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| Sim... era mesmo eu com 15 ou 16 anitos! |
(noutro dia, numa brincadeira num mail, revi esta fotografia minha o que me fez recordar algumas coisas . Umas relacionadas com correr. Aqui vão essas...)
Há uma meia dúzia de anos atrás (bom... não foi propriamente meia dúzia de anos mas adiante...) era eu um adolescente de 16 anos e fui algumas vezes fazer o circuito de manutenção do estádio nacional.
Estávamos em 1976 e apenas nesse ano lectivo acabado de terminar, tive aulas de Ginástica (ainda não tinham alterado o nome para Educação Física) a sério. Nos anos anteriores, as aulas dividiam-se entre uma ginástica muito Estado Novo (todos de branco e a fazer exercícios coordenados para parecer bem) e futebolada.
Durante o ano 1975-1976, tive o prazer da professora de ginástica ser uma rapariga jovem que vinha cheia de boas ideias e de querer mostrar-nos a maioria dos desportos. Chamava-se Magui e hoje controla as corridas do Troféu de Oeiras.
E se eram um espectáculo aquelas aulas! Num dia aprendíamos as regras e técnicas duma determinada modalidade e nas aulas seguintes colocávamos em prática. Passávamos então para outro desporto e por aí fora percorrendo a maioria.
Foi assim que fiz pela única vez algumas coisas como, por exemplo, salto em altura (técnica de barriga para baixo, à antiga, e não de costas). O pior era quando se tratava de correr às voltas ao exterior do pavilhão. Aquilo cansava! Correr a jogar qualquer coisa era diferente pois corria-se e parava-se, agora correr assim estilo 1 ou 2 minutos seguidos... era duro e cansativo! Então em frente à setôra corríamos e lá atrás no pavilhão caminhávamos, estilo um fartlek mal amanhado.
Entretanto chegaram as férias grandes e no grupo de amigos lá do bairro, um propôs irmos ao estádio nacional pois tinham lá desenhado um circuito de manutenção muito giro.
Lá o fomos experimentar e aquilo era mesmo bom! Muito bem arranjado, com uma série de estações onde se realizavam os mais diversos exercícios, alguns com troncos que depois deixávamos no mesmo sítio sem ninguém estragar nada. Entre as estações havia placas que indicavam "Marcha" ou "Corrida".
Gostámos tanto que nessas férias fomos diversas vezes. Como morávamos na Parede, era só apanhar o comboio até Cruz-Quebrada e vice-versa.
E eu gostava daquilo... menos da parte de correr. Cansava! Os exercícios eram muito giros, em especial porque íamos subindo de nível (o número de repetições estava para iniciados, médios e avançados e chegámos a esse último patamar), mas entre os exercícios gostava era de ver as placas de "Marcha", pois quando aparecia uma de "Corrida", só queria que acabasse rápido.
Aliás, recordo-me da primeira vez que fui lá e ao fim dum minuto a correr já quase berrava "quando é que isto acaba?"
Um certo dia vimos que o portão para a pista do estádio estava aberto e entrámos. Com o professor Moniz Pereira no relvado a controlar, evoluía na pista 1 o Carlos Lopes e o Fernando Mamede, que deram voltas e mais voltas sempre no mesmo ritmo, o que nos impressionou. Andava o Carlos Lopes a preparar os Jogos Olímpicos de Montreal.
Um de nós, o Natalino, decidiu correr uns metros (muito poucos...) à frente deles e a levantar os braços como a festejar ter estado à frente de tais campeões. Nessa altura estavam eles a passar por nós e ouvimos o Mamede comentar para o Lopes "O que é que este pan****** quer?"
Claro que isso foi motivo para andarmos a gozar com o Natalino por várias semanas!
Outra vez tornámos a entrar para o estádio e decidimos organizar um campeonato, com corridas de 100, 400, saltos, etc.
Só que o campeonato nem a meio chegou pois fomos entretanto corridos por um segurança que apareceu aos berros a perguntar o que estávamos a fazer na pista.
E, nas poucas provas que realizámos, que resultados alcancei? Nenhum! Sabem porquê? Como correr cansava, ofereci-me logo para ser o juíz que controlava as partidas, chegadas e classificações...
Pois é... a gente muda e de que maneira! Está quase a fazer um ano que estive a correr durante mais de 5 horas e com 16 anos muito me custava correr um só minuto...
Mas há coisas que nunca mudam. No tal circuito de manutenção, perto do final, havia uma descida para aí com uns 30 metros que era bem íngreme. Daquelas que mesmo fazendo muito devagar, as pernas começavam a acelerar e muito com a inclinação.
Pois este "exímio descedor" dava sempre barraca aí pois, invariavelmente, desequilibrava-me e era um milagre como nunca caía. Para o evitar, a maior parte das vezes tinha que ir de encontro a uma determinada árvore de estimação para me travar.
Claro que esse era o ponto preferido de todos que desciam num instante para depois ver como é que eu ia descer daquela vez...
Essa de nem saber como não caí e ter que ir de encontro a uma árvore, não vos faz recordar nada, pois não, Isa e Marta? (para quem não sabe... Corrida do Monge no mês passado... ler aqui).
Há coisas que mudam e muito... outras nada!
Ainda sobre o circuito... as férias grandes acabaram... o circuito ficou lá... e nós não regressámos.
E pronto, fica aqui a história de como este adolescente não apreciava correr... Estúpido!!! :)