quinta-feira, 27 de junho de 2013

Como fui treinar, sou um malandro culpado do estado do país!


Mas quais Coelhos, Gaspares, Cavacos ou quejandos. Se querem saber quem é o verdadeiro culpado do estado a que este país chegou, pois fiquem a saber que é este vosso escriba! Nem mais! Porquê? Continuem a ler...

Treino nº 4 do plano para a Maratona. Fui hoje a meio da manhã à torreira do sol. Porque é que fui treinar a meio da manhã duma 5ª? Férias? Greve? Desemprego? Horário por turnos? Folgas rotativas? Outro?
Pois o motivo, como compreendem, apenas a mim diz respeito. Ou não...

Vinha eu, já na volta, a passar ao lado do semáforo em frente à Escola de Talaíde, quando um Mercedes SLK (notem o pormenor), parado no vermelho com um um senhor de idade ao volante e com ar de bem sucedido na vida, abriu o vidro do lado do pendura e fez menção de falar comigo. Como por vezes perguntam-me indicações de ruas, parei, aproximei-me da janela, para o senhor disparar a seguinte sentença (ler aos berros e com voz de ódio) "A correr em vez de trabalhar, malandro, por isso é que o país está como está, grevista de merda!". Sem me dar tempo para reagir, arrancou, ainda o semáforo estava vermelho.

O senhor olhou, viu, julgou e ficou a saber tudo da minha vida. Pois é.... sou eu o culpado do estado do país!  

22 comentários:

  1. Confundiu-te com o sócrates. Acontece aos melhores :P

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  2. Eheheh.

    Nós também viemos a correr para Lisboa, mas para trabalhar mesmo.
    Mas ninguém se meteu connosco.
    http://jrr-desporto.blogspot.pt/2013/06/correr-com-greve-prova.html

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  3. Já me aconteceu muita coisa a correr, mas esta sem dúvida que me deixaria sem reação, ou então se tivesse mal humorado nem sei o que lhe faria..

    Haja paciência..

    Um abraço

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  4. Divino :)

    Vou correr à hora de almoço...talvez o senhor se cruze comigo também.

    Abraço

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  5. Poderia dizer "vozes de burro não chegam ao céu", mas os burros não merecem.
    As pessoas adoram falar sem saber os factos. Tristeza de país por ter pessoas como esse homem que julgam as pessoas e falam sem nada saber.
    Eu cá também vou correr hoje, chamem-me o que quiserem!

    Ah e já não sou tua amiga agora que sei que tu és o verdadeiro culpado do estado do país =P

    Beijinhos E VIVA QUEM CORRE SEJA NOITE OU DIA, SEJA DIA DE SEMANA OU FIM-DE-SEMANA, SEJA INVERNO OU VERÃO, SEJA DIA DE GREVE OU NÃO!

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  6. Infelizmente o nosso povo tem muito esta mania de julgar o outro por aquilo que vê e não por aquilo que realmente é! A vida de cada um, a cada um diz respeito, mas é o povo que temos, por isso é que somos chamados ainda de país retrógrado!
    Se cada um olha-se mais para si em vez de criticar a vida dos outros eramos um povo sem dúvida alguma mais feliz!
    Por ter um carro desses também se poderia especular muita coisa mas não façamos o mesmo que ele fez :D

    Fiquemos apenas pela célebre frase "As acções ficam para quem as pratica!" :D

    Beijinhos e boas corridas, com gente dessa a cruzar o caminho ou não :D

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  7. Que coisa mais despropositada... Até porque, independentemente de ser dia de greve ou não, há pessoas que trabalham por turnos, nem todos têm horário 9h-18h.
    Eu acho que fazes muito bem em treinar, malandro!;)
    Beijinhos

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  8. João, podias tê-lo convidado a encostar o carro e vir dar uma corridinha contigo para trocarem umas ideias sobre direito à greve, direito a correr, direito a ficar em casa, direito a trabalhar, direito a ter um SLK, direito a abrir a boca e dizer as maiores barbaridades...

    Hummmm, acho que não valia a pena. Quem faz um comentário gratuito desses merece sabes o quê? Depois digo-te... (Aqui parece mal...)

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  9. Lembrei-me de outra interpretação para a irritabilidade do Sr. Mercedes: carros como esses avariam mais vezes do que nós trocamos de sapatilhas. E como se não bastasse, cada remendo num SLK deve ser coisa para custar o equivalente à inscrição numa prova de triatlo. É um desporto caro o do senhor... viu-te a ti, todo satisfeito, quiçá a deslizar no alcatrão mais rápido que ele, com melhor tracção, uma biomecânica que deixa a eficiência electrónica do boguinhas dele a milhas e canalizou em ti toda a frustração por não ter essa liberdade toda. Deixa estar, que lá pela hora do almoço, depois de uns 320 whiskies de malte de 500 anos, a coisa passa-lhe. :D

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  10. Eu até compreendo que uma greve afecte muito gente, que tem de ir trabalhar (notem que disse tem, no sentido de que não forem são logo despedidos, maravilhas das novas leis), que tem consultas marcadas à muito tempo, que tem negócios para abrir, mas ninguém faz greve nos dias de hoje, com esta imensa crise, em que 90% dos portugueses andam a contar centimos, e perdem um dia de salário pela simples razão de quem sim, por leviandade; fazem-no porque tem mesmo de ser.
    Mas a melhor parte é ouvir pessoas que supostamente tirão o dia de hoje para tratar de coisas no serviços públicos; mas então não sabem que a greve já está marcado à quase um mês e mesmo assim ainda tirão o dia?
    Quanto ao senhor do Mercedes (daqueles a quem eu NUNCA dou vez no trânsito para passar) deve ser dos 10% que não contam tostões, graças a maravilhas económicas, a empreendedorismos pendurados no Estado ou em esquemas

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  11. Excelente texto João!
    Já agora aqui fica a minha solidariedade: também sou "culpado"! Aqui faço "mea culpa" porque também fiz o meu treino, a meio da manhã em dia de greve. Mas vi muitos "culpados"! Juízes de SLK é que felizmente não encontrei ;)
    Um abraço!

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  12. Realmente o pessoal aqui é muito calminho... eu disparato logo! :) Grande filho de p***. E ele a essa hora a mandar bocas! E se uma pessoa fosse para o trabalho a correr, afinal nem toda a gente pode andar a mandar bocas dum SLK. Haja paciência!!!

    Maria

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  13. Grande Parvalhão...nunca me aconteceu nada de semelhante. Sem palavras...
    Abraço João, e força aí nesses treinos.

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  14. Esse gajo, além de tudo o que já foi dito, ainda é cobarde. Teve medo de ouvir umas verdades e fugiu.
    João, estou solidário contigo.

    Abraço.

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  15. Bem, eu fiz o treino ao fim da tarde...:P. Este fulano é daqueles que deve ter bons meios mas tem maus princípios. Não seria inveja? Quem sabe... João, bons treinos, boas crónicas e boa continuação, pois a estes tipos parvos só há uma atitude inteligente a tomar: ignorar.

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  16. Inveja caro João... é inveja! :)

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  17. É uma grande história para contar aos netos e aos demais. Há coisas na vida que se têm mesmo de desvalorizar, uma delas esta. Pode acontecer ele ter mais azar e um dia destes ficar empatado no trânsito porque está a decorrer um evento de atletismo :)

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  18. Impossibilidade de vir aqui comentar ontem pois o Último Quilómetro estava “encerrado” por solidariedade com a Greve Geral aqui estou eu novamente de “serviço”!
    Felizmente está encontrado o culpado: és tu!
    E eu que pensava que a culpa era do sistema capitalista!
    Como estava errado! Afinal a culpa é tão-somente tua!
    Assim fica mais fácil de solucionar os problemas de Portugal e do mundo!

    Já agora um aparte: um grande amigo meu, experiente corredor de fundo, tem um “fórmula magica” para reagir a provocações e bocas menos próprias durante o treino: limita-se a esboçar um grande sorriso e a desejar um bom dia em Inglês o que desarma, e deixa frustrado, qualquer idiota Luso!

    Forte abraço e vai trabalhar malandro eu também iria se por tua culpa não estivesse no desemprego!

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  19. Amigo João, desta vez conseguiste mesmo fazer com que a nossa indignação subisse de tom. porque a prepotência, qualquer que ela, seja indigna sempre, e ainda mais se for completamente estúpida como foi o caso e traz-nos em geral à memória outros episódios de prepotência, connosco ou a que assistimos.
    Mas num caso destes mais vale de facto ignorar o energúmeno (e nem sequer lhe apertar os fagotes, se der tempo a isso, como uma vez assisti, mas foi numa prova, com o saudoso Graça).
    E já agora, para relembrar atletas e factos, recordo um velho atleta do Belenenses, de que não lembro agora o nome (mas tu consegues saber com certeza), que era um dos únicos nos tempos da "outra senhora" a vir para a estrada treinar, incluindo a Marginal entre Belém e Alcântara, onde algumas vezes o vi.
    Contava-nos ele, também provavelemnte porque era um bom bocado mais moreno que os outros, que ouvia muitas vezes esse insulto: "Vai trabalhar, malandro!".
    Depois chegaram felizmente novos tempos mas nem assim, nós pobres corredores de pelotão que utilizavam as ruas para treino, nos safávamos, durante alguns anos, do epíteto de "malandro que não quer trabalhar". Felizmente as mentalidades mudaram um pouco, ou melhor, os mais atrasados passaram a habituar-se a ver desportistas nas ruas... Sim. porque ao ouvir ontem na TV as palavras estúpidas de um desgovernante, verificamos ainda há gente a pensar assim... Desculpa o arrazoado e um grande abraço

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  20. João, quando li isto tive vontade de rir, pela parvoíce da situação. Mas depois, pensei um pouco nisto e perdi o sorriso. É que infelizmente, a nossa sociedade está tão à beira da rotura que até se ouvem este tipo de comentários. Hoje não podemos dizer que gastámos isto sob pena de nos apontarem o dedo. Não podemos dizer que fizémos aquilo sob pena de cairmos da inveja total. Não podemos queixar das condições de trabalho porque haverá logo quem diga que deviamos era agradecer aquilo que temos e que muitos não têm. É assim que estamos. Uma sociedade onde alguém que corre num dia de semana, em particular, de greve geral, é apelidado de «grevista de merda!», assim como, logo após o 25 de Abril, se apontava o dedo a A ou B por poderem ser fascistas. Podia rir com isto, mas a verdade é que estou cada vez mais preocupado com o que vou lendo e ouvindo.
    Abraço e boas corridas

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  21. Bem João que dizer?
    Que a estupidez não tem limites é já lugar comum e são tantas mas tantas que já as não conseguimos contar, até já andam de Mercedes por isso vê tu a dificuldade.

    Mas foi pena esse cavalheiro não te dar tempo de resposta, de certeza que não aprenderia nada sobre civismo e viver em sociedade. Não aprenderia que a Greve é um direito constitucional, que é uma conquista da classe trabalhadora, que serve para reivindicar direito e exigir a adopção de medidas por parte de quem nos desgoverna.

    Mas tu não és um grevista João pelo menos na verdadeira acepção da palavra. Porque esses estavam a lutar pelos nossos direitos debaixo de um sol abrasador, rodeados de areia e incomodados pela frescura das águas atlânticas.

    Abraço

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  22. Sinceramente, comentário mais estúpido realmente não poderia existir. Ridículo!

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