sábado, 16 de novembro de 2013

Correr Lisboa - Treino Solidário para a Ajuda de Berço


Decorreu hoje na zona da Expo, com partida e chegada na loja Pro Runner, o 6º Treino Solidário Correr Lisboa, com o intuito de ajudar quem ajuda os mais pequenos, a Ajuda de Berço.

Com inscrições gratuitas através de mail, os cerca de 300 atletas tinham à sua disposição 3 tipos de treino: 10 kms, 5 kms ou caminhada de 3 kms. 
No final direito a uma banana, garrafa de água e habilitarem-se a um sorteio cujos prémios eram: Ténis Adidas, Óculos de Sol Adidas, auscultadores e 3 camisolas Pro Runner.

Mas o mais importante é que todos eram convidados a doarem material para a Ajuda de Berço, sendo disponibilizada uma lista com as necessidades mais prementes.
E com tantos e tão generosos atletas, o número de sacos foi bastante significativo.


A manhã começou fria mas depois o sol combateu um pouco a aragem fresca transformando o treino num momento muito agradável para o fim-de-semana iniciar-se em beleza.

Fui com a Isa e optámos pelos 5 kms para salvaguardar a Corrida do Monge de amanhã. O ritmo do treino foi como gosto, velocidade progressiva. O pelotão era liderado por dois elementos da organização, que não podiam ser ultrapassados e que foram marcando o ritmo em 6.14 / 6.04 / 5.55 / 5.32 e 5.13, com um sprint nos últimos 400 metros (a distância foi cerca de 5.350), o que foi partindo o pelotão tendo chegado encostados às "lebres" eu, outro atleta e a Isa. 

Foi uma manhã muito bem passada e muito útil para ajudarmos quem ajuda. Gostei!

Fotografia Henriqueta Solipa

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Conto de ilusão em forma de bola de sabão

Os lábios chegam um pouco à frente e, com um ligeiro sopro, uma bola de sabão é libertada para o ar. Vai ganhando altura e rolando, calma e pacientemente, enquanto a luz do dia colora-a com os mais diversos tons, o que desvia a atenção da criança que de imediato larga o seu brinquedo, ergue-se do chão que lhe servia de mesa, e persegue-a, fascinada pelas cores e pelo doce rolar sobre si própria.
A criança estende os braços, não conseguindo conter o riso excitado e que se atrapalha a ele próprio, e quando vai tocar na bola, puff! Desapareceu! Tal como desapareceu toda a sua alegria, pela ilusão criada e esfumada a seus olhos.

A criança foi crescendo, passando as diversas etapas da vida. De menino a rapaz, de rapaz a jovem homem, de jovem homem a homem amadurecido. Mas a criança dentro dele nunca desapareceu, por mais que os papões homens do saco negro defendam a crua racionalidade. Foi sempre criando sonhos, sem saber antecipadamente se não passariam de ilusões em forma de bola de sabão, que tanto o apaixonavam como o magoavam, pelo seu puff inesperado e repentino. 

Mas cada dor de coração, apesar de dolorosamente irem aumentando, era sempre combatida por novo desejo, novo sonho, nova ilusão. Até que construiu a maior bola de sabão, com um rolar perfeito e umas cores que pensava não ser possível existirem. Rasgava-se-lhe o coração sempre que algum tom empalidecia. Por vezes de forma real, outras apenas no receio que os seus olhos traíam. 

E essa bola de sabão era a sua maior ilusão. A ilusão de quando parasse, deixando de a perseguir, seria a bola de sabão que se viraria, iria ter consigo e diluía-se em si.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Nazaré ou a razão porque corro

A sair de Nazaré para ir até Famalicão (+/- 6 Kms). Foto Nuno

Não podia participar em corridas se não tivessem existido provas que, lutando contra todas as marés, impuseram o conceito de corrida aberta a todos, dos quais a Meia-Maratona da Nazaré foi a sua pioneira.
Mas também não fazia sentido o correr apenas por correr, sem o espírito de camaradagem tão especial de atletas de pelotão que vemos e revemos prova após prova. 

Tudo isso senti ontem, num dia que terá agradado aos muitos que fizeram a visita anual à "Mãe" e ao seu ambiente tão especial e cuja história se vai confundindo com a actualidade em cada momento.

Desloquei-me até à capital das ondas com a Isa e fomos ter com a Sandra e o Nuno, que foi uma alegria tê-lo visto novamente equipado.

Já no aquecimento é visível a boa disposição. Foto Nuno.

Fomos cruzando com muitos amigos e conhecidos. Uma referência especial ao Joaquim Costa e Natércia, simpático casal que é raro poder ter o prazer de reencontrar, devido à distância onde cada um de nós habita.  

Abro aqui um parêntesis para confessar que não consigo decorar todas as caras e por vezes há quem me fale e eu não reconheça logo. Como coloco aqui muitas fotografias, é mais fácil reconhecerem-me. Pode suceder cruzar-me com atletas que comentem aqui e que depois não veja logo quem são, em especial no meio de tanta cara. Não pensem que sou mal-educado é mesmo por já serem muitas caras.

Quem ontem deu a partida, ao lado da campeã Rosa Mota, foi o famoso surfista Garrett McNamara cuja paixão pela Nazaré e suas ondas em muito está a contribuir para o quanto se tem falado desta praia.

Desde o aquecimento que me sentia bem e tal manteve-se ao longo de todo o percurso, numa prova que foi bem divertida de fazer, tendo seguido sempre com a Isa e onde estivemos muitas vezes na brincadeira mas sem descurar o ritmo, em especial após o retorno onde íamos entretidos a escolher atletas mais ao longe para os tentar apanhar. 

Pelo caminho, até algumas surpresas como ver algum 007 a flutuar sobre a água, propulsionado pela força do jacto de água, como se pode ver na fotografia aqui em baixo. 


007 em acção. Foto Nuno

Poucas vezes terei tido uma prova com tão boa disposição e isso é impagável. O tempo é que esteve quente, foi a minha 5ª Nazaré e sem dúvida a mais quente, numa temperatura não habitual para quase meio de Novembro. A marca final (real) foi de 2.14.46 mas tornou a acontecer algo que parece que está reservado em exclusivo para a Nazaré. Costumava dizer que a caminho das quase 300 provas, apenas por uma vez tinha parado para apertar o atacador do sapato que se tinha solto. Foi na Nazaré em 2010 numa prova onde fiquei a 18 segundos do meu record da Meia, tendo demorado mais tempo a apertar-lo. Pois ontem após o primeiro quilómetro sucedeu algo que também ainda não me tinha acontecido. Tive que parar para tirar uma pedrinha do sapato, que me estava a incomodar. E passado uma centena de metros, parei novamente pois com a pressa de retomar a corrida, apertei mal o sapato e tive que parar novamente. Há coisas que parece estarem reservadas para a Nazaré!


A ida para a meta com nova foto do Nuno e as minhas desculpas à Isa pois estou a tapar um pouco da sua cara!
Depois duma muito agradável prova, da excelente broa de mel que estava no saco após a meta e dum retemperador banho nos Bombeiros, cuja simpatia realço, altura para almoçarmos bom peixinho, uma volta pela vila (pronto... confesso... fui comprar mais broas de mel!) e depois a ida até ao farol para as famosas ondas.


Imaginem o que será umas 5 ou 6 vezes maior! Foto da Isa
Uma verdadeira romaria ao local que está a fazer que a Nazaré seja falada em todo o mundo, tendo muito a ganhar em termos turísticos. 
O fenómeno gerador das ondas gigantes, o chamado canhão, proporcionou umas ondas ontem que, não sei calcular mas as maiores deveriam andar por 5 a 7 metros (?). E já davam espectáculo pela maneira como rebentavam, em especial nas rochas. Não consigo é imaginar o que serão de 30 metros!!! Mas uma coisa é certa, com essas, não poderíamos estar no local onde estávamos... Tínhamos que ir para outro sítio, mais perto do Sítio!


Em cima no Sítio, em baixo no farol. Olha se viesse agora uma de 30 metros?!?

E chegou ao final um dia de Atletismo e turismo. Mesmo que a realidade de 2ª feira nos bata com força, o prazer destes momentos é um autêntico tónico para o dia a dia.

Resta dizer que se classificaram 1.266 atletas, em linha com os últimos anos, e os primeiros na meta foram, em estreia aqui, Francisco Pedro da Casa do Benfica de Torres Vedras (1.13.02) e Solange Jesus do Sporting (1.28.58). E digo primeiros na meta pois vencedores foram todos.


Historial da Prova

O sol a pôr-se e o artigo a acabar. Foto da Isa

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Revista Atletismo de Novembro


Já recebi a Revista Atletismo de Novembro, com a capa dedicada à novel Rock'n'Roll Maratona de Lisboa.

Com a habitual qualidade e temas que interessam a todos nós, o seu índice é o seguinte:

Competições internacionais
Estrada
6 Recorde Mundial de Maratona

Competições nacionais
Estrada
8 Rock’n’Roll Maratona de Lisboa
10 Meia Maratona de Portugal
20 Corrida da Linha/Destak
20 Corrida Comendador Joaquim Morão
16 Corrida Pedro e Inês
16 Corrida da Ria (Aveiro)
17 Corrida do Tejo
18 Corrida da Água
12 Outras meias maratonas
21 Corrida da Festa Avante
21 Corrida da Aeroporto

Entrevistas
Atleta de pelotão
36 Cristina Ponte

Reportagens
Clube de pelotão
38 Associação Académica Pinhalnovense

Espaço técnico
Fisioterapia
40 Tendinite do tibial posterior

Nutrição
41 Estratégias nutricionais durante a maratona

Conselhos
42 Ansiedade: ajuda ou atrapalha na corrida

Treino
44 Correr mais e melhor com um plano de treino

Estatística
Pista
22 Balanço geral da época 2013 (masculinos)
30 Balanço geral da época 2013 (juniores masculinos)
31 Balanço geral da época 2013 (juvenis masculinos)
Estrada
34 Balanço geral da época 2013 

Trilhos
46 Grande Trail Serra d’Arga
46 Maratona de Montanha

Outras
48 Corridas Urbanas Nocturnas

Secções fixas
7 Portugueses no estrangeiro
49 Agenda da Corrida
50 Lazer – aniversários e puxe pela cabeça

Revelação do mês
51 Samuel Remédios (GA Fátima)

Recorde-se que esta fundamental revista para o nosso desporto é distribuída por assinatura. Toda e qualquer informação, clicar aqui

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Mãe das corridas abertas a todos


Imaginemos que as provas de estrada eram escassas, anualmente uma meia-dúzia, e apenas reservadas a poucas dezenas de federados.
Imaginemos que os poucos "loucos" que se atreviam a equipar e ir correr para a rua eram insultados com o mais comum "vai trabalhar malandro!" e, ainda mais improvável, se fosse mulher os insultos seriam da maior grosseria e onde os suaves diziam "vai mas é para a cozinha!".

Imaginemos isso e o que seríamos de nós sem as nossas corridas. Um pesadelo?

Pois era assim o Portugal de há 40 anos atrás até surgir um conceito inovador apelidado de "Corrida aberta a todos". Estávamos a 16 de Novembro de 1975 e essa corrida foi igualmente a primeira Meia-Maratona que se realizou no nosso país. E assim, a Meia-Maratona da Nazaré passou a ser apelidada carinhosamente de Mãe. Mãe das Meias-Maratonas em Portugal e Mãe do espírito de corrida que nos envolve a todos, os verdadeiros atletas de pelotão.

Foram 146 os que participaram nessa histórica primeira edição. Mais do dobro no ano seguinte, 310 que triplicaram na 3ª edição, antes de se quebrar a barreira do milhar e ir até os 3 mil entre 1985 e 1987.
A série de outras corridas que foram aparecendo, verdadeira descendência, e uma escassa divulgação, fez que nos últimos 20 anos o número de participantes se fique na casa dos mil e qualquer coisa. Entre eles, muitos somando participações atrás de participações neste evento pois a visita à Mãe é obrigatória no calendário.

Actualmente quase reservada a atletas de pelotão, nos anos iniciais tinha forte representação da elite, como se comprova, como exemplo, pelas 7 vitórias da grande campeã Rosa Mota que tem marcado presença nos últimos anos ficando junto à meta a incentivar quem chega (como se pode confirmar pela foto ao lado). Ou também o record mundial feminino fixado em 1978 pela belga Danny Justin, na altura em 1.17,49 quando ainda não era habitual a presença feminina nestas distâncias.

Muitas e muitas histórias existem mas destaco esta pela diferença em relação aos dias de hoje em que as classificações são feitas automaticamente pela leitura do chip no tapete da chegada. 
Na altura, não havia chips. Imagine-se classificar correctamente mais de 3.000 atletas sem chip e com cronometragem manual. Os atletas cortavam a meta e eram incentivados a não abrandarem e a dirigirem-se ao corredor que ia sendo aberto com uma corda que andava dum lado para o outro. Mal um corredor estava cheio, era aberto outro e todos cortavam a meta a correr sem apanharem a fila antes. Quando um corredor era escoado, logo ficava disponível para outra leva. E assim ocupava-se toda a praça.
Na meta estavam cronometristas que iam picando o cronómetro por cada atleta que cruzava a meta, e havia alturas que eram a uma média superior a 1 atleta por segundo. Quem estava a controlar a passagem nos corredores, e que verificava se o atleta vinha com a senha que era dada no retorno, ia fazendo a lista dos dorsais dos atletas e ia sendo tudo entregue a dactilógrafos que, com as antigas máquinas de escrever, iam elaborando a classificação. E ficava tudo certinho! Aqui, podem ser consultadas as classificações completas de 29 das 38 edições já disputadas, muitas desses tempos heróicos.

No próximo domingo, quando soarem as 11 horas e o tiro de partida para 39ª edição, todo e qualquer atleta não será apenas mais um a participar, pois cada passada que der é estar a reescrever a história sempre actual desta prova que mudou o Atletismo em Portugal e a vida de tantos nós. 

Vai ser a minha 5ª presença na Nazaré. Quem mais vai?



domingo, 3 de novembro de 2013

Maratona do Porto com brutal record de participação!


Há cerca de 3 semanas atrás, publiquei aqui um artigo sobre a evolução da participação em Maratonas disputadas em Portugal e onde dava conta do grande e recente salto, com as 3 últimas Maratonas sempre a baterem record de classificados na meta, número que na Rock'n'Roll Maratona de Lisboa, disputada a 6 de Outubro, se fixou em 1.836 

Pois hoje, na 10ª edição da Maratona do Porto esses números foram completamente arrasados. Sendo que ainda são provisórios e poderão sofrer uma ligeira alteração, o número de classificados é de 2.763!!!

Mais 1.092 que na edição anterior e mais 927 que esse anterior record. Números verdadeiramente impressionantes!!!

Dos 2.763, 1.891 são portugueses, um número já a aproximar-se dos dois milhares e que espelha bem o que os portugueses têm aderido à mítica distância.
A participação feminina foi de 281 atletas na meta (10,2%), sendo 142 portuguesas (7,5% do total nacional).

Até quando durará este record?



Actualizo a lista publicada a 15 de Outubro sobre a evolução do record nacional de participação nas Maratonas nacionais:

1910-05-02
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
10
1911-06-18
Jogos Olímpicos Nacionais (Lisboa)
22
1978-04-09
Campeonato Nacional (Faro)
23
1979-04-22
Campeonato Nacional (Portalegre)
27
1980-04-20
Inatel (Foz do Arelho)
37
1980-10-12
A.A.L. (Torres Vedras)
45
1981-04-05
Campeonato Nacional (Faro)
49
1982-04-04
Campeonato Nacional (Almeirim)
56
1982-12-20
Spiridon (Autódromo Estoril)
127
1983-12-18
Spiridon (Autódromo Estoril)
176
1984-11-03
A.A.L. (Lisboa)
324
1988-11-06
Xistarca (Lisboa)
442
1990-10-21
Xistarca (Lisboa)
562
1991-10-20
Xistarca (Lisboa)
775
2007-12-02
Xistarca (Lisboa)
825
2008-12-07
Xistarca (Lisboa)
1.005
2009-12-06
Xistarca (Lisboa)
1.153
2010-11-07
Porto
1.180
2011-11-06
Porto
1.515
2012-10-28
Porto
1.671
2012-12-09
Xistarca (Lisboa)
1.681
2013-10-06
Rock'n'Roll (Cascais-Lisboa)
1.836
2013-11-03
Porto
2.763

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

(Novamente) Record pessoal dos 400 metros dizimado no EUL


Se há uma semana publicava um artigo com o nome de Record pessoal dos 400 metros dizimado no EUL, hoje tenho que repetir o mesmo, desta feita com uma machadada exacta de 2 segundos e meio.

Até à semana passada a minha melhor marca aos 400 metros era duns muito suados e trabalhados 1.25,77 feitos em Março. Na sexta passada reduzi para 1.23,12 e hoje para 1.20,62 numa progressão de 5,15 em apenas uma semana o que é muito surpreendente para mim. 

Há quem diga que após uma boa preparação para uma Maratona vão-se batendo muitas marcas nos tempos seguintes. Ora eu tive essa preparação sem, infelizmente, o desgaste da Maratona. Ou melhor, sem o desgaste físico...
E essa pode ser uma das razões para estas marcas que para muitos são triviais e nem justificariam realce, mas para um atleta como eu são marcas doutro mundo, daí o orgulho com que as publicito.
E 1.20,62 dá uma média de 3.21,55 por km, caso aguentasse essa velocidade. E só por brincadeira, 33.35 aos 10 kms.

Hoje a Sandra também se juntou à Isa e a mim, e quantos mais somos, mais fácil e divertido se torna.

Claro que com 1.20,62 já começo a pensar em baixar do 1.20, em especial reconhecendo que não estive perfeito na curva entre os 200 e os 300 metros, mas também sei que estes momentos vêm e rapidamente desaparecem. É aproveitar enquanto duram.

Obrigado Nuno pelas fotos