terça-feira, 16 de outubro de 2018

Actualização dos máximos em Maratonas disputadas em Portugal (nunca se correu tão rápido!)


A Maratona de Lisboa, Rock'n'Roll nas 5 primeiras edições e EDP Maratona de Lisboa nesta 6ª, ficou para a história como a mais rápida Maratona que alguém já fez em solo nacional.

Desde 2014, 2ª edição desta mesma Maratona, que esse feito estava reservado no nome do queniano Samuel Ndungu que registou 2.08.21
No domingo, o etíope Limenih Getachew despachou os 42.195 metros entre Cascais, Guincho e Lisboa em 2.07.34, numa prova cuja realização esteve em risco devido à passagem do furacão Leslie que acabou por não atingir esta zona. Melhor sorte não tiveram outras zonas do centro do país.

Assim, a tabela de relação de records nas Maratonas nacionais, fica assim escalonada:

Classificados
4.736
Porto 2016
Masculinos
4.098
Porto 2016
Femininos
969
Lisboa 2017
Portugueses
3.308
Porto 2016
Estrangeiros
2.960
Lisboa 2017
Países
68
Lisboa 2016
Marca Masculina
2.07.34
Lisboa 2018
Marca Feminina
2.24.13
Lisboa 2016

A marca feminina ficou a menos dum minuto de também ser batida (43 segundos) mas aguentou-se, quem sabe se até ao Porto.
De registar que todos estes records foram obtidos desde 2016, o que denota bem a evolução que a mítica distância tem tido no nosso país.

Como prova, recordo aqui como tem sido a evolução do record nacional de participação:

Data
Maratona
Classificados
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763
2014-10-05
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
2.865
2014-11-02
Porto
4.040
2015-11-08
Porto
4.406
2016-11-06
Porto
4.736

Salta à vista o grande incremento nos últimos 10 anos, onde o milhar ainda era uma miragem. 
De referir que o record de 22 classificados alcançado em 1911 só foi batido, passando para 23, em 1978, 67 anos depois!

E como o record que foi alcançado, foi o da melhor marca em solo nacional, segue aqui a sua evolução desde o início desta apaixonante e viciante distância:


Data
Maratona
Nome
Marca
1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.57.35
1912-06-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lx)
Francisco Lázaro
2.52.08
1936-07-05
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.37.20
1937-03-28
Campeonato Nacional (Lisboa)
Manuel Dias
2.30.38
1954-04-11
Campeonato Nacional (Lisboa)
José Araújo
2.21.00
1971-04-04
Campeonato Nacional (Lisboa)
Armando Aldegalega
2.20.42
1976-03-14
Campeonato Nacional (Faro)
Anacleto Pinto
2.14.36
1987-11-08
Xistarca (Lisboa)
Gualdino Viegas
2.13.59
1992-10-18
Xistarca (Lisboa)
Jacob Ngundu
2.13.34
1993-11-28
Xistarca (Lisboa)
Said Ermili
2.12.29
1994-11-27
Xistarca (Lisboa)
Zbigniew Nadolski
2.11.57
2006-10-15
Porto
Lawrence Saina
2.09.52
2009-11-06
Porto
Philemon Baaru
2.09.51
2013-10-06
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Paul Lonyangata
2.09.46
2014-10-05
Rock’n’Roll Cascais-Lisboa
Samuel Ndungu
2.08.21
2018-10-14
EDP Cascais-Lisboa
Limenih Getachew
2.07.34

Aguardemos o que a Maratona do Porto, a realizar a 4 de Novembro, nos trará.

domingo, 14 de outubro de 2018

Na Meia da Ponte Vasco da Gama sem ponte (os furacões são anti-Meias?)

A armada 4 ao Km no autocarro a caminho da partida (Vitor, Aurélio, eu e Isa)

A Meia-Maratona de Lisboa (mais conhecida por Meia da Ponte 25 de Abril) tem 28 edições. A Meia-Maratona de Portugal (mais conhecida pela Meia da Ponte Vasco da Gama) tem 19 edições. Nunca desde o início de ambas tinha sido necessário accionar o plano B. Coincidência das coincidências, este ano foi em ambas! Em Março foi o furacão Félix, agora o Leslie. Será que os furacões são anti-Meias?

Para qualquer organização uma mudança em cima da hora é um verdadeiro turbilhão. Para mais numa prova com a dimensão de participantes que ambas têm e com uma logística tão complicada. E se em Março já havia suspeita, uns dias antes, que algo pudesse obrigar ao plano B, agora foi mesmo muito em cima da hora. 

E a organização, tal como da anterior vez, respondeu o melhor que foi possível, dadas as contrariedades e directrizes da Protecção Civil. 
Mas se em Março nada houve a apontar, desta feita houve uma situação que provocou muitos constrangimentos às atletas femininas em especial.
Como se sabe, a particular logística obriga a que se vá muito cedo para a partida, chegando os atletas aí uma hora e meia a duas horas antes, e a distância obriga a que os atletas se vão hidratando convenientemente. Ora as casas de banho são fundamentais e não houve. Estamos a falar dum viaduto sem nada mais ao pé, sejam cafés ou qualquer outro tipo de estabelecimentos ou casas. 
A solução foi ir-se furando pelos atletas da Mini para se descer do viaduto e arranjar um sítio para aliviar a bexiga. Mas isto sendo homem que qualquer lugar serve. Para as muitas atletas femininas, foi um pesadelo tentar arranjar algo parecido com um sítio adequado, além da necessária dignidade. 
Alguma razão terá havido para esta situação, mas que criou constrangimentos, criou.

Agora debaixo do viaduto da partida, onde fomos procurar uma casa de banho improvisada
A partida, também pelo alerta vermelho da véspera, teve que ser alterada para as 11.30 mas felizmente a temperatura não esteve demasiada alta e o receio do muito vento pouco se fez sentir, não influenciando em nada.

O que notei no pelotão foi um número muito grande de atletas estrangeiros. Muitos mesmo, o que é de enaltecer pelas vantagens que trazem. Curiosamente, íamos no autocarro e a Isa comentou que devíamos ser os únicos portugueses naquela viagem. Olhámos à volta e, efectivamente, não vislumbrámos mais nenhum tuga.

Após a grande Meia que fiz em Leiria, combinei comigo próprio que esta era mais calma. Duas semanas seguidas no limite criam um desgaste grande, ampliado pela muita carga que estou a dar nos treinos, e estando a começar outra semana de carga, e com 30 km previstos no sábado, era altura de não desgastar demais.
É verdade que iria ficar muito feliz com outro sub 2 horas e estava ao meu alcance mas... o meu grande objectivo, a minha "medalha de ouro olímpica" é conseguir terminar a minha 10ª Maratona a 2 de Dezembro em Valência e é para isso que estou a envidar todos os esforços e a sobrepor todo e qualquer objectivo. 

Idealizei assim um tempo por km que fosse bom mas dentro do confortável, apontando como melhor para as 2.03 (mais 5 minutos que Leiria). 
Parti e coloquei um ritmo certinho dentro do que tinha idealizado e fui muito fiel a esse tempo. De tal maneira que a partir dos 4 km tive 7 km consecutivos em que a diferença de tempo por km foi de 1 segundo apenas, ao melhor estilo de relógio suiço.
Sentia ser um ritmo bom mas confortável e foi assim que prossegui. 

Fui-me entretendo a olhar para as camisolas dos atletas que me rodeavam e alturas houve que julguei estar a correr no estrangeiro pois via grande parte de camisolas que não costumo ver.

A minha dúvida era se quebraria o ritmo na longa subida de mais dum quilómetro para o Marquês, já com 18 Km nas pernas, mas aguentei-me bem (como disse, ia confortável), e assim fui até à meta que cortei com 2.02.33, um registo bom para mim, sendo muito bom se considerarmos que saiu assim sem me ter esforçado ao limite, ficando muito satisfeito por uma Meia confortável ter dado a minha 14ª melhor marca em 59 Meias que já realizei (na Nazaré será a 60ª)

4 atletas felizes, todos com medalha ao peito!
Desde a Corrida do Tejo que as coisas entraram, finalmente, nos eixos após um período em que me esforçava muito mas não saía o que esperava. Confesso, e confidenciei com duas pessoas, que andava numa crise de confiança mas aquela Corrida do Tejo (a tal que despertei o lobo hibernado) foi a ignição para a confiança regressar. E todos sabemos como é importante estar confiante para alcançar o que não parece alcançável.

Tínhamos terminado a Meia mas muitos atletas da Maratona ainda estavam ao serviço quando nos dirigimos do Terreiro do Paço para apanharmos o Metro no Cais do Sodré, aproveitando para incentivar quem estava nas centenas de metros finais duma prova tão desgastante como o é a Maratona. 
Conheço bem toda a carga emocional dum evento assim para alguém que se está a superar ao ter a coragem de a enfrentar e tocou-me ver uma atleta, talvez da minha idade, a tapar os olhos com as mãos, chorando emocionada por estar tão perto da meta. Claro que ainda gritámos mais a apoiá-la. Como a compreendo e, para quem vive estas emoções como vivo, confesso que me deixou meio glup...

A luta pela meta em Valência continua e esta semana vai ser mais uma a dar no duro, culminando no sábado onde espero conseguir juntar mais 30 ao meu conta-quilómetros.
Em matéria de corridas, a próxima é a bela da sopa da pedra. Opps, queria dizer que eram os 20 quilómetros de Almeirim daqui a duas semanas.

E aqui com o Nuno Sentieiro que completou a sua 27ª Maratona!!! Muitos parabéns grande Nuno!
Houve novidades em relação à Maratona de Lisboa e aos máximos registados em Portugal. Colocarei aqui a estatística actualizada a meio da semana.
Em relação à Meia, foram os melhores tempos de sempre nesta Meia. Em masculinos o marroquino Mustapha El Aziz marcou 1.00.16 (anterior melhor marca vinha de 2013 1.00.19 de Wilson Kirop) e em femininos Yebrgual Melese Arage registou 1.07.18 (quando a anterior vinha de 2011 com 1.07.53 de Mary Keitany)





segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Na muito agradável Meia de Leiria (com marca inesperada!)

Os 4 ao km presentes (Vitor, Isa e eu) com o estádio em fundo
E com os companheiros de viagem, Sequeira e Júlia

Leiria teve uma Meia-Maratona que se disputou entre 1999 e 2001 e uma nova em 2014. Ontem foi a 2ª edição dessa e espero que tenha regressado para ficar pois foi uma muito agradável manhã que se passou na bela cidade do Rio Lis.

Com uma organização muito cuidada por parte da Atletas.Net e que nada descurou, juntou-se um percurso que soube aproveitar as facilidades do local, além dum bom ambiente na zona de partida/chegada da meta. O ponto alto foi a passagem na pista do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, local com excelentes condições para a prática das diversas especialidades do Atletismo.

O tempo esteve agradável e, para obstar a temperaturas mais altas, tínhamos à disposição 5 reabastecimentos durante os 21.097 metros, 2 com gomos de laranja (que sabem sempre muito bem). No final, tivemos à disposição para os retemperadores e necessários duches, os balneários do referido estádio construído para o Euro 2004.

Foi assim uma óptima decisão ter escolhido esta Meia e, sem qualquer dúvida, fiquei cliente!

Como se viu, foi uma grande manhã, resta saber da prova. E como já notaram pelo título, foi completamente inesperada. Passo a relatar.

O meu objectivo é estar em condições a 2 de Dezembro para a Maratona de Valência e não me tenho poupado a esforços nesta fase crítica da preparação. Assim, não me poupei para esta Meia. Nos últimos 12 dias tinha treinado em 11, apenas descansando no dia a seguir ao treino de 30 km. Receava estar algo desgastado mas era assumido.

Assumida era também a certeza que neste ano não conseguia um sub 2 horas em Meia, algo que é sempre um feito para mim e onde, antes de ontem, tinha conseguido apenas por 9 vezes em 57 Meias (6 delas nos anos loucos de 2016/2017).
A melhor marca deste ano estava em 2.05.09 e se fizesse na casa das 2.05 já ficava muito feliz.  

Esta era a situação antes da partida mas sabemos que estar numa prova por vezes transfigura-nos.

Dada a partida, fiz um primeiro quilómetro mais comedido para no segundo, com a bela  passagem pelo estádio, começar a colocar-me no ritmo que considerava bom e confortável qb e que para minha surpresa estava em valores que não esperava. Mas como me sentia bem, segue!

Ia correndo, gostando de como me sentia, gostando do percurso e não sabendo até quando aguentaria assim. Mas só havia uma maneira de saber, continuar e logo se via.

Entre os 8 e os 19 km saímos da cidade e fomos estrada fora, passando por algumas localidades (esta parte fez-me lembrar a Nazaré quando vamos a Famalicão). Este troço é ligeiramente ondulado, dando a sensação que no regresso as subidas seriam mais duras do que na realidade foram, pouco se notando para ser franco.

No retorno, perto dos 14 km, comecei a perceber que iria aguentar o ritmo até ao fim e, contas feitas, que iria terminar na casa das 2.02 o que considerava fantástico. Mais à frente vi que afinal seria nas 2.01, o que ainda era melhor. E ainda mais à frente nas 2.00 o que começava a achar que era bom demais para ser verdade.

E é então que passo na placa do km 18, faço contas e... "ai que isto pode dar para abaixo das 2!!!". Agarrei-me com todas as forças a essa perspectiva nunca imaginada antes da prova. Se alguém me tivesse dito que iria fazer sub 2 horas, ligaria para o 112 para virem interná-lo. No entanto... a coisa estava a dar e essa subida de adrenalina fez-me anestesiar o cansaço e apenas pensar em ser o mais rápido que pudesse. E o 19º km foi o mais rápido até ao momento, logo batido pelo 20º e novamente pelo 21º onde quase entrei no minuto 4 (5.05). 

Cortei assim a meta feliz da vida em 1.58.49 (sim, até foi abaixo da 1.59). Feliz e surpreendido pois nunca imaginei ser possível. Registei o meu décimo sub 2 horas na minha Meia número 58.
A primeira metade em 59.59 e a segunda em 58.50

Depois da meta falei com a Lígia, que já tinha visto antes da prova e que foi praticamente quando a conheci depois dum muito rápido alô antes da Maratona do Porto, e fiquei a saber que tinha sido a vencedora do escalão de veteranas! Muitos parabéns Lígia e muita força para o dia 4!!! 

Agora, há que continuar o trabalho planeado e que está a provar que foi bem planeado. No próximo domingo há nova Meia, a da Ponte Vasco da Gama mas esta será a um outro ritmo, mais calmo, por questões estratégicas do plano.

Uma boa semana a todos!