domingo, 19 de novembro de 2017

No bonito e desafiante Corre Jamor

Antes da corrida

Estive presente na edição inaugural do Corre Jamor em 2010, na altura ainda com partida e chegada fora da pista do Estádio Nacional e, tal como nos 2 anos seguintes, com 9 quilómetros, que subiu aos 10 desde 2013.

Quis o acaso, que é como quem diz o calendário, que apenas tenha podido regressar este ano. E em boa hora o fiz pois aprecio este traçado que conheço quase de olhos fechados por ser palco de muitos treinos que ali faço, com excepção da zona que passa por cima das bancadas que, naturalmente, está fechada no dia a dia, muito mais o camarote presidencial que também atravessamos.

Decidi que esta prova era para acompanhar a Sofia naquela que foi apenas a sua 3ª prova, 2ª pela equipa, e numa altimetria a que ainda não está habituada.

Quem já me conhece, sabe que para mim é um prazer fazer este tipo de provas. Não o ir a puxar pelo outro mas sim acompanhar lado a lado pois com companhia a coisa faz-se melhor.

O dia esteve bonito (o que não é bom pois devia chover e muito para acabar com esta seca que está a ter efeitos devastadores) e o cenário mais é, aliado ao bom ambiente reinante.
A organização, com a chancela HMS, esteve ao seu nível habitual, muito bom! O percurso bem marcado, elementos da organização em pontos chave, os troncos mais saídos com vermelho fluorescente ou cones e até uma bandeira amarela, ao melhor estilo automobilístico, numa descida potencialmente perigosa. Foi a 2ª vez que vi tal, a primeira foi na outra vez que participei aqui no Corre Jamor.

Na partida
O ritmo foi sempre interessante e ia avisando a Sofia do que aí vinha. O seu record vinha da única prova de 10 km que já tinha realizado, o Tejo, mas é sabido que o Corre Jamor não é competição para marcas devido à especificidade do seu percurso (por outras palavras, dureza). Mas...

O que é certo é que os quilómetros iam passando e eu não queria dizer nada mas via a média a estar melhor que a sua marca do Tejo. E foi perto dos 8 que tive que começar a dar a entender isso, não para pressionar mas sim incentivar, E o giro é que a Sofia dizia sempre que não, que não ia bater, mais por lhe custar a acreditar que neste traçado fosse fazer melhor que no Tejo.

O que é certo é que chegámos ao último quilómetro e começou a dar o tudo por tudo (bem prometeu que não ia deixar nada para dar) e estes últimos mil metros foram de longe os mais rápidos, cortando assim a meta com 1.08.30 (eu 1.08.29), menos 3 minutos que o seu anterior record. 
Uma manhã muito agradável que não podia ter terminado melhor!

Estas duas semanas pós Maratona do Porto têm sido muito positivas, a recuperação decorreu melhor do que pensava, e estou agora a duas semanas dum dos dois últimos objectivos do ano, a Meia dos Descobrimentos. Gostava muito de tornar a baixar das 2 horas mas também ambiciono em registar a segunda melhor marca de sempre. Está em 1.56.17. O record, sendo quase 4 minutos melhor que a 2ª marca (1.52.38) parece-me improvável mas se estiver naqueles dias, não vou descurar a hipótese. 
Mais do que a condição física, interessa é não estar como me tem sucedido algumas vezes nos últimos tempos em que estou com a visão desatinada, e isso é que condiciona.
Uma semana depois, o Grande Prémio do Natal onde seria bonito comemorar o 1º ano em que baixei dos 50 aos 10 , após 10 anos de luta, com a minha 5ª vez abaixo dos 50. Como na Meia, vamos esperar que esteja tudo bem nesse dia. Para mais porque vai ser a última corrida até, em princípio, 2º quinzena de Março. A meio de Dezembro sou operado à vista direita e à esquerda a meio de Janeiro.

Antes de terminar, uma curiosidade estatística. Como decerto se recordarão, o ano que tinha mais quilómetros efectuados era 2015 com 1.556 km, valor esmagado em 2016 onde corri 2.204 km (um aumento de quilometragem de mais de 40%). Pois esta semana, na 5ª feira, vou bater esses 2.204, quando ainda ficam a faltar 39 dias para o ano terminar. Como só poderei correr até 13 de Dezembro, deverei terminar o ano com 2.300 e tal

Uma boa semana a todos!




Após a corrida

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Porto: A minha nona Maratona!

Um trio muito feliz após cortar a meta!

A rotunda da Anémona já tinha ficado para trás, íamos a meio caminho de cortar para o Queimódromo. Os aplausos intensificam-se pela maior concentração de espectadores, a maioria à espera dos seus familiares ou amigos. Cortamos à direita e entramos no Queimódromo. A placa 42 estava ultrapassada, faltavam os 195 metros mais felizes que uma Maratona possui. Curvamos à esquerda e vemos aquilo que todos ambicionam a partir do momento que se inscrevem. Está ali à frente, a sorrir para nós. Até lá, passamos pelas habituais majoretes que nos saúdam, bem como o locutor de serviço. Erguemos os braços, damos as mãos e cortamos a meta, sentindo com todo o orgulho a explodir dentro de nós a palavra FEITA!  

E são estes os momentos porque lutamos meses a fio e que se colam a nós e nunca mais nos largam! Foi para isto que tanto se luta, tanto esforço se aplica.

Para quem dizia que queria apenas fazer uma, não vou mal lançado, não senhor! 
Uma Maratona é uma paixão que nos toma de assalto. Não é uma simples prova, é um objectivo que se vive, respira e sonha durante largos meses para no dia esperar que nada emperre a máquina pois um pequeno pormenor pode deitar por terra todo o trabalho que se fez, pela amplitude que ganha numa distância dessa dimensão.

Felizmente não houve qualquer problema que impedisse o sonho da nona meta, a contrariedade que apareceu deu para contornar e alcançar o objectivo a que sempre me propus, passar aquela linha branca. São poucos centímetros de largura mas representam o final de tanto esforço. 

E tudo podia ter ficado em cacos pouco depois da passagem da Meia, numa altura de empedrado em frente às caves de Gaia. Para fugir ao empedrado, muitos correram no passeio. Quis manter o trajecto original (eu e poucos mais) e bati com o pé num buraco por falta duma pedra, indo com o corpo todo inclinado para a frente, cara a dirigir-se ao chão. Uma queda ali, e de cara (ainda por cima com óculos) não seria nada bom mas, nem sei como, consegui alargar a passada e reequilibrar o corpo. "Eh lá!" foi o que alguns atletas, que já vinham do retorno, gritaram, assustados com a cena que, felizmente, acabou bem e permitiu-me continuar rumo à meta. Fiz um "glup", pois deu para assustar, mas logo retomei o ritmo que trazia.

Os 4 atletas dos 4 ao Km presentes (eu, Orlando, Isa e Vitor)
Foi a minha 3ª presença no Porto (2014 - 2016 - 2017) e a satisfação sobre todos os aspectos da Maratona é novamente total. Uma organização muito profissional, cuidada e uma atenção muito especial ao atleta.

E nessa atenção é de destacar a sempre tão entusiasta Aurora Cunha e os seus incansáveis incentivos. 
Em 2014 acompanhou-me nos últimos metros, este ano deu para dar um chapa ao 5º km. Grande exemplo duma campeã mundial!

Além de tudo o que há de bom no Porto, também os muitos amigos que se vêm raramente pela distância. E o sábado à noite ficou marcado por um alegre convívio ao jantar com o Papa Kilometros, atleta muito especial no pelotão por toda a sua maneira de ser. Um exemplo e uma inspiração!

E já antes, ao almoço, mais uma excelente massa na melhor Pasta Party que conheço. O Norte é bem conhecido pela excelência da sua comida, e esta Pasta Party bem o demonstra aos muitos estrangeiros presentes.

A ir para Matosinhos (Km 6)
No domingo acordei às 3.30 e não mais dormi, o que é habitual para mim em dia de Maratona (e comparado com algumas até nem foi mau) mas como nas noites anteriores dormi bem, nenhum problema. Entretive-me até à hora dos preparativos a ler mais alguns capítulos do "Origem" de Dan Brown.

As condições atmosféricas estavam boas para a corrida (apenas nos últimos 3 quilómetros o vento foi forte), o ambiente óptimo, o trabalho tinha sido bem feito. Venha a partida!

A vir de Matosinhos (Km 12)
São sempre momentos de emoção muito especial. Na primeira os nervos só se dissiparam ao 5º quilómetro, actualmente desaparecem de imediato ao iniciar a marcha.

Sabia bem o ritmo que deveria adoptar e assim o fiz. Com aquela sensação que poderia ir mais rápido mas... nada disso! Uma Maratona são 12 quilómetros após 30 de aquecimento e no aquecimento não podemos colocar nada em perigo.

A constante boa disposição (aqui com um terço, Km 14)
O pelotão foi muito compacto até ao km 14 (altura da separação Maratona/Family Race de 15 Km) e nessa fase fui cerca de 7 quilómetros na companhia do João Martins, o que foi muito bom e a quem agradeço.

Passado o Castelo do Queijo, fiquei sozinho e com o pelotão espaçado após se ter esvaziado da Family Race. Continuei entretido a saborear todos os momentos que uma Maratona proporciona e a respirar a bela paisagem do Douro.

Nessa fase, aconteceu um episódio divertido. Ia de certa forma isolado, quando vi uma rapariga com um cartaz na mão a dizer "Se estás a correr sem cuecas, sorri!". Claro que me ri ao ler o cartaz o que fez com que me apontasse o dedo a gritar divertida "Estás-te a rir, estás a correr sem cuecas!". A boa imaginação do público é também sempre uma nota especial numa Maratona!

A conferir o tempo ao passar no Km 20
Na zona da Ribeira, Ponte D.Luís, muito e entusiástico público! Passagem para a outra margem e logo de seguida o controlo da Meia. Metade feita, sensações muito boas. Segue!

Deu-se então o tal susto que não passou disso e em nada influenciou o resto e na Afurada o retorno para logo de seguida os 25. Na altura era impressionante como os quilómetros se sucediam e o tempo de cada era quase inalterado, ao melhor estilo de relógio suiço.

Novamente a regressar à Ponte (aquela subida aos 29 e em empedrado, dói!), passagem na Ponte e praticamente a chegar aos 30. 

Sentia as pernas bem, a respiração óptima, o tempo estava em linha com o que tinha feito em Sevilha em Fevereiro, tudo parecia bem... mas não estava. 

Aos 27 tinha começado uma sensação que agora, quase aos 30, estava a ficar difícil de controlar.
Como muitos sabem, ando com um problema visual (mais um, além do que já tenho há 5 anos, as chamadas moscas volantes). Este problema são cataratas em ambas as vistas e estão a galopar. Vou ser operado em Dezembro (o que implicará uma paragem de 2 a 2 meses e meio se tudo correr bem). 
Ora uma vista, a direita que vai ser a primeira a ser operada, está com a visão abaixo dos 50% o que obriga a outra a compensar. Essa outra é a que tem mais moscas. Todo esse processo de sobreposição e de ver coisas dum lado para o outro, provoca um desgaste mental, o que faz com que às vezes o cérebro entre em "loop". Foi o que aconteceu. Comecei a ter impressões alarmantes em virtude da vista e o único remédio era baixar drasticamente o andamento. Convinha mesmo era andar um pouco para estabilizar, o que aproveitei estar no reabastecimento dos 30. Sabia que a partir do momento que andasse, era a chamada "morte do artista" pois enquanto vamos naquele ritmo certo e constante tudo decorre bem, a partir do momento que esse tal ritmo é abanado, tudo se complica.

Mas nem houve qualquer hesitação em relação ao que deveria fazer. O meu objectivo sempre foi o terminar e não valia a pena, de maneira alguma, arriscar qualquer eventual problema, especialmente com um sentido tão fundamental como a vista. 

Passei então a gerir a corrida no chamado modo de sobrevivência que me levasse à meta.

Claro que pode ser um pouco frustrante sentir, por exemplo, a respiração tão boa (quem falasse comigo nem acreditaria que estava numa Maratona) e a ter que gerir mas posso garantir que não houve qualquer sentimento de frustração. Apenas um objectivo bem concreto: Meta!

Pouco depois do túnel, a 8 quilómetros da chegada, fui alcançado pela Isa e Vítor que estavam a gerir a Maratona e se estavam a comportar de forma magnífica, tendo em conta todas as limitações na preparação (que praticamente não puderam ter) para esta prova.

Fomos assim divertidos e felizes os 3 até à meta. Naquela longa e penosa recta (e um pouco a subir) aos 39 e 40 km, e na altura que o vento estava de frente e forte, e dado que essa avenida tem passadeiras de x em x metros, adoptámos a táctica de chegar a uma passadeira e andar até à próxima. Ao chegar a essa próxima arrancar até à seguinte, e quando demos por nós estávamos no Castelo do Queijo e a cheirar a meta. 

Meta em frente!

Já na passadeira vermelha

META! Tempo de chip 5.16.04

Momentos inesquecíveis!!!
O resto já foi descrito lá em cima e é sempre um momento único e tão especial! 

O medalheiro com as 9
É com muita felicidade e orgulho que olho para as medalhas de Maratonas e vejo 9. Quem diria que chegaria aqui?!? 

A décima, e se tudo correr bem, será apenas daqui a um ano. Tenho andado a fazer uma Maratona na primavera e outra no outono mas, pelas razões acima descritas, na próxima primavera não é possível.
Se tudo seguir como planeado, será a Maratona de Valência! E mal posso esperar!!!

Não quero terminar sem referir que a dois dias da Maratona tomei conhecimento dum problema de saúde dum amigo e que esta Maratona foi dedicada à sua recuperação. Força Egas!!! 

Muito obrigado a todos pelas mensagens de incentivo. Corro com todas elas no coração!

Fotografias Parte 1 / Parte 2



terça-feira, 31 de outubro de 2017

O último artigo antes da Maratona do Porto, em jeito de revisão / antevisão

Medalheiro de Maratonas à espera da 9ª inquilina 
E passaram 6 meses! 6 meses e mais de 1.300 quilómetros depois e aqui estou a aguardar a chegada do grande dia.

A última semana é sempre a mais difícil pois já nada há para acrescentar à preparação, nada há a ganhar, apenas a perder caso se façam disparates, erros ou apareça algum imprevisto.

O trabalho está feito e é aguardar pelo tiro de partida (ou melhor, por uns 3 ou 4 minutos depois que é quando chegará a minha hora de iniciar a que espero seja a minha 9º Maratona concluída).

Por melhor trabalho que se tenha realizado, seja um mero atleta de pelotão ou um campeão, nada está garantido. Em qualquer prova ou qualquer distância nada é garantido, numa Maratona essa verdade é ampliada. Qualquer grãozinho que emperre ligeiramente a máquina numa distância mais curta, ganha uma amplitude desmesurada nos 42.195 metros.

Portanto, nada se pode facilitar, foco e concentração no máximo, sabendo que uma Maratona começa depois dos 30 e essas 3 primeiras dezenas são cruciais para chegar o melhor possível a esse momento ou para dar cabo duma corrida. Daí a importância de se usar a cabeça e ser disciplinado e paciente. 

A preparação foi de sonho, com um susto no final mas não há Maratona que não pregue um ou outro susto. O que conta é que seja apenas isso, um receio que veio, foi e não deixou qualquer marca nem condicionalismos.

Sei que foi prolongada, 6 meses, mas dediquei-me de corpo e alma a esta minha 3ª participação na Invicta, para mais sabendo que um mês depois terei que fazer uma paragem forçada de, pelo menos, 2 meses e meio.

Apesar da preparação para uma Maratona implicar muitos quilómetros e a um ritmo mais calmo, a velocidade também conseguiu conviver com essa dita preparação. Neste período de meio ano alcancei o seguinte: Em 10 km bati o record e alcancei ainda outro sub50 adicional. Em 15 km fiz 2 corridas e bati o record por 2 vezes (e com marca que dificilmente julgaria possível). Em Meia-Maratona, alcancei a 2ª melhor marca num dia de exagerado calor e num percurso para o duro. E em 30 km, bati o meu record por 3 vezes.

Tenho consciência que estes feitos que alcancei, e alegria com que os partilhei, terão induzido muito boa gente em engano, pois tenho recebido vários comentários com previsões de tempos irrealistas e com a convicção que vou ao Porto para dar cabo daquilo tudo. Nada disso!

Se noutras distâncias há determinadas corridas que vou com a intenção de alcançar um novo máximo, o propósito para domingo é o mesmo que em qualquer Maratona: Cortar a meta com a consciência que a fiz da melhor maneira que foi possível. 
Nunca em Maratona penso em marcas nem antes nem durante. Uma Maratona já é, para um atleta como eu, algo de tão dificilmente atingível, e já me cria tanta pressão interna para a conseguir conquistar, que não necessito de pressão adicional com marca.
Claro que se viesse, ficava todo feliz, mas não vindo também fico sempre tão feliz por cortar a meta. Porque terminar é a minha medalha de ouro!

A meta, esse momento mágico em Maratona que espero reviver no domingo. E para tal, além de muita cabeça, levo todos os incentivos que me têm dado e que são um poderoso boost. Levo-os a todos no coração.

Até ao meu próximo artigo... que será o rescaldo do que sucedeu.

Para minha inspiração, termino com 8 fotos de 8 momentos inesquecíveis.


1ª - 2012-09-12 - 27ª Maratona de Lisboa - 5.02.13
2ª - 2014-02-23 - 30ª Maratona de Sevilha - 5.07.59

3ª - 2014-11-02 - 11ª Maratona do Porto - 5.11.35
4ª - 2015-04-12 - 39ª Maratona de Paris - 5.09.08
5ª - 2015-10-18 - 3ª Rock'n'Roll Maratona de Lisboa - 5.25.09
6ª - 2016-03-13 - 38ª Maratona de Barcelona - 5.18.28
7ª - 2016-11-06 - 13ª Maratona do Porto - 4.47.36
8ª - 2017-02-19 - 33ª Maratona de Sevilha - 4.41.40

domingo, 29 de outubro de 2017

Regresso a/em Almeirim

A super-armada 4 ao Km presente (eu, Isa, Vitor, Sofia e Aurélio, sendo a estreia da Sofia nesta equipa de amigos)

Regressei hoje a Almeirim para a clássica prova do nosso calendário "20 Km de Almeirim", após as minhas 4 presenças entre 2011 e 2014 (2011 na distância de Meia-Maratona por ser Taça dos Campeões Europeus de Estrada, 2012 e 2013 nos 20 Km e 2014 na mini). Nos últimos dois anos não deu para vir a esta prova tão simpática e voltei exactamente no ano que se estreou novo percurso. Se o anterior era muito agradável, este também mereceu nota igual ou até um pouco mais elevada. Apenas triste a passagem na Ponte D.Luís a constatar como o Tejo estava minguado... 

Mas se regressei a Almeirim, posso também afirmar que regressei em Almeirim depois de duas semanas atribuladas. 
No último artigo já tinha aqui dado a entender que havia alguns problemas, em virtude do renascimento do vírus intestinal (entretanto já morto e enterrado, espero que de vez) mas estes últimos treinos foram todos complicados por sentir a anca e bacia presas e os músculos da frente por cima do joelho sem força. 
Ora, a dias da Maratona do Porto isso era muito preocupante mas também intrigante pois se fosse fadiga muscular os gémeos seriam os primeiros a berrar e esses estavam impecáveis. 
A juntar a este menu, uma dor no fundo das costas quando me levantava após estar sentado.

Ora a minha hipótese de salvação passava pela ida à minha osteopata, a Paula Almeida, pessoa de quem já recebi vários "milagres". E com a sua enorme experiência e saber, logo apanhou a causa de todos esses males. Dava pelo nome de ilíaco que (provavelmente por esse exame tão invasivo que fiz) subiu e comprimia um nervo. Daí essas dores, essa prisão do conjunto anca / bacia e a falta de força nesse músculo.

E foi com tudo no sítio que tornei hoje a correr solto e feliz! (e os níveis de confiança para o Porto que andaram 6 meses no zénite e que nestas 2 semanas deram um trambolhão, voaram novamente até lá acima)

Certo e sabido que esta prova tinha que ser encarada como treino calmo, o que quem me conhece sabe que foi isso que sucedeu pois nestas coisas sou muito disciplinado.

Fui calmamente, sempre num ritmo muito confortável, resistindo sempre à tentação do mafarrico que segredava "vai mais rápido", realizando uma prova como há muito não sucedia, ou seja a meter-me com toda a gente, a ver as paisagens e a ignorar o relógio.

Sentia-me tão bem e feliz por estar novamente a correr solto (e claro... muito aliviado!) que nem liguei ao (muito) calor que fez.

Cortei a meta e nem me sentia cansado nem estava ofegante. Falando português facilmente entendível, estava na boa!

Olhei para o relógio e deu-me vontade de rir. A minha melhor marca em Almeirim era de 1.59.42 em 2013, ano que me recordo bem de me "ter morto todo" para a alcançar, terminando no limite. 
Hoje, sempre nas calmas, fiz menos 6 segundos, 1.59.36, sinal evidente da diferença de como estava em 2013 e agora, nesta sequência destes dois anos de ouro, 2016 e 2017. Mas também é justo referir que neste momento o meu record aos 20 é de 1.47.15, nada a ver com essa marca de 2013.

Seguiu-se a sopa da pedra e o mistério como conseguem fazer uma sopa para bem mais de mil pessoas, com a qualidade que tem. Espectáculo!!! A juntar aos sumos da Compal (marca da terra).

Quanto à organização... o que há a dizer? Quem já foi a Almeirim conhece bem a excelência das suas organizações. 
Apenas não compreendi porque os dorsais das equipas não estavam agrupados e tinha que se dizer todos os números mas isso é de somenos importância e até pareceria mal se fosse tudo perfeito :)

Próxima prova... deixa cá recordar-me qual é... deixem-me puxar pela cabeça... Ah! É a tal! A tal que estou a preparar há 6 meses, a Maratona do Porto. Venha ela!!!

Uma boa semana a todos e a meio da semana ainda virei aqui dizer umas balelas.



Os meus 5 troféus de participação em Almeirim

sábado, 21 de outubro de 2017

Duas dúzias dentro do (pouco) possível

Hoje foi dia dum longo mais curto e a ritmo bem mais calmo, por estar na fase descendente para o Porto (que é já daqui a 2 semanas).

Deste treino, há notícias boas e menos boas.

Começando pelas boas, o planeado eram 22 a 24 quilómetros e com ritmo médio entre os 6.20 e 6.30 (bem calmo!). E assim foi, 24 quilómetros a 6.27 de média.

Destacar também uma curiosidade estatística. Como eventualmente se recordarão, o ano com mais quilometragem tinha sido 2015 com 1.556,381 km e no ano passado dizimei esse valor, aumentando-o para 2.204,676 km, mais 648,295 km, um brutal aumento de 41,7% ou, em números arredondados 42% (esse número, sempre!).
Que este ano estou ainda a correr mais, prova-se pelo facto de em 2016 ter chegado à barreira dos 2 mil a 27 de Novembro, enquanto neste ano cheguei hoje, 21 de Outubro, 37 dias antes.

Indo agora para as notícias menos boas. Sim, fiz o planeado mas as sensações não foram boas. Se da primeira dose do vírus intestinal recuperei bem, na recaída da segunda dose, e as recaídas são sempre piores, a coisa está mais demorada. O problema já estabilizou mas afectou a parte muscular e fadiga. Quando digo muscular, não é daquela forma habitual que sentimos os músculos após um esforço, é diferente, parece que os enfraqueceu.
Cheguei aos 24 mas pouco, muito pouco mais faria. E um sinal é que o quilómetro mais lento foi o último (aliás, os últimos 4 foi sempre a piorar). O que a 2 semanas duma Maratona é preocupante mas até lá recuperarei. Não digo que voltarei como estava há duas semanas, onde parecia que dava a volta a este mundo e ao outro, mas em condições para fazer a Maratona como o esforço destes 6 meses assim o merece.

E pronto, já disse isto, agora é altura para me focar apenas na recuperação. Tanto na parte de treinos, como alimentar e de descanso.
Para a semana, vou fazer um calmo passeio pelos 20 Km de Almeirim, desta feita com percurso novo e que promete pois parece ser bem bonito.

Até lá, divirtam-se!

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Calendário 2018



Na página que dedico aos calendários de provas, já pode começar a ser consultado o respeitante a 2018.

(Atenção! Por uma questão de HTML, nomeadamente com o Chrome, é possível que esta página não lhe apareça assim mas com as imagens trocadas. Caso seja o caso, limpe o histórico do Chrome, ou IE ou Edge ou Mozilla, e já aparecerá tudo certo)
Tal como nos anteriores anos, a minha forma de colocar as provas é quando há uma confirmação da sua realização e não pondo a data habitual dos anos anteriores pois por vezes há alterações inesperadas e que provocam confusão a quem já se tinha inscrito para outro evento, convencido que aquele outro seria numa determinada data pressuposta. 

Há muitas datas por preencher mas a pesquisa está a ser feita e simultaneamente várias estão a ser anunciadas. Portanto este é um calendário que está em constante actualização.

Agradeço a quem tem colaborado, enviando datas, e muito especialmente ao Humberto Barros que tem sido incansável.

Como se pode constatar, o aumento de eventos tem sido enorme, em especial desde 2016 e no sector dos trails.

Em constante actualização, está o histórico de resultados, estando neste momento disponíveis as classificações de 6.140 edições das mais variadas corridas.

Este histórico nasceu com o intuito de preservar as classificações, autêntico património das nossas corridas, dado que é corrente irem desaparecendo de um ano para o outro nas respectivas páginas oficiais. Dando como mero exemplo, a Corrida do Tejo, que atrai milhares de atletas, apenas disponibilizava a classificação de 2016 e quando foi publicada a de 2017, a de 2016 desapareceu.

Assim, estando guardadas no servidor que utilizo, as classificações estão disponíveis para qualquer pessoa 24 horas por dia, 365 dias ao ano, ao alcance dum simples clique. 

Como curiosidade, a classificação mais antiga é anterior à república pois pertence à 1ª Maratona dos Jogos Olímpicos Nacionais, a primeira Maratona realizada em Portugal, então com 42,8 Km, e que se disputou em Lisboa a 2 de Maio de 1910, com partida à estranha hora de 13 horas 13 minutos e 20 segundos! Partiram 12 atletas e cortaram a meta 10 com Francisco Lázaro, então no Velo Club de Lisboa, a triunfar em 2.57.35 e um avanço de 44 minutos sobre o 2º!




  

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Dois novos records de participação em Maratonas nacionais


Com a realização da 5ª edição da Rock'n'Roll Maratona de Lisboa, alcançaram-se dois novos records em Maratonas disputadas em solo nacional.

São eles:
- Maior participação feminina: 969 atletas classificadas (o anterior máximo pertencia desde 2015 a esta mesma Maratona com 710)
- Maior número de estrangeiros: 2.960 (o anterior máximo pertencia desde 2015 a esta mesma Maratona com 2.396)

Daqui se deduz que foi um salto significativo em ambos os itens, na mais concorrida edição desta Maratona. O seu anterior record de participação era de 3.828 em 2015 e este ano contabilizaram-se 4.673, a 63 do record nacional pertencente à Maratona do Porto 2016 com 4.736 classificados.

A relação de records nas Maratonas nacionais, fica assim escalonada:

Classificados
4.736
Porto 2016
Masculinos
4.098
Porto 2016
Femininos
969
Lisboa 2017
Portugueses
3.308
Porto 2016
Estrangeiros
2.960
Lisboa 2017
Países
68
Lisboa 2016
Marca Masculina
2.08.21
Lisboa 2014
Marca Feminina
2.24.13
Lisboa 2016

De realçar que dos 8 itens, 7 foram alcançados entre o ano passado e o actual e numa altura que falta disputar a Maratona do Porto.
Apenas a melhor marca masculina vem de 2014.

Recordo aqui como tem sido a evolução do record nacional de participação:

Data
Maratona
Classificados
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865
2014-11-02
Porto
4.040
2015-11-08
Porto
4.406
2016-11-06
Porto
4.736

Salta à vista o grande incremento nos últimos 10 anos, onde o milhar ainda era uma miragem. 
De referir que o record de 22 classificados alcançado em 1911 só foi batido, passando para 23, em 1978, 67 anos depois!

Evolução da Rock'n'Roll Maratona de Lisboa


Edição
Data
Classificados
1
2013-10-06
1.836
2
2014-10-05
2.865
3
2015-10-18
3.828
4
2016-10-02
3.540
5
2017-10-15
4.673




Resta ver como se dividiram por país os 2.960 atletas estrangeiros, provenientes de 62 países:


França
655
Espanha
368
Grã-Bretanha
367
Itália
308
Alemanha
157
Brasil
147
Holanda
114
Polónia
107
E.U.América
77
Bélgica
76
Suiça
64
Suécia
47
Rússia
46
Áustria
42
Irlanda
38
Hungria
37
Finlândia
34
Canadá
33
Noruega
32
Dinamarca
28
Marrocos
21
Rep. Checa
16
Ucrânia
15
África do Sul
13
Roménia
12
Israel
10
Luxemburgo
9
Eslováquia
7
Colômbia
5
México
5
Costa Rica
4
Estónia
4
Etiópia
4
Lituânia
4
Quénia
4
Venezuela
4
Argentina
3
Croácia
3
Perú
3
Taipé
3
Austrália
2
China
2
Chipre
2
Equador
2
Hong-Kong
2
Islândia
2
Japão
2
Letónia
2
Nova-Zelândia
2
Paraguai
2
Sérvia
2
Uruguai
2
Antilhas Holandesas
1
Argélia
1
Bahrein
1
Bielorússia
1
Eslovénia
1
Grécia
1
Malásia
1
Singapura
1
Tailândia
1
Turquia
1

Aguardemos pelos números do Porto. 2017 será o ano em que se quebrará a barreira dos 5 milhares?