domingo, 25 de novembro de 2018

Valência: Venga la décima!

A espectacular meta sobre a água

E estou a uma semana de Valência a escrever o último artigo antes do grande dia que há tanto anseio!

Preparado? Nah... Nunca julgo estar devidamente preparado para uma extensão daquelas.
Há sempre receios e muitas dúvidas. Neste caso ampliados pelo tempo de espera. Mal corto a meta numa Maratona, começo logo a pensar na seguinte e neste caso a espera foi bastante maior pois vem desde Novembro do ano passado. Na próxima, será mais fácil pois serão apenas 2 meses e meio até Sevilha. O que não vai obstar a que nas vésperas esteja daquela forma que os cientistas definem na sua linguagem muito técnica de "cagadinho". 

Para somar aos habituais receios, há nesta a preocupação do tornozelo e do tempo limite. O tornozelo tem dado um sinalzinho mas não parece ser nada de preocupante. A dúvida é como se comportará numa extensão tão longa. Em relação ao tempo limite, a dúvida prende-se caso tenha que gerir por algum problema (são 5.30 em vez das habituais 6 horas). 

Os últimos treinos têm decorrido dentro da normalidade habitual em véspera de Maratona. A achar que já não estou em boa forma, a achar que perdi a resistência, a achar que perdi a força muscular. Mas se acho isso tudo, também tenho a certeza que em todas as anteriores tive esses "achos" e afinal não passavam de "macaquinhos no sótão" e cortei a meta. Desta vez não será diferente. 

Cada Maratona é única e especial e esta tem um aliciante bónus, se cortar a meta. Será a minha décima!
(abro aqui um parênteses sobre dizer se cortar. Sei que não gostam que diga isso mas sabemos sempre como começa mas nunca sabemos como acaba e o que poderá suceder e eu nunca gostei de contar com o que não está ainda feito, o chamado preto no branco. E se isso se encaixa em qualquer corrida, numa Maratona muito mais. Além de que sendo a Maratona a rainha das corridas, uma rainha deve ser o mais respeitada possível!)

Ora ser a décima é tão mais surpreendente se recordar o meu percurso. Quando comecei em 2006, tinha a certeza que nunca faria uma Meia pois não via como conseguiria passar os 10 que já eram uma dificuldade extrema na altura. Em 2007 estreei-me em Meia e ao ler um livro do Dean Karnazes, comecei a sonhar um dia fazer uma Maratona. Um dia... E apenas uma.
Sucedeu em 2012 e tinha a certeza que seria a única. Não imaginava que quando cortamos a meta na primeira Maratona, há um bichinho invisível que nos pica e contagia para todo o sempre!
Em 2014 recordo que escrevi aqui um artigo a dizer que iria cortar a meta no Porto a fazer o 3 com os dedos, como cortei, pois para mim era já um número incrível. 
O que poderei agora dizer se conseguir a décima?

E não me fico por aqui... Em 2019 já estou inscrito na de Sevilha e estou a aguardar a abertura das inscrições para inscrever no Porto.
2019 fica assim completo em termos de Maratonas? Talvez não... 
Sempre disse que não passaria de duas por ano mas também sabemos que não há regra sem excepção. 2019 poderá ter 3 (acaba por compensar 2018 com apenas uma).
É que na 6ª feira fui surpreendido com uma notícia que a Global Sport publicou no seu "livro da cara" (vulgo Facebook) sobre uma Maratona que vai organizar em Abril.
Para os mais distraídos, a Global Sport é a organizadora do circuito de Meia-Maratonas de patrimónios mundiais (Douro Vinhateiro, Évora, Coimbra, Guimarães e Dão). 

Segundo publicou, será a Maratona da Europa e na 5ª feira às 17 horas anunciaram onde. 
Resta saber, mais do que o local, o percurso. Se for do meu agrado, gostaria muito de estar na primeira edição.
Mas... há (ou havia) um problema. Diziam Abril mas se fosse no início, era demasiado perto de Sevilha, portanto não daria. Logo pensei que se se realizasse a 28 de Abril, a distância temporal era a mesma que entre Valência e Sevilha e aí já seria possível.
Ora ontem colocaram a data e é a... 28 de Abril!
Vou aguardar pelo percurso para tomar a decisão.

É assim, ainda não sei como cortarei a meta em Valência e já estou inscrito para Sevilha, em vias de inscrever para o Porto e a equacionar essa em Abril...
O bichinho mordeu forte ou não?!?

E pronto, resta-me agradecer o vosso apoio, que é muito importante. Levo-vos todos no coração.

Não se admirem mas o artigo de Valência só irá aparecer a 10 ou 11. Mas no dia publicarei no Facebook o que sucedeu (para meu Facebook clicar aqui). 

Até à próxima, fiquem bem! (ai ca nervos... bons!)

sábado, 17 de novembro de 2018

Último longo (após semana de susto)

Faltando duas semanas para o que, espero, seja o grande dia, hoje fiz o último longo, agora já em versão mais curta, 20 quilómetros.

E o que me deu este treino? Um enorme alívio após uma semana de susto!

2ª feira foi dia de folga, após a excelente Meia da Nazaré, e na 3ª feira fui para o meu treino de recuperação que acabou por ficar reduzido a apenas 3 quilómetros. Apareceu uma dor na zona do tornozelo do pé esquerdo (o mesmo que torci em Junho) que não sendo impeditiva de continuar, obrigou-me a parar por uma questão de salvaguarda pois nesta altura estou de tolerância 0 com o risco.

Não sei se teve alguma influência mas recordo que nas primeiras passadas na Meia da Nazaré senti os pés, em especial o esquerdo, gelados pela forte e fria chuvada que se abateu um quarto de hora antes da partida e que apenas acalmou menos de 5 minutos antes, impedindo um reaquecimento.
Naturalmente que o pé foi deixando de estar gelado e durante a corrida nada senti. No entanto ignoro se acabou por ter alguma influência para o que sucedeu.

O que é certo é que na 3ª ainda associei a talvez alguma fadiga pela prova e só quando me aconteceu o mesmo no treino de 4ª, onde parei com apenas 1 quilómetro, é que comecei a panicar a sério, com receio de estar tudo estragado a tão pouco tempo da prova.

Intensifiquei as massagens e pomadas e na 5ª não treinei, apesar de já não sentir dor ali.
Como tinha planeado 20 para hoje, ontem decidi fazer um teste de 2 quilómetros para avaliar a possibilidade de manter o treino e o que é certo é que fiz sem problemas esse par de quilómetros, decidindo assim ir tentar os 20, com a condição de se sentisse a mínima dorzinha, parar de imediato.

Para ajudar à festa, na 5ª notei que o regulamento de Valência coloca como tempo limite 5 horas e meia e não as 6 que estou habituado. É certo que nunca fiz mais que 5.25, mas pensando na hipótese de ir com problemas no pé e ter que fazer uma prova condicionada, gerindo a coisa para chegar ao fim, esse limite passava a ser um stress. 

Estava muito tenso antes do treino de hoje, receando que a dor reaparecesse, estando tão em cima da hora da Maratona. Felizmente que neste ia ter companhia. A Tânia ia treinar 25 e combinámos que esperava por ela no Inatel onde passaria com 5, fazendo assim com ela os seus últimos 20. E o quanto lhe agradeço a companhia pois, em especial no início, hoje seria complicado sozinho. 

No primeiro par de quilómetros ia demasiado tenso, a Tânia até pensava que estava com dores por ir calado, mas como nada sentia no pé, fui relaxando, aproveitando o prazer de corrida e comecei a falar para não mais me calar, sinal que ia bem.

Iríamos até Algés e regressávamos mas como estava muito vento contra no Passeio Caxias-Cruz Quebrada, optámos por dirigir para o Jamor, o que se revelou uma boa opção pois ali estava calmo, em claro contraste junto ao mar, para depois retornarmos. 

Terminei aliviado, apesar de só amanhã ter a garantia de tudo estar bem se continuar assim, e espero que tenha sido apenas o habitual susto que aparece nas vésperas dum grande evento. E este assustou mesmo!

Espero que para a semana esteja aqui a fazer o último artigo antes da que desejo seja a minha décima Maratona concluída. Mal posso esperar! :)

Resta-me renovar o meu agradecimento à Tânia, além de lhe dar os parabéns pelo seu treino, que só revela estar no muito bom caminho para a sua estreia em Sevilha!

Uma boa semana a todos!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Na Nazaré, a minha 60ª Meia foi a 2ª melhor

Paulo, Raúl, Tânia, eu, Vitor e Isa. "6 alegres sevilhanos" (sim, vamos todos estar presentes na Maratona de Sevilha a 17 de Fevereiro)

Fui pela 8ª vez à Nazaré para participar na Mãe das Meias e das Corridas Abertas a Todos em Portugal, após dois anos de ausência que se deveu a ter efectuado a Maratona do Porto na semana anterior, tanto em 2016 como 2017.

A tradição já não é o que era e o verão de São Martinho foi invernoso. Choveu toda a prova, mais forte na 1ª metade, mais fraco na 2ª, com especial realce a uma carga brutal um quarto de hora antes da partida, obrigando o pessoal a inventar abrigos (o meu, Isa e Vitor foi debaixo duma varanda) e passámos de aquecidos para gelados. Apenas abrandou para chuva normal a menos de 5 minutos do tiro de partida, não tendo dado para reaquecer. 

Hoje era o dia de dar tudo para, a partir deste momento, entrar em modo acalmia pois faltam escassas 3 semanas para a Maratona de Valência.

Para quem quando começou a correr achava que nunca iria fazer uma Meia-Maratona (na altura 10 km eram por mim vistos como o máximo dos máximos), hoje cumpri a minha Meia-Maratona número 60.

Para comemorar a dupla efeméride (último dia para puxar e 60 Meias), tinha colocado um objectivo ambicioso na cabeça. Tentar alcançar a 3ª melhor marca da minha carreira.

Para tal, teria que fazer menos de 1.56.17, de preferência entrando no minuto 55. As duas melhores marcas estavam completamente fora de questão por serem de 1.51.26 e 1.52.38, o que neste momento julgava não ser possível. Minuto 55 já era fantástico, até atendendo ao facto dessas duas marcas terem sido realizadas nos Descobrimentos com um percurso o mais favorável possível, enquanto este tem algumas poucas dificuldades.

Apesar de frio e os músculos pro-gelados, arranquei com um ritmo bastante bom mas conseguindo manter a respiração controlada. Tudo bem!

Não se percebe bem na foto mas chovia muito nesta altura (4º Km) - Foto ADAL
Durante o 2º quilómetro temos a primeira subida que aguentei não alterando significativamente a respiração, o que eram óptimos indícios.
Após a volta inicial de 5 quilómetros à vila, saída na direcção de Famalicão com a pronunciada subida para o viaduto (algo que não existia nas duas primeiras edições que participei) e tudo a continuar sobre rodas. 

Mais ou menos a meio, continuando a sentir-me bem e constatando que a 3ª marca estaria perfeitamente ao alcance, passei a visar o minuto 54.

Foto A Natureza Ensina
No local do retorno estava muito frio, e molhado como estava, senti-me gelado durante umas duas centenas de metros para depois tudo voltar à temperatura normal de esforço.

A média continuava ligeiramente a melhorar e comecei a sonhar com o minuto 53, o que seria brutal (adoro estas corridas em que o objectivo vai melhorando de x em x tempo!).

A única dificuldade na 2ª metade é a subida para o viaduto, menos pronunciada deste lado mas já com 17 quilómetros nas pernas, mas também decorreu da melhor forma. Por outras palavras, a respiração continuava muito bem controlada e as pernas respondiam muito bem.

Aos 18 comecei a fazer contas e a constatar que poderia não ficar longe do minuto 52... E isso parecia-me já estar a sonhar acordado. Continuei focado mas aos 19 tive a certeza. Se conseguir puxar agora mais um bocadinho, entro no 52.

E o que aconteceu quando pensei no minuto 52? Passar a visar baixar do 1.52.38 e assim marcar a 2ª melhor marca, algo completamente fora do radar antes e no início da prova.

Dei tudo o que tinha na que considero a parte mais difícil da prova, por questões psicológicas, que é percorrer a longa recta da marginal (é sabido que não me dou muito bem com longas rectas). Mas a cenoura da 2ª marca estava aí e foi com grande alegria e orgulho que cortei a meta em... 1.52.11!!!

Segunda melhor marca em 60 Meias e apenas a 45 segundos do record, num dia complicado em termos de piso, temperatura corporal e percurso, colocando aqui o percurso como comparação com os Descobrimentos.

Confesso que ainda há dias pensei na 1.51.26 e considerei que seria uma marca que já não chegaria lá mais. Neste momento penso que se estivesse como hoje, num percurso como os Descobrimentos e sem estar assim encharcado, se calhar...

Tudo isto prova uma vez mais que o treino faz muito bem. Em Outubro dei muita carga (relembro que nunca corri tantos dias e tantos quilómetros como nesse mês), e agora estou a colher os dividendos. 

E agora? Agora acabou! Acabou a forte carga e acabou puxar muito. A partir deste momento vou entrar em acalmia. 
No sábado ainda farei 20 quilómetros mas mais calmos e durante a semana, treinos de manutenção.

O grande dia, o grande objectivo de cortar a meta em Valência, aproxima-se a olhos vistos...

Resta-me agradecer à Isa e Vitor a companhia e boleia na viagem, e à Tânia, Raúl e Paulo a generosidade de nos terem facilitado o duche bem quentinho onde estavam hospedados e a companhia enquanto estivemos na bela vila da Nazaré.

Uma boa semana a todos!

Nota - Clicar aqui para ver a relação das minhas 60 Meias.



quarta-feira, 7 de novembro de 2018

O dorsal de Valência!



É bonito, não é? Ainda não é físico mas a organização enviou a imagem dos dorsais por mail.

Normalmente, quando inicio o período de acalmia 3 semanas antes, começo a estar daquela maneira que costumo estar quando não sei como estou, o que nesta daria a seguir à Meia da Nazaré no próximo domingo. Mas com o ambiente que vivi no Porto, já estou a ficar assim nesse estado normal de quem está para fazer a mítica distância.
Faltam 25 dias... que tanto vão voar como demorar a passar!

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Na Family Race e na conferência da Maratona do Porto


Com o Orlando, preparado para a sua 20ª Maratona!

Foi um fim-de-semana especial. Este ano, e ao contrário do que tem sucedido, não participei na Maratona do Porto pois passadas 4 semanas tenho Valência. No entanto, há uns meses atrás recebi um convite da organização para participar numa conferência na véspera da Maratona. Como iria então ao Porto, optei por participar na Family Race de 15 quilómetros.

O local da conferência com respectivo programa
Andar por aquela feira no sábado foi uma experiência diferente das anteriores pela ausência do típico nervosismo de quem no dia seguinte tem uma Maratona, o que não me sucedia este ano. No entanto, o ambiente e a expectativa que fervilha numa altura destas, tocaram-me, muito em especial na altura da partida como adiante relatarei.

A conferência em que participei, deu-se às 15.30 e a minha apresentação foi sobre "A evolução da Maratona em Portugal", tendo ao meu lado um reputado maratonista brasileiro, Adriano Bastos e o treinador Mário Sérgio que falaram como vai o mundo da Maratona no Brasil.

A fazer a minha apresentação que era mostrada nos ecrãs em cada lado
Sinto que a apresentação correu bem, e o feedback que me deram vai no mesmo sentido. Torna-se fácil falar sobre um tema que dominamos e que nos é tão caro e especial. Não disse foi tudo o que tinha planeado pois quando realizei o primeiro ensaio em casa deu 37 minutos e tinha 20 para falar. Naturalmente tive que cortar alguns episódios/histórias mas o essencial foi focado.

Primeira página da apresentação

Inicialmente enquadrei como nasceu a Maratona e onde foi buscar a sua génese. Passei para Portugal ao longo dos anos, desde o muito longo período que era mal vista pelo fatalismo do episódio Francisco Lázaro, até entrar no coração dos portugueses pelas brilhantes conquistas, até ao momento actual onde o atleta de pelotão perdeu, e muito bem, o medo à distância.

Mário Sérgio, Tiago Teixeira, eu e Adriano Bastos
No final fiquei muito sensibilizado com o Tiago Teixeira, responsável pela Maratona, que me disse que o convite foi uma forma de reconhecimento pelo trabalho que voluntariamente tenho efectuado com o histórico de resultados.
Foi um momento que me tocou.


Domingo amanheceu cumprindo as previsões que vinham há vários dias. Ia ser uma manhã de chuva. Primeiro uns 40 minutos antes da partida, em forma de aquecimento ao contrário, e depois desde a partida até final. No caso da Family Race tivemos a sorte de não apanhar vento, o que já não sucedeu na Maratona a partir de cerca das duas horas.

Mas antes, tempo para o pequeno almoço no hotel oficial da Maratona e apreciar o que os quenianos comiam. E a maior parte pegava em 4 fatias de pão, besuntava com geleia de forma muito cuidada para preencher cada bocado, sem ficar um milímetro sem geleia. Depois de bem preenchida com geleia, viravam e faziam o mesmo do outro lado. Primordialmente, do que vi, foi muito pão com muita geleia e fruta. 

Ambiente típico de Maratona no Queimódromo e, apesar de não ir correr os 42 km, também mexeu comigo. E mexeu pelas recordações das que já fiz e que perduram e perdurarão sempre como algo de muito intenso e inesquecível, e também por saber que tantos estavam a passar pelo mesmo, uns quantos meus conhecidos, em especial quem se ia estrear. Conhecia uma estreante,a Lígia, que tive a sorte de encontrar uma meia-hora antes. Estava receosa, como todos estão sempre, seja a primeira ou a décima.

Fui para a partida e a contagem dos minutos que faltavam anunciada pelo locutor, também estava a mexer muito comigo. Impossível ficar indiferente ao ambiente que nos rodeia. Só pensava nos amigos que estavam lá à frente e encontravam-se a escassos minutos de realizarem a mítica distância. Pensava neles com muita força, como se fosse possível libertar essa energia positiva que os fosse ajudar.

Deu-se a partida, a chuva também arrancou para não mais parar, e fui para uma prova de ataque. Nunca ultrapassei tantos atletas numa corrida como nos primeiros 12 km desta prova (a separação 42/15 dava-se aos 12). E a explicação é simples. Parte a Maratona, e a Family Race atrás. Ora vamos para apenas 15, enquanto quem temos à frente têm 42 para gerir.

Cerca dos 11
Em todas as inúmeras ultrapassagens tinha apenas uma preocupação em mente. Apenas passar com espaço e de modo a não atrapalhar ninguém que fosse para 42. Daí até aos 12 ter havido muita variação de ritmo entre o dar tudo e o retrair.
Fui entretido a apanhar balões (marcadores de ritmos). Primeiro foi dos 4.45, depois ultrapassei o dos 4.30, 4.15 e já não tive tempo para os 4.00 pois quando estava quase a apanhar, foi a separação. 

E assim fui todo o tempo até cortar a meta em 1.23.31 e uma classificação claramente na primeira metade (1.073 entre 2.769). Foi a melhor marca do ano na distância, a 6.51 do record absoluto.

A 100 metros da meta com a Anémona em fundo
Acabei foi enregelado e, apesar de ter dorsal vip, nem deu para ir à tenda respectiva pois quis dirigir-me logo ao hotel para tomar um banho quentinho. E nestas alturas, um duche quente o bem que sabe!
A partir daí, foi afligir-me ao ver as condições meteorológicas a agravarem, sempre a pensar em quem estava a esforçar-se tanto e desta vez sem a ajuda do S.Pedro.

A aplicação da Maratona do Porto é excelente e consegui acompanhar metro a metro a evolução de todos os meus amigos que, diga-se de passagem, terminaram todos e muito bem!

O representante dos 4 ao Km, o Orlando, conquistou a sua 20ª meta em Maratona. Tal como a sua 1ª, sempre debaixo de chuva.

Muitos parabéns a todos os que concluíram a Maratona! E um abraço muito especial a quem fui falando nos últimos dias. Sabem bem quem são e compreenderão que destaque apenas um nome por ter sido a primeira. Muitos parabéns Lígia! Foste brilhante! 
Foram todos brilhantes, do 1º ao 4.655º. Cada um com a sua história, cada um com a sua superação.

Seja do lado de dentro ou de fora, uma Maratona mexe muito connosco! 

Para o ano, aqui voltarei a esta Maratona, a minha 4ª do Porto (e se tudo correr bem em Valência e Sevilha, a minha 12ª no total). Esta Maratona é um marco no nosso panorama, com uma organização de alto nível, aliando tudo o que os atletas gostam.

E faltam 27 dias para Valência...

Para a semana, última prova antes do dia M. A Meia-Maratona da Nazaré, o meu regresso à mãe das corridas abertas a todos e das Meias em Portugal.
Será o último dia para lhe dar forte. Depois, começar a acalmar. Acalmar em termos de carga, sentido inverso no resto :)


O largo pelotão

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Outubro, um mês com 28 dias


Não, não estou a fazer confusão com os 28 dias de Fevereiro. Este mês de Outubro teve 28 dias... de corrida.

Efectivamente, esta foi a altura escolhida para colocar o máximo de carga tendo em vista a Maratona de Valência a 2 de Dezembro.

Passei das 5 corridas semanais para correr praticamente todos os dias, sempre com o balanço de um treino forte, um de recuperação.

O máximo que tinha corrido num mês era, por diversas vezes, 22 dias, valor largamente ultrapassado. Bem como a distância mensal que vinha desde Agosto de 2017 com 256,121 km e agora contabilizei 271,248
Também, como já referido em anterior artigo, o maior número de dias consecutivos a correr passou de 7 para 11 (1 a 11 de Outubro e com a Meia de Leiria de permeio).

Não se acredite que fiz isto para bater esses máximos. A intenção foi apenas uma, ganhar o máximo de quilometragem para em Valência lutar pelo objectivo de cortar, pela décima vez, uma meta em Maratona.

Em Novembro começa uma ligeira acalmia, que vai dilatando a partir da Meia-Maratona da Nazaré, altura que ficam a faltar 3 semanas.

Estes 28 dias foram bem planeados, para não criar excessos, como se comprovam os resultados que tenho obtido. O que notei foi andar com maior necessidade de dormir mais.

Esperemos que até Valência tudo corra bem e nada venha estragar o momento.

Para todos que vão disputar no domingo a Maratona do Porto, os meus desejos duma óptima Maratona e que sejam muito felizes!

domingo, 28 de outubro de 2018

Os meus melhores 20 Km de Almeirim

Os 4 ao Km presentes na corrida (Aurélio, eu, Vitor e Isa) a ladearem a colega Sofia que foi dar o seu apoio

E agora com o companheiro de viagem  Manuel Sequeira

Final de Outubro é altura dos clássicos "20 Quilómetros de Almeirim", prova emblemática pelo seu historial, organização, ambiente e convívio final à volta duma sempre deliciosa sopa da pedra.

Foi a minha 6ª presença e não podia ter sido melhor.

Ao contrário do calor do ano passado, este ano tivemos direito a frio, apesar dum lindo dia de sol, oferta das correntes de massa fria oriundas da Islândia que, ao ouviram que Portugal está na moda em termos de turismo, também quiseram ter o direito de se deslocarem a este cantinho da Europa. 

O frio até ajuda na corrida. O problema foi o vento, em especial aqueles 5 quilómetros entre Almeirim e Santarém com rajadas bem fortes e de frente! Mas já lá vamos.
Curiosamente ao chegarmos muito cedo, numa viagem com a sempre agradável companhia do Aurélio e Sequeira, regozijámos com a ausência de vento, pois a essa hora as árvores não mexiam o que quer que fosse. Mas foi acalmia de muito pouca dura.

Pouco depois chegaram a Isa e Vitor, a que se seguiu a visita da Sofia que nos foi apoiar na fase inicial.

Quais eram os meus objectivos para esta prova? Duas opções, dependia do primeiro quilómetro e suas sensações. Por um lado, queria fazer uma prova mais de ataque e melhorar o meu melhor tempo nesta corrida e que estava em 1.59.36. Como comparação, o meu record aos 20 foi alcançado na passagem aos 20 na Meia-Maratona dos Descobrimentos 2017 com 1.45.48 (sim, segundo as regras da IAAF, os tempos de passagem são considerados records caso exista tomada de tempos). Mas como sabemos, isso foi na melhor altura de forma de sempre. Nesses dois anos super, em 2016 não participei em Almeirim e em 2017 fiz a ritmo calmo por ser uma semana antes do Porto.

Ora bater os 1.59.36 estavam perfeitamente ao meu alcance neste momento mas a minha dúvida era como reagiria a tanto treino, em que termos o desgaste iria influenciar. 
Como se sabe, a minha prioridade é a Maratona de Valência a 2 de Dezembro e toda a minha preparação é feita para conseguir cortar essa meta. Daí que o mês de Outubro esteja a ser o mês de toda a carga. Basta dizer que nestes 28 dias corri em 25. 

Daí a outra opção. Se visse no quilómetro inicial que estava desgastado para conseguir uma marca melhor, e não querendo estragar nada, iria efectuar uma prova calma.

Deu-se a partida e fui no primeiro quilómetro a analisar-me. Há dias que basta o início para aperceber-me como irá ser o resto da prova. Hoje foi um deles. Ao fim dos primeiros mil metros já sabia que poderia atacar que a coisa iria correr bem.

Assim, ao fim de mil metros, estava a "meter uma abaixo" e a impor um bom ritmo. Logo decidi que não bastava baixar das tais 1.59.36, queria baixar da 1.55

No final da volta inicial (cerca de 4,5 Km)
A dúvida prendia-se como estaria o vento na quase recta de 5 quilómetros entre Almeirim e Santarém. Estaria contra num sentido ou então de lado o que prejudicaria ambos? Mal entrei na tal recta, já com 7 quilómetros corridos, constatei que era nesse sentido. E foi o único momento de dúvida. Em quanto iria prejudicar o ritmo?

Fui andando e quando controlava o relógio apercebia-me que a média mantinha-se igual, o que era muito bom. E assim foi, inclusive na Ponte D.Luís (este ano com um Tejo não tão estreito como no ano passado) pois esses mil metros foram os piores. O chapéu teve que ir na mão, caso contrário voava. Aí bateu mesmo com muita força!

Fiz o retorno e ao constatar que não tinha perdido sequer um segundo na média durante os 5 contra o vento, agora daria para aumentar mais a passada e melhorar essa média, passando a visar o minuto 53 e já não o 54.

Estranhamente, e com quem comentei referiu o mesmo, em sentido contrário não se sentiu o vento a favorecer... 

Perto de acabar a recta no regresso, novas contas e com a média que o relógio mostrava, passei a visar o minuto 52. O que durou até reentrar em Almeirim e decidir ir para o 51, o que seria ainda melhor pois dava melhor média que na Meia de Leiria muito bem efectuada 3 semanas antes.

Quase a reentrar em Almeirim (cerca de 17 Km)
As sensações continuavam óptimas, o ritmo cardíaco muito bem controlado, nada de qualquer sinal de quebra, e já a chegar à placa indicativa de 19 km, entrando assim para o derradeiro, pensei que o bonito era chegar aos 50. 

E foi com essa ambição que dei tudo nesse final, sendo recompensado na meta com 1.50.20, dizimando o meu melhor Almeirim por 9 minutos e 16 segundos.

No entanto, se na placa dos 19 sonhei com o minuto 50, ao ver no final 1.50.20, o que pensei foi "bem poderia ter tirado 21 segundos que entraria na casa dos quarentas..." Vá-se lá satisfazer esta gente!

Fiquei a 4.32 do meu record efectuado, repito, numa altura louca, o que me deixou muito feliz e surpreendido pois não acreditava ser possível nesta altura chegar a esta marca de 1.50.20. Sendo que se fosse Meia daria 1.56, menos 2 minutos que Leiria e acabando mais fresco.

Esta semana há mais trabalho profundo a efectuar em treinos, sempre com a mira em Valência, cidade que hoje viu ser batido o record mundial da Meia-Maratona, destronando o anterior registado em Lisboa 2010 (58.18, tendo Abraham Kiptum retirado 5 segundos à marca de Zerzenay Tadese).

No próximo fim-de-semana irei estar no Porto, participando na Family Race (15 Km) integrada na Maratona do Porto, já que fui convidado para participar numa palestra no sábado sobre a evolução da Maratona em Portugal.

Uma boa semana a todos (com feriado de permeio)




O bonito troféu oferecido a todos os participantes

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Calendário 2019


Desde sábado que o calendário 2019 está on-line, estando a ser actualizado diariamente com datas para o ano que se aproxima.

Como sempre, apenas tem datas que já foram anunciadas pelas respectivas organizações, não colocando datas apenas por serem habituais sem haver confirmação, para não induzir em eventual erro. 

O calendário pode ser visto aqui

Espero que possa ser útil com muitas e boas corridas.

Este e os anos anteriores desde 2015, podem ser vistos aqui (caso não apareça como na imagem em baixo, fazer F5 para refrescar a página)


sábado, 20 de outubro de 2018

Os 30 de hoje (com 2 metades iguais!)

O plano dizia que hoje tinha 30 quilómetros para correr. E quando o plano diz, há que cumprir! Foi o que fiz mas antes estava um pouco receoso pois ia entrar numa nova situação. É que dediquei este mês a colocar carga, muita carga. Basta dizer que em 20 dias que Outubro já leva, corri em 18. Aliás, nunca tinha corrido mais do que 7 dias seguidos e entre 1 e 11 de Outubro estive 11 dias a correr todos os dias (e com a Meia de Leiria de permeio e em grande). A propósito dos 11 dias consecutivos, ler a nota final deste artigo (é brutal!)

Assim o meu receio era se o natural desgaste não iria afectar o treino de hoje. Para ajudar à festa, aqueles problemas gástricos que têm andado um pouco afastados, decidiram presentear-me com a sua presença. No entanto, e felizmente, ambas as situações acabaram por não me prejudicar pois o treino correu muito bem!

Adoptei um ritmo muito certinho, confortável e fui vendo os quilómetros a passarem. Não tive quebras e acabei dentro do relativamente bem para quem fez 3 dezenas de mil metros. Claro que a interrogar-me como faria mais 12 em cima desses 30, mas das outras 9 Maratonas que completei, também tinha sempre essa dúvida e terminei-as!

O início foi mais tarde do que os anteriores, fruto de estar menos calor, tendo arrancado às 7.50 do Inatel de Oeiras rumo a S.Pedro do Estoril onde dei a volta e fui até Algés, nova volta e regressei ao Inatel de Oeiras. 

Gosto sempre de ver a relação entre as duas metades e fiquei surpreendido com um facto que julgo ser inédito nos meus longos. Registei um total de 3.16.38, sendo que a 1ª metade cumpri em 1.38.19 e a 2ª em... 1.38.19!!! Certinho ao segundo!!! E não fiz nada para isso. Aliás, se tivesse tentado, o mais certo seria falhar por algum segundo.

Para a semana, dia de correr os clássicos 20 quilómetros de Almeirim.

E agora a prometida nota final que referi no início. 
Fiquei orgulhoso de ter corrido 11 dias seguidos. Mas no exacto dia que descansei, 12, ao ler a Distance Running que nos foi ofertada no saco da Meia da Vasco da Gama, deparei-me com um artigo sobre Ron Hill, atleta que foi o 2º a baixar da barreira das 2.10 em Maratona. Foi detentor dos records de 10 e 15 milhas e dos 25 quilómetros.   

Ora nesse artigo, além dos dados já expostos, li uma coisa que me deixou completamente embasbacado! 
Que se saiba, Ron Hill é o detentor da maior sequência de dias seguidos a correr sem faltar um único dia. Essa sequência iniciou-se a 20 de Dezembro de 1964 e apenas falhou um treino a 30 de Janeiro de... 2017!!!! 52 anos 1 mês e 9 dias a correr todos os dias!!!
Revela 3 coisas. Uma resistência brutal, uma saúde de ferro e uma inacreditável imunidade a lesões, que é ainda a mais espantosa.
Nesse 30 de Janeiro de 2017, no seu facebook apareceu a mensagem "em virtude de estar um pouco adoentado, hoje vou tirar um dia de folga!"
Ron tem neste momento 80 anos e a sua sequência durou dos 26 aos 78 anos. 

Seguem-se duas fotos suas. Uma no seu tempo de profissional e outra recente. E não consigo deixar de ficar embasbacado! :)



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Actualização dos máximos em Maratonas disputadas em Portugal (nunca se correu tão rápido!)


A Maratona de Lisboa, Rock'n'Roll nas 5 primeiras edições e EDP Maratona de Lisboa nesta 6ª, ficou para a história como a mais rápida Maratona que alguém já fez em solo nacional.

Desde 2014, 2ª edição desta mesma Maratona, que esse feito estava reservado no nome do queniano Samuel Ndungu que registou 2.08.21
No domingo, o etíope Limenih Getachew despachou os 42.195 metros entre Cascais, Guincho e Lisboa em 2.07.34, numa prova cuja realização esteve em risco devido à passagem do furacão Leslie que acabou por não atingir esta zona. Melhor sorte não tiveram outras zonas do centro do país.

Assim, a tabela de relação de records nas Maratonas nacionais, fica assim escalonada:

Classificados
4.736
Porto 2016
Masculinos
4.098
Porto 2016
Femininos
969
Lisboa 2017
Portugueses
3.308
Porto 2016
Estrangeiros
2.960
Lisboa 2017
Países
68
Lisboa 2016
Marca Masculina
2.07.34
Lisboa 2018
Marca Feminina
2.24.13
Lisboa 2016

A marca feminina ficou a menos dum minuto de também ser batida (43 segundos) mas aguentou-se, quem sabe se até ao Porto.
De registar que todos estes records foram obtidos desde 2016, o que denota bem a evolução que a mítica distância tem tido no nosso país.

Como prova, recordo aqui como tem sido a evolução do record nacional de participação:

Data
Maratona
Classificados
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865
2014-11-02
Porto
4.040
2015-11-08
Porto
4.406
2016-11-06
Porto
4.736

Salta à vista o grande incremento nos últimos 10 anos, onde o milhar ainda era uma miragem. 
De referir que o record de 22 classificados alcançado em 1911 só foi batido, passando para 23, em 1978, 67 anos depois!

E como o record que foi alcançado, foi o da melhor marca em solo nacional, segue aqui a sua evolução desde o início desta apaixonante e viciante distância:


Data
Maratona
Nome
Marca
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.57.35
1912-06-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.52.08
1936-07-05
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.37.20
1937-03-28
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.30.38
1954-04-11
Campeonato Nacional (Lisboa)
José Araújo
2.21.00
1971-04-04
Campeonato Nacional (Lisboa)
Armando Aldegalega
2.20.42
1976-03-14
Campeonato Nacional (Faro)
Anacleto Pinto
2.14.36
1987-11-08
Xistarca (Lisboa)
Gualdino Viegas
2.13.59
1992-10-18
Xistarca (Lisboa)
Jacob Ngundu
2.13.34
1993-11-28
Xistarca (Lisboa)
Said Ermili
2.12.29
1994-11-27
Xistarca (Lisboa)
Zbigniew Nadolski
2.11.57
2006-10-15
Porto
Lawrence Saina
2.09.52
2009-11-06
Porto
Philemon Baaru
2.09.51
2013-10-06
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Paul Lonyangata
2.09.46
2014-10-05
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Samuel Ndungu
2.08.21
2018-10-14
EDP Cascais-Lisboa
Limenih Getachew
2.07.34

Aguardemos o que a Maratona do Porto, a realizar a 4 de Novembro, nos trará.