domingo, 24 de agosto de 2014

A entrar nos eixos rumo ao Porto

Como tem sido aqui relatado, a preparação para o Porto não começou da melhor maneira com treinos miseráveis. O último relatado, sexta dia 15, tinha sido o cúmulo do mau e assustei-me a sério com a perspectiva de não conseguir a tão desejada meta no Porto. Estava sem força e a sentir-me derrotado.

Cada um de nós é um caso e, para mim, este tipo de sentimentos em altura de crise costuma ser muito bom pois obriga-me a reagir. Até acredito que talvez não tivesse feito a corrida da minha vida em Sevilha se não tivesse estado tão em pânico como estive nos dias anteriores (em especial no célebre pequeno-almoço do próprio dia) pois com o problema pulmonar que ainda tinha na altura, a cabeça obrigou-se a responder a tanta negatividade e saiu aquele "milagre" transformando-a na melhor e mais feliz corrida que alguma vez efectuei.

Provas de resistência obrigam a uma cabeça forte e é assim que esta que está por cima do meu tronco começou logo a reagir no dia seguinte a essa sexta-feira da semana passada. E nesse dia era outro completamente diferente. Tal como nos restantes treinos de 2ª, 4ª e 6ª desta semana, todos a correrem dentro do planeado e a sentir-me bem.

Hoje era a prova de fogo que essa crise se tinha afastado de vez, com um treino de 24 km por Lisboa, num percurso que emocionalmente tanto me diz pois tem os primeiros 19 e os últimos 5 da minha inesquecível Maratona de estreia, a chamada Maratona da Xistarca, Dezembro de 2012.

Foi seguir o percurso até aos Restauradores e aí cortar para o Martim Moniz e subir a Almirante Reis até ao Areeiro e fazer essa parte final da Maratona.

Não só esse percurso é emocional para mim pelas recordações de cada metro que nunca se apagam, como esses 19 km iniciais são ideais pois são muito variados o que facilita a quem as longas rectas ou percursos monótonos são penalizantes.

Para um treino ser bom, nada como ter uma excelente companhia! A Sandra foi uma preciosa ajuda ao longo de todo o percurso e na converseta os quilómetros foram passando muito agradavelmente. 
Aos 15, outra excelente companhia, o Nuno, que sei que tem que se esforçar imenso para nos acompanhar pois o nosso ritmo é... baixo demais para si! :)

E pronto. Treino feito. Desde sábado da semana passada a confiança restabelecida. Tudo bem! 
Claro que estou atrasado no plano mas também já não penso naquele objectivo secreto que tinha de baixar o meu record (5.02.13) para menos de 5 horas. A única intenção é a meta, o tempo é secundário.
Para um atleta como eu, cortar a meta numa Maratona é uma vitória para a vida.  

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Lampas - Uma Meia a não perder


Das Meias-Maratonas em actividade, é a 2ª mais antiga do país, apenas atrás da "mãe" Nazaré, sendo que no dia 13 de Setembro irá realizar-se a sua 38ª edição.

Falar da Meia-Maratona de São João das Lampas, é falar duma Meia marcante. Tanto pela sua sempre atenta e empenhada organização, cujo selo de qualidade dá pelo nome de Fernando Andrade, à simpatia das suas gentes que nos deixam sempre vontade de regressar.

Quem já conhece esta prova, pouco mais há a dizer, quem não conhece vai o meu conselho para que não a percam. Sei que há a opinião generalizada que não é fácil mas, vamos lá a ver, como atletas preferimos a papinha feita ou um desafio que nos encha de orgulho? 

Ora este aliciante desafio está à porta e alerto para quem ainda não se inscreveu que o pode fazer a preço promocional até domingo. É aproveitar!

Quem quiser consultar o historial desta prova, bem como as classificações de todos os anos, clique aqui.  
Seguindo as classificações, acompanha-se também a evolução tecnológica. Desde a primeira classificação feita à mão, à máquina de escrever de 1978 a 1982, para depois começarem as listagens informáticas.

Venha o dia 13 e mais uma sempre memorável Meia das Lampas!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um abraço


Um abraço é quando duas pessoas ficam parcial ou completamente entre os braços um do outro. Esta é a definição nua e crua dum gesto que tem muito mais que isso, por toda a beleza que encerra, toda a carga de amizade ou amor, sentimento puro de gratidão, protecção ou apoio. 

Na nossa sociedade é demasiado usado em linguagem (despede-se numa mensagem, e-mail ou carta com "Um abraço") mas pouco fisicamente. E faz falta ser mais utilizado na sua forma real, por toda a energia positiva que passa de ser para ser. 

No entanto, a pureza do seu gesto vai de encontro a tabus ainda reinantes. Recordo-me que fui em trabalho em 1982 à Suécia e espantei-me por ver a maior parte de amigos de sexos diferentes cumprimentarem-se com um abraço, algo que há 32 anos atrás neste cantinho era dificilmente aceite de forma leve.

Já começa a ser mais usual mas os receios de alguém estar a querer aproveitar-se ainda perduram, mesmo que meio inconscientes. E no entanto, quantos de nós já precisaram, sem qualquer outra intenção, dum abraço numa determinada altura e os que o receberam, o bem que lhes fez.

Como se vê, e quem me conhece sabe, sou adepto do abraço, puro, natural e desinteressado, e esta conversa vem a propósito dum abraço que vi no filme em baixo e que me sensibilizou, por toda a carga que é colocada e aqui defendi. 
Mas não se trata dum abraço entre dois humanos mas sim entre um chimpazé e Jane Goodall, reconhecida personalidade que tem dedicado a sua vida ao estudo sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés dito selvagens, sendo mensageira da paz nas Nações Unidas. 

Esta chimpazé, Wounda de seu nome, esteve muito doente, praticamente à morte mas foi tratada, recuperada e quando se encontrava preparada, devolvida à vida natural. Ao aperceber-se disso nesse seu momento tão marcante, veja-se a reacção da chimpazé com Jane Goodall e que não resisti em partilhar, com a defesa dos valores do abraço que defendo e que Wounda tão bem encarnou.



Lá como não cá


O Campeonato Europeu de Atletismo é a mais importante competição deste continente na modalidade. 

Quando é o Europeu de futebol, todos sabemos a loucura e avalanche informativa com que somos brindados (que vai desde os resultados até à "preciosa" informação do que os nossos seleccionados comeram ao pequeno almoço).   

No entanto, o Europeu de Atletismo é falado ao mínimo e se teve honras de minúscula notícia na capa nos jornais desportivos foi só com medalha, única bitola pela qual os alegados entendidos regem-se. Pouco importa o resto. Houve 2 medalhas mas também houve 10 lugares de finalista e 3 records nacionais. Um conjunto de resultados de importância, em especial tendo em conta o momento da modalidade. Temos que ser realistas e não perder tempo com comparações desnecessárias e ineficazes com um passado que era forçosamente diferente..

Carregue-se na imagem em cima e note-se a capa da Bola e do Record de ontem e do minúsculo destaque que a medalha da Jéssica teve. No Record é quase preciso andar de lupa para encontrar, na Bola fala que se vinha da depressão (alegando que ainda não se tinha ganho nenhuma medalha...).

Peguemos no exemplo dum jornal francês generalista, Le Parisien, até nem é dedicado ao desporto, e veja-se a sua capa de hoje onde destacam os seus atletas. Semelhanças?!?

É fácil exigir, dar cobertura e apoio já é diferente....

sábado, 16 de agosto de 2014

Maratona feminina - As imagens dos nossos pódios

As nossas maratonistas já receberam as suas muito merecidas medalhas. Eis uma imagem de cada pódio. Para descrição da prova, ler artigo anterior.

Jéssica medalha de bronze

Doroteia Peixoto, Marisa Barros, Filomena Costa e Jéssica Augusto, medalha de prata colectiva

Jéssica Augusto - Bronze na Maratona em fantástica prova de talento e muita inteligência! (Portugal 2º colectivamente)


Disputou-se hoje de manhã a Maratona feminina do Campeonato Europeu em Zurique. O ritmo inicial foi alto e aos 5 kms Jéssica Augusto mantinha-se no grupo da frente. 
Fazendo prova de muita inteligência, preferiu adoptar o seu ritmo, não se preocupando em deixar esse grupo da frente seguir, sabendo que a Maratona é longa e essa sua táctica seria um bom investimento.

Jéssica corta a meta com uma enorme bandeira portuguesa

Aos 10 e 15 kms passou em 8º mas aos 20 já era 5ª, beneficiando das naturais quebras que as atletas da frente iam sofrendo. Aos 25 subiu a 4ª e aos 30 ultrapassou a Elvan Abeylegesse para se colocar em posição de pódio. No entanto, a turca, nascida na Etiópia, resistiu e recuperou o 3º lugar. Jéssica manteve a sua calma, seguindo fielmente a sua táctica e naturalmente recuperou o 3º lugar, mantendo as duas primeiras à vista. Estas aguentaram sempre o ritmo e, quando se apostaria mais na italiana Valeria Straneo, foi a francesa Christelle Daunay que deu a "sapatada" que lhe permitiu isolar e vencer com record dos campeonatos, em 2.25.14, 13 segundos à frente da italiana. 
27 segundos depois da vencedora e a 14 da segunda, o grande momento de alegria e emoção com o cortar da meta de Jéssica Augusto em 2.25.41, com uma enorme bandeira portuguesa às costas, carregando todo o nosso apoio. 
A 4ª, a croata Lisa Christina Nemec chegou 2.55 após a nossa atleta.

Os intermédios da Jéssica em cada 5 kms foram: 17.21 - 17.19 - 17.12 - 17.17 - 17.03 - 17.21 - 17.09 e 17.33, uma regularidade impressionante digna dum relógio suiço, ou não estivessemos na Suiça.

A muito merecida e justa alegria
Para mais rejubilar com a grande marca, de notar que o percurso não era de todo muito acessível. Um circuito de 4 voltas com uma subida algo puxada em cada volta, com algumas artérias com carris de eléctrico e uma curva de retorno muito apertada.

Filomena Costa corta a meta após uma óptima prestação
Mas nem só de Jéssica viveu esta Maratona para as nossas cores. Filomena Costa esteve muito bem, classificando-se em 15ª com 2.32.50 e uma prova também muito certa e inteligente, que contribuiu para o resultado colectivo tal como o esforço de Marisa Barros, em claras dificuldades no final mas que cerrou os dentes para dar a Portugal o 2º lugar colectivo, apenas atrás da Itália.

Marisa Barros corta a meta em esforço 
A Taça da Europa é calculada pela soma dos tempos das 3 primeiras de cada país, tendo ganho a Itália com 7.27.59, Portugal 2º com 7.33.06 e a Rússia em 3º totalizando 7.42.03

Uma palavra muito especial de apoio a Doroteia Peixoto que desistiu entre os 25 e os 30 kms


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

De derrota em derrota... até à vitória final?

Completei hoje o 3º "longo" rumo à Maratona do Porto e as aspas no longo revelam que não se pode chamar longo ao que fiz.

Depois do miserável que foi o 1º, o minimamente aceitável o 2º, o de hoje foi outro miserável. 
A decência inibe-me de o relatar. A única coisa (muito) boa foi a companhia da minha grande amiga Sandra, com quem já não corria há uns tempos e aproveitámos para pôr a converseta em dia.

Enfim, tem sido derrota em derrota, espero que até à vitória final. Quero muito aquela meta, quero muito ser tri-maratonista. Mas para tal, tenho que o merecer.