quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Não há Maratonas iguais

Se não há corridas iguais, embora muitas se assemelhem, em Maratonas cada uma é uma específica e nada é igual, tanto no antes, durante ou depois.

A 10 dias de estar presente pela 4ª vez na partida duma Maratona, esperando que seja a minha 3ª meta conquistada, tempo para um pequeno balanço comparativo entre cada, para saltar à vista a diferença que houve em cada uma e a completa incógnita que será o dia 2



1ª Maratona - Maratona Cidade de Lisboa - 2012/12/09 - 5:02.13



Preparação - Quis realizar uma pré-preparação antes dos 3 meses da ordem mas tal não sucedeu pelo complicado período que foi o internamento e posterior falecimento do meu pai.
Foi com esse choque e uma série de assuntos a resolver que iniciei a preparação. Segui à risca o plano e cheguei ao dia com a consciência que o trabalho estava feito. Naturalmente sem saber se seria o suficiente por nunca ter enfrentado a distância.

Dias antes - Muito nervoso dois dias antes e na véspera sentia-me a tremer dos pés à cabeça. No entanto apenas dormi mal na última noite.
Já no local da partida, cheguei a ter um momento de pânico mas reprimido.

Condições atmosféricas - Melhor era impossível. Dia bonito, sem vento, sem humidade e 10 graus de temperatura. Condições ideais

Durante - Muito tenso nos primeiros 5 km. De repente, senti toda a tensão a desaparecer e entre os 5 e os 30 foi uma prova maravilhosa. Senti-me muito bem e feliz. Até que disse "Penso que estou a começar a entrar em crise". 200 metros depois, pumba! Bati de frente no muro. Estive uns 2 a 3 km até recuperar do muro e depois do conseguir, já não havia mais energia e tive que ir gerindo a crise até à chegada. Ao entrar no Estádio 1º de Maio, para os últimos 200 metros, senti uma leveza como se estivesse a correr nas nuvens.

Após - Tanto tentei imaginar qual seria a minha reacção na meta, imaginado sempre que me iria "desfazer" mas foi uma sensação tão forte que... fiquei sem reacção! As pessoas à minha volta exultavam, tinham sorrisos de orelha a orelha e eu... nem reagia! É o que cientificamente se chama de "fiquei parvo de todo!" :)


2ª Maratona - Rock'n'Roll Maratona de Lisboa - 2013/10/06 - Desisti aos 15,5 km



Preparação - Uma preparação feita sem o mínimo percalço, muito bem delineada e orientada para as difíceis condições de calor, chegando a fazer um treino de 24 km à hora do almoço com 40 graus.
Foi a Maratona onde estive, de longe, melhor preparado.

Dias antes - Calmo. A única preocupação era poder ajudar o melhor possível a Isa na sua estreia na distância. A última noite dormi razoavelmente bem e já no local da partida sentia apenas a excitação própria do evento mas estava calmo para a ocasião.

Condições atmosféricas - Muito calor e partida dada a hora impensável (10.05)

Durante - Um completo desastre. Desde o tiro da partida que sentia as pernas sem qualquer energia e uma muito má indisposição. Pensei que fosse atenuando com os quilómetros mas só iam piorando. Aos 9 km andei pela primeira vez. Retomava para mais à frente andar mais um pouco. Cada passada tornou-se insuportável mas insuportável estava a ser o estar a estragar a prova da Isa e ter a consciência que não ia aguentar mais.
Aos 15,5 km tive o momento mais doloroso de sempre na minha carreira nas corridas ao ter que desistir. O meu estado foi provocado por ter saltado a hérnia do hiato, o que provocou a libertação de todos aqueles ácidos que funcionaram como uma espécie de veneno. O ter chegado até aos 15,5 foi fruto da minha imensa vontade mas há alturas que a mente não consegue superar tudo, se o corpo está envenenado.
Demorei muito a recuperar psicologicamente desse momento, passei momentos difíceis nas semanas seguintes mas aprendi a ter que conviver com esse momento que deixou , no entanto, marca.



3ª Maratona (2ª concluída) - Maratona de Sevilha - 2014/02/23 - 5:07.59



Preparação - Uma infecção pulmonar, que me fez ficar para sempre com bronquiectasias, a 43 dias da Maratona, deitou tudo abaixo, obrigando-me a dias de paragem e com a perspectiva de não poder estar presente. Nesses dias, nem uma simples subida a andar aguentava. Quando recomecei a treinar, a um mês, a resistência tinha-se evaporado. Só a minha mania de fazer tudo que esteja ao meu alcance para lutar por um sonho é que me fez prosseguir quando tudo indicava o contrário.
Após a desistência forçada na anterior, ia para Sevilha sem preparação.

Dias antes - Últimas 6 noites a dormir um máximo de 3 a 4 horas. A última noite em branco e em constante sofrimento por me aperceber que estava a horas de partir para uma prova que tanto tinha sonhado e com a consciência que não estava preparado. E como se sabe, em maratonas não há milagres. Não há?!?
Entretanto, ao pequeno almoço estava completamente derrotado. E uma hora antes da partida, a respirar aquele ar frio, comecei a ficar outro, a inspirar o ambiente dos grandes dias. Comecei a ficar "aquele" João

Condições atmosféricas - Boas. Dia bonito, sem vento nem humidade, frio suportável à partida. Durante a prova a temperatura foi aumentando mas só ficou mais quente perto do final, o que já não afectou.

Durante - Não quis comentar com ninguém a minha táctica pois ela ia contra toda a lógica. Se eu não estava em condições de efectuar a distância, o que fazer? Qualquer um responderia ir o mais devagar possível para não desgastar. Pois... mas o que já tinha decidido era o contrário. Dar o que tinha na primeira Meia para a realizar em 2 horas e muito pouco, ficando assim com quase 4 horas para a 2ª metade. Precisava de não me preocupar com o tempo limite de 6 horas. Ora indo nas calmas, sabia que não teria muita margem caso tivesse alguma crise, que seria possível de acontecer. Se conseguisse os primeiros 21 km como idealizei, ficava com a perspectiva de conseguir dentro do tempo limite, por mais crises que sofresse. A táctica era a primeira Meia como descrevi e a restante com 200 metros a andar e 800 a correr em qualquer quilómetro, pois não sabia como os pulmões poderiam reagir. 
Táctica levada à perfeição na que foi a corrida mais inteligente, emotiva e feliz que já fiz. Aquela que elejo até à data como a corrida da minha vida.

Após - Para dizer a verdade, o após começou a 400 metros da meta quando visualizei a entrada do túnel para o estádio com que sempre tinha sonhado. Para mexer mais comigo, vejo a Sandra e o Nuno aos berros na entrada desse túnel. A partir daqui foi tudo muito emotivo. As tais lágrimas que não caíram na estreia, soltaram-se com juros. A volta de 3/4 à pista foi onde libertei tudo o que ia dentro de mim e foi um momento muito especial e dificilmente repetível. A fotografia que escolhi para esta Maratona, é a minha fotografia preferida das corridas pois só eu sei o que de bom estava ali a passar e viver.



4ª Maratona (3ª concluída?) - Maratona do Porto - 2014/11/02




Preparação - Marcada pelo problema que me afectou durante 2 meses (e que nunca se descobriu a razão ou causa) e que minou a minha resistência. Até final de Setembro foi a somar treino mau com má corrida. O meu grande trunfo foi nunca ter cedido à lógica e remei sempre contra a maré, ciente que só assim poderia ter alguma hipótese. E de repente, tudo mudou, esse trabalho de esforço e sacrifício deu os seus resultados e comecei a melhorar a olhos vistos. Demasiado em cima do acontecimento o que impediu treinos maiores que Meias, indo com esse aspecto em falta mas ciente que tenho toda a motivação e querer para conseguir a minha terceira meta, passar a ser tri-maratonista e escrever nova página desta saga. Uma página necessariamente diferente de todas as outras pois não há Maratonas iguais. 

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Revista Spiridon Setembro/Outubro


Já chegou à caixa de correio a sempre aguardada Revista Spiridon, esta com o nº 216 e referente a Setembro / Outubro, com o sugestivo título "Vencer os 42.195 metros..."

Além das rubricas habituais, o seu índice está recheado com os seguintes artigos:

- A função dos "pace runners"
- Treino fraccionado... para melhorar a velocidade
- 10 princípios para quem gosta de correr...
- Na semana da prova importante... que tipo de alimentação?
- Principal causa do excesso de peso
- Correr descalço...
- Dois enfartes... três maratonas!
- Será um viciado da corrida?

De destacar uma notícia que refere que 4 vigaristas fotocopiaram a cores um dorsal da Maratona de Boston e correram assim. Foram fotografados e a organização está a divulgar as suas fotografias pelas diversas publicações de modo a serem identificados e processados judicialmente pois, na realidade, burlaram a organização e seu trabalho. 
Por cá, para quando semelhantes atitudes de responsabilizar batoteiros para acabar com um certo regabofe de alguns atletas que, muitas vezes, ainda são os primeiros a apontar qualquer coisa aos organizadores?

Para receber esta excelente revista: Publicação exclusivamente dedicada à corrida (6 números por ano). Distribuição apenas por assinatura: Preço da assinatura anual 21 € . Por cheque, ou transferência bancária.NIB = 0010 0000 6176291000127 revista.spiridon@gmail.com  

domingo, 19 de outubro de 2014

Corrida da Água e a sempre deslumbrante passagem pelo Aqueduto

A equipa presente: Vítor, Isa, Joana, João, Eberhard e Lúcia (um regresso que se saúda!)

Pois é meus caros amigos, faltam apenas duas semanas para o grande dia. O tempo não corre, voa! E estando tão perto do acontecimento que não me larga, é altura de começar a guardar energias e não embarcar em certos ritmos e distâncias.

Foi o que aconteceu hoje na 4ª Corrida da Água, onde aos 10 quilómetros da prova, ia, juntamente com a Isa e Vítor, adicionarmos um treino calmo de 5 km antes e outro depois. Na verdade, não chegaram aos 5 km cada mas também não faz diferença pois foi perto e agora interessa é rolar e ficar bem.

Correr em alegria e rodeado de amigos. Há melhor?!?
Esta prova tem a sua partida junto ao Parque da Serafina e começa logo a subir, depois desce para Pina Manique, segue pela ciclovia até às Amoreiras onde apanhamos uma bela duma dura subida para depois sermos recompensados com a passagem pelo Aqueduto das Águas Livres,  monumento ímpar de Lisboa e que demorou uma eternidade até ser construído.

Efectivamente, após mais de 150 anos de propostas e projectos, apenas no século 18 se materializou o Aqueduto, pouco antes do terramoto ao qual resistiu.
A sua extensão, incluindo os tributários e a rede de distribuição dentro da capital, atinge os 58 quilómetros, recolhendo água de 58 nascentes, a maioria da Serra da Carregueira.

Após passagem por este monumento, pouco mais à frente a meta aguardava-nos em pleno Parque do Calhau.

E foi por estes caminhos que marcámos 59.53, um tempo muito simpático atendendo ao percurso e à intenção da corrida que, na verdade, foi mais um treino rumo ao Porto e àquela meta que consagrará a 3ª Maratona concluída. E como me senti, veio reforçar mais os níveis de confiança.

A bela da selfie, com a particularidade de termos sido apanhados a "selfar" (em baixo, foto de Tiago Silva)

Além do exposto, o cenário é muito agradável, ou não estivéssemos no pulmão de Lisboa, e a organização esteve ao nível habitual.

Os vencedores foram Américo Pereira do Benfica de Mem Martins e Alexandra Alves da Açoreana Banif em, respectivamente, 34.14 e 41.37

Concluíram 839 atletas. sendo 187 femininas o que proporcionou a excelente média (não para o desejável mas para os nossos cânones) de 22,3%, perto dum quarto.

No entanto, há um dado que gostaria de realçar. Em 2012 esta corrida e a Corrida do Aeroporto disputaram-se no mesmo dia, o que provocou que a Água tivesse uma ligeira quebra em relação à edição inaugural e o Aeroporto uma quebra muito significativa. 
Em 2013 disputaram-se com uma semana de intervalo e alcançaram, de forma vincada, os seus records de participação. Este ano tornaram a ser concomitantes e o que sucedeu? A Água desceu de 1.176 para 839 (menos 337) e o Aeroporto de 1.914 para 1.607 (menos 307).
Sei que os calendários estão cada vez mais preenchidos mas colocar na mesma data e hora duas provas de cariz semelhante e a escassos quilómetros de distância, só pode dar nisto, pois entre muitas virtudes que os atletas possam ter, omnipresença não é garantidamente uma delas.

E pronto, se pensam que vou acabar este artigo a falar novamente do Porto e sua Maratona, pois enganam-se, não o vou fazer. 
(Opss! Acabei do fazer!)

Mas ca ganda malcriado!!!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Corrida Juntos Contra a Fome - Cascais


A Campanha “Juntos Contra a Fome” é uma iniciativa desenvolvida em parceria pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com o objectivo de mobilizar a sociedade para o processo de construção de uma Comunidade de povos livre da fome.

No enquadramento da Campanha, a CPLP e a In Totum estão a organizar uma iniciativa de Lazer, Desporto e Comunicação, designada por Corrida | Caminhada “Juntos Contra a Fome”, dirigida à população em geral e em especial às Comunidades dos Países de Língua Oficial Portuguesa, Empresas e Organizações.

Com o lema “É COM A SUA ENERGIA QUE VAMOS ALIMENTAR MILHARES DE PESSOAS” o evento terá lugar no Dia 30 de Novembro de 2014, às 10h00. A partida será no Passeio Dom Luis I, junto à Câmara Municipal de Cascais, terá lugar uma Corrida a pé com um percurso de 10 km e uma Caminhada de cerca de 5 km. Ambas as iniciativas terão Partida e Chegada no mesmo Local.

Participe na Corrida e Caminhada Juntos Contra a Fome.
Não pode vir? Participe com um telefonema!

Poderá participar da seguinte maneira:

Inscrição na corrida - 10€
Inscrição na caminhada - 5€

Km solidário - Ligue 760 30 88 88 (0,60 € + IVA) e cada chamada irá patrocinar 1 km da corrida – 1 chamada = 1 km

Todas as inscrições revertem a favor da causa.

Toda e qualquer informação, consultar a página oficial do evento, aqui 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

1º Trail Fluviário de Mora - Duas inscrições para oferecer!


Inaugurado a 21 de Março de 2007, o Fluviário de Mora visou a criação de um equipamento único em Portugal, de natureza científica, cultural e de lazer que, recriando o universo aquático, consolidasse uma vertente educativa e ambiental.

O conjunto das exposições, visualizadas através de modelos vivos e dinâmicos é uma mais valia na apreensão de amplos e abrangentes conhecimentos relacionados com a percepção da importância da biodiversidade e da riqueza ecológica associada, dos programas de conservação da natureza. Como pólo de desenvolvimento local, o Fluviário permitiu valorizar o Concelho através da criação de novos empregos directos e indirectos, contribuindo para a diminuição das assimetrias regionais e dinamizando a economia local.

Dando provas do seu dinamismo, vai ser realizado no domingo 26 de Outubro o 1º Trail Fluviário de Mora, organizado em conjunto pela Câmara Municipal de Mora e pela Lap2Go, prova para a qual podem recolher todas as informações e inscreverem-se aqui.

A organização disponibiliza duas inscrições completamente gratuitas aos dois primeiros atletas que comentarem aqui neste blogue que querem estar presentes nesta prova.
Boa sorte!

domingo, 12 de outubro de 2014

Estupefacto comigo na Meia da Moita

Os 4 ao Km presentes, eu, Vítor e Isa
O título pode parecer algo presunçoso mas é a mais pura das verdades. Se na Meia da Vasco da Gama intitulei que estava feliz, hoje, a juntar ao muito feliz, estou estupefacto pois a prova que fiz nunca me passou pela cabeça ser possível.

Depois de ter renascido repentinamente na Meia de Coimbra há 2 semanas, com 2.12.43, após um período difícil a nível de forma, marquei 2.07.12 na Vasco da Gama, o que para mim é um tempo muito bom para o momento actual. Por isso, a intenção hoje, e consciente que não conseguiria de modo algum fazer melhor que essa marca, ainda por cima aliado às difíceis condições atmosféricas com muita chuva e vento, apontava como o melhor possível 2.10, semelhante ao que tinha aqui registado há 2 anos na única incursão nesta popular Meia (2.10.18).

Após cargas de água impiedosas (a da altura que levantei os dorsais foi demais), os momentos antes da partida e os primeiros 5 km foram a seco. Já dizia que o S.Pedro era amigo dos atletas quando, catrapumba, uma carga daquelas veio arrefecer o corpo mas não o ímpeto. 
Efectivamente, após um primeiro quilómetro a aquecer, comecei a imprimir um certo ritmo em que sentisse que estivesse perto do limite para uma prova para esta distância e espantei-me pois o relógio começou a dar uma média bem melhor do que imaginava. 

Cheguei a recear que pudesse dar o estoiro mais à frente mas também não quis abrandar pois sentia-me bem e não havia sinais que me indicassem que o devesse fazer.

Assim continuei, sempre regular e rápido, até ao quilómetro 9, altura que acreditei que não iria quebrar e apertei mais o andamento. Apercebi-me que iria fazer uma marca melhor que na Vasco da Gama, o que era impensável nas minhas previsões antes do tiro de partida, e enquanto passava pelo centro da Moita (entre os 12 e os 13), concluí que se me mantivesse assim, poderia fazer uns 2.03 o que seria bom demais.

O que é certo é que, em especial entre o quilómetro 9 e o 15, via uma placa quilométrica e passado pouco tempo outra, sinal que me encontrava bem mas estava a chegar à parte mais dura do percurso (a partir do 14), com algumas subidas, não muito pronunciadas mas para quem vinha no seu limite, poderiam comprometer o ritmo.

Fui avançando, vencendo um quilómetro de cada vez. Sentia-me com força e deu para aguentar o momento mais difícil entre os 18 e os 20 a subir com o vento forte a empurrar para trás.

É então que chega a descida para a meta. Faço contas e concluo que irei ficar pelas 2.01, o que ainda me deu mais ganas, acabando por cortar a meta em 2.00.42, a escassos 43 segundos de baixar da barreira das 2 horas, algo que em 38 Meias apenas o fiz por 3 vezes. Se não houvesse o vento que estava... talvez hoje tivesse baixado dessa barreira.

Estava assim registado a minha 4ª melhor Meia de sempre (em 38 efectuadas) e de forma completamente inesperada e nunca sonhada, o que me deixou... estupefacto!

Desculpem o tom mais empolgante deste texto mas fiquei bastante feliz (e estupefacto!) com o atleta que fui hoje e que em certas alturas quase não me reconhecia.

E, como não pode deixar de ser, a minha maior alegria foi como os níveis de confiança, que até há 2 semanas estavam abaixo de zero, dispararam para o que vou realizar daqui a 3 semanas.

Aliás, toda a felicidade pela prova de hoje é com os olhos na Maratona do Porto. Maratona para a qual só tenho olhos e só vejo o número 42 em todo o local. 
Querem exemplos? Olhem para os segundos do meu tempo de hoje, 42. Reparem no meu dorsal, 68. O que tem 68? Passo a explicar. Quantos quilómetros tem uma Maratona? 42. E em milhas? 26. 42+26? 68!
(se com isto concluírem que ando obcecado com a Maratona... eu não desminto!!!)



terça-feira, 7 de outubro de 2014

A evolução da Maratona em Portugal e os números record de domingo


Afirmar-se que os atletas perderam o medo à distância, não é uma frase feita mas sim a realidade.

E essa realidade tem sido bem evidente em Portugal onde a participação não pára de aumentar, de edição em edição, tanto em Lisboa como no Porto.

A 2ª Rock'n'Roll Maratona de Lisboa foi um sucesso a esse e restantes níveis, com a obtenção de 4 de 5 possíveis records das Maratonas disputadas em Portugal. A saber:

- Maior número de classificados. Era de 2.763 alcançados no Porto em 2013, passou a 2.865
- Maior número de estrangeiros. Era de 872 no Porto em 2013, passou a 1.513 (quase dobro)
- Tempo masculino mais rápido de sempre em solo nacional. Era de 2.09.46 realizados por Paul Lonyangata na 1ª edição desta Maratona, foi agora batido por quase minuto e meio por Samuel Ndungu com 2.08.21
- Tempo feminino mais rápido de sempre em Portugal. Vinha do longínquo 1995, quando na Maratona de Lisboa Birgit Jerschabek marcou 2.28.02, tendo agora Visiline Jepkesho batido por mais dum minuto, fixando-o em 2.26.47
O único record que não foi batido foi do maior número de portugueses, pois classificaram-se 1.352 contra o record do Porto no ano passado com 1.891

Mas, como as coisas estão a evoluir, no Porto é provável que o record de participação sofra novo incremento. 
Se até há pouco tempo sonhava-se com uma Maratona com mil participantes, será a 2 de Novembro que se baterá a barreira dos 3 mil?

Vamos agora analisar o que tem sido a evolução da participação em Maratonas portuguesas desde a primeira que se realizou (a única ainda em tempo de monarquia):

1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865

De salientar que entre 1910 e 2007 (97 anos), registaram-se 14 records de participação e nos últimos 7 anos temos nada menos que 10.

Evolução do melhor tempo masculino:

1910-05-02
J.Olímpicos Nacionais (Lisboa)
Francisco Lázaro
2.57.35
1912-06-02
J.Olímpicos Nacionais (Lisboa)
Francisco Lázaro
2.52.08
1936-07-05
Camp.Nacional (Lisboa-Estoril)
Manuel Dias
2.37.20
1937-03-28
Camp.Nac.(Lisboa)
Manuel Dias
2.30.38
1954-04-11
Camp.Nac.(Lisboa)
José Araújo
2.21.00
1971-04-04
Camp.Nac.(Lisboa)
Armando Aldegalega
2.20.42
1976-03-14
Camp.Nac.(Faro)
Anacleto Pinto
2.14.36
1987-11-08
Xistarca (Lisboa)
Gualdino Viegas
2.13.59
1992-10-18
Xistarca (Lisboa)
Jacob Ngunbu
2.13.34
1993-11-28
Xistarca (Lisboa)
Said Er-Rmili
2.12.29
1994-11-27
Xistarca (Lisboa)
Zbigniew Nadolski
2.11.57
2006-10-15
Porto
Lawrence Saina
2.09.52
2011-11-06
Porto
Philemon Baaru
2.09.51
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
Paul Lonyangata
2.09.46
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
Samuel Ndungu
2.08.21

Evolução do melhor tempo feminino:

1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
Idalina Santos
3.48.22
1981-11-29
Torres Vedras
Idalina Santos
3.31.30
1983-04-09
Camp.Nacional (Faro)
Rita Borralho
2.45.50
1984-04-08
Camp.Nacional (Almeirim)
Conceição Ferreira
2.44.56
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
Janete Mayal
2.43.11
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
Manuela Dias
2.40.37
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
Rita Borralho
2.38.39
1992-10-18
Xistarca (Lisboa)
Ekaterina Khramenkova
2.38.17
1993-11-28
Xistarca (Lisboa)
Manuela Machado
2.31.31
1995-11-26
Xistarca (Lisboa)
Birgit Jerschabek
2.28.02
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
Visiline Jepkesho
2.26.47

Destaque ainda para o facto da Maratona deste domingo ter juntado atletas de 56 países diferentes!
Como já foi referido, foram 1.513 estrangeiros. Juntando-se aos praticamente 2 mil que estiveram na Meia-Maratona, temos que só atletas de fora vieram mais de 3.500, a que se junta familiares, e temos uma pequena ideia do potencial económico que este evento representa para o país.

Atletas classificados na Maratona por país:

Portugal
1.352
França
355
Espanha
226
Grã-Bretanha
220
Itália
106
Holanda
76
Alemanha
64
E.U.América
64
Polónia
52
Finlândia
37
Suiça
36
Bélgica
35
Brasil
25
Suécia
24
Irlanda
22
Estónia
16
Áustria
15
Rússia
13
Noruega
12
Canadá
11
Dinamarca
9
México
9
Roménia
9
Quénia
7
Hungria
6
Venezuela
6
Costa Rica
5
Etiópia
4
Luxemburgo
4
Marrocos
4
Ucrânia
4
África do Sul
3
Colômbia
3
Hong Kong
3
Argélia
2
China
2
Irão
2
Israel
2
Panamá
2
Turquia
2
Afeganistão
1
Albânia
1
Arábia Saudita
1
Austrália
1
Bulgária
1
Croácia
1
Emirados Árabes Unidos
1
Gabão
1
Letónia
1
Malásia
1
Moldávia
1
Nova Zelândia
1
Porto Rico
1
Singapura
1
Taiwan
1
Uruguai
1