sábado, 28 de setembro de 2019

30 M -5 S

Não, o título não é uma formula matemática, é apenas dizer de forma reduzida que fiz 30 quilometrozitos quando faltam 5 semanas para dia o M de Maratona.

Estava um pouco apreensivo pois esta minha gastrite crónica decide de vez em quando aparecer e ficar aos saltos, o que sucedeu desde ontem. E quando assim é, quem sofre são as pernas que ficam pesadas e cansadas, não o cansaço habitual de esforço mas o parecer que estão como que envenenadas. 

Por essa razão, o ritmo não foi bem o que queria mas sei que não se deveu a uma questão de forma mas pela gastrite. Quanto à respiração, acabei muito bem, parecendo que não tinha feito nada de especial.

O sucesso deste treino deveu-se, e muito, à excelente companhia a partir dos 5 do João Ricardo a quem muito agradeço. Sem a distração da  conversa, a dificuldade teria sido bem maior.

Como eu começava no Inatel e ele em S.Pedro, e em ambos os casos dava 5 km até à ponta oeste da praia de Carcavelos em sentidos contrários, calculámos a hora e o ritmo de cada para partirmos a uma determinada hora para tentarmos chegar ao mesmo tempo a esse ponto de encontro e depois fazermos o resto juntos (até Algés e volta). E o cálculo foi muito bem feito pois só não acertámos ao segundo por menos dum minuto. 

O que me custou a sério foram os últimos 200 metros, mais por uma questão mental. Já ia muito aflito das pernas e pensei "pronto, faltam apenas 200 metros". Talvez pelo alívio da descompressão, esses 200 pareceram muito mais.

Agora, durante a semana, treinos de recuperação para de amanhã a uma semana, domingo 6, o último dos 30 antes do grande dia.

Até lá, fiquem bem!

ps - Estava a esquecer-me que cruzámo-nos com o grande campeão Hélio Fumo, entre Paço de Arcos e Caxias, a quem gritei "boa sorte para o duelo com o Carlos Cardoso!". Para quem não sabe o que é, pode ler tudo no blogue do Carlos :)

domingo, 22 de setembro de 2019

Uma especial dúzia do Tejo ou o que eu estava a precisar duma prova assim!

Os 4 ao Km presentes, eu, Aurélio e Eberhard, muito bem acompanhados pelo João Branco

Após um mês de Agosto muito difícil e sofrido (pelos problemas que os efeitos da queda provocaram), terminei esse mês com um bom (para as condições actuais) treino de 30 o que levou-me a escrever um artigo intitulado "O que eu estava a precisar dum treino assim!". 
Após a prova na semana passada no Autódromo, a Inês disse o seguinte num comentário "foi um bom exemplo de que a forma está a voltar, e este post também se podia chamar "o que eu estava a precisar de uma prova assim" (fica a sugestão, para a da próxima semana, que vai ser ainda melhor!)" ao que eu respondi "Hum... não. Ainda não posso dizer "o que eu estava a precisar duma prova assim" pois essas sensações ainda estão para chegar. Vamos ver se será no Tejo..."

Efectivamente, na Corrida Auchan no Autódromo do Estoril, consegui uma marca bem melhor do que esperava e andava a fazer mas as sensações não foram boas. Acabei completamente esgotado, sem energia para mais qualquer metro, e andei a pagar essa factura nos treinos até meio da semana.

Para hoje, minha 12ª Corrida do Tejo, o objectivo era tentar fazer melhor do que o alcançado na Auchan (57.25) e havia razões fortes para lutar por um tempo marcante, como no final explicarei.
Queria chegar ao 56 e a ambição mais ambiciosa (passe o pleonasmo) era tentar o 55 alto.

As condições atmosféricas foram enganadoras. Aparentemente a temperatura estava boa para correr mas durante o esforço notou-se bem o abafado, o que fez que terminasse a prova encharcado. 

Desde o início que fui para um ritmo ambicioso na perspectiva do tal 55 alto. E a média apontava para isso desde o início.

Primeiro desafio, não prejudicar a média na subida para o Alto da Boa Viagem, o que foi conseguido. Sentia que estava no limite para o momento actual. Não se pode comparar com os 51.56 que já aqui fiz ou os 48.19 que são o meu record aos 10, mas temos que lidar da melhor forma com cada situação. Sentia no limite mas controlado no aspecto de não ir em sobre-regime como na Auchan. 

Em cada quilómetro fui acreditando que poderia aguentar e assim mantive no segundo desafio, a subida após Paço de Arcos.

Chegado aos 8, já ninguém me tirava da cabeça que faria mesmo os 55 mas talvez não fosse tão alto, talvez 55.30. 
Faltava o terceiro desafio, a subida para o Inatel de Oeiras mas, sinceramente, nem dei por ela e cheguei ao último já a tentar o 55 baixo.

E em plena recta da meta, arranquei para um sprint. Dificilmente entraria no 54 mas ao menos tinha a consciência que tudo tinha tentado.

E consegui! 54.58 de tempo final, o que muito me satisfez, para mais tendo acabado bem, muito ao contrário do Autódromo, tendo dado para continuar mais um bocado a esse ritmo se a meta estivesse 1 ou 2 quilómetros mais à frente.

A bonita e bem original camisola da prova
Por tudo isto, é fácil de entender porque afirmei do que estava a precisar duma prova assim. Uma corrida não são só tempos mas, tão ou mais importante, as sensações e elas foram óptimas e perduram.

Quanto às razões acima aludidas, aqui vão. A Corrida do Tejo é uma corrida especial para mim como oeirense de adopção e queria fazer um tempo especial para poder dedicar a um amigo especial que está a atravessar um momento menos feliz em termos de saúde mas com a confiança que a partir de agora vai ser sempre a evoluir até isto tudo ser atirado para trás das costas. Não é assim, amigo? Esta foi para ti!

E pronto, para o ano, venha a Corrida do Tejo número 40! Para os dois próximos fins-de-semana, treinos longos. Próxima corrida a 13 de Outubro na Meia-Maratona de Leiria. 

Uma boa semana a todos!


   
A medalha com o ex-libris cauda da baleia

domingo, 15 de setembro de 2019

Na Corrida Auchan em pleno Autódromo do Estoril

Vitor, Isa e eu em pleno circuito

Mês e meio após a última corrida (Bodo no Pombal), regressei a uma prova. Claro está que não fiquei parado durante este período pois nesse mês e meio percorri cerca de 400 quilómetros, alguns bem complicados pelo momento de crise provocado pelas sequelas da queda em Julho.

E que melhor regresso ao saudável ambiente de corridas que no mítico Autódromo do Estoril, palco de tanta e boa memória que guardo das muitas corridas de Automobilismo que aí assisti, com especial ênfase nos 13 Grandes Prémios de Fórmula 1 onde estive sempre presente nos 3 dias de cada um. 
E a grande recordação de em 1979 ter descoberto no Mundial de Karting um piloto que passei a seguir toda a evolução da sua carreira até chegar ao cume da F1, aquele que foi o meu maior ídolo e do qual tive o privilégio de assistir, também aqui neste Autódromo, à sua primeira vitória na categoria máxima, primeira de muitas e num dia de grande dilúvio. Estou a referir-me, naturalmente, ao enorme Ayrton Senna!

Correr no Autódromo é desfolhear uma série de recordações de cada lugar, cada curva, cada momento.

Os três no melhor lugar duma grelha de partida (pole-position)
Só por uma vez tinha sido possível participar nesta prova, na 2ª edição, excepcionalmente no mês de Junho, pois as restantes coincidiram no início de Setembro numa altura que estivemos fora em férias. 
Este ano, como foi na semana seguinte, calhou no dia de regresso das duas óptimas semanas que desfrutámos no Algarve.

Chegados perto da hora do almoço, foi arrumar as malas e seguir para esta corrida cuja partida se deu às 18.30.

Em virtude da mudança de nome comercial de Jumbo para Auchan, o evento passou de Corrida Jumbo para Corrida Auchan. E quando falo em evento não falo apenas em corrida mas sim numa série de actividades que decorreram entre as 9 e as 23.30, incluindo Basket de rua, corridas em patins, Duatlo, Ciclismo, corridas para miúdos, caminhada e a já referida corrida de 10 km.
Um manancial de ofertas a que só uma organização tão perfeita como a HMS consegue dar resposta. 

Quem acompanha este blogue sabe que após a grande crise provocada pela queda, perdi muita velocidade. Lentamente fui recuperando aos poucos e do mais de minuto por km mais lento, já reduzi para meio minuto ao km. Reconheço através de grande esforço pois tem custado e exigido muito.

A intenção ontem era de não passar a hora. 59.59 estava bom. 

Primeiros metros da corrida
O calor, o percurso não fácil com umas quantas subidas desgastantes e em especial o vento contra quando se seguia no sentido para Sintra, eram factores para lidar.

Bom conhecedor de cada metro e característica da pista, fui sempre concentrado em manter o melhor e mais adequado ritmo de forma a fazer o melhor sem comprometer o final.

Inicialmente damos uma volta no sentido das corridas motorizadas, seguindo-se uma parte no paddock para terminarmos com uma volta em sentido contrário.

A primeira volta e a parte do paddock correram bem, sempre a sentir que seguia no limite dos limites mas com uma margem boa para menos da hora. 

Vencendo a subida no paddock
No início da volta final, a do sentido contrário, entre o 6º e o 7º km deu-se ali um momento de potencial quebra a que o muito vento contra nesse momento em nada ajudou. Mas após curvarmos em sentido contrário e ter ficado livre do vento, pude recuperar e a partir do 8º km com a certeza que iria baixar do objectivo proposto e por agradável margem. A partir daí passou a ser alcançar a melhor marca possível.

O final é a subir para a meta e as forças já estavam no risco vermelho mas lá consegui aguentar-me e cortar a meta em 57.25 o que me deixou muito feliz.
Feliz mas com as pernas a tremer pelo esforço. É o que há de momento.

Chegando à meta...
... e no momento que a corto (com a Isa a testemunhar) 
Repetindo uma vez mais a cena do copo meio cheio meio vazio, antes da queda esta marca seria duma prova feita muito confortavelmente e agora fui ao limite dos limites e hoje bem sinto o cansaço. Mas... estou a recuperar e ainda um par de semanas atrás nem pensar em fazer a prova assim. Portanto... só posso estar feliz e esperançoso que de hoje a 7 semanas possa cortar a meta na Maratona do Porto, na que será a minha 13ª.

Os 4 ao Km com o vencedor da prova, o grande Nélson Cruz, campeão nacional de cross 2016
Para a semana, a minha 12ª Corrida do Tejo :)

Nota final para o que sucedeu hoje em Copenhaga onde Geoffrey Kamworor dizimou por 17 segundos o já tão esticado record da Meia-Maratona, com 58.01!!! Estamos quase no minuto 57! O que será correr uma Meia a 2.45 de média? Nem 1 km sei o que será, quanto mais 21... Inacreditável!


    

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O que eu estava a precisar dum treino assim!

Tal como nas séries televisivas, e para quem tem estado fora, resumidas cenas dos episódios anteriores:
Estava em boa forma, a dar início ao plano para a Maratona do Porto quando a 6 de Julho num treino de 25 km tive uma violenta queda ao km 21, queda essa que deixou mazelas. Mazelas visíveis e não visíveis. E foram essas não visíveis que deram cabo de toda a forma pois o organismo demorou a recuperar dum problema decorrente e andei sem força nas pernas, perdendo imensa velocidade.

Ora nesta altura do ano era para já ter uns quantos treinos de 30, e com velocidade jeitosa, mas cheguei ao dia de hoje sem ainda um único realizado.

Nesta fase de crise que foi este mês, o tal mês que deveria ter alavancado a preparação, esforcei-me muito, treinei como nunca em quantidade mas a qualidade, leia-se velocidade, foi sempre uma lástima.

Por exemplo, nos treinos de 10 km, e há muito tempo, raros eram os treinos que não fazia 5 e qualquer coisa de média. Neste Agosto, nem um abaixo de 6! 
Porém, comecei o mês quase nos 7 (!!!), fui melhorando lentamente e acabei quase a baixar dos 6. Há quanto tempo não tinha um mês sem nunca ter chegado aos 5? Há tanto que nem a memória alcança. Julgo que, provavelmente, o D.Nuno Álvares Pereira ainda não tinha pelejado em Aljubarrota...

Para ir melhorando, lenta mas progressivamente, e como já referido, tive que treinar como nunca. O meu record de km num mês era de 271,248 feitos em Outubro passado e neste Agosto passou a ser de 276,159. Um record em distância em mês de crise mas só esforçando muito é que pude começar a sair do buraco. 
E se foi custoso em muitas ocasiões... Houve dias que só eu sei o que passei mas a miragem da meta no Porto vale tudo.

Em questão de longos, um por semana, a ordem foi de 20, 22 (um muito deprimente treino a partir dos 16), 24 e 26 no sábado passado.

Ora tendo feito 26, o ideal era fazer mais, o que não seria fácil tendo em conta os últimos. Mas para mim era muito importante conseguir 30 e de forma satisfatória para incutir confiança.

Na preparação fiz tudo da melhor forma, inclusive levantar-me hoje às 4.30 para começar o mais cedo possível para na fase final, a mais difícil, não estar já muito quente.
E foi a melhor coisa que poderia ter feito tendo em conta o calor que se pôs. 

Iniciei o treino às 5.53, tendo a primeira hora sido realizada de noite e a segunda, com o Sol a iluminar o caminho, com a temperatura ainda agradável.

Coloquei um ritmo muito certo, apesar de bem mais rápido que nos anteriores. Mas como era assim que me sentia confortável, aí fui eu. 

Os quilómetros foram passando e sempre a gerir bem o esforço. 

Foi por volta do 22 que comecei a acreditar que era possível chegar aos 30 e da forma correcta, sempre a correr. 

Abro aqui um parêntesis pois foi por volta deste km, seguia eu no Passeio Marítimo de Algés, já a regressar ao Inatel de Oeiras, que um carro passou do outro lado da linha, na Marginal, apitando e dizendo adeus. Como não ia ninguém nem à minha frente nem atrás, só podia ser para mim. No entanto, o sol estava a bater nos vidros do carro e não distingui quem seria. Deu-me a sensação que seria uma mulher. Se estiver a ler, peço que se identifique pois não pude reconhecer pelo sol, nem reconheci o carro, apesar de ainda ter dito também adeus. Não sei foi para quem :)

O relógio continuava a mostrar tempos muito certinhos e surpreendentemente mais rápidos que nos últimos longos. 
Passei então a usar o "doping" relógio, que é quando a marca está a ser melhor do que esperava, olhar várias vezes para o relógio de maneira a ir buscar energia para manter essa média.

E cheguei, muito cansado mas extremamente feliz, aos 30! Tanta dúvida se conseguiria e afinal com uma marca bem melhor em relação aos anteriores. Foram 3.24.21, exactamente a 32 minutos do meu record de 30 (1.04 por km) mas, e isso é que conta nesta fase, 31 segundos por km mais rápido que a média dos 26 de sábado passado. Mais de meio minuto melhor, foi uma inesperada (mas justa, tenho que o dizer) recompensa para tanto que me esforcei neste mês. O que eu estava a precisar dum treino assim!!!

É certo que não conseguiria, nem por sombras, mais 12 km (dificilmente nem mais 1) mas a coisa está a evoluir e espero daqui a 9 semanas e 2 dias já ser capaz de transpor a meta no Porto. 

Depois de 5 semanas com um longo semanal, para a semana não há, apenas treinos normais. Há que respeitar o ciclo que obriga a uma semana de acalmia para consolidar o trabalho efectuado.

Antes de terminar, apenas uma nota que me ocorreu durante o treino, tal como noutras ocasiões (não é a primeira vez que toco no assunto). Estou a falar da falta de provas com distância intermédia entre Meia-Maratona e Maratona. 
Temos muitas (e boas!) Meias-Maratonas e algumas Maratonas mas nada entre elas. Estou a referir-me a provas de estrada, naturalmente. 
Existir alguma prova de 30 Km seria muito útil para quem está a treinar para uma Maratona poder realizar uma prova a ritmo competitivo e, principalmente, para quem já tem Meias no currículo mas receia o longo salto, poder aquilatar da possibilidade de se atirar para a mítica distância.
Segundo os meus registos, existiu em tempos o Regional de Fundo com 30 Km e que durou até 1999 e, depois disso, apenas uma única prova com uma simples edição, os 30 Km Olivenza - Elvas, disputada em 2004, já lá vão 15 anos. 
Com mais dos 21,097 da Meia, realizaram-se algumas provas de 25 Km mas a última disputada em 2002...
Sei que os tempos são outros e os custos de realização de provas estão altíssimos, e quanto maior a distância naturalmente mais custo, mas creio que com boa divulgação, a participação seria boa. 
Eu, sem dúvida, que estaria lá.
Alguma organização?

Um bom fim-de-semana para todos!

sábado, 24 de agosto de 2019

Fazer pela vida

Hoje foi dia de novo longo após uma semana de treinos que registou melhorias. Ainda muito longe do ritmo em que andava antes da queda mas a coisa tem vindo a evoluir. Evolução lenta mas evolução.

Após os longos nas 3 últimas semanas de 20, o deprimente de 22 em que tive que alternar corrida com caminhada a partir dos 16 e o 24 da semana passada que deixou melhores sensações, o ideal era hoje chegar aos 26.

Início às 6.30, deveria ter sido mais cedo pois no final já havia muito calor. A essa hora estava agradável e no próximo a ver se começo uma hora mais cedo para aproveitar melhor o fresquinho.

Sim, consegui os 26 mas com muito esforço. Custou-me imenso mas fiz, correndo sempre. Percurso desde o Inatel de Oeiras a Belém e volta. 

Apesar de correr sempre, o tempo final foi demasiado lento para quem quer correr nova Maratona a 3 de Novembro mas se pensar em como estava há duas semanas naquele deprimente treino, o ter feito hoje 26 seguidos quase que pareceria um pequeno milagre se não fosse os milagres virem do céu e o que consegui veio de muito trabalho e esforço.

Apesar deste ser um mês de gerir a crise dos cacos que a queda deixou, em 24 dias de Agosto corri em 19 e levo 219 km nas pernas. Apesar da crise.
Tem-me custado imenso mas sei que a única forma de sair deste momento menos bom, é treinar muito e muito. E a evolução tem-no provado. Tem exigido um esforço e persistência brutais... Mas a visão de cortar a 13ª meta em Maratona compensa tudo!

Na próxima sexta-feira será o último longo do mês, para depois passar uma semana de treinos mais calmos com o intuito de consolidar, tendo em conta a onda que os treinos devem ter.
Vamos ver se conseguirei chegar pelo menos aos 27. Seria muito bom, a nível de confiança, de ter um de 30 neste mês mas não creio ser possível.

Uma boa semana a todos!

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Conversa de grilos sobre o longo de hoje

Grilo Falante Negativo (doravante chamado de N-): Tchi! Este a quem temos que fazer de consciência, tinha que se levantar às 5 para começar a correr às 6.30... Pode treinar a qualquer hora, e escolhe logo tão cedo!
Grilo Falante Positivo (doravante chamado de P+): E faz ele muito bem! Já viste como está fresquinho a esta hora e ainda sem sol? Olha que hoje bem precisa de um bom treino para lhe levantar o moral. Quer 24 sempre a correr. Vamos dar-lhe toda a nossa força! 
N-: Pff! Não te recordas daquela tragédia grega da semana passada? Esperas que seja melhor? Lembra-te do que penou para conseguir aqueles treinos de 10 durante a semana e a passo de caracol...
P+: Ele está muito decidido para hoje! Sabe bem o que está em jogo. Vamos lá soprar-lhe ânimo ao ouvido!

P+: Aproveitou bem o fresquinho e já está nos 10. Viste? Pode ir devagar, isso agora não interessa, mas vai certinho.
N-: Sim, sim... A semana passada também ia assim aos 10 e depois foi o que se viu!
P+: Não posso concordar. Na semana passada o ritmo ia mais aos repelões e com 10 já tinha passado por duas crises. Hoje nada disso. 
N-: Ai, ui que ele é tão optimistazinho... Abre os olhos! Não te esqueças de como tem sido. Quando fizer o retorno, a ter que repetir tudo, agora em sentido contrário, é que vão ser elas. Como na semana passada...
P+: Nada disso! Vamos dar-lhe força que está a esforçar-se bem!

P+: Metade já está! Agora começa a descer.
N:- A descer?!? Onde desce se o percurso é o mesmo e não veio a subir?
P+: Eh pá, não te armes em parvo! Sabes bem que se diz isso por os km feitos começarem a ser maiores que os que faltam!
N: - Sim, sim... E aquela rampa a seguir à estação da Cruz Quebrada? Pode ser pequena mas é bem inclinada. Também é a descer? E depois da Baía dos Golfinhos, uma subida empedrada, também é a descer?!? 
P+: Gaita que és mesmo nhurro!

N-: Olha, estamos a chegar aos 16. Altura do berro no sábado. Vai ser bonito, vai...
P+: Nada disso! Vai continuar neste ritmo quase sempre igual. E psicologicamente vai ficar mais forte.
N-: Para ajudar à festa, vem com a gastrite aos saltos desde o início. Dia de crise...
P+: Sim mas isso dá mais valor ao que está a fazer. Ele continua certinho mas dentro em pouco vai precisar que lhe segredemos umas.
N-: Segredar o quê? Que não vai dar mais? Deves ter a mania que és um grilo muito bom...
P+: E sou! Não foi por ti que ele já completou 12 Maratonas mas sim por mim! 
N-: Oh! Aquilo é tão longo que eu até adormeço e depois não me lembro de nada...
P+: (A falar para os seus botões: Ah não te lembras não, que eu ponho sempre um soporífero no teu chá pois numa Maratona só pode mesmo ter ouvidos para mim...)

P+: Viste? 20 já cá cantam! Agora vai mesmo precisar dumas palavrinhas certas para se aguentar.
N-: Que palavras? Que já chega?
Pumba!!!!
P+: Pronto! Já levaste uma marretada para ficares a dormir nesta fase tão importante! Só eu é que posso incentivar o nosso homem. Então aqui vai:
Tu consegues! Já sentes o cansaço mas continuas certinho. Força!
Olha, 21 km. Meia já está.
Ei, nada de olhar para o relógio! Não interessa o tempo à Meia. Não estás a competir numa Meia, estás a tentar chegar aos 24 e vais conseguir!
Pronto, 21.5, já regressaste ao Passeio Marítimo. Agora o piso é melhor. Gostas mais assim e isso vai dar-te outro estímulo.
22, lembra-te do que te gritou aquela espanhola em Sevilha: "Podes julgar que estás esgotado mas ainda tens isto de energia", fazendo aquele gesto de bocadinho com os dedos. 
23! Falta só 1. Agora, nem que a vaca tussa e a cobra ladre, já não vais andar. Vais conseguir os 24 seguidinhos como tão bem querias! Mais do que querias, precisavas!
E pronto, está feito. Conseguimos!

N-: (Acorda ainda meio tonto) Eh lá! O que é que me aconteceu?
P+: Hum, tropeçaste e bateste com a cabeça...
N-: Não me lembro! Olha... estou a ver que afinal o nosso homem conseguiu... Mas não tinha força para mais... Como é que conseguirá depois mais 18? Não vai dar... E tchi! Olha o tempo!!! 24 km em apenas menos 8 minutos do que já fez 30. Tão  lento! 
P+: Eh pá, lembra-te do que foi a semana passada e do que conseguiu hoje. É uma evolução. E é nisso que ele tem que se focar. Ir evoluindo até ao Porto.  
N-: Pois... mas tinha um plano tão bem delineado, com a componente velocidade a ser bem trabalhada e depois da queda é isto que se vê... Se não tivesse caído e se estivesse a cumprir aquele plano, onde é que já ia?
P+: Se, se, se... Se a minha avó tivesse 3 rodas, não era a minha avó, era um triciclo. As coisas têm que ser feitas pelo que há e não pelo que poderia haver. E é nisso que ele está a trabalhar.
N-: Pois, mas só que...
P+: OH PÁ, CALA-TE!!!

sábado, 10 de agosto de 2019

Um muito fraco longuito

Hoje foi dia de tentar uma distânciazita maior, após os 20 da semana passada. O mínimo eram 22, o ideal 24. A diferença estava na companhia. Na semana passada o privilégio de ter a ultra-dupla Isa & Vitor, hoje apenas o som das minhas passadas.

Como sempre, muito motivado e focado para conseguir um treino satisfatório, até porque durante a semana houve evolução em relação aos das semanas anteriores.

Uma coisa é querer e outra poder e há limites para o querer ser poder. Desde o início notei que as pernas estavam sem energia, o que tem sucedido amiúde desde a queda. Valeu a cabeça para ir seguindo. 

A primeira crise deu-se com escassos 4 quilómetros e, como ao longo do treino, tive que me valer da força mental para prosseguir. Curiosamente, estava a passar na Baía dos Golfinhos e na esplanada tocava o velhinho So Long dos Fischer-Z. Não sei a razão mas deu-me alguma energia.

A segunda grande crise foi ao oitavo quando estive quase a parar. Soltei um palavrão de frustração por ir parar e, com isso, recebi mentalmente um pontapé no dito cujo e continuei sem ter chegado a parar.

Aos 10 cruzei-me com o Isaac, que já não tinha o prazer de o ver há um certo tempo. Trocámos umas palavras e repus mais alguma energia.

O percurso foi do Inatel de Oeiras até à Torre de Belém e volta, sendo que à saída do passeio de Algés segui pela nova ciclovia que está muito boa. Pelo menos vai até à Torre de Belém. Como virei aí, não sei se continua. Muito boa obra!

Fiz então o retorno e fui batalhando comigo para nunca andar, o que seria mau e nada habitual numa distância assim. Cruzei-me com o António Almeida, segui e cada vez estava mais difícil. Isto da cabeça estar sempre a lutar contra o físico, desgasta. E aos 16, junto à estação da Cruz Quebrada, deu-se o inevitável, tive que andar um pouco. 

Logo apareceu o João Ricardo que gentilmente acompanhou-me um bocado e mais à frente em Paço de Arcos, esperou para saber como eu estava. Aí, deve ter visto como ia bem abatido e sem energia. Obrigado pela solidariedade, João!

Acabei aos 22, depois de ter misturado corrida e caminhada nos últimos 6. Assim, nada adiantava ir até aos 24. 
O ritmo médio dos primeiros 16, os únicos sempre a correr, foi de 57 segundos mais lento por quilómetro em relação a como estava antes da queda. Quase 1 minuto, dá para acreditar?!?

O tempo é importante pois fazendo um longo com distância menor ao que se vai encontrar na Maratona, o ritmo deverá ser melhor para no dia da prova, ao ser uma distância maior e seguirmos uns segundos mais do que o habitual, conseguimos aguentar mais tempo.
Ora a esta espécie de velocidade, como posso fazer mais uns segundos por km? O limite da prova são 6 horas, não 6 dias...

Enfim, dá para aperceber que hoje estou desiludido, o foco regressa amanhã.
Para a semana será (tem que ser!) melhor!