do tronco.

Ainda menos metros
Uma bom resto de semana a todos!



E tivemos um atleta da equipa no pódio, mesmo sem estar presente! Esta foto é da carrinha do pódio onde constavam estas 3 fotografias, estando numa o Aurélio retratado com a amarelinha!

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Na Corrida da Liberdade em alegre convívio

Antes da prova, o quinteto dos 4 ao km presentes: eu, Isa, Vitor, Sofia e Rute

Pela 11ª vez (*) marquei presença na Corrida da Liberdade que realizou hoje a sua 41ª edição, comemorando os 44 anos da revolução que tudo mudou, devolvendo a liberdade ao povo português, e dando liberdade para funções que o normal cidadão não podia realizar e onde a corrida aberta a todos é um exemplo. 

Mais do que uma corrida, este evento é uma verdadeira festa, sem intuitos competitivos, com diversos percursos permitindo a todo um naipe alargado da população participar, qualquer que seja a sua idade.

Já tinha apontado para esta prova fazê-la em ritmo de treino, indo em alegre convívio, como já é tradição. 
Além da tradição, juntou-se o plano que aconselhava mesmo calma, após um treino de 22 km no sábado e a vontade de esticar um pouco na 3ª feira no 1º de Maio. 

A estes factores, aliou-se ainda uma preocupação. No treino de 22 km no sábado (era para ser de 20 mas enganei-me no local do retorno e acabei por fazer 22), os primeiros 15 foram sempre de forte e fria chuva. Ora os gémeos começaram e prolongaram-se por 15 km molhados e frios. No domingo sentia o direito estilo tronco. Treinei calmamente na 2ª e ainda o sentia um pouco assim. Na 3ª levantei-me aparentemente sem qualquer problema, fui treinar mas por volta do quilómetro e meio reapareceu essa sensação e decidi, por uma questão de segurança, parar pouco mais à frente e descansar. 

Assim, hoje havia essa incógnita. Incógnita que, felizmente pendeu para o lado bom, não senti nada e agora está normal. Não sei se pelo descanso ou por uma pomada que a Sofia me emprestou e com a qual o massajei antes da prova (obrigado Sofia!).


4 amigos em alegre convívio (muito obrigado pela foto, Luís Duarte Clara!)
Fomos 4 em alegre convívio (pois segui com o casal Isa & Vítor, mais a Sofia) e foi um muito alegre passeio em ritmo de corrida calma desde a Pontinha aos Restauradores, onde chegámos 1.13.20 após a partida, numa distância anunciada de 11 km mas com pouco mais de 10.700 metros.


Logo após a meta (muito obrigado pela foto, Mário Lima!)
Mais uma muito agradável manhã passada entre amigos!

Agora é seguir o meu plano de treinos para os dois próximos desafios, Corrida do 1º de Maio daqui a 6 dias e 5 dias depois a Meia-Maratona de Setúbal.

Até lá, tudo de bom!  

(*) Carlos... não é nada contigo, não sejas paranóico! :)

domingo, 22 de abril de 2018

Divulgação: Corrida Solidária APAV - Correr por uma causa nobre


A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) é uma instituição particular de solidariedade social, que tem como missão o apoio às vítimas de crime, suas famílias e amigos, prestando-lhes serviços de qualidade, gratuitos e confidenciais e contribuir para o aperfeiçoamento das políticas públicas, sociais e privadas centradas no estatuto da vítima.

Ora é para uma causa nobre, a APAV, que se realizará no sábado 26 de Maio, pelas 21 horas a 15ª edição da Corrida Solidária APAV, este ano em novo formato.

Após 14 anos com a organização directa do ISCPSI (Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna), com partida nas suas instalações e chegada nos Jerónimos, este ano a prova é organizada pela Xistarca e com o seu centro na Reitoria da Universidade de Lisboa.

O seu novo percurso, onde mantém os 10 quilómetros, é este:  Partida na Reitoria da Universidade de Lisboa / Alameda da Universidade / Lisboa-Cidade / Av. Prof. Gama Pinto / Alameda da Universidade / Campo Grande / Entrecampos / Retorno no Campo Grande / Entrecampos / Campo Grande / Alameda da Universidade / Meta na Reitoria da Universidade de Lisboa

Haverá igualmente uma caminhada de 5 quilómetros com o seguinte percurso: Partida na Reitoria da Universidade de Lisboa / Alameda da Universidade / Lisboa-Cidade / Av. Prof. Gama Pinto / Alameda da Universidade / Campo Grande / Alameda da Universidade / Meta na Reitoria da Universidade de Lisboa

As inscrições estão abertas e todas as informações podem ser obtidas nas seguintes ligações:




Os atletas são solidários e decerto que muitos irão inscrever-se nesta prova com uma causa como a da APAV.

E os que já estiverem inscritos para outros eventos, podem fazer como eu que já me encontrava inscrito para a Corrida de Belém no domingo de manhã e quando apareceu a data para este evento, não hesitei um segundo em igualmente inscrever e participarei assim nas duas com um intervalo de 13 horas. A APAV merece!


domingo, 15 de abril de 2018

Nos 20 Km integrados na Estafeta Cascais-Lisboa

Antes da prova, os 4 ao Km presentes (eu, Aurélio e João Cravo)

A Estafeta Cascais-Lisboa é a prova mais antiga de Portugal, das que se mantém em actividade, existindo desde 24 de Abril de 1932.

Realizou-se hoje pela 80ª vez, com a sua 79ª edição. E não, não há aqui engano. Sucede que na edição inaugural, à última da hora, a prova foi encurtada por não ter sido permitida a chegada a Lisboa. Assim, foi considerada como edição 0 tendo a segunda edição recebida a denominação de 1ª.

Disputou-se ininterruptamente até 1952, regressando em 1954 e 1955 e depois de novo ano ausente, de 1957 a 2004. Após uma ausência de 2 anos, teve nova edição em 2007, no que parecia ter sido o canto do cisne. Porém, em boa hora, a Xistarca renasceu-a em 2011, com um percurso mais compacto de 20 km entre Estoril e Belém, juntando-lhe uma prova de 20 quilómetros.

E foi nessa de 20 quilómetros que participei hoje, tal como em 2011 e 2016, tendo estado presente na Estafeta em 2012, 2013, 2014 e 2017. Por outras palavras, apenas não participei neste evento (desde que regressou) em 2015 por se ter disputado no dia em que cumpri o sonho de correr na Maratona de Paris. 

Abro aqui um parêntesis para assinalar um erro que se comete de há 2 anos a esta parte, quando é voz corrente que após a passagem dos 20 km de Cascais para Meia-Maratona, apenas ficou Almeirim como a única prova de estrada com 20 quilómetros. Tal é esquecer esta que se disputou hoje pela 8ª vez e sempre com presença assinalável de várias centenas de atletas.  

Como sempre, este evento é muito animado, em especial com as passagens nas transmissões onde os atletas que aguardam o seu turno vão fazendo a festa. Na transmissão de Santo Amaro (2ª para 3ª) e Alto da Boa Viagem (3ª para 4ª), faziam alas ao melhor estilo da Volta à França, aplaudindo energeticamente.

Classificaram-se 784 atletas nos 20 km e 137 equipas (548 atletas) na Estafeta, que deram por muito bem empregue a manhã. E se choveu, como as previsões apontavam, foi sempre chuva fraca, daquela ao estilo da chamada "chuva molha tolos", o que naturalmente significa que nenhum de nós se molhou :)

A minha intenção para hoje, já declarada na semana passada, era baixar das duas horas, o que seria bom para o momento actual. Para tal seria necessária uma média inferior a 6 minutos. Certo que na Meia da Ponte a minha média foi 5.56, numa prova com um factor a favor e um contra. Na Meia, o percurso era muito favorável, enquanto este tem as suas vicissitudes, nomeadamente com 4 subidas (Estoril, São João do Estoril, Santo Amaro de Oeiras e a sempre temida subida do Alto da Boa Viagem). Mas na Meia houve a dificuldade do muito vento contra entre Cais do Sodré e Dafundo, enquanto aqui havia essa incógnita.

Felizmente o vento não foi factor e a temperatura estava adequada para a corrida (muito diferente da brasa do ano passado).

Na passada sexta-feira fiquei com a moral mais alta ao fazer séries (neste caso apenas série por estar a dois dias de 20 km). A melhor desde o meu regresso pós-operatório tinha sido realizada na semana passada em 4.38 mas todas até ao momento não tinham dado boas sensações por não estar a conseguir geri-las bem, indo um pouco aos repelões. Na sexta a série foi perfeita. Mais rápida (4.25) e muito bem gerida, sempre regular e terminando bem melhor do que as anteriores. Isso aumentou-me a confiança para esta prova.

E hoje também fui muito regular, acabando por realizar um tempo bem melhor do que esperava. Nas duas anteriores presenças, em 2011 marquei 1.57.05 e em 2016 1.56.17, e não imaginei fazer melhor que estes valores mas foi o que sucedeu.


A curvar para a meta (obrigado pela foto Maria José Bonito)
Terminei em 1.54.51, média de 5.44 e fui sempre na casa dos 5 quarentas, após o primeiro par de quilómetros a aquecer. Depois coloquei esse ritmo e aí mantive-me, mesmo nas subidas.

Ao quilómetro 13 senti que parecia ir quebrar, e que péssima altura pois a subida do Alto da Boa Viagem aproximava-se, mas tal como veio essa sensação, logo passou e pude fazer bem a subida.

A 3 quilómetros e qualquer coisa, comecei a sentir o desgaste mas passei a utilizar a minha táctica habitual, ir olhando para o relógio para receber energia através da marca que estava a registar e consegui aguentar sem qualquer quebra, até melhorando no último quilómetro quando me apercebi que ainda podia baixar do minuto 55.

Desde muito cedo que concluí que as sub2 horas estavam garantidas, depois que poderia ser minuto 56, na última légua minuto 55 e então no último quilómetro que poderia mesmo ir ao 54.


Após a meta (obrigado pela foto Nuno Moreira)

Cortei a meta feliz e com a sensação que o trabalho está a ser bem dirigido. Claro que não posso pensar que há 4 meses atrás bati o meu record aos 20 com menos 9 minutos (1.45.48) mas sim que a coisa está a evoluir notoriamente.

E tal como já afirmei, não quero queimar etapas, não pretendo ter um pico de forma mas sim uma forma consistente e duradoura como a anterior à operação, quando desfrutei dos 2 melhores anos de sempre.

Próxima corrida, a 41ª Corrida da Liberdade a 25 de Abril.

Até lá, tudo de bom para todos!





  

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Efeméride: 15 anos dum dos mais fabulosos records mundiais


Sendo o Atletismo uma modalidade multi-disciplinar, multi-género e multi-escalão, conta com muitos records mundiais. Todo e qualquer um é fantástico pois significa que alguém fez o que nunca tinha sido efectuado por qualquer um dos milhares de atletas mundiais.

Mas sendo qualquer um fantástico, alguns ganham uma mística especial por razões como a quebra de alguma barreira, seja cronométrica ou distância, ou pela diferença alcançada em relação à anterior marca.
E é exactamente essa última razão o mote para esta efeméride.  

13 de Abril de 2003, 23ª Maratona de Londres. A britânica de 29 anos Paula Radcliffe alinhava à partida com o favoritismo normal de quem era a recordista mundial. 
Exactamente 6 meses antes (13 de Outubro de 2002), tinha batido de forma extraordinária o record mundial da Maratona em Chicago, com a marca de 2.17.18, retirando a incrível fatia de quase minuto e meio (1.29 para ser exacto) ao anterior record, pertença de Catherine Ndereba desde a mesma Maratona de Chicago mas do ano anterior, 2001.

Já tinha sido uma quebra fenomenal, a maior desde 1983. Recordemos que a primeira Maratona oficial feminina decorreu apenas no ano anterior de 1982, nos Europeus de Atenas com a vitória da nossa Rosa Mota.

O que ainda não se sabia, à hora da partida desta Maratona, é que esse 13 de Abril de 2003 iria ficar para a história como um dos records mundiais mais extraordinários, pelas razões em cima apontados.

Senhora duma aparência muito serena, com ar de quem não faz mal a uma mosca, Paula Radcliffe transfigurava-se a correr, parecendo uma guerreira em esforço final por cada passada que dava. Uma lutadora de fibra, regressando o seu ar sereno após o esforço.

Faz hoje 15 anos, Paula fez, segundo o director de prova Dave Bedford, antigo recordista mundial dos 10.000 metros (27.30,80 em 1973, marca batida em 1977) "a maior performance em corrida de fundo que vi em toda a minha vida".



Paula quis atacar o seu record e fê-lo com a máxima preparação, determinação e empenho. De tal maneira que aos 20 km já seguia 1 minuto à frente da sua própria marca realizada 6 meses antes. Adivinhava-se o minuto 16, facto sensacional e dificilmente sonhado pouco tempo antes mas desde que Paula aguentasse o ritmo diabólico, o que muitos especialistas não acreditavam ser possível, como o seu fisiatra Gerard Hartmann que dizia "Ela vai rebentar! Não vai passar dos 30!"

Ajudada por uma multidão em delírio pela prestação da sua atleta, Paula chega a estar 2 minutos à frente da sua marca! Começa então a sofrer ameaças de cãibras mas a quebra de ritmo é pouco perceptível, ganhando uma energia suplementar quando sabe que podia baixar do minuto 16! E a história é curiosa de ser narrada. O antigo medalhado de bronze Peter Elliott estava na moto da câmara da BBC e recebeu um pedido de mensagem do treinador e marido de Paula, Gary Lough. Peter gritou-lhe então "Gary disse que se acelerares chegas antes do minuto 16". Pensando para si própria "Vai-te lixar Gary, eu vou o mais rápido que consigo!". O que é certo é que essa "cenoura" deu-lhe aquela força extra que parecia já não ser possível. 

E baixa do minuto 16 e de que maneira! Com um final com tudo no limite, indo buscar forças onde já não existiam, Paula corta a meta em 2 horas 15 minutos 24 segundos e 6 décimos, sendo considerada a marca de 2.15.25!!!



A fatia retirada, ainda foi maior que a anterior, cifrando-se em menos 1 minutos e 53 segundos!!! Em relação à marca da 2ª melhor atleta de sempre na altura, estamos a falar de 3 minutos e 22 segundos!

A sua táctica foi... correr sem limites! E com um excelente split negativo: 1.08.02 na 1ª metade e 1.07.23 na 2ª!

A notícia deixou o mundo do Atletismo boquiaberto com tamanha façanha. Foi considerado que Paula alcançou o impossível. E 15 anos depois, mantém-se a mesma sensação de impossível que foi possível pela prova perfeita, num dia perfeito, com a forma perfeita!

Note-se que o tempo de Paula ficou dentro dos mínimos para os mundiais de Paris desse ano... no sector masculino!

E passados 15 anos? Ninguém se aproximou significativamente. A segunda melhor marca é de Mary Keitany, desde Londres do ano passado, mas a 1.36, fazendo desta marca ainda uma miragem.

Atentemos nas melhores 10 marcas de sempre até ao dia de hoje:

Lugar
Tempo
Atleta
País
Maratona
Data
1
02:15:25
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Londres
2003-04-13
2
02:17:01
Mary Keitany
Quénia
Londres
2017-04-23
3
02:17:18
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Chicago
2002-10-13
4
02:17:42
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Londres
2005-04-17
5
02:17:56
Tirunesh Dibaba
Etiópia
Londres
2017-04-23
6
02:18:31
Tirunesh Dibaba
Etiópia
Chicago
2017-10-08
7
02:18:37
Mary Keitany
Quénia
Londres
2012-04-22
8
02:18:47
Catherine Ndereba
Quénia
Chicago
2001-10-07
9
02:18:56
Paula Radcliffe
Grã-Bretanha
Londres
2002-04-14
10
02:18:58
Erba Gelana
Etiópia
Roterdão
2012-04-15

Curiosidades: 
- Paula Radcliffe não só é a detentora do record mundial como tem 4 marcas no top10
- Enquanto no sector masculino a Maratona de Berlim domina com 7 marcas nas 10 melhores, no sector feminino a predominância é de Londres com 6 marcas, seguida de Chicago com 3 e Roterdão 1. A melhor de Berlim no sector feminino está em 11º. 

Outra curiosidade é que só em 1958 o sector masculino alcançou uma marca melhor que as 2.15.25. Por outras palavras, os homens necessitaram de 62 anos de evolução na Maratona para alcançar tal patamar (a primeira Maratona realizou-se nos primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna em 1896). 
Em constraste com os 62 anos, o sector feminino necessitou de apenas 21 anos para chegar a uma tal marca, considerando 1982 como o da primeira Maratona feminina oficialmente reconhecida pela IAAF.

Recordemos que apenas foi permitida a participação feminina nos Jogos Olímpicos em 1928 e com a distância máxima de 800 metros. No entanto, especialistas (?) consideraram que tal distância era demais para o "frágil" corpo duma mulher, com justificações "científicas" como correrem distâncias dessas poderiam provocar a queda do útero (!!!) e essa distância esteve proibida até 1960, sendo 400 metros o limite. Apenas em 1972 puderam participar nos 1.500 metros para tudo se normalizar nos anos 80, apesar da bizarria de nos Jogos Olímpicos de 1984 fazer parte do programa a Maratona mas não os 10.000 que apenas surgiram em 1988.
Hoje em dia, mulheres há que correm centenas de quilómetros numa só prova...  



Lamentavelmente, este record esteve administrativamente em perigo em 2011 quando a IAAF quis anular as marcas que tivessem sido obtidas em provas mistas, o que era o caso das 2.15.25 de Paula Radcliffe mas não os também seus 2.17.18 que ficariam como record vigente, no que seria um enorme crime contra este feito inolvidável.

Felizmente voltaram atrás, digamos a 50%, criando 2 records, o absoluto e o de provas exclusivas femininas (pode ser realizado em provas mistas mas com partida antecipada).

Este é um assunto, na minha opinião, altamente controverso. Uma atleta ser acompanhada por um homem pode ajudar mas continuam a ser as suas pernas a conseguir cumprir a distância. 
Fala-se em ajuda competitiva. Pergunto eu: Será de criar dois records no sector masculino para os realizados com recurso a lebres e os sem lebres? Pela anterior consideração, a utilização de lebres não será também uma ajuda competitiva? 
Sim, sei que seria muito difícil de policiar. Um atleta poderia servir de lebre, puxando demais no início e depois desistir e poderia ser utilizado o argumento que iria realizar toda a prova mas não geriu o andamento. Não seria possível provar que apenas tinha ido para servir de lebre nem provar que o atleta vencedor foi ajudado pelo facto. 
E no sector feminino? Como provar que sem a presença de atletas masculinos a atleta não faria o mesmo?

Como disse, é controverso e, na minha opinião muito pessoal, a IAAF não deveria ter criado esta clivagem. Mas já sou eu a divagar pois o que conta hoje é reter a efeméride deste fantástico e inacreditável record mundial.

Foi há 15 anos. Quantos mais durará e quem o poderá bater?