sexta-feira, 8 de abril de 2011

O exemplo social de Haile Gebrselassie

Falar de Haile Gebrselassie pode ter a ver sobre os seus 11 títulos mundiais, 2 olímpicos e 27 records do mundo. Mas também pode e deve ser falar da pessoa que está além do atleta. De alguém que aos 18 anos (1991) deslocou-se à Bélgica integrado na selecção etíope júnior que disputou o mundial de corta-mato, e ficou deslumbrado com o nível de vida e prosperidade que viu na Europa, na abundância de material, ele que tinha dificuldade em arranjar roupa para o dia a dia. O que foi um incentivo para criar um negócio na Etiópia. Negócio esse onde foi investindo, desde 1995, os proveitos do seu enorme sucesso na competição, numa carreira não só muito vitoriosa como longa.
Os seus investimentos dão emprego agora a cerca de 600 pessoas, mais todas as acções em prol da sociedade que Gebrselassie empreende.
Como as duas escolas que já fundou, uma na sua cidade, Assela, e outra em Bahir Dar, cuja fotografia mostra uma sua visita a esse estabelecimento de ensino onde é recebido entusiasticamente pelos miúdos que vêm nele uma lenda viva.
"A educação é a chave para combater a pobreza", é o seu lema nesta acção social.
Mas não são só os miúdos que o idolatram, é toda uma população, e não apenas pelas suas vitórias no Atletismo. Quando se desloca no seu Mercedes ganho em Estugarda aquando do seu primeiro título mundial em 1993, todos lhe acenam, falam com ele, contam-lhe os seus problemas e Gebrselassie é incapaz de dizer um não.

A Federação Mundial (IAAF) publicou uma extensa reportagem onde fala destes e outros assuntos, e cuja leitura recomendo vivamente. Para tal, clicar aqui

Haile Gebrselassie é um campeão dentro e fora das pistas e onde junto a todas as suas medalhas, reina a medalha de ouro da nossa admiração.
Além de exemplo a todos que cegam pela procura de acumular mais e mais riqueza, condicionando gravemente a vida de muitos, os "efeitos colaterais" da sua guerra em engordar desmesuradamente a sua fortuna, nem que seja pelo simples pormenor de subirem no ranking de fortunas que alguns parasitas elaboram. E este exemplo de alguém que não esquece que está no mundo também pelo prazer da partilha, é sintomático que venha por parte de alguém do Atletismo, onde apenas se chega e mantêm-se no topo com muita persistência e capacidade de sofrimento.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Revista Atletismo de Abril

A imprescindível e sempre tão esperada Revista Atletismo, já lançou um novo número, este relativo a Abril.

Nele podemos encontrar na parte Revista Atletismo, os seguintes temas, além das rubricas habituais:
- Desenvolvida reportagem do Europeu de Pista Coberta
- Taça da Europa de Lançamentos
- Nacional de Lançamentos Longos
- Nacional de Crosse Curto
- Balanço da época de pista coberta (com respectivo dossier com todos os records)
- Campeonato do Mundo de Corta-Mato
- Crosse das Amendoeiras em Flor
- Aumento de atletas federados
- Entrevista com Rasul Dabo

Quanto ao Mundo da Corrida:
- Corrida da Árvore
- Meia-Maratona de Lisboa
- Grande Prémio de Montemor-o-Novo
- 20 kms de Cascais
- 3 Léguas do Nabão
- Maratona de Porto Santo
- Corrida das Lezírias
- Meia-Maratona de S. Miguel
- Trail de Conimbriga Terras de Sicó
- Trail do Castelejo
- Entrevista a Bernardino Pereira (grande exemplo de atleta veterano)
- Prova em destaque: Estafeta Cascais-Lisboa
- Reportagem com Amigosdacorrida.com
- Extensa reportagem sobre cuidados a ter com os pés
- Ter calma nos treinos
- 12 kms Manteigas - Penhas Douradas
- Trilhos de Mogadouro
- Portugal O'Meeting 2011

Como se vê, e como habitualmente, mais um número a ler de ponta a ponta.
Boas leituras!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Dulce Félix candidata a Atleta Europeia de Março!

Dulce Félix está num momento de forma ímpar, como o demonstram as provas mais recentes. Ainda no passado sábado, record pessoal dos 10.000 metros e a 20 de Março a extraordinária corrida que efectuou na Meia-Maratona de Lisboa, alcançando 1.08.33, novo record nacional e melhor tempo europeu do ano.

Esse é o motivo pelo qual a Federação Europeia a nomeou como uma das 8 candidatas a Melhor Atleta Europeia de Março.

As restantes são:
Charlotte Purdue, Grã-Bretanha, Corta-Mato
Bianca Perie, Roménia, Martelo
Maris Mägi, Estónia, 200 e 400 metros
Anita Márton, Hungria, Peso
Martina Ratej, Eslovénia, Dardo
Olive Loughnane, Irlanda, 20.000 Marcha
Tina Sutej, Eslovénia, Vara

Para votar, clicar aqui

terça-feira, 5 de abril de 2011

Cartaxo com novo percurso, Coruche com nova data

Abandonando a habitual data de 24 de Abril, o Grande Prémio Rui Silva, excelente evento no Cartaxo que vai para a sua 11ª edição, irá conhecer um novo percurso e hora. A prova que homenageia o nosso campeão, que ainda este sábado alcançou uma marca fantástica na sua estreia em pista nos 10.000 metros, vai ter a sua partida às 18 horas do sábado 30 de Abril, sendo que a partida e chegada estão localizadas no Estádio Municipal do Cartaxo, local onde se podem levantar os dorsais a partir das 16 horas, sendo que a corrida vai constar dum percurso plano em estrada.
No final, o prémio de presença constará de saco, t-shirt técnica e medalha.

Já relativamente à 7ª edição da Corrida das Pontes em Coruche, a data foi alterada de 8 para 29 de Maio, sendo que este ano não coincide com os Sabores Gastronómicos do Toiro Bravo.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Meia-Maratona de Foz Côa já não se realiza

A 6ª edição da Meia-Maratona dos Patrimónios Mundiais de Foz Côa, deveria ir para a estrada no próximo domingo mas já não se vai realizar. Segundo informação da Câmara, por número insuficiente de atletas.
Nas 5 anteriores, o número de classificados mediou entre os 113 e 120 nas 4 primeiras edições, baixando para 86 no ano passado.
Custos de interioridade dum país pequeno mas partido ao meio entre litoral e interior.

Recorde-se que no historial desta prova as vitórias masculinas foram divididas por apenas 2 atletas, Vasco Azevedo nas duas primeiras e Paulo Gomes nas 3 últimas, enquanto no sector feminino em cada ano houve uma vencedora diferente. A saber: Inês Monteiro, Lucinda Moreiras, Fátima Silva, Marisa Barros e Andreia Jesus.

domingo, 3 de abril de 2011

Corrida dos Sinos (quanto valem 2 segundos?)

E já aqui estão 4 Sinos!
Carlos, eu, Sandra, Filipe e Fernanda (a Mafalda como fotografou, não ficou fotografada...)
Manuel Damião e Hermano Ferreira em grande estilo a voarem para a meta
Clarisse Cruz também a aproximar-se em grande estilo do seu triunfo
Sinos e Sininhos já no estádio com bancadas cheias!
Dei tudo o que pude mas faltaram 2 segundos para o meu record pessoal...
Bem ladeada pelo Catita, Sandra vai dizimar o seu record pessoal
E Filipe em estreia aos 15 marca um excelente tempo de referência!
A sentida homenagem a Júlio Pedrosa

O momento de cortar a meta da 29ª edição da mítica Corrida dos Sinos, deu-me sentimentos antagónicos. Por um lado a alegria de ter feito um tempo como há muito não realizava nos 15 kms. As únicas 3 vezes que baixei dos 1.23 foram sempre em 2007, já lá vão 4 anos. Mas por outro, um amargo de boca por ter ficado tão perto do meu record. É de 1.20.20, fiz 1.20.22... 2 segundos, o que são?

Devo confessar que gostava de recordar a sensação de bater um record pessoal numa corrida. Todos os que consegui (10.000, 15.000 e Meia-Maratona) foram em 2007, já lá vão 4 anos. Tinha 47, agora já conto 51 anos, sabendo-se que nesta idade se vão perdendo alguns segundos por cada passar de ano. Mas luto sempre, não desisto, e ultimamente já fiquei bem perto. Na Nazaré em Novembro quedei-me a 18 segundos do record (e perdi cerca duns 20 a apertar o atacador que se soltou pela única vez em todas as minhas 161 corridas...), em Janeiro fiquei a 15 nos 10.000 em S.Domingos de Benfica, e hoje, escassos 2. Aproximar-me, aproximo, mas parece que há uma barreira que não me deixa ultrapassar. E se me esforcei bem nesta prova! Inclusive na 2ª metade (bem mais difícil que a primeira) fui mais rápido que na 1ª. Fiz um tempo muito rápido no último quilómetro e, especialmente, na pista dei o que tinha e o que não tinha. Mal cortei a meta, olhei para o relógio e... ai! É verdade que o meu objectivo inicial era 1.23 (eu dizia 1.25 para tirar pressão). Como me senti logo bem, fui puxando o máximo que podia e esse objectivo foi baixando para 1.22, 1.21, 1.20, record.

Mas pronto, chega de falar de mim e passemos aos grandes vencedores desta magnifica corrida, um trio da Conforlimpa, com Manuel Damião e Hermano Ferreira a isolarem-se de Hélder Ornelas, e Damião a fazer valer o seu final com 46.30, menos 11 segundos que Hermano e 52 sobre Ornelas que precedeu por 1 segundo Hélio Fumo.

No sector feminino, a luta deu-se entre Clarisse Cruz e Ana Mafalda Ferreira, com Clarisse a isolar-se pouco depois do meio da prova e marcar 56.11, 42 segundos menos que a Ana Mafalda. Anabela Tavares fechou o pódio em 59.45, 21 segundos à frente de Chantal Xhervelle, que competiu como sénior, o que permitiu a Alice Basílio, da equipa da casa, os Amigos do Atletismo de Mafra, vencer os veteranos em 1.01.55

Tendo as 1.500 inscrições esgotado, classificaram-se 1.337 atletas, mais 210 que no ano passado e um valor apenas ultrapassado pela última vez em 2000. O record de participação pertence a 1990 com 2.027, valor impossível de hoje se chegar, devido ao limite imposto.

Dos 1.337, 115 foram senhoras (8,6%), pertencendo 59 aos séniores e 56 veteranas.

Quanto ao historial desta prova, ambos os vencedores estrearam-se nessa condição. No sector feminino, em 29 edições Clarisse foi a 15ª vencedora, e onde a hoje presente Rosa Mota lidera com 5 triunfos, todos consecutivos, entre 1984 e 1988. Fátima Silva e Mónica Rosa seguem-na com 4 vitórias. Já no capítulo masculino, as vitórias são mais repartidas com 25 vencedores, onde apenas triunfaram mais do que uma vez, Fernando Reis 3 vitórias (1986,1987 e 1989), Carlos Capítulo e Carlos Silva ambos com duas.

Referindo o aspecto organizativo, só tenho elogios a dar pois todos os aspectos foram integral e correctamente cumpridos. No entanto, quero destacar o exemplo que deram ao separar os Sinos dos Sininhos, evitando os problemas que aqui tenho relatado na partida doutras provas.
Esta organização é um exemplo, esta prova é obrigatória!

Finalizo referindo a tocante homenagem prestada a Júlio Pedrosa, efectuada pelos seus amigos que não o esquecem.


sábado, 2 de abril de 2011

Portugal vence troféu ibérico de 10.000 metros

Realizou-se hoje em Pontevedra. Espanha, o Troféu Ibérico de 10.000 metros que, tal como o nome indica, foi um competição entre Portugal e Espanha, onde contava para a classificação a soma dos 4 melhores tempos de cada país. Paralelamente, e a nível individual, competiram reputados atletas quenianos.

Na corrida masculina, Vincent Rono do Quénia, que liderou sempre quilómetro a quilómetro, foi o primeiro a cortar a meta com o tempo de 27.52,19, seguido de muito perto por Rui Silva que marcou um excelente 27.53,55 que lhe dá, desde já, mínimos para o Mundial a disputar em final de Agosto.
Ricardo Serrano foi o melhor espanhol na 3ª posição, já a 50 segundos, com Nuno Costa em 4º (28.44,34). Os restantes portugueses classificaram-se em 6º Tiago Costa (28.52,11), 9º Luís Pinto (29.18,95), 10º Daniel Pinheiro (29.32,98) e 12º José Costa (29.49,76). Desistiram Alberto Paulo, José Rocha, Paulo Lopes, Pedro Ribeiro e Ricardo Figueiredo.
Na classificação colectiva, Portugal venceu com um total de 1.54.48,95 contra 1.56.05,84 de Espanha (uma significativa diferença de cerca de 1 minuto e 17 segundos).

No sector feminino, nada havia a fazer para contrariar a supremacia da queniana Vivian Cheruiyot, actual campeã mundial de 5.000 metros e de corta-mato. Isolou-se por volta dos 4 quilómetros e venceu com 31.07,02, à frente de Dulce Félix que, confirmando o seu grande momento, foi 2ª com 31.33,42, novo record pessoal e também mínimos para o Mundial, ultrapassando a também queniana Grace Momanyi, 3ª (32.15,06). Mónica Silva foi 7ª (33.32,55), a jovem Salomé Rocha 8ª (33.33,11), 9ª Doroteia Peixoto (33.39,53), 11ª Filomena Costa (33.59,92), 18ª Catarina Ribeiro (34.57,00) com Jéssica Augusto a abandonar.
Colectivamente, Portugal venceu com 2.12.18,61 contra 2.13.09,54 de Espanha (diferença de cerca de 51 segundos).

Vitória a toda a linha de Portugal neste Troféu Ibérico, onde os grandes nomes foram Rui Silva e Dulce Félix.