domingo, 7 de fevereiro de 2016

(contrariando a ciência) Novamente com asas nos 20 Km de Cascais!

Com a Isa e Vítor antes da corrida

Recuemos um ano e vamos parar antes da edição 2015 dos 20 km de Cascais. 
Nessa altura, o meu record aos 20 Km era 1.50.32 durante a Meia-Maratona englobada na Maratona de Lisboa 2007, quando bati o meu record de Meia que ainda perdura (1.56.35), mas em prova de 20 km era de 1.57.05

Pois nessa edição de 2015 fiz aquilo que considerei o impensável e, fruto de grandes treinos que estava a efectuar para a Maratona de Paris, dizimei o record para 1.49.25, tempo que nunca imaginei um dia alcançar.

Agora, também estou num momento onde tenho treinado muito mas a intenção para esta edição, até por um susto que apanhei com um pé a meio da semana, felizmente sarado, era rolar em bom ritmo, o que considerava baixar das 2 horas, se possível por volta da 1.55

Até à primeira metade da prova de hoje, sempre estive 100% convicto que nunca mais conseguiria aproximar-me desse tempo brutal do ano passado. Com toda a convicção! 

Mas por vezes bastam uns quilómetros para mudarmos de opinião pois há dias que estamos possuídos por algum espírito queniano (pronto... esta é exagero!) e ganhamos verdadeiramente asas (para as nossas capacidades), imprimindo um ritmo com uma facilidade onde mal nos reconhecemos.

Foi o caso de hoje, em especial na 2ª metade. E aquela convicção de nem sequer aproximar-me, caiu por terra. Se de início estava a ver a coisa boa para as tais 1.55, depois acreditei em 1.54, baixei o objectivo para 1.53, ainda mais para 1.52 até concluir que iria acabar em 1.51... para em cima da meta realizar que afinal era 1.50, mais concretamente 1.50.30!
De notar que na 2ª metade retirei exactamente 1 minuto ao tempo da 1ª (55.45 na 1ª, 54.45 na 2ª).

Tivesse esta prova mais 1.097 metros e bateria o meu record de Meia-Maratona que vem dum longínquo 2007. Na altura passei aos 20 em 1.50.32, mas já em pequena quebra, hoje foi com menos 2 segundos e ainda pujante. 

Acreditem, e sabem que sou sempre sincero no que digo (apesar de por vezes isso ser um defeito...) que fiquei muito surpreendido pois nunca imaginei ser possível alcançar o que fiz hoje.
E faz-me pensar naqueles estudos científicos e muito assertivos que provam a inevitável diminuição da performance no avançar da idade, em especial para diferenças como o ter 45, quase 46, quando fiz a primeira corrida e agora estar nos 55, quase 56.
É que as duas melhores marcas de sempre nos 20 Km, foram alcançadas num espaço de um ano, Cascais 2015 e 2016!
Das duas uma, ou sou excepção à regra ou... o treinar como tenho treinado dá os seus frutos.
E esta faz-me lembrar aquele atleta a quem diziam que tinha muita sorte por conseguir os resultados que alcançava, ao que ele respondia "sim, tenho muita sorte. E quanto mais treino mais sorte tenho!" 

Quanto à prova em si, um espectáculo como sempre. Esta prova é daquelas imperdíveis. Desde que participei pela primeira vez, apenas faltei em 2009 por estar com um pé partido, apesar de ter estado presente como espectador. Registei assim a minha 9ª participação. E se a prova é por si muito bonita, a organização é de excelência.
E é sempre um bálsamo reencontrar amigos! E em certos momentos, ainda mais.

Em resumo, parece que tudo foi muito bom mas ficou assombrado por um problema num pé que a Isa sentiu nos últimos dois quilómetros, e a quem envio daqui toda a minha energia positiva para um rápido restabelecimento. Que seja apenas um susto como o que sofri a meio da semana.
Força Isa!



ps - Antes da prova, um grupo de 6 atletas pediu-me para lhes tirar uma foto com o meu telemóvel. Por favor digam para onde a deverei enviar.

domingo, 31 de janeiro de 2016

No belo Grande Prémio Fim da Europa

Com Eberhard, Manuel Sequeira e Mayer Raposo

Antes do Fim da Europa, espaço para o fim do mês, dado que estou a referir um mês histórico porque de todos os 128 meses que se passaram desde que comecei a correr, este foi, e de longe, o que mais quilómetros totalizei. 
O anterior máximo era de 180,030 e neste Janeiro de 2016 somei 221,191, um aumento superior a 41 quilómetros em relação ao anterior record.

Pela 6ª vez, consecutiva, estive presente nesta bela prova que nos leva de Sintra ao Cabo da Roca. E esta edição foi daquelas onde o dia bonito proporcionou belas paisagens a perder de vista. 

Antes das impressões de hoje, espaço para uma piada que aconteceu comigo. O nome Fim da Europa é para nós, atletas, sinónimo imediato da corrida, Porém, para quem está fora do fenómeno do Atletismo, deverá ser intrigante. Foi o que sucedeu no treino que realizei com a Isa e Vítor por Lisboa na passada 5ª feira, levando a camisola deste ano onde estavam estampadas a letras grandes "Fim da Europa". Pois passámos por um que interrogou-se em voz alta e tom indignado "Fim da Europa?!?" pensando que eu seria um activista que estaria ali a propagar ideias anti-europeístas!

Hoje estava esperançado numa boa marca e sentia-me confiante para a atingir. Porém, as coisas nem sempre são como desejamos e logo nas centenas de metros iniciais recebi sinais que hoje não era dia para tal. 
Tinha assim duas hipóteses, ou forçar e desgastar-me muito, o que nesta fase de preparação para Barcelona não é o ideal, ou transformava a corrida num treino calmo, o que foi naturalmente a minha opção, dado que quero continuar a treinar bem nos próximos dias.

Fui confortavelmente até à meta, cortando-a em lentos 1.55,36 para depois correr ainda mais 2 quilómetros até onde estava o carro.
Se para a semana, nos 20 Km de Cascais, receber bons sinais, puxarei então. Caso contrário faço o mesmo que hoje pois nesta fase interessa é meter quilómetros para o que falta 6 semanas, ou mais exactamente 42 dias para os 42 km em Barcelona.

Quanto à prova em si, registe-se novo record de participação, subindo dos 2.238 do ano passado para os 2.477 de hoje (terminaram 2.504 mas 27 foram desclassificados). Há 10 anos atrás foram apenas 584 e há 20, 254...



terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Mais um bom longo para Barcelona

Realizei hoje mais um longo para Barcelona, desta feita numa 3ª feira em vez de domingo, para recuperar melhor da corrida de sábado.

Estavam planeados 24 km que foram cumpridos e bem pois estive sempre confortável, acabando mesmo por ser 1 minuto mais rápido na 2ª metade do que na 1ª, um bom indicador que a parte cardio esteve bem (e mais faria), tendo mesmo realizado no último quilómetro aquele que foi o mais rápido.

Apenas as pernas estão um pouco cansadas, o que é natural devido à carga que tenho dado. Aliás, este mês já é, e apesar de ainda faltarem 5 dias, aquele que mais corri. O anterior máximo perfazia 180 quilómetros e vou neste mês em 184, preparando-me portanto para passar a barreira dos 200.

O percurso iniciou-se mo Inatel de Oeiras, direcção até final da praia de Carcavelos, retorno indo até Algés e regressando ao local de partida.

Agora os dois próximos longos serão em corrida. No domingo o Grande Prémio do Fim da Europa, cujos 17 km correspondem a um esforço de cerca de Meia-Maratona, e na semana seguinte os 20 Km de Cascais, última prova que participarei até 13 de Março, dia da Maratona de Barcelona.

sábado, 23 de janeiro de 2016

No Nacional de Estrada


A armada 4 ao Km presente. Em cima com a Joana e Eberhard, em baixo com João Cravo e Joana

Com um óptimo tempo para a prática da modalidade, quase parecendo primavera, disputou-se hoje o 2º evento do Lisboa a Mexer, desta feita integrado no Campeonato Nacional de Estrada.

O nosso desporto é o único que nos permite competir ao lado dos grandes campeões, como foi hoje, e mais uma vez, o caso. E por falar em campeões, sagraram-se Dulce Félix e Rui Silva, a nível individual e o Benfica colectivamente, tanto em femininos como masculinos.

Dulce Félix, completamente no ar, a voar para a meta

Até Barcelona, inscrevi-me apenas em três provas, sendo que duas (Fim da Europa e 20 Km de Cascais), pela sua extensão, fazem parte do plano de treinos, a de hoje foi a única excepção.

Estou numa fase de meter muito quilómetro, muita carga, para depois tirar os devidos proveitos. Proveitos esses que virão depois e não agora. Por isso, e por estar um pouco desgastado de tanto treino, considerava que repetir o tempo da Amadora (na casa dos 55 minutos), já era bom.  

No entanto, também sabia que esta seria a única corrida de 10 km até final de Março e por isso desejava marcar um tempo simpático de referência.

Assim, comecei a atacar, sem saber até onde iria. E deu até à meta, que cortei em 53.29, o que para o momento actual foi bem bom, melhor do que esperava.

Perto do final, já custava...
O percurso foi: Cidade Universitária - Campo Grande - Saldanha - Campo Grande - Campo Pequeno - Cidade Universitária, onde as únicas dificuldades eram os túneis.

Em relação à organização, a nota é negativa, por 3 factores, sendo que o 3º que vou listar obriga sempre a nota negativa. As razões:
1ª Má informação antes da prova, com confusão com a hora da partida. A real foi de 16 horas para a elite feminina e 16.10 para os restantes, mas o próprio regulamento da Federação Portuguesa de Atletismo dizia 16 horas para masculinos e femininos.
2ª Num campeonato nacional, não há tempos de chip pois o tapete apenas foi colocado para a chegada, estando ausente na partida, sendo que ambas eram no mesmo local
3ª O reabastecimento dos 5 km esgotou a água pouco depois da minha passagem, e enquanto havia ainda muitos atletas em prova (e mesmo que estivesse apenas um...), e na chegada não houve água, pelo menos na altura que a cortei e até ao último. 
Sabe-se de antemão quantos atletas estão inscritos e água é algo que não pode faltar!

Em virtude desta corrida, o longo vai ser realizado no início da semana.



domingo, 17 de janeiro de 2016

30 Km rumo a Barcelona

Antes do treino, com os amigos Nuno e Sandra, preciosa companhia
Estou muito feliz hoje! 
Após um difícil mês de Dezembro, a contas com aquele diabólico antibiótico, este mês tem sido de colocar muito quilómetro nas pernas, o que tem sucedido de forma perfeita e planeada.

Plano esse ambicioso pois aponta para ultrapassar, de forma marginal, a barreira dos 200 quilómetros. Ora se considerarmos que o meu record mensal é de 180,030 km, apercebe-se a diferença significativa. Logicamente, influenciado pelo facto de ser um mês com 5 fins-de-semana, altura onde tenho sediados os longos.
Neste momento, e com 17 dias no mês, já totalizo 128,751 km

Hoje tinha uma ajuda que para um treino longo ainda mais preciosa se torna, companhia. E que companhia! A Sandra e o Nuno e a surpresa de encontrarmos aos 13 km a Isa e o Vítor, que se juntaram a nós durante cerca de 10 km.  

Assim, fácil se tornou chegar aos 30 quilómetros, o que me deixou muito satisfeito, especialmente por os ter realizado de forma confortável.

E agora, passadas quase 5 horas após o seu términos, o meu estado em nada tem a ver com o da semana passada onde estava muito desgastado por ter andado 25 km a lutar que nem um doido contra o vento. 
Hoje, o tempo estava bom, apenas algum frio o que não prejudica, pelo contrário.

Excepcionalmente, o próximo longo será na 2ª feira 25, dado que no sábado 23 vou participar no Nacional de Estrada em Lisboa.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Contra o vento, correr, correr!

Este segundo longo para Barcelona, hoje feito, deve ter sido o treino mais duro, por razões externas a mim, que alguma vez efectuei. 

Há aqueles que são duros por estarmos em dificuldades, mas felizmente aquele problema nas pernas que se arrastou por causa do antibiótico marado, teve o seu canto do cisne com o longo de domingo passado. Hoje estaria em condições para um treino bem mais confortável mas deu-se então a influência de causas externas.

E que causas externas foram essas? Uma brutal ventania. Daquelas que, em termos científicos, podemos medir como entre "o diabo à solta" e "o fim do mundo em cuecas". 

Ele era pela frente, pelo lado, por trás, tudo em turbilhão e com constantes rajadas. Se num longo o segredo é um ritmo constante, hoje o ritmo mudava a cada momento, fruto da intensidade do vento. Tinha que efectuar muito esforço quando estava de frente, depois passava para o lado e o corpo seguia com mais força, pela inércia, e por aí fora.

Em mais de dez anos e meio a correr, e tendo já apanhado várias vezes muito vento, elejo este como aquele onde mais vento apanhei. Não só pela intensidade mas pelas constantes mudanças. E coincidiu num longo (vendo pela positiva, mais endurance proporcionou!).

Como tinha feito 24 no domingo, a intenção hora era de 25 ou 26 mas por volta dos 6 ou 7 quilómetros, já com um esforço tremendo pelo desgaste do vento, vi esse objectivo muito longe. 
No entanto, como sou uma destas duas hipóteses:
a) Persistente e empenhado
b) Teimoso que nem um burro
(escolher a que melhor se adapta), continuei até aos 25 km. 
Acabei que nem podia!

Comecei no Inatel de Oeiras, segui até S.João do Estoril, dei a volta até Caxias e regressei ao Inatel.
Ao passar na Parede, vi o corpo da baleia juvenil de dez metros que deu à costa entre as praias da Parede e Avencas.

Bastou ter passado este problema nas pernas, e comecei a meter carga. O resultado é que ao fim de 10 dias em Janeiro levo já 75.826 metros. 
Agora não posso facilitar até Barcelona e próximo domingo há novo longo, este com a preciosa ajuda de companhia.

Uma boa semana a todos!
  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A problemática da partida e a minimização de riscos


Na passada semana, a partida da São Silvestre da Amadora ficou marcada por uma queda que abrangeu cerca duma dúzia de atletas, provocando a desistência prematura de alguns e mazelas nuns quantos, além do terror que viveram naqueles segundos por estarem no chão com um pelotão em plena aceleração atrás de si.

Sejamos claros, este é um problema que não se pode evitar. Há sempre a componente risco quando um pelotão é solto e atletas extremamente rápidos iniciam a sua corrida com as pernas e pés a escassos centímetros uns dos outros e onde um simples toque pode gerar uma carambola.

Mas se não se pode evitar, podem-se tomar medidas para reduzir o risco, e estou a falar na generalidade das provas e não no caso concreto amadorense.

Todos sabemos que ao treinarmos junto a uma estrada aberta ao trânsito, podemos ser atropelados. Essas probabilidades são enormes se formos no meio da estrada e reduzem-se significativamente se seguirmos no passeio. Chama-se a isto reduzir os riscos e usar o bom senso. 
Ora o mesmo deve ser aplicado numa partida pois se estiverem presentes nas primeiras filas atletas lentos, servem como obstáculos podendo originar um choque ou o desvio rápido que poderá iniciar a carambola. 

Lamentavelmente, continuamos a assistir a atletas que insistem em partir da primeira linha para terminarem com o dobro do tempo do primeiro. Para quê? Pela vaidade de serem vistos ao lado de campeões ou pelo ridículo que essa atitude provoca? 

Há 3 anos atrás já escrevi sobre este assunto (ler aqui) exactamente por um demasiadamente conhecido cromo desta situação ter furado desde a prova aberta até ao espaço dos atletas do Nacional de Estrada para se posicionar entre o Ricardo Ribas e a Dulce Félix, a quem deu mesmo um encontrão para ficar à sua frente na linha de partida, quando a Dulce Félix ia lutar pelo título nacional numa luta onde cada segundo conta, enquanto essa personagem foi depois ultrapassado por mais de 800 atletas. Personagem essa que até na partida da Corrida do Tejo, com barreiras a dividir os atletas por tempos, consegue passar e furar até à primeira fila para de imediato ser engolido na partida, provocando um perigo sério, prova de que nem barreiras impedem os chicos-espertos. 
Tal como uma senhora na casa dos 60 que ainda recentemente colocou-se à frente de todos numa prova de 15 km para depois partir lentamente e fazer o dobro do tempo do vencedor, numa situação que também é useira. 

Uma coisa é competição e outra participação, e cada um tem que ter isso em conta e não misturar tudo pois todos deverão posicionar-se na partida consoante o seu ritmo e isso é uma mais valia para o pelotão e inclusive para si, ajudando a diminuir os riscos que existem e se confirmaram na Amadora. Lamentavelmente parece que a consciência de cada é insuficiente. 

Ainda há uns tempos relataram-me o sucedido numa Maratona na Austrália onde as partidas estavam divididas pelo ritmo de cada. Havia portas de entrada para os vários tempos alvo e essas portas não eram controladas por quem quer que fosse, cada um dirigia-se à sua e entrava. E o que sucedeu? Todos entraram na correspondente e não mais à frente. A isto chama-se educação e respeito por todos. 

Daqui proponho uma campanha de sensibilização para este fim. Como tal, infelizmente, parece-me insuficiente, julgo que as organizações também terão que tomar uma atitude e recolocar esses intrusos no seu devido lugar, tudo em nome da segurança e bem estar geral. É que as corridas podem ser uma festa mas ninguém deseja que atletas acabem no hospital em virtude da incúria duns.