sábado, 8 de outubro de 2011

Treino Corrida do Tejo com Daniela Cunha

A jovem e muito talentosa Daniela Cunha, grande promessa do Atletismo nacional, foi a convidada especial do 3º treino para a Corrida do Tejo.

Este ano, devido a ausência do país por questões laborais, ainda não tinha frequentado estes úteis treinos, especialmente agora que regressaram ao Jamor após duas épocas no Parque dos Poetas. Nada me movendo contra esse bonito jardim, muito pelo contrário, um treino no Jamor é algo de muito mais proveitoso por toda a estrutura à disposição.

Com várias centenas de atletas presentes, como habitualmente procedeu-se à sua divisão por níveis: Avançado, Médio, Iniciado e Jovens.
Naturalmente fui no médio onde todo o percurso foi efectuado nos agradáveis caminhos da mata.

No final, tal como no início, uma série de proveitosos exercícios a que deveríamos dar mais importância.

Segundo informação dada, dos 10.000 lugares disponíveis para a corrida do dia 23, restam escassas 600 vagas.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Paula Radcliffe - Lutar para recuperar aquilo que é seu!

Não bastava o esforço titânico de Paula Radcliffe para alcançar o record mundial com uma marca "doutro mundo" e agora ainda tem que estar a lutar para recuperar aquilo que é seu por direito!

Ao contrário de outros casos em que os injustiçados baixam a cabeça e engolem em seco, Paula Radcliffe e os seus apoiantes em particular e os amantes do Atletismo no geral, não se resignam e pressionam a IAAF para repôr a verdade.

Para tal, foi criado no Facebook o Restore Paula Radcliffe's Marathon World Record, bem como estão a ser enviados mails para a IAAF a solicitar a revisão desta estúpida decisão.

Convido quem estiver interessado (eu já o fiz) a enviar para este endereço info@iaaf.org um mail a propósito.
Para facilitar, existe esta minuta:
Dear IAAF
I'm from Portugal and I think your recent decision to strip Paula Radcliffe of her world marathon record simply because there were men in the same race with her is a disgrace to athletics in general and to female runners worlwide.

Tradução:
Cara IAAF
Sou de Portugal e penso que a vossa recente decisão de retirar à Paula Radcliffe o seu record mundial da Maratona apenas porque estavam com ela homens na mesma corrida, é uma desgraça para o Atletismo em geral e para todas as atletas femininas espalhadas no mundo.

O assunto deverá ser: Restore Paula Radcliffe's Marathon World Record

Para quem quiser saber mais pormenores deste bizarro caso, clique aqui e aqui.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Grande Prémio Amaros Joalheiros

Catita, Gil, eu, Sandra, Carlos, Afonso, Nuno, Jorge e Tina

Foi no habitual e descontraído ambiente que caracteriza esta prova, que se realizou hoje a 6ª edição do Grande Prémio Amaros Joalheiros, corrida que sempre se disputou no feriado que assinala a implantação da República há 101 anos atrás.

O vencedor masculino, Sérgio Dias

Com o tempo quente, muito quente para Outubro, os atletas tiveram à sua disposição um percurso que utiliza várias artérias da mítica São Silvestre da Amadora.

Após a prova, organizada nos moldes expectáveis, havia à disposição bebidas de recuperação da Gold Nutrition (que já antes da prova tinha distribuído bebidas adequadas a antes do esforço), e para os apreciadores, cerveja à disposição.

E a vencedora feminina, Josefa Senge

Como é hábito, no final foram sorteados dezenas de prémios, fundamentalmente relógios, ténis e molduras digitais, um hábito adquirido nesta prova e que proporciona momento de convívio para os atletas que não arredam pé.
Este ano foi mais demorado devido a uma dúvida com o escalão dum atleta, que necessitou de ser esclarecida antes de serem distribuídos os prémios no pódio.

A presença, em prova e na distribuição de prémios, de Paulo Guerra

Os vencedores à geral foram Sérgio Dias do Maratona e Josefa Senge dos Joaninhas de Leião. De destacar a presença de Paulo Guerra, tetra campeão europeu de Corta-Mato, tendo logrado o 3º lugar final.
A nível de participação, 263 atletas, perdendo 80 em relação ao ano passado, regressando aos valores de 2009.

A representação 4 ao Km: Carlos Mendes, Sandra Martins e João Lima

Hoje a prova já me correu bastante melhor do que no domingo na Corrida da Água, onde tinha realizado 59.13 em 10.000 metros, enquanto hoje fiz 53.37 em 9.800
Começou assim a recuperação após o estado de muito desgaste depois de duas semanas muito duras de trabalho no estrangeiro. Se vou a tempo de um tempo especial na Corrida do Sporting, logo se verá.
Na primeira metade estive a um bom nível, depois acusei uma quebra entre os 5 e os 7 mas quando se chegou às subidas mais difíceis, reagi e acabei em bom plano.
Além do mais, é sempre um prazer reencontrar aquelas ruas que me fazem lembrar a mítica São Silvestre que conta com um apoio popular que, quem já lá correu, nunca esquece.

Jéssica Augusto bate record de percurso em Ovar

A 23ª edição da Meia-Maratona de Ovar, prova exemplar no calendário nacional, viu hoje serem batidos dois records.
Um, o de participação, com 1.826 atletas classificados, com um acréscimo enorme em relação à edição transacta. 413 atletas mais precisamente! O anterior record pertencia a 2008 com 1.700 (hoje, 126 mais).
Entretanto, Jéssica Augusto bateu o histórico record de percurso de Fernanda Ribeiro, alcançado em 1998 com 1.09.19
Apenas no ano passado se registou outro tempo abaixo dos 70 minutos, quando Marisa Barros parou o cronómetro aos 1.09.41
Hoje, Jéssica cumpriu o percurso em 1.09.13, retirando assim 6 segundos.
A atleta da Nike, triunfou com largo avanço de 2.51 sobre a vencedora de 2010, Marisa Barros (1.12.04), com Anália Rosa a completar o pódio em 1.14.46, à frente dum pelotão feminino de elevada qualidade, como se pode constatar nas 10 primeiras: 4ª Doroteia Peixoto, 5ª Catarina Ribeiro, 6ª Carla Martinho, 7ª Rafaela Almeida, 8ª Sara Pinho, 9ª Solange Jesus e 10ª Sónia Fernandes.
Terminaram 127 atletas femininas (6,95%)

No capítulo masculino, o agora atleta do Maratona, Sérgio Silva, arrumou a questão em 1.05.12, 9 segundos à frente de Bruno Jesus, com Leonel Fernandes em 3º (1.06.16). Ainda no top 10: 4º Carlos Silva, 5º Ricardo Ribas, 6º Vitor Oliveira, 7º José Moreira, 8º Ricardo Figueiredo, 9º Carlos Costa e 10º Rui Teixeira.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Divagando sobre o atleta de pelotão

Várias vezes se referiu essa particularidade, mas nunca é demais repetir. Num pelotão todos somos iguais. Veste-se uma camisola, calções, meias, ténis e toca de correr.
Ali, não há ricos nem pobres, doutores e engenheiros ou operários e desempregados, discriminação sexual, racial ou qualquer outra que a maldade humana cria.
Vamos todos juntos, cada um na sua corrida mas sempre atento às necessidades do companheiro próximo, nunca hesitando em abrandar para auxiliar qualquer um, seja já conhecido ou não.
É um ambiente saudável e merecedor de exemplo para as teias complexas que a sociedade teceu.

Se todos nos comportássemos em sociedade como os atletas de pelotão? Se todos vivêssemos sem títulos de fazer inveja, roupas a marcarem distância, classes com barreiras? Quão diferente e melhor seria este mundo, complexo, egoísta e desequilibrado!

E os senhores lá de cima? Mesmo que não seguissem este exemplo, a união de todos não lhes permitiria as veleidades que tomam e que é culpa também de todos nós.

Sei que uma gota não vale nada, mas muitas juntas, dão uma força imparável à água. Se todos nós, que enchemos as corridas de fim-de-semana, nos comportássemos sempre em sociedade como no meio do pelotão, já cumpríamos a nossa parte. E mais podíamos exigir dos outros.

Uma mera divagação, que merece acabar com a imaginação de John Lennon: "Podem dizer que sou um sonhador. Mas não sou o único"

domingo, 2 de outubro de 2011

Corrida da Água - Um sucesso!

Após mais de 150 anos de propostas e projectos, apenas no século 18 se materializou o Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, pouco antes do terramoto ao qual resistiu.

A sua extensão, incluindo os tributários e a rede de distribuição dentro da capital, atinge os 58 quilómetros, recolhendo água de 58 nascentes, a maioria da Serra da Carregueira.

Sendo um monumento marcante de Lisboa, o facto da Corrida da Água o percorrer, terá sido uma forte razão para se verificar uma tão forte afluência de atletas nesta 1ª edição.

De facto, e apesar da concomitância de outros eventos, foram 888 atletas que cruzaram a meta no final duma prova elaborada para o atleta de pelotão.

Sem grandes nomes à partida, por ausência de prémios monetários, a adesão foi enorme. O que mais uma vez vem bater na tecla de não havendo dinheiro para distribuir, que se realize a corrida sem os ditos prémios pois os atletas que engrossam o pelotão não deixam de dizer, entusiasticamente, presente!

Com a garantia organizativa da Xistarca, o evento teve a qualidade esperada, sem pontos a merecerem reparo.

Apenas a partida teve que ser adiada por 10 minutos mas por uma razão forte. Efectivamente, a entidade que gere o Aqueduto ainda não tinha aberto o portão do mesmo às 10 horas, hora prevista da partida, e a organização, e bem, não quis iniciar a competição sem ter a certeza que os atletas chegavam ao Aqueduto e o encontravam aberto.

Para quem, como eu, esteve presente nas 4 edições do Grande Prémio José Araújo, a passagem de hoje revestiu-se dum particularidade inédita: Ser no sentido Amoreiras-Monsanto. Na prova que se realizou entre 2006 e 2009, e que espero fortemente que regresse, a passaem era feita Monsanto-Amoreiras. Nas duas primeiras edições, pelo lado Norte e nas duas últimas pelo Sul.

A de hoje foi também pelo Sul que, na minha opinião, tem a vista mais bonita.

Competitivamente falando, Américo Pereira, a correr como Individual, foi o mais lesto a percorrer os 10.000 metros, cumprindo-os em 35.31 e um avanço de 36 segundos sobre João António (Nave) e 59 sobre o individual Fernando Miranda.

No sector feminino, vitória para a benfiquista Vera Nunes, única a baixar dos 40 minutos (39.22), seguida pela sua colega Lucília Soares (40.15) e de Chantal Xhervelle do Casal Figueira (40.35).
Em termos colectivos a vitória sorriu ao Santander Totta, seguidos pelo Nave, com o Campolide a fechar o pódio.

Dos 888 atletas, 157 pertenceram ao escalão feminino, proporcionando a muito boa média de 17,7%

Relativamente à minha prova foi, tal como esperava, fraca.

Após ter realizado os excelentes 50.55 no Destak duas semanas antes, desloquei-me duas semanas em trabalho à Grécia. Duas semanas bastante desgastantes, a descansar insuficientemente, a treinar mal e com muitos condicionalismos (o único momento bom foi a visita ao estádio Panatináico) e, inevitavelmente hoje ressenti-me. No início da 2ª metade já ia sem energia e valeu-me a companhia da Sandra para levar o barco a bom porto, ainda abaixo da hora (tempo real de 59.13). Apenas para efeitos estatísticos, esta marca aos 10 kms é a pior dos últimos 20 meses.

Já sei que os meus amigos me vão "dar na cabeça" pois não gostam que eu diga isto, mas é o que sinto. Sou um atleta fraquinho a quem basta um ligeiro desvio do ritmo de treinos para ficar tudo estragado.

Estava a apontar a Corrida do Sporting para tentar alcançar o sonho de longos 5 anos mas vou precisar de mais tempo para regressar ao pico recente.

Quanto à equipa 4 ao Km, o Filipe foi o melhor representante, em 576º, eu e a Sandra chegámos em 631º e 632º, enquanto a Fernanda aguentou até onde lhe foi possível, tendo depois optado pela desistência.

Como eram necessários 4 elementos, desta vez não nos classificámos colectivamente.

sábado, 1 de outubro de 2011

Por dentro do Estádio Panatináico - O berço do Atletismo


Estar por dentro de algo histórico e mítico, é uma sensação que nos transporta para o resto das nossas vidas.
Foi o que me aconteceu a 24 de Setembro ao entrar no Estádio Panatináico, em Atenas, e decerto que não foi por ser o único estádio do mundo em mármore, mas sim por todo o passado e simbolismo inerente ao nosso desporto de eleição.


O bilhete de entrada

Já lá tinha estado em 2008, então apenas à porta, pois encontrava-se fechado ao público nesse dia.
Agora, em virtude de duas semanas que tive que passar na Grécia em trabalho, tive a felicidade de no sábado encontrá-lo aberto.

Por 3 euros entramos num mundo fantástico de milhares de anos. Essa visita é ajudada por um dispositivo semelhante a um telemóvel, onde em cada lugar marcamos o número que está exposto (entre 2 e 12) e ouvimos uma informação detalhada sobre o mesmo, seleccionando-se a língua pretendida e onde o português não falta.


O esquema do estádio


Mas afinal o que tem de especial este estádio?

Localizado no coração de Atenas, está edificado e com traça semelhante ao anterior que durante séculos serviu para os agora intitulados Jogos Olímpicos da Antiguidade, além de outras manifestações atléticas. Esses jogos realizavam-se de 4 em 4 anos, sempre em Junho e celebravam a panateia, festa em honra da deusa Atena.

Os atletas, exclusivamente homens, competiam nus pela sua glória e dos seus xistarcas (treinadores) e a multidão enchia o estádio neste local idílico cuja construção acompanha os dois montes que o circundam, propositadamente cavados para lhe servirem de berço, com o rio Ilissos a seus pés.

Na hora do triunfo, honrava-se Nike, a deusa da vitória.


A pista foi construída com duas rectas de 185 metros cada, com curvas de 15 metros em cada extremidade. Daí os 400 metros por volta como tão bem conhecemos.

A razão de cada recta ter 185 metros deve-se ao facto de pretenderem que cada uma fosse um estádio. Estádio era uma medida romana de comprimento e valia 625 pés romanos, o equivalente a 185 metros.
Como era composto por duas rectas, de um estádio cada, deu-se a este complexo o nome de estádio, facto que voou até aos dias actuais e pegando o termo nos complexos desportivos ao ar livre.


Os atenienses sempre tiveram um enorme orgulho no seu estádio, único no mundo, o que o fez sobreviver a vários séculos até à chegada da igreja e da proibição de qualquer actividade pagã, ficando sem qualquer uso, degradando-se pelo tempo e pela destruição das pessoas que levavam o mármore para as suas casas.

Terminou assim a primeira vida deste estádio onde nasceu o Atletismo.


A entrada para o túnel que conduz os atletas às cabines


E o respectivo túnel


Em 1894 em Paris, o barão Pierre de Coubertin logrou, após anteriores tentativas falhadas, a criação dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Sendo o presidente da conferência o grego Demetrios Vikelas, não foi difícil convencer os restantes para os primeiros jogos serem realizados em Atenas.
O ano apontado foi 1896 e o estádio deveria ser onde tudo nasceu, o Estádio Panatináico.
Georgios Averoff foi o responsável deste trabalho hercúleo, mantendo quanto possível a traça original.


As cadeiras/tronos reais


Na curva que acompanha a bancada, a presença de duas estátuas


Os Jogos foram um sucesso retumbante e foi nesse local e altura que foi tocado aquele que ficaria como o Hino Olímpico, composto por Spyros Samaras e letra de Costis Palamas.

O momento alto foi a reconstituição duma corrida que simbolizou a lenda de Fidipides e a sua corrida entre Maratona e Atenas. Foi-lhe dada o nome da cidade origem, Maratona.

O público presente entrou em plena euforia quando viu chegar o primeiro classificado, um simples pastor de origem grega, de seu nome Louis Spiridon.

Nascia a mítica corrida que 12 anos após teria a sua distância fixada em 42.195 metros.


Estátuas essas onde apenas sobressaem a cabeça e órgão sexual

O estádio, com uma capacidade para 68.000 espectadores, com dois anéis separados à 24ª fila, assistiu a nova chegada olímpica em 2004 com a vitória do italiano Stefano Baldini nos homens e a japonesa Mizuki Noguchi, 22 anos após a primeira Maratona oficial feminina em competições internacionais, com o seu final aqui mesmo, para o Campeonato Europeu.

Essa Maratona foi realizada a 12 de Setembro de 1982 e quem teve a honra de ser a vencedora da primeira maratona oficial feminina em competições internacionais, foi uma jovem franzina chamada... Rosa Mota.

Portugal só tinha até então, 5 medalhas, todas masculinas. Esta foi a primeira feminina e logo de ouro.
Passou com um atraso de cerca de um minuto aos 10 kms. Aos 15 ultrapassou o segundo pelotão que não reagiu. Aos 20 já se encontrava no grupo da frente. Aos 30 o pelotão líder estava reduzido à nossa Rosinha, à temível Ingrid Kristiansen e Laura Fogli. Aí, acreditou numa medalha. Viu Kristiansen tentar um ataque que não resultou e lançou de imediato um contra-ataque e isolou-se. Tinha medo do sprint final das poderosas adversárias mas entrou no estádio com 100 metros de avanço.
Foi o seu primeiro momento de glória, ela que ano e meio antes tinha sido dada como condenada no Atletismo por asma de esforço!

Recordo-me perfeitamente de assistir ao vivo a esse feito. Nunca perdia uma competição internacional de Atletismo, não imaginando que muitos anos depois iria também participar em provas e muito menos que daria uma volta a correr a esta pista, pois não perdi a hipótese de, mesmo calçado e vestido "à civil", percorrer estes 400 metros.
Ouvindo e respirando os sons e momentos da história!


Preparado para partir


Aí vou eu


E chega assim ao final uma volta numa pista de milhares de anos


E não digam que nunca estive no lugar mais alto dum pódio!...


Mensagem no livro de visitas