domingo, 1 de maio de 2016

No 1º de Maio a lutar para bater o meu record mais antigo


O meu record mais antigo é o dos 15 km e vem desde 11 de Novembro de 2007. 3 semanas depois alcancei o da Meia e esses são os dois sobreviventes de antes de 2010, sendo os únicos feitos na casa dos 40 anos. Todos os restantes já foi comigo cinquentão.

Este de 15 foi alcançado na Corrida pela Saúde do Hospital Amadora-Sintra onde registei 1.20.20

Apenas em 2011 estive perto de o derrubar. Foi na Corrida dos Sinos onde ao fazer 1.20.22 fiquei a 2 escassos segundos.

Provas de 15 km há poucas e praticamente vou apenas à dos Sinos, 1º de Maio e Fogueiras, além das Lezírias mas que dista de 15,5. Assim, apenas no ano passado tornei a entrar no minuto 20 ao realizar 1.20.43 (a 23 segundos) no 1º de Maio e 1.20.30 nas Fogueiras (apenas a 10 segundos!).
Estes tempos apareceram sem estar à espera. É daqueles dias. 

No entanto para hoje, o caso era diferente. Sem dizer nada a ninguém, já há mais dum mês que tinha marcado esta corrida como aquela onde iria atacar o meu mais velho record. 
E para tal, estava à espera de tudo. Inclusive o rebentar a meio pelo ritmo que ia imprimir. Mas era um risco calculado pois a corrida de hoje foi feita sempre com esse objectivo.
Se o consegui ou não, terão que ler as linhas abaixo. Sem fazer batota e ir já ler o final! :)

Como esta Corrida do 1º de Maio, que hoje se disputou pela 35ª vez, tem um percurso ondulado, não se pode idealizar um ritmo linear pois a meio temos a descida da Avenida da Liberdade e no início da 3ª légua a subida da Almirante Reis.
Portanto, ontem à noite estudei muito bem os tempos que realizei no ano passado, onde fiquei a 23 segundos, para servir de comparação a este ano. 

Depois de conviver com uma série de amigos, lá fui para a partida com o Orlando Duarte ao meu lado, no que iria ser uma preciosa ajuda para me motivar no ritmo quando a coisa começou a doer, tal como o Diogo e Sandra Arraias a partir de cerca de metade da prova.

A minha dificuldade é sempre o início mas aqueci bem e consegui fazer um primeiro quilómetro equilibrado entre o não aumentar em exagero as pulsações e não perder logo preciosos segundos. Tudo bem portanto. E assim segui até ao 5º quilómetro onde faço uma primeira comparação com o ano passado. E... ia 23 segundos melhor que em 2015! O que significava que tinha já recuperado os 23 segundos a mais com quem terminei em 2015. Para os últimos 10 km, "bastava" ser 1 segundo mais rápido que em 2015.

Porém, esta 2ª légua iria ser muito importante pois foi aqui que em 2015 fiz um tempo muito bom. Dos 23 segundos que tinha a recuperar do ano passado, 23 estavam recuperados, a ver se não iria perder aqui importantes segundos.

Foi no início desta 2ª légua que confidenciei ao Orlando Duarte o propósito desta corrida, E que estava preparado para a eventualidade de quebrar mas iria lutar até dar.

Já com o Diogo e Sandra Arraias, seguimos os 4 e no início da provação que ira ser a Almirante Reis, altura para novo controlo. Incrivelmente, fiz o mesmo tempo (ao segundo certo!) que em 2015, o que significava que "bastava" tirar 1 segundo à marca de 2015 na última légua.

Mas coloquem mesmo aspas nesse bastava pois o cansaço estava só a fazer "toc-toc". Ia no limite e sem margem.

Perdi 4 segundos no 11º quilómetro e 3 no 12º. Tinha agora 7 segundos a recuperar, mais o tal segundo que iria fazer a diferença. 
A partir daqui deixei de fazer contas até à pista.

Senti-me a reagir no 13º quilómetro, com o alívio de acabar a subida para o Areeiro e continuei a cheirar o record.

Passo aos 14 sinto que é hoje! Nessa altura o Orlando Duarte grita que falta apenas o Jorge Branco (Último Km em alusão ao seu blogue).

Meto na cabeça que vou conseguir. Estou nos limites mas a adrenalina ao máximo o que faz com que dê um esticão na  Avenida Rio de Janeiro onde já vejo o estádio. É hoje! Tem que ser hoje!

Mantenho o bom andamento, puxando o que posso e como posso. Entro no Parque de Jogos. Sinto o record! Entro na pista e estou convencido que vai dar e preparo-me para a 200 metros da meta (na pista é fácil vermos a distância exacta que falta), fazer um daqueles meus sprints.

Estou a 200 metros, vou arrancar para o sprint, num instante olho para o relógio e... faltam 20 segundos! Impossível!!!
Como prova da impossibilidade, basta ver que o record nacional de 200 metros é de 20.01...

Se fizesse o tal sprint, iria ficar a pouco mais de 10 segundos do record. Fiquei a 34 pois esses 200 metros foram a arrastar. 
A partir do momento que me apercebi que já não era possível, perdi ar mais rápido que um balão. Perdi toda a força que ainda tinha.

Corto a meta em 1.20.54 e, tenho que dizer, frustrado. Foram 14.800 metros a sonhar com o record e quando parecia que o tinha, afinal não.

Sim, sei que fiz um rico tempo, que entrei na casa do minuto 20 mas, como bem sabem, quando estamos assim carregados de adrenalina, ou conseguimos o objectivo e é a explosão, ou cai-nos esse peso em cima.

Sei que vão dizer que estou perto e que o dia estará a chegar mas isso também foi dito nos Sinos 2011, 1º de Maio 2015 e Fogueiras 2015.

Bom... hoje é para curtir a decepção, amanhã regresso à luta. Até porque tenho muita coisa a tentar neste ano de 2016! Venham os próximos! 



(Foto Fábio Dias) Com a Sandra Arraias a quem desejo uma excelente estreia como maratonista no Porto

quarta-feira, 27 de abril de 2016

No Challenge 3.000 (Jamor)

Com o amigo Paulo Sousa antes da partida

Participei hoje pela 2ª vez no Challenge 3.000, oportunidade de vermos o nosso valor em distâncias mais curtas, e mais rápidas, em plena pista.

Se da outra vez a pista utilizada foi a do Centro de Alto Rendimento no Jamor, desta vez foi mesmo na do Estádio Nacional que, diga-se de passagem, o tartan está a necessitar de urgente reforma.

Preparados para a partida com as bancadas cheias... de cadeiras
Em Junho, na minha primeira experiência na distância, marquei 13.53, que ficou assim como meu record. Desta feita sabia que não estava a valer essa marca que foi obtida num grande pico de forma. Estou a tentar reconstruir esse pico de forma e o meu objectivo era abaixo dos 14.30

Este modelo de competição é composto por desafios. Na inscrição escolhemos a série a que nos propomos. Há sub18, sub15, sub12 e sub10. Fui naturalmente para os sub15, o que obriga a uma média inferior a 5.

Reparem bem que estou com os dois pés no ar, algo que não é fácil de apanhar em corridas longas
Aquecimento feito, com a particularidade única de ser um aquecimento superior à corrida (aqueci 4 km para uma corrida de 3), e aí vou para um tipo de corrida diferente do que estou habituado. A minha forma de correr é partir mais calmo e após o primeiro quilómetro começar a impor ritmo. Ora numa destas, tem que ser a "matar" desde o primeiro metro. Daí ter feito um aquecimento mais longo.

O segredo está em colocar um ritmo no limite, sem o ultrapassar para não quebrar antes da meta, o que consegui. Desde o início que fui a um ritmo que notava que não dava mais mas que poderia aguentar a distância. 

Novamente com os dois pés no ar
Terminei com 14.02 o que me encheu de satisfação. Deu uma média de 4.40,6 e fiquei afinal a apenas 9 segundos do tempo obtido numa super forma, sinal que a coisa está a seguir bem.

A 18 de Maio, também uma 4ª feira, farei nova experiência na distância, correndo na pista do Estádio do Restelo na competição As Noites Quentes do Restelo.

Próxima prova, Corrida do 1ª de Maio, domingo


E para não variar... com os dois pés no ar

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Uma manhã a festejar a liberdade... correndo!

A equipa 4 ao Km presente: Eberhard, João Cravo, Joana, Aurélio Calado (acabadinho de contratar após "grandes e complexas" negociações), eu e Orlando

Há 42 anos (belo número!) Portugal renasceu para a vida em liberdade e sem medo duma polícia política impiedosa e do seu séquito de informadores.

Nos últimos 39 anos, Lisboa festeja a manhã deste dia correndo em liberdade.

Foi a minha 9ª participação desta corrida que nos leva da Pontinha aos Restauradores, numa distância aproximada de 11 km (reais 10,8) sem intuitos competitivos mas apenas festivos e com um ambiente especial entre o pelotão.

Pomba branca, o símbolo da paz na partida
Este ano a partida foi paralela ao mercado pois já não pudemos entrar no quartel transformado agora na Unidade de Intervenção da GNR.

Depois do inverno ter apertado mal começou a primavera, nos últimos dias o calor tem vindo a instalar-se e hoje fez-se sentir pelas avenidas por onde passámos.

O padrinho da prova, o grande Carlos Lopes, grande responsável pelo entusiasmo pelo Atletismo no seu período áureo
Com 5 atletas 4 ao Km presentes, mais uma contratação acabadinha de negociar, juntando-se mais 2 (Marta e Luís) em Abrantes e Isa e Vitor no Gerês, este foi sem dúvida um fim-de-semana em cheio para a equipa.

Parti com a Joana e o João Cravo e acabei por fazer a totalidade da prova com ele. Depois duns calmos 2 quilómetros iniciais, começámos a impor ritmo e a evoluir no pelotão até à descida final.

Volta inicial pela Pontinha
Perto do final a intenção era fazer os 11 em menos duma hora, mas mais perto da meta alterámos para tentar ainda chegar no minuto 58, o que não deu por 1 segundo, perfazendo 59 minutos exactos, tendo passado aos 10 em 54.29 e realizado uma média de 5.28.

E a acelerar Avenida da Liberdade abaixo
A marca foi agradável mas gostaria de me ter sentido mais confortável. Mas como disse na semana passada, estou numa fase algo exigente comigo próprio pois tenho em mente alguns objectivos. E o melhor é despachar esses mesmos objectivos pois esta "juventude" não dura para sempre!

Esta semana há mais 2 provas. No domingo a tradicional Corrida do 1º de Maio mas daqui a 2 dias, 4ª feira, vou regressar ao Challenge 3.000 no Jamor para a série sub 15.
No ano passado consegui aí o meu record na distância, 13.53, mas estava num pico de forma, algo que tento agora construir, por isso ficarei feliz se conseguir baixar dos 14.30, o que não vai ser fácil.



sexta-feira, 22 de abril de 2016

Divulgação: Corrida de Vendas Novas


Já por 3 vezes que estive presente na Corrida da Cidade de Vendas Novas (2010, 2011 e 2013). Gostaria de regressar este ano mas coincidiu no único fim-de-semana de Maio que não irei disputar nenhuma corrida pois outros valores se levantam nesse fim-de-semana.

No entanto, não quero deixar de aqui a divulgar, aconselhando a vossa presença na capital da bifana, que vale bem a pena.
Para tal, transcrevo a nota de imprensa da organização:

Nota à imprensa

22.ª Corrida da Cidade de Vendas Novas realiza-se a 15 de maio e já tem inscrições abertas
Dia 15 de Maio, a partir das 9h00, as ruas de Vendas Novas voltam a receber mais uma Corrida da Cidade, um evento que já vai na sua 22.ª edição e que continua marcar o calendário nacional de provas de estrada.

A festa da corrida está marcada para a Av. 25 de Abril, a partir das 09h00, com a corrida jovem, uma novidade que junta na mesma prova crianças, jovens e desporto adaptado. Seguem-se os 5 Km Intermarché de Vendas Novas, a Caminhada Família Delta (5 km) e os 10 km EDP Distribuição.

As provas de dez e cinco quilómetros são feitas em circuito urbano, percorrendo as principais artérias de Vendas Novas, cativando todos os anos atletas de todo o país e nacionalidades, em representação de vários clubes ou em participação individual. 

A caminhada é indicada para famílias, crianças e todos aqueles que gostam de caminhar, usufruindo de boa companhia e fazendo-o por lazer, já que não existe competição. Assume ainda uma vertente solidária para com os Bombeiros Voluntários de Vendas Novas.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no Serviço de Desporto (Piscinas Municipais de Vendas Novas) e em http://acorrer.pt/eventos/info/969, até ao dia 11 de maio. 

Haverá t-shirt-técnica, medalhas e serão sorteados carrinhos de compras entre todos os participantes. A lista de prémios monetários dos 10 km contempla os cinco melhores de todos os escalões, chegando aos 350€ para o primeiro classificado, tanto para masculinos como para femininos.

Como complemento, a corrida será ainda acompanhada pelo “Vendas Novas Running Market”, mais uma novidade que a organização quis levar por diante como forma de proporcionar uma experiência mais completa aos participantes. Terá lugar no Pavilhão desportivo da cidade, a 14 e 15 de maio e será o espaço de eleição para a entrega de dorsais, feira de artigos de corrida, um colóquio organizado pela Federação Portuguesa de Atletismo/Universidade de Évora e outros eventos.

A 22.ª edição da Corrida da Cidade é organizada pelo Município de Vendas Novas, com organização técnica de acorrer.pt e Associação de Atletismo de Évora; patrocínio da EDP Distribuição, Delta, Intermarché de Vendas Novas, Etelgra, Liberty Seguros; água oficial Água do Luso; apoios da Gold Nutrition, Coca-Cola, Hotel Acez; colaboração da ADN Trilhos, GNR, Bombeiros Voluntários de V. Novas e tem como media partner a Rádio Granada e a RUNning Magazine.

domingo, 17 de abril de 2016

Nos 20 Km englobados na Estafeta Cascais-Lisboa

Com o Catita ao km 5 (foto Sandra)

A Estafeta Cascais-Lisboa é a mais antiga prova portuguesa, tendo hoje sido realizada a sua 77ª edição de nome oficial, 78ª na prática pois a primeira, realizada a 24 de Abril de 1932, teve a designação de edição 0 por alteração de última hora ao percurso.

Até 2004 apenas não se realizou em 1953 e 1956. Foi então interrompida para regressar em 2007 e parar novamente, no que parecia ser o seu final, prova que era da responsabilidade da Associação de Atletismo de Lisboa. 

E eis que em 2011, e em muito boa hora, a Xistarca decidiu reactivá-la, dando-lhe uma vida popular que não fazia parte do seu historial. 
Se o seu record de participação estava em 53 equipas em 1996, desde o seu reaparecimento em 2011, ultrapassou sempre a centena, chegando a 155 em 2012, no que é record nacional de equipas em provas de estafeta, mobilizando assim 620 atletas (4 por equipa)

Simultaneamente, criou nesse mesmo ano de 2011, os 20 Km em linha, prova que tem contado com várias centenas de atletas. Na de hoje foram 720 a que se juntam os 448 da estafeta (112 equipas), dando um total de 1.168 atletas num fim-de-semana com várias provas perto, no que está a ser um hábito em cada fim-de-semana, sempre com muita oferta.

Antes da partida com o Nuno, Paulo, Cristina e Pedro (foto Nuno)
Uma particularidade que tenho notado nesta prova é que, se as provas que frequento têm sempre bom ambiente de camaradagem, esta ainda tem mais. Há competição entre as equipas da Estafeta mas competição saudável. E o facto dos 20 km em linha partirem meia-hora antes e passarem pelos postos de transição, com os atletas da Estafeta a aguardarem a sua vez e a apoiar quem passa, oferece sempre momentos muito agradáveis.
Esta Estafeta tornou-se assim num hino à festa que é o Atletismo, e a Xistarca merece esse reconhecimento. Recorde-se que no ano passado esta prova coincidiu com a milésima prova que organizaram.

Fiz os 20 km em Linha no ano de regresso deste evento (2011) e a Estafeta em 2012, 2013 e 2014. A minha única não participação foi em 2015 pois coincidiu com a Maratona de Paris.
Por não ter sido possível formar equipa, regressei aos 20 km em Linha e tinha dois objectivos em mente. O primeiro, fazer menos de 2 horas (seria quase uma "obrigação") e o 2º melhorar o tempo dessa participação em 2011 (1.57.05), numa altura especial para mim pois foi efectuada 6 dias antes de ter batido o meu record dos 10 km, em Constância (50.08), record que se mantém de pé (não por minha vontade).

O tempo esteve, finalmente, sem chuva, apesar de uns muito ligeiros pingos caídos uns 45 minutos antes da partida. Mas foram tão poucos que em vez de chuva mais parecia ter sido um passarinho que se aliviou.

Dada a partida, e após o primeiro quilómetro mais resguardado, como é meu hábito, impus um ritmo muito certo que perdurou toda a prova. Nas 3 subidas (Estoril, Santo Amaro e Boa Viagem) poderá ter parecido que tinha acelerado mas foi por o pelotão que me circundava ter abrandado um pouco e eu ter mantido a mesma velocidade.

Fui com o Catita até ao 12º km, num dia especial para si, e depois segui sozinho até ter apanhado o Paulo Bettencourt a 3 km do final, o que foi muito positivo pois incentivou-me no último km para fazer a marca pretendida.

Com o Paulo ao Km 18 (foto Nelson Barreiros)
Cortei a meta em 1.56.17, cumprindo assim os dois objectivos, o que foi bom, especialmente por ter terminado bem e sem sentir o cansaço normal para uma prova de 20 km, sinal que poderia ter puxado mais mas hoje não era dia para isso, nem iria chegar perto do meu record de Cascais 2015 de 1.49.25

No entanto, e aqui só para nós, esperava ter terminado da mesma forma mas com um tempo melhor. Por outras palavras, ter empregue o mesmo esforço mas ter feito melhor. 
Ora sendo este tempo muito bom para mim, talvez esteja a ser ambicioso em dizer isto mas tenho que ser ambicioso se quero cumprir com algumas marcas com que sonho para este ano.

A próxima prova será a 39ª edição da Corrida da Liberdade em Lisboa, dia 25, no que será a minha 9ª participação nesta corrida festa.





Com a Sandra e Nuno após a chegada
   

domingo, 10 de abril de 2016

Comemora-se hoje 120 anos da 1ª Maratona!

A lenda

Estátua de Fidípides na estrada de Maratona
Em 490 A.C. os persas invadiram a planície da cidade grega de Maratona. Daí, começaram a preparar-se para o seu objectivo final, a invasão de Atenas. Juraram que, depois de derrotar o exército grego, ao entrar em Atenas violariam as mulheres e matariam as crianças.

Em clara inferioridade numérica, o general grego Milcíades ordenou ao seu melhor corredor, o soldado e atleta Fidípides, para correr até Esparta e outras localidades para os incentivar a juntarem-se ao exército.
Em 2 dias Fidípides correu cerca de 240 quilómetros.

Foi dura e prolongada a batalha, mas o exército grego, reforçado pelos soldados que Fidípides conseguiu reunir, venceu.

Como, para impedir a ameaça persa, tinham sido dadas ordens às mulheres para se suicidarem e matarem os seus filhos caso não vissem o exército regressar brevemente, Fidípides foi encarregue de nova missão. Correr o mais rápido possível os cerca de 40 quilómetros que separavam Maratona de Atenas para dar a boa nova.

Apesar de esgotado pela distância percorrida antes da batalha e pelo esforço heróico desta, Fidípides nunca desistiu e ao chegar às portas de Atenas apenas gritou "NENIKEKAMEN!" (vencemos!) caindo morto pelo esforço.

Como nasceu a Maratona

Pierre de Coubertin em 1894

Em 1894, o barão Pierre de Coubertin, com apenas 21 anos, idealizou uma competição internacional para promover o Atletismo. Tirando partido dum crescente interesse internacional sobre os Jogos Olímpicos da antiguidade, alimentado por descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia, Coubertin concebeu um plano para fazer reviver os Jogos Olímpicos.
Para publicitar os seus planos, organizou um congresso internacional em Paris onde propôs que fosse restituída a tradição de organizar um evento desportivo periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga. Este congresso levou à constituição do Comité Olímpico Internacional e à decisão que os primeiros jogos fossem em Atenas em 1896.

No intuito de criar uma ponte entre a antiguidade e a era moderna, foi decidido organizar uma corrida nesse Jogos que homenageasse o heroísmo de Fidípides para evitar a morte das atenienses e seus filhos. Essa corrida seria pelo mesmo caminho entre Maratona e Atenas e foi-lhe dada o título de Maratona.

A 1ª Maratona

O percurso da 1ª Maratona

A primeira corrida com o nome oficial de Maratona, deu-se a 10 de Abril de 1896 (faz hoje 120 anos), nos I Jogos Olímpicos da Era Moderna.
Na realidade, um mês antes, disputou-se uma corrida de qualificação com a mesma distância. Foi a primeira com a distância mas ainda sem o seu nome. A 12 dias da Maratona, disputou-se uma outra de qualificação onde Spiridon Louis foi 5º acabando por ser repescado para o grande evento.

Aos olhos de hoje, parecerá estranho disputarem-se eliminatórias tão perto da prova em si, sabendo-se do necessário tempo de recuperação, mas estávamos no início e num tempo com conhecimentos básicos e alguns errados, como a corrente que afirmava que beber água em competição era prejudicial. E assim, atletas corriam uma Maratona sem se hidratarem... 

Atletas a treinarem para a Maratona olímpica
A Maratona olímpica tinha uma lista de 25 inscritos dos quais 17 partiram e apenas 9 finalizaram, classificando-se 8. Os 17 atletas pertenciam a 5 países diferentes (13 gregos e 1 francês, húngaro, australiano e norte-americano) 

Dada a partida, o francês Albin Lemursiaux tomou a dianteira seguido pelo australiano Edwin Flack e o norte-americano Arthur Blake, que viria a desistir aos 23 km, numa altura que já tinham abandonado os gregos Ilias Kafetziz, Sokratis Lagoudakis e Dimitrios Khristopoulos.
No quilómetro seguinte mais duas desistências, os gregos Ioannis Lavrentis e Georgios Grigoriou.

A partir dos 30 km, como habitualmente, a Maratona começa a definir-se e aos 32 o líder Albin Lemursiaux abandona, deixando Edwin Flack na dianteira  mas com Spiridon Louis, fazendo-se valer da sua grande resistência a aproximar-se cada vez mais, levando a que aos 37 km, com apenas 3 para cumprir (esta Maratona teve 40 km), Flack abandonasse exausto.

Spiridon Louis ficou assim isolado, entrando no Estádio Panatináico debaixo de grande euforia do público (o Estádio Panatináico foi o berço do Atletismo e para conhecer ou recordar a sua história, cliquem aqui neste artigo que escrevi em 2011 e onde, além da história irão conhecer alguns pormenores curiosos como o que significa Nike ou estádio).

Spiridon Louis corta a meta em apoteose
Spiridon registou 2.58.50, seguido de Kharilaos Vasilakos (3.06.03) e Spiridon Belokas (3.06.30). No entanto, 1ª Maratona 1ª batota! Descobriu-se que Belokas tinha feito uma parte do percurso numa carruagem, sendo assim desclassificado e atribuída a medalha de bronze ao húngaro Gyula Kellner (3.06.35), o único não grego a finalizar a prova. Os restantes 5 classificados foram, por ordem, Ioannis Vrettos, Eleitherios Papasimeon, Dimitrios Deligiannis, Evangelos Gerakeris e Stamatios Masouris.

Spiridon Louis

O vencedor, Spiridon Louis, era um pastor de ovelhas grego de 23 anos que se tornou assim herói nacional, recebendo inúmeros presentes, desde jóias até à oferta de ter a barba feita de forma gratuita pelos barbeiros da região pelo resto da sua vida.
Não tornou a participar numa corrida. Passou a ter uma vida mais sossegada, primeiro como fazendeiro e depois oficial da polícia.
O seu nome continua imortalizado no movimento Spiridon, da qual a nossa revista nacional é um orgulhoso exemplo desde 1978.


Estava assim concluída esta prova feita para homenagear a lenda de Fidípides, desconhecendo-se  na altura que estava a nascer algo mítico.

Até hoje

No entanto demorou até a Maratona se tornar no que é hoje, com milhares e milhares de atletas a emocionarem-se em cada meta conquistada.

Para muitos era visto como uma espécie de parente pobre do Atletismo, enquanto hoje é a prova rainha.
A sua expressão dava-se fundamentalmente de 4 em 4 anos com os Jogos Olímpicos e algumas de campeonatos nacionais. Eram raras as chamadas comerciais, das quais Boston era uma honrosa excepção.

Em Portugal, país traumatizado com a morte de Francisco Lázaro nos Jogos de 1912, até ao final da década de 70 apenas se disputava o Campeonato Nacional de Maratona, competição que chegou a ter apenas 1 atleta classificado em 1956 e cujo máximo até 1974 foi de 7 classificados.

Katherine Switzer na Maratona de Boston em 1967, quando um oficial viu que era uma mulher e tentou colocá-la fora pelo "sacrilégio", tendo continuado graças aos restantes atletas que a ajudaram

Mulheres, nem pensar! Até 1972 o máximo que as mulheres podiam competir oficialmente era de 800 metros pois, segundo vozes doutas, não tinham capacidade para mais!!!
Isto apesar de Katherine Switzer ter concluído, disfarçada, a Maratona de Boston em 1967.
Apenas em 1982 a Federação Mundial abriu a Maratona ao sector feminino, com a primeira competição oficial a ser englobada nos Campeonatos Europeus em Atenas, terminando a Maratona no estádio Panatináico e com vitória da nossa Rosa Mota.

Rosa Mota corta a meta na 1º Maratona oficialmente dedicada ao sector feminino, Campeonato Europeu de Atenas 1982 

Nos anos 70 deu-se o aparecimento de diversas Maratonas comerciais que potenciaram um verdadeiro boom até aos nossos dias.

Não é possível saber a distância exacta que Fidípides percorreu nesse dia, qualquer coisa como 40, 40 quilómetros e pouco, e a Maratona não teve inicialmente uma distância fixa. 

Nos Jogos de 1896 foi de 40 km, em 1900 de 40,260, regressando-se aos 40 em 1904, aumentando-se para 41,860 em 1906 e 42,195 em 1908. Em 1912 foi de 40,2 e 1920 o máximo de 42,750. Finalmente em 1924, decidiu-se adoptar a distância de 1908, os nossos tão bem conhecidos 42.195 metros ou 26,220 milhas.

Actualmente, a Maratona é o sonho maior de milhares de atletas por todo o mundo e onde no momento glorioso de cortar a meta, sentem como Fidípides... Vencemos!

Faz hoje 120 anos que tudo começou!

Hoje em dia são milhares que se aventuram na mítica distância, por todo o mundo

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Momentos especiais e próximos desafios

Clicar na imagem para ver o filme

Qualquer momento de se cortar a meta numa Maratona é muito especial. Barcelona, naturalmente, não foi excepção, sendo amplificada pela lesão que me afectou nas semanas anteriores, criando toda uma série de dúvidas e incertezas, e que tornou os últimos 20 quilómetros numa gestão de sobrevivência com os olhos colocados no momento que o filme em cima transmite e que quis aqui partilhar com todos, por todo o apoio que me deram.

O filme é de 6 ângulos diferentes. Os 3 primeiros a uns 40 metros da meta (com a locutora a gritar o meu nome) e os últimos 3 a cortar a meta, num momento sempre com grande carga emocional, só inteiramente compreendido por quem vive estas coisas.

Difícil de transmitir o que estava a sentir. Fácil de verificar, para quem conhece a minha maneira de correr, que estava a colocar de forma diferente a perna direita (a do gémeo lesionado). Felizmente, esta prova foi o canto do cisne desta lesão, por surpreendente que possa parecer.

Quanto aos próximos desafios, a 3 de Janeiro coloquei neste artigo que só iria fazer uma Maratona em 2016 e teria um desafio novo que ainda não podia divulgar. 
Mudança de planos. Em virtude de outras condicionantes, esse tal desafio surpresa passa para 2017 e farei uma outra Maratona este ano. É a do Porto a 6 de Novembro, na que será, espero, a minha 7ª Maratona. E a 8ª está apontada para 19 de Fevereiro em Sevilha.
Sevilha foi muito especial para mim, e crucial na minha carreira de maratonista, e desde essa Maratona de 2014 que desejo lá regressar. Será para o próximo ano se tudo correr bem.