Qual o resultado desta fórmula? Muitos participantes + Excelente organização + óptimas condições atmosféricas? Claro que o resultado só pode ser um retumbante sucesso!
Foi tudo o que aconteceu hoje de manhã na 22ª edição da Meia-Maratona de Lisboa (Ponte 25 de Abril)! Do alto da sua magnifica história, nunca tanta gente tinha participado. Os números apontam para 37 a 38 mil (não é possível saber com clareza devido ao facto de não existir controlo de chegada na Mini).
Ainda não há resultados completos da Meia mas tudo aponta para o record de participantes, fasquia colocada em 6.330 no ano passado, ter sido pulverizado!
O saudado regresso de Sara Moreira
Dulce Félix e Jéssica Augusto na fase inicial da prova
E o que mais notei foi uma maior presença de estrangeiros, que irão para os seus países elogiar o que de bom se passou hoje.
Começando por uma clara melhoria em relação à confusão do ano passado, com mistura de Meia e Mini, estando este ano muito bem delimitados os espaços. No entanto, aqui residiu o único aspecto negativo que detectei relativamente à organização, a escassez de casas de banho na zona da Meia. Enquanto esteve aberto apenas o lado direito das portagens, o número era de escassas 3, sem separação homens/mulheres. Coloquei-me na fila às 9 exactas para ficar despachado às 9.35 (!) numa altura que a fila mais do que duplicava em relação ao local onde a apanhei e que terá impedido dos últimos terem tido tempo antes da partida.
O outro aspecto negativo já pende as culpas para a falta de educação e bom senso dos atletas. Muitas garrafas de água, em vez de serem deitadas nos caixotes ou atiradas para a berma, eram largadas ali no meio da estrada, podendo originar entorses. Mas grave, grave e desprovido de qualquer inteligência, foram as cascas das bananas que eram dadas por volta dos 18 kms, largadas no meio da estrada!!!
Justa homenagem ao responsável máximo desta organização, Carlos Móia
De resto e do que observei, tudo perfeito, com maior animação musical e do público. Claro que do público estou a falar dos muitos estrangeiros que vieram acompanhar os seus familiares ou amigos e faziam a sua tradicional festa, coisa que aos portugueses parece que dá muito trabalho, se exceptuarmos honrosamente algumas provas.
Pódio masculino com o tri consecutivo de Zerzenay Tadese
Rui Silva sprinta para a meta e record pessoal
Zerzenay Tadese igualou o record de 3 vitórias de Martin Lel, mas conseguindo-as consecutivamente. Desta feita ficou a pouco mais dum minuto do (seu) record mundial aqui alcançado em 2010, depois de no ano passado se ter quedado a escassos 7 segundos. Tadese foi o único a baixar da hora, sendo que o melhor português, e com record pessoal, foi Rui Silva numa brilhante 1.02.40
A larga passada da vencedora, Shalane Flanagan
Dulce festeja a sua vitória nacional
Pódio feminino
Dulce melhor portuguesa
A nível feminino, vitória para a norte-americana Shalane Flanagan que bateu a armada africana em 1.08.52, demonstrando mais uma vez a sua excelência. Dulce Félix tornou a ser a melhor portuguesa, agora com 1.11.18, numa prova que marcou o regresso de Sara Moreira à competição, apesar de ainda a não 100% da sua lesão recentemente contraída, e que a impossibilitou de participar no Mundial de Pista Coberta. Presente também Jéssica Augusto que não foi feliz pois o seu estado engripado obrigou-a desistir no 3º quilómetro.
O vencedor em cadeira de rodas, David Weir, após cortar a meta e em frente a um batalhão de fotógrafos
Na Mini os vencedores foram Sérgio Dias e Sandra Teixeira mas o grande momento ficou reservado para David Weir que na prova de Cadeiras de Rodas alcançou uma excelente marca
Quanto à minha prova, hoje não é fácil falar dela em termos racionais, dada a emotividade que ela representou para mim antes, durante e depois.
É sabido que, por variadas razões, tive uma forte quebra de forma nos últimos tempos, culminando com a prestação patética nas Lezírias. Estou agora a treinar e correr adaptando-me à realidade actual, notando já alguns ligeiros progressos. No entanto, sem a menor dúvida que nesta altura não tenho capacidade para realizar uma Meia, o que não me impediu de ir à luta, numa prova que até me costuma correr mal e onde as longas rectas não funcionam comigo. Hoje, senti a primeira quebra física aos 6 mas aguentei-me. Nova quebra aos 11 e tornei a aguentar. Até que chegaram os 14 quilómetros e a constatação que as forças tinham esgotado. Já não dava mais. Mas deu...
É que entrou em funcionamento a parte mental duma forma como nunca me tinha acontecido. Talvez o excesso de contrariedades com que tive que lidar para esta prova e os seus fantasmas, fizeram que a cabeça tomasse conta do resto e me levasse ao colo até ao final. Penso que esgotei todas as frases de motivação que conheço, tendo tudo servido para levar o barco a bom porto, o que consegui em 2.15.21
Devo confessar que esta experiência trouxe-me duas coisas que ainda não tinham acontecido. O cortar a meta emocionado e beijar a medalha de participação. É que esta minha 20º Meia-Maratona nada teve a ver com qualquer das anteriores ou mesmo qualquer uma das 212 provas em que já participei. É que hoje, entrei pela primeira vez numa prova com a plena consciência que não estava com capacidades para a realizar. O que não me impediu...
Termino com um pensamento. Há anos atrás ouvi o Eduardo Henriques afirmar numa entrevista que se corre, fundamentalmente, com a cabeça. Pois quando realizei esta prova em 2007, coincidiu com o meu melhor momento de forma de sempre, mas num dia que a cabeça não funcionou. Fiz 2.31
Hoje, num momento complicado de forma, a cabeça foi 100%, e fiz menos 16 minutos que nessa altura...