sexta-feira, 20 de novembro de 2020

27,5 abaixo de 4 1/2 - Custou mas consegui

A última caminhada que aqui publiquei foi a dos 25 km a meio de Outubro. Desde então tenho continuado com o plano normal de uma hora 3 a 4 vezes por semana mais 15 km ao fim-de-semana (que tenho feito às sextas-feiras para cruzar-me com menos pessoas em virtude daquilo que sabemos).

Uma vez por mês faço uma caminhada maior do que a do mês passado, até estabilizar nos 30, e hoje foi assim o dia de 27,5 km com o objectivo abaixo das 4 horas e meia. 

Para tal, era necessária uma média até 9.49, o que faço mas a dúvida colocava-se em aguentar esse ritmo durante cerce de 4 horas e meia. Se fizerem um km a caminhar a esse ritmo, verificarão que tem que se puxar um bocado. Como seria fazê-lo 27 vezes e meia?

Custou mas consegui, registando um tempo final de 4:26.57, média de 9.42, e onde a maior dificuldade foi gerir o calor na última hora.

Pois é, estamos a 20 de Novembro e está uma temperatura irreal para esta altura do ano. 26 graus a pouco mais dum mês do Natal?!?

Iniciei a caminhada às 8 horas, o que teria sido o ideal em condições normais de temperatura. Como não é o caso, deveria ter começado às 7 e assim teria evitado aquela última hora mais quente. Mas o que está feito, feito está e mesmo assim consegui manter o ritmo nesses últimos 60 minutos.

O percurso foi de Paço d'Arcos - Carcavelos (retorno) - Algés (retorno) - Paço d'Arcos. O carro ficou encostado ao Passeio Marítimo em Paço d'Arcos e passei assim aos 13,8 por ele, indo buscar a sandes de presunto que lá tinha ficado guardada para o meio da prova, pois estar tantas horas em esforço sem compensar, arriscaria a ficar sem combustível. 

De hoje a 4 semanas estão planeados 30 km abaixo das 5 horas.

Dados de hoje (a vermelho o que estava a perder para abaixo de 4.30.00 e a verde o que estava a ganhar):

Km

Tempo

Total

Média para

<4.30.00

1

10:06

00:10:06

00:17

2

09:49

00:19:55

00:17

3

09:51

00:29:47

00:20

4

09:54

00:39:42

00:25

5

09:52

00:49:34

00:29

6

09:24

00:58:59

00:04

7

09:39

01:08:38

00:05

8

09:32

01:18:10

00:22

9

09:37

01:27:48

00:34

10

09:45

01:37:34

00:37

11

09:44

01:47:18

00:42

12

09:40

01:56:58

00:51

13

09:39

02:06:37

01:01

14

09:44

02:16:22

01:06

15

09:56

02:26:18

00:58

16

09:32

02:35:50

01:15

17

09:32

02:45:23

01:32

18

09:13

02:54:37

02:07

19

09:32

03:04:09

02:23

20

09:36

03:13:46

02:36

21

09:50

03:23:37

02:34

22

09:42

03:33:20

02:41

23

09:48

03:43:08

02:41

24

09:41

03:52:49

02:49

25

09:51

04:02:41

02:47

26

09:43

04:12:25

02:52

27

09:43

04:22:08

02:58

27,5

04:49

04:26:57

03:03

Quando forem os 30 km, aqui voltarei para relatar. Até lá, as caminhadas normais.

Fiquem bem e cuidem-se! Um abraço a todos! 😊

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Entrevista a "Corredores Anónimos" sobre o histórico de resultados

O excelente site "Corredores Anónimos" publicou em duas partes uma entrevista que me fez há dois dias sobre o histórico de resultados e o seu fim, e onde justifico a decisão.

Pode ser lido aqui:

1ª parte

2ª parte

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

O histórico e calendário ficam por 2020

Tudo na vida rege-se por ciclos. E o Atletismo, naturalmente, não foge a essa regra.

Em Portugal, as corridas iniciaram-se há mais de cem anos e eram reservadas a quem fosse federado, situação que se foi mantendo até ao 25 de Abril, no que podemos definir como o 1º ciclo de vida das provas. Depois da revolução, deu-se o pontapé de saída às intituladas corridas abertas a todos, que no entanto sofreram algumas vicissitudes iniciais por serem consideradas piratas pelo poder federativo. 

Mas um novo ciclo foi aparecendo com o reconhecimento geral das mesmas e uma (r)evolução tecnológica assinalável, onde os chips foram o grande impulsionador para a cronometragem correcta e o evitar das filas, que por vezes começavam antes da meta, para registo de tempo e lugar.

Após um boom nos anos 80 e consolidação nos 90, no novo milénio o número de provas foi disparando para níveis impensáveis anteriormente, bem como por participações massivas.

Tudo decorria da melhor forma até que um vírus deitou todo o esforço por terra, transformando o ano de 2020, a partir de Março, numo manancial de provas canceladas, bem como o aparecimento do conceito de provas virtuais.

E inicia-se assim um novo ciclo que irá viver concomitantemente com as provas reais, quando forem possíveis, abrindo espaço a outro tipo de experiências, inclusive falando-se já em realidade aumentada ou realidade virtual.

Não me cabe aqui julgar estas hipóteses, mas apenas registar o inevitável. A partir daqui muita coisa mudará, mantendo-se o tradicional e o que aí virá.

E é nesta altura de mudança de paradigma, que decidi deixar de alimentar o histórico de resultados a partir de 31 de Dezembro deste ano, bem como o respectivo calendário anual.

Não foi uma decisão fácil nem repentina, ando há dois meses a debatê-la comigo próprio, mas é a altura certa pois preciso de ter mais tempo livre, e coincide assim numa altura de mudança. Como a primeira prova reportada é de 1910, digamos que este é o histórico que foi possível angariar entre 1910 e 2020.

Quando o iniciei em 2009, o número de provas a pesquisar era incomparavelmente menor do que o actual. De ano para ano o volume foi aumentando e a custo lá fui mantendo como podia e conseguia. Registo o facto de várias pessoas julgarem que era uma equipa a manter este espaço, quando afinal se resumia a uma única pessoa. 

Se a pesquisa de resultados e o seu tratamento são bastante consumidores de tempo, o calendário é de longe o mais custoso. E sem o calendário, não saberia todas as provas a que deveria procurar os seus resultados. Estamos a falar dum número perto dos dois milhares de eventos para andar constantemente a procurar informação da data a realizar, se se confirma ou é alterada, qual a distância, ligações, etc.

Ora o tempo necessário para tal tarefa tornou-se difícil de conciliar com a minha vida, e daí ter decidido que esta era a altura ideal para colocar um ponto final.

Claro que tenho pena, pois custa-me largar algo a que me dediquei tão apaixonadamente nestes 11 anos e meio, mas há sempre maneiras diferentes de ver o mesmo problema. E a maneira com que a vejo é o orgulho que tenho por deixar ao alcance de todos e a qualquer altura, a possibilidade de consultarem o que foram as nossas corridas até ao corrente ano.

Como disse, até 31 de Dezembro irei continuar a colocar os resultados das provas (reais) que eventualmente se disputem (apesar de tudo, têm-se realizado algumas muito poucas).

Naturalmente, se alguém ou alguma entidade pretender tomar mãos à obra e continuar este trabalho a partir de 2021, será com todo o gosto (e felicidade) que fornecerei todos os resultados que tenho arquivados e todos os elementos que ajudam à feitura do mesmo, ajudando na transição e explicação. 

Resta-me agradecer a todos os que ajudaram dalguma forma, nomeadamente com o envio de resultados mais antigos, bem como os incentivos que foram dando.

Um abraço a todos! 😊

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Cinco Léguas

Com a intenção de em cada mês fazer mais um par de quilómetros que o máximo do anterior, relembro que em Setembro foram 22.195, hoje foi dia de tentar caminhar 25 km a bom ritmo.

O objectivo "obrigatório" passava por fazer uma marca final até 4:09:59, portanto média abaixo de 10 ao km. Porém, o objectivo maior era baixar das 4 horas, o que implicava uma média até 9:35,99. Ora uma média destas é acessível neste momento mas mantê-la durante cerca de 4 horas, é que era o busílis. Não apenas pelo natural cansaço físico mas igualmente pelo mental porque caminhar no limite durante estas horas, obriga a concentração total. Bastam uns momentos de distração e o relógio ressente-se de imediato.  

Após ter sido forçado a abandonar a corrida, iniciei as caminhadas a 31 de Maio, portanto até ao momento só o tinha feito com tempo quente. Hoje quando iniciei às 7 horas, estava frio, o que obrigou a ter além da normal camisola de manga curta, uma outra de manga comprida que levei até ao nono quilómetro, altura que deixei de a usar pois o sol já estava no horizonte a trazer alguma temperatura, aliada ao esforço.

Dividi mentalmente a caminhada em 5 léguas (para quem não souber, 1 légua terrestre são 5 km) e é assim que vou relatar, légua a légua.

1ª Légua

1

9:31,45

00:09:31,45

2

9:09,04

00:18:40,49

3

9:14,89

00:27:55,38

4

9:04,65

00:37:00,03

5

9:00,52

00:46:00,55

1ª Légua

46:00,55

Objectivo para

menos de 4.00.00

-01:59,45

Objectivo para

menos de 3.50.00

+00:00,55

Neste quadro pode ver-se o tempo km a km, o acumulado e o tempo que vou a ganhar (a verde) ou a perder (a vermelho) em relação ao objectivo de baixar das 4 horas. O valor para menos de 3.50 apenas começou a fazer sentido a meio do percurso, pois nunca esteve em questão até lá.

O primeiro quilómetro é sempre uma incógnita, e normalmente mais lento, mas fiz logo abaixo da média máxima para baixar das 4 horas, o que foi uma agradável surpresa. Mais foi marcar 9.09 no 2º km que me criou a dúvida se não estaria a abusar, tendo em conta a extensão total do desafio. Mais receios ao constatar os 9.04 e, especialmente os 9.00 no 4º e 5º km, até pelo facto de não estar tão confiante de aguentar o ritmo até final, como muitas vezes sucede em que nos primeiros quilómetros sou logo invadido pela sensação que dá para manter até final.

Concluí assim a 1ª légua com um avanço a escassos centésimos dos 2 minutos, o que foi uma óptima maneira de começar e ganhar um avanço significativo.

2ª Légua

6

9:09,50

00:55:10,05

7

9:06,28

01:04:16,33

8

9:21,73

01:13:38,06

9

9:13,14

01:22:51,20

10

9:08,88

01:32:00,08

2ª Légua

45:59,53

Objectivo para

menos de 4.00.00

-03:59,92

Objectivo para

menos de 3.50.00

+00:00,08

Tudo estava a decorrer bem mas no 8º km senti uma sensação que não sei explicar bem mas que por vezes é o preâmbulo do esforço na altura que o organismo se acomoda e entra em "modo contínuo". Passados esses escassos segundos, tudo continuou a fluir melhor do que o aguardado, apesar de a confiança ainda não estar nos píncaros, mas na próxima légua isso deu a volta.

E dei por mim com um avanço a apenas 8 centésimos dos 4 minutos! Sem quebra, a coisa fazia-se!

3ª Légua

11

9:01,97

01:41:02,05

12

9:02,71

01:50:04,76

13

9:26,08

01:59:30,84

14

9:01,19

02:08:32,03

15

9:07,56

02:17:39,59

3ª Légua

45:40,51

Objectivo para

menos de 4.00.00

-06:20,41

Objectivo para

menos de 3.50.00

-00:20,41

Há uma regra de ouro nas corridas, nunca se experimenta nada em provas que não tenha sido devidamente testado em treino. 

Naturalmente tal se aplica em caminhadas e no caso concreto o grande objectivo do próximo ano, a distância de Maratona a caminhar.

Gosto de fazer tudo com tempo e além do percurso já estar delineado e medido (Boca do Inferno - Parque das Nações), tenho estado a pensar nos reabastecimentos sólidos. É que andar 7 horas e muito (ler final) obriga a alimento sólido, além da natural água de 5 em 5 km. 

E o que pode ser? Banana, gel e pão com presunto. Mas se bananas e géis já estão muito testados a correr em Maratonas, pão com presunto nunca tinha experimentado. Ora o presunto é importante pelo aporte energético que fornece, bem como a recuperação muscular que proporciona. Hoje foi o dia de o experimentar pois convém ser em treinos longos e, caso não me adaptasse, nos próximos arranjaria outra alternativa.

Assim, combinei com a Mafalda que estaria aos 12 km para me dar esse reabastecimento especial. E resultou na perfeição! Comi bem, sem prejudicar o ritmo e tive energia até ao final, sem nenhum problema que pudesse eventualmente ter criado. Aprovado!

E foi nesta légua, exactamente a meio (12,5) que verifiquei que levava 5 minutos exactos de avanço em relação ao objectivo de baixar das 4 horas. E de repente, deixou de ser objectivo pois logo pensei "se fizer uma 2ª metade um segundo que seja mais rápida que a 1ª, baixo é das 3.50". E esse passou a ser o foco já que, a menos que algum problema surgisse, o das menos de 4 horas estava bem garantido. 

Como se pode ver nas 2 primeiras léguas, o objectivo para esse novo fim estava em linha,  apenas escassos centésimos mais, e havia que o potenciar. A média final necessária era até 9.11,9, e aos 15 passei com um avanço de 20 segundos. Curto, se atendermos que ainda tinha por percorrer 10 km, mas avanço é avanço.

4ª Légua

16

9:02,92

02:26:42,51

17

9:15,31

02:35:57,82

18

9:19,50

02:45:17,32

19

9:08,62

02:54:17,32

20

9:03,69

03:03:29,63

4ª Légua

45:50,04

Objectivo para

menos de 4.00.00

-08:30,37

Objectivo para

menos de 3.50.00

-00:30,37

Sem dar sinais de quebra, e ignorando as refilices que as pernas já começavam a ter, nesta légua ganhei mais 10 segundos ao novo objectivo e passava assim a dispor de 30 segundos de avanço. Era manter e gerir se necessário.

5ª Légua

21

9:27,74

03:12:57,37

22

9:08,33

03:22:05,70

23

9:12,21

03:31:17,91

24

9:08,20

03:40:26,11

25

9:07,27

03:49:33,38

5ª Légua

46:03,75

Objectivo para

menos de 4.00.00

-10:26,62

Objectivo para

menos de 3.50.00

-00:26,62

No início do artigo, falei no cansaço mental, onde basta uma ligeira distração e perdem-se preciosos segundos, daí a necessidade de ir sempre concentrado. Ora quando terminei o 21º km, fui surpreendido pelo facto de ter perdido metade do avanço que levava para baixar das 3.50, de 30 segundos passava a 15 e com 4 quilómetros ainda pela frente.

Sinal de alarme e havia que esquecer o cansaço que já se fazia notar. Não queria perder este novo objectivo no final. 

Com muito controle de relógio, em especial na média total que ia em 9.11 e não podia passar para 9.12, a meio do 22º vi passar esse valor para os 9.12. Apertei mais e consegui regressar aos 9.11 e ainda ganhar 4 segundos, fiquei em linha no seguinte e ao ganhar mais no 24º, entrei para o último com um avanço de 22 segundos, o que deu alguma tranquilidade, finalizando os 25 km com 3:49:33, média de 9:10,9.

Como curiosidade, se estava duvidoso se conseguiria baixar das 4 horas, porque para tal teria que fazer média abaixo de 9.36/km, todo e qualquer km foi menor que esse limite dado que o mais lento foi o 1º com 9.31

Fiquei, naturalmente, satisfeito e orgulhoso e em meados de Novembro irei caminhar 28 km e em Dezembro 30, caso não haja qualquer impedimento.

Falta só referir o percurso: Inatel de Oeiras - Carcavelos - (retorno) - Algés - (retorno) - Inatel de Oeiras, pelos passeios marítimos que em tão boa hora foram criados.

Redefinição de objectivo

Como anteriormente tinha dito, o objectivo passava por fazer algures em 2021 (a data está devidamente escolhida) uma caminhada de 42,195 Km com o limite até 8 horas e meia.  

No entanto, desde essa altura, tenho estado a equacionar uma alteração que posso dizer que foi hoje tomada. O limite passa a ser terminar na casa das 7 horas (ou seja, até 7:59:59).

Sim, sei que o aumentar da distância traz novos desafios e a obrigatoriedade de gerir bem as reservas de energia e que a partir dos 30 é o "diabo", mas esse passa a ser o novo objectivo limite. Para quê simplificar se se pode complicar? 😄