sexta-feira, 2 de abril de 2021

A caminhar na Corrida Virtual da Páscoa de Cascais

Com o dorsal e a bonita camisola do evento, com o grande João Branco ao lado

Hoje foi dia de fazer em modo virtual e, naturalmente a caminhar, os 10 km da Corrida da Páscoa de Cascais, evento virtual a decorrer de 27 de Março a 4 de Abril e com o intuito da totalidade do valor das inscrições ser convertido em bens alimentares que serão entregues às famílias mais vulneráveis da comunidade.  

O percurso que utilizei foi da minha casa em Porto Salvo até ao jardim de Paço de Arcos e regresso, sempre pelas novas ciclo e pedovia que recentemente e em tão boa hora foram criadas e têm proporcionado um maior número de pessoas a movimentarem-se em saudável exercício.

Tive a sempre muito agradável companhia do João Branco e o objectivo de melhorar a marca de 1.34.51, realizada na semana passada, e que constituía o melhor registo desde a paragem pela intervenção cirúrgica de Janeiro. 

Consegui e por boa margem, tempo final de 1.31.55, quase 3 minutos melhor. A ainda mais de 10 minutos (10.39 para ser preciso, tempo de 1.21.16) do que estava a fazer antes da operação, mas há umas semanas estava a 28 minutos e a evolução tem sido linear. 

Além da satisfação da marca, também o facto de ter sido mais rápido na 2ª metade do que na 1ª, algo que era constante antes da paragem mas ainda não tinha sucedido após a mesma.

Enfim, que melhor maneira de comemorar o aniversário?

Um abraço a todos e cuidem-se!

domingo, 14 de março de 2021

Pasito a pasito

Desde o meu último artigo, a forma tem vindo a evoluir lenta mas progressivamente, nesta minha nova fase de caminhadas atléticas (*), dado que, como se sabe, não posso mais correr. A esse propósito, fez na sexta um ano da operação que fiz ao joelho esquerdo e onde se verificou que ele tinha chegado ao fim da linha para os impactos de corrida.  

Se no início de Janeiro realizei a 1ª Maratona a Caminhar num excelente pico de forma, poucos dias depois fui sujeito a uma intervenção cirúrgica que muito interferiu no organismo e quando regressei às caminhadas, cerca dum mês após, a condição física estava naquilo que os cientistas apelidam de "nas lonas".

Porém, e como já dei conta no anterior artigo, e no início deste, tenho vindo "pasito a pasito" a evoluir, passando de 5 km dia sim dia não para 8 km e ao fim-de-semana 10. 

A melhor maneira de aferir essa evolução é ver os tempos destas 4 semanas (apenas como referência, a minha melhor marca de 10 a caminhar é de 1:21.16, média de 8,07/Km): 1:48.15 - 1:39.19 - 1:37.18 - 1:36.44

Como se constata, a curva é positiva, sempre com melhorias. Naturalmente ainda estou a 15.28 da minha melhor marca (1.33 por km) e neste momento nem imagino como conseguirei ser mais rápido mais de minuto e meio por km e em todos esses 10 km, nem como já caminhei um km em 7.47 mas com muita dedicação, esforço e tempo, hei-de chegar lá. Ou pelo menos lutar por isso. Até porque para o Outono quero estar em nova grande forma para a 2ª Maratona a Caminhar!

A caminhada de hoje também tem uma referência especial pois foi, desde esta operação, a primeira acima das duas léguas. Só parei aos 13,5 km.

Outra situação que noto é que nas caminhadas ia sempre em crescendo, com a 2ª metade mais rápida que a 1ª, inclusive nos 42.195, e neste momento não o consigo, começando a quebrar perto do final. Mas sendo tudo normal para a situação actual.

Há quem me interrogue se se justifica toda esta atenção até ao segundo nas marcas mas é a forma de me motivar ainda mais e compensação pela perda da corrida.

Entretanto inscrevi-me numa corrida virtual. A Corrida da Páscoa de Cascais, a realizar entre 27 de Março e 4 de Abril, evento virtual para se realizar a caminhar ou correr, 5 ou 10 km e com o fim solidário do total do valor angariado (5 euros de inscrição mais 5 euros que a Câmara de Cascais adiciona por cada inscrito) ser entregue às famílias mais vulneráveis da comunidade. E bem sabemos como têm aumentado os casos a necessitar de ajuda desde o início desta pandemia.

Despeço-me desejando a todos que fiquem bem!

(*) Este termo de "caminhada atlética" não é da minha lavra. É do Jorge Branco, a quem deixo aqui um abraço, que afirmou que já existia a corrida e marcha atlética e eu tinha "inventado" agora a caminhada atlética 😄

sábado, 20 de fevereiro de 2021

O que tenho feito

Perfazem hoje 11 anos que iniciei este blogue, daí ter escolhido a data para aqui regressar após uma ausência de mês e meio (e já que estamos numa de efemérides, fez ontem 4 anos que alcancei o meu record em Maratona, na de Sevilha, record que é definitivo por já não poder correr mais).

Ausência esta justificada por uma intervenção cirúrgica a 13 de Janeiro e que obrigou a uma pausa nas caminhadas, retomadas no passado dia 6.

E não foi fácil essa retoma dado que no primeiro dia cumpri apenas 3 lentos km tendo ficado bastante cansado, quando há um mês atrás realizei 42,195 a uma velocidade bastante forte para caminhada (ler aqui). 

A explicação é simples, prende-se com a dita operação que durou 5 horas e a necessidade do organismo recuperar.

A partir desse dia, passei a caminhar 5 km, lentos, dia sim dia não, com o intuito de ir recuperando natural e progressivamente, tendo havido duas excepções de 7 e 8 km respectivamente.

A resistência e a velocidade podem estar a anos luz do que eram no início do mês passado mas a boa notícia é que só pode haver progressão daqui para a frente.

Irei recuperar a forma pois o próximo objectivo é no Outono realizar a 2ª Maratona a Caminhar, estando ainda em estudo que percurso irei usar.

Fiquem bem! 😊

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

1ª Caminhada na distância de Maratona, abaixo das seis e meia

 

A felicidade de quando se supera um desafio

Apenas somos responsáveis pelos nossos actos e decisões e nunca pelo que não podemos evitar. Nas inevitabilidades, resta-nos mitigar o problema o melhor que pudermos. 

Vem isto a propósito de ter deixado de poder correr, algo que, como bem sabem, dava-me um enorme prazer que julgava poder continuar pela vida fora. O que poderia então fazer? Carpir mágoas e viver alimentado a lamentos ou encontrar algo que me desafiasse sem efectuar comparações que não levam a lado algum?

Foi assim que comecei nas caminhadas a bom ritmo, à procura de objectivos que me levassem a saudáveis limites, encarando tal como uma 2ª fase da minha carreira, recordando sempre com um orgulho de excelentes memórias o que foi a 1ª fase.

Não julgava possível conseguir os ritmos que já alcancei, muito especialmente a distância que os consigo manter, e tem sido um esforço recompensador.

Apaixonado pela distância mítica da Maratona, naturalmente logo coloquei o objectivo de fazer uma caminhada nessa distância e com um tempo limite desafiador.

E ontem 4 de Janeiro, foi o dia de ir da Boca do Inferno em Cascais até à ponta mais afastada do Parque das Nações com o limite abaixo de 7 horas, portanto até 6.59.59

Fiz a preparação adequada e com a emoção típica duma Maratona. Sim, claro que não é uma Maratona oficial, não tem pórtico de partida e chegada, não tem aquele ambiente tão especial e emotivo do pelotão, não tem público entusiasta (no estrangeiro) mas, como disse em cima, nada adianto em fazer comparações, é o que posso fazer, é ao que me agarro com o empenho de sempre, até porque há algo que não muda num caso ou noutro, o desafio a que nos propomos superar.

Chegados à Boca do Inferno por volta das 7.30 (o termo inferno faz sempre recordar a música que nos brindaram à partida nas 3 vezes que fiz a Maratona de Sevilha, o Highway to Hell dos AC/DC). No carro ia eu, a Mafalda que iria ter um incansável trabalho de estar de 5 em 5 km a dar os reabastecimentos, e o João Branco que se ofereceu para me acompanhar entre os 5 e os 15 km.

Equipado e onde não podia faltar a amarelinha dos 4 ao Km que não vestia desde a minha última corrida, São Silvestre da Amadora 2019

A sair do carro, tive a primeira surpresa, a Tânia e o Raúl estavam ali para apoiar na partida e irem acompanhar-me de bicicleta um par de quilómetros. 

Com o João Branco, Raúl e Tânia. Se a foto fosse de há um ano atrás, passaríamos por um grupo de assaltantes devidamente mascarados, hoje é inevitável. 

Partida às 7.44 com tempo frio e a ameaçar chuva. Chuva que caiu com força ao final do primeiro quilómetro, assim se mantendo por 2 km. O impermeável não deixava entrar água mas os sapatos ficaram encharcados e os pés enregelados, demorando um certo tempo até ficarem bem.

Esta foi a única questão com as condições atmosféricas que, tirando esta excepção, estiveram perfeitas. Temperatura boa para caminhar e sem qualquer espécie de vento. Sendo um percurso de ponta a ponta, se estivesse vento contra seriam 42 km contra o vento. Felizmente, até o S.Pedro ajudou.

Cerca dos 2 km, nova surpresa. O João Ricardo estava no paredão de Cascais à minha espera para acompanhar-me até S.Pedro, entre o km 7 e o 8.

Aos 4,5 apareceu o João Branco, indo até aos 15 em Paço d'Arcos. A partir daí segui sozinho, com excepção dum km entre a Vela Latina e o Padrão dos Descobrimentos, novamente com o João Ricardo. Um grande muito obrigado ao João Branco, João Ricardo, Tânia e Raúl, e a todos os que quiseram estar presentes mas não lhes foi possível devido a ser um dia de trabalho (no fim-de-semana não era possível devido à proibição de circulação entre concelhos e ao recolher às 13 horas).

Três Joões a chegarem ao 5º km

E como é que eu ia a sentir-me? A partir do momento que dei o primeiro passo, sabia que não podia parar nem abrandar durante pouco menos de 7 horas. A tentação seria começar forte mas o bom senso avisa que os primeiros momentos são fundamentais para uma boa prova. Coloquei um ritmo confortável que, mesmo assim, era já inferior à média limite. Comecei a ganhar segundos sobre segundos ao tempo máximo, facto que sucedeu ao longo de todos os quilómetros, como se pode ver no quadro em baixo.

De maneira gradual e certa, o ritmo foi compondo e sempre sem qualquer sinal de preocupação. Tudo rodava sobre rodas, que é o mesmo que dizer tudo caminhava sobre pernas.

Chegada a Paço d'Arcos, onde o João Branco iria ficar e onde eu iria criar um novo objectivo, mais arrojado

E é assim que por voltas dos 15 começo a fazer contas e a aperceber-me que a manter o ritmo, terminaria nas 6.32... Estão a ver o que esta cabeça pensa logo... "E se conseguisse abaixo das seis e meia? Isso é que era...". Problema nº 1: Além de manter o ritmo, tinha que recuperar cerca de 40 segundos que tinha de atraso para esse objectivo. Problema nº 2: Sabia que na caminhada de 30 km tinha conseguido manter a velocidade até ao fim. Mas como seria com mais 12 Km? 

Como sem se tentar nunca se sabe, passei a ter esse objectivo em mente, até porque para abaixo das 7 horas estava com um muito bom avanço.

Na passagem aos 20, passei a estar na média necessária para sub 6.30, mas por muito pouco. Iria ser luta até ao final.

Entretanto, ia recebendo os reabastecimentos cuidadosamente controlados pela Mafalda. Além de água em todos e isotónico no último reabastecimento, também tive um gel, uma banana e um pão com presunto. Tinha era que comer sem poder ceder qualquer segundo que fosse. 

Por volta dos 30 as pernas começaram a queixar-se do esforço mas a cabeça estava muito forte e não lhes ligaram. Cerca dos 35, foram as palmas dos pés que também se quiseram fazer ouvir, mas como pode ser visto no quadro dos tempos, mantive sempre a mesma pedalada (outra forma de dizer passada). 

Aos 34,5 deveria estar a dizer que as pernas estavam a queixar-se. Mas há dias que somos surdos... 😁

No último reabastecimento, aos 38, estava com receio que quebrasse no final, mas esse foi um medo do estilo de recearmos perder algo quando já quase o sentimos nosso, mais do que algum outro sinal.

A cabeça não dava tréguas às pernas e ao chegar aos 40 já não duvidava que iria mesmo baixar das 6 e meia. Era fundamental não facilitar fosse o que fosse pois enquanto as pernas estão naquele passo certo, mecânico, tudo bem, mas num simples abrandar poderia já não ter a força para retomar a mesma intensidade.

Chego à zona onde parti e cheguei tantas vezes na Corrida do Oriente, o relógio marca os 42.195 e com a marca de 6.27.55 que muito me orgulhou e que não julgaria possível, pois andar um quilómetro a 9.12 é uma coisa, aguentar 42 nessa média, é exigente.

O sucesso desta empreitada devo-o à parte mental que esteve sempre totalmente focada e sem qualquer quebra. Se na caminhada de 30 alturas houve que notei que era difícil manter a concentração tantas horas, nesta nunca sucedeu.

No final constatei divertido que foi preciso fazer uma Maratona a caminhar para, finalmente!, fazer uma 2ª metade mais rápida que a 1ª nesta distância. 1ª metade em 3.15.45 e 2ª em 3.12.10

A prova

Esta caminhada na distância de Maratona encerra um ciclo pois segue-se uma paragem necessária para uma intervenção cirúrgica. Não tenho noção de quanto tempo terei que estar parado mas espero ser breve para logo logo retomar as caminhadas, recuperar a forma e resistência. Não sei se repararam no título, diz 1ª caminhada na distância de Maratona. Ora quando se escreve 1ª é sempre com o intuito de iniciar uma série... 

A maioria das Maratonas têm um limite de 6 horas mas há um número muito pequeno de quem tem mais. Já me passou pela cabeça que um dia poderia entrar assim numa, mas o que não queria era estar ali a atrapalhar e a obrigar que estivessem à minha espera na meta. Daí, e por curiosidade, fui ver onde ficaria na classificação em 3 que têm um limite superior. E qual não é o meu espanto quando vejo que, apesar de ter feito a distância sempre a caminhar, ficaria à frente de 1.418 em Paris, 1.711 em Londres e 2.530 em Nova Iorque! (segundo a classificação da última edição, 2019).

Resta colocar o quadro com o km a km e a evolução (a verde quando estava a ganhar, a vermelho a perder) para o objectivo inicial de abaixo de 7 horas (este sempre a verde...) e o que surgiu de menos de 6.30, e uma última e merecida foto.

Um abraço a todos, fiquem bem! 😀   

Km

Tempo

Total

<7.00

<6.30

1

9:30,05

00:09:30,05

00:27,17

00:15,49

2

9:24,45

00:18:54,50

00:59,94

00:25,38

3

9:34,71

00:28:29,21

01:22,45

00:45,53

4

9:10,59

00:37:39,80

02:09,08

00:41,56

5

9:21,39

00:47:01,19

02:44,91

00:48,39

6

9:16,26

00:56:17,45

03:25,87

00:50,09

7

9:16,78

01:05:34,23

04:06,31

00:52,31

8

9:05,89

01:14:40,12

04:57,64

00:43,64

9

9:16,84

01:23:56,96

05:38,02

00:45,92

10

9:05,17

01:33:02,13

06:30,07

00:36,53

11

9:19,95

01:42:22,08

07:07,34

00:41,92

12

9:06,53

01:51:28,61

07:58,03

00:33,89

13

9:18,15

02:00:46,76

08:37,10

00:37,48

14

9:10,04

02:09:56,80

09:24,28

00:32,96

15

9:19,43

02:19:16,23

10:02,07

00:37,83

16

9:39,75

02:28:55,98

10:19,54

01:03,02

17

8:54,20

02:37:50,18

11:22,56

00:42,66

18

8:56,53

02:46:46,71

12:23,25

00:24,63

19

8:56,25

02:55:42,96

13:24,22

00:06,32

20

9:14,20

03:04:57,16

14:07,24

00:05,96

21

9:02,70

03:13:59,86

15:01,76

00:05,90

22

9:05,57

03:23:05,43

15:53,41

00:14,89

23

9:16,12

03:32:21,55

16:34,51

00:13,33

24

9:21,33

03:41:42,88

17:10,40

00:06,56

25

9:15,50

03:50:58,38

17:52,12

00:05,62

26

9:03,14

04:00:01,52

18:46,20

00:17,04

27

9:06,45

04:09:07,97

19:36,97

00:25,15

28

8:50,46

04:17:58,43

20:43,73

00:49,25

29

9:02,60

04:27:01,03

21:38,35

01:01,21

30

9:02,17

04:36:03,20

22:33,40

01:13,60

31

9:21,45

04:45:24,65

23:09,17

01:06,71

32

8:58,67

04:54:23,32

24:07,72

01:22,60

33

9:12,00

05:03:35,32

24:52,94

01:25,16

34

9:07,33

05:12:42,65

25:42,83

01:32,39

35

9:07,82

05:21:50,47

26:32,23

01:39,13

36

9:14,60

05:31:05,07

27:14,85

01:39,09

37

8:56,77

05:40:01,84

28:15,30

01:56,88

38

9:12,22

05:49:14,06

29:00,30

01:59,22

39

9:21,94

05:58:36,00

29:35,58

01:51,84

40

9:15,71

06:07:51,71

30:17,09

01:50,69

41

9:21,60

06:17:13,31

30:52,71

01:43,65

42

9:04,02

06:26:17,33

31:45,91

01:54,19

42,195

1:37,67

06:27:55,00

32:05,00

02:05,00

Como se deve terminar com chave de ouro, a fotografia de agradecimento à Mafalda pelo seu incansável apoio, aqui e sempre!