quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A problemática da partida e a minimização de riscos


Na passada semana, a partida da São Silvestre da Amadora ficou marcada por uma queda que abrangeu cerca duma dúzia de atletas, provocando a desistência prematura de alguns e mazelas nuns quantos, além do terror que viveram naqueles segundos por estarem no chão com um pelotão em plena aceleração atrás de si.

Sejamos claros, este é um problema que não se pode evitar. Há sempre a componente risco quando um pelotão é solto e atletas extremamente rápidos iniciam a sua corrida com as pernas e pés a escassos centímetros uns dos outros e onde um simples toque pode gerar uma carambola.

Mas se não se pode evitar, podem-se tomar medidas para reduzir o risco, e estou a falar na generalidade das provas e não no caso concreto amadorense.

Todos sabemos que ao treinarmos junto a uma estrada aberta ao trânsito, podemos ser atropelados. Essas probabilidades são enormes se formos no meio da estrada e reduzem-se significativamente se seguirmos no passeio. Chama-se a isto reduzir os riscos e usar o bom senso. 
Ora o mesmo deve ser aplicado numa partida pois se estiverem presentes nas primeiras filas atletas lentos, servem como obstáculos podendo originar um choque ou o desvio rápido que poderá iniciar a carambola. 

Lamentavelmente, continuamos a assistir a atletas que insistem em partir da primeira linha para terminarem com o dobro do tempo do primeiro. Para quê? Pela vaidade de serem vistos ao lado de campeões ou pelo ridículo que essa atitude provoca? 

Há 3 anos atrás já escrevi sobre este assunto (ler aqui) exactamente por um demasiadamente conhecido cromo desta situação ter furado desde a prova aberta até ao espaço dos atletas do Nacional de Estrada para se posicionar entre o Ricardo Ribas e a Dulce Félix, a quem deu mesmo um encontrão para ficar à sua frente na linha de partida, quando a Dulce Félix ia lutar pelo título nacional numa luta onde cada segundo conta, enquanto essa personagem foi depois ultrapassado por mais de 800 atletas. Personagem essa que até na partida da Corrida do Tejo, com barreiras a dividir os atletas por tempos, consegue passar e furar até à primeira fila para de imediato ser engolido na partida, provocando um perigo sério, prova de que nem barreiras impedem os chicos-espertos. 
Tal como uma senhora na casa dos 60 que ainda recentemente colocou-se à frente de todos numa prova de 15 km para depois partir lentamente e fazer o dobro do tempo do vencedor, numa situação que também é useira. 

Uma coisa é competição e outra participação, e cada um tem que ter isso em conta e não misturar tudo pois todos deverão posicionar-se na partida consoante o seu ritmo e isso é uma mais valia para o pelotão e inclusive para si, ajudando a diminuir os riscos que existem e se confirmaram na Amadora. Lamentavelmente parece que a consciência de cada é insuficiente. 

Ainda há uns tempos relataram-me o sucedido numa Maratona na Austrália onde as partidas estavam divididas pelo ritmo de cada. Havia portas de entrada para os vários tempos alvo e essas portas não eram controladas por quem quer que fosse, cada um dirigia-se à sua e entrava. E o que sucedeu? Todos entraram na correspondente e não mais à frente. A isto chama-se educação e respeito por todos. 

Daqui proponho uma campanha de sensibilização para este fim. Como tal, infelizmente, parece-me insuficiente, julgo que as organizações também terão que tomar uma atitude e recolocar esses intrusos no seu devido lugar, tudo em nome da segurança e bem estar geral. É que as corridas podem ser uma festa mas ninguém deseja que atletas acabem no hospital em virtude da incúria duns.

13 comentários:

  1. Na minha humilde opinião, não há volta a dar. É impossível controlar todas as questões envolvidas e até mesmo nas provas que pedem comprovativos o pessoal aldraba esses mesmos comprovativos. O chico-espertismo ou mesmo a otarice de alguns camafeus não vai terminar nunca. NUNCA!!! Eles sentem-se muito felizes e mais espertos que os outros ao fazer isso.
    Infelizmente o nosso povo é assim, apesar de ser uma minoria ela está lá e faz mossa.

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    1. Queres tu dizer que não há esperança e devemos encolher os ombros e assistir a estas inconsciências?
      Ou deveria haver um cartão de corredor, como outros países têm, e onde os prevaricadores destas e outras demasiadas situações de batota, serem penalizados com suspensões?

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    2. Nada disso João, só acho que é difícil quando a principal origem do problema vem das próprias pessoas, que tanto defendem a modalidade e depois é isto. Até porque o discurso deles é que têm o direito de ali estar. Se há formas de minimizar esse problema, que venham elas.

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  2. Se todos lessem isto e seguissem o teu conselho... Enfim...

    Abraço

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  3. Bom dia. Estou totalmente de acordo com este artigo. E posso garantir que na Corrida das Fogueiras confirmámos todos os tempos que os atletas indicaram. TODOS.
    Dá trabalho? dá sim muito, mas achamos que vale a pena.

    Abraço

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  4. Infelizmente o chico espertismo reina aqui no nosso burgo, e infelizmente não é só na corrida (antes fosse). Mudar isso é quase impossível, mas eu acho que é possível haver mais controle por parte das organizações (controle dos tempos indicados aquando das inscrições, um melhor controle no acesso às boxes de partida por exemplo) - não resolve tudo porque haverá sempre algum esperto que vai conseguir enganar mas vai filtrar muitos, aliás, tenho a certeza que muitos que se inscrevem e vão para uma zona onde não deveriam estar, vão por desconhecimento do que se vai passar ali e dos perigos que existem - cada vez há mais pessoas a correr e muitos fazem as suas estreias nas grande provas onde estes problemas são mais visíveis. Já vi alguns bem assustados depois do tiro de partida.
    Essa do cartão do corredor que falas seria uma excelente ferramenta - nos países que tem esse cartão, quem tutela e mantém o sistema a funcionar? A federação desses países? Não há-de ser fácil e envolve custos para os atletas de certeza - e aqui no burgo já sabes como é, se até falsificam dorsais para não pagar.
    Um artigo bem pertinente João, mais um.
    Grande abraço

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    1. ahhh... e vou partilhá-lo lá pelo meu cantinho :):):)

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  5. Olha perdi o comentário...

    Louvava-te o esforço, agradecia tanto este post como o do emplastro e as cotoveladas à Dulce, e dizia-te que é mesmo falta de civismo!

    Mas que a organização deveria ter agarrado a barriga dele e dali para fora!

    Ou seja, civismo mas na falta dele o controlo de ser de "tolerância zero"!

    Há muita falta de cultura desportiva (reparo que muitos dos que mandam as garrafas (fechadas ou não) para o chão copiam o que vêm ) mas o civismo e o bom senso não abundam.

    Por isso, sensabiliza, é preciso!

    Abraço

    PS: Eu também sensibilizo, especialmente quando me fazem voar garrafas de ággua FECHADAS perto da cabeça!

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    1. Sem esquecer os que atiram as cascas de laranja e banana para o meio da estrada!

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    2. Pois as partidas!...E, mesmo assim, os corredores estão muito mais civilizados! Havias de ver como era na década de 80! Muitas soluções podem ser tomadas (e muitas organizações já as tomam) mas nunca se vai conseguir resolver o problema a 100%. Acabar com o problema na totalidade passa por questões de educação e isso vai demorar tempo!...Mas quando se atinge a "notoriedade" como esse cromo que falas a solução passa pelas organizações pura e simplesmente recusarem a sua inscrição na prova embora possa inscrever-se com dados falsos mas mesmo nesse caso algumas grandes organizações se o detectarem na linha da frente tem meios para o irem de lá retirar com recurso a seguranças! Talvez se um dia for retirado ao "colo" de alguma linha de partida o sujeito ganhe juízo! Um abraço.

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  6. Parabéns João, bela analise ao problema, mas isto é um pouco como chover no molhado. É no atletismo, é no transito, é nos passeios, é no dia a dia um conjuntos de situações para a quais se torna muito difícil lutar. Pela falta de civismo.
    Um Abraço

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  7. Eu estava um pouco mais atrás da queda que houve na São Silvestre da Amadora e tive sorte não ficar lá embrulhado.

    Estou cansado da confusão nas partidas e é talvez o que eu menos gosto nas provas, a pressão de estar sempre à "coca" para ver quando se começa a juntar gente na partida para ir para lá para não ficar lá para trás.

    Esse senhor que enumeras é daquelas cenas tristes que há nas provas aqui da zona... na Corrida do Montepio do ano passado mandou uma queda de todo o tamanho logo no início. Estava para variar armando em campeão junto à linha de partida...

    Abraço

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  8. Completamente de acordo João!
    vou partilhar o artigo.

    Abraço

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