quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

As provas acima do milhar em 2018


Pelo 8º ano consecutivo, publico a relação de provas disputadas em Portugal que contaram com um mínimo de mil atletas classificados.
Para consultarem os anos anteriores, clicar no respectivo ano: 2011 - 2012 - 2013 - 2014 - 2015 - 2016 - 2017

Constam 60 provas nesta relação, mais duas que 2017, sendo o 2º ano com maior número de provas acima do milhar, apenas batido por 2015 quando se contabilizaram 62.

Quadro anual com o número de provas na casa dos milhares, desde 2005. É curioso constatar o enorme salto que se produziu em 2013 para, desde então, manter-se muito semelhante (entre 58 a 62).

Ano
Provas acima milhar
Prova mais participada
2005
13
4.501
2006
15
5.212
2007
20
7.161
2008
29
8.961
2009
30
9.147
2010
35
9.262
2011
37
9.346
2012
42
8.888
2013
59
8.050
2014
58
9.403
2015
62
10.880
2016
58
10.281
2017
58
10.582
2018
60
9.455

O que não sucedeu este ano foi uma prova acima dos dez milhares. A primeira corrida que tal aconteceu foi em 2015, ano que contou com três eventos nesta situação, repetindo-se em 2016 e 2017 uma em cada ano, quebrando-se esse facto em 2018.

Assim, mantém-se a mesma tabela histórica das provas acima dos 10 milhares:

Prova
Data
Classificados
S.Silvestre do Porto
22
2015-12-27
10.880
Meia-Maratona de Lisboa 
27
2017-03-19
10.582
Meia-Maratona de Lisboa 
25
2015-03-22
10.561
Meia-Maratona de Lisboa 
26
2016-03-20
10.281
S.Silvestre de Lisboa
8
2015-12-26
10.148

Na relação de 2018, e como já referido, constam 60 provas. Dessas, 49 faziam parte da lista de 2017, 8 alcançaram ou recuperaram esse estatuto e 3 tiveram entrada directa na sua primeira edição. Totalizaram 149.285 participações.

Das listadas em 2017, 6 baixaram do milhar e 3 não se realizaram.

Se aumentaram o número de provas acima do milhar em relação a 2017, o total de participação geral desceu, justificável por um calendário cada vez mais preenchido.
Assim, das 57 que se realizaram em 2018 e 2017, 31 baixaram o número de classificados e 26 aumentaram, dando um total de menos 7.527 em relação a 2017. Mas é de notar que deste saldo negativo de 7.527, 5.509 vêm de 3 provas que foram condicionadas por condições atmosféricas adversas e que obrigou a alterações (em Março a Meia de Lisboa e em Outubro a Maratona de Lisboa e Meia de Portugal).

E qual foi a prova mais participada em 2018? 
Já tinha sido 2ª no ano passado e este ano chegou ao 1º lugar, a São Silvestre de Lisboa com 9.455 atletas classificados! Está a HMS, justificadamente, de parabéns.

O mês com mais provas acima do milhar foi, como habitualmente, Dezembro, com 12 eventos. 
11 meses tiveram provas acima do milhar, a excepção é Agosto, mês que nunca no seu historial se disputou em Portugal qualquer prova com tal participação.

Relação das provas com mil ou mais classificados:


Data
2018
2017
Dif

11
29-dez
9.455
8.302
1.153

28
11-mar
9.211
10.582
-1.371

25
30-dez
8.546
8.254
292

38
23-set
7.851
7.630
221

13
08-abr
5.435
5.048
387

19
14-out
4.801
7.369
-2.568

15
04-nov
4.656
4.530
126

12
16-set
4.218
4.746
-528

61
09-dez
4.181
4.360
-179

6
21-out
3.794
4.213
-419

14
16-jun
3.622
3.814
-192

15
18-mar
3.603
3.614
-11

60
28-dez
3.205
3.060
145

6
14-out
3.103
4.673
-1.570

39
30-jun
3.077
2.895
182

11
04-nov
2.769
2.843
-74

6
02-dez
2.707
2.431
276

8
02-jun
2.661
2.483
178

20
21-jan
2.458
2.619
-161

6
21-abr
2.295
2.084
211

13
27-mai
2.289
3.491
-1.202

28
28-jan
2.263
2.071
192

3
23-dez
2.181
1.968
213

5
28-jul
2.118
2.503
-385

2
11-fev
2.104
2.167
-63

61
08-dez
1.968
2.200
-232

8
01-jul
1.913
2.597
-684

41
16-dez
1.878
1.906
-28

19
17-jun
1.766
2.441
-675

36
25-mar
1.651
1.650
1

44
31-dez
1.599
1.460
139

1
14-out
1.547
-


1
29-abr
1.538
-


13
20-mai
1.515
2.274
-759

31
09-set
1.491
1.623
-132

25
13-jan
1.489
1.295
194
b)
5
09-set
1.481
1.578
-97

19
25-fev
1.460
908
552

30
07-out
1.387
1.749
-362

3
25-fev
1.371
1.846
-475

6
02-dez
1.321
1.084
237

7
10-jun
1.285
882
403

5
22-dez
1.229
1.139
90

23
04-mar
1.192
1.374
-182

29
04-nov
1.167
1.310
-143
a)
37
01-mai
1.162
1.117
45

3
25-mar
1.155
1.438
-283

8
04-nov
1.152
975
177

11
16-set
1.145
1.247
-102

4
06-jan
1.139
901
238

3
27-set
1.122
1.516
-394

30
30-dez
1.110
990
120

1
22-abr
1.089
-


5
25-nov
1.086
1.199
-113

10
28-out
1.080
1.279
-199

36
14-jan
1.064
968
96
a)
34
13-mai
1.058
1.305
-247

30
01-jul
1.056
858
198

2
29-set
1.009
668
341

31
25-nov
1.007
1.111
-104
a)

a) Provas por escalões
b) Soma das duas competições "Campeonato Nacional de Estrada" e "Corrida com os Campeões", dado terem sido disputadas na mesma prova simultaneamente como se duma se tratasse

Relação das provas acima do milhar em 2017 mas abaixo em 2018:


Data
2018
2017
Dif.

17
16-dez
958
1.088
-130
a)
5
01-dez
902
1.022
-120

5
22-jun
860
1.000
-140

4
25-mar
764
1.063
-299

9
18-nov
724
1.183
-459

41
18-fev
523
1.002
-479


Relação das provas acima do milhar em 2017 mas que não se disputaram em 2018:


2018
2017
4
-
1.666
1
-
1.016
4
-
1.016

Aguardemos pelo que 2019 nos reservará.

Um excelente ano a todos!


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Fechar o ano na festa que é a São Silvestre da Amadora

João Cravo, eu, Isa e Vitor. Os 4 ao Km presentes. Ou deverei dizer os 4 sorridentes ao Km? :)

E aqui noutro ângulo (Foto Orlando Duarte)

Uma vez mais as ruas da Amadora encheram-se de milhares de espectadores que com aplausos, gritos e buzinas fizeram a festa, contrariando o habitual cinzentismo do nosso povo. 
Aqui ao lado, é bem conhecido o incrível entusiasmo popular de espectadores a quem falta apenas levarem-nos ao colo. Deste lado da fronteira, o silêncio é apenas interrompido por algumas furiosas buzinadelas de quem se injecta em stress. Quando se ouve um incentivo, normalmente vem em forma de espanhol, francês ou outra língua que não a nossa, fruto da vaga de turismo que tem aliviado as nossas contas.
Mas das dezenas de provas que se realizam semanalmente, e que ultrapassam largamente o milhar no ano, há pelo menos 3 que fogem a esse destino. A São Silvestre da Amadora, a Corrida das Fogueiras em Peniche e, dizem-me pois ainda não corri lá, a Scalabis Night Race em Santarém.
O que terão estas provas que as outras não têm? Ou, visto doutra forma, o que se passa nas outras para não existir esta simbiose?

Ao sempre presente apoio popular na Amadora, juntaram-se óptimas condições atmosféricas para a quadra e uma organização sempre irrepreensível da HMS. Todos foram recompensados com novo record de participação. Após tal ter sucedido em 2017 com 1.460, nesta edição saltou-se para os 1.599 classificados.
E assistiu-se a história pois havia um quarteto de atletas com 3 vitórias nesta mítica prova (Carlos Lopes, Domingos Castro, Manuel Damião e Rui Pinto) e agora o recordista passou a ser Rui Pinto com 4 vitórias, tendo sido até a sua mais rápida em 29.46 (as outras foram em 29.49, 30.10 e 30.25).
No sector feminino, venceu Ana Mafalda Ferreira, entrando para uma lista onde pontifica Fernanda Ribeiro com os seus 7 triunfos.

Por tudo que já referi, fácil é de compreender que esta é daquelas provas obrigatórias no meu calendário. Assim, e em 13 épocas de corridas, foi a minha 11ª participação. As únicas falhas foram por força maior, dado que em 2008 estava com o pé partido e em 2017 a recuperar da operação às cataratas. Só situações destas me fazem faltar a esta festa.

A minha prestação foi positiva, atendendo ao facto de não estar a treinar velocidade, pelo período "quente" que atravesso com a participação entre 2 de Dezembro e 28 de Abril em 3 Maratonas. A prioridade é outra.

Como sempre, esta prova é para dar tudo, como se o fim do ano marcasse também o fim dum ciclo que de seguida regenera. Arranquei e imprimi o melhor ritmo para o momento. Apesar do aquecimento não ter sido o ideal, aguentei bem o impacto e a longa subida inicial, conseguindo nos limites controlar a respiração.

Com a máquina a responder bem, estava dado o mote para assim manter prova fora, sem nunca ter noção do ritmo a que ia pois de noite não consigo ler o relógio (a operação curou-me a vista ao longe mas, naturalmente, não ao perto, e se de dia com luz natural ainda consigo ver os números grandes, de noite é para esquecer). Foi assim uma corrida diferente, sempre no escuro quanto ao que ia e poderia fazer.

Na fase inicial da prova (Foto Orlando Duarte)
Passei muitos companheiros nas subidas mas nas descidas (o meu calcanhar de Aquiles) foi tentar aguentar. Sempre com a dúvida de como iria reagir à tal subida dos comandos, aos 5 e pouco.

E quando aí cheguei, surpreendi-me pois aumentei o ritmo, como se metesse uma abaixo. Fui subida dos comandos afora sempre no limite da respiração mas satisfeito pela resposta que estava a dar. Tal deu-me força extra para o resto do percurso. Recuperar no plano entre esta subida e a última, também durinha mas mais curta e encarar bem os dois últimos quilómetros favoráveis. Estes são a descer mas como não são descida acentuada, tornam-se óptimos para dar o que ainda se tem.

Quase na meta e a gritar "Bom Ano" ao autor da foto, Orlando Duarte
A aproximar da meta estava muito curioso em relação ao tempo que iria registar pois, como já referi, estava completamente às cegas em relação ao que vinha a marcar. 
Quando vislumbrei o marcador na meta, confesso que tive um momento de decepção pois esperava uma marca melhor em 2 ou 3 minutos (registei 56.57) mas de imediato passou pois o sentimento que prevaleceu foi de grande satisfação por ter dado tudo o que tinha neste percurso bem duro. E quando se dá o que se tem, tudo é excelente.

A realidade é que neste momento o meu máximo em provas mais rápidas não é o mesmo que em tempos relativamente recentes mas é por uma boa causa.  

E terminou assim 2018. Um ano em que participei em 26 corridas, palmilhei 1.928 quilómetros (quer em treino ou corrida) e cumpri da melhor forma o grande objectivo da época, a Maratona de Valência que foi uma verdadeira felicidade.
Os 1.928 quilómetros são a 3ª maior quilometragem das minhas 13 épocas, só abaixo dos últimos 2 anos (2016 - 2.204 e 2017 - 2.316). Esta diferença justifica-se por ter ficado a zero em Janeiro, devido à operação às cataratas, a um Fevereiro a médio gás pelo regresso e 3 semanas de paragem em Junho por ter torcido o tornozelo.
Venha 2019 e o inédito de ir participar em 3 Maratonas! Que as lesões fiquem bem longe!

Desejo a todos, em particular, um excelente 2019. No geral, o melhor que poderia haver era o fim de tanto ódio que mina as sociedades, o fim dum extremismo muito perigoso que faz recordar alturas infames de há 80 anos atrás. O fim de mentiras com os piores propósitos, frutos do errado lema "os fins justificam os meios". O fim de ódios indescritíveis só por que alguém tem uma cor, orientação, ideologia, clube e sei lá mais o quê diferentes e que alguns apenas vêm como factor de divisão e nunca de união, de complementaridade. 
Façamos que a nossa única passagem neste planeta valha a pena, por nós e por todos!