sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estatística e história de mais um record de classificados em Maratonas nacionais


Já imaginou uma Maratona com menos de 10 atletas a cortarem a meta? E apenas 2 como sucedeu por 8 vezes no Campeonato Nacional de Maratona? Ou um único atleta como em 1956?

Pois... esse era o panorama habitual nessa "prova de loucos". Em 1911, nos Jogos Olímpicos Nacionais, classificaram-se 22 atletas. No ano seguinte deu-se a tragédia Lázaro e esse valor constituiu record até 1978 onde foi batido por apenas mais um atleta. 

Mas eis que em 1982 o professor Mário Machado cria a Maratona Spiridon abrindo as portas às camadas populares, recompensado logo com um número acima da centena, 127 atletas.
Na altura, provando ser um visionário, Mário Machado declarou acreditar que um dia iria realizar-se uma Maratona em Portugal com mil atletas.

Demorou 26 anos mas em 2008 a barreira dos mil foi batida na saudosa Maratona da Xistarca.

A partir daqui, tem sido um constante galgar de records, estando agora muito perto da barreira dos 5 milhares. Chegou a ser sonhada este ano mas está cada vez mais perto.

Em 2004 Jorge Teixeira, através da sua Runporto, criou a Maratona do Porto, cuja primeira edição registou a chegada de 317 atletas. No ano seguinte esse número desceu marginalmente para 314 e desde aí não mais tem cessado de progredir, tendo este ano batido o record nacional de participação pelo 7º ano consecutivo! A que se juntam mais dois records. São eles:

- Maior número de classificados (de 4.406 para 4.736)
- Maior número de portugueses classificados (de 3.135 para 3.308)
- Maior número de atletas masculinos (de 3.848 para 4.098)

Os records actuais em solo nacional, ficam assim escalonados:

Classificados
4.736
Porto 2016
Masculinos
4.098
Porto 2016
Femininos
710
Lisboa 2015
Portugueses
3.308
Porto 2016
Estrangeiros
2.396
Lisboa 2015
Países
68
Lisboa 2016
Marca Masculina
2.08.21
Lisboa 2014
Marca Feminina
2.24.13
Lisboa 2016

Evolução do record de classificados em Maratonas nacionais:


Data
Maratona
Classificados
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865
2014-11-02
Porto
4.040
2015-11-08
Porto
4.406
2016-11-06
Porto
4.736

Evolução da Maratona do Porto:


Edição
Data
Classificados
1
2004-10-17
317
2
2005-10-02
314
3
2006-10-15
373
4
2007-10-21
412
5
2008-10-26
582
6
2009-11-08
857
7
2010-11-07
1.180
8
2011-11-06
1.515
9
2012-10-28
1.671
10
2013-11-03
2.763
11
2014-11-02
4.040
12
2015-11-08
4.406
13
2016-11-06
4.736
Como foram divididos estes 4.736 atletas que cortaram a meta no domingo?

Por sexo:
Masculinos
4.098
86,5%
Femininos
638
13,5%

Por escalão:
F20
151
F35
124
F40
152
F45
112
F50
99
M20
663
M35
744
M40
1.036
M45
748
M50
478
M55
263
M60
166

Equipa ou individual: 
Equipa
2.599
Individual
2.137

Equipa com mais atletas classificados: Núcleo Atletismo Taipas - 34 atletas
(1.122 equipas representadas)

Por valia de tempo de prova:
Até 2.59.59
189
3.00.00 a 3.29.59
854
3.30.00 a 3.59.59
1.603
4.00.00 a 4.29.59
1.197
4.30.00 a 4.59.59
603
5.00.00 a 5.29.59
213
5.30.00 a 5.59.59
75
Mais de 6.00.00
2

Por países: (46 representados, sendo 1.428 estrangeiros, 30,2%)
Portugal
3308
França
461
Espanha
319
Itália
92
Polónia
84
Bélgica
78
Alemanha
70
Holanda
58
Grã-Bretanha
56
Brasil
37
Suiça
21
Estónia
14
Finlândia
10
Suécia
10
Quénia
9
Hungria
8
Rússia
8
E.U.América
7
Austria
6
Canadá
6
Dinamarca
6
Grécia
6
Irlanda
6
República Checa
5
Japão
5
Luxemburgo
5
Letónia
5
China
4
Argentina
3
Noruega
3
Eslováquia
3
Ucrânia
3
África do Sul
3
Austrália
2
Bulgária
2
Lituânia
2
México
2
Angola
1
Colômbia
1
Etiópia
1
Macau
1
Nova-Zelândia
1
Paraguai
1
Roménia
1
Uganda
1
Venezuela
1

E, como sempre, a pergunta inevitável: O que nos reservará 2017?

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Porto: Correr uma Maratona feliz e baixar 15 minutos ao RP

Orlando, eu, Isa e Vítor já com os dorsais na mão

Difícil, muito difícil mesmo de tentar explicar o que significou a maneira como me senti durante a Maratona do Porto!

Foram muitos meses de trabalho árduo como nunca tinha realizado. Devido à minha recente situação, tinha disponibilidade de treinar de forma muito mais intensa, e simultaneamente em qualidade, existindo sempre a dúvida se o físico iria aguentar e as lesões não me visitassem.

Como já tenho aqui relatado, a diferença é grande. O ano com maior quilometragem tinha sido o ano passado com 1.556 km. Este ano, e apesar de faltar ainda 1 mês e 3 semanas, contabilizo 1.896 e calculo que terminarei o ano com dois mil cento e muitos, 600 km mais num só ano!
E se em matéria de mês, o máximo era de 181 Km, este ano passei por 6 vezes os 200, sendo consecutivamente nos últimos 5 meses e com máximo de 252 no Agosto mais quente dos últimos 80 anos.

Muito me esforcei e foi essa a razão que estava tão nervoso na 6ª feira. Estava com medo que após ter dado tanto, qualquer imprevisto viesse estragar esta prova (o "fantasma" da Rock'n'Roll 2013...). 

Sábado, com a viagem e convívio, a calma começou a predominar. A visita à feira e o reencontro com outros atletas mexe sempre connosco, dando mais força e energia. E energia foi dada e bem pela Pasta Party que, tal como constatei em 2014, é a melhor das que conheço e por larga margem. Comer em Portugal e em especial no Norte, já se sabe como é!
À noite, jantar de amigos maratonistas, deitar e dormir profundo até quase à hora de despertar. Sim, eu escrevi mesmo esta última frase. Dormi profundo em véspera de Maratona!!!

Domingo acordei com a energia de quem vai e quer lutar por algo para que tanto se esforçou. O lema era "Hoje é o dia para qual tanto trabalhei. Aproveita-o!"

E agora já equipadinhos junto à Anémona
Chegámos bem cedinho para estacionar bem e fugir à confusão, o que conseguimos. Despachámos logo o "assunto sanitário" e, apesar de ainda faltar um bocado, o tempo voou até à hora de ir alinhar.

Primeiro demos umas passadas junto à Foz e fiquei aliviado. Enquanto não as desse e sentisse que estava tudo bem, não descansava (ainda e sempre o tal "fantasma"...)

3,2,1 partida e aí estou onde me sinto tão bem e mexe tanto comigo, numa Maratona!

Muito controlo para fazer um primeiro quilómetro muito calmo para a pulsação ir subindo lentamente, para depois ir gradualmente chegar ao ritmo pretendido, o que sucedeu perto do 2º quilómetro onde apanhei o Vítor e a Isa, Isa que ia em "guerra" com a sua bolsa que não a sentia de feição. Depois, para o tempo fantástico que realizaram, lá deve ter encontrado forma de a colocar a jeito.

Segui com eles até ao 5º quilómetro, altura que parei por uns segundos junto à Mafalda para tirar a camisola de manga comprida que tinha debaixo da camisola da equipa. 
Tinha decidido ir com ela pois às 8 horas estavam 7 graus mas nos primeiros quilómetros constatei que o sol ia estar sempre presente e então seria melhor tirá-la. Como sabia que a Mafalda ia estar ali, foi só chegar ao pé dela para a tentar tirar em jeito de "pit stop" na Fórmula 1, o mais rápido que conseguisse.

Retomei e repus o ritmo com que vinha e que era o mais confortável possível. Sentia-me bem, feliz e não conseguia deixar de sorrir para os espectadores que incentivam-nos e para os restantes atletas.

Se alguém duvidar que corri a sorrir... :)
Armei-me de tal forma em relógio suíço que entre o km 12 e o 29, a média geral do GPS nunca alterou 1 segundo, quer para cima, quer para baixo! Aliás, vários quilómetros eram iguais aos anteriores e quando variavam era por 1 ou 2 segundos. 
Sem dúvida a forma ideal para correr a mítica distância!

Cedo, muito cedo tive a certeza que iria registar marca record. Claro que faltava a verdadeira parte da Maratona mas as sensações que tinha não me enganavam.
O que me enganei foi no tempo final pois sempre acreditei entre 4.55 e 4.58, nunca abaixo desse tempo (recordo que o record das 6 anteriores Maratonas pertencia à primeira com 5.02.13).

É muito agradável irmos cruzando com o pelotão em vários locais pois além da distracção, dá para ver como vão os amigos e trocar incentivos.
Foi o caso da Isa e Vítor que quando iam no 33 (e eu a chegar ao 31), e pela expressão deles, vi logo que hoje era dia de tempo fantástico! Tal como vi os estreantes todos bem e concentrados.

Aos 31, começaram as inevitáveis dificuldades mas que geri de tal forma bem que até me custava acreditar que era mesmo eu!
Mas antes já tinha batido o meu record de 30 Km. Depois de ter tirado cerca de 5 minutos em Agosto (3.09.11), agora foi menos cerca dum minuto (3.08.16) e apesar de ir em Maratona e não ficar pelos 30 como nesse dia em Agosto.

E cheguei ao km 38 e àquele momento que os maratonistas tão bem conhecem, quando sentimos que o depósito ficou vazio! A partir daí, acabaram-se tácticas, ritmos, gerir, etc. A partir daí é a sobrevivência nua e crua.

Nas anteriores Maratonas, esse estado sucedeu-me na maior parte dos casos por volta dos 30, mas também 27 e 28. A excepção foi Paris que foi apenas aos 35. Pois nesta até esse momento foi bom pois foi muito mais tarde, apenas aos 38, o que nunca esperei ser possível mas que agora dá-me ganas suplementares para trabalhar ainda mais e melhor para que em Sevilha seja ainda mais tarde (se possível, aos 42.196...)

É nestas alturas que se descobre a mentira da matemática. Desafio qualquer um que afirme que todos os quilómetros têm mil metros, a fazer uma Maratona a ver se continua com essa certeza.

Lá me fui aguentando e por volta do 39 fiz contas e "qué isto?!?!?" Queres ver que ainda baixo das 4.50?!?!?, valor que nunca esteve nos meus sonhos mais "selvagens".

Queria era chegar ao Castelo do Queijo, pois sabia que aí estaria a um tirinho da meta. Pois... parecia! Essa parte entre o Castelo do Queijo e o Queimódromo pareceu-me infinita. O que dizer daquela subida entre a Anémona e a entrada no Queimódromo? De manhã, era uma ligeirinha subida, mas naqueles últimos metros mais parecia digna de alguma prova de km vertical. Até a meio dela tive que dar uns passos (quando passei junto da Ana Pereira que estava incansável no apoio) para tentar preservar alguma força para a meta.



Sequência para a meta
E entro no Queimódromo! Sentia que estava no limite dos limites. Força zero! Tudo tinha ficado derretido no alcatrão.
Olho para o relógio e... nem 4.49, nem 4.48. Vou é fazer 4.47!!!
Passo pelas raparigas dos pompons. Vejo a meta que tanto ansiei. Corto-a! Pela 7ª vez termino uma Maratona. Pela primeira vez abaixo das 5 horas. 4.47.36!!! 
Record batido em quase 15 minutos (para ser exacto, 14.37)
Vejo o Carlos Cardoso e o Luís Lobo, dois atletas que voaram baixinho! Deixo cair a cabeça de exaustão nas grades. Aparece a Mafalda.
Dizem-me que estou branco. 
Tinha deixado tudo!
Comecei com um tremer interior que ainda se mantém por vezes e que associo a fraqueza.
48 horas depois, constato que esta está a ser a Maratona com a recuperação mais complicada. Se a nível muscular é o habitual (amplificado por ter vindo no próprio dia, o que impediu de ter andado uns bons bocados) é a nível de cansaço geral que está mais difícil. Algo que ficará bom daqui a um par de dias.

Não, desta vez não estava a chorar. Estava era exausto!
Depois de recomeçar lento, quando me sentir bem há que começar a preparar Sevilha (19 de Fevereiro) onde tenho que trabalhar mais e melhor para não ficar neste estado.
Reconheço que não tenho aptidões físicas para Maratona e que apenas as consigo porque alio uma força de vontade férrea e uma enorme paixão. Portanto, muito tenho que trabalhar para continuar a sentir a felicidade de cumprir os 42.195 metros, sensação apenas entendível para quem a conhece.  

Feliz com este ar? Acreditem que estava radiante de felicidade mas tinha que tentar descansar qualquer coisa!
O "Dream Team" medalhados e todos com grandes prestações! (Aqui já tinha força para sorrir!)
Sevilha será a minha oitava. Depois... logo se verá o que acontece. O futuro é sempre uma incógnita. 
Espero depois somar mais umas, até porque na minha lista de desejos tenho em lugar de destaque Loch Ness e Valência, seguidas por Budapest, Praga, Berlim e Roma. Será possível? Vamos ver.

Um muito obrigado a todos pelo apoio que sempre me concedem. Conhecidos e não conhecidos. Como uma rapariga perto da Alfandega, lá para os 33/34 Km que gritou "Força! Depois quero ler no blogue o resultado de tanto treino". Pois espero não a ter desiludido! :)

Muitos parabéns a todos os que concluíram a prova. Aos meus companheiros de viagem, Isa, Vítor e Orlando que foram todos espantosos! E uns sempre especiais parabéns a quem se estreou na distância. Pessoalmente, conheço a Rute, Nuno Moreira, Sandra Arraias, Carla Costa, Jaime Beato e João Melo. Bem vindos a este naravilhoso clube de Maratonistas! (espero não me ter esquecido de nenhum mas se o fiz, perdoem-me que o meu cérebro ainda está em "safe mode")!

Um obrigado muito especial à Mafalda pelo que me atura e apoia nestas loucuras! E a todos os meus amigos que acreditam em mim mais do que eu! 

(Sobre a participação record, dentro de dias publicarei a habitual estatística)



domingo, 30 de outubro de 2016

Venha o Porto...


No exacto minuto que este artigo é publicado, arranca de hoje a uma semana a 13ª edição da Maratona do Porto.

Há 4 anos estreei-me na mítica distância, convencido que essa seria a minha única experiência em Maratona.

Há 2 anos participei na Maratona do Porto, fazendo questão de cortar a meta a fazer o 3 com os dedos da mão, como pode ser visto na foto em cima, aplaudido pela grande campeã Aurora Cunha. Isto pela razão de sentir que era um número significativo. Passava a ser tri-maratonista!

Pois agora estou a 7 dias de, se chegar à meta, concluir a minha 7ª Maratona!

E digo se chegar à meta pois, por melhor preparado que estejamos, nunca nada é garantido, muito menos numa distância destas onde qualquer problema não perdoa (e estou a falar por experiência própria).

Por melhor plano que tenhamos cumprido, receamos sempre não ter feito o suficiente. No entanto, tenho a plena consciência que nunca me preparei tão bem para uma Maratona como esta. Aliás, nunca treinei tanto, em quantidade e qualidade, como durante este ano.
O que poderá ser importante mas também poderá não significar nada. Se qualquer super-campeão tem sempre os seus dias bons e maus, não haverá de suceder o mesmo a simples amadores como nós?

Sei, por me terem confessado, que há quem tenha a fasquia demasiado alta para o que poderei alcançar na Invicta. Peço-vos que não o façam. Todo este treino não significou que vou atrás de records. Vou sim, à procura de tentar cumprir a distância o melhor possível.
Se noutras distâncias aponto em certas provas para melhores marcas, em Maratona os meus únicos objectivos são, em primeiro lugar, terminar, e em segundo lugar fazê-lo o melhor possível. Isso, para um atleta com as minhas poucas capacidades, é a grande vitória. Acreditem que para quem foi sedentário durante cerca de 30 anos e sem aptidão especial para o desporto, cortar a meta numa Maratona equivale intimamente a uma medalha olímpica. Porque venci o maior e mais temível dos adversários, eu.

Agradeço todo o apoio que tenho recebido e espero poder ser, uma vez mais, muito feliz no próximo domingo.

E desejo a todos os participantes uma óptima prova e que realizem todos os seus sonhos!
Um desejo ainda mais especial para quem se vai estrear e sentir o orgulho tremendo de ser Maratonista. Toda a força do mundo e sejam felizes, muito felizes.
Como conheço pessoalmente dois, não sei se haverá mais, muita força para o Nuno Moreira e Sandra Arraias que estão a 7 dias de passarem da era AM para a era DM (Antes Maratona / Depois Maratona)

E não quero terminar sem relatar um assustador episódio passado na 5ª feira e que prova que tudo pode mudar num segundo.
Fui treinar com a Isa e o Vítor a Lisboa. Começámos no Estádio 1º de Maio e fomos na direcção da Expo retornando aos 5 km para completar um treino de 10.
Pois com cerca de 9,5 km íamos sendo atropelados numa passadeira! 
Vínhamos na Rio de Janeiro e atravessámos pela passadeira a Ricardo Jorge (ironicamente uma rua com o nome do meu filho). 
Não vinha ninguém e estávamos a meio da passadeira quando aparece um carro vindo da Rio de Janeiro, com uma senhora idosa ao volante e que, apesar da boa visibilidade e luminosidade, continuou a marcha como se ninguém estivesse ali e só parou quando nos teria atingido caso não tivéssemos dado um esticão e fugido da frente do carro por escassos centímetros. Vi bem o farol direito a aproximar-se rapidamente de mim e nem sei como não fui atingido.
Assustados, olhámos para a senhora que teve um gesto de desagrado, gritou "o qué que foi?" e arrancou.
Ficámos um bocado parados a recuperar a respiração que tinha disparado e nem sequer conseguia correr logo de seguida pois as pernas tremiam-me. 
Como tudo pode mudar num segundo...

domingo, 23 de outubro de 2016

Calendário 2017


Acabei de publicar as primeiras datas do calendário de 2017, que podem ser vistas aqui.

Há uma alteração na visualização do calendário pois aparece inicialmente uma página onde se selecciona o ano (ver aqui), indo depois para o ano pretendido.


Faço notar que a maior parte das corridas ainda não tem data definida e que, por opção editorial, apenas coloco no calendário as provas quando há uma informação oficial sobre a sua data e realização. 
Sei que há datas que usualmente se disputam sempre nas mesmas alturas mas por vezes há mudanças inesperadas e, por essa razão, apenas coloco as que já foram, como disse anteriormente, anunciadas.

Segundo o que se tem assistido este ano, é provável que provas que estão anunciadas para uma data ainda sofram alterações, bem como na sua extensão, factor que se nota mais nos trails com mudanças frequentes na quilometragem.

A pesquisa de novas datas é feita constantemente, daí o ser natural o calendário ir sofrendo actualizações frequentes.

Qualquer coisa que notem, agradeço que me avisem.

Uma boa semana a todos!

domingo, 16 de outubro de 2016

4º e último de 30 pró Porto

Foi com satisfação e orgulho que ouvi o GPS apitar aos 30 quilómetros pois marcou o momento final da fase dura de preparação para o Porto. Agora, a 3 semanas, é ir diminuindo a carga e tentar não estragar nada.

E o motivo dessa satisfação e orgulho prende-se com o sentimento de dever (mais que) cumprido. Estabeleci um plano muito ambicioso (parecia mesmo demasiado ambicioso) e puxado, que me iria levar a um volume de quilómetros muito superior ao que já alguma vez tinha efectuado Natural, portanto, a dúvida sobre se iria conseguir. Ora hoje constato que não só o cumpri na integra como algumas vezes ainda o superei!

No plano constavam 3 ou 4 treinos de 30. 3 eram obrigatórios (meio de Agosto, meio de Setembro e meio de Outubro) e um opcional (final de Agosto) mas que também o realizei.

Ao contrário dos anteriores 3, que começaram às 6 da manhã por serem em altura de muito calor, o de hoje fiz questão de iniciar às 8.30, replicando a hora da partida no Porto. 
Comecei em Oeiras, ida até à Parede, retorno, ida a Algés, retorno e acabar em Oeiras. Aos 17,5 tive o grato prazer de me cruzar com o amigo Isaac que tinha acabado um excelente treino de 29 rumo a Valência onde irá ter mais um dia de glória. Força Isaac!

Segui sempre a um ritmo certinho, fazendo uma espécie de ensaio geral de ritmo para o Porto, onde a intenção é chegar o melhor possível aos 30 para ter um final de Maratona menos sofrido, para acabar o melhor possível. Essa é a intenção e já tenho o plano delineado. E quem me conhece sabe que sou muito disciplinado nos planos. 

Claro que preocupações há sempre. Ainda a tal dor no joelho pela estúpida pancada na mesa há 15 dias atrás. Está a melhorar mas ainda incomodou momentaneamente aos 7 e aos 22. Até lá julgo que vai passar mas se se mantiver assim é controlável.
Mais preocupante é o problema que ganhei aquando aquela infecção pulmonar antes da Maratona de Sevilha, bronquiectasias, que de vez em quando ficam activas como agora tornaram a estar um pouco. Ora, como sabemos, os pulmões são parte fundamental na resistência. Mas se se mantiverem no nível que estão agora, se não piorarem, também são controláveis e não será por aí. Tenho é que estar o máximo atento.

E pronto, entrando agora na fase descendente de carga, seguem-se treinos normais durante a semana. No próximo fim-de-semana já só será um treino de 20 e no seguinte (faltando uma semana) um de 12. Na última semana, treinos ligeiros.

Venha o Porto, carago!

Uma boa semana a todos!

domingo, 9 de outubro de 2016

Na Meia-Maratona Ribeirinha da Moita


4 ao Km com a grande campeã olímpica Fernanda Ribeiro, madrinha da prova

Desloquei-me hoje à Moita para a edição número 19 da Meia-Maratona Ribeirinha da Moita, prova que demorou até ter participado pela primeira vez. Apenas o fiz em 2012, regressando em 2014 e agora em 2016 (2013 e 2015 não foi possível pois coincidiu uma semana depois e uma semana antes de Maratonas)

Uma prova com preço à antiga (apenas 5 euros para uma Meia-Maratona!) e que é festivamente participada nalgumas partes que atravessa, além de banda à chegada. 
Mais uma vez a análise é muito positiva, apenas não o sendo completamente pois a entrega dos dorsais foi demasiado demorada. No meu caso, que cheguei hora e meia antes, esperei 45 minutos e o tamanho da fila não o justificava. Quem os entregava fazia o seu melhor, esforçava-se bem, mas eram muito poucos para o fluxo de atletas, algo que para o próximo ano, em edição marcante por ser a vigésima, decerto será melhorado com mais voluntários.

Esperando na fila com a companheira de viagem, Margarida Dionísio (obrigado pela foto, Fernanda Silva)
Antes da prova, direito a fotografia com a campeão olímpica Fernanda Ribeiro, medalha de ouro dos 10.000 em Atlanta 1996, num final inesquecível para quem teve a felicidade de o ver em directo, como eu. Já o revi n vezes e em cada, e mesmo sabendo o desfecho, parece que não vai dar para a vitória. Até que há aquela arrancada final. Uma medalha de ouro com um final de ouro!
Curiosamente, e como tinha tirado fotografia com a Rosa Mota na 4ª feira, tive o prazer e a honra de, em apenas meia semana, tirar fotografia com as duas campeãs olímpicas nacionais. Duas campeãs em pista e fora dela.

Os 4 ao Km na Moita: Eu, Vítor, Isa e Eberhard
Deixei a decisão do objectivo desta corrida para o primeiro quilómetro. Ou ia atacar para baixar novamente das 2 horas ou faria uma corrida nas calmas. Afinal, acabou por ser um mix de ambas.

Efectivamente, durante o primeiro quilómetro a vontade de baixar novamente das duas horas prevaleceu. Em 47 Meias apenas o tinha conseguido por 4 vezes e cada separada por 3 anos (2007 - 2010 - 2013 - 2016) e seria giro conseguir agora duas no espaço duma semana.

O tempo parecia óptimo pois o sol esteve encoberto até à partida e a temperatura aceitável. Assim, coloquei o ritmo ideal. Fui muito tempo ao lado do João Dias com a curiosa situação de só o ter reconhecido depois duns bons quilómetros pois só o via de lado e estava disfarçado com barba. Apenas quando me olhou de frente é que vi quem estava a acompanhar quase desde o início!

O problema deu-se com o sol forte. Então não estava encoberto? Sim, mas apenas até à partida. Depois abriu e o sol veio com a pujança toda. E por vezes não é preciso estarem muitos graus. Não sei se é da maneira como bate ou da sua intensidade, alturas há onde parece que agride mais. E foi o que sucedeu hoje e não foi apenas impressão minha pois ouvi essa constatação a muitos atletas e até se registaram desistências daqueles que voam baixinho, exactamente por esse factor.

Ora aguentei a média até ao quilómetro 12, onde passei com 20 segundos de avanço sobre o tempo ideal para baixar das 2 horas, mas nessa altura já estava a sentir em demasia o desgaste provocado pelo sol forte, ao que admito também se possa ter juntado o esforço que exerci no domingo passado.

Constatei então que, e até pela maior dificuldade do percurso na parte final, dificilmente iria alcançar o pretendido. Iria desgastar-me imenso para ficar a uns quantos segundos dessa marca. Como a minha prioridade é a Maratona do Porto a realizar daqui a 4 semanas, esse tipo de desgaste poderia prejudicar os próximos treinos e decidi assim optar por um ritmo calmo.

Nas duas anteriores edições que disputei desta prova, choveu. Pouco em 2012, muito em 2014. Desta vez não houve chuva mas até teria sabido bem (sim, sim, eu sei. Somos uns insatisfeitos com o S.Pedro!)

Quase na meta (obrigado pela foto, Margarida Fonseca)
Fiz calmamente esses 9 quilómetros finais e marquei 2.04.22, o que mesmo assim é uma muito boa marca para mim. Em 48 Meias é o meu 10º melhor tempo. Por outras palavras, fiz melhor do que 38 das 48 Meias, o que me deixou satisfeito e com a sensação de dever cumprido.

Agora... bom, agora a próxima corrida é daqui a 4 semanas, a Maratona do Porto. 
Até lá, e além dos normais treinos diários, irei tentar fazer no próximo domingo o último treino de 30 e no seguinte um de 20. No domingo anterior, já serão apenas 10 a 12 .