terça-feira, 11 de agosto de 2015

Para onde foi este público?

(Fotografia publicada na Revista Spiridon nº 4 de Maio/Junho 1979)
Correndo em Portugal, corre-se no meio de bem compostos pelotões mas ladeados por escassos espectadores ou mesmo inexistentes. 

Conheço duas honrosas excepções, a São Silvestre da Amadora e a Corrida das Fogueiras em Peniche, que nos fazem sentir campeões com tanto apoio e incentivo.

Daí que na minha estreia internacional em Sevilha, há ano e meio, tenha-me sentido noutro mundo com milhares e milhares de pessoas a gritarem e aplaudirem desde o 1º ao último atleta, só lhe faltando levar-nos ao colo. 

E o apoio internacional é bem visível quando se corre em Lisboa com ruas desertas de espectadores, e com o barulho de fundo de nervosas buzinadelas de quem não quer esperar uns minutos, e de vez em quando lá aparece alguém a gritar e aplaudir. Passamos por eles e... são estrangeiros.

Mas terá sido sempre assim? 

A desfolhar uma Revista Spiridon bem antiga (a nº 4 referente a Maio / Junho de 1979), deparei com a foto que publico em cima.

Refere-se ao Grande Prémio de Alcoitão, disputado a 18 de Março de 1979 pelas 17 horas, com a distância de 7.000 metros, cerca dum milhar de inscritos e onde o vencedor foi Renato Graça do CDUL em 23.36

Mas o que nos surpreende nesta foto é verificar o mar de gente que preenchia por completo os passeios!

Para onde foi este público?

De certo que haverá imensas justificações para termos passado deste entusiasmo para o deserto dos passeios.  

Pessoalmente, recordo-me de como eram os jornais desportivos e os telejornais da época. Dando prioridade ao futebol, tinham sempre espaço para os restantes desportos. E as pessoas tanto seguiam o futebol como as outras modalidades. Ao ouvirem falar, interessavam-se. E na altura, era frequente e constante os jornais desportivos terem notícias dessas modalidades também na primeira página. E estamos a falar duma época em que se publicavam apenas 3 vezes por semana.

Hoje, com os desportivos a serem diários, com a proliferação de canais televisivos e de programas noticiosos, o futebol tem praticamente exclusividade assegurada (e até aqui há diferenças pois dantes noticiavam os vários clubes e agora parece que existem apenas 3...) 

Quem é mesmo apaixonado por uma modalidade, vai à procura das notícias, nomeadamente nos sites dedicados, mas o grande público não foi educado a apreciar e seguir modalidades que não sejam a ditadura do futebol, pois não lhes são dadas a conhecer.

É a minha opinião, gostava de ouvir o que pensam no que poderá ter acontecido a este público da fotografia.  

31 comentários:

  1. A minha opinião sobre o assunto já a dei num texto no UK que tu até comentaste!
    Não vale a pena estar aqui a repetir-me.
    Quem quiser pode ver o que eu escrevi na altura aqui: http://ultkm.blogspot.pt/2010/11/18-km-odivelas-loures-odivelas-ou-um.html E também aproveitar para ver um pequeno filme caseiro do Odivelas - Loures - Odivelas no tempo em que as pessoas vinham para a rua apoiar os atletas e eram muito mais felizes. Curiosamente o Doutor Renato Graça também o vencedor da edição do Odivelas-Loures-Odivelas captada no referido filme.
    Quanto ao caso da Corrida das Fogueiras e da São Silvestre da Amora são provas muito enraizadas nas populações locais que vêm as mesmas como um festa sua e vem para a rua apoiar os corredores. São duas honrosas excepções num Portugal triste!
    Um abraço.

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    1. Pois, 5 anos já passaram desde que escreveste esse artigo e está tudo pior...

      Um abraço

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    2. Infelizmente está tudo a piorar, mas o que escrevia nessa altura poderia ter sido escrito hoje para minha grande tristeza!
      Podem fugir, como o diabo da cruz, de querer enquadrar o que se passa na corrida com o que se passa no país com mas não há volta a dar e esta tudo interligado.
      Um povo triste, com trabalhos precários, mal pago, explorado, sem perspectiva de futuro não é um povo feliz e fecha-se na sua concha.
      Claro que sobra o futebol mas esse é serviço em doses maciças como forma de envenenar um povo pela alienação. E também temos as festas em directo e ao vivo das TV’S com “música” pimba” e muitos concursos em que não se vê um povo feliz, mas sim um povo zumbi intoxicado e alienado.
      Depois o gosto pelo desporto cultiva-se e advêm, também, deste a mais tenra idade, se incentivar a prática desportiva. E se falarmos em termos de desporto escolar é algo cada vez mais inexistente...
      Poderíamos também falar nas colectividades de cultura e recreio, na importância que eles têm, ou deviam ter, no incentivo à prática desportiva e até na organização de provas populares de bairro e estaremos a falar nas dificuldades que essas colectividades têm para existir nos dias de hoje e das perseguições de que são alvo.
      Querem que as coisas mudem? Pensem bem quando votarem em Outubro onde vão por a cruzinha e não fiquem em casa para que outros decidam por voçes!...
      Este pode ser um desabafo algo a azedo, mas a vida fez-me assim, estou farto de ver tentativas de tapar o sol com a peneira. Eu gosto de chamar os bois pelos nomes!
      Mas mesmo com alguma dose de azedume acredito que as coisas podem mudar e mais que acreditar tento meter um pauzinho na engrenagem desta maquina maldita desta sociedade absurda!
      (João desculpa o “assalto” que fiz aqui nos comentários. As vezes tem que ser...Aquele abraço.)

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  2. Eu já nem tenho palavras para falar neste assunto... mas partilho aqui uma noticia que vi ontem sobre a Volta a Portugal, mas que vai de encontro aos problemas vividos no atletismo.

    http://www.jn.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=4722283

    Abraço João

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    1. Nem mais! E quanto mais polémica melhor. Ou então chegar-se ao ridículo de abrir o telejornal com a notícia que um determinado treinador da moda diz que quer ganhar o próximo jogo. Se dissesse o contrário é que seria notícia...

      Um abraço

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  3. O Vitor já se antecipou em relação à polémica da Volta a Portugal em Bicicleta.

    Claro que podemos dizer que nos tempos da foto da Spiridon não havia mil e outras distrações e portanto as pessoas acabavam para ir para o "terreno" ver passar e encorajar os ídolos, o zé, quem quer que fosse.

    Com o advento da tv as coisas devem ter piorado mas penso ser mesmo nos ultimos 10/15 anos que a situação se precipitou e neste momento roça o ridiculo.

    Infelizmente significa que a qualidade do jornalismo português no geral e o desportivo em particular é péssimo e apenas (de)votado ao populismo, tenta provocar reações, só assim se explica que os chamados jornais de referência vêm diminuindo a tiragem e os 3 deportivos ou aumentam ou pelo menos mantêm.

    Chamar desportivos é exagero, pois é futebol e depois há os rodapés...

    Eu ainda sou do tempo em que Portugal não era campeão de futebol sub-qualquer coisa, e era ver aos fins de semana a pista de Santarém (cinza, na antiga escola agrária) cheia de atletas! Sim, não havia propriamente público para além dos colegas ou familiares, mas havia atletas.

    O final da minha vida de federado já foi pós campeões de futebol e era ver a diminuição, ou seja, não havia renovação no escalões mais novos, era tudo para o futebol.

    Ainda se lembram quando o Santana Lopes se levantou porque interromperam a entrevista já nem sei porque alguma equipa ou treinador ou ronaldo chegou ao aeroporto? E acharam normal...tá bem que era o santana lopes, ok, mas ainda assim.

    É desvalorizar tudo, mas mesmo tudo! por umas patacoadas de uns palhaços que apenas fazem peito cheio e nada acrecentam.

    Assim, é uma maçada tudo o resto, as estradas fechadas, os Jogos olimpicos (espera, desta vez pode ser que haja selecionados no futebol...só falta se forem ser um deles o porta estandarte, sim, lembro-me bem do finca pé da grande Fernanda Ribeiro), o ciclismo, campeonatos do mundo de outra coisa que não seja futebol, até futebol de praia é um must...enfim, é o que temos mas também é o que deixamos que vá sendo.

    Olha, desculpa o testamento...

    Abraço

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    1. Obrigado pelo precioso contributo!

      Um abraço

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  4. António Fernandes11 de agosto de 2015 15:36

    Pois João Lima, para onde foi este público? É simples. Desapareceu. Os mais velhos, provavelmente, finaram-se. Os que tinham "quarentas" estão nos “setentas”. Os mais novos, consoante as suas idades, estão nos “sessentas”, nos “cinquentas” (como eu), nos “quarentas” e a esmagadora maioria estava habituada a fazer… nada (em termos desportivos, claro) e os corredores eram heróis. Mas vejamos um pouco as coisas: em 1979 não havia os canais de TV que há agora, muito menos com festa e concursos a prometer muito dinheiro a quem gasta o dobro em telefonemas de valor acrescentado, para agarrar os velhos à pantalha; não havia computadores, smart phones, smart tv, com tudo agarrado às redes sociais, etc.; as épocas desportivas estavam bem delineadas – acabava o futebol e o hóquei, começava o ciclismo (a grande modalidade que passava à porta de casa) e o atletismo tinha a sua época de pista, a partir de Maio (antes tinha um pequeno período de estrada que se seguia aos grandes corta-matos, que também tinham muita gente a assistir).
    Com as provas de estrada que começavam a organizar-se um pouco por todo o lado, o atletismo tornava-se um prolongamento da alma do ciclismo: os corredores passavam à porta de casa.
    Por exemplo, na zona do Oeste, logo após a Volta a Portugal, eram frequentes as organizações de um dia, em circuitos (por exemplo as Voltas à Gafa), em que estavam lá os craques que se tinham destacado no ciclismo (e os craques eram mesmo craques, não eram um galego de 35 anos, que apenas tem no seu currículo uma etapa na volta à Espanha, uma volta à Catalunha e duas voltas a Portugal…).
    Esse espírito grassava nas nossas aldeias. O Crosse dos Matos Velhos tinha lá os melhores atletas, e estavam lá centenas, para não dizer milhares, de assistentes. Havia poucas oportunidades e estavam lá os melhores.
    Agora… há imensas ofertas (já repararam a quantidade de festivais musicais de verão, de festivais gastronómicos, de feiras medievais, de trails, de provas de estrada, de torneios de futebol de praia, de torneios de basquetebol de 3x3, etc.), de ginásios, de campos de golfe, de espaços de aventura, que dispersam todas estas pessoas.
    Até nas festas das aldeias se nota essa dispersão. Antigamente podíamos ir ao “bailarico” TODAS as noites de verão, sempre com muita gente, agora só nalgumas aldeias é que a festança tem “peso”.

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    1. Muito obrigado caro amigo pelo excelente e conhecedor contributo!

      Tudo isso é bem verdade, mas em Espanha, tendo a mesma panóplia de ofertas, enchem as estradas...

      Um abraço

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    2. Pois João é isso mesmo. O comentário do António Fernandes é excelente mas a verdade é que nos outros países com tantas ou mais e melhores ofertas, o publico continua a lá estar a apoiar os atletas.

      Veja-se também a Volta à França. O público vai à loucura, exagerada diga-se de passagem :) mas está lá e deve ser fantástico sentir aquele apoio todo!

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    3. Penso que foi o ano passado que o Tour partiu da Inglaterra e era a loucura totaaaal nas ruas.

      Ajuda e muito ter o vencedor ou um dos potenciais vencedores mas não pode explicar tudo.

      É engraçado (ou não...) ler, ouvir, tudo o que é Banda musical, Dj...dizer que os portugueses são um publico fantástico mas no que à participação em massa neste tipo de eventos é tudo aborrecido, é um embaraço...

      Já nem sei a que evento foi, Campeonatos do Mundo, Europa, não me lembro, mas onde a comitiva portuguesa, atletismo, entenda-se, teve resultados aquém do esperado (resta saber quem coloca as expectativas) e era ouvir alguns comentários aqui onde trabalho, que ganhavam isto, aquilo e depois nada faziam. É aceitável até certo ponto mas era interessante passarem esse ponto de análise para o...sei lá e ao calhas, futebol...pois...titulos olimpicos...mundiais...europeus...ahhh, pois...

      E atenção, eu gosto de ver futebol, acho é um exagero tudo girar à volta dele.

      Em relação a tudo o resto é apático, porquê?

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  5. Na minha opinião, e vale o que vale, o problema não está nos jornais ou na televisão. Para mim, o problema está nas próprias corridas. Eu ando nisto há pouco tempo, é verdade, mas nesse pouco tempo tenho visto um numero cada vez maior de participantes nas provas (como tu dizes) e um número cada vez maior de provas. Não há fim de semana em que não haja 4 ou 5 corridas, entre trilhos e estrada. O que acontece é que se perdeu a novidade, o entusiasmo de ir ver alguma coisa diferente, caras desconhecidas a correrem nas nossas conhecidas ruas. É sempre mais do mesmo. Este fim de semana a corrida TSF, no outro a corrida Jumbo, no outro a meia de Lisboa, no outro a maratona, no outro a São Silvestre (não por esta ordem, claro.) e as pessoas, para al´me de se habituarem a ver outros correr, começam a achar incómodo os cortes de estrada que se fazem e as garrafas e tampas e pacotes de gel que ficam depois da corrida terminada.
    A juntar a isto tudo, e que também pode ajudar no "desaparecimento" do público, é que o público deixou de o ser para se tornar o atleta que fica triste porque não há público nas ruas a apoiá-lo.

    Abraço

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    1. Hum... também há jogos todos os fins-de-semana (as jornadas arrastam-se durante 4 dias) e não é por aí que as pessoas se fartam de tanta oferta.

      Quanto ao público ter passado a correr, note-se que a corrida retratada, teve um milhar de atletas inscritos, portanto não havia poucos atletas. E quando eu comecei a correr em 2006, o calendário era escasso em relação à actualidade mas o deserto era o mesmo.

      Quanto à estradas estarem cortadas, é curioso de verificar que na Amadora e Peniche colocam cartazes mais duma semana antes a avisar dos cortes e da realização da prova e são as duas que têm público condizente.
      Será uma boa ajuda a publicidade para o público em geral? Penso que sim e lá está, se as pessoas têm conhecimento antecipado, movimentam-se e interessam-se, tal como sucedia antes ao ser noticiado.

      Um abraço e obrigado

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    2. Sim João, a questão é que em Peniche (onde já corri as Fogueiras) há essa corrida e penso que não haja mais. Há aquela coisa das pessoas quererem ir para a rua participar na festa. Agora no saco de Lisboa onde há todos os fins de semana, é natural que as pessoas já não estejam interessadas em fazer parte da festa sempre. Sei que é uma pena. Dificilmente esquecerei a Maratona de Madrid e as dezenas de milhares de pessoas a aplaudirem e a darem força.

      As provas cá são publicitadas. A questão é que não são novidade. Vou-te dar o exemplo do primeiro Trail do Fluviário de Mora (a minha terra). Um trail que ninguém conhecia, que conseguiu juntar mais de 100 atletas e que na zona da partida/chegada estava cheio de gente a apoiar. Num meio mais pequeno e onde não é habitual este ou aquele evento, a probabilidade de haver mais público, aumenta muito.

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  6. Tens toda a razão, para onde foi este público?

    Concordo que o futebol tirou muito protagonismo às outras modalidades, mas isso não é culpa das pessoas, é culpa dos jornalistas, embora nós tenhamos a culpa de nos deixar levar por aquilo que nos impingem.
    Quem se interessa, procura e não se limita aquilo que lhe impingem.

    Acho que se por um lado se nota mais gente a praticar desporto, por outro há cada vez mais gente colada à tv, ao pc, ao tablet e afins. As redes sociais ocupam também demasiado tempo às pessoas em vez de sairem, irem passear, conhecer sítios.

    Isto tem tudo a ver com mentalidades e infelizmente às vezes acho que isto está cada vez pior. Olho para a juventude e vejo as pessoas sempre agarradas aos telemóveis e às redes sociais.

    Nós cá continuaremos a praticar o nosso amado desporto, esperando que um dia as coisas voltem ao que eram no dia em que foi tirada essa foto.

    Beijinhos

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    1. Vamos ser optimistas e esperar por um volte face :)

      Beijinhos

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  7. Boas João!
    Nas provas em que participo, às vezes também reparo que há pouco público, com exceção da zona da meta... pois aí há sempre pessoal a aplaudir os amigos, os familiares, etc,.. mas no restante percurso, até parece que ando a treinar! Não se vê ninguém!
    Mas vamos lá a ver uma coisa... também é difícil encher um percurso de 10 km ou 21.. 42 com público. Teriam que ser milhares e milhares de pessoas. Mas sei do que te referes... pois por vezes passamos por pequenos grupos de pessoas, que não aplaudem nem apoiam. Estão ali a vê-los passar, literalmente! Aplaudem os primeiros 5 ou 6... e depois parou!
    Um ou outro ainda lança um "FORÇA", mas é pouco!
    Uma prova de atletismo não tem tanta espetacularidade como outros desportos. Por exemplo, até uma etapa do mundial de surf em Peniche ou na Ericeira enche uma praia até à beirinha, com milhares de pessoas durante 4 ou 5 dias, o que não acontecia nos anos 80. São coisas novas e o pessoal gosta! E no futebol, também não é bem assim, pois até esse tem estádios vazios em muitos encontros. com exceção dos jogos grandes. Em relação aos anos 80, há mais oferta, as pessoas aproveitam os tempos livres de outras formas e estão-se marimbando para uma prova de atletismo, que há uns anos atrás era um acontecimento e a malta queria ver, assim como o Festival da Canção ou os saudosos Jogos sem Fronteiras... e hoje ninguém lhes liga nenhuma! E tínhamos o Lopes e o Mamede que moralizavam os aficionados da modalidade os portugueses. Eram heróis nacionais que conseguiam medalhas e títulos que moralizavam um povo e os via como alguém que os representava! Eu fui ver o Campeonato do Mundo de Corta-mato no Jamor em 1985, a pagar bilhete!!! E como eu, a malta ia ver as provas em que eles entravam, ou não, pois era uma modalidade ganhadora!
    Eh pá e depois, tínhamos 2 canais de televisão, não tínhamos a Internet... havia pouca coisa para fazer e a malta saía à rua para ver as provas de atletismo.

    Para mim, passa por aí, evolução e mudança de mentalidades e falta de referências muito fortes numa época, sem desprimor para atletas como a Dulce Félix ou Sara Moreira e outros!

    Abraço e desculpa lá o testamento! :)

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    1. Não há referências pois pouco são faladas.
      Não me esqueço que um dos diários desportivos não fez qualquer referência na 1ª página quando da medalha de ouro olímpica do Nélson Évora...

      Um abraço e obrigado pelo contributo

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  8. João, de facto a falta de público é notória, tirando as excepções da S. Silvestre da Amadora e das Fogueiras em Peniche.

    "Quanto à estradas estarem cortadas, é curioso de verificar que na Amadora e Peniche colocam cartazes mais duma semana antes a avisar dos cortes e da realização da prova e são as duas que têm público condizente.
    Será uma boa ajuda a publicidade para o público em geral? Penso que sim e lá está, se as pessoas têm conhecimento antecipado, movimentam-se e interessam-se, tal como sucedia antes ao ser noticiado."

    Ajudaria um bocado sim, por exemplo a Marginal à Noite, como está relativamente bem anunciada, é das poucas que também vai conseguindo ter alguns espectadores, claro que não é comparável com as duas míticas que falei acima, mas sempre têm algum público

    Abraço

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    1. Um abraço Sérgio e obrigado pelo contributo

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  9. Penso que o principal é a cultura desportiva, que nos falta, João.
    Como já foi dito, em Espanha, onde o público vive a Corrida, também existem os mesmos ou mais meios de dispersão. Entendem que os atletas, o público e a organização, formam um triângulo em bloco, que dá corpo ao evento. Cada um cumpre a sua parte e o espectáculo ganha. Se um deles falha, a coisa sai chocha, seja porque os atletas não se esforçaram, seja porque a organização não esteve à altura, seja porque o público esteve ausente. Confesso-vos uma coisa: prefiro mil vezes estar a fazer o espectáculo correndo, do que fazer o espectáculo aplaudindo. E não será que o público que gostávamos de ver, nas bermas a incentivar-nos, se sente também mais impelido a participar correndo? Tanto mais que, a mudança que se registou na mentalidade das pessoas, em que as performances para entrar numa corrida deixaram de ser muito importantes, as levou a engrossar o pelotão em vez de se limitarem a assistir ?
    A comunicação social teria sim, um papel importante, mas mais na divulgação da modalidade, ensinando a gostar dela e não, propriamente na angariação de público. Acho eu.
    Abraço.

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    1. Concordo em absoluto, Fernando

      Obrigado pelo contributo

      Um abraço

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  10. Olá João,
    1979 foi um grande ano! :)
    Desde que comecei a correr, em nenhuma ocasião corri com um público como o da fotografia. Tive uma pequena amostra como já disseste e corroborado, na S. Silvestre da Amadora e é uma sensação espectacular.
    Em Outubro de 2013, fiz a meia maratona de Lisboa e depois fiquei a apoiar os atletas da maratona e tal como escrevi na altura, senti que estava ali a cumprir uma missão, que todos os aplausos e cada "Força!!! Vamos!!! Já falta pouco!!!" era tão importante para aquelas pessoas como para mim. É uma linguagem universal e claramente havia muitos estrangeiros a participar na maratona.
    E nesse dia percebi a adrenalina (consubstanciada em arrepios) que se sente não só quando se recebe palavras e gestos de incentivo como quando se fica a apoiar.
    Alguma vez haverá um público assim novamente? Não sei dizer. Eu tento e continuarei a dar o meu modesto contributo de ambos os lados: correndo e apoiando sempre que possível e tentando envolver os meus nessa tarefa também.
    A propósito, espero que a maratona do Porto tenha muita gente nas ruas! E já agora, também estou a gelo no joelho, por excesso de esforço num treino longo. Não há-de ser nada, espero.
    Força, João!

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    1. E o quanto importante é para os atletas ouvirem esse incentivo!

      No Porto, sem a menor dúvida que há mais espectadores do que em Lisboa, em especial na chegada onde fazem uma grande festa. Festa que não cheguei a assistir pois só sucedeu até quem fez 4 horas e pouco. Depois, os espectadores fugiram porque o céu abriu-se por completo numa chuvada/trovoada fortíssima!
      Cortei a meta quase sem ninguém a assistir mas com uma campeã mundial ao meu lado, a Aurora Cunha que ia buscar os atletas à curva e acompanhava-os até à meta! :)

      Espero que recuperes rápido desse problema no joelho e que não afecte a preparação para o grande dia!

      Força!!!!

      Beijinhos

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  11. É verdade que é um problema mas... Já pensaste quantas corridas vais tu bater palmas? (quando não vais participar)

    Os mesmos motivos porque não vais as outras pessoas não vão, há muita opção de escolha sobre o que fazer no domingo de manhã e ver uma corrida não é para muita gente a mais motivante.

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    1. Caro senhor anónimo (não dói dar a cara...), não sei onde assumiste que eu não ia aplaudir quando na realidade já fui a muitas e variadas provas aplaudir e apoiar outros atletas, e de certeza que quem me lê já me viu algumas boas vezes nessa função.

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    2. Acusar o João Lima de não ir assistir e aplaudir às provas é no mínimo hilariante :)

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  12. Boas João apenas hoje li este teu texto, sobre um assunto bem pertinente. Depois de ler os comentários acima acho que já foi praticamente tudo dito, as razões são muitas e a tendência vai ser difícil de mudar. Além do futebol, e de uma forma geral já não existe cultura desportiva em Portugal, a começar pelas escolas... o chamado desporto escolar não existe ... depois temos uma imprensa que trata os "craques" da bola como "estrelas de rock ou de cinema", as revistas cor-de-rosa estão cheias de noticias sobre eles ... resultado? ... andam por aí imitações de Cristianos aos montes, os penteados, os bonés... os pais pensam todos que tem um futuro craque em "mãos" e tudo fazem para que ele chegue lá, ou seja, só se vê bola à frente, mesmo que queiram outro desporto não lhe são dadas outras opções ... depois é os shoppings, as redes sociais, etc, etc e tal ... estive uns dias no Algarve de férias ... 6 casas em Banda, montes de miudagem entre os 9 e os 15 anos ... tudo enfiado às tardes (alguns o dia inteiro) em casa, ou à sombra com os telemóveis e os tablets ligados ... ir à praia, nadar, correr, brincar??? zero ... e a maioria dos pais todos contentes pq assim não dão trabalho e é um sossego ... nós pais temos a responsabilidade de fazer alguma coisa por isso, vale o que vale, não é fácil, requer perseverança mas dá frutos ... os miúdos gostam de andar de bicicleta, dar uns mergulhos, fazer castelos na areia e até de correr ... e depois ainda sobra tempo para as redes sociais também ... tb já fiz algumas provas lá fora, e não existe comparação ... as famílias dos chamados europeus "frios" e " carrancudos" saem à rua e transformam-se em autênticos "animais do incentivo" ... um espectáculo que gostaria de ver tb em Portugal ... sou um optimista por natureza, mas neste aspecto vejo a coisa a piorar. Abraço

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    1. Obrigado Carlos pelo excelente contributo!

      Um abraço

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  13. Excelente pergunta uma bela observação mas a resposta é difícil.
    Já não há muito para dizer depois dos comentários anteriores.
    1.º Acho que a nossa comunicação social falada e escrita tem uma boa percentagem de culpa no problema, raramente se vê noticias de atletismo para alem do futebol.
    2.º Também na corrida, fundo e meio fundo a falta de novos ídolos, Carlos Lopes, Mamede, António Leitão, António Pinto, Paulo Guerra e tantos outros.
    3.º Também a oferta de todos os meios electrónicos ao dispor da juventude não ajuda. É muito mais fácil estar sentado a jogar no telefone ou Tablet, do que ir ver (aplaudir) ou participar numa corrida.
    4.º A mentalidade dos portugueses (já está mais aberta) mas ainda não está o suficiente para abraçar no seu máximo potencial uma prova de atletismo.
    E todos nós temos exemplos, aqueles que se situam do meio do pelotão para trás, muito poucas vezes ouvem incentivos positivos, a não ser buzinadelas, ide mas é trabalhar, não vais longe, etc. etc. Só que se esquecem que cada passo que aqueles atletas dão contribuem em muito para o seu bem estar fugindo das maleitas que a vida nos oferece.
    5.º De facto correr no estrangeiro nada tem a ver com a nossa realidade mas também temos cá algumas provas excelentes. Exemplos não focados: S. João do Porto, Maratona Porto também tem muita participação do público e a aplaudir freneticamente os atletas.
    6.º Temos de viver com o que temos. E fazermos aquilo que mais gostamos. Que é correr com ou sem público a ver.
    Força João, um abraço.

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    1. Excelente contributo, amigo Mário!

      Um abraço

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