sábado, 31 de março de 2018

No Grande Prémio da bela Vila Poema de Constância

Com o Manuel Sequeira, companheiro de viagem

Esta é daquelas que anseio todo o ano. Sinto-me bem ali, numa vila tão bonita como Constância, onde o Tejo e o Zêzere se unem, e adoro o percurso, que me dá sempre inspiração (e asas).

Assim, rumámos, conjuntamente com o casal Sequeira a Constância, o que fiz pela 10ª vez.
E a sensação final é sempre a mesma, o pensar "ainda falta um ano para tornar a correr neste percurso". Como se percebe, eu e estes 10 quilómetros é uma questão de paixão e as paixões não se explicam.

Antes da prova, recuemos dois dias. Senti que chegou a altura de regressar às séries, cujas últimas tinham sido há quase 4 meses, poucos dias antes da primeira intervenção.
O meu esquema normal é aquecer 3 quilómetros, seguindo-se 400 metros de calma, 1 quilómetro a dar o máximo, 400 metros de calma, 1 quilómetro a dar o máximo e termino com 1.200 de retorno à calma. Apenas como base de comparação, nada mais do que isso, andava a fazer entre 4.15 a 4.20 na 1ª série e entre 4.05 a 4.10 na 2ª série (o melhor de sempre que consegui foi 3.54). 

Naturalmente que após a paragem e ausência de séries, a diferença tinha que ser significativa, como o foi. Registei 4.49 na 1ª, o que me deixou satisfeito. Na 2ª, abortei a série aos 650 metros, por ter abusado nos primeiros 500 metros e numa altura que a média apontava para 4.36
Fiquei contente com o treino, principalmente pelas sensações e foi um bom "boost" para hoje em Constância. Tenho muito espaço para evoluir e quero fazê-lo de forma sustentada e duradoura. Como tão bem disse o Nuno Moreira, esta recuperação é uma Maratona, não um sprint.
Sei que há quem estranhe fazer séries a 2 dias duma prova mas os resultados falam por si pois tenho-me dado sempre bem com este esquema. Prova-se com o facto de o ter feito no ano passado 2 dias antes de ter batido o record dos 10, dos 15 e da Meia.

Antes da prova, preparado para o ataque, e com um número de elite! :)
O meu objectivo para hoje em Constância era fazer a melhor prova possível para o momento actual. Em 2011 bati aqui o meu records dos 10 com 50.08, quase, quase a ser sub50, o que já andava a lutar desde o início de 2007 e só consegui no final de 2016. Já tenho 5 sub50 mas nenhum em Constância e gostava muito de um dia poder marcar esta corrida tão especial para mim com uma marca assim. Claro que este ano estava fora de hipótese mas, se não houver qualquer contratempo, quem saberá se em 2019...?

Fomos brindados com um lindo dia de primavera e, grande realce para o contrário do que tem sido corrente em Março, sem vento! Até vou repetir: Sem vento!

Este percurso possui uma particularidade curiosa. Tem descidas e subidas mas sempre suaves. A curiosidade é que para lá parece descer muito mais do que sobe e no sentido contrário... também parece descer muito mais do que sobe. Claro que fisicamente é impossível mas não deixa de ser uma sensação curiosa que tenho.

Arranquei calmo, decidindo só colocar o ritmo após a subida em empredado, por volta dos 300 metros. Passei praticamente em último, iniciando então uma corrida de trás para a frente e fixando-me regularmente entre os 5.10 e 5.19, na esperança de ver se aguentava.

Primeiros metros nas calmas
Os quilómetros foram passando, sempre com o Zêzere como companhia, notava a pulsação acelerada mas controlada. 

Passei no retorno, rigorosa metade da prova em 26.59 o que achei curioso pois com uma 2ª metade igual faria 53.58, exactamente a melhor marca que tenho desde o regresso, feita nos Salesianos. Mas queria melhor...

E deu-se aquele efeito habitual neste trajecto. Dou a volta e... se vinha com bom ritmo, melhor ficou! Não sei o que me sucede ali mas quando inicio o regresso, parece que ganho asas.

E as contas, quilómetro após quilómetro foram evoluindo de "consigo fazer melhor que os 53.58" para "consigo baixar dos 53.30", depois "consigo baixar dos 53". E assim foi. Se a 1ª metade foi em 26.59, a 2ª limitou-se a 25.41, 1 minuto e 18 mais rápida, apesar do desgaste acumulado.

Usei a minha táctica habitual, que é nas alturas de maior cansaço olhar para o relógio. É o meu "energizador" mental. Ao ver a marca que vou a realizar, ganho energia para me aguentar até à linha de meta. 
Já sabem, quando numa prova virem que olho muito para o relógio, é que a coisa vai bem. Naquelas que nem olho para ele... ui... a coisa está mal! :)

Cortei assim a meta em 52.40, de longe a minha melhor marca desde o regresso e com o melhor quilómetro o último em 5.00 (menos 1 segundo e entrava no minuto 4).

A ir cortar a meta e a deixar transparecer a alegria
Após a meta, sentia-me muito cansado mas recuperei rápido. 

Enriqueci assim o meu historial nesta prova onde tenho registado sempre grandes marcas. Sempre, quer dizer, não há regra sem excepção mas a excepção foi programada. Em 2015 finalizei na casa do minuto 59 mas na semana anterior à Maratona de Paris. Como não queria perder esta prova, combinei comigo próprio que ia fazê-la em ritmo de treino calmo. E como sabem que nestas coisas sou muito disciplinado, assim o foi.

Com o bonito troféu todo em cortiça, a comemorar 30 edições desta prova
E por falar em disciplinado, tenho pela frente mais uma semana de treinos que já estão planeados e com o dia de séries na 6ª feira.
Domingo, é dia da Corrida do Benfica António Leitão.





Amanhã é 1 de Abril e pensei ser giro inventar aqui uma mentira qualquer em forma de brincadeira. 

Depois de pensar em várias hipóteses, acabei a interrogar-me se se justifica haver um dia para as pessoas mentirem. Isso significaria falar-se verdade nos restantes 364 dias. Mas a verdade tem sido tão maltratada a nível global! 

Por mais paradoxal que pareça, num momento onde o acesso à informação é imediato e onde temos todo um manancial de informação disponível, a circulação de notícias falsas atinge valores inacreditáveis. E o pior é que são os seres humanos, e não robôs de internet ao serviço de algoritmos duvidosos, que mais partilham essas notícias que ferem a verdade de morte. Estudos há que comprovam que  uma notícia falsa é partilhada 70 vezes mais que uma verdadeira. Porque normalmente trazem choque, surpresa, repulsa ou medo. E como há os acérrimos defensores de que os fins justificam os meios, vemos mentiras repetidas exaustivamente até se formarem aos ouvidos populares como verdades absolutas. Seja para fins políticos, empresariais, desportivos ou tantos outros. Apelidava-se de quarto poder mas hoje em dia essa hierarquia está alterada. 

Por isso, sugiro que em vez de termos um dia das mentiras, fosse criado um dia das verdades. Seria curioso ver todos os chamados fazedores de opinião, políticos, empresários, dirigentes desportivos e outros falarem verdade!

Uma Feliz Páscoa e uma excelente semana a todos!



domingo, 25 de março de 2018

O meu décimo Sino

A equipa 4 ao Km presente (eu, Vitor, Isa, Eberhard e Aurélio). O parecer que estamos com frio, não é simples aparência...
Aqui já equipados e prontos para cada um dar o seu melhor

Mal conheci a Corrida dos Sinos, foi paixão à primeira vista! Esta é daquelas que está na lista de provas a não perder.
E na realidade, desde que corri em Mafra pela primeira vez, apenas faltei em 2009 por estar com o pé esquerdo partido e em 2015 por ter coincidido na mesma data da Maratona de Paris. 
E só razões como pé partido ou Maratona de Paris me poderiam afastar da deslocação anual à bonita vila de Mafra.

Qual a razão para a Corrida dos Sinos ser especial?
Bom... esta resposta serve apenas para quem nunca lá foi pois quem já a conhece, sabe bem a resposta!
É uma corrida feita por atletas e para atletas, com tudo de bom das corridas de antigamente e tudo de bom das corridas da actualidade.
Com o ponto nevrálgico situado num belo parque, tem alguns pormenores que fazem a agradável diferença, como a partida ser dada com um sino, a chegada dentro dum estádio com uma bancada repleta de espectadores, percurso com animação, em especial na zona do Zé Franco, percurso bonito, aliciante, desafiante e com a sensação que se vai a algum lado, ambiente típico e efervescente, além do sempre tão bonito sino oferecido no final. 
A propósito, aqui está a minha colecção de que tenho tanto orgulho:

Linda! Não é?
Este ano São Pedro brindou-nos com frio, que durante a corrida acalmou após o sol despontar, e vento, muito vento!
Havia o receio de na subida de perto de 3 km o vento estar contra mas felizmente tal não aconteceu. Houve partes aí que esteve de lado mas nunca de frente, ao contrário do último quilómetro onde formava uma espécie de parede para furarmos.

Como sabem, a minha prestação na Corrida da Árvore no passado domingo não me satisfez, não pela marca mas sim pelas sensações. E fiquei com as subidas atravessadas. Eu que gosto de pensar que subo bem, fui ali uma nódoa.
Na 4ª feira fui fazer um treino com subidas mais duras do que na Árvore e, surpreendentemente, fiz um bom treino, o que levantou a moral.

Hoje o objectivo era fazer uma corrida onde desse o melhor para o momento actual e onde sentisse boas sensações, "portando-me bem" na tal subida.

No aquecimento senti que estava solto. Parti muito atrás o que dificultou o trânsito no primeiro quilómetro, com algumas variações de ritmo consoante o que o espaço à minha frente permitia, e pude estabilizar ao dar a volta ao Mosteiro, focando-me então no que poderia e deveria fazer.

Com o mosteiro ao fundo, após completar 2 quilómetros (foto Running Medals)
Um pouco mais à frente, ao lado do Manuel Sequeira (foto Luís Duarte Clara)
Até ao final da descida onde está o retorno (8,6 km), ia bem e confortável mas sempre com a dúvida de como me iria comportar na dita subida.

Iniciei-a e pude constatar que estava bem, conseguindo manter o ritmo que trazia. Tal deu-me confiança para continuar a impor esse ritmo e sem sentir dificuldades de maior, apenas a chegar ao seu final comecei a sentir o cansaço a aparecer. Mas como entretanto o piso endireitou, estabilizei novamente a respiração e pude manter a mesma cadência.

No 14º quilómetro a estrada torna a inclinar, embora de forma ligeira, mas como já é perto do final já se sente mais. Mas também a ultrapassei bem e vi que estava com média para 1.27 baixo.

No ano passado bati aqui o meu record com 1.18.03 em dia de aniversário, tempo entretanto já batido no 1º de Maio com 1.16.41 e Peniche 1.16.40, mas isso são contas de outro rosário pois agora (ainda) não posso pensar nisso nem lá perto. A forma é para ser reconstruída degrau a degrau sem querer que seja de patamar em patamar pois isso não dá bom resultado.
Para este ano, tinha dito que ficaria feliz se fizesse mais 10 minutos (1.28 portanto) mas faltando os últimos mil metros estava seguro no minuto 27 e com um bom final ainda iria ao 26.

O problema foi que nesse quilómetro final, e como já referido, tínhamos uma parede de vento para furar e lá me aguentei como pude, sabendo que ao entrar no parque, para dar acesso ao estádio, seria mais fácil. Aí dei o tudo por tudo e cortei a meta em 1.26.45 o que me deixou bem recompensado.

A entrar no parque, a cerca de 300 metros da chegada (foto Running Medals)
Altura para receber o sempre ansiado sino

E eis-me com o sino (desta vez laranjinha)
Esta semana há que continuar a treinar bem e esperar que não seja uma semana de altos e baixos como tem sucedido (mas esta já foi bem melhor), para chegar a Constância bem.

Pois é, sábado é dia de Grande Prémio de Constância, e se no início falei em provas que não posso perder, esta é mais uma que está nessa relação. Posso mesmo dizer que é a minha prova favorita de 10 quilómetros.

Uma boa semana a todos! 


domingo, 18 de março de 2018

Corrida da Árvore: À 3ª foi de vez

A equipa presente (eu, Sandra e Eberhard)

É muito raro estar inscrito numa prova e faltar. As poucas vezes que sucedeu, deveu-se sempre a impossibilidade física (lesão ou doença), como as 5 corridas para as quais já estava inscrito quando parti o pé esquerdo.
Nos últimos 7 anos, e num total de 262 inscrições, apenas fui forçado a ficar numa de fora (Descobrimentos 2015). 

Se estou a referir este dado, é por a Corrida da Árvore estar numa situação particular. Foi a 3ª vez que me inscrevi e só agora pude participar. 

É verdade, esta estava atravessada. Em 2010, dois dias antes, estava a despachar a instalação duns sistemas em Marrocos e ao sentar-me na beira duma cadeira, o tampo soltou-se e a cadeira voou para trás e dei uma queda, batendo com violência com o cócxis. Mal conseguia andar, quanto mais correr e fui forçado a ficar de fora.
No ano seguinte, estive a preparar o material no sábado à noite e nada faria prever que iria faltar novamente. Mas às duas da manhã acordei com um forte febrão e de manhã, em vez de me dirigir para a partida fui para as urgências.

2012 e 2013 coincidiu com outras provas, e entre 2014 a 2017 com as Maratonas que fiz na primavera.  

E é assim que apenas hoje, e há 3ª tentativa, pude estrear-me numa prova que já era uma excepção. 22 edições cumpridas, prova de estrada na zona de Lisboa e eu ainda não a tinha realizado? Pois hoje tudo se resolveu pelo melhor provérbio, "à 3ª foi de vez" e não pelo de "não há duas sem três"

A semana não foi fácil em termos de treinos. Se nos 10 km dos Salesianos e na Meia da Ponte demonstrei que a velocidade está cá e só precisa de ser mais trabalhada, a nível da forma prova-se que perdi muito pois as recuperações estão a ser lentas. Há poucos meses atrás dava o máximo numa prova e depois dum treino de recuperação, estava pronto para outra. Agora a coisa demora, e isso é o maior factor de prova de forma ou sua falta.

Como a Meia foi bem puxada (aquele vento contra...) a semana foi toda a atirar para o arrastar-me.

Com uma semana em cima, estava melhor hoje mas ainda não a 100%, daí a prova irregular que fiz. 

Começando e acabando perto dos Montes Claros mas em estradas diferentes, e sendo integralmente pelas estradas do Monsanto, a corrida é uma sucessão de sobe e desce.

Ora descer nunca foi o meu forte. E se subir costuma ser, neste momento não pois não estou com treino para tal.

Tive então que gerir a corrida aproveitando as partes que me eram mais favoráveis para puxar mais e poupar nas desfavoráveis. Ao contrário das duas anteriores cujo ritmo foi muito semelhante, esta parece mais um electrocardiograma quilómetro a quilómetro.

E, pasme-se numa corrida de 10 km, cheguei a ter que andar uns 50 metros numa subida pois estava a sentir a pulsação a disparar e tive que a acalmar. Até devo ter ganho tempo com isto pois de seguida, e com a normalização da pulsação, pude puxar bem e até acabar a parecer que tinha corrido sempre de forma vigorosa.

Assim, os 59.30 de tempo final foram o possível e como foram abaixo da hora, tudo bem.
Isto num dia propício à prática da modalidade. Atente-se no menu: Temperatura fresca, sem chuva e... muita atenção a este ponto tendo em conta a semana que passou... sem qualquer vento!

Apesar de ter registado quase uma hora, acabei por finalizar em 405 entre quase 700 participantes, o que diz bem da não facilidade do percurso.

À chegada, e como é boa prática neste evento que homenageia as nossas amigas árvores, cada participante leva uma árvore para plantar. A minha já está, vamos ver se pega.

A árvore
Gostei da prova, gostei do ambiente, gostei da organização, gostei do local. Em suma, gostei de tudo menos das minhas sensações que hoje não foram as melhores.
Há que treinar e pacientar muito.

Para a semana a ver se já me sinto melhor, numa das minhas provas de eleição, a Corrida dos Sinos em Mafra onde irei buscar o meu décimo sino.

Uma boa semana a todos!



Com o Catita, Sandra e Nuno


quarta-feira, 14 de março de 2018

Equivalências para os vintes


A Runner's World tem uma curiosa ferramenta de cálculo, baseada nos mais profundos estudos da condição física em relação ao avançar da idade, e que permite que qualquer um possa calcular qual o valor do seu tempo em relação a quem esteja na casa dos vinte anos.

É um facto inquestionável que com o passar dos anos o organismo vai sofrendo alterações e perdendo faculdades. Daí existirem escalões nas provas de Atletismo pois não seria justo comparar a posição absoluta dum jovem de 25 anos com um veterano de 65. 

Mas será que esse veterano de 65, apesar de ter ficado n lugares atrás, terá feito melhor que o de 25? Com esta tabela (clicar aqui) podemos confrontar a situação.

Muitas e diversas ilações podem ser retiradas. No meu caso, vamos ver o que valem os meus recentes records:

10 Km - 48.19 feitos aos 57 anos correspondem a 40.27 num atleta na casa dos vinte anos.
Por outras palavras, eu realizar 48.19 ou um atleta de 25 anos marcar 40.27, é equivalente. Ou ainda por outras palavras, com o mesmo grau de treino e dedicação, se tivesse 25 em vez de 57, andaria aqui era a sonhar com o sub40 que estava próximo.

Meia-Maratona - 1.51.26 aos 57, correspondem a 1.33.47

Mas o que me "partiu" mesmo todo foi quando fiz a equivalência à Maratona. O meu record de 4.41.40 corresponde a... 3.57.05, abaixo das 4 horas!!!

Para se aquilatar bem o que vamos perdendo ano a ano no inevitável envelhecimento, e tomando como base esse tempo da Maratona correspondente a 3.57.05 aos 57, é de 3.59.16 aos 56 e 3.54.54 aos 58, portanto mais de 2 minutos ao ano de diferença.

E pronto, vale o que vale mas atenção que certas marcas de veteranos valem bem mais do que parecem :)

(apesar de já só ter olhos para Valência, a utilização da palavra equivalência não tem a ver por conter o nome da próxima Maratona, eh eh)

domingo, 11 de março de 2018

Na Meia da Ponte com uma organização proactiva a demonstrar a sua qualidade!

Antes da partida, em pleno Eixo Norte-Sul, com a Isa e Vítor, o trio 4 ao km presente

Este artigo tem, forçosamente, que começar por uma palavra de apreço à organização que, provavelmente, em 28 edições terá enfrentado a maior dificuldade, da qual se saiu da melhor maneira, demonstrando toda a sua qualidade, proactividade e foco no atleta.

A decisão terá sido muito difícil de tomar mas, simultaneamente, fácil pois era a segurança de 35 mil pessoas que estava em jogo e a necessidade de avisar com 24 horas de antecedência. Munida de todos os elementos meteorológicos e de forças de segurança, alterou o que tinha que ser mudado, o que terá sido uma tormenta organizativa de deslocar tudo para outro local, que nunca tinha sido testado, ao contrário da afinação de 27 edições na praça das portagens da Ponte, e se seria admissível alguma natural falha, nada disso sucedeu e ninguém, nem o mais picuinhas, conseguirá descortinar algo.

Sabemos que as previsões estão sempre sujeitas a erro por alguma inesperada mudança duma qualquer massa de ar, mas mesmo que o dia afinal estivesse sem qualquer problema, diria sempre o mesmo pois a ameaça 24 horas antes era bem vincada.

E ninguém teve a mínima dúvida de tal ao sentir as bruscas rajadas de vento que sopraram nesta manhã. No cimo da Ponte registaram-se rajadas de 100 quilómetros hora!

No meio de tanta gente, há sempre aqueles que quando foi distribuída a inteligência ao mundo chegaram tarde e ontem li no Facebook da prova alguns comentários de pessoas que vivem fora deste mundo da corrida e apenas uma vez ao ano se lembram que é giro fazer uma caminhada pois passa numa ponte com vista privilegiada sobre a cidade das 7 colinas. Além de não saberem utilizar os neurónios, julgam que o mundo centra-se em si e nos seus interesses e esquecem-se que os organizadores têm que velar por um colectivo de 35 mil pessoas. 
Felizmente foram poucos pois aqueles que vão sempre compreenderam e apoiaram o inevitável.

Posto este obrigatório e muito merecido elogio e reconhecido agradecimento à organização, que na meta transmiti directamente ao director técnico professor Mário Machado, passo à minha prova.

Pessoalmente, nem me importei que a partida fosse no eixo Norte-Sul e até achei graça pelo inédito de correr 3 km nessa via e também porque já passei um bom número de vezes na Ponte. 
Foi a minha 10ª participação neste evento que é uma verdadeira festa, sendo a nona vez que participei na Meia. A primeira participação deu-se em 2006 na Mini que foi, igualmente, a minha 1ª prova e recordo-me de admirar os atletas que via passar para a Meia, interrogando-me como conseguiam aguentar 21 km, coisa que seria o mais impensável para mim e que nunca tal faria. 
Mas como se sabe, estreei-me em Meia ali um ano depois e hoje já foi a minha 56ª Meia.

O objectivo era terminar e sentir que tinha dado o que podia para o momento actual. A marca não era prioridade mas sim, tinha um objectivo difícil de alcançar. Esse objectivo dava pelo nome de 2.06.33
Pode parecer um número estranho mas passo a explicar. Para 21.097 metros, média de 6.00 dá 2.06.34, portanto 2.06.33 é ainda nos 5.59. Está explicado. 

Claro que não dá para comparar com o meu record de 1.51.26 alcançado há 3 meses atrás, pois a forma está a ser reconstruída após a paragem de 7 semanas.

Felizmente que conseguimos começar secos, o que é importante pois partir molhados e frios é duro. O primeiro objectivo estava alcançado mas agora havia outro bem mais complicado. Conseguir terminar a corrida sem o chapéu voar!

Dada a partida achei giro ir ali pelo eixo Norte-Sul e por volta dos 10 minutos de prova caiu a primeira chuvada. Essa aguentou-se bem e quando dei por mim estava em Alcântara e a primeira légua feita. O ritmo era bom, dava média abaixo de 6 e sentia-me bem.

Dada a volta no Cais do Sodré, teria que encarar o vento de frente durante 9 quilómetros. E se até aos 13 a coisa aguentou-se bem mantendo praticamente a média, entre os 13 e 17 (Belém-Dafundo) a ventania foi muito mais forte, o desgaste começou a fazer-se notar e a média a piorar. 

Felizmente nessa altura vi o Mike e tive o grato prazer de percorrer ao seu lado os últimos 8 mil metros. E foi por volta dos 14 e qualquer coisa que se dá o tal momento. Que momento perguntam? Durante uns 2 ou 3 minutos uma carga de água torrencial e bem fria, chegando a cair granizo! Acreditem que não foi nada agradável...

Acabei por chegar ao retorno dos 17 desgastado e com receio dos últimos 4 mas deu-se o inverso. Vinha a fazer um esforço tão grande para cortar o vento que, quando dei a volta e não senti resistência alguma, renasci e recuperei o ritmo, dando bem nesses 4 finais, últimos 3 dos quais debaixo de chuva mas chuva normal.

Cortei assim a meta com o Mike e com o tempo de 2.05.09 o que me deixou muito feliz, até sendo mais dum minuto melhor que o tal objectivo. 


Com o MIke após a meta
Mas o objectivo mais difícil foi conquistado. Terminei os 21.097 metros sem o chapéu ter voado uma vez que fosse. Para tal, muitas e variadas ocasiões tive que baixar a cabeça para a pala ficar mais para baixo. Mas consegui superar esta dura provação :)

No final, junto ao carro, ao tirar os sapatos e as meias, senti uma coisa estranha no dedo mindinho do pé esquerdo e pensei ter alguma feridazinha devido ao atrito no sapato molhado. Ao chegar a casa, a minha enfermeira particular viu que era uma bolha e que até já tinha rebentado! Podem perguntar porquê tanta admiração mas passo a explicar. Vou na minha 13ª época de Atletismo e ainda há pouco tempo dizia a uma atleta que sofre de bolhas que nunca tinha tido uma nem imaginava o que se sentia. Há sempre tempo para uma primeira vez!

Antes de terminar, quero realçar que os meus elogios e agradecimentos iniciais à organização são extensíveis, como é evidente, a toda a equipa e voluntários. 
E por falar em voluntários, quero dedicar esta Meia a um amigo que foi durante 10 anos voluntário nesta prova, o Jorge Branco. Ele sabe bem porquê.

A todos, desejo uma excelente semana. E tentem ser felizes e fazer os outros felizes. 


Na Feira havia um stand da Maratona de Valência, a minha próxima (2 de Dezembro). Ofereceram-me esta pulseira que fiz questão de correr com ela para "inspiração"

domingo, 4 de março de 2018

Na Corrida Salesianos a evoluir de forma inesperada

A original medalha em forma de camisola
3ª edição da Corrida Salesianos muito participada e bem organizada, com tudo o que é necessário a um evento desta natureza e com o habitual profissionalismo dos parceiros técnicos, a Xistarca.

Para mim foi estreia neste evento que utiliza um percurso já conhecido doutras provas. Partida junto ao Centro Cultural de Belém, retorno em Algés e depois imediatamente antes da 24 de Julho e meta no local da partida.

A muita chuva que caiu ontem deu tréguas até ao final da prova, retomando de seguida a sua função de minorar a seca.

Em Outubro, aquando da Corrida do Pirilampo Mágico, estive neste mesmo percurso e na altura o objectivo era novo sub50, o que consegui em 49.25, sendo que, naturalmente, o objectivo para hoje era muito diferente, fazer melhor que os 59.55 da semana passada na Costa da Caparica. 
Objectivos muito diferentes, dependentes do momento e forma, mas com um denominador comum, em ambas as situações dei o máximo que tinha.

Após as primeiras semanas de regresso com algumas dificuldades em conseguir um ritmo melhor, na Costa no domingo passado tive como um clique a meio da prova e melhorei bastante. Durante a semana os treinos também ofereceram boas sensações. Assim sendo, apontava para o minuto 58 como melhoria mais provável, não descurando o 57 mas que já me parecia improvável. 56? Apenas em sonhos selvagens...

O aquecimento deu-me boas indicações e decidi arriscar um bocadinho mais no início da prova. No entanto achei um abuso ter feito logo 5.30 no quilómetro inicial. Desde este regresso que apenas por uma vez tinha feito melhor, os tais 5.19 nos derradeiros mil metros da Costa. Agora, logo a abrir, fazia o 2º melhor pós-operações. A indiciar quebra mais à frente? Talvez, mas não abrandei pois sentia-me bem e comecei a ganhar confiança. Passado pouco, o ritmo já estava na casa dos 5.20... Nada tinha a perder, se tivesse que abrandar mais à frente, abrandava, portanto segui.

Cada vez mais confiante em aguentar o ritmo, comecei a sonhar com o que seria impossível antes da prova, minuto 56, o que daria uma evolução espectacular, 3 minutos numa semana!

Mas a ritmo de 5.20s, passo aos 5 com média para os...55! Claro que tudo isto dá uma força extra e continuei. Retorno perto dos 7 km e a coisa começou a custar mais. Sentia o esforço mas a vontade de concretizar a marca que o relógio apontava, era mais forte. É que já dava para o minuto 54! 

Tudo isto me estava a parecer surreal, não era possível duma semana para a outra cortar tanto tempo, mas agarrei-me com as forças que ainda tinha a essa perspectiva e ignorei o cansaço e o vento que nessa altura estava contra. No último km reparo que o minuto 54 estaria consolidado pois apontava para 54 baixo. Mais força extra para combater o desgaste.

E a uns 200 metros da meta apercebo-me de que ainda poderia ser possível o minuto 53! Para isso teria que dar o tudo por tudo. Foi o que fiz mas incrédulo a pensar "isto não está a suceder..."

"Despacha-te que está quase a acabar o 53!" Fui buscar as últimas forças e cortei a meta em... 53.58! 
Por 3 segundos que não retirei 6 minutos à semana passada.

Após a meta, parei e senti assim uma certa tontura pelo esforço mas logo passou e fiquei, como é fácil de concluir, muito feliz! Em menos duma hora tinha passado do pouco crente no 57 para finalizador em 53.

Agora há que manter o trabalho que tenho vindo a realizar, sem entrar em euforias pois ainda há muito caminho a percorrer até chegar perto do nível que deixei a meio de Dezembro.

Para a semana é dia da Meia-Maratona da Ponte 25 de Abril, a ser feita de forma consciente pois sei que, estando muito melhor do que na de Cascais há 3 semanas atrás, não estou com treino para aguentar ritmos destes em 21 km. 
Mas, como sempre, darei o melhor para a ocasião.

Até lá, desejo a todos uma óptima semana!