Aconselhei esta prova a tantos, sempre realçando o maravilhoso público da Amadora que incentiva do primeiro ao último. Mas devo confessar que quando vi a chuva começar a cair incessantemente três horas antes da partida, cheguei a recear que este ano não houvesse o tradicional apoio, pelo menos da forma habitual.
Puro engano! Mas qual chuva qual quê? Os atletas da São Silvestre da Amadora são para apoiar, faça o tempo que fizer!
Talvez em menor número que noutros anos, mas só reparou nisso quem costuma ir, mas com o mesmo entusiasmo, fazendo acreditar cada um que é um verdadeiro campeão. Gritos, palmas, cornetas, vuvuzelas, tachos, martelinhos e eu sei lá que mais, tudo serve para apoiar.
E nesta 38ª edição deu-se um record de participação, 936 classificados!
Sabemos que esta não é a prova mais participada pois muitos gostariam de a fazer mas problemas com a data e deslocações para fora impedem a sua presença.
O record estava em 814 em 1984 mas nos anos seguintes dessa década a aposta foi em atletas de elite, descurando os de pelotão, resultando em 294 em 1990. A organização apercebeu-se então do erro e da perfeitamente possível conciliação entre os, digamos, dois mundos.
Lentamente foi recuperando atletas, fixando-se nos 500 na década de 90 e nos 700 nos últimos anos.
Até ao novo record de ontem, uma mais que justa prenda a todos!
Em termos classificativos, Sara Moreira do Maratona dominou a corrida feminina (recordo que esta prova tem partidas diferenciadas e separadas por 10 minutos), alcançando a sua segunda vitória, após a de 2010, tendo realizado 32.42 e menos 1.14 que então (numa altura que estava engripada).
A sensação dos Jogos Olímpicos, a sportinguista Clarisse Cruz, foi a segunda a 2.02, batendo Nazare Weldu da Eritreia por 1 segundo.
Terminaram 131 atletas, uma boa relação de 14%
Também Manuel Damião do Maratona bisou, neste caso consecutivamente. Fez agora 29.29 e mantendo a tradição de onze anos do vencedor abaixo da meia-hora, tantos os anos que a corrida tem com 10 kms.
Em segundo finalizou o moldavo residente em Portugal, Roman Prodius a 28 segundos do vencedor e com um segundo de avanço sobre o eritreu Amanuel Mesel
No meu caso pessoal, esta corrida foi o melhor exemplo do chamado prazer de correr. O bem que me senti!
Já várias vezes tinha feito duas corridas em dois dias, esta foi a primeira de três em três. Após os 58.11 de Lisboa e 58.13 dos Olivais, esta seria, teoricamente, a mais fraca devido ao cansaço acumulado e à maior dureza. No entanto, foi a melhor com 57.01, um tempo muito por "culpa" do público que nos empurra e deste percurso que tanto aprecio.
Fui mais ou menos normal até à subida dos comandos e, ao iniciá-la, senti-me tão bem que o meu ritmo disparou.
Houve um momento marcante. Por volta do oitavo quilómetro, ao passar por um enorme e entusiasta grupo de espectadores, que afunilavam a estrada, dei por mim a dar uma gargalhada. Estava feliz e por várias razões.
Eram elas: Um ambiente espectacular, o desafio de três em três conquistado e bem conquistado, e marquei-o antes da Maratona, desconhecendo como iria recuperar (afinal tão bem), e o finalizar dum mês histórico ao ter concretizado o sonho "impossível" dos 42.195 metros.
Esse momento na corrida foi muito especial para mim, tal como este ano de Atletismo que funcionou como um verdadeiro oásis no meio das coisas que foram acontecendo.
Venha 2013 e muitas corridas. Para já, em Janeiro, Valejas a 6, S.Domingos a 13, Luzia Dias a 20 e Fim da Europa a 27.
Um bom ano a todos!
(Só foi pena termos desencontrado o Carlos para a fotografia)