quinta-feira, 19 de maio de 2016

O meu record dos 3.000 caiu nas Noites Quentes do Restelo

Os 4 ao Km presentes, os dois Joões, Cravo e Lima. Ambos com record pessoal

Última recta, já mal consigo abrir os olhos. O coração e pulmões ameaçam saltar boca fora. Mas o melhor tempo jamais realizado por mim em 3.000 metros e a melhor média de sempre numa corrida estão por um fio. Portanto, é continuar a dar forte e feio.
Após a meta, concluo que é mais fácil fazer uma Meia-Maratona do que uma corrida destas onde tem que se ir a matar desde o primeiro metro.

Quem estiver por fora das corridas, pode achar ridículo que se afirme que 3 km podem ser mais duros que 21, mas em 21, pelo menos os atletas da minha categoria (os chamados lá de trás), vão a gerir o esforço. A dar tudo o que têm mas de forma controlada para a energia se estender por 21.097 metros. 
Habituado a que estou a corridas de 10 ou mais quilómetros, o primeiro km é para ir aumentando gradualmente as pulsações para depois começar a impor ritmo. 

Ora numa corrida desta natureza, não pode haver contemplações, é o máximo dos máximos desde o tiro de partida, o que me deixa sempre nervoso antes destas provas com medo que o gás esgote antes da meta ou que se termine com a sensação que podia-se ter dado mais. A dificuldade do equilíbrio perfeito.

Felizmente nas minhas duas anteriores experiências, Challenge 3000 no Jamor, correu tudo na perfeição. E não foi ontem que se deu a excepção a essa boa regra.

Os 12 atletas da nossa série
Os Belém Runners, após 2 eventos no ano passado, organizaram mais uma Noites Quentes do Restelo. Quis o acaso que a noite estava fresca mas percebo o termo quente pois após os 3.000 metros, estava bem quente! Quente e a sentir-me mais no além do que aqui. E com um cansaço só superado quando corto a meta em Maratona. Apesar daí ser um cansaço completo e geral e aqui é a nível de caixa que esgotou toda a sua capacidade.

O meu record estava em 13.53, média de 4.37,6 por km. Um quilómetro em série faço esse tempo e até mais baixo, mas maior distância a esse ritmo já é entrar noutro domínio.
O ideal, para o bater seriam 55 segundos por cada 200 metros. Fazíveis umas 5 ou 6 vezes mas aqui obrigaria a 15.

A armada 4 ao km em pleno esforço no Restelo
Dada a partida, tentei ir, com sucesso, para esse ritmo, não me preocupando com a posição dos meus 12 companheiros de pista pois interessava-me era o meu tempo, não o lugar.

A coisa foi-se mantendo mas sendo cada vez mais difícil manter a vivacidade desse ritmo. Não podia pensar em quanto faltava mas uma volta de cada vez. 



Nestas duas fotos nota-se muito o esforço na minha cara? 

A 2 voltas do final, estava por um lado feliz pois conseguia manter a média para record mas preocupado pois receava que a qualquer momento desse o estoiro final. E senti quase a acontecer na curva entre os 2.400 e os 2.500. Mas ao entrar nessa recta, sabia que lá ao fundo ia iniciar a última volta. 
Coragem! Só mais um bocadinho! 
E o coração e pulmões a quase saírem boca fora.
Vou fechando os olhos como que ajudando a manter o esforço e foco.

E entro assim na última recta, a conseguir manter a mesma velocidade mas sabendo que são as últimas das últimas reservas.
A poucos metros, apercebo-me que já nada me irá impedir de bater o record pessoal.
Corto assim a meta em 13.46, média de 4.35,3




Sequência da minha chegada
Os minutos a seguirem foram longos até começar a estabilizar a respiração. Mas tinha conseguido!
E de todos os 110 atletas em acção nas diferentes séries de 3.000, juntando todas essas classificações fui o 2º no meu escalão, o dos "velhotes" (para estas coisas) entre os 55 e os 59 anos.
Não me perguntem quantos eram do meu escalão pois isso não vem para aqui chamado :)

Próxima prova: Corrida de Alverca no domingo (10 km) 



Nota - Agradeço ao Armindo Santos as fotos que lhe fui "roubar", dando os parabéns por mais uma fantástica reportagem

16 comentários:

  1. Mais uma vez parabéns João!
    Estas em grande forma, não é nada fácil ir logo a matar desde o inicio.

    Abraço

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    1. Obrigado Tiago!

      É completamente diferente do que estamos habituados :)

      Um abraço e até para a semana

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  2. Excelente João parabéns! É realmente uma distância muito complicada e quando damos por nós já acabou! Pode ser frustrante :)

    Um abraço

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    1. Obrigado Vítor!
      Ali, qualquer segundo, qualquer metro, conta!
      Um abraço e boa recuperação!

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    2. Pois não é que agora tenho um amigo na alta competição!
      Apesar de ser mais novo que tu (!) já não tenho idade para noites quentes!
      Já "voei" muito em pista mas nos treinos de series que no "meu tempo" não havia essas noites quentes para os "coxos". E também as pistas eram de cinza que as de tartan eram bem poucas e não era para nós. Um abraço campeão!

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    3. Mas olha Jorge que aquilo não sei de que tipo é. Não parece tartan, parece mais uma alcatifa. Se é tartan é diferente das outras pistas que já corri.

      Obrigado e um abraço

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    4. Que estranho! Vê lá se descobres o que é! Tartan só conheço o do estádio do INATEL. Eu não sou especialista nesse tipo de piso :) ! Nos meus tempos de "gloria" a pista do 1º de Maio era de cinza e quando chovia mais lá se iam as series pois aquilo ficava um lago! Mas onde corri mais rápido em pista foi no Estádio Universitário nos saudosos 2 centros de treino para a Maratona organizados pela Spiridon. Na altura tinham duas pista umas com os 400 metros e outra maior se não estou a meter água. Espera!... E também corri contigo uma prova que terminou no Tartan do Estádio Nacional mas foi só meia volta :) Essa prova acabou? Abraço.

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    5. Não, tem continuado todos os anos, o Madrugada a Correr. Este ano é a 10 de Julho

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  3. "Os pulmões ameaçam saltar para fora!" eheheh
    Conheço bem essa sensação, de quando eu corria os 800 e os 1500 metros na pista!
    São distâncias "curtas" mas que nos obrigam a dar mais gás! :)
    Parabéns João!

    Abraço

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    1. Eh eh, é mesmo isso!

      Obrigado Luís, um abraço

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  4. Parabéns João.
    Nota-se à distancia que o João está em grande forma ou a caminho disso. Até como o João disse é mais difícil uma prova de 3 km do que uma meia maratona, pelo menos para os atletas que se dedicam a distancia maiores. Não é fácil fazer uma prova longa e pouco tempo depois fazer uma curta. É algo complicado que, só quem anda lá dentro é que sabe qual a diferença. Mas o João tem uma força invejável e merece o esforço. Parabéns uma vês mais e um abraço.

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  5. Distâncias curtas é faca nos dentes!

    E nota-se bem que tu até a serrilha tinhas!

    Eu tenho imensas dificuldades nestas distâncias e ritmos, nem carne nem peixe, muito longas para ir e explodir muito curtas paraos meu ritmo de sofa.

    A seguir o dito circuito.

    E tu, estás em forma ;)

    Abraço

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    1. obrigado, vamos ver quanto tempo se mantém :)

      Um abraço

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  6. Ca tempo brutal!!!
    Estás em grande forma amigo!
    Força para as próximas corridas :)
    Beijinhos

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