quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Um significado especial


Há uns anitos atrás, assisti ao Triatlo de Oeiras. Estava junto à cauda da baleia a apreciar o sector de natação, quando ouvi um indivíduo ao meu lado a comentar para a mulher o facto de uns nadadores estarem quase a sair da água enquanto outros ainda não tinham dobrado a bóia "Olha aqueles tão para trás! O que é que estão aqui a fazer?". E quando saíram da água e se dirigiram às bicicletas, mais espantado esse homem ficou "Para que é que continuam se já não podem ganhar?".

Como explicar a alguém que está fora do contexto, que vencedores há muitos e diversos ao longo dum pelotão? Como explicar, e dando como exemplo a Maratona (que só penso nisso!) que há quem chegue nos primeiros lugares e fique frustrado por ter feito mais um minuto do que o planeado, enquanto lá bem para trás há quem corte a meta com mais de 5 horas, de lágrimas nos olhos de tanta emoção e a sentir-se um campeão a entrar no Olimpo? 

Cada um de nós, atletas de pelotão, tem os seus sonhos, ambições e metas, sempre consciente dos seus limites e dificuldades.

Sem imaginar que um dia iria correr um quilómetro que fosse, quanto mais 42, sempre tive o fascínio das Maratonas e desde que me conheço que seguia avidamente as transmitidas na televisão. 
Apesar de imaginação fértil e de ser um sonhador, nunca me imaginaria a concluir uma proeza com essa distância, mesmo quando comecei a correr e via os 10 quilómetros como o meu limite dos limites e uma Meia-Maratona como algo inatingível.

Mas a evolução que sofremos quando somos tomados pela paixão corrida, leva-nos a situações verdadeiramente impensáveis. E uns meses após ter terminado a minha primeira Meia, que por sinal correu bastante mal, comecei a sonhar com uma Maratona.

Durou 5 anos e meio até alinhar na partida duma corrida de 42.195 metros, prova que nos toma completamente de assalto e nos faz viver em função dela.
Alguns problemas fizeram atrasar a decisão para o grande momento, em especial o medo e a constatação que uma Maratona é um passo maior que a minha perna. Mas o ser maior que a minha perna (e continua a ser), não é nem foi óbice para tentar e conseguir.

A intenção sempre foi fazer uma, apenas uma. Que foi conseguida no meu primeiro dia mágico. Mas, pouco tempo depois, o bichinho atacou novamente. Como se sabe, e apesar de ter sido a que melhor preparado estava, uma inesperada crueldade obrigou à dolorosa desistência.
Mas o tal bichinho estava instalado de armas e bagagens e a 2ª meta foi cortada em Sevilha, no meu segundo dia mágico e aqui um verdadeiro milagre pelo problema que estava a afectar-me.

Próxima, Porto, de hoje a um mês. E dou por mim a pensar que, caso corte a meta, será a minha terceira Maratona. Terceira! O meu tri!

Para quem é conhecedor das suas fracas capacidades para tão longas distâncias, este número começou a batalhar-me na cabeça. Tri! Fazer uma foi um feito, fazer segunda foi, não um feito mas um super feito pois estava a recuperar duma infecção pulmonar e realizei a corrida da minha vida, fazer uma terceira é já algo de muito grandioso para alguém como eu.

Por isso, tenho dito a algumas pessoas que quero cortar a meta no Porto com 3 dedos no ar. Porque tem um significado especial para mim, o reconhecer-me como tri-maratonista. 

Apesar da inconstância que tem sido esta preparação, espero que no próximo domingo se mantenha a evolução registada finalmente em Coimbra, há que continuar a trabalhar para esse grande objectivo com todo o empenho que utilizo em tudo o que me meto. 
Para poder cortar a meta como a fotografia em cima demonstra.
Falta um mês!

20 comentários:

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    1. E força para ti neste domingo :)

      Um abraço

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  2. É fácil, para alguém que está fora do contexto podemos sempre responder que aqueles que ali vêm ao fundo vão à frente dos que ainda vêm mais atrás deles e que até o último está à frente dos que não participaram e limitam-se a assistir!

    Explicar o teu objectivo do TRI é que seria bem mais difícil ... :)
    Não compreenderia de certteza!

    Abraço!

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  3. Força João, rumo ao tri! :)

    Um abraço!

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  4. Deixa-te mas é de tretas que tu és um CAMPEÃO!
    Mais duas maratona e apanhas-me! E vais fazer muito mais maratonas que eu!
    Já agora deixa-me dizer-te que um dos maiores momentos de felicidade que tive nesta minha vida de corredor "coxo" foi quando dei aquele grito: JOÃO LIMA MARATONISTA! no portão do estádio 1º de Maio!
    Ate compreendo que não queiras tentar a ultra maratona pois o meu coração podia não aguentar tremenda felicidade!.
    Forte abraço Torpedo Amarelo!

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    1. Eu é que me deixo de tretas? Não te esqueças que com 2 maratonas e meia, o tempo total é igual ao que tu gastaste em 4!
      E que com 3.10 ainda estou a aproximar-me dos 30 :)

      Gostei dessa nova teoria sobre uma Ultra :)

      Um abraço

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  5. Grande João, só quem corre com paixão , como nós o fazemos, é que tem a noção do que é correr uma Maratona. No Porto, dia 2 de Novembro lá estaremos firmes e hirtos para juntar mais uma ao nosso currículo. Força nessas canetas!!!
    Abraço

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    1. Força nas canetas e, já agora, que estejam com tinta suficiente! :)

      Um abraço e até lá! :)

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  6. Força campeão! Bons treinos até lá
    Abraço

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  7. Força rumo ao tri e que um dia os dedos das duas mãos já não te permital esse tipo de festejo.
    Abraço.
    António Almeida

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    1. He he, é ir somando um dedo de cada vez :)

      Um abraço

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  8. Eu também não tenho dúvidas que as sensações do primeiro e do ultimo sejam idênticas, ambos deram o máximo para atingir o seu objectivo.
    Uns mais rápido outros mais lento, mas todos vão certamente dar tudo o que têm.
    Também é fácil chegar á conclusão que os nossos limites estão para lá da nossa imaginação.

    Força para domingo!

    Manuel Nunes

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    1. Força para amanhã e para uma bela Maratona! :)

      Um abraço

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  9. É mesmo assim , quem não está por dentro do fenómeno desportivo por vezes diz coisas que nos levam a ficar com uma "ira"que nem te digo. Também já assisti a muitas conversas dessas , e uma vez em plena prova ouvi um tipo a mandar uma boca a uma senhora tipo "vai lavar a loiça"reagi em plena corrida a tão grande estupidez.Somos todos de facto vencedores cada um á sua maneira.Grande abraço e continuação de uma boa preparação.

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    1. Um abraço, Joaquim, e boa Meia de Ovar!

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  10. Gosto tanto de ler estes textos. Revejo-me nestas palavras. Um sonho é sonhado à nossa medida. Por isso terminar uma maratona nos lugares cimeiros e com um tempo fantástico não é um feito maior e/ou melhor que terminá-la depois de 5h e depois de treinos falhados, lágrimas derramadas. Um sonho, um objetivo, uma pessoa.
    Vou gostar de ver essa mão no ar!
    FORÇA JOÃO

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    1. Obrigado Anabela pelas tuas palavras :)

      Beijinhos

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