Há uns anitos atrás, assisti ao Triatlo de Oeiras. Estava junto à cauda da baleia a apreciar o sector de natação, quando ouvi um indivíduo ao meu lado a comentar para a mulher o facto de uns nadadores estarem quase a sair da água enquanto outros ainda não tinham dobrado a bóia "Olha aqueles tão para trás! O que é que estão aqui a fazer?". E quando saíram da água e se dirigiram às bicicletas, mais espantado esse homem ficou "Para que é que continuam se já não podem ganhar?".
Como explicar a alguém que está fora do contexto, que vencedores há muitos e diversos ao longo dum pelotão? Como explicar, e dando como exemplo a Maratona (que só penso nisso!) que há quem chegue nos primeiros lugares e fique frustrado por ter feito mais um minuto do que o planeado, enquanto lá bem para trás há quem corte a meta com mais de 5 horas, de lágrimas nos olhos de tanta emoção e a sentir-se um campeão a entrar no Olimpo?
Cada um de nós, atletas de pelotão, tem os seus sonhos, ambições e metas, sempre consciente dos seus limites e dificuldades.
Sem imaginar que um dia iria correr um quilómetro que fosse, quanto mais 42, sempre tive o fascínio das Maratonas e desde que me conheço que seguia avidamente as transmitidas na televisão.
Apesar de imaginação fértil e de ser um sonhador, nunca me imaginaria a concluir uma proeza com essa distância, mesmo quando comecei a correr e via os 10 quilómetros como o meu limite dos limites e uma Meia-Maratona como algo inatingível.
Mas a evolução que sofremos quando somos tomados pela paixão corrida, leva-nos a situações verdadeiramente impensáveis. E uns meses após ter terminado a minha primeira Meia, que por sinal correu bastante mal, comecei a sonhar com uma Maratona.
Durou 5 anos e meio até alinhar na partida duma corrida de 42.195 metros, prova que nos toma completamente de assalto e nos faz viver em função dela.
Alguns problemas fizeram atrasar a decisão para o grande momento, em especial o medo e a constatação que uma Maratona é um passo maior que a minha perna. Mas o ser maior que a minha perna (e continua a ser), não é nem foi óbice para tentar e conseguir.
A intenção sempre foi fazer uma, apenas uma. Que foi conseguida no meu primeiro dia mágico. Mas, pouco tempo depois, o bichinho atacou novamente. Como se sabe, e apesar de ter sido a que melhor preparado estava, uma inesperada crueldade obrigou à dolorosa desistência.
Mas o tal bichinho estava instalado de armas e bagagens e a 2ª meta foi cortada em Sevilha, no meu segundo dia mágico e aqui um verdadeiro milagre pelo problema que estava a afectar-me.
Próxima, Porto, de hoje a um mês. E dou por mim a pensar que, caso corte a meta, será a minha terceira Maratona. Terceira! O meu tri!
Para quem é conhecedor das suas fracas capacidades para tão longas distâncias, este número começou a batalhar-me na cabeça. Tri! Fazer uma foi um feito, fazer segunda foi, não um feito mas um super feito pois estava a recuperar duma infecção pulmonar e realizei a corrida da minha vida, fazer uma terceira é já algo de muito grandioso para alguém como eu.
Por isso, tenho dito a algumas pessoas que quero cortar a meta no Porto com 3 dedos no ar. Porque tem um significado especial para mim, o reconhecer-me como tri-maratonista.
Apesar da inconstância que tem sido esta preparação, espero que no próximo domingo se mantenha a evolução registada finalmente em Coimbra, há que continuar a trabalhar para esse grande objectivo com todo o empenho que utilizo em tudo o que me meto.
Para poder cortar a meta como a fotografia em cima demonstra.
Para poder cortar a meta como a fotografia em cima demonstra.
Falta um mês!





