domingo, 13 de agosto de 2017

Um fantástico de 30! (2ª vez sub3)

Antes de relatar o meu treino de 30, quero deixar uma palavra de apreço aos nossos 20 atletas que estiveram presentes no Mundial, onde deram o seu melhor.
Referência muito especial a 3 atletas:
À primeira campeã mundial feminina de 50 Km Marcha, Inês Henriques que, além da vitória, bateu o record mundial que já era seu e por 2.29! (faltando apenas a sessão da noite, é até ao momento o único record mundial destes campeonatos)
O corolário e justa recompensa de quem tanto se tem esforçado nos 25 anos que já leva a sua brilhante carreira.
Ao Nelson Évora que numa especialidade tão massacrante como é o Triplo Salto, onde a idade não perdoa, conseguiu aos 33 anos desmistificar esse factor com a sua medalha de bronze.
À Ana Cabecinha que terminou em lugar de finalista, 6ª, nos 20 Km Marcha, o que permitiu que Portugal tenha alcançado 17 pontos na tabela dos 8 primeiros.

Passando então ao treino, como se devem recordar, o último foi um descalabro a partir dos 22 Km. Nesse dia sentia-me bem da parte cardio-respiratória mas ainda a sentir os efeitos nocivos que aquele relaxante muscular deixou (e que tomei apenas durante 3 dias) por causa das costelas deslocadas por uma queda.

Esse treino tinha sido na 6ª 3 e no domingo regressei ao Passeio Marítimo para um treino de recuperação, e onde tive o grato prazer de encontrar o João Branco com quem corri a parte final. Acabei esse treino e senti-me bem. No dia a seguir fiz outro, este já normal, e a sentir-me impecável. Finalmente o efeito tinha passado!

Treinei ao longo de toda a semana e, curiosamente, fiz algo que nunca tinha sucedido até ao momento. Já por inúmeras vezes treinei 5 dias seguidos (muitas mesmo) mas nunca 6. Ora de domingo a sexta cumpri 6 treinos. Descansei ontem e hoje tinha a "vingança" marcada.

Apesar de ser do norte do Ribatejo, já afastado das Lezírias, uma verdade que os ribatejanos difundem, e que é do bom senso geral, é que nunca nos devemos meter com um touro enraivecido.
Esse foi mais ao menos o espírito com que encarei este treino, o de touro enraivecido. Quem me conhece sabe que quando uma corrida ou treino corre inesperadamente mal, a vez a seguir que se cuide...

Ora ao longo de toda a semana preparei a dita vingança daquele treino e sempre confiante do que ia fazer. Aliás, ao contrário do que disse na semana passada, deixei o carro no mesmo sítio pois tinha a confiança que desta vez não ia ser semelhante.

O dia prometia (e cumpriu) ser quente, portanto toca de acordar às 4.30 para tentar iniciar o treino às 5.30. Confesso que me custou quando ouvi o alarme das horas disparar. Mas isso foi apenas uns segundos pois logo mentalizei que tinha um óptimo treino para desfrutar.

A preparação demorou-me mais do que o previsto e só comecei às 5.46, altura ainda de noite e com temperatura boa para correr.
Bom, na realidade comecei 2 minutos antes mas foi, digamos, uma espécie de falsa partida. Arranquei e senti um pequeno grão de areia no pé esquerdo. Parei, descalcei-me, virei o sapato, calcei, arranquei e... ainda lá estava. Percebi então que estava dentro da meia. Tirei e concluí que iria colocar o relógio a zero e recomeçar pois marcava 2 minutos para 45 metros...

Fui sempre num ritmo agradável e com a média a apontar para 3.05.30 (o que seria a minha 3ª melhor marca e seria record há 2 meses atrás, antes de ter feito 3.03.39 em Junho e 2.54.28 em Julho.

Assim fui, no percurso habitual (Oeiras-Carcavelos-Algés-Oeiras) até aos 14, altura que a média estava em 6.11 (previsão 3.05.30) e comecei a ficar seduzido pela ideia de ir tentar baixar das 3 horas, o que parecia uma ideia sem sentido pois este treino era para fazer de forma agradável e certa, depois da desgraça do anterior e iria ter que recuperar mais de 5 minutos na 2ª metade, baixando o ritmo por quilómetro em mais de 20 segundos e logo na altura que o calor ia aparecer.

Fui resistindo à ideia entre os 14 e os 16 (ficando com ainda menos 2 quilómetros para recuperar o atraso que levava para as sub3). Aí decidi "sinto-me bem, vou tentar!"

Apenas por uma vez baixei das 3 horas e num treino onde fui desde o início a lutar por ele. Agora queria lá chegar com apenas 14 Km para o recuperar.

Disparei e o que é certo é que passados 7 quilómetros já a média apontava para 2.59.30! Foram 7 fantásticos quilómetros. Faltando outros 7, decidi não continuar com a faca nos dentes, pois já não havia necessidade mas fazer por manter a média para essa marca, não me desgastando demais para os próximos treinos.

Terminei assim em 2.59.23
E se na semana passada disse aqui que em 20 treinos apenas tinha um com marca pior do que aquele, hoje digo que em 21 apenas um treino tem uma marca melhor do que o de hoje (aqueles "alienigenas" 2.54.28)

Para entenderem melhoras as fases pelas quais o treino passou, vejam estes dados:
1ª metade em 1.33.02, 2ª em 1.26.21
Km a Km até ao 16: 6.22 / 6.19 / 6.20 / 6.19 / 6.14 / 6.10 / 6.14 / 6.07 / 6.14 / 6.08 / 6.04 / 6.07 / 6.02 / 6.15 / 6.07 e 6.00
Depois, aqueles 7 a puxar: 5.43 / 5.44 / 5.33 / 5.30 / 5.27 / 5.39 / 5.35
E os 7 finais a manter: 5.42 / 5.44 / 5.55 / 5.56 / 5.59 / 5.57 / 5.57

Nos treinos, passo por muitos atletas conhecidos, alguns pessoalmente outros de vista. Conheço centenas de atletas, o que torna impossível decorar todos os nomes.
Ora passei por um grupo de 5 (3 femininas e 2 masculinos) que já tinha cruzado com eles no dia do outro treino sub3 horas (tenho que me cruzar mais vezes com eles!) que foram muito simpáticos gritando "Força João" e "És o nosso orgulho!". 
Como facilmente se calcula, ouvir uma frase dessas dá uma extraordinária força extra e adivinhem em que quilómetro foi? 21. Qual foi o meu quilómetro mais rápido? 21 :)
Um grande obrigado a eles, caso estejam a ler estas linhas, pela simpatia.

Pronto, tudo está bem quando acaba bem e o "costela-gate" faz parte do passado. 
Faltam 84 dias para a Maratona do Porto. Há que continuar a fazer o trabalho bem feito para uma Maratona que me saia o melhor possível com as melhores sensações.

Em matéria de longos, tenho no sábado um mini-longo de 20 Km para recuperação, desta vez com companhia, a do Ricardo Afonso que vai estrear-se na mítica distância em Outubro na Rock'n'Roll Cascais-Lisboa, e daqui a 2 semanas mais um de 30. Durante a semana, correr, correr!

Uma boa semana a todos!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Um mau de 30

Após o que me sucedeu e relatei no artigo anterior (costelas deslocadas numa queda) o regresso aos treinos deu-se de forma mediana. Por um lado a parte cardio-respiratória impecável (provando que a osteopata Paula colocou tudo de forma perfeita em seu sítio, como habitualmente) mas as pernas muscularmente afectadas por aquele relaxante muscular que tomei entre o hospital e ir à osteopata (eu e os medicamentos temos uma relação muito difícil...).

Deu para cumprir o que estava planeado e hoje foi a altura de regressar a um treino de 30. Claro que nem pensar em treino ao estilo do último onde bati o meu record por 9 minutos, baixando pela primeira vez das 3 horas (2.54.28) mas fazer um ponderado, ritmo calmo e certinho.

Caso este corresse bem, o próximo (dia 13) já seria para puxar.

Uma distância de 30 mete sempre respeito e receio. Se em distâncias menores podem existir pequenos imprevistos que se conseguem gerir, já neste tipo de distância um pequeno torna-se enorme. 
Ora desta vez o receio era amplificado e afectou-me a confiança. E se o meu ponto forte é a parte mental, quando esta falha a coisa complica-se.

Foi nesse estado de dúvida que iniciei o treino às 6.07.

Mas a coisa até foi decorrendo bem. Os quilómetros foram passando e o ritmo estava certinho, calmo e tudo estava a correr bem. Afinal parecia que este treino de 30 não ia ser um verdadeiro 31.

As boas notícias acabaram aos 20 quando começou a complicar. Aos 22 foi o descalabro total e completo. Imaginem que cheguei a ter que alternar corrida e andar várias vezes!
Só continuei naquela desgraça por o carro estar aos 30 km, caso contrário teria encurtado o treino.

Acabei desiludido e se o tempo não era importante, o que contava eram as sensações. Ora as sensações foram as más já referi e o tempo foi de (sentem-se!) 3.38.09 o que no meu histórico de 20 treinos de 30 apenas por uma vez fiz pior.

A extraordinária forma nunca é um dado adquirido, basta um pequeno nada e volatiliza-se, tal como eu ia sempre avisando.

Agora há que trabalhar com cabeça para a recuperar. E vou recuperar!
Até ao dia 13 os normais treinos diários e nesse dia a intenção já não é puxar mas sim fazer um de 30 em condições, como seria hoje. Se o conseguir, o seguinte já será noutro andamento. 
Deverei é mudar o trajecto para se suceder o que aconteceu hoje, não ficar longe do carro e não prolongar aquela "desgraça".

Um bom fim-de-semana a todos e boas férias para quem as está a gozar!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

De novo a correr após uma paragem forçada duma semana

Provavelmente terão estranhado não ter feito qualquer publicação no passado fim-de-semana. Tal deveu-se a nada haver para dizer pois estive parado.

Depois daquele extraordinário treino de domingo, 3ª fiz o treino de recuperação e 4ª treino normal.

Nessa 4ª deitei-me normalmente à noite e às 3 da manhã acordei com muitas dores no peito e costas, a doer se respirava mais profundo, e a sentir o coração na garganta. 
Não tinha posição e estava apreensivo com as sensações, tendo às 5 ido ao hospital. 
Após um electrocardiograma e raio-x aos pulmões, que mostraram estar tudo perfeito, fui diagnosticado com um descontrolo de ansiedade. Algo que me custou a acreditar pois não havia razões para tal. E vim com a indicação de regressar passadas 48 horas caso mantivesse igual.

Ora a coisa não passou e regressei às urgências, sendo visto de outra forma e a conclusão é que não seria nada de ansiedade (como tinha praticamente a certeza) mas algo muscular. 
Concluindo e resumindo, recordam-se de ter referido, no final do artigo anterior, uma queda que apelidei como "fait-divers" já que não tinha feito qualquer estrago? Pois a razão de doer o peito e costas, respirar com dificuldade e sentir o coração na garganta foi por sua causa. Estava "só" com duas costelas deslocadas, forte contractura numa omoplata e um tendão do cotovelo fora de sítio. Tudo no lado direito, lado para o qual caí enrolado!

Porquê só se manifestar uma semana depois da queda? A teoria é que ficou ali na corda bamba e nessa noite algum jeito fez a coisa sair definitivamente do sítio e provocar esses estragos.

Felizmente que tenho uma osteopata com mãos de fada (Paula Almeida) que na 3ª colocou-me tudo no sítio e foi uma sensação muito agradável, após 5 dias de dificuldades, poder encher os pulmões de ar, expirar e nada doer.

Após mais 2 dias para a coisa consolidar, já regressei aos treinos, 10 quilómetros muito lentos para confirmar que tudo estava bem. E sim, tudo perfeito. 
Neste fim-de-semana estavam planeados mais 30 mas irei cumpri-los em duas etapas. 15 no domingo e 15 na 2ª, para a coisa tornar a ir ao sítio. No fim-de-semana seguinte, e caso tudo se mantenha bem, regressarei então aos 30, após os normais treinos semanais.

O que está a custar mais a recuperar é a reacção aos relaxantes musculares que tomei naqueles dias e que me deixaram meio abalado e prostrado. Mas está a passar.

Um bom fim-de-semana a todos e espero publicar a 5 ou 6 de Agosto mais um treino de 30.

domingo, 16 de julho de 2017

Mais um sonho alcançado! 30 abaixo de 3 (e por mais de 5 minutos e melhor marca dizimada por mais de 9!)

No final do treino. Adivinhem se estou feliz...

Decorria o ano de 1976, era um adolescente com 16 primaveras, quando começou a febre do "Amor é...". 
Era uma colecção de cromos em que figuravam sempre as mesmas figuras, uma rapariga e um rapaz, e em cada um com uma frase diferente.
As jovens, e não só, coleccionavam com afinco e os rapazes aproveitavam para aprender umas dicas ou frases a utilizar.

Um exemplo dessa colecção
Seguiu-se uma onda a aproveitar o impacto desta colecção inicial, com temas ao estilo "amor a (qualquer coisa) é" onde se utilizavam todas e quaisquer variáveis.

Recuando uns 40 anos, indo apanhar essa onda que se esbateu, poderia criar algumas frases subordinadas ao tema "Amor à Maratona é...".
E para começar poderia criar o "Amor à Maratona é...levantar às 4.30 para ir correr 30 km".

Pois foi exactamente isso que fiz hoje. Queria um treino de 30 bem aproveitado e para tal teria que fugir ao calor. Considerando que demoraria cerca de 3 horas e queria acabar o mais tardar às 8.30, implicaria começar às 5.30 e levantar às 4.30

E este treino (já lá vamos à forma fantástica como decorreu) marcou oficialmente o início da minha preparação para a 14ª Maratona do Porto a realizar a 5 de Novembro.

Digo oficialmente mas desde Maio que ando a afinar os motores para carburarem o melhor possível nesse dia.

É a décima vez que estou numa preparação de Maratona para, espero, cortar pela nona vez a meta na mítica distância.

Para alguns, pode ser apenas uma corrida. Para muitos, uma Maratona é mais do que uma corrida. É algo de irracionalmente atractivo e que nos inebria as emoções.
Para alguns, pode ser um sacrifício os 3 a 4 meses de preparação específica. Para muitos, é algo de muito especial a que nos dedicamos de alma e coração. Tudo aquilo que se faz por paixão, nunca é um sacrifício, é um passo mais para uma recompensa que, neste caso, vem em forma de meta.

E é isso, para atletas como eu e tantos outros, que conta numa Maratona. A meta!
Essa é a razão porque nunca quero ouvir falar em marcas, records ou similares nesta distância. Se nas outras, ocasiões há que corro deliberadamente para melhores tempos, nesta toda a preparação e empenho foca-se em fazê-la o melhor possível. 

Naturalmente que o melhor possível poderá provocar patamares de tempos nunca anteriormente registados, como nas duas anteriores, mas isso é, ou poderá ser, uma mera consequência e não um fim.

Falando então do treino de hoje! Tinha estabelecido um plano de aumento de ritmo para facilitar na Maratona. A ideia é, quanto mais rápido correr nos longos, no dia D (ou devo dizer M), adoptando um ritmo mais convencional, aguentarei bastante melhor.

Até agora tenho "morrido" em todas as maratonas, o que me obriga a partir desse momento a utilizar uma táctica de sobrevivência. A última, Sevilha, foi onde "morri" mais tarde, aos 38. Mas o grande objectivo é fazer uma onde só "morra" aos 42.196... Daí esta táctica.

O que tinha nesse referido plano? Ora até Agosto do ano passado, o meu record aos 30 era de 3.14.47 (curiosamente vindo da primeira Maratona!). Em Agosto, num treino, baixei significativamente para 3.09.11. No Porto, em Novembro, 3.08.16 e em Fevereiro em Sevilha, 3.06.03

O plano era em Maio realizar um longo a média de 6.15, o que dava 3.07.30. Curiosamente foi o exacto tempo, ao segundo, que registei! Em Junho a média seria de 6.10 (3.05.00), Julho 6.05 (3.02.30) e Agosto 5.59 (2.59.30).
De assinalar que este em Agosto era a um tempo que se há um ano atrás alguém me dissesse que poderia chegar lá, convictamente diria ser impossível. Agora considerava-o possível, apesar de achar este plano muito ambicioso. Afinal...

Em Junho, em vez dos 3.05.00, marquei 3.03.39, novo record aos 30.

Ora isto fez com que metesse na cabeça que iria antecipar o ataque às sub 3 horas para hoje. 

Preparei-me bem, mentalizei-me melhor e utilizei a melhor das tácticas. Acreditei!

O que nunca acreditei foi o resultado final que alcancei. Baixei das 3 horas por mais de 5 minutos (5.32) e bati o record por mais de 9 (9.11)!
Pois é... o relógio ao chegar aos 30 km mostrava o tempo de 2.54.28!!!! (média de 5.48,9)

Levantei-me, como referi, às 4.30, iniciei o treino às 5.33 (nunca tinha iniciado um tão cedo) aproveitando o facto do sol ainda não ter nascido. E depois de o ter feito, primeiro escondeu-se atrás dos prédios e só por volta dos 21 começou a bater directo e a aquecer aos 26. Tudo perfeito nesse sentido.

O trajecto foi o meu habitual Oeiras-Carcavelos-Algés-Oeiras, sempre sozinho e com apenas uma garrafa de meio litro de água.

Desde o início que me coloquei em média abaixo de 3 e fui progressivamente baixando. Os primeiros 15 em 1.27.42 e os segundos em 1.26.46.
Analisando de 10 em 10, também se nota a progressão: 58.33, 58.13 e 57.42

Mas atenção a não comparar com os 3.06.03 que marquei em Sevilha. Hoje foi um treino onde dei tudo para 30 km. Em Maratona, os 30 são uma mera passagem para se chegar aos 42, tendo que gerir o esforço.

E pronto, é isto. O que posso acrescentar mais? Que me sinto muito, muito feliz e orgulhoso em constatar que todo o trabalho e esforço estão a ser bem recompensados.

E por falar em recompensas, depois duma coisa destas, convém mimar-nos. Ora já comi uma bela duma mousse de chocolate caseira que a Mafalda fez (obviamente sem lactose...) e ao almoço vou ter as Tripas à Moda do Porto.
Depois de ter gasto 2.630 calorias, mereço! 

Para acabar, apenas um "fait-divers". No treino de 2ª feira... esbardalhei-me! 
Num sítio onde já passei n vezes, perto do Tagus Park, há um passeio que tem um alto por uma raíz e nesse alto faz uma covinha. Não sei onde tinha a cabeça, meti o pé nessa covinha e quando dei por mim estava estatelado. Felizmente caí redondo para o lado direito e apenas tive umas pequenas esfoladelas e um osso na anca que ficou a doer um par de dias sempre que tocava nele. Mas não afectava a correr, portanto tudo bem.
E isto é notícia apenas pela raridade. É que em 12 anos de corridas, foi apenas a minha 3ª queda, portanto não me posso queixar! (do mesmo já não digo em relação a coisas piores como um pé partido...)

Desejo a todos uma excelente semana e façam o favor de serem felizes :)

domingo, 9 de julho de 2017

A minha 11ª e melhor Corrida da Lagoa de Santo André. Mas...

A equipa presente, eu, Isa e Vitor

Realizou-se ontem a 22ª Corrida da Lagoa de Santo André, autêntica festa no litoral alentejano, evento que funciona para muitos como a festa de encerramento antes das férias.

Por escassos 6 euros, os atletas têm direito a uma bela prova de 10 quilómetros (até 2007 eram 9), a uma bonita medalha pintada à mão em barro, todos os anos com uma ave diferente da fauna da Lagoa, e a um convívio final, para si e acompanhantes, com febras, maçãs, batatas e bebidas. 

É sempre um prazer renovado ter o privilégio de fazer parte do pelotão desta prova, o que no meu caso sucedeu pela 11ª vez, apenas falhei 2009.

Atente-se na bela colecção das referidas medalinhas, realizadas pela Artibarro (por ordem desde 2006 e saltando de 2008 para 2010. A deste ano é portanto a última, a Poupa).

Linda colecção!
Esta prova marcou a estreia de novos fixadores de dorsal. Já aqui tinha referido a utilidade dos Go Grip Dorsal, e os de agora vêm personalizados com o logo da equipa, como podem apreciar nas fotos seguintes.


Úteis e bonitos!
Em relação à minha prova, o sentimento é agridoce. Em 11 participações foi claramente a melhor marca. A anterior vinha de 2008 com 51.32, na única vez que tinha baixado dos 54 minutos neste percurso, ontem registei 51.02.

Mas... queria e poderia ter feito melhor, não fosse um handicap chamado terra.

O (ambicioso) objectivo era chegar ao meu 4º sub50, o que seria espectacular pois, após 10 anos de luta para conseguir um, seria o 4º em apenas 7 meses. 
Para tal, tinha 3 receios, dois eventuais e um real. Os eventuais eram a possibilidade de muito calor, o que felizmente não se registou em excesso apesar de algum, e vento, o que sucedeu, vento contra, após o retorno mas isso custou apenas escassos segundos.
O receio real tinha a ver com os 1.550 metros em terra, como de seguida explicarei na descrição do percurso.

O trajecto inicia-se perto da entrada para a praia e segue em direcção ao cruzamento (4,4 km). O primeiro quilómetro a subir e os últimos 500 metros a descer (ao contrário após o retorno, o que faz com que o último seja a descer).
No regresso após o cruzamento, entramos no pinhal para 1.550 metros em terra, pouco após os 6 quilómetros.

Iniciei a corrida forte, imprimindo um ritmo que proporcionasse o almejado sub50. Fui sempre certinho e a bater marginalmente nesse tempo. Aguentei-me bem na subida inicial e depois nos 500 metros a subir após o retorno. 
Foi aí que cruzei-me com a Isa e, ao vê-la sozinha, perguntei pelo Vitor tendo sabido que tinha sido forçado a parar com uma dor que espero que passe o mais rápido possível e que logo, logo, esteja de regresso. Força Vitor!!!

Após esta contrariedade, continuei em bom ritmo, sempre no limite, passando aos 6 mantendo a tal margenzinha que permitiria o sub50.

Mas... entrei na terra e deu-se o inevitável. Não consigo correr em terra à mesma velocidade que em estrada e se vinha a fazer quilómetros na casa dos 4.50 e no limite, na terra baixei para a casa dos 5.20, perdendo 44 segundos nestes 1.550 metros, valor impossível de recuperar nos últimos 2 quilómetros.

Regressei ao alcatrão, aumentei a velocidade mas já sem chegar ao que vinha a realizar antes da terra. Consciente que já não chegaria ao sub50, faltou-me estamina para continuar no limite. 

Perto da meta vi que seria talvez possível baixar do minuto 51, sprintei mas falhei por pouco, 51.02 de tempo real.

Foi muito bom, foi o melhor ali, foi dos meus melhores tempos no geral. Mas... 

A próxima prova é apenas daqui a 2 meses e meio, a clássica Corrida do Tejo. Mas não se pense que vou ficar parado. É exactamente o contrário. Vou entrar numa fase de muita carga para a Maratona do Porto. Desejem-me boa sorte pois bem vou precisar! :)

Uma excelente semana a todos e boas férias para quem vá de merecido descanso.



domingo, 2 de julho de 2017

Na (muito dura e boa) Meia de Almada

A armada 4 ao Km presente (Vitor, Isa, Aurélio e este vosso escriba)

Tendo sido disputadas duas edições de sucesso em 2013 e 2014, que fidelizaram quem nelas participou, a Meia-Maratona de Almada deixou de se disputar nos dois anos seguintes mas em muito boa hora regressou ontem.

E por falar ontem, não quero deixar de referir o histórico dia. Dos muitos motivos de orgulho do nosso país, um dos maiores festejou ontem 150 anos. Foi a 1 de Julho de 1867 que Portugal deu um exemplo ao mundo tornando-se no primeiro país a abolir a pena de morte. De lamentar que apenas em 2016 o número de países que já aboliram essa bárbara prática ultrapassou marginalmente os países que ainda a mantêm (104-103).

E por falar em datas, de destacar que faz hoje 33 anos que Fernando Mamede bateu o record do mundo dos 10 mil metros. record que aliás foi batido na mesma prova por dois atletas, Fernando Mamede e Carlos Lopes num final extraordinariamente empolgante.

Regressando à Meia de Almada, de que sou totalista, em 3 edições registaram-se 3 percursos diferentes e 3 partidas diferentes. A primeira deu-se na Lisnave, a segunda no Fórum Almada e a de ontem no Parque da Paz.

Qual a diferença deste percurso para os outros 2? Duro, duro, duro! Mas muito empolgante e selectivo.

No momento que estou, cheguei a sonhar num tempo que batesse o anterior record e cheguei mesmo a sonhar com um determinado tempo que julgo ter condições de lá chegar.
Relembro que o record da Meia foi de 1.56.35 entre 2007 e 2016, para finalmente o bater nos Descobrimentos e por larga margem, 1.52.38

A seguir às Fogueiras tive uma semana difícil onde a recuperação durou bem mais do que o habitual, mas ontem já me sentia capaz e a táctica era de começar o dar o máximo e depois logo se via se dava para manter ou, não me sentindo capaz, abrandava.

Ora fui sempre a dar o máximo mas aos 5 km já tinha esquecido por completo qualquer hipótese de record pois esses 5 km iniciais foram demolidores (e o resto também...).
E quando não havia subidas duras, no pouco plano que aparecia, apanhávamos forte vento contra!

Quase na meta. reparem no meu esforço e na calma do Pedro :)
A partir daí o pensamento foi o tentar concluir abaixo das 2 horas. esta foi a minha Meia número 51 e nas anteriores 50 apenas o fiz por 6 vezes.

Contei desde os primeiros metros com uma muito preciosa ajuda, o Pedro Carvalho, que corria em casa e ia dando indicações do que aí vinha.

O Pedro tem capacidades para correr muito mais mas foi toda a prova ao meu lado. Um grande muito obrigado, Pedro!!!

O abraço em forma de agradecimento após a meta
Depois de termos dado a volta quase completa ao Alfeite e à Lisnave (que desolador aquele abandono!), enfrentávamos uma subida entre os 15 e os 17, sendo que a partir daí, e teoricamente, seria a descer. Pois, pois... ainda faltavam umas boas no Parque da Paz.

Consegui resistir e cortar a meta em 1.57.19, terminando abaixo das 2 horas pela 7ª vez em 51 Meias, e com o 5º melhor tempo de sempre, a apenas 44 segundos do 2º melhor. Do record é que foi a 4.41 e um bocado mais daquele tempo que julgo estar ao meu alcance. Mas esse alcance tem que ser numa prova de percurso favorável e sem vento forte.
Sendo o percurso que foi, sinto que foi um tempo magnífico para mim.

Não se pense que estou a criticar a prova, mas apenas constatar a sua dureza. Sem dúvida que é daquelas que merece sempre ser feita e é diferente. De parabéns a organização e venha a 4ª edição, de preferência já para o ano e sem mais interrupções.

A próxima prova é no sábado, a minha 11ª presença na Lagoa de Santo André. Depois disso, a prova seguinte é apenas 2 meses e meio depois, Corrida do Tejo. Mas não se pense que irei parar pois nesses 2 meses e meio muito longo irei percorrer em direcção ao Porto! 






Não quero terminar sem prestar a minha homenagem à Scully com quem tivemos o prazer de conviver durante quase 16 anos e meio e que nos deixou na 3ª feira mas que nos irá sempre acompanhar nas nossas melhores memórias.

Scully 2001-2017

domingo, 25 de junho de 2017

Minha décima Fogueiras, um saboroso berro e a importância dum simples segundo

Uma fotografia histórica! Os 4 ao Km com os famosos C.A.L. (Clube Atletismo de Lamas, mundialmente conhecidos por Pernetas)
Só foi pena não estar na altura o Aurélio mas está aqui
Fotografia que faltava no currículo, com o Perneta-Mor Carlos Cardoso!

Estado de graça.
Não há outra forma de definir o que se passa comigo desde há 13 meses a esta parte. 
Algo que me leva a atingir o que nunca sonhei e a surpreender-me em cada uma das vezes.

Último sábado de Junho é dia de rumar a Peniche, a uma clássica das nossas corridas, a uma organização ímpar e a um público maravilhoso. 

Assim o fizemos, eu e a Mafalda, na sempre excelente companhia da Isa e do Vitor. 
E foi a décima vez que aí rumei. Em 12 épocas apenas falhei no meu primeiro ano por ainda não ter estaleca para o que na altura me parecia uma distância enorme, e no ano do pé partido pois tinha acabado de regressar e ainda não estava com estofo para 15.

O meu record dos 15 km esteve durante 9 anos em 1.20.20. Durante esse período fiquei várias vezes perto de o bater mas parecia que havia ali uma barreira intransponível. Até que em Peniche no ano passado realizei 1.18.59, tempo que nunca tinha imaginado. Como corridas de 15 há poucas, a seguinte foi apenas em Abril deste ano, no dia do meu aniversário, e onde baixei para 1.18.03, o que também nunca esperei. Mas inesperado e na minha cabeça completamente impossível, foi o que sucedeu um mês depois no 1º de Maio onde marquei um tempo que na altura considerei que nem era tempo para mim, para as minhas capacidades, 1.16.41

Claro está que sendo as Fogueiras num percurso mais penalizante que o 1º de Maio e sendo esse tempo uma verdadeira loucura, era ponto assente que não iria batê-lo. Iria sim correr dando o máximo e no final logo se veria o que faria.

Baixar da 1.20, parecia-me perfeitamente ao alcance (o que seria giro pois após passar 9 anos a não o conseguir, seria a 4ª vez em 4 provas de 15). Bater os 1.18.59 do ano passado também acreditava desde que estivesse num daqueles dias. O sonho mais selvagem era chegar a 1.17. Menos do que isso, perfeita consciência que não era possível.

Após um bom aquecimento, e com a vantagem de partir na onda verde, não prejudicando o andamento nos 2 quilómetros iniciais pelo tráfego (benesse pelo tempo do ano transacto), iniciei a corrida em modo ataque máximo. 

Tenho perfeita consciência que tem dado resultado entrar logo a matar mas algum dia dará para um monumental estoiro. Mas sexta não foi a véspera desse dia (frase cara aos gauleses do Astérix) e senti que estava tudo a funcionar na perfeição.


Duas fotos ao 5º Km
Tal como no ano passado, a incógnita era a subida de 3 km. Chegar lá tendo corrido sempre no limite, o que provocará? Em 2016 fui surpreendido por ter ainda aumentado a velocidade. E não é que 2017 foi igual?

Tudo bem e a média no relógio sempre a apontar algures no minuto 17.

As condições meteorológicas estavam boas para a época e apenas no 14º quilómetro se apanhou vento de frente. Aí senti o desgaste mas logo recuperei.

Para ter a informação que desejo, o meu relógio GPS está dividido em 4. Tempo total, tempo último Km, distância total e média total. O que significa que, por uma questão de espaço no visor, o tempo total apresenta minutos e segundos mas a partir da hora mostra horas e minutos, deixando de se ver os segundos.

Ao entrar no último km, e sem ter a certeza de quantos segundos marcava, constatei que deveria dar para 1.17 baixo ou, surpresa das surpresas, 1.16 muito alto, ficando assim perto do record. Marca que poderia ficar perto mas não iria ser batida. Isso era ponto assente.

As forças já não eram muitas mas consegui reunir as que sobravam para o último quilómetro ser o mais rápido de todos e mais dei ao avistar a meta.

Cortei e, alegria!, vi que foi no minuto 1.16, faltava saber os segundos e constatar a quanto tinha terminado do record. Marca que, relembro, era 1.16.41

Num instante fui ao tempo total completo e... dei um enorme e bem sentido berro ao ver o que nunca esperei: 1.16.40!!!

Afirmo o mais sinceramente possível, nunca me passou pela cabeça bater novamente o record! Foi mais uma surpresa oferecida por este estado de graça que perdura. 

Um segundo pode ser só um segundo mas é um segundo. E recordo-me bem, há uns anos atrás, quando andei em época de seca de records durante "décadas", o ter ficado a 2 segundos do record dos 15 em Mafra. As saudades que nessa altura tinha duma melhor marca e ficou tão perto. Ontem, num momento que até me custa a acreditar, em que estão a sair records como pãezinhos quentes, foi um segundo a menos.

Fiquei ali a absorver o momento e a ver chegar outros atletas enquanto aguardava a Isa e Vitor. E as alegrias ainda não tinham acabado (para saber mais, ler depois a crónica da Isa).

A prova do "crime"
De registar que nesta 38ª edição das Fogueiras, bateu-se o record de participação com 2.895 classificados mais 108 que a anterior melhor participação, vinda do ano passado.
Entre 2.895, terminei claramente na primeira metade (1.294) e no escalão fui 66º entre 152.

E foi assim o relato de mais um momento épico. Como sempre o afirmo, é aproveitar enquanto está a dar, que isto não dura sempre...

Próxima prova, sábado Meia-Maratona de Almada.

Até lá, uma boa semana a todos.

E um muito obrigado ao voluntarioso, generoso e entusiasta povo de Peniche!!! São um espectáculo e um marco no nosso mundo das corridas!




Adivinha do dia (e esta é de difícil resposta): Estará o pessoal feliz?

sábado, 17 de junho de 2017

Um muito agradável mini longo

Com o Tiago Marques, excelente companhia no treino de hoje

Desde meio de Março, depois de recuperado da Maratona de Sevilha, que em todos os fins-de-semana, com excepção do 2º em Abril, tenho dado forte e feio seja em corridas ou treinos.

Após os inesperados 48.19 no Santo António há 2 semanas e o record dos 30 na semana passada, este era o fim-de-semana perfeito para ter um treino calmo, até porque durante a semana notei que estava mesmo a precisar de "dar uma acalmada no pneu" (como dizia o grande Ayrton Senna) pois a recuperação foi mais demorada e custosa.

Assim, hoje foram calmos 20 km em cerca de duas horas e com a grande benesse de companhia. Efectivamente, o Tiago Marques combinou treinar comigo (já era para ter sido na semana passada mas um imprevisto obrigou a adiar uma semana). 

Ora para quem está habituado a fazer estes treinos maiores sozinho, o de hoje, além de ser menor, passou-se num instante com a agradável converseta.

Para fugir ao calor, decorreu entre as 6.10 e 8.10, quando o sol ainda não está alto e castigador.

E prometendo a prevista canícula, logo às 6 da manhã já marcava 22 graus. Mas o grande problema é quando o sol é directo o que não sucedeu.

Foi um óptimo carregar de baterias (muito obrigado Tiago!) para mais uma semana de treinos, culminando no sábado com a clássica e mítica Corrida das Fogueiras em Peniche, onde o público é espectacular (S.Silvestre da Amadora e Fogueiras, das que conheço, estão no topo das excepções ao cinzentismo nacional)

Uma boa semana a todos, protejam-se do calor e hidratem-se!

domingo, 11 de junho de 2017

Mais um batido. Agora foi a vez dos 30 :)

Eu corro pelo prazer que a corrida me dá. Não corro atrás de records.  

Agora, claro, se sinto que posso chegar lá, é evidente e natural que dou o que tenho. Em 12 épocas de Atletismo aprendi diversas coisas e uma é que temos vários ciclos. E se um é negativo, demora a sair, mas quando é positivo, basta um pequeno nada para terminar. Por isso, enquanto está a dar, é aproveitar a maré.

Maré que resulta de ter transformado uma situação negativa em algo de positivo pois, ao ter agora toda a disponibilidade em termos de tempo, pude passar a treinar de outra forma e com uma carga incomparavelmente maior.

Hoje era dia de treino de 30 e o plano marcava um ritmo que seria record na distância. Mas neste caso a intenção não era o record mas sim seguir um plano de ataque para o Porto. Quero chegar à Invicta o melhor possível. E esse melhor possível é com a intenção de "morrer" apenas aos 42.196 e não antes como tem sucedido.

Para tal, há que intensificar o ritmo nos 30 km. Treinos de 30 onde não tenho companhia do resto do pelotão, não vou na estrada, não tenho geis nem reforço de massa nos dias anteriores. Assim, ao treinar sem essas benesses e a um ritmo mais vivo, poderei chegar lá e, com tudo a que tenha direito, a coisa tornar-se mais fácil quando na realidade começar a Maratona (a partir dos 30).

A minha melhor marca aos 30, e até Agosto passado, vinha da passagem na primeira Maratona (2012) com 3.14.47. Apenas em Agosto passado, em treino, baixei e logo para 3.09.11. Seguiu-se a passagem no Porto em 3.08.16 e em Sevilha com 3.06.03 que era o record que durava até hoje. Em treino, o mês passado fixei-o em 3.07.30

Ora o meu plano para o Porto, além de 10 treinos de 30 (este foi o 3º), aponta para 4 especiais. Em Maio um a média de 6.15 (o que dá 3.07.30), Junho em 6.10 (3.05.00), Julho a 6.05 (3.02.30) e Agosto 5.59 (2.59.30). Algo de demasiado ambicioso à partida.

O que é certo é que o de Maio foi cumprido ao segundo certo (os tais 3.07.30) e hoje se lograsse a média estipulada, até seria record, mas sendo secundário esse ponto pois o principal é cumprir o plano para o Porto.

Acontece que demorei a recuperar do esforço brutal de sábado passado com o novo record aos 10 e onde deixei lá tudo, tudo sem sobrar uma gramita de esforço. Os treinos na semana tiveram que ser sempre de recuperação. 

Ando a treinar todos os dias menos na véspera de corrida ou de treino longo (sempre com a máxima de a seguir a um puxado, um leve). 
Esta semana decidi que, além do Sábado, descansaria também na Sexta pois a recuperação estava difícil.

Acordei às 5 para começar por volta das 6. E estava receoso pois não sabia se já estaria a 100%.
Cheguei às 6 ao Inatel de Oeiras mas iniciei o treino apenas às 6.16 pois antes estive numa longa conversa comigo mesmo para ganhar confiança (nem a propósito, Sofia, as conversas interiores!).

Lá comecei e, apesar de ir bem, até aos 3 estava com muitas dúvidas e receios. Depois, isso desapareceu tudo e foi questão de ir a desfrutar até ao quilómetro 27, sempre com ritmo certinho, e até melhor em relação ao planeado.

Aos 27, comecei a acusar o cansaço e, especialmente, o calor. Parecia que estava a quebrar o ritmo mas o relógio dizia que estava igual. 

Estes 3 finais fizeram que terminasse desgastado mas feliz por mais um treino de 30 realizado e com o objectivo não só alcançado mas bem ultrapassado. 

Se a média de 6.10 parecia ambiciosa para 30 quilómetros, acabei por fazer 6.07,3 o que deu um tempo final de 3.03.39 e um novo máximo batendo o anterior por 2.24

Para já esse plano está a ser cumprido, vamos ver o que dará o de Julho (e em especial o tão esticado de Agosto. Aí é melhor começar às 5 para evitar o calor na parte final).

Durante a semana, treinos de recuperação e sábado terei um de 20 mais sossegado. 

A próxima corrida é a 24, a mítica clássica Corrida das Fogueiras em Peniche.

Uma boa semana a todos! (com 1 ou 2 feriados no meio, consoante a zona do país onde trabalhem)


domingo, 4 de junho de 2017

Dose dupla: Stº António (a minha 400 e com novo e épico record aos 10) e Oriente (em jeito de recuperação)

Sábado, 7ª Corrida de Santo António
Antes do grande feito

Queria comemorar a minha corrida 400 com novo sub50. Como sabem, andei 10 anos a lutar para conseguir um, o que sucedeu finalmente no Grande Prémio do Natal, em Dezembro, com nunca imaginados 48.42 e depois na APAV em Março os 49.58. Fazendo outro significaria o 3º em 6 meses, o que seria uma boa recompensa aos 10 anos de espera e luta.

49.59 estava excelente, chegava. Bater o record nem por sombras pois era uma marca esticada demais e alcançada num percurso muito favorável.
Bom, quanto ao nem por sombras, não nos podemos esquecer que a corrida era ao início da noite, onde sombras há muitas e não imaginava o quão épico iria ser a prova!

Como habitualmente em vésperas de grandes feitos, há sustos. Este deu na véspera por uma dor estranha no pé esquerdo, entre a palma do pé e os dedos, naquela parte estilo almofadinha. Penso que terá sido por ter pisado alguma pedra.
Fui tomando os cuidados habituais mas o que era certo é que sentia uma dorzinha sempre que apoiava o pé, o que me lançava a dúvida de como iria reagir durante a corrida, em especial sabendo que queria dar forte e feio.

Ora com o sapato de corrida calçado e amparado, não senti qualquer dor. Siga!


Em excelente companhia antes da partida
Fiz um bom aquecimento o que permitiu iniciar a prova logo ao ataque sem comprometer o resto da corrida, o que tem sido algo que tenho vindo a melhorar e muito. O ter partido no bloco sub50 também facilitou em matéria de trânsito inicial e dei por mim com o primeiro quilómetro a ser realizado logo no minuto 4 o que é inédito.

As sensações que recebia era que dava para aguentar esse ritmo de faca nos dentes e lá continuei, sempre a sonhar com o sub50, até ao quilómetro 5.

E foi aí, a meio da prova, que tomei consciência do que se passava. Passei em 24.12, média para bater o record! Com surpresa, pois nunca tinha imaginado ser possível, lá continuei ainda com mais ganas.

E os quilómetros foram passando e nada de mínima quebra. O problema seria que no final tínhamos que dar uma volta ao Rossio, sendo que essa parte é em calçada. Mas quem quer saber disso quando cheira a um momento épico? Quem quer saber do vento que estava? Apesar da ventania ter acalmado um pouco à hora da corrida.
Há dias que nos sentimos imparáveis. Tudo fruto da parte mental, com grande ajuda dos resultados que tenho obtido e que nestas alturas fazem acreditar que é possível manter e aguentar.


A alegria

E corto a meta em 48.19!!! Média de 4.49,9 com o quilómetro mais lento em 4.53! (durante a esmagadora maioria da minha carreira, um quilómetro assim era raro, agora foi o mais lento).

Ao parar senti-me um pouco tonto mas oiço falarem comigo, era o Hugo Miguel Sousa, o responsável da HMS que mais uma vez esteve brilhante na organização dum evento desta natureza. A seguir chega o Nuno Moreira, tendo trocado um abraço como se pode ver na foto que se segue.


Ainda meio tonto 😄
Mais uma vez, como tem sucedido nestas últimas, terminei em lugares não habituais. Na geral terminei nos 27,5% primeiros (684 entre 2.483) e nos 29,7% no escalão (33 em 111). Completamente novidade para mim!

Os 10 km foram feitos assim: 4.52 / 4.49 / 4.51 / 4.53 / 4.47 / 4.49 / 4.49 / 4.50 / 4.52 / 4.47.
1ª légua em 24.12 e 2ª em 24.07. Apenas 6 segundos de diferença entre o mais rápido e o mais lento, ao estilo relógio suiço!

A prova provada!
Enfim. Que posso dizer mais? Correr é uma felicidade. Aliar isso a resultados nunca dantes sonhados, mais é! E estou a ser recompensado por todo o muito esforço que tenho efectuado desde final de 2015 com esta fase de bater records que dura há 13 meses! Há que aproveitar. Aproveitar mas dando tudo como nesta prova onde senti que não ficou uma só grama de esforço para dar. Deixei tudo ali no alcatrão.

Corri como se não houvesse amanhã. E no amanhã havia mesmo uma corrida. Mas, como planeado, para ir em jeito de treino de recuperação.

Esta foi a melhor maneira de comemorar as 400 corridas. No final deste artigo, uma resenha estatística de como se articularam estes números.


Com o manjerico que nos oferecem no final


Historial da Prova


Domingo, 16ª Corrida do Oriente


A equipa presente (eu, Aurélio e Orlando) com a Margarida Dionísio

Pouco mais de 12 horas depois, rumei ao Oriente para a minha 11ª participação nesta prova, que neste momento é aquela onde mais vezes fui, sendo que em Julho a Lagoa de Santo André a irá igualar.

Quando acordei, as pernas pareciam estar benzinho, a parte respiratória é que ainda fatigada. Curiosamente durante a corrida inverteu-se a situação.

Foi uma corrida muito agradável pela companhia, Sandra, Nuno e Mónica, o que fez esquecer o percurso muito pobre desta edição. 

Deixou-se de ir à estrada, para dar 2 voltas a um percurso de perto de 5 km nos passeios do Parque das Nações, com todas as rasteiras inerentes de tábuas mais levantadas no passadiço ou o passeio com ressaltos pelas raízes das árvores. Contingências...

A meio da corrida com a Mónica e Sandra. Curiosamente os 3 dorsais começam por 1 e acabam em 6

O ritmo foi o ideal depois do que fiz no Santo António e, devido à companhia, a 1.04.06 que demorei passou num instante. E até deu para parar a meio para o prazer de falar à Rute e Artur que ali encontrei.

A Corrida do Oriente já foi muito grande e um marco no calendário, espero que a deixem regressar, se não for possível aos seus tempos áureos, pelo menos a um melhor percurso.

O resto esteve bem, inclusive mantendo a oferta da caneca (a minha 10ª pois em 2006 ainda não davam).

A caneca
De salientar que esta corrida é especial para mim pois foi aqui que em 2006 baixei pela primeira vez da hora na dupla légua e em 2009 marcou o meu regresso após uma ausência de 6 meses pelo pé partido.

E também de registar que uma das minhas companhias de hoje, o Nuno, é totalista nesta prova (16 em 16!).

A próxima corrida será daqui a 3 semanas, Corrida das Fogueiras em Peniche. Os dois próximos fins-de-semana serão dedicados a longos, em especial o próximo domingo com um ambicioso treino de 30.



400 Corridas em números

26 de Março de 2006 a 3 de Junho de 2017

(Esta estatística não engloba a Corrida do Oriente de hoje, por ser a 401 e os dados são das primeiras 400)

Inscrevi-me em 411 provas, participei em 400 e concluí 395.
Das 11 que estive inscrito mas fui obrigado a faltar, a razão foi sempre por lesão ou doença (só da vez que parti o pé, já estava inscrito para mais 5).
Das 5 que parti e não cortei a meta, as desistências foram 4 por lesão ou indisposição impeditiva de continuar, e uma por opção.

Participei em 128 provas diferentes, havendo um quarteto em que participei por 10 vezes: Corrida da Liberdade, Corrida do Oriente (a), Corrida da Lagoa de Santo André (b) e São Silvestre da Amadora.
(a) Com a participação de hoje passou a estar isolada com 11 participações
(b) Daqui a pouco mais dum mês também passará a contar com 11

Corri 201 vezes pelos 4 ao Km, 196 como individual e 3 pelos Leões de Porto Salvo.

394 corridas a solo e 6 de estafetas.

Nas 400 que participei, a distância que percorri foi de 5.018,856 km, tendo demorado 492 horas (20 dias e 12 horas) 35 minutos e 21 segundos.

Provas com chip foram 327, sem chip 73.

Tipos de piso: Só alcatrão 345; Alcatrão e terra 44; Tartan 6; Só terra 4; Cross 1.

O número de dorsal mais utilizado foi o 409 por 8 vezes e o 1057 por 7. Porém, estes eram números fixos dos Troféus das Localidades de Oeiras, Sintra e Cascais. 
De forma aleatória, foram o 506 e o 515 por 4 vezes.
O dorsal mais baixo que utilizei foi o 1 no Grande Prémio de Mem Martins 2013 e o mais alto o 59295 na Maratona de Paris 2015.

Recebi 165 medalhas de participação. Por lugar, uma taça pelo 2º lugar da equipa no respectivo escalão na Estafeta Cascais-Lisboa 2013.

Quanto às distâncias:

Distância
Partida
Meta
-5.000
5
5
5.000
10
10
+5.000 -10.000
62
61
10.000
177
175
+10.000 -15.000
17
17
15.000
45
45
+15.000 -20.000
12
12
20.000
13
12
21.097
50
50
42.195
9
8
Total
400
395

E é assim, de forma muito resumida que se encaixam 400 corridas em números. Números que são exactos e frios, não transmitindo toda a emoção, prazer, esforço e sofrimento que cada uma proporcionou. 
E nenhuma foi apenas mais uma. Cada uma foi e é especial.

Venham muitos mais anos sempre a poder correr! (o meu sonho/utopia é fazer uma Maratona aos 100 😃)