Uma fotografia histórica! Os 4 ao Km com os famosos C.A.L. (Clube Atletismo de Lamas, mundialmente conhecidos por Pernetas) |
Só foi pena não estar na altura o Aurélio mas está aqui |
Fotografia que faltava no currículo, com o Perneta-Mor Carlos Cardoso! |
Estado de graça.
Não há outra forma de definir o que se passa comigo desde há 13 meses a esta parte.
Algo que me leva a atingir o que nunca sonhei e a surpreender-me em cada uma das vezes.
Último sábado de Junho é dia de rumar a Peniche, a uma clássica das nossas corridas, a uma organização ímpar e a um público maravilhoso.
Assim o fizemos, eu e a Mafalda, na sempre excelente companhia da Isa e do Vitor.
E foi a décima vez que aí rumei. Em 12 épocas apenas falhei no meu primeiro ano por ainda não ter estaleca para o que na altura me parecia uma distância enorme, e no ano do pé partido pois tinha acabado de regressar e ainda não estava com estofo para 15.
O meu record dos 15 km esteve durante 9 anos em 1.20.20. Durante esse período fiquei várias vezes perto de o bater mas parecia que havia ali uma barreira intransponível. Até que em Peniche no ano passado realizei 1.18.59, tempo que nunca tinha imaginado. Como corridas de 15 há poucas, a seguinte foi apenas em Abril deste ano, no dia do meu aniversário, e onde baixei para 1.18.03, o que também nunca esperei. Mas inesperado e na minha cabeça completamente impossível, foi o que sucedeu um mês depois no 1º de Maio onde marquei um tempo que na altura considerei que nem era tempo para mim, para as minhas capacidades, 1.16.41
Claro está que sendo as Fogueiras num percurso mais penalizante que o 1º de Maio e sendo esse tempo uma verdadeira loucura, era ponto assente que não iria batê-lo. Iria sim correr dando o máximo e no final logo se veria o que faria.
Baixar da 1.20, parecia-me perfeitamente ao alcance (o que seria giro pois após passar 9 anos a não o conseguir, seria a 4ª vez em 4 provas de 15). Bater os 1.18.59 do ano passado também acreditava desde que estivesse num daqueles dias. O sonho mais selvagem era chegar a 1.17. Menos do que isso, perfeita consciência que não era possível.
Após um bom aquecimento, e com a vantagem de partir na onda verde, não prejudicando o andamento nos 2 quilómetros iniciais pelo tráfego (benesse pelo tempo do ano transacto), iniciei a corrida em modo ataque máximo.
Tenho perfeita consciência que tem dado resultado entrar logo a matar mas algum dia dará para um monumental estoiro. Mas sexta não foi a véspera desse dia (frase cara aos gauleses do Astérix) e senti que estava tudo a funcionar na perfeição.
Duas fotos ao 5º Km |
Tal como no ano passado, a incógnita era a subida de 3 km. Chegar lá tendo corrido sempre no limite, o que provocará? Em 2016 fui surpreendido por ter ainda aumentado a velocidade. E não é que 2017 foi igual?
Tudo bem e a média no relógio sempre a apontar algures no minuto 17.
As condições meteorológicas estavam boas para a época e apenas no 14º quilómetro se apanhou vento de frente. Aí senti o desgaste mas logo recuperei.
Para ter a informação que desejo, o meu relógio GPS está dividido em 4. Tempo total, tempo último Km, distância total e média total. O que significa que, por uma questão de espaço no visor, o tempo total apresenta minutos e segundos mas a partir da hora mostra horas e minutos, deixando de se ver os segundos.
Ao entrar no último km, e sem ter a certeza de quantos segundos marcava, constatei que deveria dar para 1.17 baixo ou, surpresa das surpresas, 1.16 muito alto, ficando assim perto do record. Marca que poderia ficar perto mas não iria ser batida. Isso era ponto assente.
As forças já não eram muitas mas consegui reunir as que sobravam para o último quilómetro ser o mais rápido de todos e mais dei ao avistar a meta.
Cortei e, alegria!, vi que foi no minuto 1.16, faltava saber os segundos e constatar a quanto tinha terminado do record. Marca que, relembro, era 1.16.41
Num instante fui ao tempo total completo e... dei um enorme e bem sentido berro ao ver o que nunca esperei: 1.16.40!!!
Afirmo o mais sinceramente possível, nunca me passou pela cabeça bater novamente o record! Foi mais uma surpresa oferecida por este estado de graça que perdura.
Um segundo pode ser só um segundo mas é um segundo. E recordo-me bem, há uns anos atrás, quando andei em época de seca de records durante "décadas", o ter ficado a 2 segundos do record dos 15 em Mafra. As saudades que nessa altura tinha duma melhor marca e ficou tão perto. Ontem, num momento que até me custa a acreditar, em que estão a sair records como pãezinhos quentes, foi um segundo a menos.
Fiquei ali a absorver o momento e a ver chegar outros atletas enquanto aguardava a Isa e Vitor. E as alegrias ainda não tinham acabado (para saber mais, ler depois a crónica da Isa).
A prova do "crime" |
De registar que nesta 38ª edição das Fogueiras, bateu-se o record de participação com 2.895 classificados mais 108 que a anterior melhor participação, vinda do ano passado.
Entre 2.895, terminei claramente na primeira metade (1.294) e no escalão fui 66º entre 152.
E foi assim o relato de mais um momento épico. Como sempre o afirmo, é aproveitar enquanto está a dar, que isto não dura sempre...
Próxima prova, sábado Meia-Maratona de Almada.
Até lá, uma boa semana a todos.
E um muito obrigado ao voluntarioso, generoso e entusiasta povo de Peniche!!! São um espectáculo e um marco no nosso mundo das corridas!
Adivinha do dia (e esta é de difícil resposta): Estará o pessoal feliz? |