terça-feira, 3 de janeiro de 2017

As provas acima do milhar em 2016


Pelo 6º ano consecutivo, publico aqui a relação de provas disputadas em Portugal com número de classificados acima do milhar (para ver os anos anteriores, clicar em: 2011 - 2012 - 2013 - 2014 - 2015)

Apesar se ter registado maior número de atletas a correrem no total de todas as provas disputadas no nosso país, o facto de surgirem um número mais elevado de eventos, muito em especial na vertente trilhos, origina uma maior dispersão, resultando em quebra de participantes em várias provas. A omnipresença ainda não é um atributo dos atletas.

Assim, em 2016 o número de provas acima do milhar diminuiu de 62 para 58 (o valor de 2014), numa rara descida nos últimos anos, apenas a 2ª desde 2005 como se pode comprovar neste quadro

Ano
Provas acima milhar
Prova mais participada
2005
13
4.501
2006
15
5.212
2007
20
7.161
2008
29
8.961
2009
30
9.147
2010
35
9.262
2011
37
9.346
2012
42
8.888
2013
59
8.050
2014
58
9.403
2015
62
10.880
2016
58
10.281

Destas 58, 49 constavam nesta relação no ano passado, 3 alcançaram este estatuto em 2016 tendo estado abaixo do milhar em 2015, 5 entraram directamente na sua 1ª edição e 1 reentrou após não se ter disputado nos últimos anos (a sua edição anterior era de 2010).

Das listadas em 2015, 8 baixaram dos mil em 2016 e 5 não se disputaram.

Nestas 58, e contando com as 52 que se disputaram em 2015 e 2016, temos curiosamente um empate. 26 aumentaram a participação em relação ao ano passado e 26 desceram. No entanto, o saldo de atletas é negativo, -4.635

O total de participantes nestas 58 provas é de 154.906

Quanto à prova mais participada, a vencedora foi a Meia-Maratona de Lisboa (Ponte 25 de Abril) que já tinha estado neste 1º lugar em 2013 e 2014, tendo descido em 2015 para 2º mas a pouca distância da maior de 2015, a São Silvestre do Porto que este ano foi a 2ª classificada mas a 1.488 da Meia da Ponte.

Resta referir, como curiosidade, que o mês com maior número de provas acima do milhar é Dezembro com 10 eventos e o menor é Agosto sem qualquer uma. Aliás, em todo o historial de provas em Portugal, não está registada nenhum que se tenha disputada nalgum ano em Agosto e registado mais de mil atletas na meta.

Relação das provas com mais de mil classificados em 2016 


Data
2016
2015
Dif
26
20-mar
10.281
10.561
-280
23
18-dez
8.795
10.880
-2.085
36
25-set
6.765
7.273
-508
9
31-dez
6.321
10.148
-3.827
11
10-abr
6.146
5.718
428
17
2-out
5.829
6.206
-377
4
23-out
5.531
4.878
653
10
18-set
5.285
5.196
89
13
6-nov
4.736
4.406
330
59
11-dez
4.701
3.606
1.095
13
20-mar
3.965
4.745
-780
11
15-mai
3.775
2.850
925
12
11-jun
3.631
3.790
-159
4
2-out
3.540
3.828
-288
6
2-jul
3.162
3.918
-756
37
25-jun
2.787
2.728
59
18
17-jan
2.776
2.372
404
17
12-jun
2.748
3.452
-704
58
28-dez
2.667
2.490
177
4
4-dez
2.638
2.887
-249
9
6-nov
2.533
2.694
-161
6
4-jun
2.525
1.949
576
26
31-jan
2.481
2.238
243
33
7-fev
2.277
2.258
19
1
28-fev
2.245
-
-
4
16-abr
2.216
2.039
177
59
8-dez
2.178
1.754
424
3
8-mai
2.043
916
1.127
11
15-mai
1.955
1.488
467
39
30-dez
1.804
1.800
4
28
2-out
1.773
1.875
-102
3
3-abr
1.691
1.959
-268
29
4-set
1.643
1.596
47
34
3-abr
1.604
1.559
45
21
6-mar
1.577
1.683
-106
13
13-mar
1.565
1.384
181
8
16-out
1.493
1.126
367
1
15-set
1.450
-
-
35
1-mai
1.434
1.391
43
9
18-set
1.384
1.750
-366
1
23-jan
1.373
-
-
17
28-fev
1.368
1.813
-445
1
23-dez
1.332
-
-
28
30-dez
1.320
1.434
-114
2
30-abr
1.306
1.157
149
3
27-nov
1.252
1.250
2
5
22-mai
1.175
1.841
-666
42
31-dez
1.165
1.295
-130
3
11-set
1.151
743
408
3
14-mai
1.149
1.404
-255
2
20-nov
1.126
-
-
7
13-nov
1.113
1.414
-301
21
14-fev
1.040
1.042
-2
1
06-mar
1.037
-
-
27
6-nov
1.018
1.159
-141
28
3-jul
1.017
1.029
-12
3
16-jul
1.012
936
76
15
5-jun
1.002
1.080
-78

Relação das provas com mais de mil classificados em 2015 mas menos em 2016


Data
2016
2015
Dif
3
17-dez
978
1.084
-106
4
4-dez
959
1.331
-372
3
19-jun
955
1.205
-250
32
8-mai
911
1.277
-366
3
24-set
888
1.324
-436
39
17-dez
883
1.111
-228
3
23-out
835
1.045
-210
3
27-nov
754
1.235
-481

E por fim, as provas acima do milhar em 2015 mas que não se disputaram em 2016


Data
2016
2015
Dif
3
-
-
2.555
-
4
-
-
2.015
-
4
-
-
1.866
-
1
-
-
1.205
-
2
-
-
1.035
-

Aguardemos o que 2017 reservará. Daqui a um ano saberemos.

Até lá... corram e sejam felizes!

domingo, 1 de janeiro de 2017

São Silvestres de Lisboa e Amadora - Sessão dupla para terminar o ano em beleza

No último dia do meu 11º ano de corridas, fiz pela primeira vez duas corridas no mesmo dia, as São Silvestres de Lisboa e Amadora, forma de comemorar em beleza um ano inesquecível no que às corridas diz respeito. Mas sobre o que foi este meu ano de ouro, 5ª ou 6ª sairá um artigo correspondente. Antes, na 3ª feira, o habitual artigo das provas que ultrapassaram o milhar de classificados.

Ora, ao ineditismo de duas corridas no mesmo dia, sucede que foram também as primeiras corridas após o nascimento de duas crianças muito especiais. Daí, quis dedicar cada corrida a cada uma. Assim, e como as senhoras vêm primeiro, a de Lisboa foi dedicada à Filipa e a Amadora ao Tomás, desejando-lhes as maiores felicidades pela vida fora, em conjunto com os seus babados pais, os meus grandes amigos Sandra e Nuno.

9ª São Silvestre de Lisboa - 10.30
A equipa 4 ao Km (João Cravo, eu e Eberhard) com a muito agradável companhia do grande João Branco

Aqui já equipado com a (bonita) camisola da equipa 

Manhã fria mas muito bonita. Esplanadas junto ao rio cheias de estrangeiros aproveitando um bem que se lhes escapa nos seus países.

Muito entusiasmo por parte de todos num ambiente de festa e muito bem preparado pela organização. 
Excepcionalmente foi de dia. Esta São Silvestre é sempre disputada no último sábado do ano mas, como coincidiu com o 31 e a Amadora, realizou-se de manhã.
É certo que de noite tem um encanto especial pelas iluminações mas, para um "cegueta" como eu, ser de manhã teve a grande vantagem de poder ver bem onde ponho os pés. 

Como não sabia como iria reagir na Amadora ao esforço da manhã, queria aqui fazer uma corrida mais calma.
Quem me conhece bem, sabe que sou muito disciplinado e ponderado a gerir estes aspectos. Mas não há regra sem excepção e hoje esqueci o gerir. 

E houve uma razão para tal. Foi com grande orgulho que vi no dorsal a marca "Sub50". Para quem lutou 10 anos por este objectivo, ver assim impresso num dorsal é muito especial.

Reparem bem:

Aí está o sub50 após uma luta de 10 anos :)

Isso deu direito a partir na 1ª de 3 vagas, em conjunto com a elite e sub 45. Ora, quando dei por mim estava num ritmo puxado mas a aguentar bem. Pensei na Amadora mas... deixei-me ir.

E o certo é que fui lindamente até aos 6,5 km com uma média que dava para 49.50 e a perspectiva de fazer novo sub50 impulsionava-me.

Mas eis que surge aquele empedrado irregular entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço e que me fez quebrar um pouco o ritmo, algo que já não consegui recuperar, pois a partir do Rossio dá-se a longa subida de quilómetro e meio para o Marquês. 

Sim, sim, eu sei que é pouco inclinada mas antes prefiro aquelas mais íngremes e curtas, pois faz-se um esforço e está-se lá em cima, do que esta que vai massacrando.

Se não tivesse quebrado um pouco naquele empedrado e tivesse mantido a média que dava para sub50, teria feito a subida com outra estamina mas estando já fora de hipótese, limitei-me a fazer a subida o melhor que pude para depois soltar tudo na descida após o Marquês, tendo registado no último quilómetro 4.18

Cortei a meta em 51.23 que é, entre 160 corridas que já realizei de 10 km, a minha 11ª melhor, a 10 segundos do top-10 e, por 4 segundos, o meu record nesta prova.

Terminei em 2.329º entre 6.321 classificados mas na classificação do último quilómetro melhorei para 2.259º
Neste aspecto, o melhor foi o 4º da geral, Emanuel Rolim, que despachou os últimos mil metros em 2.26 (!), menos 6 segundos que o segundo melhor, o vencedor Hermano Ferreira.
Destaque igualmente para Jéssica Augusto que, além de ter triunfado no sector feminino e na guerra dos sexos (reforçando a supremacia das mulheres para 5-3), foi a 4ª melhor neste último quilómetro, com o tempo de 2.39 que é melhor que 9 dos 12 masculinos que ficaram à sua frente na classificação geral.


A dar-lhe bem com o João Cravo

Terminada esta primeira corrida, a minha preocupação prendia-se com o que tinha abusado e não deixado margem para a Amadora.
No entanto, posso desde já adiantar que ainda bem que o fiz pois aguentei-me bem na Amadora e se tivesse poupado de manhã nunca saberia que afinal dava para as duas desta maneira.



42ª São Silvestre da Amadora - 18.00

Com Vitor e Isa (faltando na foto o Eberhard que não o encontrámos na altura). Disposição como se comprova nos sorrisos :)

Esta é a única prova que, em 11 anos de corrida, estive sempre inscrito. Porém, as 11 inscrições resultaram em 10 presenças pois em 2008 parti uns dias antes o pé esquerdo.
E só algo de muito impeditivo, como um pé partido, me faria faltar a esta emblemática prova e seu maravilhoso público que aguentou o frio que fazia.

Ligeiras alterações no percurso, mantendo toda a sua característica, realçando-se a partida num local mais espaçoso (diminuindo o risco de queda como no ano passado) e o tão desejado regresso da mítica subida dos comandos, verdadeiro ex-libris da prova.
Nova organização em muito bom nível, como sempre nos habituaram.

Segunda partida do dia. Venham estes 10
Dado o arranque tentei colaborar no ritmo da Isa e Vítor que iam tentar uma boa marca e, assim distraído e com os aplausos do público, os primeiros 5 quilómetros passaram-se num instante.

Na descida para o Rodízio, onde depois inicia-se a subida dos comandos, vi que iam bem e já estava a custar um pouco acompanhá-los, então salvaguardei ligeiramente o ritmo e com a certeza que iria aguentar bem a prova. Antes da partida cheguei a pensar que poderia passar a hora mas nesta altura já previa 58 minutos, talvez 57, o que depois da manhã e neste percurso duro, era bem bom.

No último quilómetro do ano
Fiz bem (dentro do possível) a mítica subida e depois foi manter até à meta, ainda com a subida à direita após o Babilónia e os últimos 2,5 a descer.

Acabou por ser ainda melhor do que esperava pois a meta foi transposta aos 56.39, o que considero bem bom.

Finalizei assim em beleza um ano inacreditável.



Aproveito para desejar a todos um excelente ano, extensível a seus familiares e amigos.
Além dos normais e naturais desejos de paz e saúde, o meu desejo para 2017 é que acabe o ódio e raiva que tem minado o mundo.
E tal compete a todos nós pois o ódio não está presente apenas em atentados e guerras. Cada vez mais se assiste em todos os locais e formas de expressão a opiniões / comentários carregados de ódio por todo e qualquer motivo, seja político, religioso, desportivo ou qualquer tema em que alguém tenha uma ideia diferente, vocifera sem respeitar minimamente outras opiniões.
Tanta gente inteligente que, ao ouvir algo que não concorda, dispara de qualquer maneira sem tentar sequer compreender minimamente o outro lado.
Depois ficamos espantados quando um candidato à presidência dum país com a importância dos E.U.A, vença eleições com discursos de ódio e raiva, exactamente o que mais vemos por aí...
Está nas mãos de todos e de cada um de nós melhorar este ambiente tão nocivo. Podemos ser uma simples gota de água mas todas as gotas juntas transformam-se numa torrente de água com uma força imbatível!