terça-feira, 12 de novembro de 2019

Novos máximos em Maratonas disputadas em Portugal (melhor marca, estrangeiros e mais de mil femininas!)


Realizadas que foram as Maratonas de Lisboa e Porto, altura para actualizar os diferentes máximos das disputadas desde sempre em Portugal.

E temos três novos records. A melhor marca, o maior número de atletas femininas e a maior participação estrangeira, todas elas pertencentes à Maratona de Lisboa.

Continua a notar-se a mesma tendência, maioria de estrangeiros em Lisboa, de portugueses no Porto. Assim, Lisboa teve 25,1% de atletas nacionais e 74,9% de estrangeiros. Por seu turno, o Porto contou com 57,7% de portugueses e 42,3% do resto do mundo.

Está justificado assim o novo máximo de estrangeiros que passou de 2.960 em Lisboa 2017 para 3.328, acabando por influenciar o record de participação feminina pois a percentagem de mulheres atletas é ainda bem superior lá fora do que cá dentro, apesar dos notórios progressos. 
Recorde-se, a propósito, que na 1ª edição da Maratona do Porto estiveram presentes apenas 8 senhoras em 317 classificados (2,5%) e na actual edição foram 595 em 3.804 (15,6%), enquanto em Lisboa e devido à participação estrangeira, foram 1.084 em 4.442 (24,4%).

O record de classificadas femininas vinha de Lisboa 2017 com 969 e passou este ano a ser de 1.084 atletas. 
Não deixa de ser marcante a quebra da barreira do milhar. No caso da classificação geral, demorou 98 anos a lá chegar, enquanto que a partir do momento que passou a ser oficialmente permitida a participação feminina, demorou 37 anos a quebrar essa barreira.

Falta referir o record de melhor marca de sempre. Se no ano passado em Lisboa o etíope Limenih Getachew passou a deter um novo máximo com 2.07.34, baixando-se pela primeira vez das 2.08, este ano o também etíope Andualem Belay Shiferaw por um escasso segundo não entrou na casa das 2.05, ao registar um tempo final de 2.06.00, marca já bem significativa a nível internacional.

Assim, a tabela de relação de records nas Maratonas nacionais, fica assim escalonada:

Classificados
4.736
Porto 2016
Masculinos
4.098
Porto 2016
Femininos
1.084
Lisboa 2019
Portugueses
3.308
Porto 2016
Estrangeiros
3.328
Lisboa 2019
Países
68
Lisboa 2016
Marca Masculina
2.06.00
Lisboa 2019
Marca Feminina
2.24.13
Lisboa 2016

De notar que, apesar de marginalmente (20 atletas), o máximo de participação estrangeira é superior à nacional, o que sucede pela primeira vez.

De registar que todos estes records foram obtidos desde 2016, o que denota bem a evolução que a mítica distância tem tido no nosso país.

Como prova, recordo aqui como tem sido a evolução do record nacional de participação:

Data
Maratona
Classificados
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865
2014-11-02
Porto
4.040
2015-11-08
Porto
4.406
2016-11-06
Porto
4.736

Salta à vista o grande incremento nos últimos 11 anos, onde o milhar ainda era uma miragem. 

De referir que o record de 22 classificados alcançado em 1911 só foi batido, passando para 23, em 1978, 67 anos depois!

E como foi batida a melhor marca em solo nacional, segue aqui a sua evolução desde sempre (1ª Maratona nacional deu-se em 1910):


Data
Maratona
Nome
Marca
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.57.35
1912-06-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.52.08
1936-07-05
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.37.20
1937-03-28
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.30.38
1954-04-11
Campeonato Nacional (Lisboa)
José Araújo
2.21.00
1971-04-04
Campeonato Nacional (Lisboa)
Armando Aldegalega
2.20.42
1976-03-14
Campeonato Nacional (Faro)
Anacleto Pinto
2.14.36
1987-11-08
Xistarca (Lisboa)
Gualdino Viegas
2.13.59
1992-10-18
Xistarca (Lisboa)
Jacob Ngundu
2.13.34
1993-11-28
Xistarca (Lisboa)
Said Ermili
2.12.29
1994-11-27
Xistarca (Lisboa)
Zbigniew Nadolski
2.11.57
2006-10-15
Porto
Lawrence Saina
2.09.52
2009-11-06
Porto
Philemon Baaru
2.09.51
2013-10-06
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Paul Lonyangata
2.09.46
2014-10-05
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Samuel Ndungu
2.08.21
2018-10-14
EDP Cascais-Lisboa
Limenih Getachew
2.07.34
2019-10-20
EDP Cascais-Lisboa
Andualem Shiferaw
2.06.00


Esperemos o que 2020 nos trará e se será o ano em que se quebrará a barreira dos 5 mil classificados numa Maratona em Portugal.

Aproveito para deixar as datas:

19/01 - Funchal
26/04 - Aveiro
10/05 - Eco Maratona Lisboa
11/10 - Lisboa
08/11 - Porto
29/11 - Gerês (data sujeita a confirmação)  

(A boa notícia é que Lisboa e Porto irão estar separadas por 4 semanas em vez das muito curtas 2 semanas deste ano).

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Maratona do Porto: Arrancada a ferros com chegada inesquecível!

13ª Maratona concluída! Muito sofrida, o que deu um sabor especial na meta!

A Maratona não é comparável a qualquer outra corrida e torna-se muito difícil de explicar por palavras o que se passa ali e as emoções que temos para lidar. Apenas passando por elas será possível compreender o muito que mexe connosco e de forma única.

Para um atleta de pelotão, é uma superação sem igual. Daí o assistir-se a tantas e tão indisfarçáveis emoções na linha da meta, com maior enfoque na segunda metade do pelotão, como as fotos assim o demonstram.

Pode ser a 1ª ou a 13ª, cada uma é diferente, cada uma encerra as suas dificuldades e seus receios. Não é por já ter algumas conquistadas que estamos mais calmos ou menos receosos.

E se é sempre a mesma espiral de emoções, mais ampliado é quando problemas afectaram a preparação, como foi o caso vertente desta, pela violenta queda que sofri no início da preparação e que tudo condicionou. 

Daí que o medo fosse ainda maior nesta, como dei a entender em artigos anteriores. Conheço-me bem e tinha a consciência que não estava preparado como seria de esperar. Mas também não me esquecia que em Sevilha 2014 (infecção pulmonar 5 semanas antes) e Barcelona 2016 (contractura dos gémeos 1 mês antes) a coisa ainda estava pior e tinha conseguido o "milagre" de cortar a meta. No entanto, nada é repetível e cada dia é um dia.

Esta foi a 14ª vez que parti numa Maratona mas a 13ª que cortei a meta. Na que teria sido a segunda, e não contou, Cascais-Lisboa 2013, foi fisicamente impossível prosseguir, o que me marcou e cuja recordação esteve muito presente nesta Maratona. Tinha muito medo de repetir esse dia. Sabia que só algo completamente impossível de continuar me faria parar, mas havia uma notória preocupação que isso sucedesse.

No Queimódromo, uma hora antes da partida, quando ainda estava frio

Aqui já equipados e prontos para a luta
Uma partida duma Maratona envolve um crescendo de emoções difíceis de controlar e que tanto podem dar para a euforia ou o contrário, o que foi o caso desta. Enquanto a contagem de tempo diminuía, o receio aumentava. Após um abraço de desejo de boa corrida aos amigos Isa e Vitor, já pró-emotivo, a passagem debaixo do pórtico da meta foi a consciência que agora já não havia volta a dar, era ir buscar forças onde não existissem. 

Ainda com a parte emotiva a mil, a Inês, que estava na Family Race, chega-se ao meu lado e pergunta se está tudo bem. Respondo "não!" e tive que me esforçar para não largar cá para fora o que atrofiava a alma. A Inês apenas disse para não dizer nada e após uns segundos calados, começámos a falar, o que foi o melhor antídoto pois teve o condão de acalmar e focar na tarefa que tinha pela frente.

Como no Queimódromo estava um vento frio e cortante, tinha partido com camisola de manga comprida debaixo da de corrida. Logo nesse quilómetro inicial apercebi-me que seria demais pois iria ficar abafado. Tal como há 3 anos, iria parar na curva da Rotunda da Anémona aos 5 e pouco, onde estaria a Mafalda, para tirar essa camisola e seguir em manga curta.

Antes, pouco depois dos 2 km, recolámos à Isa e Vitor que na altura seguiam com o Catita (Family Race) e o Serafim dos CAL.  

Ritmo controlado e dentro do planeado, parei por breves segundos junto à Mafalda para tirar e deixar a camisola, tendo ficado novamente para trás dos restantes, com excepção da Inês que esperou por mim e tinha decidido seguir comigo mais um km (até aos 6). Já antes da Rotunda tínhamos recebido o apoio do Carlos Cardoso que também tinha estado pouco após a partida. 

Curiosamente, logo após deixar a camisola, caíram uns pingos, meros borrifos que logo passaram. E aqui tem que se abrir um parêntesis para agradecer ao São Pedro. As previsões eram de chuva e choveu antes, apenas recomeçando após o final da Maratona, ficando por toda a restante tarde. Durante, nada, se não considerarmos aqueles pinguitos mal sentidos. 

A chegar à Mafalda para tirar e deixar-lhe a camisola

E logo a seguir já em manga curta. Não sei o que a Inês estava a dizer mas parecia preocupada... 
Aos 6, e como combinado, a Inês ficou e segui sozinho. Uma palavra para a Inês pela ajuda que deu. Chegou milimetricamente na altura certa, logo a seguir à partida, e nem imagina o bem que me fez de ir ali descontraído na converseta. Muito obrigado Inês, a tua ajuda foi preciosa!

No caminho para Matosinhos, altura de ir vendo e gritando por todos os conhecidos que cruzava e chegado ao retorno, vi que a Isa, Vitor e Catita iam pouco mais à frente, acabando por os apanhar cerca dos 10. 

Novamente colado

A ser fotografado pelo Carlos Cardoso
Aos 11 (Carlos... tinha que ser...) lá estava novamente o Carlos Cardoso que gritou estar quase um terço feito. Respondi que isso só aos 14 e deu-se um momento caricato pois nessa altura o Catita, ao ter ouvido essa conversa, olha para os nossos dorsais e solta "mas vocês vão para a Maratona!". Eh eh, tinha vindo ali connosco e sem se aperceber que estávamos em distâncias diferentes. Ainda acrescentou "eu bem estava a estranhar o vosso ritmo...".
Um agradecimento ao Carlos e à Dora pelo seu apoio e em especial pelo rico convívio ao jantar na véspera! Pena que não pudéssemos ter prolongado mais tempo mas havia que levantar bem cedo no dia seguinte.  

Aos 12, momento importante. No Castelo do Queijo, divisão Family Race / Maratona. Catita corta à esquerda, eu, Isa e Vitor seguimos em frente. E digo momento importante pois a Isa e Vitor tinham cumprido 100 km em Abrantes duas semanas antes e não sabiam como iriam estar neste dia, colocando a hipótese de cortarem para os 15 km da Family Race caso fosse necessário. Claro que desde o início essa hipótese nem se colocava mas foi simbólico aquele momento.

Novamente na Anémona

No Castelo do Queijo, na separação Family Race / Maratona
Lá seguimos, naquela longa recta que nesta altura nem se nota mas em sentido contrário (aos 40) não tem fim. Ritmo sempre certinho como convém em distâncias longas.

Cruzámos com os primeiros (até parece fácil, não é?!?), pela Alfândega onde na véspera levantámos os dorsais, numa feira sem igual em Portugal, e comido uma Pasta Party única ou não estivéssemos a falar de comida no Norte de Portugal.

Na Ribeira, cuidado redobrado na passagem por aquela rua apertada pois o piso estava húmido, é a descer e em calçada, e a passagem pela Ponte Luiz I, motivo da muito bela medalha desta prova. 

Cerca dos 19, todos bem dispostos

Aqui ainda estava tudo bem

Em plena Ribeira
Logo após a saída e descida, encontrámos o Mike que ainda correu uns passinhos ao nosso lado. Muito obrigado Mike! Sabes bem como estes momentos são importantes para quem está em esforço. 

À saída da Ponte, fotografados pelo Mike
Grita que vamos frescos mas isso foi ilusão. Foi exactamente na Ponte que comecei a sentir algum cansaço. Entre esse momento e o pórtico da Meia, fiquei uns passos atrás da Isa e Vitor. Depois foi ver estes heróis (100 km 15 dias antes!), irem-se afastando do meu horizonte.

Queria accionar o modo de sobrevivência aos 30 mas teve que ser na curva do retorno na Afurada (25 km).

Estava a começar a Maratona! Para trás tinha ficado tudo. Uma preparação problemática, um mês de Agosto de enorme sacrifício para conseguir recuperar a muita velocidade perdida, tendo batido o record de km num mês, no que foi a única forma de obrigar o corpo a reagir. E para trás tinham ficado todos os receios e dúvidas. Nesta altura um só pensamento: Foco e concentração para conseguir vencer o muito que distava da meta, com o pouco de energia restante.

Fui seguindo a passos com o Serafim entre este momento e os 36. Alturas havia que seguia um pouco à frente e ele apanhava-me e o inverso. Aos 36 teve mais energia e lá seguiu. Muito obrigado Serafim pela ajuda e pela paciência em me teres aturado nesta fase! 

Já depois de regressar ao lado do Porto, fui cruzando com o Orlando, em nítidas dificuldades mas sempre a lutar, e com a Isa e Vitor, sempre a resistirem estoicamente. São umas máquinas!!!

Passagem pelo túnel. Tem sempre televisões espalhadas a transmitir uma música incentivadora. Este ano, Chariots of Fire do Vangelis (já um ano a tinha apanhado). Foi bom ver as imagens daqueles atletas a correrem livremente, transmitindo prazer de corrida. O mesmo que, apesar do contra-senso do sofrimento, sentimos por estar ali.

Nova passagem pela Alfândega e lá estava a Inês e Rui. Claro que nesta altura a Inês viu um João diferente do que tinha deixado aos 6. Diferente no nível de cansaço mas igual na vontade de concluir.
A Inês tinha um cartaz onde dizia para bater ali para ganhar energia extra. Bati duas vezes e mais precisaria.

Continuei o caminho, cada vez mais desgastado. Nesta altura a Maratona já vai longa, o pelotão menor, hora de almoço, o que torna as ruas com raros espectadores. 

Aos 36 vi o Serafim afastar-se, com a consciência que desta vez já não o iria conseguir apanhar novamente.

Há muito que a quase certeza que tinha antes da prova se tinha tornado em garantia. Esta iria ser a Maratona com o tempo mais alto de todas. Já há tempos que sabia que dificilmente isso não iria suceder e tinha-o deixado num artigo. Mas isso nunca foi problema para mim. O importante era sentir que tinha dado o máximo que tinha para o momento. E isso estava a suceder e de que forma.  

Em especial a partir dos 36, sofri muito. Difícil descrever quanto. No entanto, nunca, nem por uma fracção de segundo, passou pela cabeça ficar pelo caminho. Desistir nunca foi, nem podia ser, opção! Apenas o medo de algo suceder que impossibilitasse por completo a continuação, como o foi em 2013. E esse fantasma de 2013 esteve muito presente nesta prova. O momento mais assustador deu-se aos 37 quando parecia que não conseguiria dar um passo mais. Foi uma (terrível) sensação que durou uns muito breves segundos e, tal como apareceu, desapareceu.

Se as 5.25.09 da Cascais-Lisboa 2015 eram uma certeza que iriam deixar de ser o tempo mais alto em Maratona, ainda tentava lutar por ao menos não passar das 5.30 (5.29.59 estava bem). Porém, aos 39 tive que abdicar dessa meta em nome de chegar à meta.

Nesta altura ia passando (poucos) e passado (mais) por outros atletas, trocando incentivos. Foi então que cheguei à terrível recta sem fim. E tive uma ajuda completamente inesperada ao passar no reabastecimento dos 40.

Nesta prova não tomei geis por sentir um muito ligeiro enjoo com o esforço e recear que caísse mal. Apenas sempre água a que se juntou meia banana aos 20 e quarto de gomo de laranja aos 25.  

Passo por este reabastecimento dos 40, recebo uma água, vejo bananas, laranjas e isotónicos e nada me apetece. Ao chegar ao fim do posto, vejo uma caixa com algo que nunca tinha visto até agora em reabastecimentos, uvas pretas. Pego num molho de 5 e... difícil de explicar como souberam. Raras vezes a expressão "soube-me pela vida" teve tanto efeito. Apenas como a da banana aos 30 em Barcelona. 

E finalmente, o Castelo do Queijo! Não só sinal que a placa dos 41 estava ali como aquela recta sem fim afinal tinha um fim!

Nesta altura passou o Filipe Leitão com quem troquei umas palavras. Não tive foi pedalada para o acompanhar no km final.

Os 3 km de distância entre o Castelo do Queijo e a Anémona foram suavizados por um grupo de raparigas que estavam ali em entusiástico apoio. O quê?!? Estão a corrigir-me a dizer que a distância entre as duas rotundas será duns 800 metros e não 3 km?!? O relógio também registou 800 metros mas olhem que as pernas garantiram-me que foram 3 km...

Curva da Anémona e a ligeira subida para o Queimódromo. Ligeira em condições normais, inclinação de 50% nesta altura. E digo 50 e não 100% pois já cheirava a meta!

Já cheira a meta! Não se iludam pelo sorriso. A coisa ia a custar (será que sou bom actor?!?)
Curva para a direita, curva para a esquerda e em frente a meta!

Ao ver a meta, acabou o foco, a concentração. Perdi a cabeça! Soltei cá para fora tudo. Toda a alegria, toda a emoção. Soltei todo o sofrimento que passei nos últimos quilómetros, tudo o que passei nos meses pós queda, em especial Agosto. Tudo veio à cabeça e a tudo respondi com a explosão do momento. Sim, nunca fiz um tempo tão alto (5.31.18) mas cortei a meta com a consciência que não só tinha dado tudo o que tinha como mais além. E a recompensa foi uma chegada ma-ra-vi-lho-sa!!!

Dum lado a Mafalda, Isa e Vitor aos berros. A ladearem-me as cheer girls da organização a acompanharem-me nesses metros. Corto a meta. Meto as mãos na cara como a não acreditar que estava feita. Recebo um abraço do Tiago Teixeira da RunPorto com quem troco umas emocionadas palavras. 

Como colocar por palavras tudo o que senti naquele momento? É por isto que corro maratonas. Posso sofrer muito (e nesta sublinhe-se forte o muito) mas o cortar a meta, símbolo de superação, é inexplicável.

Como não há palavras que descrevam bem, aqui está o video da chegada, feito pela Isa:


E agora a sequência de fotografias, onde se pode observar o turbilhão de emoções:


Apesar de esgotado, das primeiras coisas que disse à Mafalda, Isa e Vitor foi "175". Respondendo ao seu ar interrogativo, acrescentei "os dias que faltam para Madrid!".

É isto, a Maratona é um bichinho que nos atinge forte! Haja saúde para as ir fazendo!

O abraço a quem tanto tem que me aturar nestas loucuras

Tudo com a medalhinha ao peito. E um reconhecimento muito especial aos heróis Isa e Vitor!

Já é uma tradição, fazer com os dedos o número de Maratonas (quando chegar a 16 não sei como fazer...)
Amigo Nuno, como te disse pouco depois de cortar a meta, levei-te sempre comigo! E sem o saberes, muito me ajudaste! Força amigo!

E obrigado a todos por tudo!