domingo, 16 de julho de 2017

Mais um sonho alcançado! 30 abaixo de 3 (e por mais de 5 minutos e melhor marca dizimada por mais de 9!)

No final do treino. Adivinhem se estou feliz...

Decorria o ano de 1976, era um adolescente com 16 primaveras, quando começou a febre do "Amor é...". 
Era uma colecção de cromos em que figuravam sempre as mesmas figuras, uma rapariga e um rapaz, e em cada um com uma frase diferente.
As jovens, e não só, coleccionavam com afinco e os rapazes aproveitavam para aprender umas dicas ou frases a utilizar.

Um exemplo dessa colecção
Seguiu-se uma onda a aproveitar o impacto desta colecção inicial, com temas ao estilo "amor a (qualquer coisa) é" onde se utilizavam todas e quaisquer variáveis.

Recuando uns 40 anos, indo apanhar essa onda que se esbateu, poderia criar algumas frases subordinadas ao tema "Amor à Maratona é...".
E para começar poderia criar o "Amor à Maratona é...levantar às 4.30 para ir correr 30 km".

Pois foi exactamente isso que fiz hoje. Queria um treino de 30 bem aproveitado e para tal teria que fugir ao calor. Considerando que demoraria cerca de 3 horas e queria acabar o mais tardar às 8.30, implicaria começar às 5.30 e levantar às 4.30

E este treino (já lá vamos à forma fantástica como decorreu) marcou oficialmente o início da minha preparação para a 14ª Maratona do Porto a realizar a 5 de Novembro.

Digo oficialmente mas desde Maio que ando a afinar os motores para carburarem o melhor possível nesse dia.

É a décima vez que estou numa preparação de Maratona para, espero, cortar pela nona vez a meta na mítica distância.

Para alguns, pode ser apenas uma corrida. Para muitos, uma Maratona é mais do que uma corrida. É algo de irracionalmente atractivo e que nos inebria as emoções.
Para alguns, pode ser um sacrifício os 3 a 4 meses de preparação específica. Para muitos, é algo de muito especial a que nos dedicamos de alma e coração. Tudo aquilo que se faz por paixão, nunca é um sacrifício, é um passo mais para uma recompensa que, neste caso, vem em forma de meta.

E é isso, para atletas como eu e tantos outros, que conta numa Maratona. A meta!
Essa é a razão porque nunca quero ouvir falar em marcas, records ou similares nesta distância. Se nas outras, ocasiões há que corro deliberadamente para melhores tempos, nesta toda a preparação e empenho foca-se em fazê-la o melhor possível. 

Naturalmente que o melhor possível poderá provocar patamares de tempos nunca anteriormente registados, como nas duas anteriores, mas isso é, ou poderá ser, uma mera consequência e não um fim.

Falando então do treino de hoje! Tinha estabelecido um plano de aumento de ritmo para facilitar na Maratona. A ideia é, quanto mais rápido correr nos longos, no dia D (ou devo dizer M), adoptando um ritmo mais convencional, aguentarei bastante melhor.

Até agora tenho "morrido" em todas as maratonas, o que me obriga a partir desse momento a utilizar uma táctica de sobrevivência. A última, Sevilha, foi onde "morri" mais tarde, aos 38. Mas o grande objectivo é fazer uma onde só "morra" aos 42.196... Daí esta táctica.

O que tinha nesse referido plano? Ora até Agosto do ano passado, o meu record aos 30 era de 3.14.47 (curiosamente vindo da primeira Maratona!). Em Agosto, num treino, baixei significativamente para 3.09.11. No Porto, em Novembro, 3.08.16 e em Fevereiro em Sevilha, 3.06.03

O plano era em Maio realizar um longo a média de 6.15, o que dava 3.07.30. Curiosamente foi o exacto tempo, ao segundo, que registei! Em Junho a média seria de 6.10 (3.05.00), Julho 6.05 (3.02.30) e Agosto 5.59 (2.59.30).
De assinalar que este em Agosto era a um tempo que se há um ano atrás alguém me dissesse que poderia chegar lá, convictamente diria ser impossível. Agora considerava-o possível, apesar de achar este plano muito ambicioso. Afinal...

Em Junho, em vez dos 3.05.00, marquei 3.03.39, novo record aos 30.

Ora isto fez com que metesse na cabeça que iria antecipar o ataque às sub 3 horas para hoje. 

Preparei-me bem, mentalizei-me melhor e utilizei a melhor das tácticas. Acreditei!

O que nunca acreditei foi o resultado final que alcancei. Baixei das 3 horas por mais de 5 minutos (5.32) e bati o record por mais de 9 (9.11)!
Pois é... o relógio ao chegar aos 30 km mostrava o tempo de 2.54.28!!!! (média de 5.48,9)

Levantei-me, como referi, às 4.30, iniciei o treino às 5.33 (nunca tinha iniciado um tão cedo) aproveitando o facto do sol ainda não ter nascido. E depois de o ter feito, primeiro escondeu-se atrás dos prédios e só por volta dos 21 começou a bater directo e a aquecer aos 26. Tudo perfeito nesse sentido.

O trajecto foi o meu habitual Oeiras-Carcavelos-Algés-Oeiras, sempre sozinho e com apenas uma garrafa de meio litro de água.

Desde o início que me coloquei em média abaixo de 3 e fui progressivamente baixando. Os primeiros 15 em 1.27.42 e os segundos em 1.26.46.
Analisando de 10 em 10, também se nota a progressão: 58.33, 58.13 e 57.42

Mas atenção a não comparar com os 3.06.03 que marquei em Sevilha. Hoje foi um treino onde dei tudo para 30 km. Em Maratona, os 30 são uma mera passagem para se chegar aos 42, tendo que gerir o esforço.

E pronto, é isto. O que posso acrescentar mais? Que me sinto muito, muito feliz e orgulhoso em constatar que todo o trabalho e esforço estão a ser bem recompensados.

E por falar em recompensas, depois duma coisa destas, convém mimar-nos. Ora já comi uma bela duma mousse de chocolate caseira que a Mafalda fez (obviamente sem lactose...) e ao almoço vou ter as Tripas à Moda do Porto.
Depois de ter gasto 2.630 calorias, mereço! 

Para acabar, apenas um "fait-divers". No treino de 2ª feira... esbardalhei-me! 
Num sítio onde já passei n vezes, perto do Tagus Park, há um passeio que tem um alto por uma raíz e nesse alto faz uma covinha. Não sei onde tinha a cabeça, meti o pé nessa covinha e quando dei por mim estava estatelado. Felizmente caí redondo para o lado direito e apenas tive umas pequenas esfoladelas e um osso na anca que ficou a doer um par de dias sempre que tocava nele. Mas não afectava a correr, portanto tudo bem.
E isto é notícia apenas pela raridade. É que em 12 anos de corridas, foi apenas a minha 3ª queda, portanto não me posso queixar! (do mesmo já não digo em relação a coisas piores como um pé partido...)

Desejo a todos uma excelente semana e façam o favor de serem felizes :)

domingo, 9 de julho de 2017

A minha 11ª e melhor Corrida da Lagoa de Santo André. Mas...

A equipa presente, eu, Isa e Vitor

Realizou-se ontem a 22ª Corrida da Lagoa de Santo André, autêntica festa no litoral alentejano, evento que funciona para muitos como a festa de encerramento antes das férias.

Por escassos 6 euros, os atletas têm direito a uma bela prova de 10 quilómetros (até 2007 eram 9), a uma bonita medalha pintada à mão em barro, todos os anos com uma ave diferente da fauna da Lagoa, e a um convívio final, para si e acompanhantes, com febras, maçãs, batatas e bebidas. 

É sempre um prazer renovado ter o privilégio de fazer parte do pelotão desta prova, o que no meu caso sucedeu pela 11ª vez, apenas falhei 2009.

Atente-se na bela colecção das referidas medalinhas, realizadas pela Artibarro (por ordem desde 2006 e saltando de 2008 para 2010. A deste ano é portanto a última, a Poupa).

Linda colecção!
Esta prova marcou a estreia de novos fixadores de dorsal. Já aqui tinha referido a utilidade dos Go Grip Dorsal, e os de agora vêm personalizados com o logo da equipa, como podem apreciar nas fotos seguintes.


Úteis e bonitos!
Em relação à minha prova, o sentimento é agridoce. Em 11 participações foi claramente a melhor marca. A anterior vinha de 2008 com 51.32, na única vez que tinha baixado dos 54 minutos neste percurso, ontem registei 51.02.

Mas... queria e poderia ter feito melhor, não fosse um handicap chamado terra.

O (ambicioso) objectivo era chegar ao meu 4º sub50, o que seria espectacular pois, após 10 anos de luta para conseguir um, seria o 4º em apenas 7 meses. 
Para tal, tinha 3 receios, dois eventuais e um real. Os eventuais eram a possibilidade de muito calor, o que felizmente não se registou em excesso apesar de algum, e vento, o que sucedeu, vento contra, após o retorno mas isso custou apenas escassos segundos.
O receio real tinha a ver com os 1.550 metros em terra, como de seguida explicarei na descrição do percurso.

O trajecto inicia-se perto da entrada para a praia e segue em direcção ao cruzamento (4,4 km). O primeiro quilómetro a subir e os últimos 500 metros a descer (ao contrário após o retorno, o que faz com que o último seja a descer).
No regresso após o cruzamento, entramos no pinhal para 1.550 metros em terra, pouco após os 6 quilómetros.

Iniciei a corrida forte, imprimindo um ritmo que proporcionasse o almejado sub50. Fui sempre certinho e a bater marginalmente nesse tempo. Aguentei-me bem na subida inicial e depois nos 500 metros a subir após o retorno. 
Foi aí que cruzei-me com a Isa e, ao vê-la sozinha, perguntei pelo Vitor tendo sabido que tinha sido forçado a parar com uma dor que espero que passe o mais rápido possível e que logo, logo, esteja de regresso. Força Vitor!!!

Após esta contrariedade, continuei em bom ritmo, sempre no limite, passando aos 6 mantendo a tal margenzinha que permitiria o sub50.

Mas... entrei na terra e deu-se o inevitável. Não consigo correr em terra à mesma velocidade que em estrada e se vinha a fazer quilómetros na casa dos 4.50 e no limite, na terra baixei para a casa dos 5.20, perdendo 44 segundos nestes 1.550 metros, valor impossível de recuperar nos últimos 2 quilómetros.

Regressei ao alcatrão, aumentei a velocidade mas já sem chegar ao que vinha a realizar antes da terra. Consciente que já não chegaria ao sub50, faltou-me estamina para continuar no limite. 

Perto da meta vi que seria talvez possível baixar do minuto 51, sprintei mas falhei por pouco, 51.02 de tempo real.

Foi muito bom, foi o melhor ali, foi dos meus melhores tempos no geral. Mas... 

A próxima prova é apenas daqui a 2 meses e meio, a clássica Corrida do Tejo. Mas não se pense que vou ficar parado. É exactamente o contrário. Vou entrar numa fase de muita carga para a Maratona do Porto. Desejem-me boa sorte pois bem vou precisar! :)

Uma excelente semana a todos e boas férias para quem vá de merecido descanso.



domingo, 2 de julho de 2017

Na (muito dura e boa) Meia de Almada

A armada 4 ao Km presente (Vitor, Isa, Aurélio e este vosso escriba)

Tendo sido disputadas duas edições de sucesso em 2013 e 2014, que fidelizaram quem nelas participou, a Meia-Maratona de Almada deixou de se disputar nos dois anos seguintes mas em muito boa hora regressou ontem.

E por falar ontem, não quero deixar de referir o histórico dia. Dos muitos motivos de orgulho do nosso país, um dos maiores festejou ontem 150 anos. Foi a 1 de Julho de 1867 que Portugal deu um exemplo ao mundo tornando-se no primeiro país a abolir a pena de morte. De lamentar que apenas em 2016 o número de países que já aboliram essa bárbara prática ultrapassou marginalmente os países que ainda a mantêm (104-103).

E por falar em datas, de destacar que faz hoje 33 anos que Fernando Mamede bateu o record do mundo dos 10 mil metros. record que aliás foi batido na mesma prova por dois atletas, Fernando Mamede e Carlos Lopes num final extraordinariamente empolgante.

Regressando à Meia de Almada, de que sou totalista, em 3 edições registaram-se 3 percursos diferentes e 3 partidas diferentes. A primeira deu-se na Lisnave, a segunda no Fórum Almada e a de ontem no Parque da Paz.

Qual a diferença deste percurso para os outros 2? Duro, duro, duro! Mas muito empolgante e selectivo.

No momento que estou, cheguei a sonhar num tempo que batesse o anterior record e cheguei mesmo a sonhar com um determinado tempo que julgo ter condições de lá chegar.
Relembro que o record da Meia foi de 1.56.35 entre 2007 e 2016, para finalmente o bater nos Descobrimentos e por larga margem, 1.52.38

A seguir às Fogueiras tive uma semana difícil onde a recuperação durou bem mais do que o habitual, mas ontem já me sentia capaz e a táctica era de começar o dar o máximo e depois logo se via se dava para manter ou, não me sentindo capaz, abrandava.

Ora fui sempre a dar o máximo mas aos 5 km já tinha esquecido por completo qualquer hipótese de record pois esses 5 km iniciais foram demolidores (e o resto também...).
E quando não havia subidas duras, no pouco plano que aparecia, apanhávamos forte vento contra!

Quase na meta. reparem no meu esforço e na calma do Pedro :)
A partir daí o pensamento foi o tentar concluir abaixo das 2 horas. esta foi a minha Meia número 51 e nas anteriores 50 apenas o fiz por 6 vezes.

Contei desde os primeiros metros com uma muito preciosa ajuda, o Pedro Carvalho, que corria em casa e ia dando indicações do que aí vinha.

O Pedro tem capacidades para correr muito mais mas foi toda a prova ao meu lado. Um grande muito obrigado, Pedro!!!

O abraço em forma de agradecimento após a meta
Depois de termos dado a volta quase completa ao Alfeite e à Lisnave (que desolador aquele abandono!), enfrentávamos uma subida entre os 15 e os 17, sendo que a partir daí, e teoricamente, seria a descer. Pois, pois... ainda faltavam umas boas no Parque da Paz.

Consegui resistir e cortar a meta em 1.57.19, terminando abaixo das 2 horas pela 7ª vez em 51 Meias, e com o 5º melhor tempo de sempre, a apenas 44 segundos do 2º melhor. Do record é que foi a 4.41 e um bocado mais daquele tempo que julgo estar ao meu alcance. Mas esse alcance tem que ser numa prova de percurso favorável e sem vento forte.
Sendo o percurso que foi, sinto que foi um tempo magnífico para mim.

Não se pense que estou a criticar a prova, mas apenas constatar a sua dureza. Sem dúvida que é daquelas que merece sempre ser feita e é diferente. De parabéns a organização e venha a 4ª edição, de preferência já para o ano e sem mais interrupções.

A próxima prova é no sábado, a minha 11ª presença na Lagoa de Santo André. Depois disso, a prova seguinte é apenas 2 meses e meio depois, Corrida do Tejo. Mas não se pense que irei parar pois nesses 2 meses e meio muito longo irei percorrer em direcção ao Porto! 






Não quero terminar sem prestar a minha homenagem à Scully com quem tivemos o prazer de conviver durante quase 16 anos e meio e que nos deixou na 3ª feira mas que nos irá sempre acompanhar nas nossas melhores memórias.

Scully 2001-2017