
Há muitos anos atrás, ouvi a história dum homem, não me recordo de que lugar, que tinha um tigre em casa. Apesar de já adulto, foi tratado desde bebé e era completamente pacífico. Melhor, portava-se como um gatinho mas em ponto grande.
Um certo dia, o dono a fazer uma obra, cortou-se. Sangrou e o tigre deu uma lambidela, como fazia muitas vezes, mas não em sangue. Ora, desta vez, ao sentir o sangue, veio ao de cima o seu real instinto, e atacou a mão do homem. Depois, ao aperceber-se, recuou. Mas o seu instinto tinha sido mais poderoso e alterou-o para o resto da vida. Nunca mais foi o mesmo e acabou por ser largado numa reserva.
Apesar da, digamos, educação que recebeu, o sabor do sangue transportou-o para outro patamar mais adequado à sua verdadeira essência.
O que tem esta história a ver com Maratonas?
Eu explico. No verão de 2007, inspirado por um livro do Dean Karnazes, adoptei o sonho de concluir uma Maratona como o meu Olimpo. O máximo que alguma vez poderia chegar, a minha medalha de ouro, o meu sonho maior. De tal maneira que fico de imediato alterado só de pensar estar a finalizar uma Maratona.
Tenho plena consciência, e apesar do que muitos e bons amigos me dizem e que se vão zangar comigo por ir afirmar tal, não nasci nem tenho capacidades para uma Maratona. Mas isso não é impeditivo. Eu hei-de fazer uma!
O tempo final é irrelevante, penso inclusive que o meu limiar estará nas 5 horas, quero é concluir e conhecer o tal famoso muro.
No entanto, tenho um outro objectivo para concretizar primeiro, baixar dos 50 minutos aos 10 quilómetros.
Sinto que estou quase mas nunca sabemos o que o futuro nos reserva. Em Abril de 2007 estava mesmo a alcançá-lo e torci um pé. No final de 2008, quando me preparava para o atacar, uma semana antes parti um pé.
Não estou a agoirar nenhum outro percalço, longe de mim, mas apenas para realçar que o futuro é uma página em branco.
Quando concretizar esse feito, dedicar-me-ei, com muita cabeça, a preparar uma Maratona.
Luto para que até Julho, consiga esse sonho dos 49 que me persegue há quase 5 anos. (E aqui para nós que ninguém nos ouve, julgo que a minha insistência e persistência já mereciam ter sido recompensadas)
Mas em 2007 também era uma questão de dias e estamos quase em 2012. Enquanto não estiver, não está, la Palisse não diria melhor.
Apesar do que me aconselham, duma Maratona no estrangeiro pois o apoio do público é meio caminho andado, por várias e diversas razões gostava que fosse em Lisboa, mesmo conhecedor que o seu percurso não é fácil. Uma das razões é desconhecer como irei estar nos dias seguintes e aqui estou em casa.
Será 2012? Será mais para a frente? Tudo depende, como já afirmei, dos 49 aos 10, porque a partir do momento que vou treinar para a Maratona, esse objectivo fina-se.
E porquê toda esta conversa agora? No domingo já estava em polvorosa e na 2ª acordei virado da cabeça. O desejo da Maratona, que esteve sempre latente, redimensionou-se. Eu estive na partida duma Maratona, por ir fazer o primeiro turno da Estafeta. Eu corri os 10 quilómetros iniciais duma Maratona com os maratonistas à minha volta.
Eu senti-me o tigre a saborear o sangue. E a partir daí, o tigre nunca mais foi o mesmo...









