domingo, 14 de outubro de 2018

Na Meia da Ponte Vasco da Gama sem ponte (os furacões são anti-Meias?)

A armada 4 ao Km no autocarro a caminho da partida (Vitor, Aurélio, eu e Isa)

A Meia-Maratona de Lisboa (mais conhecida por Meia da Ponte 25 de Abril) tem 28 edições. A Meia-Maratona de Portugal (mais conhecida pela Meia da Ponte Vasco da Gama) tem 19 edições. Nunca desde o início de ambas tinha sido necessário accionar o plano B. Coincidência das coincidências, este ano foi em ambas! Em Março foi o furacão Félix, agora o Leslie. Será que os furacões são anti-Meias?

Para qualquer organização uma mudança em cima da hora é um verdadeiro turbilhão. Para mais numa prova com a dimensão de participantes que ambas têm e com uma logística tão complicada. E se em Março já havia suspeita, uns dias antes, que algo pudesse obrigar ao plano B, agora foi mesmo muito em cima da hora. 

E a organização, tal como da anterior vez, respondeu o melhor que foi possível, dadas as contrariedades e directrizes da Protecção Civil. 
Mas se em Março nada houve a apontar, desta feita houve uma situação que provocou muitos constrangimentos às atletas femininas em especial.
Como se sabe, a particular logística obriga a que se vá muito cedo para a partida, chegando os atletas aí uma hora e meia a duas horas antes, e a distância obriga a que os atletas se vão hidratando convenientemente. Ora as casas de banho são fundamentais e não houve. Estamos a falar dum viaduto sem nada mais ao pé, sejam cafés ou qualquer outro tipo de estabelecimentos ou casas. 
A solução foi ir-se furando pelos atletas da Mini para se descer do viaduto e arranjar um sítio para aliviar a bexiga. Mas isto sendo homem que qualquer lugar serve. Para as muitas atletas femininas, foi um pesadelo tentar arranjar algo parecido com um sítio adequado, além da necessária dignidade. 
Alguma razão terá havido para esta situação, mas que criou constrangimentos, criou.

Agora debaixo do viaduto da partida, onde fomos procurar uma casa de banho improvisada
A partida, também pelo alerta vermelho da véspera, teve que ser alterada para as 11.30 mas felizmente a temperatura não esteve demasiada alta e o receio do muito vento pouco se fez sentir, não influenciando em nada.

O que notei no pelotão foi um número muito grande de atletas estrangeiros. Muitos mesmo, o que é de enaltecer pelas vantagens que trazem. Curiosamente, íamos no autocarro e a Isa comentou que devíamos ser os únicos portugueses naquela viagem. Olhámos à volta e, efectivamente, não vislumbrámos mais nenhum tuga.

Após a grande Meia que fiz em Leiria, combinei comigo próprio que esta era mais calma. Duas semanas seguidas no limite criam um desgaste grande, ampliado pela muita carga que estou a dar nos treinos, e estando a começar outra semana de carga, e com 30 km previstos no sábado, era altura de não desgastar demais.
É verdade que iria ficar muito feliz com outro sub 2 horas e estava ao meu alcance mas... o meu grande objectivo, a minha "medalha de ouro olímpica" é conseguir terminar a minha 10ª Maratona a 2 de Dezembro em Valência e é para isso que estou a envidar todos os esforços e a sobrepor todo e qualquer objectivo. 

Idealizei assim um tempo por km que fosse bom mas dentro do confortável, apontando como melhor para as 2.03 (mais 5 minutos que Leiria). 
Parti e coloquei um ritmo certinho dentro do que tinha idealizado e fui muito fiel a esse tempo. De tal maneira que a partir dos 4 km tive 7 km consecutivos em que a diferença de tempo por km foi de 1 segundo apenas, ao melhor estilo de relógio suiço.
Sentia ser um ritmo bom mas confortável e foi assim que prossegui. 

Fui-me entretendo a olhar para as camisolas dos atletas que me rodeavam e alturas houve que julguei estar a correr no estrangeiro pois via grande parte de camisolas que não costumo ver.

A minha dúvida era se quebraria o ritmo na longa subida de mais dum quilómetro para o Marquês, já com 18 Km nas pernas, mas aguentei-me bem (como disse, ia confortável), e assim fui até à meta que cortei com 2.02.33, um registo bom para mim, sendo muito bom se considerarmos que saiu assim sem me ter esforçado ao limite, ficando muito satisfeito por uma Meia confortável ter dado a minha 14ª melhor marca em 59 Meias que já realizei (na Nazaré será a 60ª)

4 atletas felizes, todos com medalha ao peito!
Desde a Corrida do Tejo que as coisas entraram, finalmente, nos eixos após um período em que me esforçava muito mas não saía o que esperava. Confesso, e confidenciei com duas pessoas, que andava numa crise de confiança mas aquela Corrida do Tejo (a tal que despertei o lobo hibernado) foi a ignição para a confiança regressar. E todos sabemos como é importante estar confiante para alcançar o que não parece alcançável.

Tínhamos terminado a Meia mas muitos atletas da Maratona ainda estavam ao serviço quando nos dirigimos do Terreiro do Paço para apanharmos o Metro no Cais do Sodré, aproveitando para incentivar quem estava nas centenas de metros finais duma prova tão desgastante como o é a Maratona. 
Conheço bem toda a carga emocional dum evento assim para alguém que se está a superar ao ter a coragem de a enfrentar e tocou-me ver uma atleta, talvez da minha idade, a tapar os olhos com as mãos, chorando emocionada por estar tão perto da meta. Claro que ainda gritámos mais a apoiá-la. Como a compreendo e, para quem vive estas emoções como vivo, confesso que me deixou meio glup...

A luta pela meta em Valência continua e esta semana vai ser mais uma a dar no duro, culminando no sábado onde espero conseguir juntar mais 30 ao meu conta-quilómetros.
Em matéria de corridas, a próxima é a bela da sopa da pedra. Opps, queria dizer que eram os 20 quilómetros de Almeirim daqui a duas semanas.

E aqui com o Nuno Sentieiro que completou a sua 27ª Maratona!!! Muitos parabéns grande Nuno!
Houve novidades em relação à Maratona de Lisboa e aos máximos registados em Portugal. Colocarei aqui a estatística actualizada a meio da semana.
Em relação à Meia, foram os melhores tempos de sempre nesta Meia. Em masculinos o marroquino Mustapha El Aziz marcou 1.00.16 (anterior melhor marca vinha de 2013 1.00.19 de Wilson Kirop) e em femininos Yebrgual Melese Arage registou 1.07.18 (quando a anterior vinha de 2011 com 1.07.53 de Mary Keitany)





segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Na muito agradável Meia de Leiria (com marca inesperada!)

Os 4 ao km presentes (Vitor, Isa e eu) com o estádio em fundo
E com os companheiros de viagem, Sequeira e Júlia

Leiria teve uma Meia-Maratona que se disputou entre 1999 e 2001 e uma nova em 2014. Ontem foi a 2ª edição dessa e espero que tenha regressado para ficar pois foi uma muito agradável manhã que se passou na bela cidade do Rio Lis.

Com uma organização muito cuidada por parte da Atletas.Net e que nada descurou, juntou-se um percurso que soube aproveitar as facilidades do local, além dum bom ambiente na zona de partida/chegada da meta. O ponto alto foi a passagem na pista do Estádio Dr. Magalhães Pessoa, local com excelentes condições para a prática das diversas especialidades do Atletismo.

O tempo esteve agradável e, para obstar a temperaturas mais altas, tínhamos à disposição 5 reabastecimentos durante os 21.097 metros, 2 com gomos de laranja (que sabem sempre muito bem). No final, tivemos à disposição para os retemperadores e necessários duches, os balneários do referido estádio construído para o Euro 2004.

Foi assim uma óptima decisão ter escolhido esta Meia e, sem qualquer dúvida, fiquei cliente!

Como se viu, foi uma grande manhã, resta saber da prova. E como já notaram pelo título, foi completamente inesperada. Passo a relatar.

O meu objectivo é estar em condições a 2 de Dezembro para a Maratona de Valência e não me tenho poupado a esforços nesta fase crítica da preparação. Assim, não me poupei para esta Meia. Nos últimos 12 dias tinha treinado em 11, apenas descansando no dia a seguir ao treino de 30 km. Receava estar algo desgastado mas era assumido.

Assumida era também a certeza que neste ano não conseguia um sub 2 horas em Meia, algo que é sempre um feito para mim e onde, antes de ontem, tinha conseguido apenas por 9 vezes em 57 Meias (6 delas nos anos loucos de 2016/2017).
A melhor marca deste ano estava em 2.05.09 e se fizesse na casa das 2.05 já ficava muito feliz.  

Esta era a situação antes da partida mas sabemos que estar numa prova por vezes transfigura-nos.

Dada a partida, fiz um primeiro quilómetro mais comedido para no segundo, com a bela  passagem pelo estádio, começar a colocar-me no ritmo que considerava bom e confortável qb e que para minha surpresa estava em valores que não esperava. Mas como me sentia bem, segue!

Ia correndo, gostando de como me sentia, gostando do percurso e não sabendo até quando aguentaria assim. Mas só havia uma maneira de saber, continuar e logo se via.

Entre os 8 e os 19 km saímos da cidade e fomos estrada fora, passando por algumas localidades (esta parte fez-me lembrar a Nazaré quando vamos a Famalicão). Este troço é ligeiramente ondulado, dando a sensação que no regresso as subidas seriam mais duras do que na realidade foram, pouco se notando para ser franco.

No retorno, perto dos 14 km, comecei a perceber que iria aguentar o ritmo até ao fim e, contas feitas, que iria terminar na casa das 2.02 o que considerava fantástico. Mais à frente vi que afinal seria nas 2.01, o que ainda era melhor. E ainda mais à frente nas 2.00 o que começava a achar que era bom demais para ser verdade.

E é então que passo na placa do km 18, faço contas e... "ai que isto pode dar para abaixo das 2!!!". Agarrei-me com todas as forças a essa perspectiva nunca imaginada antes da prova. Se alguém me tivesse dito que iria fazer sub 2 horas, ligaria para o 112 para virem interná-lo. No entanto... a coisa estava a dar e essa subida de adrenalina fez-me anestesiar o cansaço e apenas pensar em ser o mais rápido que pudesse. E o 19º km foi o mais rápido até ao momento, logo batido pelo 20º e novamente pelo 21º onde quase entrei no minuto 4 (5.05). 

Cortei assim a meta feliz da vida em 1.58.49 (sim, até foi abaixo da 1.59). Feliz e surpreendido pois nunca imaginei ser possível. Registei o meu décimo sub 2 horas na minha Meia número 58.
A primeira metade em 59.59 e a segunda em 58.50

Depois da meta falei com a Lígia, que já tinha visto antes da prova e que foi praticamente quando a conheci depois dum muito rápido alô antes da Maratona do Porto, e fiquei a saber que tinha sido a vencedora do escalão de veteranas! Muitos parabéns Lígia e muita força para o dia 4!!! 

Agora, há que continuar o trabalho planeado e que está a provar que foi bem planeado. No próximo domingo há nova Meia, a da Ponte Vasco da Gama mas esta será a um outro ritmo, mais calmo, por questões estratégicas do plano.

Uma boa semana a todos!






sábado, 29 de setembro de 2018

Uma muito boa trintena!

Quando fiz o treino de 30 em Agosto, tive que começar às 6 em virtude do calor. Nessa altura pensei que a trintena seguinte, apontada para final de Setembro, já poderia ser um pouco mais tarde. Engano! O calor mantém-se e daí a necessidade de iniciar a essa hora. A diferença em relação ao mês passado é amanhecer mais tarde, sendo assim quase metade do treino à noite.

Como ao acordar tenho que dissolver na boca um comprimido para amenizar esta questão gástrica, processo que demora perto de meia-hora, e depois aguardar outra meia hora para poder comer, tal implica que para poder arrancar às 6 tenho que despertar às 4.30

E nessa hora houve um sentimento agridoce (nada a ver contigo, Inês!). Agri quando ouvi o despertador (não, não vou repetir as palavras que disse mentalmente...) mas logo passou para doce quando me lembrei que era para fazer um treino de 30, de que tanto gosto!

Iniciei-o entre o confiante e o desconfiado. Confiante que sem problemas o faria, desconfiado por não saber se iria ter problemas. Estou a referir-me à questão gástrica que anda aleatória. Por exemplo, tudo bem no domingo onde pude fazer uma boa Corrida do Tejo, tudo bem na 4ª onde fiz as melhores séries deste ano, tudo mal na 5ª onde o treino de 10 km teve que ser encurtado para 6 e com uma média de 7 ao km, imaginem!!! (dá para ver como me afecta). Felizmente hoje foi um dia bom!  

No início não via ninguém até passar ao lado da Praia da Torre onde várias dezenas de jovens vinham duma festa qualquer. Passar no meio deles quase que me embriagou só pelo cheiro que estava no ar... Mais à frente, iam duas adolescentes e uma disse-me "oh senhor, correr a esta hora? Esta hora é para estar a dormir!". Nem respondi pois o que poderia dizer a alguém que ainda não tinha ido à cama às 6 e qualquer coisa da manhã?

E aí fui eu num ritmo certo e tive a sorte de ter companhia entre os 7 e os 11, o que é sempre uma preciosa ajuda (muito obrigado João Ricardo e muita sorte para a estreia na mítica distância em Lisboa e vemo-nos na maravilhosa Maratona de Sevilha)

Em Agosto tinha registado 3.20.29 e passei hoje à metade em 1.37.11, o que indiciava um tempo final de 3.14, portanto 6 minutos melhor. Mas nessa altura, e por ir a sentir-me bem, lancei-me um desafio: "E se fizer abaixo de 3.10?", ao que respondi "Mas para isso tinha que registar 1.32 na segunda metade, menos 5 minutos!", ao que retorqui "Sim, não é fácil. Mas se tentares?" ao que me levou à decisão de "Vamos tentar!". E assim foi.

Quilómetro a quilómetro a média ia aproximando-se do ideal e sempre a sentir-me bem. Nada como correr como boas sensações! Será que daria assim até ao fim? Não percam a resposta nos próximos capítulos, ou seja, já a seguir.

Deu! Terminei em 3.09.37, cansado mas feliz por sentir que foi um bom treino que me aproximou mais de Valência. 
Ainda há muito trabalho pela frente, há que tentar mitigar este problema (daqui a 10 dias tenho uma consulta) mas as coisas parecem (finalmente!) começarem a endireitar em termos de performance.

Na próxima semana tenho uma Meia-Maratona em Leiria. E ao contrário do que se possa imaginar, não é estreia pois já se realizou em 2014. Estreia será para mim pois nunca corri na bela cidade do Rio Lis.  

Para a semana cá estarei com o seu relato. Até lá, façam o favor de serem felizes!

domingo, 23 de setembro de 2018

Na Corrida do Tejo ou o dia em que o lobo saiu enraivecido da toca onde hibernava

Os 4 ao Km presentes (eu, Isa, Vitor e Aurélio), acompanhados pelo bom amigo João Branco

8 semanas após a última corrida (Bodo no Pombal), regressei a uma linha de partida. No entanto, e quem lê regularmente este cantinho sabe, não estive parado, longe disso pois foram mais de 400 quilómetros que foram corridos neste hiato.

Os treinos longos só dão espaço a corridas de 20 quilómetros para cima, que são as que tenho estipuladas até Valência, mas como não há regra sem excepção, a dita excepção foi hoje na Corrida do Tejo, prova clássica e emblemática do panorama nacional, umas das três de 10 quilómetros mais participada e a prova rainha do concelho ao qual tenho o prazer de residir há 33 anos, Oeiras.

Foi a minha 11ª participação neste evento e veio numa altura crítica a nível de confiança e velocidade. Se os treinos têm corrido bem a nível de resistência, a velocidade tem andado muito fraquinha, contribuindo de forma assinalável o problema gástrico que não me tem deixado e que deu nova crise ontem ao fim do dia, o que provoca barriga inchada e pesada.
Ora essa questão influencia a parte física e não permite um retemperador descanso nocturno, factor fundamental para a regeneração e assimilação da carga.

Os níveis de confiança têm andado muito baixos e esta semana caíram ainda mais. E foi assim que me apresentei na linha, sem confiança mas com muita vontade (aliás, no dia que a vontade e motivação não estiverem nos 100%, o apocalipse deve estar para se dar...).

Dizia, com toda a sinceridade, que ficaria muito feliz se fizesse na casa dos 56 pois via essa marca como improvável de ser alcançada hoje, e não era bluff, era bem sentido.

Mas as corridas provocam coisas extraordinárias. Aquele ambiente mexe connosco. A sensação de estar na linha de partida, seja a 1ª corrida ou a 432ª (como foi o caso), é sempre especial, juntando-se a responsabilidade de ter um dorsal ao peito.
E por falar em dorsal, o orgulho de ver, pela última vez, o carimbo de sub50, marca que tanto lutei (10 anos...) para conseguir. E digo última vez pois a validade para termos direito a partir dessa porta é dum ano e fará um ano um Dezembro que registei o último sub50, não tendo até lá mais corridas desta distância.

Apesar de ter o referido carimbo de sub50, entrei na porta sub60 (podemos entrar em portas atrás, nunca à frente, como é natural), pois sei que não estou com esse ritmo e não quis atrapalhar quem lá estava. 

Na linha de partida
Deu-se a partida e as interrogações eram muitas. Será que iria fazer minimamente bem a prova. Será que vou para um descalabro?

Passados 100 metros, as dúvidas eclipsaram-se. Fico ofendido comigo próprio quando não estou confiante, quando estou negativo. E isso enraivece-me. E quando fico enraivecido... senti o lobo a sair da toca onde esteve estes meses hibernado. Um lobo enraivecido e... toca de ir por aí fora. É para dar o tudo por tudo até onde for possível!

E assim foi. O lobo não se deixou importunar com o muito calor. Quando se fica assim enraivecido, anestesia-se algumas sensações, sejam térmicas ou de cansaço.

Quilómetro a quilómetro, sempre certo sem qualquer quebra. Passagem aos 5 em 26.38 o que indiciava um surpreendente tempo na casa dos 53. Para quem ficaria muito feliz com os 56...

Havia que aguentar na subida dos 7. Feito!
Havia que gerir a descida (meu ponto fraco) para os 8. Feito!
Havia que aguentar na subida do Inatel. Feito.
E agora havia o último quilómetro para fazer e para desfrutar do caminho para a meta.

Meta cortada em 53.11 (após os 26.38 da 1ª metade, 26.33 na 2ª) e muito feliz. Não apenas pela marca mas mais pelas sensações que, ao contrário do que tem sucedido ultimamente, foram óptimas. E nem acabei demasiado cansado!

4 atletas felizes após a meta. Correr é uma felicidade ou não?
Dizia antes da corrida que estava a precisar duma prova ou treino que me corresse muito bem. Ora cá está! 

Agora, mais uma semana de treinos para no sábado tentar um longo de 30.

Uma boa semana a todos!



E já que falei vários vezes em lobos, tenho que acabar com uma foto da Farrusca a quem chamo carinhosamente de Lobinha e de quem sou "avô" :)



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Actualização do top-10 nacional de Maratona


Com a brilhante prestação de Salomé Rocha na Maratona de Berlim, onde registou a marca de 2.25.27, melhorando em 1 minuto e 41 segundos o seu anterior máximo realizado em Praga a 7 de Maio de 2017, houve uma alteração no top10 nacional em Maratona.

Salomé Rocha subiu de 8ª melhor de sempre para 7ª, ultrapassando Albertina Dias, cujas 2.26.49 também tinham sido obtidas em Berlim, 25 anos atrás.

A relação passa agora a ser a seguinte:

1.
Rosa Mota
2.23.29
Chicago
1985-10-20
2.
Jéssica Augusto
2.24.25
Londres
2014-04-13
3.
Sara Moreira
2.24.49
Praga
2015-05-03
4.
Marisa Barros
2.25.04
Yokohama
2011-02-20
5.
Manuela Machado
2.25.09
Londres
1999-04-18
6.
Dulce Félix
2.25.15
Londres
2015-04-26
7.
Salomé Rocha
2.25.27
Berlim
2018-09-16
8.
Albertina Dias
2.26.49
Berlim
1993-09-26
9.
Filomena Costa
2.28.00
Sevilha
2015-02-22
10.
Helena Sampaio
2.28.06
Amesterdão
2003-10-19

De registar que 6 das 10 marcas foram obtidas na década em curso.

Em sentido inverso está o top10 masculino cuja última actualização data de 2006. 

1.
António Pinto
2.06.36
Londres
2000-04-16
2.
Carlos Lopes
2.07.12
Roterdão
1985-04-20
3.
Domingos Castro
2.07.51
Roterdão
1997-04-20
4.
Manuel Matias
2.08.33
Gyeongju
1994-03-20
5.
Luís Jesus
2.08.55
Paris
2006-04-09
6.
Joaquim Pinheiro
2.09.11
Otsu
1997-03-02
7.
Alberto Chaiça
2.09.25
Paris
2003-08-30
8.
Luís Novo
2.09.41
Berlim
2004-09-26
9.
Hélder Ornelas
2.10.00
Milão
2005-12-04
10.
Joaquim Silva
2.10.42
Viena
1994-04-10

domingo, 16 de setembro de 2018

20 maus*

* Até poderia ter colocado como título "João e os 20 maus" que ficava mais semelhante ao "Ali Babá e os 40 ladrões", mas como os 20 foram km e não pessoas, ficou assim...

Aqui estou de regresso à escrita após uma ausência de duas semanas por uma boa causa como o são as férias.

Foram duas óptimas semanas, muito descansadas em terras algarvias já calmas após o rebuliço que por ali são sempre Julho e Agosto.

Os treinos foram dia sim dia não, e cumpri com tudo o que tinha planeado. E três deles foram na pista de Cross das Açoteias onde em 2010 decorreu o Europeu de Cross que consagrou Jéssica Augusto como campeã europeia, num evento que tive o prazer de presenciar in loco. 

Num desses treinos fui acompanhado num km por Miguel Fonseca de Coimbra que me reconheceu daqui do blogue.

Noto que a resistência continua a estar minimamente satisfatória, o mesmo não se passa com a velocidade que está muito fraquinha desde os problemas entre Maio e Julho.

De regresso a casa, fiz um longuito, ontem já de noite. Estavam planeados 24 mas antes do arranque já tinha decidido encurtar para 20. Isto porque dois dias antes tinha, inadvertidamente, comido qualquer coisa com lactose. Problemas de comer fora e por mais cuidado que se tenha, pode haver qualquer coisa encoberta o que foi o que sucedeu. E como a minha intolerância está no máximo...

Assim, estava com a barriga muito inchada, pesada e com cólicas, além da disposição geral ficar naturalmente afectada.

Tudo isto redundou num treino muito complicado e difícil, onde os quilómetros estavam muito longos e nunca mais conseguia ver o fundo ao tacho. 
Basta dizer que estes 20 km aproximaram-se das duas horas e meia para se constatar a desgraça que foi!!! 
Único ponto positivo, o ter aguentado até ao fim.

Passando esta crise, que costuma durar até uns 3 dias, e hoje está melhor, tudo voltará ao normal. E por falar em voltar, no domingo irei regressar a uma corrida (a anterior foi em Pombal final de Julho), com a clássica Corrida do Tejo.

Entretanto não quero terminar sem falar no dia histórico que hoje foi para o Atletismo, com novo record mundial de Maratona. Local? Berlim... pela 8ª vez na sua história, sendo a 7ª consecutiva!

E se bater um record mundial é sempre brutal, o que dizer quando o é por 1 minuto e 18 segundos?!? Efectivamente, as 2.02.57 que Dennis Kimetto tinha registado em 2014, baixaram hoje, por Eliud Kipchoge, para 2.01.39!!! Média de 2.53,0 por km!!!

Já vamos no minuto 1!!! Sempre disse que gostava de ainda ser vivo no dia que se baixassem das 2 horas. Pois hoje foi dado mais uma forte aproximação. 
Como me recordo do record mundial do Carlos Lopes em 1985 com 2.07.12! Tempo que agora está em 468º na relação de tempos de sempre...

Entretanto Carla Salomé Rocha bateu o seu record pessoal, passando de 2.27.08 para 2.25.27 e passando de 8ª a 7ª melhor portuguesa de sempre. Durante a semana publicarei o top10 nacional actualizado. 
Até lá, uma boa semana a todos!