domingo, 29 de maio de 2016

Na excelente e muito bem organizada Corrida de Belém, a correr para a melhor marca desde final de 2013

A equipa 4 ao Km presente: Vítor, Isa, eu, Joana e Eberhard, numa foto tirada pelo grande João Branco num regresso que se saúda após uma obrigatória pequena pausa (e só agora reparei que não tirei fotografia com ele...)


Por razões várias, só nesta 4ª edição pude conhecer, finalmente, a Corrida de Belém. Uma corrida que registou a sua melhor participação, o que foi uma justa recompensa para quem a organizou de forma tão cuidada, sabendo bem como os atletas gostam de ser tratados.

Partida e chegada na pista do Estádio do Restelo, pista que era desconhecida para mim até meio da semana anterior à que passou e onde pude correr 2 vezes nos últimos 11 dias, após as Noites Quentes do Restelo.

Percurso duro mas bonito, aliciante, empenhativo e selectivo. Arrancando da pista e após 3/4 de volta, saída em subida até à Avenida das Descobertas, cortando no cruzamento à direita, completando os primeiros dois quilómetros a subir. Tudo o que sobe, desce, e foi o que se passou com descida pelo outro lado do Estádio que contornámos para depois descer até à Avenida da Índia pela Avenida da Torre, com a majestosa Torre em frente a proporcionar bela vista. Na Avenida da Índia seguimos até cerca da Cordoaria onde se deu o retorno até ao Centro Cultural, seguindo para o Planetário e a sua avenida paralela. Uma subida dura, dura para quem vinha com 9 quilómetros nas pernas mas obrigatória para o regresso à pista do Restelo, terminando assim uma bela corrida.

Após a minha muito boa actuação em Alverca (apesar daquele amargo por perder no final uma marca melhor), os treinos seguiram bem e na 6ª até registei 4.02 numa das séries de mil metros, o que foi o meu 2º mais rápido quilómetro de sempre, apenas batido por um em 3.58 em Novembro de 2010.

As expectativas para uma boa marca estavam assim em alta, apesar da consciência que não ia ser fácil neste percurso. Mas há que lutar e lutar para um dia chegar àquilo que persigo há mais de 9 anos (baixar dos 50).

Fiz um bom aquecimento, preparando as pulsações para o que iriam apanhar de início e logo na pista tentei começar a impor um ritmo adequado para realizar uma boa marca mas fazendo o equilíbrio com o não me desgastar de forma à energia não esgotar antes da meta.

Fui bem (melhor do que esperava) na subida das Descobertas e tentei perder o mínimo possível na descida (sabendo que desço mal). Quando entrei na Avenida da Índia pude consolidar a velocidade, tentando esquecer que estava numa longa recta (onde normalmente não rendo o habitual). Mas tudo bem, mesmo no retorno onde estava um pouco de vento contra mas que, ao contrário de Alverca, não foi o suficiente para prejudicar.

E quando cheguei àquela terrível subida final, foi tentar aguentar o máximo possível sem pôr em causa o que desde o início a média apontava, para 51 alto, cortando assim a meta em 51.47

Não entrava no minuto 51 desde final de 2013, há pouco mais de 2 anos e meio. Atendendo à dureza deste percurso, foi uma marca ainda melhor do que já o é. 
Naturalmente, além de melhor marca destes 2 anos e meio, passa a constituir também record do meu actual escalão.

E se em Alverca fiquei admirado pela rara ocasião de ter ficado na 1ª metade do pelotão, hoje ainda foi de forma mais significativa pois classifiquei-me em 246º entre 668 companheiros de estrada.
Não que o lugar onde termino me preocupe (apenas me interessa a marca) mas dá para aperceber do momento especial que estou a atravessar e da dureza da competição.

Apetecia-me terminar com a pergunta "Será que vai ser desta?" mas já estive tantas vezes tão perto e aconteceu sempre algo que não me atrevo a perguntar.

Próxima prova: Domingo, Corrida do Oriente, na minha 10ª participação em 11 épocas.



domingo, 22 de maio de 2016

Na muito bem organizada Corrida de Alverca

Os 4 ao Km presentes, eu e Luís Feio

2ª edição da Corrida Cidade de Alverca que foi um exemplo de organização por todo o cuidado e atenção que os organizadores tiveram com todos os pequenos pormenores, tanto no dia da prova como nos meses anteriores com o envio de mails contendo informações e notícias importantes sobre o evento.

Está assim de parabéns a Portugal Talentus, que contou com o sempre imprescindível apoio técnico da Xistarca mais o apoio da Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo e Sobralinho, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, IPDJ e Força Aérea Portuguesa, com o ex-libris da corrida ser a passagem pela pista de aviação pioneira em Portugal.

No ano passado a prova já tinha merecido fortes elogios mas este ano com a mudança de percurso ganhou um reconhecimento ainda melhor. Além do facto de ter passado de sábado à tarde para domingo de manhã, o que diminuiu  as hipóteses de se repetir a forte canícula que marcou a edição inaugural.

Para mim, esta prova constituiu mais uma luta pelo objectivo que me persegue desde Fevereiro de 2007, o baixar finalmente dos 50 minutos aos 10. É para isso que estou a treinar agora nesta fase de intervalo entre Maratonas e esta foi mais uma preparação.
Para quem me segue há pouco tempo, posso muito resumidamente dizer que já estive várias vezes à porta desse tempo mas tudo sucedeu a impedir. Desde corridas que não chegavam aos 10 km exactos e onde seguia com média capaz de baixar dos 50, a pé torcido, a pé partido, tudo aconteceu nos momentos chave. O record mantém-se assim, teimosamente, em 50.08 à espera que um dia se dê o milagre, só me faltando cair um satélite em cima quando estiver para cortar uma meta no minuto 49, como costumo dizer de brincadeira. 

Hoje, sentia-me um pouco na incógnita de como o corpo iria reagir após o grande desgaste de 4ª feira mas iria começar a tentar um bom ritmo e depois logo se via. Não seria o "dia de glória" mas de imprimir um bom ritmo para estudar para próximas oportunidades pois essa é a minha dificuldade, o equilíbrio entre um ritmo inicial necessariamente mais controlado mas que não coloque em causa o tempo final nem faça a energia esgotar antes de tempo.

E foi assim que fiz 6 fantásticos quilómetros pois segui a média para realizar 51 muito baixo (marca que não faço desde final de 2013) e com indicações muito boas pois sentia-me solto e bem.
O receio que tinha de o desgaste de 4ª poder influenciar, funcionou ao contrário pois deu a sensação de estar mais aberto. E o melhor era a sensação de estar confiante em conseguir manter o ritmo até ao final. Mas... 

Mas... ao chegar à longa recta de um quilómetro na pista de aviação, mesmo junto ao rio, apareceu pela frente um adversário inesperado em forma de vento contra. 
Tentei o melhor mas o certo é que tinha feito os 2 últimos quilómetros em 5.04 e este passei para 5.24. Ok, perdi 20 segundos mas ainda dava bem para dentro do minuto 51. Daria, se não fosse o desgaste que apareceu por tentar vencer o vento o mais rápido possível. 
Vinha dum ritmo bom e certo e aquele vento alterou a pulsação e nada mais foi igual nesses 3 quilómetros finais.

À entrada do último quilómetro já era claro que afinal o tempo seria na casa dos 52 e não 51 e aí funcionou, ou melhor, deixou de funcionar, a cabeça pois a parte anímica quebrou e arrastei-me nesses mil metros finais a subir. 

Cortei a meta em 53.10 o que mesmo assim é a melhor marca do ano, batendo por 7 segundos o que tinha conseguido em Constância.
E, tornando a referir o mesmo assim, aconteceu uma coisa que é rara em mim. O meu lugar é na 2ª metade do pelotão. Foi aí que terminei por 345 vezes em 367 provas realizadas, Hoje foi das raras vezes que terminei ainda na 1ª metade (atrás de 285 e à frente de 291 companheiros de estrada). 

Apesar de saber que podia ter sido bastante melhor, tenho que potenciar estes sinais, em especial a facilidade do ritmo nos primeiros 6 antes do vento dar cabo de mim, e olhar para as próximas, à espera que um dia ainda seja possível aquilo que escapa desde 2007 e ignorar o peso do factor idade :)



Entretanto, ontem foi dia de adquirir novos sapatos de corrida (digo sapatos de corrida para ser estendível por todo o país e não ténis ou sapatilhas!).

O meu esquema é de usar em corrida os sapatos novos e os anteriores em treino. Ora assim, quando os de treino ficam desgastados, os de corrida ainda estão bons e passam para treino.

Estes foram os 13º que comprei, sendo os 10º Adidas Supernova Glide, modelo que não quero trocar pois resolveu-me problemas que sofria pela especificidade da minha passada.

Curiosamente, com este modelo comecei na versão 1 e agora já vai na 8.

Já foram amarelos, brancos, laranja, cinzentos, pretos, verdes, este ano o modelo está em azul.

Logicamente não os usei hoje, pois nunca experimento nada em corrida. Farei um treino com eles durante a semana e no próximo domingo terão a estreia oficial na Corrida de Belém, o que até é indicado por serem azuis. Tal como o facto de irem à Maratona do Porto.

Apresento-vos os meus novos pneumáticos:


quinta-feira, 19 de maio de 2016

O meu record dos 3.000 caiu nas Noites Quentes do Restelo

Os 4 ao Km presentes, os dois Joões, Cravo e Lima. Ambos com record pessoal

Última recta, já mal consigo abrir os olhos. O coração e pulmões ameaçam saltar boca fora. Mas o melhor tempo jamais realizado por mim em 3.000 metros e a melhor média de sempre numa corrida estão por um fio. Portanto, é continuar a dar forte e feio.
Após a meta, concluo que é mais fácil fazer uma Meia-Maratona do que uma corrida destas onde tem que se ir a matar desde o primeiro metro.

Quem estiver por fora das corridas, pode achar ridículo que se afirme que 3 km podem ser mais duros que 21, mas em 21, pelo menos os atletas da minha categoria (os chamados lá de trás), vão a gerir o esforço. A dar tudo o que têm mas de forma controlada para a energia se estender por 21.097 metros. 
Habituado a que estou a corridas de 10 ou mais quilómetros, o primeiro km é para ir aumentando gradualmente as pulsações para depois começar a impor ritmo. 

Ora numa corrida desta natureza, não pode haver contemplações, é o máximo dos máximos desde o tiro de partida, o que me deixa sempre nervoso antes destas provas com medo que o gás esgote antes da meta ou que se termine com a sensação que podia-se ter dado mais. A dificuldade do equilíbrio perfeito.

Felizmente nas minhas duas anteriores experiências, Challenge 3000 no Jamor, correu tudo na perfeição. E não foi ontem que se deu a excepção a essa boa regra.

Os 12 atletas da nossa série
Os Belém Runners, após 2 eventos no ano passado, organizaram mais uma Noites Quentes do Restelo. Quis o acaso que a noite estava fresca mas percebo o termo quente pois após os 3.000 metros, estava bem quente! Quente e a sentir-me mais no além do que aqui. E com um cansaço só superado quando corto a meta em Maratona. Apesar daí ser um cansaço completo e geral e aqui é a nível de caixa que esgotou toda a sua capacidade.

O meu record estava em 13.53, média de 4.37,6 por km. Um quilómetro em série faço esse tempo e até mais baixo, mas maior distância a esse ritmo já é entrar noutro domínio.
O ideal, para o bater seriam 55 segundos por cada 200 metros. Fazíveis umas 5 ou 6 vezes mas aqui obrigaria a 15.

A armada 4 ao km em pleno esforço no Restelo
Dada a partida, tentei ir, com sucesso, para esse ritmo, não me preocupando com a posição dos meus 12 companheiros de pista pois interessava-me era o meu tempo, não o lugar.

A coisa foi-se mantendo mas sendo cada vez mais difícil manter a vivacidade desse ritmo. Não podia pensar em quanto faltava mas uma volta de cada vez. 



Nestas duas fotos nota-se muito o esforço na minha cara? 

A 2 voltas do final, estava por um lado feliz pois conseguia manter a média para record mas preocupado pois receava que a qualquer momento desse o estoiro final. E senti quase a acontecer na curva entre os 2.400 e os 2.500. Mas ao entrar nessa recta, sabia que lá ao fundo ia iniciar a última volta. 
Coragem! Só mais um bocadinho! 
E o coração e pulmões a quase saírem boca fora.
Vou fechando os olhos como que ajudando a manter o esforço e foco.

E entro assim na última recta, a conseguir manter a mesma velocidade mas sabendo que são as últimas das últimas reservas.
A poucos metros, apercebo-me que já nada me irá impedir de bater o record pessoal.
Corto assim a meta em 13.46, média de 4.35,3




Sequência da minha chegada
Os minutos a seguirem foram longos até começar a estabilizar a respiração. Mas tinha conseguido!
E de todos os 110 atletas em acção nas diferentes séries de 3.000, juntando todas essas classificações fui o 2º no meu escalão, o dos "velhotes" (para estas coisas) entre os 55 e os 59 anos.
Não me perguntem quantos eram do meu escalão pois isso não vem para aqui chamado :)

Próxima prova: Corrida de Alverca no domingo (10 km) 



Nota - Agradeço ao Armindo Santos as fotos que lhe fui "roubar", dando os parabéns por mais uma fantástica reportagem

segunda-feira, 16 de maio de 2016

UTSM ou como a insensibilidade destrói sonhos

Este artigo é uma opinião pessoal de alguém que não participou no Ultra Trail de São Mamede mas que acompanhou in loco a prova desde as 7 da manhã até depois da meia-noite, tendo passado por todos os PAC entre o 4º e o 9º.

E sem dúvida que este não era o artigo que pretendia escrever e que nunca pensaria fazê-lo pois estava a assistir a uma organização em grande, com especial incidência aos voluntários nos PAC que passaram longas horas no seu posto e ofereciam sempre o maior apoio e simpatia aos atletas que iam chegando. E como importante é esse apoio a quem está a praticar um esforço tremendo.

Lamentavelmente, toda a grandiosidade deste evento ficou manchada por uma atitude incompreensível, e não constante no regulamento, que destruiu o esforço de três atletas, obrigados ditatorialmente a morrerem na praia quando já tinham passado os 97 km dum total de 102 que compunham este desafio.

Dois desses eram a Isa e o Vítor que estabeleceram um plano de 3 anos no UTSM, com presença em 2014 e 2015 nos 42 km para se balancearem para os 100 este ano. 

Estudaram o regulamento e verificaram que havia 3 barragens. PAC 3 (30 km), onde tinham que passar até às 7 horas de prova, PAC 6 (60 Km), até às 14 e PAC 9 (91 km) até às 22.30. O limite na meta eram as 24 horas.

Analisando estes tempos, realça uma incongruência entre o tempo limite no PAC 9 e a meta pois quem chega em 22.30 para 91 km, mantendo a mesma média nos últimos 11 km demorará 2 horas e 43, chegando assim às 25.13
Mas também é verdade que em todas as anteriores edições foram classificados atletas até bem depois das 24 horas, como no ano passado onde os últimos chegaram em 25.14, como a página do Facebook da prova destaca bem.
Naturalmente que nada quereria dizer que este ano não fechassem mesmo às 24 horas, como estava no regulamento, mas uma coisa é chegar à meta com o controlo fechado, outra é nem lhes ser permitido concluir a parte final do trajecto.

A Isa e o Vítor estiveram sempre muito bem e decididos, provando que tinham capacidade para a distância e para o projecto que delinearam para estes 3 anos e que se consumaria neste fim-de-semana.
Conscientes das suas capacidades, iam tendo em conta os tempos limites, seguindo em todos com margem.
No PAC 3 passaram com mais duma hora de avanço, no PAC 6 com 45 minutos e no PAC 9, já com a dificuldade adicional da noite ter caído, chegaram com 35 minutos de avanço, tendo demorado cerca de 15 minutos no PAC. 

Nesta altura foram apanhados pelo vassoura que acompanhava a última atleta em prova e seguiram os quatro.

Já nenhuma dúvida restava sobre que iriam concluir os reais 102 km. Tinham passado a última barreira e estavam preparados para os últimos 11 km, para cumprirem o seu sonho.
Claro que haveria a dúvida sobre se iram ser classificados (pelos anos anteriores sim), mas sentiriam a glória da meta e a certeza que tinham conseguido concluir uma prova com 3 dígitos.

Até lá, uma passagem pelo último PAC, o 10 com pouco mais de 97 km e a quase 5 km da meta. 

E é aqui que surge o caso. Foram informados que não poderiam continuar pois iriam chegar depois das 24 horas. 
Defenderam-se invocando o regulamento, onde não constava nenhuma barreira no PAC 10. Após o PAC 9 apenas haveria na meta. Reclamaram e quiseram falar com o director de prova. Chegou a haver uma chamada telefónica por parte da outra atleta para o director mas este desligou ou caiu a chamada. Depois souberam que ele se ia dirigir para lá. 
Entretanto na meta, chegavam dois atletas com 24.17 e eles continuavam no PAC 10 à espera. 
Quando aí chegaram, a média daria para cortarem a meta com 25.00 / 25.05. 
10 minutos antes de chegarem ao PAC 10, tinha passado por esse PAC uma atleta que depois cortou a meta em 24.50 e foi classificada. Eles teriam chegado à meta 10 minutos depois, o máximo 15.

Claro que havia esperança que o director de prova resolvesse a contento o problema. Era tudo uma questão de sensibilidade e bom senso, além de se cumprirem os regulamentos onde não havia barreira no PAC 10.
E para que servem os regulamentos? Não só para os atletas terem que cumprir, sob pena de desclassificação, como os próprios organizadores serem os primeiros a respeitarem as regras que criaram! 
Pode haver excepções? Sim, claro, casos imprevistos (os tais casos omissos), como condições de tempo adversas ou os atletas apresentarem sinais que poderá colocá-los em risco. 
Ora nenhuma desta situação sucedeu, portanto nada havia que obrigasse a uma excepção

Também importante é saber qual o papel dum director. Não é para ostentar um título importante mas sim alguém a quem os atletas sabem que podem falar em caso de algum problema. Depois, cabe-lhe decidir.
Ora ouvir os atletas não fez parte das funções deste director que chegou lá e decidiu da pior forma, ditatorialmente pois não permitiu alegações dos atletas, esquecendo-se da real importância da sua função. 

Claro que estaria acordado há demasiadas horas e bastante desgastado, mas... e os atletas que estavam em esforço há 24 horas? Que tinham aguentado tudo e lutado pelo sonho da meta? Para quem, como dizia a outra atleta, o realizar esta distância era o seu grande sonho? 

Não só não estava no regulamento barragem no PAC 10 como nada custava deixar seguir estes atletas até à meta, independentemente de os classificar ou não.
E se havia alguma justificação, não foi dada. Ora como não foi dada, como seria obrigação dum responsável, corresponde a não haver qualquer justificação.

O que esta decisão fez foi cercear de forma cruel todo o esforço e sonhos destes três atletas. Com que benefício?

Na altura, estava eu junto à meta e reclamei sobre este facto. Reagiram duas elementos da organização. Uma conhecida atleta que reagiu de forma correcta mas outro elemento foi muito infeliz ao criticar o ritmo a que estes três atletas vinham. Ora a organização colocou 3 barreiras e eles cumpriram em todas. Se a organização colocou esses tempos limites é que até essa altura é aceitável.
Fica bem a um elemento da organização mesquinhar com o andamento de atletas quando estes até cumprem com o pedido? 
Claro que para o limite na meta já não mas aí houve um tremendo erro de cálculo por parte de quem os estabeleceu pois que expliquem como alguém que passa aos 91 km em 22.30 consegue passar às 24 em 102.

E sobre essa crítica do ritmo, que a organização decida quem quer ter como inscritos. Apenas elite e diminuem fortemente os tempos limite, ou fazer a festa da corrida, permitindo também a presença de atletas que não correm tão rápido mas que dão tudo o que têm, que se esforçam de igual forma, que vão aos limites dos seus limites e mais além, e que enchem as listas de inscritos, constituem a maior fatia da receita das inscrições, dão muita mais visibilidade e divulgação à prova e seus patrocinadores e contribuem para não ter havido um quarto para alugar em Portalegre, com os devidos benefícios para todo o comércio local.

A Isa irá depois fazer o relato da prova no seu blogue, apenas pretendi aqui relatar o que vi, a minha opinião pessoal, e salientar o que uma decisão, incorrecta e mal avaliada pesa no destruir de sonhos de quem tanto se esforçou e cujo final é irrecuperável.

Nota: A Mafalda tirou centenas de fotografias a muitos e variados atletas em vários PAC e nos próximos dias irão ser publicadas aqui.

domingo, 8 de maio de 2016

Na bonita Meia de Setúbal, com record pessoal no escalão

Os 4 ao Km presentes: Eu e o casal Aurélio (Meia) e Conceição (caminhada)

Muito gosto eu deste novo percurso da Meia de Setúbal, estreado no ano passado!

Um percurso desafiante, ondulante e com paisagens muito bonitas no caminho na serra para a Arrábida.
Juntando-se a estes pontos, uma organização profissional, cuidada, atenta aos pequenos pormenores, e temos tudo para ser uma Meia marcante no calendário.
E quando digo atenta, não é só em relação aos atletas mas incluindo os acompanhantes pois, dado que a partida e chegada são distintas, disponibilizam autocarros para levar após a partida os acompanhantes e familiares para a chegada.

Os avisos meteorológicos eram preocupantes e a cerca de 2 horas a organização confirmou no Facebook que, em conjunto com a Protecção Civil, a prova poderia avançar. 
E, uma vez mais, S.Pedro foi amigo dos atletas! Uns ligeiros borrifos na altura da partida, que mal se sentiram, e uma chuva ligeira cerca da hora e meia de prova, chuva que durou uns 2 minutos e até serviu para refrescar. Alguns sítios com vento mas nada que prejudicasse. De resto, tudo perfeito para uma muito agradável manhã.

Registou-se uma ligeira modificação no percurso, que em nada fez perder a sua característica e melhorou o único ponto menos bom do ano passado, onde no final tínhamos que ir dar nova volta ao Bonfim. Ora hoje fomos mais longe após o Bonfim e assim evitou-se essa 2ª volta. 

A minha intenção para esta prova era fazer uma prova agradável e tentar bater a marca do ano passado, 2.06.15 o que para mim e para a dureza do traçado, foi uma rica marca. Hoje bastava fazer um segundo menos.

Parti bem e solto e lá fui andando bem disposto e contente. Apenas por volta dos 4 km senti um ligeiro cansaço nas pernas mas, tal como veio, foi-se.

Sempre certinho e com boas sensações, fui fazendo a minha corrida sem entrar em loucuras. No final, a alegria de 2.03.58, bem melhor do que a já boa marca de 2015, e que em 45 Meias que o meu currículo soma, é a minha 8ª melhor de sempre. Sendo num percurso tão exigente, é uma grande marca para mim e um magnifico indicador.
E estando no escalão M55 desde Abril 2015, foi a minha melhor marca neste escalão! 

No final, havia uma certa discussão sobre se esta Meia é mais ou menos dura que a famosa Lampas. Pessoalmente, considero as Lampas mais duras mas, curiosamente, a maioria dos atletas ouvidos referia esta. 
Há aqui dois pontos a ter em conta. Por um lado, tinha-se acabado de fazer esta e sentia-se ainda o cansaço, o que poderá influenciar na escolha. Por outro lado, também tenho que admitir que as Lampas custam-me sempre mais pois coincidem com o dia que regresso de 2 semanas pelas praias algarvias, o que acaba por influenciar o meu rendimento.
Seja uma ou outra, ambas são muito boas, bonitas e imperdíveis.

A minha próxima prova é na 4ª feira 18 de Maio na pista do Estádio do Restelo, no evento Noites Quentes do Restelo, com séries de 3.000 metros por desafios (sub18, 15, 12 e 10, indo eu ao sub15).
E assim passo de 21 para 3 km!

Não quero terminar sem congratular o nosso atleta João Cravo que ontem se estreou, brilhantemente, no Triatlo com distância olímpica. Parabéns João, foste fantástico!



domingo, 1 de maio de 2016

No 1º de Maio a lutar para bater o meu record mais antigo


O meu record mais antigo é o dos 15 km e vem desde 11 de Novembro de 2007. 3 semanas depois alcancei o da Meia e esses são os dois sobreviventes de antes de 2010, sendo os únicos feitos na casa dos 40 anos. Todos os restantes já foi comigo cinquentão.

Este de 15 foi alcançado na Corrida pela Saúde do Hospital Amadora-Sintra onde registei 1.20.20

Apenas em 2011 estive perto de o derrubar. Foi na Corrida dos Sinos onde ao fazer 1.20.22 fiquei a 2 escassos segundos.

Provas de 15 km há poucas e praticamente vou apenas à dos Sinos, 1º de Maio e Fogueiras, além das Lezírias mas que dista de 15,5. Assim, apenas no ano passado tornei a entrar no minuto 20 ao realizar 1.20.43 (a 23 segundos) no 1º de Maio e 1.20.30 nas Fogueiras (apenas a 10 segundos!).
Estes tempos apareceram sem estar à espera. É daqueles dias. 

No entanto para hoje, o caso era diferente. Sem dizer nada a ninguém, já há mais dum mês que tinha marcado esta corrida como aquela onde iria atacar o meu mais velho record. 
E para tal, estava à espera de tudo. Inclusive o rebentar a meio pelo ritmo que ia imprimir. Mas era um risco calculado pois a corrida de hoje foi feita sempre com esse objectivo.
Se o consegui ou não, terão que ler as linhas abaixo. Sem fazer batota e ir já ler o final! :)

Como esta Corrida do 1º de Maio, que hoje se disputou pela 35ª vez, tem um percurso ondulado, não se pode idealizar um ritmo linear pois a meio temos a descida da Avenida da Liberdade e no início da 3ª légua a subida da Almirante Reis.
Portanto, ontem à noite estudei muito bem os tempos que realizei no ano passado, onde fiquei a 23 segundos, para servir de comparação a este ano. 

Depois de conviver com uma série de amigos, lá fui para a partida com o Orlando Duarte ao meu lado, no que iria ser uma preciosa ajuda para me motivar no ritmo quando a coisa começou a doer, tal como o Diogo e Sandra Arraias a partir de cerca de metade da prova.

A minha dificuldade é sempre o início mas aqueci bem e consegui fazer um primeiro quilómetro equilibrado entre o não aumentar em exagero as pulsações e não perder logo preciosos segundos. Tudo bem portanto. E assim segui até ao 5º quilómetro onde faço uma primeira comparação com o ano passado. E... ia 23 segundos melhor que em 2015! O que significava que tinha já recuperado os 23 segundos a mais com quem terminei em 2015. Para os últimos 10 km, "bastava" ser 1 segundo mais rápido que em 2015.

Porém, esta 2ª légua iria ser muito importante pois foi aqui que em 2015 fiz um tempo muito bom. Dos 23 segundos que tinha a recuperar do ano passado, 23 estavam recuperados, a ver se não iria perder aqui importantes segundos.

Foi no início desta 2ª légua que confidenciei ao Orlando Duarte o propósito desta corrida, E que estava preparado para a eventualidade de quebrar mas iria lutar até dar.

Já com o Diogo e Sandra Arraias, seguimos os 4 e no início da provação que ira ser a Almirante Reis, altura para novo controlo. Incrivelmente, fiz o mesmo tempo (ao segundo certo!) que em 2015, o que significava que "bastava" tirar 1 segundo à marca de 2015 na última légua.

Mas coloquem mesmo aspas nesse bastava pois o cansaço estava só a fazer "toc-toc". Ia no limite e sem margem.

Perdi 4 segundos no 11º quilómetro e 3 no 12º. Tinha agora 7 segundos a recuperar, mais o tal segundo que iria fazer a diferença. 
A partir daqui deixei de fazer contas até à pista.

Senti-me a reagir no 13º quilómetro, com o alívio de acabar a subida para o Areeiro e continuei a cheirar o record.

Passo aos 14 sinto que é hoje! Nessa altura o Orlando Duarte grita que falta apenas o Jorge Branco (Último Km em alusão ao seu blogue).

Meto na cabeça que vou conseguir. Estou nos limites mas a adrenalina ao máximo o que faz com que dê um esticão na  Avenida Rio de Janeiro onde já vejo o estádio. É hoje! Tem que ser hoje!

Mantenho o bom andamento, puxando o que posso e como posso. Entro no Parque de Jogos. Sinto o record! Entro na pista e estou convencido que vai dar e preparo-me para a 200 metros da meta (na pista é fácil vermos a distância exacta que falta), fazer um daqueles meus sprints.

Estou a 200 metros, vou arrancar para o sprint, num instante olho para o relógio e... faltam 20 segundos! Impossível!!!
Como prova da impossibilidade, basta ver que o record nacional de 200 metros é de 20.01...

Se fizesse o tal sprint, iria ficar a pouco mais de 10 segundos do record. Fiquei a 34 pois esses 200 metros foram a arrastar. 
A partir do momento que me apercebi que já não era possível, perdi ar mais rápido que um balão. Perdi toda a força que ainda tinha.

Corto a meta em 1.20.54 e, tenho que dizer, frustrado. Foram 14.800 metros a sonhar com o record e quando parecia que o tinha, afinal não.

Sim, sei que fiz um rico tempo, que entrei na casa do minuto 20 mas, como bem sabem, quando estamos assim carregados de adrenalina, ou conseguimos o objectivo e é a explosão, ou cai-nos esse peso em cima.

Sei que vão dizer que estou perto e que o dia estará a chegar mas isso também foi dito nos Sinos 2011, 1º de Maio 2015 e Fogueiras 2015.

Bom... hoje é para curtir a decepção, amanhã regresso à luta. Até porque tenho muita coisa a tentar neste ano de 2016! Venham os próximos! 



(Foto Fábio Dias) Com a Sandra Arraias a quem desejo uma excelente estreia como maratonista no Porto