quinta-feira, 8 de março de 2012

Spiridon 200 - Depoimento de Renato Graça


Desde os primeiros momentos que estive ligado ao chamado “Movimento Spiridon” em Portugal.
Éramos  um grupo reduzido de amigos. Eu, o Prof. Mário Machado, os irmãos Orvalho e mais tarde o António Cabral, que bebíamos a informação do Spiridon suíço (revista que apadrinhou os portugueses) e adoptando um estilo de treino para fundistas baseado na corrida lenta – endurance, então ainda uma inovação em Portugal. Éramos os malucos das sessões longas de duas horas conhecidos pelos “Van Aekens” fisiologista alemão responsável pelo desenvolvimento deste tipo de treino.
Mais tarde e por mérito exclusivo do Prof. Mário Machado e em virtude da excelente relação que tinha com os responsáveis suíços apareceu o Spiridon português. Foi a primeira publicação periódica exclusivamente dedicada ao atletismo nomeadamente aos fundistas.
Entretanto o Spiridon suíço acabou mas o seu filho português cresceu e continua dinâmico enquanto órgão informativo dedicado àqueles que simples corredores de pelotão ambicionam correr uma maratona ou melhorar os seus tempos.

Renato Graça
(Médico, colaborador da Revista Spiridon desde sempre, antigo campeão nacional de Maratona)

Não deixe de ler o depoimento de Orlando Duarte, publicado hoje no Último Km

quarta-feira, 7 de março de 2012

Spiridon 200 - Depoimento de Henriqueta Solipa

Spiridon, eu desconhecia esta revista até à cerca de 2/3 anos, assim como só recentemente desde 2007 me dediquei à corrida de rua e à curiosidade de saber mais da modalidade, assim como da informação inerente a ela. A Spiridon não é uma revista, é uma bíblia, mas não é uma bíblia, é a BÍBLIA. Gosto muito da forma directa como são abordados os temas para entendimento de todos, suficientemente prática e muito eficiente na informação. Gosto da informação complementar / chamadas de atenção dada no capitulo “Correndo no WWW”. Particularmente gostei muito do Editorial da revista nº 198 “O CÉU É O LIMITE”, principalmente na parte que a seguir transcrevo, talvez porque tenha a haver comigo:

"Nós, corredores, qualquer que seja o nível atlético, também devemos saber estabelecer em cada nova época ... / ... objectivos concretos. As tais metas que desejamos mesmo atingir, pois, desta forma, a nossa prática, mesmo em termos da simples manutenção física, irá manter-se bem viva e permanentemente motivante.
Essas "metas" podem ser modestas aos olhos dos melhores corredores, mas são as nossas, e devem ser entendidas como qualquer coisa que, uma vez atingida, será motivo de orgulho e reforço da vontade de ir mais além... Como se costuma dizer, "O Céu É o Limite!

Parabéns ao Prof. Mário Machado e toda a sua equipa que permitem uma leitura de alta qualidade sobre a CORRIDA.

Henriqueta Solipa
(Atleta de pelotão há 5 anos, maratonista e blogger)

Não deixe de ler o depoimento de Manuel Sequeira, publicado hoje no Último Km


terça-feira, 6 de março de 2012

Spiridon 200 - Depoimento de Jorge Branco


SPIRIDON APAIXONADAMENTE!

Para mim falar dos 200 números da Revista Spriridon é muito mais que enaltecer a qualidade dos seus artigos que têm guiado centenas e centenas de corredores sendo mesmo o “treinador” de gerações de fundistas.
Até nesta era de globalização e de fácil acesso à informação a Spiridon continua a ter a melhor e mais actualizada informação técnica, muito por “culpa” dos especialistas de renome internacional que nela colaboram.
Mas como dizia para mim, a Spiridon é muito mais que isso, é uma questão de paixão ao acto libertário de correr e à amizade.
Foi devido a essa pequena, grande revista que o meu amor à corrida se cimentou e solidificou durante estes mais de 30 anos em que convivo com ela.
Passados que são todos estes anos é sempre com emoção que recebo uma nova revista e devoro o seu conteúdo.
A Spiridon é para mim também uma questão de amizades sólidas que se criaram ao longo de todos estes anos, amizades que nasceram nos dois Centros de Treino Para a Maratona organizados pela revista na década de 80, e que comigo passaram do século vinte ao século vinte um.
Spiridon é para mim uma profunda gratidão por tudo o que me ensinaram e que permitiu a este mais que modesto corredor de pelotão ter alcançado o seu Evereste pessoal.
Spiridon é a velha máxima de corredores ao serviço de corredores e tudo o que aprendi nas modestas ajudas que dei do outro lado da “barricada” no lado da organização de provas.
Spiridon é a velha máxima do Movimento Spiridon Internacional: A Corrida deve ser a mais importante das coisas secundárias.
Spiridon para mim é um estado de espírito, uma filosofia, uma família, uma paixão e uma pátria!
Posso eu deixar de ter condições físicas para correr, pode a Revista Spiridon terminar um dia (que esse dia venha bem longe) que eu serei para sempre um filho do Movimento Spridon!

Jorge Branco
(Atleta há mais de 30 anos, maratonista e ultra-maratonista, co-responsável por um blog dedicado ao Atletismo e não só)

Não deixe de ler o depoimento de Célia Azenha, publicado hoje no Último Km

segunda-feira, 5 de março de 2012

Spiridon 200 - Depoimento de Ana Pereira



Eu e a Spiridon

A Corrida entrou na minha Vida ainda nos anos 70, logo após a Revolução de Abril em que tudo o que era Associativismo e Colectividade em Portugal fervilhava de acções e movimentos. Era eu menina e ainda contava os meus anos de vida pelos dedos das mãos e sobravam dedos. Ingressa no Grupo Desportivo de Vialonga, na equipa de Atletismo, criança ainda conheci a Corrida e sem dar por isso deixei que ela se entranhasse na pele, e pelas mãos de treinadores competentes e dedicados onde a vertente lúdica e humana, de formação na verdadeira acepção da palavra, se sobrepunha à Competição e consequente exclusão, deixou marcas naqueles jovens, no seu carácter e personalidade, ao ponto desta miúda (na altura) se deixar contagiar, invadida pela Corrida que através do sangue em circulação pelo seu corpo, se lhe cravou no coração e nos ossos, e atrevo-me mesmo a dizer, que em todos os órgãos do seu então pequeno corpo, de forma inabalável e crónica. 

Pela mesma altura, mais concretamente em 1978 nascia a Spiridon. Revista feita por amantes da Corrida para amantes da Corrida. Não muito longe um do outro, durante anos e anos nunca souberam um do outro. Nem ela da Spiridon, nem a Spiridon dela. Deixou o clube, ainda antes da adolescência. No entanto, nunca deixou a Corrida. De forma mais ou menos regular, séria ou lúdica, mas sempre prazenteira, a Corrida de alguma forma esteve sempre presente, embora bem longe dos clubes, competições e provas.


No início dos anos noventa, cruza na vida com o que veio a ser seu marido, e este para além de também gostar de correr, tinha a casa recheada de livros. Paixões que se partilham além da Vida, ou que são a própria Vida, e no meio das prateleiras, com uma encadernação antiga, de odor bafiento, ela encontra uma verdadeira preciosidade: todas as publicações (com excepção do nr. 1) de uma “revistinha” dedicada à Corrida. De seu nome Spiridon, em pequeno formato, com letras que se adivinhavam batidas à máquina de escrever, prendeu a rapariga a leituras proveitosas que ela, ávida de conhecimento pelo tema, devorou deleitada. Descobria uma nova Corrida. Procurava temas específicos nos índices e lá ia procurar o volume que a esse tema se dedicava. Planos e tipos de treino, alimentação, questões de saúde, lesões, equipamentos, calçado, tipos de piso, diferenças do homem e da mulher e a sua importância na Corrida, nos métodos e especificidades, tanta e tanta era a informação. Até anúncios a provas e calendários. Questões médicas respondidas por técnicos de saúde que respondiam a questões de leitores, secção essa que ela própria usou e viu respondida a sua dúvida. Histórias de atletas, curiosidades, notícias do mundo.


E a três: ela, o marido e a Spiridon, aventurou-se pela 1ª vez em idade adulta a participar numa Corrida. Aberta a todos. A promover a Corrida para todos, como a Spiridon. A proporcionar momentos de desporto, lazer e convívio, com vista a um melhoramento da qualidade de vida dos indivíduos. Com a Spiridon, ela perdeu a timidez e o medo de se sentir desajustada nessas Corridas. Com a Spiridon deu o passo para conhecer a Corrida verdadeiramente para todos, no colectivo. Conheceu outros clubes e deles fez parte. Com a Spiridon treinou e melhorou a sua Corrida e as suas marcas. Optimizou os seus treinos. Com a Spiridon motivou-se e atreveu-se a criar objectivos. Do treininho de manutenção chegou onde jamais pensara ser possível chegar: à Maratona. Com a Spiridon venceu medos e superou-se a si própria. Também com a Spiridon iniciou o seu velho pai na Corrida. Correram juntos muitas provas. Conheceu e fez muitos amigos. Um mundo deles. E aí sentiu-se em casa. Descobriu um mundo novo, que é hoje também seu e do qual faz inteiramente parte.


Anos se passaram, muitas Corridas correu, muitas mais Spiridons leu, divorciou-se, deixou de receber e ler a Spiridon. Tornou-se assinante, por razões económicas deixou de o ser, muitas voltas dá a Vida, criou um blogue, escreve ela sobre a Corrida, colabora com amigos que como ela “vestem a camisola da Corrida”, e actualmente permitiu-lhe a Vida um dia destes que passou voltar a ser assinante da Spiridon por mais um ano.


Com algum cuidado de se manter actual, respondendo às solicitações do corredor de hoje, a Spiridon, hoje aproximando-se da sua 200ª publicação, continua a dar cartas e a fazer correr tinta e pessoas. Continua a ser um excelente treinador sério, competente e muito experiente para todos os que gostam de correr. Um conselheiro que recomendo e aconselho, sem qualquer ressalva ou hesitação.


Ana Pereira
(Atleta desde tenra idade, maratonista e criadora dum blog de alta qualidade literária)


Não deixe de ler o depoimento de Rita Borralho, publicado hoje no Último Km



domingo, 4 de março de 2012

3 Léguas do Nabão

Depois de D. Afonso Henriques ter conquistado aos mouros em 1147 a região onde se insere e de a ter doado aos Templários em 1159, Tomar foi fundado a 1 de Março de 1160 com o início da construção do castelo. Dois anos após, D. Gualdim Pais concedeu-lhe foral.


A Ordem dos Templários foi extinta em 1312 e substituída pela Ordem Militar de Cristo, numa sexta-feira 13, o que amaldiçoou essa data para os supersticiosos e celebrizou a expressão sexta-feira negra. 
E foi aí que mais dum século depois Tomar viria a ser o centro da epopeia dos descobrimentos, quando o Infante D. Henrique, nomeado regedor da Ordem de Cristo pelo Papa, se instalou no castelo.

Em 1844, Tomar foi elevado à categoria de cidade, mantendo-se um importante destino turístico, internacionalmente reconhecido pelo Castelo dos Templários e a famosa Janela do Capítulo, ponto culminante da arte manuelina.

A sua paisagem é amaciada pelo Rio Nabão, numa cidade que nos adocica com os seus doces conventuais. Falar de bolos como "Beija-me depressa", "Bolos de cama", "Castanhas de ovos" ou "Fatias de Tomar", entre outros, é entrar num mundo de sabores e sensações que se prolongam na nossa melhor memória.

E é aqui que desde 5 de Fevereiro de 1984 tem lugar a clássica corrida de Atletismo, 3 Léguas do Nabão. Prova que na sua primeira década chegou a aproximar-se do milhar de atletas mas que actualmente conta apenas com cerca de 200 participantes (este ano 202), devido a uma muito fraca divulgação.
São muitos os atletas que, ao ouvirem falar desta prova, referem que já lá estiveram há uns anos mas actualmente desconhecem a sua realização, o que é pena pois teria potencial para muito mais

E se vale a pena a deslocação para, como se depreende do que anteriormente foi dito, passar um agradável dia numa cidade que merece a nossa visita e onde a corrida é um excelente pretexto.


Filipe Rosa (Grupo de Atletismo de Fátima) bisou o seu triunfo de 2009, alcançando 48.59, menos 1.18 que a sua anterior vitória. Foi seguido por Hélder Ferreira do União de Tomar a 2.31 e o individual João Vieira (52.13)


Ana Margarida do Alvitejo, foi a vencedora feminina, cortando a meta em 1.05.57, melhor em 4.53 que a individual Ana Roberto, tendo a atleta do União de Tomar Carolina Feliz, vencedora em 2011, terminado em 3º, 1.12.25


De destacar a presença do grande atleta tomarense Luís Mota que completou, na 5ª posição, a sua 29ª presença em outras tantas edições!


Este ano correu-se pela primeira vez uma Dupla Légua, reservada a juniores, com as vitórias de Luís Albino e Susana Rosa, ambos da Casa de Benfica de Abrantes 




A minha corrida foi muito agradável pois coloquei um ritmo certo, mantendo-o ao longo de todo o percurso, sem quebras, acabando bem em 1.25.26, melhor em 34 segundos que a minha outra participação, há 4 anos atrás.
Depois foi um muito agradável resto de dia com esposa e filho, muito bem acompanhados pelo casal Sandra e Nuno.
Uma particularidade com piada, que devem já ter notado na foto inicial, calhou-nos os 3 primeiros números, normalmente aqueles que estão reservados aos grandes campeões!
Posso dizer que antes da prova, já tinha batido um record. Nunca tinha corrido com um número tão baixo, o 2 (o anterior era o 6)


A Sandra estreou uma nova camisola que irá ser a nova camisola dos 4 ao Km, falta apenas colocar a estampagem, passando assim a corrermos com camisolas técnicas.



Fotografias


Classificação 3 Léguas


Classificação Dupla Légua  

sexta-feira, 2 de março de 2012

Spiridon 200 - Depoimento de Egas Branco


Homenagem à Revista Spiridon, na saída do número 200, após 34 anos de publicação ininterrupta.

A primeira vez que vi, e li,  a Revista Spiridon foi com o número 15 (Março/Abril 81) e foi justamente em Abril desse ano que fiz a minha primeira prova de estrada, iniciando uma nova etapa desportiva na minha vida. Nessa altura já a “jangada” dirigida pelo Professor Mário Machado tinha ultrapassado a que suponho ter sido a sua fase mais difícil, singrando a caminho de se tornar o ícone da Corrida para Todos no nosso País.

A partir daí tornei-me um leitor fiel e depois seu assinante, até hoje. E sempre procurando seguir os conselhos e ensinamentos técnicos que a Spiridon me foi transmitindo, não esquecendo o comportamento e a ética desportiva com que a Revista sempre se preocupou. Assim foi durante a minha mais ou menos longa carreira de corredor de pelotão (1981-2006), em 26 anos de muitas participações, muitas alegrias, algumas decepções trazidas pelas lesões, quase sempre inevitáveis em quem quer forçar um pouco mais a máquina que é o corpo humano, aproximando-a dos seus limites de rendimento. Em todos os seus aspectos a Revista foi um guia. Até nas minhas incursões por outros desafios, como a Maratona e a Corrida de Montanha, tendo acompanhado como atleta, e com muito prazer, parte do arranque desta última.

Tornei-me entretanto um modestíssimo caminheiro, depois de mais de um quarto de século como modesto corredor de pelotão. Mas a fidelidade à leitura da  Revista felizmente mantém-se. É que para além da excelência dos artigo técnicos, versando todos os aspectos da corrida a pé, não podemos esquecer que se trata também de uma história quase completa da modalidade em Portugal, com referência a quase todas as grandes competições disputadas entre Novembro de 1978, seu primeiro número, e a actualidade.  Folheá-la e ver as suas capas é recordar muitos dos grandes momentos desta modalidade, lembrando grandes atletas (e estão lá quase todos os que admiramos muito, no feminino e no masculino, neste País), mas também recordando amigos que fizemos ao longo desta actividade desportiva. Se alguns já desapareceram infelizmente do nosso convívio e serão sempre motivo de sentida recordação, outros estão bem vivos e recomendam-se como é o caso da capa do número 199, com grandes exemplos de desportivismo e de fraternidade (além de serem também grandes atletas).

À Revista e à sua Direcção um Bravo pela sua extraordinária proeza de terem tornado realidade um sonho e de o manterem vivo há 34 anos. Votos de continuação, com grande abraço

Egas Branco
(Atleta há mais de 30 anos, maratonista e ultra-maratonista, actualmente caminheiro, co-responsável por um blog dedicado ao Atletismo e não só)

Não deixe de ler o depoimento de António Matias, publicado hoje no Último Km


Na próxima 2ª feira, retomaremos a publicação de depoimentos.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Spiridon 200 - Depoimento de Filipa Vicente


O papel da Spiridon na minha corrida

A corrida é um desporto popular e a Spiridon está realmente escrita para o povo e sobretudo para o povo que corre.

Embora pareça mais uma revista de corrida, os seus conteúdos aproximam-se dos problemas e dos dilemas do corredor popular.

Fala de treino, de alimentação, de saúde, de provas para muitos desconhecidas, dá-nos constantemente uma perspectiva histórica sobre alguns eventos de corrida, uma verdadeira enciclopédia que infelizmente ainda passa despercebida. Pela sua dimensão, por não estar exposta como outras nas tabacarias, porque os tempos são outros, muitos como eu só chegam a esta revista por referências alheias e devo dizer que até hoje não me desiludi.

O plano para a meia-maratona, artigos como o dos tempos de passagem, a motivante crónica da Marathon Des Sables, sobre como cuidar dos pés entre muitos outros destacaram-se na minha preparação para várias provas ao longo destes 2 anos desde que me tornei assinante e desde quando comecei a correr. Neste momento dou frequentemente por mim a ver as edições anteriores a procurar números que interessem ou a ansiar ver a capa laranja na minha caixa do correio.

Escrita de forma fácil e criativa mas nem por isso tecnicamente menos correcta, com mais recursos financeiros e teríamos algo ainda melhor que a Runners World em Portugal ainda antes do número 400. Boas leituras!

Filipa Vicente
(Atleta de pelotão há cerca de 2 anos, nutricionista e colaboradora da Revista SportLife)

Não deixe de ler o depoimento de António Belo, publicado hoje no Último Km