quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Este fantástico ciclo de 2 anos

A última meta por agora. Lá para Março haverá mais. Muitas mais

Disse que fazia aqui um balanço do que foi este biénio, que terminou hoje com o último treino, mas nem sei o que dizer.

Não venho aqui envaidecer de tudo o que consegui mas apenas orgulhar do que conquistei e que nunca esteve nos meus sonhos mais selvagens.

Eu gosto é de correr, sentir a liberdade de o fazer e ter aqueles momentos muito meus. Quem não corre, pergunta bastas vezes em que se pensa enquanto se corre. Há mesmo quem se interrogue como aguento treinar 30 quilómetros completamente a solo. Mas, como disse, são momentos meus, muito meus, e em que se pensa em tudo e nada. E também é bom termos momentos sem pensamentos. 

Corra a realizar tempos fantásticos ou fracos, o que me dá realmente prazer é ir por aí fora. É para isso que corro, não para dizimar marcas. Mas tal como já atravessei desertos de grandes marcas, e atenção que refiro sempre o termo grande limitado às minhas capacidades, é natural que se estou capaz de ir atrás de outros tempos, é lógico e natural que o faça. 

E foi isso que sucedeu nestes últimos 2 anos. Inicialmente pensei em pico de forma mas um pico de forma não dura tanto. Consegui chegar a outro nível de prestação. Razões que justifiquem este facto, quando até o avançar da idade o contrariaria, não esquecer que estou a caminhar em passo acelerado para os 60, há e uma é a fundamental. Treino, muito treino!

Por vicissitudes da vida, passei a ter todo o tempo para treinar. E quanto mais treino, correctamente planeado como é bem entendível, melhor condição!
É legítimo dividir em duas fases esta minha vida nas corridas. Até final 2015 e de 2016 em diante. Atente-se nestes quadros:


Até 2015
Depois 2015
Variação
Mais Km num ano
1.556,381
2.316,163
+ 48,8 %
Mais Km num mês
181,037
256,121
+ 41,5 %

Como se vê, até final 2015 não passava do milhar e meio de quilómetros, enquanto esse valor passou para 2.204 km em 2016 e 2.316 em 2017 (só não passando os 2.400 por não poder correr nestes 18 dias finais do ano). Um aumento de quase 50%!

E mensalmente o máximo era 181 km, enquanto nestes 2 anos se tem situado constantemente acima das 2 centenas, com um pico de 256 em Agosto deste ano.

E o que deu este aumento? Um arrasar de records como passo a descrever:

Distância
Record até 2015
Record actual
Variação
42.195
5.02.13
4.41.40
-20.33
30.000
3.14.47
2.52.21
-22.26
21.097
1.56.35
1.51.26
-5.09
20.000
1.49.25
1.45.48
-3.37
15.000
1.20.20
1.16.40
-3.40
10.000
50.08
48.19
-1.49
5.000
24.22
23.44
-0.38
3.000
13.53
13.46
-0.07
1.000
3.57
3.54
-0.03
400
1.20
1.18
-0.02

Alguns destes records tinham já uma longa barba, os mais antigos de 2007. De assinalar o dos 10 km que lutei 10 anos para quebrar a barreira dos 50 minutos. O da Meia também me parecia ser muito difícil ser batido e já o foi por mais de 5 minutos. 

Como sabemos, nos primeiros anos alcançam-se vários, pela natural evolução, e depois começam a rarear. Ora atente-se neste quadro de records por ano. Contrariando o tal rarear, neste biénio alcancei 23 novos máximos! 
E se acabei 2016 a interrogar-me, perante as novas marcas, como iria agora conseguir bater mais algum, em 2017 foram 13 novos, o que me levou a concluir que o melhor seria deixar de pensar e prever, ir apenas ao sabor do momento adaptando-me a cada nova situação.

Ano
Total
42
30
21
20
15
10
5
3
1
0.4
2006
4





4




2007
9


3
2
3
1




2008
1









1
2009
2








2

2010
5








5

2011
2





1
1



2012
8
1
2




1


4
2013
3









3
2014
0










2015
2



1



1


2016
10
1
2
1
1
1
1
1
1
1

2017
13
1
4
1
1
3
1
1


1
Total
59
3
8
5
5
7
8
4
2
8
9

Hoje, quando finalizei o treino, soube que este ciclo tinha chegado ao fim. E chegou ao fim em plena forma. Não há, nem pode haver, espaço para lamentações ao estilo "que pena, estava tão bem", apenas pode existir espaço para orgulho de tudo o que foi feito e agradecimento por nada de impeditivo tenha sucedido.

Acabo um ciclo mas sei que outro virá. Como será? Não sei. Não vou dizer que ainda farei melhor ou que não o farei. Apenas posso garantir que será sempre em pleno prazer e alegria de corrida.

Se tudo correr da melhor forma com as intervenções cirúrgicas, estarei novamente a correr a meio de Março. E mal posso esperar!

Um grande agradecimento a todos pelo vosso sempre constante apoio!  

domingo, 10 de dezembro de 2017

GP Natal: Até entupido consegui 5º sub50 :)


Junto ao placard comemorativo da prova, quando fui levantar o dorsal (obrigado Marcelino!)

E agora, com o dito colocado e pronto para atacar
Era uma vez um rapazinho que gostava muito de Atletismo mas de ver e seguir. Já muito tarde, apenas com 45 anos, aventurou-se a correr. Inicialmente. começou a especializar-se nos 10 quilómetros e muito feliz ficou quando baixou da hora. Entretanto, com a natural evolução, foi baixando, 59, 58, 57... até chegar ao minuto 50. O passo seguinte eram os 49 minutos mas de tudo sucedeu a impedir esse objectivo. Em alturas que estava em forma para o realizar, desde pés torcidos, partidos a provas cuja distância não chegava bem à dezena de quilómetros, de tudo foi sucedendo. Tudo, menos uma coisa. Desistir de o tentar. 

Foram precisos 10 anos de luta até, finalmente!, ser sub50. Faz amanhã um ano e se o minuto 49 foi tão sonhado, afinal concretizou no minuto 48 (48.42) 

Um ano passou e hoje, esse tal rapazinho, chegou pela 5ª vez a essa marca, tendo entretanto o record baixado para 48.19 em Junho. Mas ter hoje tornado a quebrar o sub50, não foi nada fácil... Pormenores de seguida.

Se o minuto 48 tinha sido uma enorme surpresa, devo confessar aquilo que nada disse a ninguém, o objectivo para hoje não era apenas bater o record. Queria baixar 2 segundos por quilómetro, o que daria um corte de 20 segundos. Ora como o record estava em 48.19, é fácil entender que o objectivo era entrar no minuto 47. E isso já era a completa loucura para quem tanto sonhou, e apenas, com os 49.59 e agora visava minuto 47.

Após a Meia dos Descobrimentos, mais convencido fiquei que se tudo corresse de feição, poderia estar ao meu alcance.

A semana não foi fácil com uma forte preocupação, em nada relacionada com a corrida, mas consegui orientar todos os treinos para esse fim. Fim que se manteve bem no horizonte até sexta à noite. 

E eis que sábado de manhã acordo com uma recaída da constipação que tinha atacado antes da Meia. E já sabemos que, quando é recaída, vem com mais força. O corpo dorido e dificuldade em respirar. E quando se vai para dar o máximo, o ar tem que estar no seu expoente máximo.

A noite foi difícil e acordei hoje ainda partido e com o mesmo entupimento que não atenuou com desentupidores nasais. 

Ok, é o que há, é o que tenho que gerir. Dificilmente iria para sub50 mas não hesitei na táctica. Dar o máximo que aguentasse e depois logo se faziam contas.

O meu filho Ricardo acompanhou-me, o que muito jeito dá numa prova com partida e chegada tão distantes uma da outra (e sem bengaleiro...), despedi-me dele meia hora antes e fui aquecer. Pouco depois recordei-me que tinha deixado o gel na mochila e também constatei que não era necessário ir com camisola de manga comprida por baixo da de equipa, pois afinal não estava frio. Porém, com tanta gente na zona, já não o consegui encontrar. Paciência, apenas mais duas contrariedades.

Lá vou!
Para evitar a confusão do ano passado, em boa hora a organização criou entradas separadas. Pude assim partir mais à frente, na entrada dos sub50. Aliás, a preparar o dorsal na véspera, foi com orgulho que vi estampado o carimbo de sub50. O que passei e esperei para poder um dia ter um tempo desses!

O tal sub50 que tanto significa para mim. Foram 10 anos de luta!

Logo nos primeiros metros notei que a pulsação subiu muito, derivado do tal entupimento das vias respiratórias. Mas em cada momento, a ideia foi dar o máximo e depois se vê.

Assim fui até meio da prova, altura a que se seguiam os 3 viadutos. A subida em cada foi sempre aflitiva pois não sentia ar suficiente a entrar e nesses 2 quilómetros a média foi prejudicada por isso. E depois, parecendo que não, até ao Saldanha ainda sobe ligeiramente. O que não prejudicaria, caso não se desse a referida situação de falta de respirar.

Nessa parte da prova sofri e muito mas o desejo de encerrar este ciclo com novo sub50 era mais forte e sabia que tinha era que chegar ao Saldanha em tempo capaz.

Note-se na careta para tentar fazer chegar mais ar (obrigado Fernanda!)
Assim foi, passei o Saldanha com marca que projectava 50.13 de tempo final mas a seguir vinha a descida e a possibilidade de recuperar. 

O que não esperava foi o vento contra entre o Saldanha e o Marquês... Mesmo assim, passei no Marquês com média de 50.00. Estava perfeitamente ao alcance, agora era voar Avenida da Liberdade abaixo. 

Lá venho!
Claro que o corpo estava cada vez mais queixoso e a respiração mais aflitiva mas era o último sprint durante uns 3 meses, não podia perder o ensejo. Dei o que tinha e o que não conseguia dar e acabei por cortar a meta em 49.26, o que me deixou muito orgulhoso!

Meta em frente
Apesar de entupido e corpo queixoso, fiquei a apenas um minuto e seis segundos do record. Mais convencido fiquei que poderia conseguir aquele "tempo louco". Mas, honestamente digo, julgo que esta marca nestas condições, tem outro valor.

E pronto, este inacreditável ciclo de dois anos está encerrado. 5ª serei operado à vista direita, um mês depois à esquerda e, caso tudo corra bem, lá para meio de Março estarei a regressar a este maravilhoso mundo das corridas. Mas 4ª ainda publico aqui um pequeno balanço do que foi este louco biénio.

Até lá, tudo de bom para todos!

Historial da prova (60 edições!!!)

domingo, 3 de dezembro de 2017

Na Meia dos Descobrimentos a arrasar o record! ;)

Os 4 atletas dos 4 ao km que foram à Meia: João Cravo, Isa, Vitor e eu.
A Sofia que disputou os 10 km, ainda não tinha chegado.
Parece que estamos encolhidos? Estava frio!

Estando a dias da paragem obrigatória pela intervenção cirúrgica, e estando assim a fechar este ciclo inacreditável de 2 anos em que passei para outro nível, como intitula o Filipe Torres, gostava de fechar com marcas especiais na Meia de hoje e no Grande Prémio de Natal da próxima semana (a última antes de).

Para a Meia dos Descobrimentos, tinha 3 objectivos. O primeiro era baixar das 2 horas. Agora parece acessível e hoje foi a 5ª vez nas últimas 7 Meias, mas nas 47 primeiras apenas o tinha logrado em 3... 
Depois, era fazer melhor que a segunda melhor marca (1.56.17), dado que seria fazível, ao contrário do record que estava muito puxado. É preciso ver que o record era de 1.52.38, enquanto as 3 marcas seguintes estavam na casa do minuto 56. 
E finalmente, o objectivo de sonho, seria bater esses 1.52.38, o que via como muito difícil de atingir. Mas ia tentar de início e depois logo se via se dava para continuar a correr atrás dele ou não.

Cara de quem está a preparar alguma... (obrigado Luís Duarte Clara pela foto!)
No domingo passado quis fazer um treino especial para aferir a máquina. E sim, foi mesmo especial pois nunca tinha entrado no minuto 50 em treino, apenas corrida. 
Assim, tudo parecia bem mas entretanto constipei-me. O que em mim faz "acordar" as bronquiectasias que ganhei através daquela infecção pulmonar 5 semanas antes da Maratona de Sevilha 2014.
A juntar a isso, atacou-me a parte muscular, levando a que apenas fizesse 3 treinos durante a semana e com a escassa soma de 18 quilómetros. E em todos, os gémeos muito queixosos no início.

Ontem já me sentia bem da parte pulmonar e a acreditar que a muscular também, o que confirmei hoje no aquecimento. 
Portanto, tudo bem para atacar a sério e logo ver se rebentava comigo ou com o record! Foi esse o espírito.

Há dias assim. Dias que com escassos quilómetros fico com a certeza de como será o resto. Foi o que me aconteceu quando aos 3 quilómetros ia em ritmo alinhado com o record feito aqui no ano passado (debaixo de muita chuva ao contrário do sol de hoje) e a acreditar plenamente que dava para manter a velocidade, o que fui confirmando em cada quilómetro, começando na segunda metade a melhorar um pouco esse mesmo ritmo.

Dá-lhe!
Esta Meia tem o condão de juntar, numa só, a vantagem dum percurso muito propício a boas marcas, com a altura do ano e temperaturas baixas que tanto ajudam. E assim os quilómetros foram passando e a partir do 15º deixei de pensar em "apenas" bater o record mas a entrar mesmo no minuto anterior, 51.

Foi com esse pensamento que continuei a atacar, sempre com quilómetros entre ritmo certo e a baixar ligeiramente o tempo por cada. Basta referir que a 2ª metade foi mais dum minuto mais rápida que a primeira.

E aos 20 quilómetros deu-se o primeiro record do dia. O anterior máximo era de 1.47.15 e passei em 1.45.48, o que também garantia que iria mesmo ao minuto 51 no final.

E se fui muito bem nos primeiros 20 km, a energia esgotou-se no último. Já não sentia força para mais, o corpo pedia descanso mas fui resistindo à tentação, sempre com o pensamento em fazer a melhor marca possível e dizendo para mim mesmo "sa lixe o cansaço, vou ter que estar 3 meses sem correr, que sa lixe agora o cansaço!".

Apesar dum último quilómetro em dificuldade, o que é certo é que neste fiz o mesmo tempo que vinha a realizar anteriormente nos anteriores, 5.07

Meta! A desligar o relógio
Cortei então a meta em 1.51.26 de tempo real, arrasando o record em 1 minuto e 12. Estava ali o Nuno Moreira que bem comprovou que eu estava entre o "morto" e o muito feliz. Acho que ainda cambaleei ligeiramente mas passado um bocado já estava recuperado desse último quilómetro.

A cara de tótó é o misto entre felicidade e "morto"
Mais uma vez, esta Meia, a que se juntou a corrida de 10 km e a caminhada de 5, foi um retumbante sucesso organizativo, de participação obrigatória e marcante.

Agora, é ser muito inteligente nesta semana para recuperar da melhor forma activa para poder dar o que resta no Grande Prémio de Natal. 
Como decerto se recordam, depois de 10 anos a lutar pelo sub50 aos 10, foi no Grande Prémio de Natal do ano passado que, finalmente, atingi esse objectivo que já era uma espécie de obsessão. 
Um ano depois, se tornar a baixar dos 50, já será a 5ª vez. Vamos ver o que sairá pois, como sabem, nem sempre as coisas são como queremos. Mas há que acreditar e lutar desde o início. Com o tal espírito que referi em cima.

Uma excelente semana a todos!

E agora após o esforço e já completos