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| Com o Vítor e Isa |
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| Com o Eberhard e Pedro Pinto |
A minha intenção era bater o melhor tempo realizado nesta prova, marca que era de 1.58.12, sendo esta a minha 8ª presença aqui. Se possível, bater também o melhor tempo jamais feito numa prova de 20, que era de 1.57.05
E digo o melhor tempo em provas de 20 pois o verdadeiro record foi quando bati o record da Meia-Maratona em 2007, passando aos 20 em 1.50.32, marca completamente fora da mínima das mais pequenas hipóteses de repetir.
Isto porque em 2007 tinha 47 anos e agora quase 55 (e se muitos dizem que a idade não conta, os que já aqui chegaram sabem bem do que estou a falar em termos de perda de velocidade com a soma dos anos). Além disso, esse tempo tinha sido realizado num percurso o mais favorável possível e com um dia perfeito. Hoje o percurso tinha algumas subidas, não pronunciadas mas longas, e com um vento mais forte entre os 9 e os 11.
Pois dizimei o tal record impensável, marcando... 1.49.25!!!! Baixei da 1.50, o que me leva a ainda não acreditar bem no que sucedeu!
Após uma partida calma e com escassos atletas atrás, na subida aos 500 metros fui me soltando. Começo a passar pessoal, no que foi uma constante na prova. Basta dizer que iniciei a prova com talvez umas duas dezenas atrás e acabei à frente de quase 800.
À medida que passava alguns conhecidos ouvia coisas ao estilo "Eh lá! Estás muito bem!", o que mais força vai dando. Até que cheguei ao 6º km, olhei para a média que vinha a realizar e de repente apercebi-me que poderia fazer história. Pensei para mim o que costumo dizer aos meus amigos "João, acredita!". E acreditei, fui atrás do impensável.
Tudo ia a correr (literalmente) pelo melhor quando entre os 9 e os 11 (altura do retorno), o vento bateu forte e isso desestabilizou o ritmo. Fiz o retorno e ia a perder ligeiramente velocidade mas ao cruzar-me com o Vítor e Isa, dando a ambos um hi5, a Isa gritou "Olha ó record!). Isso deu-me de imediato um "pontapé nas costas" e readquiri o ritmo (a Isa referia-se ao record dali pois não poderia imaginar o "disparate" que eu ia marcar! Pouco depois cruzo-me com o Mário Santos que grita a palavra chave "Paris!". E com estes dois apoios estava eu novamente no bom ritmo e média.
Aos 16 apanhei o Isaac mas essa foi a altura que senti as forças a esgotarem. Mas a motivação era forte e só pensava numa coisa, fazer história! O fazer história era na casa de 1.50 e antes dos 32 segundos. Nem nessa altura pensava no 1.49, valor que "não é para mim"...
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| No limite das forças a chegar à meta |
Já esgotado, ia buscar forças a essa motivação e continuei a dar o máximo que podia. Cheguei ao último quilómetro e aquela mini subida junto à entrada do jardim custou mas ao chegar ao forte, fui a dar o máximo dos máximos até à meta. Sem forças mas fiz esse 20º quilómetro a 4.50... A fotografia a chegar à meta diz bem do que vinha a dar, já esgotado. Corto a meta, olho para o relógio e... 1.49.25!!!!!!
Ao contrário do habitual, não fiquei eufórico. Ainda não digeri bem que consegui um tempo daqueles que, repito, "não é para mim". Sinto muito orgulho, muita alegria mas ainda não acreditei bem! :)
Paris está a exercer uma mágica atracção!
Desde 2012 que não batia um record em prova. Os meus de 5.000 e Maratona são de 2012, 10.000 de 2011 e 15.000, 20.000 e Meia-Maratona de 2007. Hoje o de 20.000 passou de 2007 para 2015!
Quanto à organização, o ano passado foi um ano de excepção. Ao contrário do habitual, a organização HMS teve um dia negro em 2014 onde muita coisa correu mal, provando que não há regra sem excepção. Hoje, foi o que sempre nos habituaram, tudo perfeito!
Foi a 2ª melhor participação de sempre, 2.256 classificados, só batida pelos 2.338 do ano passado. A chuva colaborou pois apenas caíram uns ligeiros pingos no momento da partida e mais nada.
Luís Pinto, em 1.03.20 (2ª melhor marca do milénio) e Cláudia Pereira em 1.13.30 (record feminino em 32 edições!), foram os vencedores em estreia.
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| Os 4 ao km com a vencedora da prova, e nova recordista, Cláudia Pereira! |