domingo, 11 de março de 2018

Na Meia da Ponte com uma organização proactiva a demonstrar a sua qualidade!

Antes da partida, em pleno Eixo Norte-Sul, com a Isa e Vítor, o trio 4 ao km presente

Este artigo tem, forçosamente, que começar por uma palavra de apreço à organização que, provavelmente, em 28 edições terá enfrentado a maior dificuldade, da qual se saiu da melhor maneira, demonstrando toda a sua qualidade, proactividade e foco no atleta.

A decisão terá sido muito difícil de tomar mas, simultaneamente, fácil pois era a segurança de 35 mil pessoas que estava em jogo e a necessidade de avisar com 24 horas de antecedência. Munida de todos os elementos meteorológicos e de forças de segurança, alterou o que tinha que ser mudado, o que terá sido uma tormenta organizativa de deslocar tudo para outro local, que nunca tinha sido testado, ao contrário da afinação de 27 edições na praça das portagens da Ponte, e se seria admissível alguma natural falha, nada disso sucedeu e ninguém, nem o mais picuinhas, conseguirá descortinar algo.

Sabemos que as previsões estão sempre sujeitas a erro por alguma inesperada mudança duma qualquer massa de ar, mas mesmo que o dia afinal estivesse sem qualquer problema, diria sempre o mesmo pois a ameaça 24 horas antes era bem vincada.

E ninguém teve a mínima dúvida de tal ao sentir as bruscas rajadas de vento que sopraram nesta manhã. No cimo da Ponte registaram-se rajadas de 100 quilómetros hora!

No meio de tanta gente, há sempre aqueles que quando foi distribuída a inteligência ao mundo chegaram tarde e ontem li no Facebook da prova alguns comentários de pessoas que vivem fora deste mundo da corrida e apenas uma vez ao ano se lembram que é giro fazer uma caminhada pois passa numa ponte com vista privilegiada sobre a cidade das 7 colinas. Além de não saberem utilizar os neurónios, julgam que o mundo centra-se em si e nos seus interesses e esquecem-se que os organizadores têm que velar por um colectivo de 35 mil pessoas. 
Felizmente foram poucos pois aqueles que vão sempre compreenderam e apoiaram o inevitável.

Posto este obrigatório e muito merecido elogio e reconhecido agradecimento à organização, que na meta transmiti directamente ao director técnico professor Mário Machado, passo à minha prova.

Pessoalmente, nem me importei que a partida fosse no eixo Norte-Sul e até achei graça pelo inédito de correr 3 km nessa via e também porque já passei um bom número de vezes na Ponte. 
Foi a minha 10ª participação neste evento que é uma verdadeira festa, sendo a nona vez que participei na Meia. A primeira participação deu-se em 2006 na Mini que foi, igualmente, a minha 1ª prova e recordo-me de admirar os atletas que via passar para a Meia, interrogando-me como conseguiam aguentar 21 km, coisa que seria o mais impensável para mim e que nunca tal faria. 
Mas como se sabe, estreei-me em Meia ali um ano depois e hoje já foi a minha 56ª Meia.

O objectivo era terminar e sentir que tinha dado o que podia para o momento actual. A marca não era prioridade mas sim, tinha um objectivo difícil de alcançar. Esse objectivo dava pelo nome de 2.06.33
Pode parecer um número estranho mas passo a explicar. Para 21.097 metros, média de 6.00 dá 2.06.34, portanto 2.06.33 é ainda nos 5.59. Está explicado. 

Claro que não dá para comparar com o meu record de 1.51.26 alcançado há 3 meses atrás, pois a forma está a ser reconstruída após a paragem de 7 semanas.

Felizmente que conseguimos começar secos, o que é importante pois partir molhados e frios é duro. O primeiro objectivo estava alcançado mas agora havia outro bem mais complicado. Conseguir terminar a corrida sem o chapéu voar!

Dada a partida achei giro ir ali pelo eixo Norte-Sul e por volta dos 10 minutos de prova caiu a primeira chuvada. Essa aguentou-se bem e quando dei por mim estava em Alcântara e a primeira légua feita. O ritmo era bom, dava média abaixo de 6 e sentia-me bem.

Dada a volta no Cais do Sodré, teria que encarar o vento de frente durante 9 quilómetros. E se até aos 13 a coisa aguentou-se bem mantendo praticamente a média, entre os 13 e 17 (Belém-Dafundo) a ventania foi muito mais forte, o desgaste começou a fazer-se notar e a média a piorar. 

Felizmente nessa altura vi o Mike e tive o grato prazer de percorrer ao seu lado os últimos 8 mil metros. E foi por volta dos 14 e qualquer coisa que se dá o tal momento. Que momento perguntam? Durante uns 2 ou 3 minutos uma carga de água torrencial e bem fria, chegando a cair granizo! Acreditem que não foi nada agradável...

Acabei por chegar ao retorno dos 17 desgastado e com receio dos últimos 4 mas deu-se o inverso. Vinha a fazer um esforço tão grande para cortar o vento que, quando dei a volta e não senti resistência alguma, renasci e recuperei o ritmo, dando bem nesses 4 finais, últimos 3 dos quais debaixo de chuva mas chuva normal.

Cortei assim a meta com o Mike e com o tempo de 2.05.09 o que me deixou muito feliz, até sendo mais dum minuto melhor que o tal objectivo. 


Com o MIke após a meta
Mas o objectivo mais difícil foi conquistado. Terminei os 21.097 metros sem o chapéu ter voado uma vez que fosse. Para tal, muitas e variadas ocasiões tive que baixar a cabeça para a pala ficar mais para baixo. Mas consegui superar esta dura provação :)

No final, junto ao carro, ao tirar os sapatos e as meias, senti uma coisa estranha no dedo mindinho do pé esquerdo e pensei ter alguma feridazinha devido ao atrito no sapato molhado. Ao chegar a casa, a minha enfermeira particular viu que era uma bolha e que até já tinha rebentado! Podem perguntar porquê tanta admiração mas passo a explicar. Vou na minha 13ª época de Atletismo e ainda há pouco tempo dizia a uma atleta que sofre de bolhas que nunca tinha tido uma nem imaginava o que se sentia. Há sempre tempo para uma primeira vez!

Antes de terminar, quero realçar que os meus elogios e agradecimentos iniciais à organização são extensíveis, como é evidente, a toda a equipa e voluntários. 
E por falar em voluntários, quero dedicar esta Meia a um amigo que foi durante 10 anos voluntário nesta prova, o Jorge Branco. Ele sabe bem porquê.

A todos, desejo uma excelente semana. E tentem ser felizes e fazer os outros felizes. 


Na Feira havia um stand da Maratona de Valência, a minha próxima (2 de Dezembro). Ofereceram-me esta pulseira que fiz questão de correr com ela para "inspiração"

26 comentários:

  1. Digo e repito temos os melhores organizadores de provas pedestres do mundo! A tua prestação foi excelente e digna do grande atleta que és.
    Mas mais que o grande atleta és um ser humano excepcional! Não há palavras para agradecer a tua dedicatoria mas há lágrimas, muitas lágrimas porque os homens também choram. Todo o poço tem um fim e vou sair deste! Não será provável que te dedique uma prova mas algo muito especial um dia irei conseguir voltar a ter forças para te dedicar meu mano mais velho!

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    1. Não tenho dúvidas que vais fazer mais coisas daquelas especiais :)

      Força! Grande abraço

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  2. Muitos parabéns! Meia Maratona n.º 56?
    A tua forma está a melhorar e foste feliz na Meia da Ponte! Já não sei o que te dizer, para além de muitos, muitos parabéns!

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    1. Muito obrigado Sofia! Fui feliz e muito :)

      Beijinhos e boas corridas

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  3. E mais uma história para contar ;) ... parabéns por mais uma MM (56??? porra ... ) e tb pela primeira bolha :P
    Grande abraço

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    1. Muito obrigado Carlos!
      Aqui às uns tempos li uma frase que dizia "quem nunca teve bolhas não é atleta". Fiquei de tal maneira preocupado que tratei de arranjar uma! :)

      Um abraço e muita força para daqui a 2 semanas

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  4. Grande resumo do que foi a prova. Só não concordo com os parabéns à organização... Estão tudo menos de parabéns!

    A decisão de alteração do local foi fácil de ser tomada: era imperativa e consciente face às condições climatéricas. A não alteração da data: idem, tendo em conta a quantidade de atletas estrangeiros inscritos.

    Mais difícil de admitir é a constante dificuldade em organizar provas sem falhas por parte do Maratona: a confusão no acesso à partida da Meia, sem qualquer indicação e feita por um corredor exíguo junto ao separador central do Eixo Norte-Sul (muita gente ficou atrás da partida da Mini, sem saber que havia esse acesso); a ausência de qualquer indicação de linha de partida (muitos atletas deram pelo inicio da prova porque pisaram as lombas com os sensores); a falha no cronómetro da linha da meta (os tempos não batem certo com os oficiais a partir de determinado momento: chegam a haver diferenças de 40 segundos).

    Está na altura do Maratona abrir os olhos, modernizar-se e mudar os seus organizadores, ter gente que para além de profissional, seja profissional competente. Nas últimas quatro/cinco provas deles, a única que me lembro de ter decorrido sem incidentes foi a do GP Natal 2017 (com a "inovação" da partida por vagas).

    Parabéns é para os atletas, em especial para ti!

    Um abraço, Filipe M. Fitas

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    1. Obrigado Filipe pelos parabéns e pelo comentário.

      Indo pela ordem do que apresentas, o corredor de acesso à Meia não me ofereceu qualquer dúvida dado que estava muito bem indicado, Mini para a esquerda, Meia para a direita. Que este corredor era mais estreito que o da Mini, naturalmente que sim pois havia mais inscritos para a Mini. Mas não tive qualquer problema em percorrê-lo, tendo ido para o local da partida pouco mais de meia-hora antes. Não nos podemos esquecer que estes eventos que envolvem dezenas de milhares de pessoas obrigam-nos a tomar as devidas precauções e não irmos em cima da hora.

      Relativamente ao pórtico de partida, não havia. Mas se as provas desta organização sempre têm pórticos bem visíveis e desta feita não existia, é que haveria alguma razão. Porque estávamos a partir dali e não da Ponte? Pelas rajadas de vento. Ora iria colocar-se um pórtico no Eixo Norte-Sul com o vento que estava? Nem pensar e nem seria autorizado em nome da segurança de todos, de quem estava lá em cima e cá em baixo. Temos que compreender que não estávamos com as condições ideais e em regime de plano alternativo para salvar a realização da prova.

      Não sei de falha alguma no cronómetro, o meu tempo está certo ao segundo mas se houve, temos que compreender que sempre houve uma incompatibilidade entre sistemas electrónicos e demasiada água. Há situações que seriam de difícil aceitação num clima ideal mas naturais devido à intempérie.

      Quanto à competência da organização, se no meu entender provaram a sua enorme qualidade, há factos que falam por si. A IAAF é muito rigorosa no standard de provas que atribui graus de ouro, sendo poucas as que existem a merecer tal distinção. Para o atingir, são observadas por técnicos que analisam tudo ao pormenor. E de há uma série de anos a esta parte que é atribuída essa honra a este evento, o que diz tudo da competência de quem a organiza e com a dificuldade acrescida da partida e chegada serem em locais distintos e distantes e com a movimentação de dezenas de milhares de pessoas.

      Um abraço e boas corridas

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  5. Olá João.

    Estou 100% de acordo quando ao que escreveste sobre a mudança da partida. Novas provas com partida da ponte virão e assim todos tivemos a experiência única de partir do eixo norte-sul.

    Desta vez não te consegui ver, para te dar um olá.

    Tanta tareia que levamos do vento, e quando choveu granizo, fiquei de tal maneira gelada, que deixei de sentir as pernas e fiquei consegui ficar novamente constipada.

    Mas o que interessa é que ultrapassamos estas adversidades e terminamos em beleza ;)

    Parabéns ;)

    Beijinhos

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    1. Olá Lígia!

      Devido às contingências da partida, não foi possível vermo-nos. Fica para uma próxima.

      Sim, o vento esteve agreste naquela parte mas a granizada... ui!

      Mas como dizes e bem, derrotámos as condições adversas :)

      Parabéns para ti, beijinhos e as melhoras da constipação!

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  6. Parabéns João pela excelente prova. Essa recuperação vai pelo melhor :))
    E obrigado pelos dois dedos de conversa no caminho :)
    Um abraço

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    1. Muito obrigado Edgar e parabéns pela tua!

      Obrigado eu pelos dois dedos de conversa (na altura não deu para mais) :)

      Um abraço e continua a dar-lhe bem!

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  7. Mais uma a enriquecer o curriculum!
    Parabéns João, abraço!

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    1. Muito obrigado Luís!

      Um abraço e boas corridas

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  8. Boa prova! E concordo plenamente contigo. No sábado quando vi a noticia pensei logo o pesadelo que estaria a ser a logistica megalómana de mudar tudo para um sitio novo e NUNCA TESTADO! Eu não sou grande adepto das meias das pontes, mas unicamente porque é demasiada confusão para o meu gosto. Agora, quanto ao mérito da organização, nada a dizer. Estamos a falar de 35 mil pessoas que têm que ser transportadas para a meta! O único reparo das duas vezes que fiz ambas era existir partidas por vagas.

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    1. Obrigado Filipe!

      O ideal sim, seria partida por vagas. No entanto, isso iria colidir com o espaço que é destinado para o evento e que não permite que se estenda mais para trás pelo impacto que teria nas outras vias.

      Um abraço e boas corridas. Boa preparação rumo ao MIUT :)

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  9. Muitos parabéns, João! A pouco e pouco, estás a fazer um regresso fantástico à tua forma :) Desta vez, com dificuldades acrescidas e a conseguir manter o chapéu na cabeça! Não é para qualquer um ;)

    A organização fez o possível, dadas as condições, e sujeitando-se a todo o mar de críticas que tão bem referes. Os que eu mais gostei de ler, foram os que pediam que se adiasse a prova!... Enfim... Como dizes, a maioria das críticas vinham, de facto, de quem não é desportista habitual ou de quem não tem mesmo ideia do que uma prova destas implica!

    Boa recuperação e eu, se fosse a ti, agora usava essa pulseira sempre que corresse!

    Beijinhos

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    1. Muito obrigado Agridoce!
      E não duvides... até 2 de Dezembro esta pulseira vai ser o meu talismã :)

      Beijinhos e força!!!

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  10. Parabéns João. O que dizes vem na linha do que há pouco escrevi no "cidadão". Perante uma adversidade tão intensa que a Organização teve de enfrentar a menos de 24 horas da Prova, seria desumano exigir-se mais do que aquilo que fez. Cumpriu-se a Corrida em segurança. Os pequenos quês que têm sido apontados, não passam de pevides, face ao gigantesco trabalho que foi feito e que testemunhámos.É claro que não deixa de haver os "críticos" que até embirram com o sabor do gelado. Gostei do teu texto, João.Grande abraço.

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    1. Muito obrigado Fernando!
      Muita gente deveria fazer parte duma organização para se aperceber dos seus quês...

      Grande abraço

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  11. Grande João. Quando passei pela Isa e pelo Vítor e me disseram que ias uns 100 metros mais à frente percebi que a prova te estava a correr bem e gostei de te ver depois embora não tenha dado para mais que uma curta troca de palavras. Também reconheci o Mike mais à frente. Foi uma boa dupla de amigos a cruzar a meta.

    Em relação à organização acho que falhou mesmo a questão da partida. Não podendo haver um pórtico por causa do vento ela deveria estar marcada de forma mais visível nem que fosse, sei lá, com elementos da organização a sinalizar. É claro que isto é uma gota de água (ou de granizo) neste plano B que nunca havia sido testado, mas fica a nota na mesma.

    Forte abraço e que a pulseira te inspire!

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    1. Muito obrigado e parabéns pela tua prova. Naquelas condições, a tua marca é muito boa! :)

      Um abraço e força para as próximas

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  12. Grande amigo João, foi um prazer ter a tua companhia nesta prova.
    Apareceste na hora certa para me levantares a moral pois aquele maldito vento estava a "apagar" a minha vontade.
    Como não atravessei a ponte e a Teresinha não pôde correr, talvez estejemos aí para o próximo ano.
    Grande abraço
    MIKE
    Happyrun

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    1. O prazer foi meu! E também apareceste na hora certa! :)
      Para o ano repetimos a dose :)

      Grande abraço e um beijinho à Teresinha

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  13. Excelente prova João !
    Calculo que a prova tenha sido de extrema dureza porque no dia anterior fui correr para Algés/Belém e o retorno, a partir da ponte, foi dificílimo. E Sábado havia menos vento do que no Domingo !
    Enfim, foi a primeira vez que as condições obrigaram a esta mudança e esperemos que não exista outro contratempo destes nos próximos 25 anos. Grande parte do aliciente desta prova é, precisamente, a ponte. Foi pena.
    Abraço
    Ricardo_A

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    1. Muito obrigado Ricardo! Também acho que foi muito boa, em especial pelas circunstâncias :)

      Um abraço

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