quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Organizações enfrentam cada vez maiores obstáculos

Sejamos claros. As organizações em Portugal de provas de estrada são um bem que temos, distinguindo-se a nível internacional pela qualidade e preço. 

Com excepção daquelas super provas que se disputam pela Europa fora para muitos milhares de atletas e com patrocínios de toda a forma, as restantes ficam longe da capacidade organizativa que temos o prazer de usufruir no nosso cantinho. E a comparação preço, mesmo tendo em conta o nível de vida, é nos favorável.

Porém, as organizações enfrentam cada vez maiores obstáculos. Longe vai o tempo das facilidades e apoios de toda a forma, pois o desporto torna a população mais saudável e produtiva. Porém, com o incremento popular, as corridas começaram a ser vistas como algo muito apetecível para se ir buscar dinheiro. E em vez de apoios oficiais, passámos a ter taxas. Taxas de toda a forma e feitio. 

É necessário uma tenda para dar os dorsais? Taxa-se o espaço que essa tenda ocupa.

É necessário um locutor a dar informações? Taxa-se o ruído.

A actividade desportiva é um bem necessário? Não faz mal, as inscrições levam um corte de 23% de IVA

São necessárias autorizações? Taxa-se.

Tem que se fechar estradas? Paga-se e ao exigir polícia, fica-se nas mãos dos mesmos que elaboram o esquema que julgam necessário, chegando a cobrar vários milhares de euros.

A isto junta-se a despesa do seguro dos atletas, mais o seguro de responsabilidade civil da prova, que tem vindo a ser inflacionado. Basta ter um determinado número de atletas e estes valores como que duplicam .

E as àguas? Têm que ser previstas sempre para cima pois nunca podem faltar.

E outros valores há, numa relação que é sempre a somar, sem esquecer a necessária divulgação da prova e, por exemplo, os custos de comissão de inscrição pois é muito fácil e prático pagarmos as provas por multibanco mas é (mais uma) parcela a somar pois isso implica mais não sei quantos cêntimos de comissão a pagar. 

E os cêntimos transformam-se em euros e os euros sobem em flecha nesta soma onde apenas estou a incluir os items obrigatórios.

E os outros? Se não houver t-shirt? Cai o Carmo e a Trindade. Se não houver medalha? Mais uma crítica. E se não há prémios? Alguns boicotam.

A juntar a este bolo, e á falta de apoios oficiais, os patrocínios vão rareando. 

Por outras palavras, as despesas em alta e as receitas em baixa.

Como o panorama já não era bom, veio a notícia de que a Federação e Associações estão a receber menos do que recebiam do Estado. Ora como compensar isso? Carregando as provas. As Associações têm que autorizar as provas e, por exemplo, a de Lisboa que cobrava 100 euros, aumentou para mais do dobro, 250 euros, havendo outras, como Aveiro, que pode chegar aos 325.

Não é preciso uma máquina de calcular para, no fim de somar tudo, ver que o que pagamos não chega, várias vezes, para cobrir as despesas. Com os patrocínios a escassearem, como irão resistir as pequenas colectividades que, com muito esforço e carolice, fazem das tripas coração para ter a sua prova? E muitas vezes para serem presenteadas com críticas, pois é muito mais fácil (e até parece que sociavelmente aceite) o dizer mal, sendo custoso para muitos elogiar (muitos julgam como uma fraqueza, o que para mim é um mistério).

Ora uma coisa é inegável. Precisamos das organizações para termos corridas e os organizadores precisam de nós para terem participantes. Se ambos necessitamos do outro, porque teremos que dividir em partes e não actuar como um todo?

Para tal, nós atletas, muito temos a fazer/melhorar. E deixar de exigir o dispensável, pois o que nos move, ou o que nos deveria mover, é a corrida. A corrida e seu prazer, a corrida e o seu convívio, a corrida e nossa superação.

Não vamos deixar que estraguem um bem que é de todos. Não vamos pactuar com criticas ocas e maus feitios. Temos que ser pró-activos... pois o reactivo pode chegar tarde.

31 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo contigo!
    Mas eu venho nisto desde os anos 80 do século passado, já corri em grandes provas, já corri em pequenas provas.
    Já ajudei em organizações pobres, já ajudei em organizações “ricas”:
    Já vi muito, já fiz alguma coisa (pouca).
    Penso que as provas de estrada, pelo evoluir da situação, vão sofrer um grande abalo nos próximos tempos.
    Por alguma razão cada vez aparecem mais provas de trail, não é só por ser uma vertente fascinante da corrida, não é sou uma questão de moda mas é também uma questão económica pois torna-se muito mais barato organizar uma prova de trail.
    E agora temos o trail porque antes do grande crescimento do mesmo muitos pequenos clubes viravam-se para a BTT pois saia muito mais económico que uma prova de estrada!
    Já não sou um corredor de estrada mas já o fui e sei o quando são necessárias as provas de estrada e o quanto elas fazem falta.
    Nestes tempos difíceis temos de abdicar de muita coisa, camisolas, brindes medalhas, etc,, ser tolerantes e compreensivos para com as organizações e, sobretudo ajudar as mesmas.
    Você que já fez n provas já foi um dia um dia ajudar numa organização? Já viveu uma corrida do “outro lado”? Tem alguma ideia do trabalho que está por detrás da organização de uma prova?
    Os tempos não são fáceis e a solução é adaptarmo-nos aos mesmos (um grande exemplo foi o treino do Fim da Europa em que se fez muito com o mínimo e se mostrou que era viável voltar a haver a prova tal como veio a acontecer):
    Entretanto em vez de criticarmos as organizações por tudo e por nada talvez fosse melhor solução apontar as baterias aos responsáveis pelo estado em que Portugal se encontra e no próximo dia 29 há já uma grande oportunidade para o fazer!
    Sim que a política e o desporto estão intimamente ligados por mais que nos queiram fazer crer do contrário.
    O desporto é um direito constitucionalmente consagrado e temos de ir procurar quem melhor defende a constituição e que a nível do poder local mais faz em prol do desporto.
    Mas isto são outras águas mas se não navegarmos por elas vamos continuar na mesma e a “bater” nas organizações que são o elo mais fraco da cadeia e as menos culpadas!
    Um abraço João!

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    1. Obrigado pelo excelente contributo, Jorge

      Um abraço

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  2. SUBLIME.
    Caro João Lima, este texto está oportuníssimo e genialmente concebido. Parabéns.
    Abraço.

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    1. Obrigado Fernando. A necessidade de defender um bem como as nossas provas, aguça o engenho :)

      Um abraço

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  3. É por textos como este, que és uma referência na blogosfera.

    Abraço

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    1. Oh Vítor... até fico embaraçado com elogios assim... :)

      Um abraço

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  4. Integralmente de acordo.

    Existem medidas que poderiam ser implementadas para reduzir custos. O levantamento dos dorsais, por exemplo: dorsal único e chip único para toda a época. Evitava-se toda a parafernália de deslocações para levantamento de dorsais, as organizações não necessitavam de um espaço para levantamento de dorsais, etc. Claro que isto implicava que toda agente, mesmo que se inscrevesse numa só prova, aderisse ao dorsal único. Um ano com uma experiência piloto daria para testar a ideia.

    Em relação às taxas e ao IVA são certamente o que encarece mais a organização de uma prova hoje em dia. Não deixa de ser sintomático do nosso sub-desenvolvimento civilizacional taxar uma actividade que nos dá anos de vida e é promotora da saúde física e mental.

    Abraço e obrigado pela partilha :)

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    1. Grande ideia essa do dorsal único!
      Há uns anos li que Espanha estava a querer implementar um sistema assim mas depois não ouvi mais nada.
      O problema... são os oportunistas! Tinham um dorsal na mão e não se inscreviam pois já o tinham. Bastava colocarem-no que parecia que estavam lá legalmente.

      Um abraço

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  5. João, excelente texto! Quem gosta de correr e participar em provas não pode ficar indiferente a esta situação. Esta situação é mais um reflexo da conjuntura económica em que vivemos. Contudo, da minha parte, abdico de tudo o que seja "brindes" e t-shirts de provas, se isso contribuir para amenizar o problema. Todos nós devemos ter um baú cheio de t-shirts que já não sabemos o que lhes fazer; grande parte dos atletas em provas até usa as suas próprias t-shirts, não acredito que precisem dessas t-shirts para participar na prova. Por mim, apostava naquilo que é fundamental para a realização da prova (abastecimentos, segurança, por exemplo) e eliminava tudo o que é acessório e se tornou "obrigatório".

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    1. O que é incrível é que coisas como t-shirts, meros acessórios, são muitas vezes a base de discussões e não a segurança e excelência da organização.

      Beijinhos

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  6. Parabéns João; Gostei do texto está excelente. Embora concorde, com tudo o que escreve, falta a parte humana, que grande parte das organizações desprezam. Como já me aconteceu terminar uma prova de 10 km sem água e chegar perguntar por água mandarem-me beber numa torneira colocada ali próximo, e isto aconteceu porque cheguei com os últimos atletas e as águas tinham acabado. Não deve pagar o justo pelo pecador é um facto. Mas vê-se coisas ás vezes que deixam muito que pensar, e depois sai comentários menos agradáveis. Boas corridas e bons textos, para a gente ler.
    Um abraço

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    1. Olá Mário. Na vertente humana, há de tudo e estou a referir tanto organizações como atletas.
      Tal como nós, atletas, falhamos, às vezes as organizações também falham. Mas a maneira como respondem a essa falha é que faz a diferença.
      No meu caso, apenas por uma vez senti-me mal tratado numa prova (não foi apenas a mim mas em relação a todos os atletas). O que fiz foi não ter regressado mais a qualquer uma das 5 edições que entretanto realizaram.
      Não há regra sem excepção e essa foi a única vez que senti que estavam a tratar os atletas como um mal necessário. Agora até pode estar diferente mas dessa prova não tenho mais vontade. É a única (e é pena sendo de quem é).
      De resto, o que vejo é empenho e paixão por fazer bem. mas também acredito que depois de ouvirem várias críticas injustas, possa sair alguma resposta torta para quem não tem culpa.
      Um abraço

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  7. meus amigos; quanto ao dorsal único desde há muito que venho defendido isto, mesmo em contactos com a Federação que de inicio se mostrou receptiva mas recuou creio por oposição das associações pois isto implicaria a filiação de todos os atletas e os novos clubes poderiam assim votar, o que talvez não conviesse muito a algumas pessoas. Quanto às críticas. paremos com isso" valorizemos sim quem dá o seu contributo gratuito para que nós possamos continuar a dispor do nosso desporto

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  8. meus amigos: em relação ao dorsal único, há muito que venho "lutando" por isso inclusive junto da Federação, a qual de início se mostrou interessada mas, recuou penso que devido a pressão das associações pois não estariam interessadas na filiação de novos clubes os quais passariam a ter direito de voto o qual não interessaria a algumas pessoas. É pena! quanto às críticas temos é de colaborar quando possível com quem dá o seu melhor para que possamos continuar a usufruir do nosso desporto. É verdade que os trailes ficam mais barato...por enquanto, e quanto a mim prefiro estas provas: temos é de aqui exigir qualidade e seguirança, o que nalguns casos por vezes não existe

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  9. Grande texto João.
    Acho que as organizações, com alguma imaginação vão conseguir superar as dificuldades e vão conseguir distinguir o que é importante para os atletas e o que é supérfluo minimizando assim os custos.
    Forte abraço.

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    1. Mas receio que algumas caiam...

      Um abraço

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  10. João, eu vivo na zona onde é raro haver provas. Mas felizmente, quando há, diria que corre tudo bem. Mesmo assim, por melhor organização que tenhamos, ainda ponho a vizinha Espanha como referência a ter em conta.
    Aquilo que eu noto é que passou a haver a massificação de provas, sobretudo em Lisboa e arredores. Tu referes o oportunismo de quem aplica taxas a torto e a direito para ir buscar dinheiro a um mercado emergente, mas eu também destaco os oportunistas pseudo-organizadores de provas que perceberam que existe um filão a explorar nas corridas. P.e., com 10€ de inscrição e 10.000 participantes, vale a pena mencionar a tristeza que foi o final da prova do Tejo, com a entrega de uma maçã minúscula e uma água de 33cl? Para mim é claramente um triste exemplo de uma organização que procura o máximo lucro, procurando poupar em tudo o que puder. E até que os corredores se indignem e não voltem a inscrever-se, cada vez haverá mais casos desses. Este assunto irá certamente voltar a ser abordado. A dúvida agora é saber aquilo que os corredores estão dispostos a suportar tendo em conta que com tão grande número de provas, tão grande falta de apoios e tão grande taxação, alguma coisa começará a faltar ou a ser muito mal servida.
    E já que se fala das águas, faz sentido que os abastecimentos sejam feitos com garrafas de água, que na maioria dos casos apenas servem para molhar a boca, lavar a cara e mais de metade do conteúdo ser desperdiçado? Por essa Europa fora, quantos abastecimentos em corridas são feitos com garrafas de água?
    «Ora uma coisa é inegável. Precisamos das organizações para termos corridas e os organizadores precisam de nós para terem participantes.» Sim, é verdade. Mas não precisamos de todos os organizadores. Há os bons, que, entre tantas taxas não prejudicam os corredores, e há os oportunistas, que colocam o lucro pessoal à frente de tudo o resto. Cuidado com esses.
    Abraço
    Luis Santos
    http://makejetomossoonsports.wordpress.com

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    1. Olá Luís

      Não posso concordar que a Corrida do Tejo deu apenas uma maçã e uma água. É estarmos a esquecer da medalha, camisola (antes da prova), dos 4 treinos gratuitos e específicos para os participantes nas semanas anteriores, nos balneários da Piscina Oceânica à disposição, das restantes infraestruturas (como o chuveirinho), dos custos altíssimos que é encerrar uma estrada com aquele nível de trânsito. Isso tudo são coisas que somam e somam muito e que nos são dadas.

      Quanto a haver organizações oportunistas, o mesmo se passa com atletas oportunistas que, não pagando, fazem a prova toda e usufruem do que está à disposição. Em tudo há os bons e os maus e cabe a cada um escolher o que prefere.

      Um abraço

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  11. João, estou totalmente de acordo contigo.
    Como sempre um texto muito bem escrito.
    Eu pessoalmente dispenso as t-shirts e lembranças. Acho que o fundamental são os abastecimentos e a segurança durante o percurso. O resto é conversa.
    Beijinho e até logo.

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    1. Isa, como sempre com o teu bom senso. Nós gostamos é de correr, logo... :)

      Beijinhos

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  12. Estou integralmente de acordo contigo.
    Muito do que escreves-te era desconhecido para mim e julgo que muita gente que corre também não saiba.
    Não tenho dúvidas nenhumas que existe por aí muito boa gente que apenas participa para depois dizer que tem esta ou aquela t-shirt, e que tem esta ou aquela medalha, não tenho nada contra, pois até gosto de uma lembrançinha, mas também passo muito bem sem elas. E se participamos numa corrida o que deveria contar não era aquilo que ela nos "oferece" enquanto espirito envolvente, companheirismo entre todos, amizades, conversas, convivio e corrida claro?!
    Acho que quando recebemos algo em troca nos esquecemos do porque é que ali fomos.
    Eu vou para correr, me divertir, e ser feliz junto daqueles que também o são a correr :D
    E desde já um muito obrigado ás organizações que nos proporcionam momentos bons em cada corrida :)

    Um beijinho João e parabéns pelo texto! Excelente!

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    1. Obrigado pelo excelente contributo Marta. É bom ver que jovens como tu e a Isa partilham o mesmo entusiasmo pela corrida, não valorizando o supérfluo. Isso dá esperança para o futuro :)

      Beijinhos

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  13. Boa noite,
    Após ler este texto e alguns comentários tomo a ousadia de colocar a minha "opinião" e "testemunho". Como atleta corri em muitos cenários, grandes e pequenos. Como organizador esforcei-me ao maximo para colocar em prática aquilo que aprendi e passei. Começei por organizar alguns eventos e um dos que me marcou mais foi a Meia Maratona de Quarteira que humildemente levei a cabo. Na noite anterior eram 3 da manhã e andava a colocar setas na estrada, fui interrompido por GNR, Segurança privada etc... no dia da prova desde ter de retirar os porticos para passar autocarro, desde a GNR me mandar parar quando seguia na frente da prova verificando se tudo estava no lugar esse agente ameaçou-me porque tinha 4 piscas ligados, vidros abertos e tudo o que podia chatear, mandou-me sair do circuito que ele desconhecia. Apenas a minha rebeldia me fez continuar, pessoas que falharam no seu "trabalho". Outro agente que não deixava passar ninguém mesmo não existindo corredores e eu incluso. E a juntar a tudo isto 2 "atletas" que andaram segundo eles perdidos, escreveram palavras de elogio de tal forma que nunca mais fiz nada. Não falaram comigo porque foram cobardes. A revista atletismo fez uma reportagem sem nunca ter estado no local... e claro todos receberam o prémio e estávamos á espera deles, soube do incidente muito tempo depois. É mais fácil criticar e destruir. Não falo de outros casos.

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    1. Boa noite
      Sei dessa história porque a vivi. Eu fui um dos 4 atletas que andámos perdidos porque alguém da organização falhou num cruzamento, talvez pensando que já tinham passado todos porque vínhamos mais atrás (foi cerca do 6º km). Se estes erros acontecem, lamentável foi a forma como os elementos da Associação de Atletismo do Algarve nos trataram pois ao passarmos no controle dos 10 já tarde (já tínhamos feito mais de 12 kms) fomos rudemente tratados por esse senhor que, inclusive nos mandou seguir por um lado quando era outro. Com isso, o nosso pelotão reduziu para 3 pois um desistiu. Um dos 3 acabou por se distanciar e ficámos 2. A minha mulher estava na meta à minha espera e ouviu elementos da Associação dizer para se fechar o controlo e não se ia esperar por 2 atletas que estavam atrasados. Foi um fotógrafo que estava presente (creio que se chama João Glória) que lhes lembrou que o regulamento estipulava um limite de 2.30. Com má cara lá aceitaram e nós chegámos dentro do limite (2.23). Quando cortei a meta fui insultado por um elemento da Associação que referiu "estar farto de estar à espera" e procurei saber quem era o responsável da prova para relatar o sucedido. Indicaram-me um sujeito de barba da Associação que me ignorou quando comecei a relatar o sucedido. Posto isto, e pensando que tinha falado com o responsável, publiquei um artigo no blogue e o mesmo artigo no, agora defunto, fórum da AMMA, com o título de "Quando o esforço de muitos não é seguido por todos" e onde referi que vi muito empenho de muitos voluntários (eram os da camisola branca) mas que outros estragaram tudo (os de azul, da Associação). Sei que leu pois no dia seguinte respondeu-me no forum da AMMA e eu expliquei-lhe exactamente o sucedido e que apenas tinha a dizer bem da equipa de branco (era a sua equipa) e mal da Associação. E esclareci que pensava ter falado com o responsável pois foi quem me indicaram. Portanto, tendo-me respondido no dia seguinte, acho muito estranho que diga que apenas soube do incidente muito tempo depois. Quanto à Revista Atletismo, limitou-se a relatar a verdade e que passo a transcrever "Logo no início, verificou-se o atraso de quatro atletas. Segundo o relatório de um deles, ao km 6 não estava ninguém da organização a indicar o caminho, levando os quatro a enganarem-se. Conseguiram retomar o percurso correcto e terminaram a prova nos últimos lugares". Portanto, e como está devidamente realçado, limitaram-se a relatar o que um deles contou. Esse alguém fui eu. Eu que lhe referi, a si, no dia a seguir à prova, via forum da AMMA (que apesar de não estar on-line provavelmente terão em arquivo e onde se prova que tomou conhecimento no dia seguinte) que apesar de tudo, e por respeito à equipa de voluntários que colocou de pé a prova (repito, a sua equipa) no ano seguinte estaria lá. Entretanto essa edição nunca aconteceu. Dar a entender que a culpa foi de quem foi vítima e não culpado, não creio ser justo.

      Um abraço

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    2. Está reposta a verdade dos factos! Mas já agora gostava de saber a razão porque o amigo Artur Domingos usa na palavra atletas o recurso as aspas? Não sei a que bitola nem critério está recorrer para escrever a palavra atletas dessa maneira. Então também lhe posso chamar organizador de provas usando o recurso ás aspas! O direito é o mesmo! Quanto as vicissitudes que teve para organizar a prova não é nada porque muitos organizadores de provas não tenham passado ao longo dos anos e não é por isso que deixaram de fazer o seu trabalho e não começaram a atacar os participantes nos eventos que eles organizam como se esses mesmos participantes fossem culpados de tudo.
      Felizmente em 99% das organizações de provas está gente competente, frontal, honesta e empenhada que dá o seu melhor e sabe reconhecer as coisas que correm menos bem depois há o 1% mas isso felizmente é tão residual que quase nem se dá por isso.
      Um grande abraço ATLETA (e Maratonista!) João Lima

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  14. muitíssimo bem "lembrado" ou apontado...uns nem sabem (eu também não sabia algumas destas obrigações das organizações) e outros "esquecem-se"

    Da minha parte essencial é a nossa segurança, na qual incluo um bom controlo de transito, um percurso que impeça de me perder e os abastecimentos. Também o socorro que precise ser prestado deve estar devidamente disponivel. Isto é o essencial. para mim, claro! Depois, o resto é paisagem, são mimos que nos fazem agradar mais a prova ou pelo contrario, apesar de terem o essencial não nos cativam. O gosto pessoal é que conta, até porque cada um corre com um determinado intuito.

    Quando comecei a correr... era um bocado irreverente, refilava por isto e por aquilo, mas tenho aprendido...e hoje o valor que dou às provas e a forma como as "classifico" tem a ver...obviamente com os tais pontos q considero essenciais, e a vivencia e experiencia que a corrida me proporciona. Se só há t-shirt XXL, se as classificações demoram a sair...ok, pode não me agradar...nao me agrada por certo, mas é uma insignificante arrelia.

    Já se me vejo a correr com transito quase a passar por cima de mim...aí, meus amigos....a coisa é grave. Mas também aprendi a tentar compreender os outros e a dar-lhes outras oportunidades. Já não crucifico ninguém :)

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    1. Obrigado Ana pelo teu sempre oportuno comentário

      Beijinhos

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  15. Mais uma vez está o João em cima do acontecimento. Tanta coisa foi dita (umas com mais e outras com menos razão), que me limito a pegar em questões soltas.

    Há dias escrevi aqui (http://imprensadoatletismo.blogspot.pt/2013/09/a-imprensa-no-fenomeno-da-corrida.html) o fenómeno de aproveitamento que a imprensa generalista tem levado por diante nos últimos tempos (e nos próximos). E curiosamente alguém tocou na forma como a Revista Atletismo, que também a ela muitos devemos, fez a cobertura de um evento. Seria caso para se dizer que também esse trabalho feito em prol do atletismo devia por vezes ser menos criticado e mais acarinhado, porque existe o forte risco desta desaparecer em muito pouco tempo (é um risco real!).

    O João referiu as AAR's que cada vez mais sobrecarregam nos organizadores, mas estaremos na era em que a própria federação estará com tentações de pegar, não só na ideia do dorsal único, mas também na ideia de taxar sobre organizadores. Não vou discutir pormenores, porque não conheço as medidas em concreto, mas relembro que no Triatlo essa ideia correu mal e em Espanha (sempre tida como exemplo, mas cuidado, nem tudo é o que parece) a ideia não correu assim tão bem...Isto não invalida, é claro, que em Portugal não corra bem!

    Quanto aos policiamentos, o João Lima também se lembrará do que aconteceu na Corrida Pela Vida, prova onde fui parte integrante por serviço prestado e onde foi precisamente a polícia (bem paga) que deitou por terra todo o trabalho que estava a ser bem feito. A Organização foi naturalmente "carregada" com críticas (que encaixou e lamentou perante os atletas presentes) e eu, como prestador de serviços na área da cronometragem, apanhei também por tabela, está claro - encaixámos e lamentámos. E o problema foi externo à Organização e ainda por cima bem pago...irónico!

    E de facto há 30 mil pormenores organizativos que estão na base de uns quantos erros cometidos ao nível da Organização de um evento que, é bom que saibam aqueles que nunca estiveram envolvidos numa, acontecem muitas vezes por interferência de terceiros. E eu já defendi muitas vezes, publicamente, que os problemas acontecem também por má conduta de alguns atletas, que tentam "minar" o sistema, coisa que prolifera em grandes eventos onde também tenho tido participação (ainda que nem se perceba, porque a marca Lap2Go não é vista em tudo o que faz...).

    Concordo com o que o João Lima defende. Em Portugal a relação qualidade-preço é ainda muito aceitável, apesar de nos últimos tempos terem aparecido "paraquedistas" que ao verem a possibilidade de extrairem lucros tentam organizar as coisas logo com preços proibitivos. Mas descansem todos, esses "paraquedistas" têm colhido mais problemas e prejuizos, do que lucros, o que facilmente se comprova com a não realização de segundas edições ou na mudança súbita de postura, quando percebem que há mais vida para lá da aparente simplicidade de organizar um evento e lidar com os clientes, que aqui são os atletas...

    2014 será um ano de novidades (muitas) no fenómeno do atletismo e é para mim o limbo que definirá como ele pode existir nos próximos anos. A seguir a um boom existe uma quebra e eu considero que estamos no topo do boom. Ficarão aqueles que souberam ver o fenómeno por paixão, sairão aqueles que o exploraram temporariamente e que irão seguir outras tendências. Tal como muitos atletas passarão um dia destes a outras realidades. Aqui, como nunca, há lei de mercado e o mercado, como já todos temos visto noutras áreas, também satura e estoira...Apaixonado que estou por todo este movimento, há alguns anos, não estou preocupado. Preocupem-se os que dele vivem e que podem em breve sentir na pele fenómenos mais recessivos...

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    1. Muito obrigado, Edgar, pelo excelente contributo!

      E sim, concordo em absoluto com a defesa da Revista Atletismo e que é FUNDAMENTAL para o nosso desporto de eleição.

      Quanto à Corrida pela Vida 2011, recordo-me bem de como uma corrida que tinha tudo para ser espectacular, foi estragada pela acção da polícia. E nem estou a falar do engano no percurso (que a fez ter mais de 2 kms) mas em especial a acção (até poderia dizer criminosa por parte da polícia) quando abriu o trânsito na última volta no momento em que o primeiro acabou de passar, tendo o resto do pelotão feito slalom entre o trânsito aberto (ainda me recordo de estar a atravessar um cruzamento e virem carros em pela aceleração!). E pela (má) acção da polícia, a organização é que pagou (de duas formas...) e não merecia nada esse revés!

      Um abraço

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