domingo, 29 de dezembro de 2013

O impressionante aumento de participação nas São Silvestres


Por todo o país disputam-se, nesta época do ano, corridas de São Silvestre. Vou debruçar-me nas já realizadas e que viram um número de classificados superior ao milhar. São 4, Porto, disputada a 16, e ontem Lisboa, Santo Tirso e Funchal (esta com o nome de Volta ao Funchal).
Ainda faltam a dos Olivais (a 30) e Amadora (31)

Nas 4 provas supra-citadas, atente-se na participação deste ano em comparação com a do ano passado. Temos um total de mais 5.919 atletas dum ano para o outro, o que representa um incremento de 51,6%!

Local
2013
2012
Diferença
Porto
7.841
4.878
2.963
Lisboa
6.535
4.499
2.036
Funchal
1.752
913
839
Santo Tirso
1.252
1.171
81
Totais
17.380
11.461
5.919

Todas estas provas, não só aumentaram em relação ao ano passado como ao seu anterior record (que era de 2012 para todas com excepção do Funchal que foi alcançado em 2011). Em relação ao anterior record o incremento é de 46,2%

Local
2013
Record
Diferença
Porto
7.841
4.878
2.963
Lisboa
6.535
4.499
2.036
Funchal
1.752
1.338
414
Santo Tirso
1.252
1.171
76
Totais
17.380
11.886
5.494


E se recuarmos 5 anos? Pois a diferença é verdadeiramente abismal. O total destas 4 provas foi de 4.757 e agora de 17.380. Um incremento de 265,4%!!! 

Local
2013
2008
Diferença
Porto
7.841
1.680
6.161
Lisboa
6.535
1.798
4.737
Funchal
1.752
835
917
Santo Tirso
1.252
444
808
Totais
17.380
4.757
12.623

Causas e efeitos deste fenómeno, deixo para os entendidos, apenas refiro aqui a parte estatística. Confesso que não aprecio muito o facto de agora ser moda dizer-se que é moda correr. Na realidade, embirro mesmo com esta frase. Quem sente o prazer de correr a preenchê-lo, não gostará, certamente, desta etiqueta que se está a colar, na minha opinião, abusivamente.  

Nota - Quem consultar a classificação do Porto no site oficial da prova, verá que o último é o 7.812º enquanto na classificação da minha página é o 7.841º. Por qualquer erro no site oficial, há alguns atletas que estão classificados com o mesmo lugar que outros. Na realidade, estão reportados 7.841 e corrigi esse facto na classificação que publiquei.

10 comentários:

  1. Mais um excelente trabalho estatístico com é teu apanágio!
    Também não gosto da “história” de que correr está na moda!
    Se pode haver quem comece a correr levado por uma certa “onda” o certo é que só fica na corrida quem gosta mesmo! Correr é muito agradável mas tem sempre alguns sacrifícios associados e só por gosto se transforma esses sacrifícios em prazer.
    Também deixo para os especialistas o estudo desse aumento de participantes mas uma ideia que deixo aqui é se não haverá muitos antigos frequentadores de ginásios que se tenham virado para a corrida na rua por motivos económicos e depois ficaram, felizmente, “viciados”!
    Outra ideia que pode ser algo absurda e polémica é lançar a questão de se nestes tempos tão complicados não haja muita gente a virar-se para a corrida como válvula de escape e como um desporto que ainda é dos mais económicos de praticar.
    Seria também interessante analisar os tempos de chegadas nas maiores São Silvestres para ver se são efectivamente corredores ou uma mistura de corredores e caminheiros.
    Estou-me a lembrar do fenómeno da Corrida do Tejo em que há muitos caminheiros misturados com os corredores o que é facilmente constatável pelos tempos finais obtidos pelos participantes.
    Enfim o que importa haver mais gente a correr e isso é um dado adquirido que só me pode deixar feliz tanto mais que tenho uma longa ligação com a corrida que vem do início da década de 80 do século passado.
    Um abraço João.

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    1. O que penso, é exactamente como pensa um quase pioneiro das corridas abertas a todos ;)

      Um abraço

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  2. Também não gosto do termo "moda", nem de quem a aproveita para benefício próprio. João, nós não estamos cá por causa de ser moda ou não, estamos cá porque gostamos de correr e isso é que é importante. As modas vêm e vão, a corrida está e estará sempre na moda.
    Um grande abraço, um excelente ano de 2014 e as maiores felicidades para a Maratona de Sevilha.

    Manuel Nunes

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    1. Obrigado Manuel Nunes e tudo de bom para 2014

      Um abraço

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  3. Olá
    Primeiro que tudo, parabéns e obrigado pelo trabalho estatístico sobre as S. Silvestres.
    Segundo: em total desacordo:) ou seja, sim, acho mesmo que correr está na moda!
    Nota-se pelo aumento de participantes, de provas, de preços de material mas tambem da sua quantidade e variedade.
    Pelo aumento de custos ( relativos ou dificuldades em manter) uma inscrição no ginásio, uma bicicleta...
    Mas tambem pelo aumento de exposição mediática e já sabemos a bola de neve que é, mais praticantes mais exposição, mais exposição :)...
    Mas o importante é que mesmo que seja uma moda alguns fiquem e ai já todos ganhámos.
    Claro que quem já anda nisto há alguns anos custa ouvir esse tipo de comentários mas o importante é o que sentimos quando corremos, não o que ouvimos e se pelo caminho ganharmos novos amigos e companheiros, melhor.
    Olhem, agora está na moda...desejar bom Ano Novoo e sendo assim:
    Feliz e recompensador 2014.
    Abraços

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    1. É uma questão de conceito da palavra moda. Para mim, moda é aquilo que as pessoas seguem sem pensar mas apenas porque os outros também seguem, o que acho um conceito redutor em relação ao que se está a passar nas corridas e, onde com a actual fobia de se etiquetar tudo, ignora-se a paixão com que as pessoas correm.
      É apenas a minha opinião... :)

      Um abraço e um excelente 2014

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  4. Obrigado por mais estes dados estatísticos...gosto de os analisar. Moda ou não, facto é que isto da corrida é uma bola de neve....alguém começa a correr, sente-se bem, começa a falar no assunto a amigos/colegas/familiares...acham que o gajo é doido...ele continua, fica viciado....começa a notar-se física e mentalmente, os outros continuam a achar que o gajo é doido, mas que lhe faz bem faz....e porque não experimentar tb....e lá começa o ciclo com mais uns 3 ou 4 indivíduos....as redes sociais, os blogues, etc, fazem o resto....muita gente que até gostava de tentar mas não o fazia por vergonha, falta de coragem, começa a ver que afinal existe muita gente normal que calça as sapatilhas e dá umas corridas....se ele consegue eu tb consigo....depois participam numa prova e pronto, está o "caldo" entornado :)
    Abraço João

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    1. E isso é um bem saboroso caldo! :)

      Um abraço, Carlos

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  5. Contrariando um pouco a tua opinião, também sou de opinião que as corridas estão na moda. Mas não acho que haja mal nisso. Não creio que quem anda na moda seja alienado e não pense muito, ou nada, naquilo que usam ou consomem…

    Por outro lado também sustento a minha opinião no facto de já ter havido outros anos com picos de adesão à corrida – recordo a moda da ida à Nazaré, onde em 1987 teve mais de 3000 classificados – depois o pico da pirâmide inverteu-se, todavia, alguns que foram por moda, ficaram… mais tarde veio a moda de ir à Mini corrida da ponte, e outros ficaram…

    A prova final que a corrida é uma moda está nos números daquela corrida da ponte: Naquele Domingo, 30 000 mil na Mini e 5 000 na meia maratona e depois temos mais 51 Domingos com dezenas de provas com 1, 2 ou 3 % daqueles participantes. E aí, impõe-se a pergunta: onde andam, não os tais 30 000 da ponte, mas os 24, 25, ou 26 000 que ninguém mais os vê?...

    Mas também há a tese de que é nos piores momentos que corremos – por cá, nos maus momentos dos anos 80 aumentou a participação, nos maus momentos dos anos 90 aumentou a participação e, por fim, nestes maus e péssimos momentos que estamos a atravessar, volta haver um grande aumento de participantes!...



    «É nos momentos piores que corremos. Houve três momentos em que a América viu a corrida de fundo disparar em popularidade, e foram sempre durante uma crise nacional. O primeiro boom ocorreu durante a Grande Depressão, quando mais de 200 participantes marcaram a moda correndo 25 quilómetros por dia na Grande Corrida Transcontinental. A corrida entrou, em seguida, num estado vegetativo, e regressou em grande no início dos anos 70, quando nos debatíamos com a recuperação do Vietname, a Guerra Fria, os motins raciais, um presidente criminoso e os assassínios de três líderes amados. E o terceiro boom da corrida de fundo? Um ano depois dos ataques de 11 de Setembro, a corrida de corta-mato tornou-se, de repente, no desporto ao ar livre de maior crescimento no país. Talvez seja uma coincidência. Ou talvez haja um gatilho na psicologia humana, uma resposta pavloviana que activa o nosso primeiro e maior instinto de sobrevivência quando sentimos os predadores a aproximar-se.»

    in "Nascidos para Correr", Christopher McDougall


    Por este ou aquele motivo, o que é bom é que a família das curtas, médias ou longas corridas está a aumentar, e a maior parte deles vieram para ficar!

    Um forte Abraço e fortes desejos de muito Bom Ano 2014 ao autor deste Blogue e a todos os seus seguidores!

    Orlando Duarte

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    1. Muito obrigado pelo excelente e precioso contributo

      Um grande abraço

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