domingo, 26 de março de 2017

Na Corrida ISCPSI/APAV a alcançar o meu segundo sub50!

A turma antes de palmilhar para a partida debaixo de "alguma" chuva (eu, Aurélio, Isabel, João Branco, Isa e Vítor)  

Quem leu o artigo anterior, o da Ponte, deve ter notado que a minha primeira corrida, a Mini da Ponte, disputei-a a 26 de Março de 2006.

Assim, e já que estou numa onda de comemorações (e ainda irá acontecer outra no domingo mas essa diferente), faz hoje 11 anos a minha primeira corrida. Em simultâneo, estreei os ténis novos. E o que posso dizer?

(espaço reservado para muitos gritos de alegria!)

Exacto, estou extremamente feliz pois realizei uma grande corrida que culminou com o meu segundo sub50 em 3 meses e meio. Após uma luta de 10 anos para conseguir 1, eis que já tenho 2!

Para o alcançar, as condições não foram fáceis. Lembram-se de referir na semana passada que esteve muito calor e sol? Pois o São Pedro não gostou da dita referência e, catrapumba!, toca de enviar muita chuva e muito frio que é para aprender.

Como a partida e a chegada distam entre si, e como é habitual, deixei o carro junto à chegada para palmilhar os 2 quilómetros e tal até à partida. O que costuma ser um passeio agradável, vestiu-se hoje duma enorme molha. O que me valeu foi o Afonso Tam que me emprestou um saco, já com os buracos feitos para a cabeça e braços. Obrigado Afonso!

O nosso grupo, o da foto inicial deste artigo, lá fez o que foi possível para chegar à partida feitos uns pintos.

Aí, pudemos estar dentro do pavilhão, inclusive às voltas a correr para aquecer. 
Foi a minha 7ª presença nesta prova e, uma constante nela, é a simpatia de todos os que a organizam e que apenas pretendem satisfazer o melhor possível os atletas. 
Além do fundo solidário para uma causa tão nobre como é a APAV, é sempre um prazer participar nesta prova.

Preparados para a partida, com os casais Nuno/Cristina, Irís/Jaime
Dada a partida, foi questão de tentar perder o mínimo tempo no primeiro quilómetro mas não começar rápido demais para não pôr em causa o tempo final. 
Sim, tinha um objectivo e era tentar baixar novamente dos 50 minutos, após os fantásticos 48.42 no Grande Prémio de Natal em Dezembro onde coloquei uma pedra final nessa obsessão que durava 10 anos.
Nem pensar em poder bater esse tempo mas seria uma grande felicidade em repetir a sensação de baixar novamente dos 50. Não ia ser nada fácil mas toca de tentar. "Se rebentar, rebentei, não há problema", era o lema. 

Primeiro quilómetro em 5.29, segundo em 5.13, sensações boas, altura de correr atrás do prejuízo. Entrei então num período extremamente regular de 6 quilómetros, como se pode ver parciais por cada km: 4.58, 4.58, 4.59, 4.58, 4.59, 5.00 (apenas 2 segundos de diferença, estilo relógio suiço)

Faltavam 2 quilómetros e sentia-me com força para ir tentar. Nono quilómetro em 4.49 mas estava a 4.37 dos 50. Altura de não pensar, apenas dar tudo por tudo. Mas ainda deu para gritar um incentivo pois cruzei-me com a Isa e Vítor e vi o tempo especial que iam a realizar.

Os últimos duzentos metros foram muito sofridos! Não pelo cansaço mas por parecer que, por um lado o relógio voava em direcção aos 50, por outro a meta não chegava.

A meta estava agora à frente, dar o tudo por tudo, olhar ansiosamente para o relógio e... 49.58!!!! Ufa!!!! (último km em 4.35)

A festejar na meta com o Nuno Sentieiro (a quem agradeço esta foto e a anterior)
Fiquei então na meta a aguardar pela chegada da Isa e Vítor que estavam quase a terminar e... grande alegria! A Isa depois explica no seu blogue o que foi :)

Curiosamente, não me sentia especialmente cansado. Completamente encharcado e com frio isso sim...

Quando alcancei os 48.42 em Dezembro, dizia por piada que tinha sonhado 10 anos com o minuto 49 e nem ao 49 tinha chegado. Agora já tenho uma marca nos 49.

Tudo gente feliz com a sua prova :)
Sei o que tenho treinado, sei todo o esforço que tenho feito mas não deixo de surpreender-me com tudo o que tenho alcançado neste último ano. São valores que nunca imaginei.
Há que continuar a aproveitar a onda! :)

Próximo domingo, vou buscar o meu 9º sino à mítica Corrida dos Sinos em Mafra.



domingo, 19 de março de 2017

Ontem fez 10 anos a minha 1ª Meia, hoje concluí a minha 50ª (e bem comemorada!)

Vitor, Isa e eu preparados para "derreter" alcatrão

26 de Março de 2006 



Participei na minha primeira corrida. A Mini da Ponte onde corri os cerca de 7.200 metros do tabuleiro aos Jerónimos.
Dois dias antes, um colega perguntou-me se ia à Mini ou Meia. Respondi Mini, acrescentando convicto "Meia não faço nem nunca farei!". Na realidade via os 10 km como o máximo dos máximos que alguma vez chegaria e mesmo assim não seria fácil. No entanto estranhei ao ver os atletas que iam correr a loucura de 21 km. Pensava que só iria presenciar super-atletas mas via muitos com aspecto e idade semelhantes a mim. Inclusive recordo-me duma atleta com aspecto de sexagenária. Como seria possível? 
6 meses depois...

24 de Setembro de 2006 



Esperava no tabuleiro da Vasco da Gama para realizar a Mini, enquanto via no corredor ao lado os atletas da Meia a passarem. Tomei então uma decisão: "Para o ano venho aqui mas vou passar naquele corredor".  Tinha um ano para me preparar.
Mas 6 meses depois...


18 de Março de 2007 





Afinal não foi preciso esperar 1 ano mas sim metade. Neste dia que comemorei ontem 10 anos, estreei-me numa Meia. Onde? No mesmo local onde fiz a minha primeira corrida, a Meia da Ponte. Sem experiência, abusei nos treinos na última semana e fiz a primeira parte como se duma corrida de 10 km fosse. Aos 13 dei um enorme estoiro e depois foi seguir como pude para a meta que cortei em 2.31.29 mas com grandes ensinamentos que me iriam ser muito úteis no futuro. 
Afinal, era meio-maratonista!


02 de Dezembro de 2007



Na minha 3ª Meia-Maratona, baixo das 2 horas de forma surpreendente num dia que tudo correu de feição. Desconhecia na altura que esses 1.56.35 seriam o record mais duradoiro que alguma vez tive. Durou 9 anos e 2 dias! (o tempo que aparece na foto é o tempo de prova, não de chip)

04 de Dezembro de 2016



Nos dois meses mais loucos em termos de resultados que alguma vez vivi, este era o dia que ia lutar para bater esse velhinho record. Foi a minha 49ª Meia e nas anteriores 48 apenas por 4 vezes tinha baixado das 2 horas. Além do record que vinha de 2007, as outras três foram de 3 em 3 anos (2010, 2013 e 2016). Queria bater a marca e, se possível, entrar no minuto 55. Loucura das loucuras, o chamado "sonho selvagem", era chegar ao 54. Menos do que isso, nunca me passaria pela cabeça por ser impossível.
Pois, e ainda hoje me custa a acreditar, marquei 1.52.38!!!

19 de Março de 2017 


Tudo sub 2 horas!

Quis o acaso que a minha Meia número 50 fosse disputada no dia a seguir a cumprir 10 anos da primeira e no mesmo local dessa estreia e mesmo da primeira corrida.

Antes do seu relato, uma pequena estatística das minhas 50 Meias-Maratonas.
Foram repartidas por 17 diferentes. A saber:


Lisboa (Ponte 25 de Abril)
8
Nazaré
6
Setúbal
6
Portugal (Ponte Vasco da Gama)
5
S.João das Lampas
5
Lisboa (Xistarca)
4
Descobrimentos
3
Moita
3
Almada
2
Almeirim
1
Coimbra
1
Évora
1
Figueira da Foz
1
Ovar
1
Palácios (Sintra)
1
Quarteira
1
SportZone (Porto)
1

E repartidas assim anualmente:


2007
3
2008
5
2009
1
2010
5
2011
5
2012
6
2013
5
2014
9
2015
5
2016
5
2017
1

Com excepção do ano de estreia e de 2009 (onde estive parado 6 meses por ter partido o pé), o mínimo são 5 anuais, com o máximo de 9 em 2014.

Sendo a Ponte a Meia onde mais participei, e com a carga histórica que tem, faltava-me fazer aqui um grande tempo. O melhor foi em 2013 com 2.08.35, o que significava o 23º lugar entre 49 na tabela dos meus melhores tempos. Quase na 2ª metade, enquanto todas as restantes 6 nessa metade de baixo. E dos 4 tempos mais fracos, 3 foram lá.

Assim, a intenção era realizar um tempo marcante, o que significava abaixo das 2 horas (1.59.59 chegava). Se o conseguisse, seria a 6ª Meia entre 50 a baixar das 2 horas. Mas se 3 foram repartidas por 2007, 2010 e 2013, estas 3 eram nos últimos 6 meses.

Sinto-me em forma, a dúvida era o calor que fazia. Quando estamos em período de calor, estamos mais ambientados, mas quando vem de repente, ressentimo-nos sempre.
Mas a táctica só podia ser uma. Correr para o tempo e logo se veriam as sensações.

Após um primeiro quilómetro mais lento pelo número de atletas, e onde perdi cerca de 40 segundos em relação ao que previa, logo a coisa estabilizou e coloquei o ritmo ideal para o pretendido.

Segui com a Isa e Vítor até sair da Ponte, depois adiantei-me um pouco. E até aos 12 quilómetros tudo foi perfeito. Nessa altura comecei a sentir os efeitos do calor. E a partir dos 13 foi sofrer até à meta. 

A sofrer mas a aguentar. Se não tivesse a "cenoura" do tempo, quase garantidamente que teria perdido ritmo, mas tentei manter. A média apontava para o minuto 57. Tinha 2 minutos de margem e se os gerisse nesses 8 quilómetros, poderia poupar-me até 15 segundos por quilómetro. Mas não quis! Continuei a aguentar o ritmo pelo menos um quilómetro mais (de cada vez) pois não sabia como iria reagir mais à frente e se precisava desses 2 minutos para compensar alguma quebra.

Quando vou a realizar um bom tempo, olho frequentemente para o relógio, forma de receber energia ao constatar o que vou a conseguir. E foi a tal que me agarrei. Pensava "pelo menos manter até ao 14, depois logo se vê". Aos 14, "pelo menos até ao 15, depois logo se vê". E por aí adiante.

Mas não se pense que foi fácil, muito pelo contrário. Sofri a bom sofrer para aguentar o ritmo. Mas pensava constantemente "olha a marca que podes fazer, olha a marca!". 
Uma prova que ia a sofrer, é que nem reparava na maioria dos atletas que passava, só quando me chamavam é que os via mas falando pouco, o que não é habitual em mim.

E quando dei por isso, estava a passar no tapete dos 20 km e a continuar a visar o mesmo tempo que apontava quando fiquei a "arder" com o calor. Foi só lançar a vela e deixar o embalo seguir até à meta que cortei em 1.57.15, o que foi uma grande felicidade e óptima maneira de comemorar a minha Meia nº 50!

Tal como em cima referi, foi a 6ª vez que baixei das 2 horas em 10 anos mas a 3ª nos últimos 6 meses. O 4º melhor tempo de sempre e o 2º melhor dos últimos 6 anos. 

Sem o calor, estou perfeitamente convencido que baixaria pelo menos um minutinho, no que seria a 2ª marca de sempre, mas o facto de ter vencido o calor, valeu por tudo!

Pela 5ª vez em Portugal, uma prova contabilizou mais de 10 mil classificados, sendo a 3ª consecutiva na Ponte, cujo record vem de 2015 com 10.561, tendo hoje registado 10.493
O record é da S.Silvestre do Porto 2015 com 10.880

E pronto, é o que tenho a dizer desta Meia que, para mim, foi um marco histórico pela 50ª vez que alinhei e concluí uma prova de 21.097 metros.
No total foi a minha corrida nº 390 e costumo ouvir muitos atletas, quando se cruzam antes de qualquer partida, cumprimentarem-se com "mais uma...".   
Sei que é um "desbloqueador de conversas" como diria o Nuno Markl, mas o que é certo é que, seja qual for o evento, para mim nunca é mais uma corrida. É uma corrida! Corrida que me dedico com toda a paixão própria de quem corre por (muito!) prazer.





E para terminar, uma foto dos meus novos "pneumáticos". Como sempre, Adidas Supernova. Agora com modelo novo onde se destaca um novo piso, integralmente com borracha Continental, e 3 camadas de boost em vez de 2.
Durante a semana irei treinar com eles para fazer a rodagem e serão estreados no domingo na Corrida de Solidariedade ISCPSI / APAV

Uma boa semana a todos!

domingo, 5 de março de 2017

Nas Lezírias (travado pela lama)

Em plena Ponte (Foto Fernanda Silva)

Duas semanas após a Maratona de Sevilha, regressei à competição mas para uma corrida, supostamente, calma em ritmo de treino. Daqui a mais duas semanas, na Meia da Ponte que será a minha 50ª Meia, aí já será para ir num ritmo mais vivo.

A ideia era rondar o ritmo de 6.00 o que daria um tempo à volta de 1.33 (já que a prova tem 15.500 metros). Acabei em 1.28.52 o que indicia que fui um bocado mais rápido do que o idealizado mas o tempo não conta toda a história, longe disso.

Parti com o colega de equipa Aurélio. Éramos 4, além do Aurélio estava o Luís e o aniversariante Eberhard.

Até à Ponte de Vila Franca, mantive-me no ritmo pretendido. Na subida impus um ritmo melhor e senti-me bem, Quando dei por mim corria a um ritmo na casa dos 5.20 e a sentir-me confortável e sem grande esforço. Decidi então manter.

E assim fui até passar o oitavo quilómetro. Nessa altura o tempo estimado era uns não pensados (para a intenção da prova) 1.23/1.24 mas como sentia-me bem, tudo bem. E aconteceu o imprevisto.

A ir para a meta (Foto Marta Feio)
Nas últimas edições que estive presente, o regresso era pelo mesmo caminho da ida, que é em terra batida e que apenas ganha umas poças com a chuva. Este ano o regresso foi junto ao rio e aí o piso é diferente. E quando dei por mim, tinha um mar de lama em frente e a toda a largura do caminho. Com uns sapatos de estrada, não dava para arriscar, a menos que quisesse cair. Não me restou outra solução que andar nesses bocados e a tentar equilibrar-me. 

Foram cerca de mil e quinhentos metros nesse estado, onde andei mais do que corri. Quando pude retomar o andamento, tinha perdido 4 minutos em relação à média que vinha efectuando. E claro que, após essa paragem no ritmo, já não consegui retomar os 5.20 por km mas sim 5.30, o que perfez na meta os tais 1.28.52, muito melhor do que esperava, mas podendo a história ser outra sem aquele contratempo.

Sempre contente e feliz por correr (Foto Marta Feio)
Uma coisa é certa, e ainda na 3ª feira após o treino de homenagem à Analice escrevi isso. Nem todos somos iguais e a verdade é que não tenho jeito algum nem equilíbrio para este tipo de piso. Além de me deixar algumas mazelas, nomeadamente a nível de joelhos.

Como sempre, apreciei muito o ambiente e organização desta prova, uma corrida à antiga em tudo o que se possa extrair de positivo nesta afirmação. 
Foi a minha 8ª presença. Entre 2007 e 2014 apenas falhei 2009 pela fractura do pé esquerdo. Nos últimos dois anos a ausência deveu-se à preparação para as Maratonas de Paris e Barcelona. 
Gostei muito de regressar mas à saída fiz uma espécie de despedida. Estou a 3 anos dos 60, quero correr muitos e bons anos e para isso tenho que me preocupar com pisos que não me causem maleitas, como é o caso do que apanhamos nas Lezírias.



E ainda regressando à Maratona de Sevilha, como se devem recordar, dediquei-a aos meus "sobrinhos" Filipa e Tomás. Pois, e com a devida autorização dos pais, aqui está uma fotografia com a medalha e com os dois, ambos com um babete que afirma "Futuro Maratonista" (como está em espanhol diz maratoniano)


terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Nas Lampas com centenas a homenagearem Analice

(Foto Nuno España)

"Vamos Correr Pela Analice!" era a proposta dum treino em São João das Lampas para transmitir força à Analice. 
Quis o destino que o propósito do treino tenha sido alterado, transformando-se em homenagem.

E foram centenas que, muito justamente, compareceram. Não sendo mais porque nem todas as empresas fecharam neste dia.

Uma homenagem bonita e a melhor forma de lembrar Analice, correndo!

O percurso foi idealizado utilizando partes dos Trilhos das Lampas, com uma ida de 7 km até à Praia da Samarra e regresso de 5 km, dando assim um total de cerca de 12 km.

Desde a Corrida do Monge 2013 que não entrava em trilhos e deu para relembrar o porquê. Nem todos podemos ter jeito para tudo e eu sou um desastre neste tipo de trajecto, para mais com sapatos de estrada a passar nas partes enlameadas.
Já sabia ao que vinha e a razão era uma única, pela Analice! 
E consegui nunca cair, o que para mim foi uma proeza!

Felizmente os últimos 2 km já foram em alcatrão e pude esticar um pouco, sempre ao lado do João Branco que me acompanhou todo o percurso.

De realçar a intenção de Fernando Andrade em tornar o dia de Carnaval numa prova dedicada à Analice, sendo este treino como uma espécie de edição zero. Nada mais bonito!

Um grande louvor ao Fernando Andrade, Orlando Duarte e Cristina Guerreiro pela iniciativa!

A bonita camisola

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Analice


Muito obrigado, Analice, pelo grande exemplo, simpatia, disponibilidade e inspiração.

Vivemos a prazo sem saber quando chega o dia. Não nos podemos esquecer de nunca dar nada por adquirido e tentar aproveitar tudo o que pudermos. E esta foi mais uma lição de vida da Analice que partiu fisicamente mas viverá sempre nos nossos corações.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Sevilha: Uma maravilha a minha oitava Maratona!

Felicidade pura por uma maravilha de Maratona!
Venga, venga! Animo, animo!
Hey! Ho! Let's go!
Allez allez!
Si! Se puede!
Campeones!!!

São frases de apoio em forma de melodia que perdura nos nossos ouvidos. Incansável este público que nos acarinha durante 42 quilómetros, gritando, aplaudindo durante as horas que medeiam a passagem do primeiro ao último atleta. 
E que diferença faz na nossa prestação!

Depois da minha inesquecível presença em 2014, tornei a ser muito feliz em Sevilha. E se na altura sabia que iria regressar, que tinha de regressar, saí de Sevilha com a mesma sensação, a mesma sede de repetir aquele turbilhão de emoções que uma Maratona sempre proporciona mas sendo amplificada em Espanha por uma população que reconhece o esforço de todos e entra activamente na festa.
A somar a tudo isto, uma bonita cidade e uma organização irrepreensível. 

Comparando com 2014, o trajecto registou uma pequena alteração que vem do ano transacto. E essa alteração veio eliminar aquele que na altura pensei ser o único ponto menos positivo do trajecto. Assim, ao passarmos a ponte para reentrar na Isla de la Cartuja, víamos o estádio do lado direito mas tínhamos que lhe virar costas para uma volta de 2 km que nada trazia. E perto dos 40 ir para trás era penalizante a nível mental. 
Ora agora temos mais 2 km pela cidade e quando atravessamos a ponte dirigimo-nos logo para o estádio.
Outra vantagem, e importante, é que na altura que precisamos de (ainda mais!) apoio, 35 a 39 km, estamos a passar na zona onde os espectadores mais se acotovelam, chegando mesmo, em frente à Catedral, a estreitar a passagem, criando um corredor por onde passamos entre todo o tipo de apoio. 
E a força que isso dá!

A feira mantêm-se em muito bom estilo e até deixavam pegarmos no troféu do primeiro para uma recordação, como pode ser aqui visto.

Eu, atleta lá de trás, com o troféu do vencedor! Pesado, em prata, e com a estátua que está no topo da Giralda sevilhana. 
Quem diz que os dois 4 ao Km presentes (Orlando e eu) não são atletas de pódio?
A Pasta Party foi bem servida. Em relação às que conheço, superior a Paris (que também era boa) e Barcelona (uma decepção, a única dessa prova) mas nada chega à excelente massa do Porto! 

Depois duma semana de boas previsões meteorológicas, os últimos dias passaram a dar chuva para a manhã de domingo, em especial para a hora da partida. Como bem sabemos, uma coisa é apanharmos durante, outra começarmos frios sem ainda termos aquecido.

Quando saímos do hotel, faltando hora e meia, chovia bem, chuva que durou até cerca duma hora antes. Depois passou e, mais uma vez, S.Pedro foi amigo dos maratonistas (ou maratonianos como se diz em castelhano). Esteve frio, sem chuva, e apenas notei vento contra numa recta aos 18 km. Portanto, boas condições para uma Maratona.

Como sempre, a minha intenção numa prova desta grandeza, e ao contrário de outras em que se me sinto em condições vou a pensar em determinadas marcas, é chegar ao final, cortar a meta. O que não significa que não dê o meu melhor. Vou a dar o que tenho e o que não tenho mas sempre com os olhos na meta e não em contas. Se vier alguma marca, é um saboroso bónus.

Por volta dos 7 km com a Torre del Oro atrás
Mas o que é certo é que desde os 30 km que senti ter novo record pessoal nas mãos. O primeiro quilómetro foi, como habitualmente, lento, a ir adaptando o organismo a uma corrida que só iria terminar várias horas depois, para no segundo começar a ir para aquele ritmo pretendido, estabilizando aí. 

Os quilómetros foram passando e comecei a preocupar-me em cada um que passava pois o ritmo ia um pouco mais rápido do que o que achava ser prudente. Tentava mas não conseguia abrandar pois sentia-me mesmo bem assim, não indo em esforço que fosse pagar adiante. 
A partir dos 11, e a constatar mais um quilómetro feito mais rápido do que pensava ser margem de segurança, deixei de me preocupar. Sentia-me bem assim, de modo algum estava a abusar, portanto mantive.

Tinha idealizado tomar os géis aos 15 e 30 mas quando passei a tripla légua adiei pois não sentia ser necessário. Apenas o fiz aos 18, única altura até aos 30 e muitos onde senti alguma dificuldade, pelo vento contra nessa recta. Mal cortámos à direita, tudo passou e não mais houve esse vento. 
Curiosamente, foi o único gel que tomei pois a banana que comi aos 25 terá substituído e não senti qualquer necessidade de tomar o segundo. Nestas últimas duas Maratonas (Porto e Sevilha), de longe as que mais e melhor treinei, foram as duas onde ingeri menos géis. E simplesmente porque não precisei.

Com metade feita  sempre a sorrir. Imagem de marca desta prova :)
Passagem à Meia sempre bem e com toda a coragem para a 2ª metade, 25 km perfeitos e aí apercebi-me pelo tempo que o meu record dos 30 km, alcançado na Maratona do Porto há 3 meses atrás, iria cair. Era de 3.08.16 e passei em 3.06.03, menos 2.13 e a sentir-me bem.

Como costumo dizer, a Maratona começa aos 30. Seria a altura de ir buscar as forças que estavam guardadas na reserva. Mas ainda me sentia bem, claro que já um pouco cansado mas ainda bem.
É giro verificar que nas primeiras 6 Maratonas era por volta dos 30/32 que chegava àquele estado de muito cansaço, com excepção da de Paris que foi apenas aos 35. Ora na sétima (Porto) foi só aos 37 e agora em Sevilha aos 38. Ainda hei-de fazer uma onde esse cansaço chegue apenas na meta.

Ora estes últimos quilómetros em Sevilha são, como disse anteriormente, em locais emblemáticos e de forte presença e apoio dum entusiasta público que só falta levar-nos ao colo. Assim, entrei no Parque Maria Luísa ainda razoável, dando a bela volta pela linda e majestosa Praça de Espanha, saindo para, depois da larga avenida, entrar na zona da Catedral e preparar os ouvidos para o fantástico apoio.

Na belíssima Praça de Espanha, 36 Km
E foi aí, pouco depois da Catedral (38 Km), que senti estar a chegar ao final da reserva. Altura de entrar em modo de sobrevivência, apesar de este estado ter sido menor do que em anteriores Maratonas e passou-se rápido.

A aproximação do estádio faz-se sempre em ambiente de grande emoção e com os atletas mais rápidos já a saírem e darem também o seu apoio. 

Estádio em frente! Túnel! Já não me recordava que ainda se descia de forma um pouco íngreme e tenho uma ameaça de cãibra na perna direita. Paro por uns breves segundos, massajo, parece que passou e retomo. 

Entro no estádio! Que sensação!!! Como colocar por palavras a descrição do momento de cortarmos uma meta após 42 km? Se se dedicarem a ver as fotos que a Mafalda tirou ou doutros fotógrafos na meta, salta à vista todo o extravasar de emoções de tanto e tanto atleta num momento que ninguém consegue ficar indiferente. Seja um campeão ou alguém que dobra o tempo do primeiro mas que que é tão vencedor como ele, porque se superou numa prova que não dá espaço para falhas, porque não nasceu atleta, não é profissional, mas consegue esse seu tão pessoal triunfo, por toda a paixão que coloca.

Nesta volta ao estádio, além da emoção própria, o juntar da recordação de há 3 anos, onde rubriquei a corrida da minha vida, pelas enormes condicionantes que tinha, e permitiu ter continuado a cumprir Maratonas. 

Corto a meta, dou um berro de alegria. Sinto que dei tudo e sou recompensado com novo record pessoal. Depois de nas 6 primeiras Maratonas ter registado sempre à volta de 5 horas e pouco, no Porto há 3 meses retirei 15 minutos ao record, colocando-o em 4.47.36, para agora retirar mais 6 minutos (5.56 para ser exacto) e perfazer 4.41.40

Mais significativo foi pouco mais de metade desses 6 minutos terem sido conquistados nos últimos 7 quilómetros, habitualmente o meu sector mais frágil.   

Com a medalha ao peito e a satisfação de ter (re)conquistado Sevilha
Analisando agora os tempos de passagem, verifico que (comparando sempre com o Porto 2016 onde estava a minha anterior melhor marca) nos primeiros 10 km ganhei 1.17 (na Invicta fui um pouco conservador no início), entre os 10 e a Meia ganhei agora 1 segundo (virtualmente decalcada do Porto!), ganhei mais 55 segundos entre a Meia e os 30, 39 segundos entre os 30 e os 35, para entre os 35 e a meta ganhar 3 minutos e 4 segundos (!).

Melhor, no Porto acabei completamente nas últimas e demorei um par de dias a recuperar e agora acabei, logicamente cansado mal seria, mas bem e a recuperar agradavelmente.

Muita coisa fica para dizer pois a escrita ainda não descreve o que o coração guarda para sempre. Uma maravilha duma Maratona, criando mais um dia de felicidade pura!

Como foi a primeira Maratona com os meus "sobrinhos" já nascidos, esta Maratona foi-lhes dedicada. À Filipa e Tomás, e naturalmente aos seus pais Sandra e Nuno por tudo o que fizeram para que eles vingassem. 

Sim, são 8 Maratonas! A nona está marcada para 5 de Novembro no Porto
Grande Orlando que já soma 18 e sempre a dar-lhe!
Quero também agradecer ao Orlando e Nora pela viagem e muito agradável companhia. E, claro, a todos que me apoiam sempre, incondicionalmente. Acreditem que era em todos vós que pensava quando o cansaço queria bater à porta. Cheguei a dizer baixinho nessas alturas "o pessoal acredita em mim". São uma força imparável!




E agora, para quem tem receio de participar numa Maratona pensando que é um sofrimento atroz, há mesmo quem diga que é desumano, vou deixar estas imagens que bem o comprovam: 

Notem o ar de terror do atleta antes da prova, ao estilo dos gladiadores e a sua famosa saudação de "aqueles que vão morrer..."

  
Reparem como aos 9 km salta tão à vista o ar de pânico e tristeza de saber que ainda faltam 33 longos km...


Aos 15 cada vez mais aterrorizado


E o que dizer após 36 longos km e um ar cada vez mais desfeito?


Aos 38, nem a Catedral lhe retira o ar tão sério e triste 


Vejam só a sequência da chegada à meta, o rastejar até à linha, mal se conseguindo mexer






E no final, a sua expressão diz tudo da desumanidade que sofreu e que não mais quer repetir


E pronto, este espaço foi reservado a todos os que receiam a Maratona e seus males! :)

Colocando a ironia de parte, para quem adora correr, uma Maratona é o que aqui em cima se reproduziu. Que se sofre, claro que sim, mas é um sofrimento bom por ser um investimento para sensações que só sentidas se entendem e que jamais nos irão largar!