segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Em Leiria, numa excelente Meia a merecer forte adesão no futuro


Leiria está uma cidade bem bonita e em franco progresso, com muita vida. No ano passado vim a esta Meia-Maratona, 2ª edição volvidos 4 anos após a 1ª com outra organização, e o que escrevi na altura foi que tinha ficado cliente. 

Ora, cliente que é cliente, regressa sempre e pude constatar como a organização ainda melhorou mais o evento. Em 2018 o percurso tinha apenas uma pequena porção de metros que não foram de agrado pois dava-se numa zona apertada e com atletas a irem e outros a regressarem. Ciente desse problema, a Atletas.Net alterou esse pequeno troço e tudo ficou perfeito num percurso selectivo qb com passagens pelo centro da cidade, pista do estádio de Leiria (desta vez em cimento pois o tartan foi retirado para colocarem um tapete novo), e a ida pela estrada de Cortes até ao Alqueidão, onde se deu o retorno.

Ao contrário das previsões, não choveu mas o vento esteve forte, nomeadamente de frente entre o km 9 e 14. Fazer o retorno em Alqueidão foi um alívio por deixar de sofrer com o vento. 

Muito bom o nível de reabastecimentos, nada mais do que 5! Deram-se aos 4, 8, 12, 16 e meta, com os de 12 e 16 também com banana.

Pena que o número de participantes não tenha sido o que uma prova destas merece mas a concomitância com muitos outros eventos neste fim-de-semana acabou por prejudicar todos. Só a nível de Meias tivemos 5 (Leiria, Ovar, Moita, Esposende e Elvas). 
Esta Meia estava inicialmente agendada para o dia 6 mas foi obrigada a adiar uma semana pela realização das eleições.
Mesmo assim, estiveram em competição nas duas vertentes (Meia e 10) perto de 500 atletas, mais os caminhantes e as corridas para crianças.

Esperando que para o ano o calendário seja mais favorável, deixo aqui uma recomendação a todos para experimentarem esta Meia que defino como organização moderna e percurso à antiga, com tudo de bom que cada uma destas duas expressões encerra.

Ainda sobre a organização, e a sua preocupação com os atletas, leiam a história que está no final deste artigo.

A 3 semanas da Maratona do Porto, queria impor um ritmo bom mas sem entrar em loucuras. A marca de 1.58.49 alcançada aqui no ano passado estava completamente fora de equação, devido ao que sucedeu este ano após a violenta queda, e apontava como mínimo exigível abaixo de 2.10, com o muito bom a estar abaixo de 2.06.35 (para quem não estiver a associar, 2.06.35 ainda é média de 6 ao km, 2.06.34 já são 5.59,9)

Devo confessar que, apesar de ser a minha Meia nº 63, estava nervoso antes. Desde a tal queda em Julho, era a primeira vez que ia impor ritmo de corrida durante 21 km.  

O início foi entre o cauteloso e o ir chegando ao ritmo pretendido. Como ia sozinho e sem ninguém conhecido ao lado, tentei criar um ponto de mira. À saída do estádio (2 km) reparei em duas raparigas que iam uns 50 metros à minha frente e que seguiam ao ritmo que pretendia e eram fáceis de as marcar pelas cores das camisolas que sobressaíam no pelotão (uma era roxo e a outra um verde azulado ou azul esverdeado, não sei qual predomina).

Elas seguiam certinhas e eu a manter a distância e a regular-me assim num ritmo que considerava bom (isto não podem ser só os campeões a terem lebres ao serviço...)

Ia assim muito bem mas aos 8,5, na rotunda que fazia a divisão Meia/10 km, as minhas lebres involuntárias cortaram para os 10 e fiquei sem referências. Tudo bem, ia lançado e com hipóteses de fazer menos que os 2.06.35, apesar de a coisa estar com muito pouca margem.

Tal como acima referido, deu-se o momento mais difícil entre os 9 e os 14. O percurso até é favorável pois vai descendo de forma muito suave, a paisagem é bonita mas... o vento forte contra foi um adversário duro de roer!

Aguentei-me, conseguindo manter a média, e o retorno, apesar de ser ligeiramente a subir, foi um alívio por não existirem forças invisíveis a tentarem empurrar-nos para trás. 

Sempre dentro da média mas com margem presa por arames, cheguei aos 19 e entrei na fase mais difícil pois foi quando comecei a sentir o desgaste/empeno. Aguentei-me como pude para manter a margem. É curioso como há alturas que vamos desgastados e a parecer que estamos a perder velocidade mas depois o relógio desmente, provando que estamos no mesmo ritmo que anteriormente.

Cortei a meta em 2.06.10, objectivo alcançado. "Morto" mas feliz. O cansaço era geral pois ia desde a respiração à parte muscular. Nada que um bom duche no estádio não tenha retemperado.

Foi depois do duche que vi a sms com os resultados que a organização enviou aos participantes e fiquei agradado ao verificar algo que não é nada comum. o ter ficado no top10 no escalão, em 10º. Por um lado podemos dizer que pouco mais eram, mas por outro posso argumentar que estou a escassos meses dos 60 e tive que lutar com jovens de 55, 56 anos :)

E pronto, vai ter início a fase descendente desta preparação. Baixa a carga, aumenta a emoção. Por mais Maratonas que se façam, os nervos são sempre os mesmos!





No regulamento estava explícita a regra do controlo fechar às 2.30 de prova, devido a imperativos de trânsito que tinham que ser cumpridos. No entanto, a organização fez algo especial a um atleta, provando a sua sensibilidade para o esforço de cada um. passo a transcrever as palavras da própria Atletas.Net numa sua publicação no Facebook:

"Mário Bravo é um equatoriano que participou na Meia Maratona de Leiria. Curiosamente nem sequer foi classificado, pois concluíu a sua prova muito para além do fecho de controlo. Atenta, a organização prestou-lhe todo o apoio ao longo do percurso e até o carro cronómetro com a família a bordo voltou para trás para seguir de perto o equatoriano que fazia uma meia maratona pela primeira vez na sua vida. Apesar de praticamente todo o staff e logística visível já terem sido desmobilizados e o trânsito reaberto, Mário queria acabar, nem que tivesse de correr muito lentamente pelos passeios. Assim fez. Rapidamente uma meta foi improvisada para que Mário terminasse. De forma desportiva compreendeu tudo em seu redor e agradeceu à organização, justificando-se: "Queria acabar para mostrar a bandeira do meu país". E o objectivo foi cumprido. É para ele o Prémio Desportivismo da Meia Maratona de Leiria 2019"


sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Calendário 2020


Desde hoje que o calendário 2020 está on-line, estando a ser actualizado diariamente com datas para o ano que se aproxima. Neste momento são poucas mas é questão de serem divulgadas para ir sendo preenchido com todas as corridas que nos alegram.

Como sempre, apenas tem datas que já foram anunciadas pelas respectivas organizações, não colocando as que são habituais num determinado dia, sem haver confirmação, para não induzir em eventual erro. 

O calendário pode ser visto aqui

Espero que possa ser útil com muitas e boas corridas.

Este e os anos anteriores desde 2015, podem ser vistos aqui (caso não apareça como na imagem em baixo, fazer F5 para refrescar a página)



domingo, 6 de outubro de 2019

Apesar de um pouco pró lento, óptimas sensações no último de 30 antes do Porto

Normalmente, faço o último treino de 30 km 3 semanas antes duma Maratona. Nesta preparação para o Porto também o seria. O plano dizia que hoje disputaria a Meia de Leiria e para a semana o tal treino de 30. Porém, e devido às eleições, a Meia de Leiria acabou por ser adiada uma semana e assim troquei a ordem.

Ao contrário do treino de 30 da semana passada, em que estava com a gastrite "aos saltos", hoje parecia que tudo estava em ordem. E digo parecia pois nunca sabemos se irá saltar algum coelho da cartola.

E felizmente o coelho que saltou da cartola foi dos bons pois o treino proporcionou-me óptima sensações e terminei muito muito feliz e empolgado.

Não pela marca que não foi nada de especial, um pouco até pró lento mas a forma como senti-me durante todo o tempo.

Comecei pouco antes das 6.30, beneficiando duma temperatura fresquinha durante a primeira metade. Segui sempre muito certinho mas na segunda metade soltei-me mais por sentir que estava bem. Aliás, a segunda metade foi cerca de 2.40 mais rápida que a primeira.

Ao contrário dos anteriores, onde não dava mais qualquer metro, hoje parei aos 30 porque não queria passar dos 30. Se quisesse, estava com gás para mais. Quanto mais não posso dizer. Senti-me tão bem, que decidi até fazer uma "brincadeira" no último km. Apertei para fazer desses últimos mil metros os mais rápidos de todos os 30 e assim foi e por boa margem. Uma prova mais da maneira como acabei e que encheu-me de alegria. 

Foi muito importante terminar o último de 30 sabendo que podia continuar. Este foi um treino de LSD no seu melhor. E não, como é evidente, não estou a referir-me a substâncias alucinógeneas. LSD significa, no dicionário dos corredores, Long Slow Distance!

Falta só referir o percurso. Era para ter sido o habitual: Inatel de Oeiras - Carcavelos - Belém - Inatel de Oeiras. Porém, ao vir de Carcavelos, decidi desviar para dar uma volta na Universidade Nova. Aí decidi ir junto à ciclovia até à estação de Carcavelos e a partir daí, em cada cruzamento decidia na hora o que pretendia. Acabei por passar em frente à porta da primeira casa onde eu e a Mafalda morámos, na Parede, fui de seguida até ao centro da Parede, no regresso a Carcavelos andei por dentro da Quinta dos Ingleses e quando regressei ao Passeio Marítimo já ia com 21 e fiz o resto ali. Foi um percurso ao sabor do momento. 

De hoje a 4 semanas estarei neste momento em plena Maratona do Porto. Venha ela!

Uma óptima semana a todos!

sábado, 28 de setembro de 2019

30 M -5 S

Não, o título não é uma formula matemática, é apenas dizer de forma reduzida que fiz 30 quilometrozitos quando faltam 5 semanas para dia o M de Maratona.

Estava um pouco apreensivo pois esta minha gastrite crónica decide de vez em quando aparecer e ficar aos saltos, o que sucedeu desde ontem. E quando assim é, quem sofre são as pernas que ficam pesadas e cansadas, não o cansaço habitual de esforço mas o parecer que estão como que envenenadas. 

Por essa razão, o ritmo não foi bem o que queria mas sei que não se deveu a uma questão de forma mas pela gastrite. Quanto à respiração, acabei muito bem, parecendo que não tinha feito nada de especial.

O sucesso deste treino deveu-se, e muito, à excelente companhia a partir dos 5 do João Ricardo a quem muito agradeço. Sem a distração da  conversa, a dificuldade teria sido bem maior.

Como eu começava no Inatel e ele em S.Pedro, e em ambos os casos dava 5 km até à ponta oeste da praia de Carcavelos em sentidos contrários, calculámos a hora e o ritmo de cada para partirmos a uma determinada hora para tentarmos chegar ao mesmo tempo a esse ponto de encontro e depois fazermos o resto juntos (até Algés e volta). E o cálculo foi muito bem feito pois só não acertámos ao segundo por menos dum minuto. 

O que me custou a sério foram os últimos 200 metros, mais por uma questão mental. Já ia muito aflito das pernas e pensei "pronto, faltam apenas 200 metros". Talvez pelo alívio da descompressão, esses 200 pareceram muito mais.

Agora, durante a semana, treinos de recuperação para de amanhã a uma semana, domingo 6, o último dos 30 antes do grande dia.

Até lá, fiquem bem!

ps - Estava a esquecer-me que cruzámo-nos com o grande campeão Hélio Fumo, entre Paço de Arcos e Caxias, a quem gritei "boa sorte para o duelo com o Carlos Cardoso!". Para quem não sabe o que é, pode ler tudo no blogue do Carlos :)

domingo, 22 de setembro de 2019

Uma especial dúzia do Tejo ou o que eu estava a precisar duma prova assim!

Os 4 ao Km presentes, eu, Aurélio e Eberhard, muito bem acompanhados pelo João Branco

Após um mês de Agosto muito difícil e sofrido (pelos problemas que os efeitos da queda provocaram), terminei esse mês com um bom (para as condições actuais) treino de 30 o que levou-me a escrever um artigo intitulado "O que eu estava a precisar dum treino assim!". 
Após a prova na semana passada no Autódromo, a Inês disse o seguinte num comentário "foi um bom exemplo de que a forma está a voltar, e este post também se podia chamar "o que eu estava a precisar de uma prova assim" (fica a sugestão, para a da próxima semana, que vai ser ainda melhor!)" ao que eu respondi "Hum... não. Ainda não posso dizer "o que eu estava a precisar duma prova assim" pois essas sensações ainda estão para chegar. Vamos ver se será no Tejo..."

Efectivamente, na Corrida Auchan no Autódromo do Estoril, consegui uma marca bem melhor do que esperava e andava a fazer mas as sensações não foram boas. Acabei completamente esgotado, sem energia para mais qualquer metro, e andei a pagar essa factura nos treinos até meio da semana.

Para hoje, minha 12ª Corrida do Tejo, o objectivo era tentar fazer melhor do que o alcançado na Auchan (57.25) e havia razões fortes para lutar por um tempo marcante, como no final explicarei.
Queria chegar ao 56 e a ambição mais ambiciosa (passe o pleonasmo) era tentar o 55 alto.

As condições atmosféricas foram enganadoras. Aparentemente a temperatura estava boa para correr mas durante o esforço notou-se bem o abafado, o que fez que terminasse a prova encharcado. 

Desde o início que fui para um ritmo ambicioso na perspectiva do tal 55 alto. E a média apontava para isso desde o início.

Primeiro desafio, não prejudicar a média na subida para o Alto da Boa Viagem, o que foi conseguido. Sentia que estava no limite para o momento actual. Não se pode comparar com os 51.56 que já aqui fiz ou os 48.19 que são o meu record aos 10, mas temos que lidar da melhor forma com cada situação. Sentia no limite mas controlado no aspecto de não ir em sobre-regime como na Auchan. 

Em cada quilómetro fui acreditando que poderia aguentar e assim mantive no segundo desafio, a subida após Paço de Arcos.

Chegado aos 8, já ninguém me tirava da cabeça que faria mesmo os 55 mas talvez não fosse tão alto, talvez 55.30. 
Faltava o terceiro desafio, a subida para o Inatel de Oeiras mas, sinceramente, nem dei por ela e cheguei ao último já a tentar o 55 baixo.

E em plena recta da meta, arranquei para um sprint. Dificilmente entraria no 54 mas ao menos tinha a consciência que tudo tinha tentado.

E consegui! 54.58 de tempo final, o que muito me satisfez, para mais tendo acabado bem, muito ao contrário do Autódromo, tendo dado para continuar mais um bocado a esse ritmo se a meta estivesse 1 ou 2 quilómetros mais à frente.

A bonita e bem original camisola da prova
Por tudo isto, é fácil de entender porque afirmei do que estava a precisar duma prova assim. Uma corrida não são só tempos mas, tão ou mais importante, as sensações e elas foram óptimas e perduram.

Quanto às razões acima aludidas, aqui vão. A Corrida do Tejo é uma corrida especial para mim como oeirense de adopção e queria fazer um tempo especial para poder dedicar a um amigo especial que está a atravessar um momento menos feliz em termos de saúde mas com a confiança que a partir de agora vai ser sempre a evoluir até isto tudo ser atirado para trás das costas. Não é assim, amigo? Esta foi para ti!

E pronto, para o ano, venha a Corrida do Tejo número 40! Para os dois próximos fins-de-semana, treinos longos. Próxima corrida a 13 de Outubro na Meia-Maratona de Leiria. 

Uma boa semana a todos!


   
A medalha com o ex-libris cauda da baleia

domingo, 15 de setembro de 2019

Na Corrida Auchan em pleno Autódromo do Estoril

Vitor, Isa e eu em pleno circuito

Mês e meio após a última corrida (Bodo no Pombal), regressei a uma prova. Claro está que não fiquei parado durante este período pois nesse mês e meio percorri cerca de 400 quilómetros, alguns bem complicados pelo momento de crise provocado pelas sequelas da queda em Julho.

E que melhor regresso ao saudável ambiente de corridas que no mítico Autódromo do Estoril, palco de tanta e boa memória que guardo das muitas corridas de Automobilismo que aí assisti, com especial ênfase nos 13 Grandes Prémios de Fórmula 1 onde estive sempre presente nos 3 dias de cada um. 
E a grande recordação de em 1979 ter descoberto no Mundial de Karting um piloto que passei a seguir toda a evolução da sua carreira até chegar ao cume da F1, aquele que foi o meu maior ídolo e do qual tive o privilégio de assistir, também aqui neste Autódromo, à sua primeira vitória na categoria máxima, primeira de muitas e num dia de grande dilúvio. Estou a referir-me, naturalmente, ao enorme Ayrton Senna!

Correr no Autódromo é desfolhear uma série de recordações de cada lugar, cada curva, cada momento.

Os três no melhor lugar duma grelha de partida (pole-position)
Só por uma vez tinha sido possível participar nesta prova, na 2ª edição, excepcionalmente no mês de Junho, pois as restantes coincidiram no início de Setembro numa altura que estivemos fora em férias. 
Este ano, como foi na semana seguinte, calhou no dia de regresso das duas óptimas semanas que desfrutámos no Algarve.

Chegados perto da hora do almoço, foi arrumar as malas e seguir para esta corrida cuja partida se deu às 18.30.

Em virtude da mudança de nome comercial de Jumbo para Auchan, o evento passou de Corrida Jumbo para Corrida Auchan. E quando falo em evento não falo apenas em corrida mas sim numa série de actividades que decorreram entre as 9 e as 23.30, incluindo Basket de rua, corridas em patins, Duatlo, Ciclismo, corridas para miúdos, caminhada e a já referida corrida de 10 km.
Um manancial de ofertas a que só uma organização tão perfeita como a HMS consegue dar resposta. 

Quem acompanha este blogue sabe que após a grande crise provocada pela queda, perdi muita velocidade. Lentamente fui recuperando aos poucos e do mais de minuto por km mais lento, já reduzi para meio minuto ao km. Reconheço através de grande esforço pois tem custado e exigido muito.

A intenção ontem era de não passar a hora. 59.59 estava bom. 

Primeiros metros da corrida
O calor, o percurso não fácil com umas quantas subidas desgastantes e em especial o vento contra quando se seguia no sentido para Sintra, eram factores para lidar.

Bom conhecedor de cada metro e característica da pista, fui sempre concentrado em manter o melhor e mais adequado ritmo de forma a fazer o melhor sem comprometer o final.

Inicialmente damos uma volta no sentido das corridas motorizadas, seguindo-se uma parte no paddock para terminarmos com uma volta em sentido contrário.

A primeira volta e a parte do paddock correram bem, sempre a sentir que seguia no limite dos limites mas com uma margem boa para menos da hora. 

Vencendo a subida no paddock
No início da volta final, a do sentido contrário, entre o 6º e o 7º km deu-se ali um momento de potencial quebra a que o muito vento contra nesse momento em nada ajudou. Mas após curvarmos em sentido contrário e ter ficado livre do vento, pude recuperar e a partir do 8º km com a certeza que iria baixar do objectivo proposto e por agradável margem. A partir daí passou a ser alcançar a melhor marca possível.

O final é a subir para a meta e as forças já estavam no risco vermelho mas lá consegui aguentar-me e cortar a meta em 57.25 o que me deixou muito feliz.
Feliz mas com as pernas a tremer pelo esforço. É o que há de momento.

Chegando à meta...
... e no momento que a corto (com a Isa a testemunhar) 
Repetindo uma vez mais a cena do copo meio cheio meio vazio, antes da queda esta marca seria duma prova feita muito confortavelmente e agora fui ao limite dos limites e hoje bem sinto o cansaço. Mas... estou a recuperar e ainda um par de semanas atrás nem pensar em fazer a prova assim. Portanto... só posso estar feliz e esperançoso que de hoje a 7 semanas possa cortar a meta na Maratona do Porto, na que será a minha 13ª.

Os 4 ao Km com o vencedor da prova, o grande Nélson Cruz, campeão nacional de cross 2016
Para a semana, a minha 12ª Corrida do Tejo :)

Nota final para o que sucedeu hoje em Copenhaga onde Geoffrey Kamworor dizimou por 17 segundos o já tão esticado record da Meia-Maratona, com 58.01!!! Estamos quase no minuto 57! O que será correr uma Meia a 2.45 de média? Nem 1 km sei o que será, quanto mais 21... Inacreditável!


    

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

O que eu estava a precisar dum treino assim!

Tal como nas séries televisivas, e para quem tem estado fora, resumidas cenas dos episódios anteriores:
Estava em boa forma, a dar início ao plano para a Maratona do Porto quando a 6 de Julho num treino de 25 km tive uma violenta queda ao km 21, queda essa que deixou mazelas. Mazelas visíveis e não visíveis. E foram essas não visíveis que deram cabo de toda a forma pois o organismo demorou a recuperar dum problema decorrente e andei sem força nas pernas, perdendo imensa velocidade.

Ora nesta altura do ano era para já ter uns quantos treinos de 30, e com velocidade jeitosa, mas cheguei ao dia de hoje sem ainda um único realizado.

Nesta fase de crise que foi este mês, o tal mês que deveria ter alavancado a preparação, esforcei-me muito, treinei como nunca em quantidade mas a qualidade, leia-se velocidade, foi sempre uma lástima.

Por exemplo, nos treinos de 10 km, e há muito tempo, raros eram os treinos que não fazia 5 e qualquer coisa de média. Neste Agosto, nem um abaixo de 6! 
Porém, comecei o mês quase nos 7 (!!!), fui melhorando lentamente e acabei quase a baixar dos 6. Há quanto tempo não tinha um mês sem nunca ter chegado aos 5? Há tanto que nem a memória alcança. Julgo que, provavelmente, o D.Nuno Álvares Pereira ainda não tinha pelejado em Aljubarrota...

Para ir melhorando, lenta mas progressivamente, e como já referido, tive que treinar como nunca. O meu record de km num mês era de 271,248 feitos em Outubro passado e neste Agosto passou a ser de 276,159. Um record em distância em mês de crise mas só esforçando muito é que pude começar a sair do buraco. 
E se foi custoso em muitas ocasiões... Houve dias que só eu sei o que passei mas a miragem da meta no Porto vale tudo.

Em questão de longos, um por semana, a ordem foi de 20, 22 (um muito deprimente treino a partir dos 16), 24 e 26 no sábado passado.

Ora tendo feito 26, o ideal era fazer mais, o que não seria fácil tendo em conta os últimos. Mas para mim era muito importante conseguir 30 e de forma satisfatória para incutir confiança.

Na preparação fiz tudo da melhor forma, inclusive levantar-me hoje às 4.30 para começar o mais cedo possível para na fase final, a mais difícil, não estar já muito quente.
E foi a melhor coisa que poderia ter feito tendo em conta o calor que se pôs. 

Iniciei o treino às 5.53, tendo a primeira hora sido realizada de noite e a segunda, com o Sol a iluminar o caminho, com a temperatura ainda agradável.

Coloquei um ritmo muito certo, apesar de bem mais rápido que nos anteriores. Mas como era assim que me sentia confortável, aí fui eu. 

Os quilómetros foram passando e sempre a gerir bem o esforço. 

Foi por volta do 22 que comecei a acreditar que era possível chegar aos 30 e da forma correcta, sempre a correr. 

Abro aqui um parêntesis pois foi por volta deste km, seguia eu no Passeio Marítimo de Algés, já a regressar ao Inatel de Oeiras, que um carro passou do outro lado da linha, na Marginal, apitando e dizendo adeus. Como não ia ninguém nem à minha frente nem atrás, só podia ser para mim. No entanto, o sol estava a bater nos vidros do carro e não distingui quem seria. Deu-me a sensação que seria uma mulher. Se estiver a ler, peço que se identifique pois não pude reconhecer pelo sol, nem reconheci o carro, apesar de ainda ter dito também adeus. Não sei foi para quem :)

O relógio continuava a mostrar tempos muito certinhos e surpreendentemente mais rápidos que nos últimos longos. 
Passei então a usar o "doping" relógio, que é quando a marca está a ser melhor do que esperava, olhar várias vezes para o relógio de maneira a ir buscar energia para manter essa média.

E cheguei, muito cansado mas extremamente feliz, aos 30! Tanta dúvida se conseguiria e afinal com uma marca bem melhor em relação aos anteriores. Foram 3.24.21, exactamente a 32 minutos do meu record de 30 (1.04 por km) mas, e isso é que conta nesta fase, 31 segundos por km mais rápido que a média dos 26 de sábado passado. Mais de meio minuto melhor, foi uma inesperada (mas justa, tenho que o dizer) recompensa para tanto que me esforcei neste mês. O que eu estava a precisar dum treino assim!!!

É certo que não conseguiria, nem por sombras, mais 12 km (dificilmente nem mais 1) mas a coisa está a evoluir e espero daqui a 9 semanas e 2 dias já ser capaz de transpor a meta no Porto. 

Depois de 5 semanas com um longo semanal, para a semana não há, apenas treinos normais. Há que respeitar o ciclo que obriga a uma semana de acalmia para consolidar o trabalho efectuado.

Antes de terminar, apenas uma nota que me ocorreu durante o treino, tal como noutras ocasiões (não é a primeira vez que toco no assunto). Estou a falar da falta de provas com distância intermédia entre Meia-Maratona e Maratona. 
Temos muitas (e boas!) Meias-Maratonas e algumas Maratonas mas nada entre elas. Estou a referir-me a provas de estrada, naturalmente. 
Existir alguma prova de 30 Km seria muito útil para quem está a treinar para uma Maratona poder realizar uma prova a ritmo competitivo e, principalmente, para quem já tem Meias no currículo mas receia o longo salto, poder aquilatar da possibilidade de se atirar para a mítica distância.
Segundo os meus registos, existiu em tempos o Regional de Fundo com 30 Km e que durou até 1999 e, depois disso, apenas uma única prova com uma simples edição, os 30 Km Olivenza - Elvas, disputada em 2004, já lá vão 15 anos. 
Com mais dos 21,097 da Meia, realizaram-se algumas provas de 25 Km mas a última disputada em 2002...
Sei que os tempos são outros e os custos de realização de provas estão altíssimos, e quanto maior a distância naturalmente mais custo, mas creio que com boa divulgação, a participação seria boa. 
Eu, sem dúvida, que estaria lá.
Alguma organização?

Um bom fim-de-semana para todos!