domingo, 19 de março de 2017

Ontem fez 10 anos a minha 1ª Meia, hoje concluí a minha 50ª (e bem comemorada!)

Vitor, Isa e eu preparados para "derreter" alcatrão

26 de Março de 2006 



Participei na minha primeira corrida. A Mini da Ponte onde corri os cerca de 7.200 metros do tabuleiro aos Jerónimos.
Dois dias antes, um colega perguntou-me se ia à Mini ou Meia. Respondi Mini, acrescentando convicto "Meia não faço nem nunca farei!". Na realidade via os 10 km como o máximo dos máximos que alguma vez chegaria e mesmo assim não seria fácil. No entanto estranhei ao ver os atletas que iam correr a loucura de 21 km. Pensava que só iria presenciar super-atletas mas via muitos com aspecto e idade semelhantes a mim. Inclusive recordo-me duma atleta com aspecto de sexagenária. Como seria possível? 
6 meses depois...

24 de Setembro de 2006 



Esperava no tabuleiro da Vasco da Gama para realizar a Mini, enquanto via no corredor ao lado os atletas da Meia a passarem. Tomei então uma decisão: "Para o ano venho aqui mas vou passar naquele corredor".  Tinha um ano para me preparar.
Mas 6 meses depois...


18 de Março de 2007 





Afinal não foi preciso esperar 1 ano mas sim metade. Neste dia que comemorei ontem 10 anos, estreei-me numa Meia. Onde? No mesmo local onde fiz a minha primeira corrida, a Meia da Ponte. Sem experiência, abusei nos treinos na última semana e fiz a primeira parte como se duma corrida de 10 km fosse. Aos 13 dei um enorme estoiro e depois foi seguir como pude para a meta que cortei em 2.31.29 mas com grandes ensinamentos que me iriam ser muito úteis no futuro. 
Afinal, era meio-maratonista!


02 de Dezembro de 2007



Na minha 3ª Maratona, baixo das 2 horas de forma surpreendente num dia que tudo correu de feição. Desconhecia na altura que esses 1.56.35 seriam o record mais duradoiro que alguma vez tive. Durou 9 anos e 2 dias! (o tempo que aparece na foto é o tempo de prova, não de chip)

04 de Dezembro de 2016



Nos dois meses mais loucos em termos de resultados que alguma vez vivi, este era o dia que ia lutar para bater esse velhinho record. Foi a minha 49ª Meia e nas anteriores 48 apenas por 4 vezes tinha baixado das 2 horas. Além do record que vinha de 2007, as outras três foram de 3 em 3 anos (2010, 2013 e 2016). Queria bater a marca e, se possível, entrar no minuto 55. Loucura das loucuras, o chamado "sonho selvagem", era chegar ao 54. Menos do que isso, nunca me passaria pela cabeça por ser impossível.
Pois, e ainda hoje me custa a acreditar, marquei 1.52.38!!!

19 de Março de 2017 


Tudo sub 2 horas!

Quis o acaso que a minha Meia número 50 fosse disputada no dia a seguir a cumprir 10 anos da primeira e no mesmo local dessa estreia e mesmo da primeira corrida.

Antes do seu relato, uma pequena estatística das minhas 50 Meias-Maratonas.
Foram repartidas por 17 diferentes. A saber:


Lisboa (Ponte 25 de Abril)
8
Nazaré
6
Setúbal
6
Portugal (Ponte Vasco da Gama)
5
S.João das Lampas
5
Lisboa (Xistarca)
4
Descobrimentos
3
Moita
3
Almada
2
Almeirim
1
Coimbra
1
Évora
1
Figueira da Foz
1
Ovar
1
Palácios (Sintra)
1
Quarteira
1
SportZone (Porto)
1

E repartidas assim anualmente:


2007
3
2008
5
2009
1
2010
5
2011
5
2012
6
2013
5
2014
9
2015
5
2016
5
2017
1

Com excepção do ano de estreia e de 2009 (onde estive parado 6 meses por ter partido o pé), o mínimo são 5 anuais, com o máximo de 9 em 2014.

Sendo a Ponte a Meia onde mais participei, e com a carga histórica que tem, faltava-me fazer aqui um grande tempo. O melhor foi em 2013 com 2.08.35, o que significava o 23º lugar entre 49 na tabela dos meus melhores tempos. Quase na 2ª metade, enquanto todas as restantes 6 nessa metade de baixo. E dos 4 tempos mais fracos, 3 foram lá.

Assim, a intenção era realizar um tempo marcante, o que significava abaixo das 2 horas (1.59.59 chegava). Se o conseguisse, seria a 6ª Meia entre 50 a baixar das 2 horas. Mas se 3 foram repartidas por 2007, 2010 e 2013, estas 3 eram nos últimos 6 meses.

Sinto-me em forma, a dúvida era o calor que fazia. Quando estamos em período de calor, estamos mais ambientados, mas quando vem de repente, ressentimo-nos sempre.
Mas a táctica só podia ser uma. Correr para o tempo e logo se veriam as sensações.

Após um primeiro quilómetro mais lento pelo número de atletas, e onde perdi cerca de 40 segundos em relação ao que previa, logo a coisa estabilizou e coloquei o ritmo ideal para o pretendido.

Segui com a Isa e Vítor até sair da Ponte, depois adiantei-me um pouco. E até aos 12 quilómetros tudo foi perfeito. Nessa altura comecei a sentir os efeitos do calor. E a partir dos 13 foi sofrer até à meta. 

A sofrer mas a aguentar. Se não tivesse a "cenoura" do tempo, quase garantidamente que teria perdido ritmo, mas tentei manter. A média apontava para o minuto 57. Tinha 2 minutos de margem e se os gerisse nesses 8 quilómetros, poderia poupar-me até 15 segundos por quilómetro. Mas não quis! Continuei a aguentar o ritmo pelo menos um quilómetro mais (de cada vez) pois não sabia como iria reagir mais à frente e se precisava desses 2 minutos para compensar alguma quebra.

Quando vou a realizar um bom tempo, olho frequentemente para o relógio, forma de receber energia ao constatar o que vou a conseguir. E foi a tal que me agarrei. Pensava "pelo menos manter até ao 14, depois logo se vê". Aos 14, "pelo menos até ao 15, depois logo se vê". E por aí adiante.

Mas não se pense que foi fácil, muito pelo contrário. Sofri a bom sofrer para aguentar o ritmo. Mas pensava constantemente "olha a marca que podes fazer, olha a marca!". 
Uma prova que ia a sofrer, é que nem reparava na maioria dos atletas que passava, só quando me chamavam é que os via mas falando pouco, o que não é habitual em mim.

E quando dei por isso, estava a passar no tapete dos 20 km e a continuar a visar o mesmo tempo que apontava quando fiquei a "arder" com o calor. Foi só lançar a vela e deixar o embalo seguir até à meta que cortei em 1.57.15, o que foi uma grande felicidade e óptima maneira de comemorar a minha Meia nº 50!

Tal como em cima referi, foi a 6ª vez que baixei das 2 horas em 10 anos mas a 3ª nos últimos 6 meses. O 4º melhor tempo de sempre e o 2º melhor dos últimos 6 anos. 

Sem o calor, estou perfeitamente convencido que baixaria pelo menos um minutinho, no que seria a 2ª marca de sempre, mas o facto de ter vencido o calor, valeu por tudo!

Pela 5ª vez em Portugal, uma prova contabilizou mais de 10 mil classificados, sendo a 3ª consecutiva na Ponte, cujo record vem de 2015 com 10.561, tendo hoje registado 10.493
O record é da S.Silvestre do Porto 2015 com 10.880

E pronto, é o que tenho a dizer desta Meia que, para mim, foi um marco histórico pela 50ª vez que alinhei e concluí uma prova de 21.097 metros.
No total foi a minha corrida nº 390 e costumo ouvir muitos atletas, quando se cruzam antes de qualquer partida, cumprimentarem-se com "mais uma...".   
Sei que é um "desbloqueador de conversas" como diria o Nuno Markl, mas o que é certo é que, seja qual for o evento, para mim nunca é mais uma corrida. É uma corrida! Corrida que me dedico com toda a paixão própria de quem corre por (muito!) prazer.





E para terminar, uma foto dos meus novos "pneumáticos". Como sempre, Adidas Supernova. Agora com modelo novo onde se destaca um novo piso, integralmente com borracha Continental, e 3 camadas de boost em vez de 2.
Durante a semana irei treinar com eles para fazer a rodagem e serão estreados no domingo na Corrida de Solidariedade ISCPSI / APAV

Uma boa semana a todos!

domingo, 5 de março de 2017

Nas Lezírias (travado pela lama)

Em plena Ponte (Foto Fernanda Silva)

Duas semanas após a Maratona de Sevilha, regressei à competição mas para uma corrida, supostamente, calma em ritmo de treino. Daqui a mais duas semanas, na Meia da Ponte que será a minha 50ª Meia, aí já será para ir num ritmo mais vivo.

A ideia era rondar o ritmo de 6.00 o que daria um tempo à volta de 1.33 (já que a prova tem 15.500 metros). Acabei em 1.28.52 o que indicia que fui um bocado mais rápido do que o idealizado mas o tempo não conta toda a história, longe disso.

Parti com o colega de equipa Aurélio. Éramos 4, além do Aurélio estava o Luís e o aniversariante Eberhard.

Até à Ponte de Vila Franca, mantive-me no ritmo pretendido. Na subida impus um ritmo melhor e senti-me bem, Quando dei por mim corria a um ritmo na casa dos 5.20 e a sentir-me confortável e sem grande esforço. Decidi então manter.

E assim fui até passar o oitavo quilómetro. Nessa altura o tempo estimado era uns não pensados (para a intenção da prova) 1.23/1.24 mas como sentia-me bem, tudo bem. E aconteceu o imprevisto.

A ir para a meta (Foto Marta Feio)
Nas últimas edições que estive presente, o regresso era pelo mesmo caminho da ida, que é em terra batida e que apenas ganha umas poças com a chuva. Este ano o regresso foi junto ao rio e aí o piso é diferente. E quando dei por mim, tinha um mar de lama em frente e a toda a largura do caminho. Com uns sapatos de estrada, não dava para arriscar, a menos que quisesse cair. Não me restou outra solução que andar nesses bocados e a tentar equilibrar-me. 

Foram cerca de mil e quinhentos metros nesse estado, onde andei mais do que corri. Quando pude retomar o andamento, tinha perdido 4 minutos em relação à média que vinha efectuando. E claro que, após essa paragem no ritmo, já não consegui retomar os 5.20 por km mas sim 5.30, o que perfez na meta os tais 1.28.52, muito melhor do que esperava, mas podendo a história ser outra sem aquele contratempo.

Sempre contente e feliz por correr (Foto Marta Feio)
Uma coisa é certa, e ainda na 3ª feira após o treino de homenagem à Analice escrevi isso. Nem todos somos iguais e a verdade é que não tenho jeito algum nem equilíbrio para este tipo de piso. Além de me deixar algumas mazelas, nomeadamente a nível de joelhos.

Como sempre, apreciei muito o ambiente e organização desta prova, uma corrida à antiga em tudo o que se possa extrair de positivo nesta afirmação. 
Foi a minha 8ª presença. Entre 2007 e 2014 apenas falhei 2009 pela fractura do pé esquerdo. Nos últimos dois anos a ausência deveu-se à preparação para as Maratonas de Paris e Barcelona. 
Gostei muito de regressar mas à saída fiz uma espécie de despedida. Estou a 3 anos dos 60, quero correr muitos e bons anos e para isso tenho que me preocupar com pisos que não me causem maleitas, como é o caso do que apanhamos nas Lezírias.



E ainda regressando à Maratona de Sevilha, como se devem recordar, dediquei-a aos meus "sobrinhos" Filipa e Tomás. Pois, e com a devida autorização dos pais, aqui está uma fotografia com a medalha e com os dois, ambos com um babete que afirma "Futuro Maratonista" (como está em espanhol diz maratoniano)