segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A panca das previsões meteorológicas


Uns tempos antes da minha primeira Maratona, ia todos os dias consultar as previsões meteorológicas. Mais por curiosidade de saber o que iria apanhar pois sendo em Dezembro não era expectável algo de complicado para correr. E acabou por ser um dia de sonho até no estado do tempo pois estiveram as condições perfeitas (melhor era impossível) para quem ia correr 42 kms.

Agora, a pesquisa das previsões começou muito tempo antes, desta feita por receio do que possa estar. Historicamente, nos últimos anos esse dia tem sido quente e o percurso não tem sombras, ampliando o problema de, em virtude da muito tardia hora de partida, estarmos a correr às horas que o sol está a pique.

Mais do que o calor, são os raios de sol que me assustam, pela razão que apontei (do ângulo a essa hora), portanto o meu primeiro desejo tem a forma de nuvens. 

E tempo nublado foi o que desde cedo as previsões apontavam. Os graus iam subindo ou descendo, possibilidade de chuva aparecia e desaparecia, mas as nuvens estavam sempre presentes. 

O medo com o calor excessivo deu-se a duas escassas semanas do grande dia, no domingo do Destak, mas as previsões lá continuavam com as ansiadas nuvens.

Mas previsão meteorológica é isso mesmo, previsão baseada no momento. Sabemos como é o clima, basta um parâmetro alterar ligeiramente e tudo muda, por vezes radicalmente. Recordo-me de ser miúdo e as pessoas parodiarem muito o que apelidavam de "boletim mentirológico" na TV pois se em 7 dias as previsões falhavam 1 ou 2, era o gozo generalizado, como se os técnicos garantissem aquele tempo, quando apenas apresentavam a previsão baseada nos factores existentes. Mas como tudo que se dizia na televisão era sagrado (quantas discussões acabavam com "disseram na televisão!" como se fosse a verdade suprema?) as pessoas estranhavam haver alguém que tinha ali "mentido" no que era apenas e tão somente uma previsão.

Ora o que ando a ver há semanas, é tão seguro (nada!) como até uns 3 dias antes, ou mesmo na véspera pois basta uma massa de ar quente ou fria desviar-se e tudo altera. Mas sempre se vai sofrendo ou contentado com o que se vê, mais um factor de emoção e suspense numa tarefa que já tem e muito esses factores.

E como está agora? Pois o tempo real começou a nublar, esfriar e chover e as previsões para dia 6... a aumentar a temperatura e as nuvens a darem lugar a um céu limpo... Ai, ai, ai!

Mas, ainda ontem aprendi uma lição com uma estreante em Maratona, Isa, que, apesar de ansiosa, mantêm-se serena. E serenei consciente que o trabalho (bem) feito está cá.

E querem que diga? Hoje já olhei mais de soslaio para as previsões. Esteja o tempo que estiver é para cortar a meta e o resto são pormenores. Claro que com calor será (muito) mais difícil, mas a motivação está em alta e... VENHA A MARATONA!
       

domingo, 29 de setembro de 2013

NOVO RECORD MUNDIAL DA MARATONA! (e grande estreia de Rui Silva!)


Berlin tornou a fazer história ao bater-se, pela 8ª vez nesta prova, o record mundial da Maratona. Pertencia a Patrick Makau, que a 25 de Setembro de 2011 realizou 2.03.38 também em Berlin, e foi hoje batido por Wilson Kipsang, igualmente queniano, que retirou 15 segundos a essa marca, fixando-a em 2.03.23

Ainda não foi há muito tempo que se baixou das 2.05 e já estamos a aproximar das 2.02...

Kipsang passou aos 40 kms com uma vantagem de 3 segundos sobre o tempo de Makau, apenas 1 aos 41 e teve uma ponta final fantástica, batendo pela margem de 15 segundos.

Florence Kiplagat, também queniana, venceu em femininos com 2.21.13 mas a alemã Irina Mikitenko, 3ª classificada, bateu o record mundial de veteranas ao registar 2.24.54

Esta foi a prova de estreia na mítica distância de Rui Silva, recordista nacional de 800 e 1.500 metros e que apontava como objectivo uma marca na casa das 2.12
E foi em cheio, 2.12.16, 9º lugar e melhor europeu!!! Os 5 primeiros lugares foram monopolizados por quenianos, depois um brasileiro, dois japoneses e o nosso Rui Silva em grande! Parabéns grande Rui!

Partiram 41.120 atletas, de 199 nacionalidades (quase a totalidade do planeta!) e para quem está a uma semana da sua segunda Maratona, ver aquela mole humana impressiona. Em especial ler o pórtico a uns 500/600 metros da chegada que dizia em alemão e inglês "São todos uns heróis"!
O suficiente para me dar uma daquelas coisas que costuma dar quando não sei o que me dá. Não sei se me entendem...

sábado, 28 de setembro de 2013

Um muito agradável treino / convívio

Antes (a fotógrafa disse já está e só depois disparou)

Uma das grandes vantagens duma preparação para uma Maratona é o convívio nos treinos. 

Hoje foi dia desse convívio num treino já mais reduzido, 12 kms no Passeio Marítimo de Oeiras, tal como no sábado da semana anterior à Maratona do ano passado, na altura primeira para mim e Pedro, que faremos a segunda, enquanto a Isa e o Vítor vão estrear-se. Juntaram-se a nós o simpático casal Carla/Jaime, tal como aconteceu nalguns quantos treinos anteriores. Como se vê, tudo malta porreirinha!

Como se sabe, nas últimas 3 semanas a carga/distância começa a reduzir e agora, a 8 dias, o plano indicava apenas 12 mas uma dúzia descontraídos e ajudados por uma temperatura mais amena, chegando a cair uns pingos ocasionais.

Durante (com ex-libris do Passeio Marítimo, a cauda da baleia)

A média andou sempre pelos 6 e tal mas no último quilómetro tentámos esticar um pouco. Mas, se a intenção era de 5 e tal, entusiasmei-me e, como já há muito tempo (desde a Corrida da Lagoa de Santo André) que não baixava dos 5, acabei por realizar esse último quilómetro em 4.43, tempo nada habitual para as minhas bandas.

Sim, sei que não foi muito seguro fazer uma brincadeira dessas a uma semana da Maratona mas soube-me muito bem e, quase diria, estava a precisar disso. Pronto, estou perdoado!

Como tenho dito, estamos é numa fase em que os quilómetros vão reduzindo e os nervos aumentando. Já estou nessa fase... Que fazer? É superior a mim... Mas se uma Maratona fosse fácil, não era uma Maratona!

E para terminar, não quero deixar de falar aqui numa coisa muito, como direi?, saborosa! Mais uma vez no final tivemos um muito delicioso bolo da Isa, hoje em forma de queque de chocolate com banana. Uuuuiiii! Nem vos digo nada para não salivar!!! 

Nota - Fotos do Pedro Carvalho, com excepção da última de Jaime Beato

Depois (os sorrisos dizem tudo!)

Depois (já com as papilas gustativas aos saltos depois daquele queque!)


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Jornadas Técnicas do Corredor‏


Paralelamente à feira do desporto, por altura da entrega de dorsais da Maratona de Lisboa 2013 e da Meia Maratona de Portugal, vão realizar-se acções de informação destinadas aos atletas.

Realizam-se na Sport Expo, dias 4 e 5 de Outubro, no Meo Arena (ex-Pavilhão Atlântico), no Parque das Nações, entrada livre, e têm o seguinte e aliciante programa:

Dia 4 de Outubro (sexta-feira):

                17h00 - Abertura

                17h05 – Prevenção de lesões no atletismo

   Por Ernesto Ferreira e Liane Brito (Gabinete Fisioterapia no Desporto)

                17h25 – Debate e perguntas

                17h50 – Intervalo

                18h00 – Lesões mais frequentes no atletismo

   Por Ernesto Ferreira e Liane Brito (Gabinete Fisioterapia no Desporto)

                18h25 – Debate e perguntas

                18h50 – Intervalo                

                19h00 – A experiência de treino e ultra maratona

                               Por Carlos Sá (ultramaratonista)

                19h25 – Debate e perguntas

                19h50 – Encerramento da 1ª jornada


Dia 5 de Outubro (sábado):

                17h00 – Aumentar a performance na corrida com a ajuda do treino de "força"

                               Por Miguel Lucena (Holmes Place)

                17h20 – Debate e perguntas

                17h50 – Intervalo

                18h00 – Treino postural para melhor eficácia cardiorrespiratória

                               Por Miguel Lucena (Holmes Place)

                18h20 – Debate e perguntas

                18h50 – Intervalo

                19h00 – Necessidades nutricionais nas corridas de fundo

                               Por Marco Pereira (Holmes Place)

                19h20 – Debate e perguntas

                19h50 – Encerramento da 2ª jornada

Muitos e bons temas que nos irão interessar a todos. Compareçam!

Mário Trindade bronze nos Jogos Mundiais!


É com muita satisfação que divulgo esta notícia, tomando a liberdade de a transcrever do site do Jornal Record (escrita por Vìtor Pinto), e endereçando os meus parabéns a Mário Trindade:

A medalha de bronze conquistada por Mário Trindade foi o melhor registo português nos Jogos Mundiais IWAS (Federação Internacional de Desporto para Amputados e em Cadeira de Rodas). que se realizaram em Stadkanaal, na Holanda. O paratleta português, de 38 anos, conquistou o seu melhor resultado de sempre na prova de 200 metros em cadeira de rodas, subindo ao pódio com a marca de 35,54 segundos apesar de utilizar uma cadeira que tinha ficado danificada na viagem e que o impediu de repetir o êxitos noutras provas.

Após uma década de prática desportiva, Mário Trindade conseguiu finalmente um resultado de vulto a nível internacional e que lhe permitiu garantir desde já os mínimos B necessários para a integração do projeto paralímpico com vista ao Brasil'2016. De resto, o corredor nacional ficou a apenas 4 milésimos de segundo dos mínimos A.

Sendo igualmente presidente da ANACR (Associação Nacional de Atletismo em Cadeira de Rodas), Trindade teve de custear a sua participação nos Jogos Internacionais IWAS. Um esforço financeiro muito complicado face à escassez dos seus rendimentos, mas que acabou por ter retorno na pista. Após ter visto as suas limitações serem reclassificadas para a classe T52, o paratleta pode ter agora garantido as condições essenciais para explorar todo o seu potencial e cumprir o sonho de competir nos Jogos Paralímpicos.

Para além do seu intenso trabalho em defesa da causa do desporto para deficientes - ele que ficou paraplégico aos 18 anos - Mário Trindade tornou-se conhecido internacionalmente pelo facto de, a 3 de dezembro de 2007, ter estabelecido em Vila Real o recorde do Guinness de resistência em cadeira de rodas, atingindo os 182,4 quilómetros percorridos em cerca de 18 horas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Organizações enfrentam cada vez maiores obstáculos

Sejamos claros. As organizações em Portugal de provas de estrada são um bem que temos, distinguindo-se a nível internacional pela qualidade e preço. 

Com excepção daquelas super provas que se disputam pela Europa fora para muitos milhares de atletas e com patrocínios de toda a forma, as restantes ficam longe da capacidade organizativa que temos o prazer de usufruir no nosso cantinho. E a comparação preço, mesmo tendo em conta o nível de vida, é nos favorável.

Porém, as organizações enfrentam cada vez maiores obstáculos. Longe vai o tempo das facilidades e apoios de toda a forma, pois o desporto torna a população mais saudável e produtiva. Porém, com o incremento popular, as corridas começaram a ser vistas como algo muito apetecível para se ir buscar dinheiro. E em vez de apoios oficiais, passámos a ter taxas. Taxas de toda a forma e feitio. 

É necessário uma tenda para dar os dorsais? Taxa-se o espaço que essa tenda ocupa.

É necessário um locutor a dar informações? Taxa-se o ruído.

A actividade desportiva é um bem necessário? Não faz mal, as inscrições levam um corte de 23% de IVA

São necessárias autorizações? Taxa-se.

Tem que se fechar estradas? Paga-se e ao exigir polícia, fica-se nas mãos dos mesmos que elaboram o esquema que julgam necessário, chegando a cobrar vários milhares de euros.

A isto junta-se a despesa do seguro dos atletas, mais o seguro de responsabilidade civil da prova, que tem vindo a ser inflacionado. Basta ter um determinado número de atletas e estes valores como que duplicam .

E as àguas? Têm que ser previstas sempre para cima pois nunca podem faltar.

E outros valores há, numa relação que é sempre a somar, sem esquecer a necessária divulgação da prova e, por exemplo, os custos de comissão de inscrição pois é muito fácil e prático pagarmos as provas por multibanco mas é (mais uma) parcela a somar pois isso implica mais não sei quantos cêntimos de comissão a pagar. 

E os cêntimos transformam-se em euros e os euros sobem em flecha nesta soma onde apenas estou a incluir os items obrigatórios.

E os outros? Se não houver t-shirt? Cai o Carmo e a Trindade. Se não houver medalha? Mais uma crítica. E se não há prémios? Alguns boicotam.

A juntar a este bolo, e á falta de apoios oficiais, os patrocínios vão rareando. 

Por outras palavras, as despesas em alta e as receitas em baixa.

Como o panorama já não era bom, veio a notícia de que a Federação e Associações estão a receber menos do que recebiam do Estado. Ora como compensar isso? Carregando as provas. As Associações têm que autorizar as provas e, por exemplo, a de Lisboa que cobrava 100 euros, aumentou para mais do dobro, 250 euros, havendo outras, como Aveiro, que pode chegar aos 325.

Não é preciso uma máquina de calcular para, no fim de somar tudo, ver que o que pagamos não chega, várias vezes, para cobrir as despesas. Com os patrocínios a escassearem, como irão resistir as pequenas colectividades que, com muito esforço e carolice, fazem das tripas coração para ter a sua prova? E muitas vezes para serem presenteadas com críticas, pois é muito mais fácil (e até parece que sociavelmente aceite) o dizer mal, sendo custoso para muitos elogiar (muitos julgam como uma fraqueza, o que para mim é um mistério).

Ora uma coisa é inegável. Precisamos das organizações para termos corridas e os organizadores precisam de nós para terem participantes. Se ambos necessitamos do outro, porque teremos que dividir em partes e não actuar como um todo?

Para tal, nós atletas, muito temos a fazer/melhorar. E deixar de exigir o dispensável, pois o que nos move, ou o que nos deveria mover, é a corrida. A corrida e seu prazer, a corrida e o seu convívio, a corrida e nossa superação.

Não vamos deixar que estraguem um bem que é de todos. Não vamos pactuar com criticas ocas e maus feitios. Temos que ser pró-activos... pois o reactivo pode chegar tarde.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Revista Spiridon Setembro/Outubro


Chegou à minha caixa de correio o número mais recente da Revista Spiridon, como sempre um número bem recheado de assuntos e com a particularidade de abordar alguns relacionados com Maratona, numa importante altura pois estão aí as duas Maratonas nacionais.

Índice:

- Editorial - Assalta-se as provas de estrada!...
- Quais as suas possibilidades nos 42.195
- Será que os africanos têm utilizado E.P.O.?
- Respirar pela boca... ou pelo nariz?
- Usar saltos altos?
- Como recuperar depois da Maratona?
- Como ganhar resistência para provas de 10 km
- 9 exercícios para melhorar a flexibilidade dos pés
- Como são os corredores portugueses em 2013

Isto além das rubricas habituais.

Para receber esta excelente revista: Publicação exclusivamente dedicada à corrida (6 números por ano). Distribuição apenas por assinatura: Preço da assinatura anual 21 € . Por cheque, ou transferência bancária.NIB = 0010 0000 6176291000127 revista.spiridon@gmail.com